História The Game (HIATUS) - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Demi Lovato, Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Demi Lovato, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags Camren, Drama, Romance
Visualizações 40
Palavras 3.038
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Ah, não


POV CAMILA

 Escalaram até a parte alta da floresta e começaram a descer uma leve inclinação do outro lado, passando por entre árvores que se tornavam mais e mais distantes umas das outras até que o grupo chegou, rindo, à beira de outra clareira. Mais ou menos a 90 metros de distância, abaixo das árvores, Lucy que tinha saido na frente estava parada no centro do espaço aberto. Dinah ergueu o braço, detendo Camila antes que ela deixasse a mata. 

— Ah, não — disse ela. — Olha.

 Um cara se apoiava contra um arvore próxima. Não as havia visto ainda, mas fitava diretamente Lucy, que estava a uma curta distância do bronco.

 As entranhas de Camila se apertaram, a boca ficou seca. Mas não, precisava ser forte. Imaginou a pessoa mais forte que conhecia, Lauren, e usou essa imagem como se fosse uma cruz de prata contra um vampiro para afugentar a voz do medo.

 Então, uma risada de verdade chegou a seus ouvidos e os jogadores do cara entraram na clareira. Ela cerrou os punhos. 

— Tá legal, vamos lá. 

Dinah mirou-a com os olhos arregalados. 

— Tá louca? Sabe o que vai acontecer se formos lá embaixo?

 — Não… mas nós duas sabemos o que vai acontecer se não formos. 

Keana esticou a mão para pegar o braço da garota, mas Camila a deteve com um olhar severo. 

— Você não conhece esses caras, são os que brigaram com a Lauren — disse ela. — Devíamos só esperar. 

— Não. Lauren não abandonaria a Lucy, e eu também não vou. — Meio enlouquecida de medo, marchou para fora das árvores, forçou um sorriso no rosto e disse, num tom despreocupado: — Ei, caras. Vocês venceram a gente aqui.

 — Não, ainda não — respondeu um deles. 

Outro riu levemente. Era um ruído maldoso, sujo.

 Embora tivesse vontade de voltar correndo para as árvores, Camila forçou-se a continuar descendo o morro. 

O cara moveu-se rapidamente. Ela viu o rosto do rapaz se alterar, viu o corpo mudar e teve apenas tempo bastante para entender o que estava acontecendo antes de ouvir o baque e o ganido de Lucy. Esta caiu no chão e se enrolou, apertando o estômago. 

— Ei! — Ela apontou para o cara. — Não pode fazer isso! 

Agora ele olhava para ela, e lá estava o sorriso. Camila imaginou se o sujeito era capaz de sorrir por outro motivo que não a dor dos outros. 

— Você não soube? Estamos no jogo. Posso fazer o que eu quiser. 

Então e puxou um bastão preto e brilhante colocou acima da cabeça e baixou-o com força na costa de Lucy. Ouviu-se um estalo alto, e a garota gritou.

 — Não! — protestou Camila. — Deixe ela em paz! 

O valentão riu. Manchas pretas cercavam seus olhos também. Eram marcas provocadas por Lauren. 

Ah, Lauren, pensou ela, queria que você estivesse aqui agora

Mas ela não estava. Ela precisava cuidar disso sozinha. Lamentou não estar com a faca que viera na mochila ou com a barra de ferro da meninas.

 Lucy tentou rastejar para longe, contudo ele pisou duramente em sua região lombar e a pregou ao chão da floresta sob a bota. 

— Vamos tirar a roupa dela — disse um dos valentões.

 Camila apontou para ele, tentando não demonstrar medo. 

— Se não parar com isso agora, vai ficar bem encrencado. 

Ele riu e deu as costas a ela. 

— Vá em frente, Funk, tira a calça dela. 

— Não pode estar falando sério — disse ela. — Isso é coisa de doente. 

— Você nem tem ideia de como sou doente. — ele a olhou nos olhos. — Quer descobrir? 

— Não.

