História The Godmother - Capítulo 19


Escrita por: ~ e ~LerigouNaPista

Postado
Categorias The 100
Tags Clarke, Clexa, Lexa, The 100
Exibições 220
Palavras 4.442
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Luta, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá genter, eu sei, capítulo antes da hora, mas estávamos ansiosas demais para postar esse, e agora, realmente, expressem suas opiniões sobre esse capítulo lá nos comentários...lembrando que tudo o que acontece tem um motivo.
Boa leitura.

Capítulo 19 - XIX - Fatal Error


- Charles Pike assumiu o cargo.

- Eu soube hoje pela manhã. Precisamos tratar desse assunto o mais rápido possível...sei que as coisas devem estar complicadas em Polis.

- Não temos prédios para abrigar todos os refugiados. Toda a população da vila de Luna veio para cá também.

- Eu posso fornecer recursos.

- Temos um estoque de alimentos, mas logo faltará...terei de fazer um reajuste, nossa estrutura irá mudar um pouco na cidade, já que Luna vai reconstruir a vila na floresta – Eu falo, passando as mãos nos cabelos pensativamente.

- Posso enviar o necessário, mas seria melhor se tratássemos aqui sobre esse assunto, assim poderá selecionar você mesma os materiais de construção e os alimentos.

- Não posso sair de Polis...são problemas demais.

- Indra pode cuidar de tudo, traga Costia, vocês duas precisam descansar um pouco. Estamos na temporada de neve, as colinas ficam lindas nessa época do ano. Se permita a tirar umas férias, esfriar a cabeça.

A oferta era tentadora, afinal, eu estava acabada depois de todos esses acontecimentos. Com Nia fornecendo recursos, Indra e Clarke saberiam lidar perfeitamente com a situação, e também tinha Luna, que poderia chefiar as construções.

- Partirei essa noite então – Eu falo, observando os prédios pela sacada do meu quarto. Ainda era de manhã, e os raios de sol aqueciam minha pele – Obrigada, Nia.

- Disponha – Ela diz e encerra a ligação. Observo o aparelho na minha mão e o coloco em cima da pequena mesa de vidro.

- Vai para Azgeda? – Costia pergunta, havia acabado de despertar. Os cabelos estavam bagunçados e o corpo nu estava envolvido por um fino lençol azul claro.

Mesmo com o problema de TonDC e a migração, as coisas estavam relativamente calmas, o que me deu a oportunidade de aproveitar as poucas horas de paz ao lado de Costia. Eu não havia prestado muita atenção nela esses dias, e só agora percebi o quanto estava mais emotiva e com um semblante mais alegre.

- Nós duas vamos para Azgeda – Eu falo e estico o braço em sua direção, puxando-a para um abraço.

- Por que? – Costia, os olhos sonolentos me questionando.

 - Tenho que resolver algo com Nia, mas ela me chamou para passar uns dias por lá.

- Precisam de nós aqui...não é um bom momento para sair de férias, Lexa – Ela diz, desvencilhando-se de mim e voltando para dentro do quarto – Não podemos ir...e não é justo com Clarke, o que fez com o pai dela foi desumano, e agora quer simplesmente sair de férias como se nada tivesse acontecido?

- São só alguns dias, Indra pode cuidar dos problemas junto com Clarke...e sobre ela, eu só cumpri o meu dever como líder, é claro que eu estava com ódio de Jake, mas o que você acha que iria acontecer comigo se eu não desse ao meu povo o que eles queriam, Costia? Você sabe que eu não sou daquele jeito, mas ás vezes é necessário agir dessa forma, mesmo que não seja moralmente correto – Eu tento argumentar enquanto ela deixa o lençol deslizar pela pele chocolate. Costia, exibindo sua nudez, vai até o banheiro e liga o chuveiro, entrando debaixo do jato quente – Eu sei, esse silêncio dela quanto ao pai não é normal, mas Clarke entendeu que eu só estava cumprindo meus deveres...eu não sou daquele jeito, Cos...se eu não tivesse feito o que fiz, provavelmente minha cabeça estaria pendurada em frente a esse prédio – Costia parece ficar um pouco chocada com as minhas palavras, mas era a mais pura verdade – Meu povo pode se mostrar devoto, Cos, mas não hesitariam em me decapitar se eu deixasse um assassino de milhares, vivo...nosso sistema é diferente, não toleramos violência, mas permitimos que o povo cometa atrocidades se o líder não satisfazer as vontades da grande maioria.

