História The girl who waited - Capítulo 1


Escrita por: ß

Postado
Categorias Naruto
Personagens Deidara, Konan
Tags Deidara/konan, Fluffy, Friendship, Konandei, Trans!deidara
Exibições 34
Palavras 2.541
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Escolar, Fluffy, Universo Alternativo
Avisos: Transsexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OLÁÁÁÁÁÁ

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS PRA TODO MUNDO~

Eu tenho esse plot há uns bons anos, mas só agora achei uma oportunidade pra escrevê-lo. É uma shortfic, mas ficou bem do jeito que eu queria, então estou postando.

A fanfic contém uma personagem transsexual, então se você é transfóbico, nem comece a ler. Quaisquer comentários intolerantes vão ser apagados sem pensar duas vezes. Vamos amar mais, respeitar mais.

Boa leitura pra quem for se aventurar. <3

Capítulo 1 - Único - Dara


Capítulo Único


 

Akatsuki era uma escola grande demais, cheia de corredores e crianças rindo - e chorando, e reclamando, e brigando com colegas de outras séries -, mas Deidara se sentia sozinha independente de quantas pessoas estivessem ao redor.

Deidara não se encaixava com os garotos que jogavam futebol na hora do recreio. Não liderava como Itachi, que era um bom capitão e conseguia prever jogadas e criar as melhores táticas, e tampouco conseguia entender o que ele falava. Todos os meninos conseguiam, entretanto. Mas Deidara não era como os outros meninos.

Deidara não se sentia um jogador de futebol como Obito, Sasori ou mesmo Nagato, que conseguia jogar e se divertir mesmo tendo crises asmáticas a cada dez minutos.

Deidara não era um garoto, mesmo que todo mundo falasse que sim, então como se encaixaria com eles?

Frequentemente, nos intervalos que pareciam durar o dobro do tempo quando não se tem companhia, Deidara se sentia solitária como os corredores vazios da escola naquele horário. Ficavam todos ali, do lado de fora, tomando sol e fazendo coisas divertidas. Menos ela. Queria correr por ali, destruindo castelos de areia das crianças mais novas - mesmo sabendo que Itachi lhe daria uns bons tapas caso mexesse com Sasuke e seus amiguinhos ranhentos -, ou conversar com outras garotas sobre maquiagem e festas e vestidos.

Deidara adoraria usar um vestido, mas na única vez que tinha dito aquilo a seu pai, ele tinha lhe batido e seu corpo tinha ficado dolorido por uma semana toda.

Deidara não se sentia confortável com os garotos quando não era um deles e não era aceita entre as garotas, que não a reconheciam como uma igual.

O que deveria fazer, então? Nenhuma garota de doze anos deveria se sentir deslocada daquela forma.

Não havia muito a se fazer. A não ser encarar o céu, abraçada aos seus joelhos, esperando aqueles trinta minutos de intervalo acabarem até que pudesse voltar para a sala de aula e se sentar em um canto, se encolhendo e torcendo para que ninguém a notasse. Deidara não se sentia confortável com seu corpo - todas as outras meninas estavam começando a ter seios e pintando as unhas, coisas que ela não podia fazer -, por isso queria ser invisível na maior parte do tempo. Se ela apenas se encolhesse as pessoas parariam de olhar na sua direção, certo? Não ser vista é melhor do que ser vista e tratada de forma errada.

Deidara apenas esperava o tempo passar, sem saber muito bem pelo quê. Mas era a única coisa que podia fazer.


 

X

 

 

Foi em uma segunda-feira como outra qualquer, quando Deidara não tinha nada para fazer além de rabiscar alguma coisa aleatória em seu caderno, que a felicidade chegou.

E ela veio em forma de uma garota com cabelinhos curtos e azuis e sorriso gentil.

Deidara,  que sempre ficava quietinha sentada na escadaria, não entendeu quando Konan, a nova aluna da sua sala, se sentou ao seu lado e começou a observar os grupinhos espalhados pelo pátio gigante. Ela não falou nada, mas Deidara estava tão acostumada ao silêncio que nem notou isso. Ela sabia o nome da outra garota porque tinha ouvido na chamada no começo daquele dia, mas não esperava que ela fosse se aproximar daquela forma. Era desconfortável não saber o que fazer - deveria se mexer, levantar ou continuar ali, apenas ouvindo a respiração da menina e os gritos dos garotos jogando futebol ao longe?