 Tá legal, merda, é isso. Não dá mais pra me fazer de corajosa. Esse cara é doido. E aqui na floresta… ai, meu Deus, ele pode fazer qualquer coisa. 

A mão dele a alcançou, e ele levou um tapa dela. Ela bateu naquela mão mais uma vez e deu um passo para trás. Esse único passo a encheu de vontade de correr para longe. Ele ergueu o bastão.

 — Ela fica olhando pro meu porrete. — Balançou a coisa na direção de Camila. — Gostou, nenê? Quer pegar nele? 

Camila fingiu não ouvir.

 Lucy levantou-se de um salto e correu em direção às árvores keana correu trás dela. Funk e o outro foram atrás deles. Mas ou valentão não pareceu se importar. Em vez disso, aproximou-se dela. Ele agarrou o braço da garota. O aperto daquela mão era muito forte, e ela pôde sentir os calos ásperos.

 — Ai! — exclamou ela, e imediatamente se arrependeu. Não podia deixar caras como ele saberem que a machucaram. Isso só os estimulava. Ela não conseguia se livrar do aperto. Sentiu o calor dele. O cheiro, forte e azedo, encheu seu nariz, fazendo-a querer escapar, gritar. Ele riu. — Aonde está indo?

 Os longos braços a pegaram. Ela sentiu as mãos do outro cara nos seus quadris. Sem pensar, chutou para trás com o calcanhar. O salto baixo da bota atingiu algo mole, e ele a soltou com um uf! bem alto.

 Ela mandou a mão livre contra o rosto do valentão, mas ele bloqueou o soco facilmente e a puxou para junto de si. Camila gritou. Ele a torceu enquanto puxava, envolvendo-a com um braço e levantando-a do chão. Por um segundo, a garota ficou no ar, depois foi jogada no chão com tanta força que uma luz brilhou dentro de sua cabeça e todo o ar lhe fugiu dos pulmões.

 Então, ele estava sobre ela. O corpo dele era sólido e forte, e ele a empurrou no solo da floresta, a fez virar-se de frente para ele e apertou-lhe os ombros contra a terra, machucandoa. Os olhos azuis permaneciam frios e racionais, num rosto que, ao contrário, estava tomado pela raiva quando falou:

 — Gosta de bater?

 Então, esbofeteou-a com força no rosto. O mundo explodiu em dor incandescente. De repente, foi como se seu padrasto estivesse vivo outra vez, como se estivesse sobre ela outra vez, segurando-a, ferindo-a, e ela só quis matar ou morrer. Praguejou pela lembrança. 

— Por mim, tudo bem, docinho. Temos o dia todo. A noite toda também, se eu quiser. Porque poso fazer o que desejar. — Fitou-a com algo que parecia curiosidade e beliscou seu braço com força. 

Ela gritou e tentou morder a mão dele. O rapaz a moveu a tempo, e os dentes dela se fecharam no ar. O outro cara apareceu atrás dele, parecendo um assassino. O valentão riu. 

— Ah, quer morder, ahn? Que cachorrinha mais malvada. Preciso lhe ensinar boas maneiras. Como meu pai costumava dizer, “cachorro e mulher, quanto mais apanham, melhores ficam”. — Ele ergueu a mão no ar, e ela fechou os olhos, esperando o golpe. 

Então, houve um ruído surdo e o peso de dele sobre ela se alterou, se erguendo do corpo dela ligeiramente. Camila o empurrou de uma vez. Ele rolou, e ela se afastou num movimento rápido, esperando que ou outro saltasse sobre ela, no entanto ele estava olhando para cima, para as árvores.

 No topo do aclive, Dinah se curvou, pegando outra pedra. O valentão xingou em voz alta, segurando o rosto. O sangue gotejava entre seus dedos. A garota se levantou de um pulo e correu. Para onde, não sabia, nem se importava. Só correu. Para longe deles. A distância, pensou ter ouvido Lucy ou Keana gritar. Lá atrás, o valentão berrou: 

— Stroud Pega ela! A morena da arvore é minha! 