- Eu sei, é que...Clarke está acabada, Lexa...e mesmo depois de tudo o que aconteceu, ela ainda confia em você, mesmo que esteja quieta agora... e eu continuo achando que não é certo viajarmos, Lexa... estou com um pressentimento ruim quanto a essa viagem, não podemos resolver as coisas daqui mesmo?

- Do que você tem medo, meu amor? – Eu pergunto, me despindo e entro no box, abraçando-a para que a água caísse em nós duas.

- Eu não sei...mas não acho que nossa viagem terá resultados positivos. O que acha que o povo irá pensar quando souberem que Heda está de férias enquanto todos estão sofrendo por suas perdas? É egoísta.

- Cos, eu não descanso há anos, serão só dois dias no máximo. E não é como se eu fosse abandonar todo mundo, Indra é capaz de resolver os problemas na minha ausência – Falo enquanto ensaboo suas costas pequenas e delicadas. Dou um beijo rápido em seu ombro e ela pareceu relaxar um pouco – Vamos aproveitar essa oportunidade...a última vez que viajamos para fora foi em nossa lua-de-mel, e não durou nem 5 horas...

Costia dá uma gargalhada, se lembrando do fiasco que foi a nossa lua-de-mel. Fiz uma reserva na melhor pousada de Seychelles, mas não conseguimos aproveitar absolutamente nada do hotel e da praia paradisíaca, nós só iniciamos o jantar, e quando voltamos para o quarto – que eu havia pedido para que decorassem especialmente por conta da ocasião -, ligaram no meu celular, pedindo que voltássemos imediatamente por conta dos ataques que um clã fez contra o outro.

De maneira resumida, passei minha lua-de-mel engolindo fumaça e resolvendo brigas entre líderes briguentos e infantis. Costia havia ficado chateada na época, principalmente pelo estopim da briga ter sido algo bem idiota, mas agora era algo cômico para se lembrar.

- Considere isso como um pedido de desculpas e um presente...uma segunda lua-de-mel...o que acha?

- Tudo bem...- Ela fala e eu dou um beijo nos lábios dela. Tento aprofundar, mas Costia me empurra, a mão na minha barriga me mantendo a uma distância segura – Vamos terminar esse banho bem rápido, quero arrumar minhas malas – Ela se vira de costas para mim e começou a ensaboar seus braços, enquanto eu voltava a deslizar as mãos pelo corpo dela.

Se eu pudesse, congelaria aquele momento no tempo, só para nunca mais sair dali.

 

 

 

Pov Clarke

 

 

 

Dei a última pincelada na tela e avaliei a pintura.

Suspirei, frustrada. Era a quinta tentativa, e meus quadros estavam horríveis, mas talvez isso estivesse acontecendo por conta da minha negatividade quanto a tudo ao meu redor.

Tudo se resumia a vermelho, destacando-se nas cores frias, assim como nas minhas memórias perturbadas...o estado deplorável em que meu pai se encontrava ainda era completamente aterrorizante, ninguém deveria ver as pessoas que ama, serem machucadas daquela maneira, tão cruel e desumana.

Uma queimação na garganta me incomoda e sinto a ânsia de vômito. Eu ainda podia sentir todos os cheiros daquela noite, estavam gravados no meu cérebro. Abro a garrafa de vinho que Lexa trouxera no dia em que matou o meu pai.

Talvez ajude um pouco...entorpecer a mente” Ela dissera, oferecendo uma garrafa fechada de vinho. Lexa estava certa...mesmo a garrafa estando quase cheia. Eu não tinha tanta tolerância quanto ela.

Tiro o quadro do cavalete e o arremesso em um lugar qualquer do quarto, sentindo raiva de mim por não ter acabado com o sofrimento dele quando tive oportunidade.