Ela não precisou decidir porque Konan ajeitou a flor de origami que usava no cabelo e se voltou para Deidara com os olhos mais lindos do mundo - eles tinham cor de caramelo e estranhamente combinavam com o cheiro de morango que vinha dela. Konan sorriu e, antes que Deidara pudesse perceber, se pegou sorrindo de volta.

— Por que você não está brincando com as outras crianças? — Konan quis saber, olhando para Deidara de um jeito curioso, e a outra garota se encolheu instintivamente. Não estava acostumada a interagir com os colegas; as únicas pessoas que se dirigiam a ela eram Hidan e Kakuzu, dois garotos mais velhos que insistiam em rir e zombar de seus cabelos loiros, que agora batiam na altura de seus ombros.

— Eu… Ahn… Gosto de ficar aqui. — Ela mentiu, não sabendo muito bem como responder àquela pergunta, e os olhos de Konan se arregalaram levemente. Deidara sentiu a esperança de ter uma amiga murchar na mesma hora; era óbvio que ela tinha percebido que a sua voz estava começando a mudar, assim como a dos garotos também estavam, mesmo que não devesse ser daquela forma. Sua aparência delicada não adiantava de muita coisa quando Deidara tinha que abrir a boca.

Já estava pronta para se levantar e apenas encontrar outro lugar para se camuflar, longe dos olhos de qualquer aluno, mas Konan apenas sorriu ainda mais e voltou a falar:

— E você não tem amigos?

— Não… — Foi o que ela conseguiu falar, se sentindo constrangida, mas Konan não pareceu se importar.

— Eu também não tenho amigos. É meio solitário assim, não? — Ela sorriu, fazendo com que seus olhos se fechassem um pouco. — Você quer fazer origamis comigo?

Foi só então que Deidara percebeu que ela tinha tirado papéis cortados em quadradinhos exatos, de várias cores possíveis, e estendeu em sua direção.

Sabia que não deveria aceitar. Ela era nova ali e, quando percebesse como Deidara era estranha, provavelmente se afastaria também. Assim como todos os outros tinham se afastado.

Mas a solidão às vezes gritava muito alto e Deidara se via implorando por uma oportunidade de interagir, de se misturar, de ser vista como normal pelas outras pessoas. Ela só queria ser aceita, não ser a estranha calada da sala que deveria estar no time de futebol.

Nenhuma garota estava no time de futebol.

Meio tímida, ela aceitou alguns papéis, esperando as instruções que não demoraram a chegar na voz baixinha e calma de Konan.

Pela primeira vez em muito tempo, o intervalo não foi difícil de suportar.


 

X


 

Konan parecia ser diferente das outras garotas.

Ela não se juntou a nenhum grupinho das meninas, mesmo quando foi convidada para andar com elas no intervalo, e durante a semana continuou se sentando naquela escadaria com Deidara, ensinando-a a dobrar papéis da forma certa e formar cisnes, e estrelas, e flores também. Konan parecia ser apaixonada por flores, enquanto Deidara se encantava com as estrelas criadas em cores vibrantes.

Era desconfortável e errado quando ela se referia a Deidara no masculino, mas a garota de cabelos loiros não via como pedir para ser tratada de outra forma. Tinha medo - medo de que Konan contasse para a diretoria, que chamaria seus pais; medo de que ela espalhasse para toda a turma, que faria de sua vida um inferno; medo de que Konan simplesmente se afastasse, porque ela fazia com que Deidara risse e sentisse que tinha uma amiga pela primeira vez na vida.

Toda garota precisa de uma melhor amiga, e Konan ganhou aquele título quase instantaneamente quando elas passaram vinte minutos rindo sobre alguma coisa sem importância e não pareceu estranho.

Tirando aquela forma errada de tratamento - a turma estava estudando pronomes e Deidara sabia que usavam o seu errado -, tudo estava muito bem. Maravilhosamente bem. Era como pertencer a um lugar pela primeira vez na vida.

Foi no mês seguinte, quando elas conversavam sobre os filmes em cartazes naquela semana, que Deidara descobriu que não podia ignorar tudo o que realmente era só para manter uma amizade. Não era daquele jeito que amizades funcionavam. Não era daquele jeito que amigos se aceitavam.

Tudo começou com uma pergunta de Konan enquanto elas comiam os sanduíches de frango que a mãe da garota de cabelos azuis tinha preparado.

— Hey… Por que você não joga futebol com os outros garotos?