O medo a consumiu como fogo. Correu, queimando de terror, por entre as árvores, aproveitando ao máximo a vantagem que tinha sobre o cara. Era boa corredora e, enquanto se embrenhava entre as árvores, lutou contra o medo até que a mente começasse a funcionar novamente. Seus olhos esquadrinharam a floresta. Lá: uma ladeira íngreme. 

Correu para a encosta. Ouviu Stroud atrás de si, fazendo galhos estalarem e ofegando pela corrida, mas não olhou para trás. Não. Ia correr e correr e correr. Foi subindo com dificuldade, agarrando trepadeiras e brotos, impulsionando-se para cima como um macaco a escalar uma árvore. 

Os sons de Stroud ficaram para trás, contudo ela não reduziu a velocidade. Subiu rapidamente a encosta, chegou ao topo e entrou numa floresta mais densa, tudo imerso na sombra. Mergulhando atrás de um arbusto enorme de folhas largas, agachou-se e tomou fôlego, dando uma folga aos pulmões e espiando o caminho em busca de Stroud. 

Segundos depois, quando a respiração voltou ao controle, ela o ouviu, arfando. Ele cambaleou até o topo, onde caiu de quatro. Não a viu. Levantou a cabeça, sugando ar, semicerrando os olhos fechados. 

A fraqueza dele transformou o medo de Camila em raiva. Havia pensado mesmo que poderia pegá-la tão facilmente? Ela se ergueu do arbusto. Ele abriu os olhos, vendo-a chegar no último segundo.

 — Mas que…? 

Camila jogou a perna com toda a força que pôde reunir, e a bota se chocou contra o rosto dele. A cabeça do garoto se virou para trás, os braços decolaram da terra e o tronco se arqueou para trás e desapareceu colina abaixo. As pernas se ergueram e logo desabaram também, e ele se foi, gritando enquanto desmoronava pela encosta íngreme, quicando e lançando-se no ar, caindo e quicando outra vez até chegar ao solo da floresta, lá embaixo, onde atingiu em cheio uma árvore e ficou imóvel.

 Ótimo, pensou ela, trêmula de raiva. Espero que tenha quebrado a coluna.

 Ao longe, alguém gritou. 

Dinah? 

Precisava ajudá-la como ela a ajudara. Mas tinha tanto medo. 

Olhou para baixo. Stroud ainda estava no chão, inerte. Respirou profundamente. Precisava ajudar Dinah. 

Mas imaginou o valentão, o rosto dele sobre ela, os olhos azuis gélidos, e por um segundo não pôde se mover. 

Ah, meu Deus, pensou. Por favor. Tenho que ser forte. Tenho que ajudar Dinah. 

Foi quando descobriu o porrete largado a seus pés. O bastão de Stroud. Ele deve ter deixado cair quando ela o chutou. Lá embaixo, ele se mexeu. Não houve muito movimento, mas estava vivo. 

Ela apanhou o porrete. Era mais leve do que esperava, feito de madeira. A superfície era lisa, mas o cabo tinha ondulações para oferecer mais firmeza à mão e um pequeno laço de couro preso no fim. 

Camila deslizou a mão pelo laço e começou a voltar colina abaixo. Desceu de lado, tomando cuidado para não cair. Quando chegou ao chão, Stroud gritou e tentou se arrastar para longe. Camila avançou, sabendo que precisava feri-lo o bastante para que ele não a seguisse. Ele não teria oferecido clemência. Ela não faria diferente.

 Acertou o rosto dele com o cassetete. O corpo do garoto amoleceu, caiu para a frente e permaneceu imóvel. Considerou golpeá-lo de novo e de novo, simplesmente acabar com ele. Para sempre. Mas restava-lhe racionalidade suficiente para saber que essa era uma má ideia, uma ideia horrível, para a qual não haveria volta.

 Olhando para baixo, viu uma das mãos dele largada sobre uma raiz de árvore exposta. 