Deidara, que estava no meio de uma mordida, estacou e olhou para a amiga com a boca aberta, parando bem no meio de uma mordida.

— Eu não gosto de futebol. — Se limitou a dizer, coisa que sempre fazia quando estava desconfortável. Falar pouco era melhor do que falar demais e colocar tudo a perder.

Konan piscou, atenta como sempre, provavelmente percebendo aquilo. A garota de olhos de caramelo bebeu um pouco do refrigerante que estavam dividindo, parecendo refletir antes de voltar a falar.

— Tudo bem. Não tem problema garotos e garotas brincarem do que quiserem. — Ela decidiu, por fim, sorrindo daquele jeito de sempre. Ela sempre sorria muito, o que reconfortava Deidara e fazia com que as coisas não parecessem tão ruins.

Mas não naquela ocasião.

Konan tinha entendido errado. Deidara se importava com ela, com a opinião dela, e era isso que a deixava mais triste.

Decidindo arriscar - conhecia Konan; ela não era uma má pessoa -, a garota de olhos azuis se voltou para a amiga, engolindo em seco, se sentindo mais nervosa que nunca. Será que Konan entenderia?

— Konan? — Chamou baixinho, atraindo aqueles olhões de novo. Ela adorava como Konan sempre prestava atenção no que Deidara tinha a dizer, olhando-a nos olhos.

Konan esperou em silêncio, como se dissesse que estava ouvindo, e Deidara cravou os dentinhos no lábio inferior. Como já tinha começado, se obrigou a continuar:

— Você pode… Você pode parar de me chamar assim? — Pediu, quase atropelando as próprias palavras, não tendo forças para especificar o pedido.

— Assim como? De Deidara? — Konan quis saber, confusa, se virando de frente para a amiga. Deidara sentiu suas bochechas esquentarem.

— De garoto. Eu… Eu não sou um garoto. — Falou de uma vez, sentindo que iria sufocar a qualquer momento. — Independente do que eu goste de fazer, seja futebol ou bonecas, eu não sou um menino.

Konan pareceu se assustar com aquilo; talvez porque Deidara falasse rápido, como se aquilo fosse muito urgente - o que de fato era -, ou talvez porque ela não entendia muito bem o que aquilo queria dizer.

Mas eles eram amigos - amigas? -, então Konan tratou de tentar olhar para Deidara com tranquilidade, porque até então seus olhos estavam arregalados. Pensou em perguntar se aquilo era uma brincadeira, mas, além de não ser do feitio de Deidara, aquilo parecia mesmo ser sério.

— Você não é?

— Não ri de mim. — Deidara praticamente implorou, encolhendo os ombros. Mais do que nunca, quis passar despercebida.

— Eu não vou. — Konan garantiu, ainda confusa, mas com firmeza. — Mas como assim você não é?

— Eu sei que não parece, e que meu corpo não é como de uma garota, mas eu sou uma. — Explicou da melhor forma que pôde, porque nem mesmo Deidara sabia ao certo. Ela apenas sentia. Apenas sabia o que era, mesmo que não soubesse dar nomes àquilo. Sequer sabia se era certo, mas não podia mudar quem realmente era porque as pessoas pareciam não aprovar. — E é por isso que eu nunca me aproximo de ninguém, porque ninguém entende o que eu quero dizer.

Daquela vez, levou alguns minutos até que Konan respondesse, no qual as duas garotas ficaram encarando os meninos jogando futebol. Zetsu, um garoto com cabelo de duas cores diferentes, parecia impaciente com alguma coisa e uma pequena discussão tinha começado. Garotos eram tão estranhos...

— Tudo bem. — Konan disse por fim, assentindo, como se estivesse concordando com alguma coisa mentalmente.

Deidara se voltou para ela, confusa, estranhando como a confusão tinha dado lugar a uma amostra do sorriso mais lindo de sua amiga. Ela parecia a mesma Konan de sempre, como se nada tivesse mudado, o que deixou a garota loira confusa.

— Tudo bem? Eu… Eu vou entender se você não quiser mais falar comigo. — Se obrigou a dizer, engolindo em seco. Não queria voltar a ficar sozinha nos intervalos, nas aulas e, principalmente, na vida. — Só não conta pra ninguém. Meus pais me matariam se soubessem.

Parecia quase uma súplica, por isso Konan se voltou para Deidara, deixando seu sanduíche de lado. De repente, aquilo já não era a coisa mais importante.

— Deidara, eu sou sua amiga. Você está me contando o que você é. Eu não posso mudar isso, nem você. Eu só não ligo pra como te chamar, porque você continua igual. Eu gosto de você. — Falou como se fosse a coisa mais simples do mundo. Deidara piscou, sentindo uma súbita vontade de chorar.

A garota loira apenas assentiu, feliz, não sabendo como colocar em palavras a gratidão que sentia. Aquelas eram as palavras que ela tinha ansiado ouvir durante muito tempo, e o fato de Konan não ter se afastado era um bom sinal.

Konan era uma boa garota. A mais legal e gentil delas. Deidara sabia, bem no fundo, que ela não era maldosa ao ponto de entregar um segredo seu. Mas o medo ainda falava mais alto.

Elas ficaram daquele jeito, sentadas lado a lado, em silêncio - coisa que raramente acontecia. Mas o silêncio não parecia ruim naquele momento, porque Konan tinha coisas a pensar e Deidara tinha que acalmar a sua respiração que tinha se descompassado em algum momento.

A loira estava tão entretida com o próprio sanduíche, que tinha voltado a comer, que se sobressaltou quando Konan se aproximou dos seus cabelos alguns minutos depois. Ela se voltou para a amiga com os olhos arregalados, como se perguntasse o que ela estava fazendo, e Konan só sorriu. Deidara olhou para a mão dela e viu que ela segurava uma flor de origami cor-de-rosa. Konan sempre andava com papeizinhos de origami no bolso, Deidara sabia bem daquilo, mas não entendia o porquê dela ter feito um naquele momento.

— O que… O que é isso? — Perguntou, meio receosa e meio tímida, e Konan soltou um risinho baixo.

— É uma flor de origami, ué. A maioria das garotas gostam de usar flores. — Ela explicou, voltando a se aproximar dos cabelos loiros de Deidara, prendendo o origami da mesma forma que sempre fazia nos seus próprios cabelos azuis. A garota com olhos de caramelo se afastou, analisando o cabelo de Deidara, e pareceu feliz com o que viu. — Você ficou mais bonita assim. — Falou, por fim.

Deidara quase chorou com aquelas palavras. Antes que pudesse se conter, ela tinha se jogado nos braços de Konan, abraçando-a só para se afastar em seguida, meio elétrica, fazendo com que as duas ficassem rindo daquela cena.

Aquele era o gesto mais bonito de todo o mundo.

Infelizmente, a flor de origami não durou muito porque Hidan zombou de Deidara assim que viu aquilo, fazendo com que a loira tirasse a flor e guardasse na mochila, constrangida, mas Konan foi para o seu lado no mesmo momento e começou a olhar feio para o garoto mais velho.

Na hora da saída, quando estavam andando na mesma direção, Konan se virou para Deidara como se tivesse acabado de ter uma ideia e quisesse compartilhá-la.

— Amiga? — Chamou, da mesma forma como todas as garotas da escola se chamavam, o que fez o coração de Deidara bater mais rápido. Era tão bom ouvir aquilo...

— Sim?

— Eu estava pensando e… Eu posso te chamar de Dara? — Perguntou, tentando conter a empolgação, mas olhando para Deidara com expectativa. — É um apelido bonito e combina com você. E é um apelido que combina com quem você realmente é, também.

E Dara soube soube que a vida tinha lhe dado a melhor amiga certa.


Notas Finais


Todos os dias eu vejo uma certa vertente do feminismo falando que "crianças trans são problemáticas", que "elas não existem", que é tudo "coisa imposta pelo patriarcado". Mas ser um menino ou menina não tem nada a ver com o que você veste ou com o que você brinca. Crianças trans existem sim e elas devem ser respeitas, amadas, aceitas. Percebam que em nenhum momento eu falei que Deidara sabia o que era transsexualidade. Ela apenas é uma garota, mesmo que não saiba como isso funciona, mesmo que todo mundo diga que é errado. É algo que apenas não dá pra mudar.

Eu acho incrível como crianças têm uma capacidade de compreensão muito maior do que nós. Existem várias Konans por aí, mas os pais fazem com que elas se tornem preconceituosas. É bem triste.

Espero que essa fanfic sirva de reflexão pra alguém, caso seja lida. Vamos parar de reproduzir preconceitos e ensinar crianças a aceitarem diferenças. Apenas isso. <3

Beiijos!


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