— Você não deveria tocar em pessoas que não querem ser tocadas — disse e desceu o porrete com toda a força.

 Ouviu os ossos da mão dele estalarem e retrocedeu, assustada com a própria ferocidade. Seu estômago se apertou e se revirou, e ela sentiu a garganta se contrair, mas não vomitou. 

Esquece isso, disse a si mesma, correndo em direção a Dinah. 

Fez uma pausa na extremidade da clareira, que estava vazia. Uma armadilha? Não tinha tempo para se preocupar com isso agora. 

Avançou para o espaço aberto e esperou. 

Nada. 

Através da clareira, Camila correu, com o medo crescendo dentro dela quando imaginou a raiva do valentão. 

Seja dura, ordenou a si mesma. Seja como Lauren. 

Chegando ao outro lado da clareira, correu colina acima, mas desacelerou ao passar pelo ponto de onde Dinah havia lançado a rocha. Quis recuperar o fôlego todo, caso precisasse dele. Além disso, seria capaz de ouvir melhor se andasse e respirasse com calma. 

Esquadrinhando de um lado ao outro e ouvindo atentamente, seguiu em frente. Esperava que essa fosse a direção certa. Onde estava Lucy e keana quando precisava delas? 

Um galho se partiu. Ela se agachou atrás de uma árvore. Um grande porco marrom com presas longas e curvas emergiu da vegetação rasteira. Trotou por seu campo de visão e desapareceu na escuridão. 

Camila esperou que a fera encontrasse o valentão. Ela ficou de pé, depois agachou-se novamente. Um arrastar de pés barulhento… 

E lá estava ele. Espreitando na mata, com sangue na camiseta, o porrete na mão e os olhos examinando de um lado a outro, ele parecia um tipo sub-humano e primitivo das profundezas da Pré-História, um selvagem sanguinário que caçava carne e a comia crua e ainda quente na floresta.

 Camila abaixou-se ainda mais e apertou a arma, respirando superficialmente e rezando para que ele não a visse. Então, como o porco, ele desapareceu na penumbra.

 Movendo-se da maneira mais calma possível, ela se apressou em seguir o rastro dele. O medo a preencheu de novo. E se encontrasse Dinah estatelada numa poça de sangue? Conhecia só os primeiros socorros básicos e não tinha outros recursos.

 Mas estes eram pensamentos ruins, pensamentos de pânico, perigosos para ela agora. Afastou-os da mente e prosseguiu. 

Estava começando a imaginar se teria seguido na direção errada quando uma voz chamou baixinho da vegetação rasteira:

 — Camila.

 — Dinah?

 Um arbusto denso se agitou e a garota emergiu. Ela não viu nenhuma nova escoriação nela, mas os olhos estavam arregalados. 

— Onde está o cara? 

— Foi por ali. 

Camila assentiu e começou a se deslocar na direção oposta. Agarrou a mão dela e puxou-o consigo. 

— Onde conseguiu o bastão?

 — Conto tudo depois. Temos que encontrar Lucy e Keana. 

Dinah encolheu os ombros.

 — Honestamente? Não quero parecer covarde, mas não acho que possamos fazer muito por elas. Não aqui. Temos que nos afastar. Camila nada disse. Seu rosto ainda doía onde o valentão havia batido e, com a adrenalina retrocedendo, sentia a dor se arrastar pelos ombros e a nuca, que bateram no chão quando o maluco a derrubou. 

Os eventos do dia pareciam irreais, mas ali estava ela, ferida e com um porrete na mão. 

Era real. Tudo era real.

 — Não podemos deixar elas — disse. Dinah começou a protestar, contudo ela a deteve. — Elas precisa de nós. Aquele cara pode fazer tudo o que quiser. 

Dinah fez cara de quem chupou limão podre. 

E naquele momento indeciso ela viu. Viu, de repente, qual seria seu próprio plano. Dinah suspirou. 

— Perfeito. Vamos dar uma olhada rápida, e depois vamos para mais longe que pudermos. 

Ela ergueu um dedo.

 — Não exatamente. Tenho que fazer mais uma coisa primeiro.

 Ela esperou, parecendo enjoado. 

— Tenho que encontrar Lauren. 

— Que… com o soldado? 

Camila assentiu. 

— Ela pode estar precisando de nós, Dinah. E, se estiver, eu preferia morrer aqui mesmo e deixar os porcos me devorarem a abandonar ela. É sério. 

— Sei que é. — Ela ficou quieta por algum tempo depois disso. A boca se movia como se estivesse mastigando uma semente, para a frente e para trás. — Tá legal. Vamos. Mas não vou passar o dia inteiro procurando Lucy e Vero. Vamos tentar encontrar elas e depois procurar Lauren. — Revirou os olhos. — Estamos totalmente ferradas. 

Avançaram pela mata, verificando o sol quando conseguiam, e continuaram no que esperavam ser a direção correta. Depois de um tempo, ela disse: 

— Se você não tivesse jogado aquela pedra… muito obrigada, Dinah. Quero dizer, você me salvou…

 Ela armou um sorriso desajeitado. 


Segundos depois, Dinah assobiou e as duas se agacharam. Camila ouviu o movimento, mas não viu nada. Olhando para ela de olhos arregalados, a garota apontou para a encosta da colina e levantou quatro dedos. 

Ela viu o valentão a distância, passando entre as árvores. Então, vieram Funk e aquele de cujo nome não sabia, e finalmente Stroud, que agora mancava, com a mão quebrada. Os quatro seguiam na direção onde parecia esta o muro. 

Ótimo. Agora, ela e Dinah poderiam seguir no sentido contrário e possivelmente encontrarim Lucy e Keana. Esperava que elas estivesse bem.

 Acenou para Dinah, e as duas começaram a se mover outra vez. Evitando a clareira ao máximo, entraram na parte da mata para a qual as meninas haviam corrido. Seguiram um rastro de porco-do-mato numa região escura, quente e úmida, onde tantos mosquitos roçavam nelas que era como entrar num quarto escuro cheio de teias de aranha.

 Ela arriscou alguns gritos, chamando pelas meninas. 

Nada. 

Moveram-se devagar, olhando atrás de arbustos e debaixo de árvores, em qualquer lugar onde elas pudesse ter se escondido. 

— Olha — disse Dinah. O tom dela a encheu de medo.

 Havia uma bota perto dela. Tudo manchado de sangue. 

Chamaram mais algumas vezes. 

Nada. 

Um pouco mais adiante, ela notou uma gota de sangue vermelho-vivo sobre a trilha enlameada do porco, redonda como uma boca aberta a gritar. 

Segundos depois, encontraram outra gota. Assim, seguiram a pista delas, como caçadores atrás de um cervo ferido.

 O sangue as levou a outra clareira, no centro da qual pulsava algo grande e azul… algo azul que não fazia sentido. No início, Camila pensou que fosse uma coisa viva, algum tipo de criatura brilhante — alguma coisa —, um volume azul do tamanho de uma banheira, tremulando como uma série de olhos azuis, todos piscando. 

Então, aproximando-se, viu o que realmente era: um montículo de borboletas azul, num tom muito vívido, todas esvoaçando e colidindo entre elas. 

— Que esquisito — comentou Dinah. — Deve haver milhares. 

— Vamos — disse ela. — Temos que encontrá-los. 

De repente, as borboletas se ergueram no ar como uma erupção de lava azul. 

— Ah… ah, não… — disse.

 Alguns dos insetos permaneceram, as asas se abrindo e se fechando ritmicamente, como vários corações pulsantes. Uma estava sentada sobre um joelho branco. Outra se emaranhou no cabelo castanho. Uma terceira — e esta foi a que ela notou pouco antes de começar a gritar — empoleirou-se no olho claro aberto e inerte.

 Lucy e Keana estavam mortos.   



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