As palavras dela são mentirosas...os acordos são falsos” Meu pai havia falado antes de o tirarem de meu quarto para que iniciassem o ritual. Eu não compreendi e nem compreendia as palavras dele, eram vagas demais, mas ao mesmo tempo eram diretas e simples, faltava somente uma pequena peça para que tudo fizesse sentido.

Procuro por uma tela limpa e passo a deslizar o pincel por ali, sem pensar demais, eu só molhava a ponta e seguia com os movimentos ora suaves ora bruscos.

Em meio as pinceladas, eu tomava um gole do vinho, abusando da minha consciência que já começava a se mostrar dormente. O tempo inteiro, os bons momentos que tivemos juntos corria pela minha mente, e minhas mãos reproduziam os meus sentimentos, cada linha era uma lembrança e uma lágrima, cada mancha vermelha era um pedaço de seu sofrimento.

Eu não culpava Lexa, era seu dever como líder, mas isso não quer dizer que eu não estivesse magoada. Lexa tinha dupla personalidade, ela assumia a imagem do líder imponente, forte e frio, mas eu sabia o que ela era quando não estava sob a pressão de suas responsabilidades...era uma pessoa normal, um pouco possessiva, é claro, mas ainda assim, capaz de sentir sentimentos...e é nessa parte humana que eu me agarro com unhas e dentes.

Mais um gole e rapidamente, uma extensão dos meus sentimentos estava ali, concluída e perpetuada em uma tela.

Escuto três batidas na porta e tento me recompor da melhor maneira que consegui. Sem me importar, limpo a tinta das mãos em minhas calças, manchando-as de vermelho e azul. Abro e vejo Costia do outro lado, parecia aflita com alguma coisa. Dou espaço para que ela entre e fecho a porta.

- Aconteceu alguma coisa, Costia? – Eu pergunto, a voz um pouco lenta por conta do vinho.

- Lexa e eu vamos viajar daqui a duas horas...vamos tirar férias de dois dias em Azgeda.

Aquilo foi um choque para mim. Não parecia ser do feitio de Lexa abandonar suas responsabilidades para passar férias com Costia, ainda mais em um momento tão decisivo e crucial para Polis.

- Como? Não podem viajar, as pessoas precisam de Lexa – Eu falo, mostrando a minha indignação – Não pode simplesmente sair para passear em um momento como esse.

- Eu sei, disse isso a ela.

- E mesmo assim decidiu acompanhá-la? Isso é algo que eu não esperava de vocês duas...é irresponsável!

- Lexa confia em você e Indra para tomarem conta de Polis. Ela irá fechar um acordo com Nia, e aproveitou para ficar mais dois dias...eu realmente não quero ir, Clarke, eu incentivei Lexa a inserir Nia na Coalizão, mas eu não confio neles.

- Por que não são dignos de confiança. Só Lexa que não percebe que Nia é um rato de esgoto – Eu falo, procurando pela garrafa novamente – Insista, diga que não quer ir.

- Lexa está empolgada, não quero estragar esse momento...ela está sempre ocupada demais, é raro vê-la desse jeito, você sabe.

Realmente, foram poucas as vezes que vi Lexa realmente feliz com alguma coisa. Na maior parte do tempo estava com a cara fechada, analisando tudo com a atenção de uma águia.

- Então por que me procurou?

- Eu estou com um pressentimento ruim quanto a essa viagem...e eu só queria reforçar o meu pedido...eu sei que o que ela fez com o seu pai não o certo, e eu entendo perfeitamente se você não quiser...não quiser nem olhar na cara dela...

- Costia, sabe que nunca abandonarei Lexa, eu já prometi isso a você.

- Eu sei que vocês duas sentem algo além da amizade, Clarke. E sei o quanto Lexa luta contra isso, mas seus olhos não conseguem mentir, não para mim pelo menos – Sinto minha nuca se arrepiar, minha espinha gela e borboletas brincam no meu estômago por conta do nervosismo.

- Costia, eu...

- Eu não a culpo, é impossível não se apaixonar por ela – Costia diz, tendo dificuldade em deixar aquelas palavras escaparem de sua boca – Mas eu preciso que me jure que irá cuidar dela...por mim.

Fico sem fala.

Costia havia me pegado completamente de surpresa. Aqueles sentimentos não estavam claros nem mesmo para mim. Eu sabia que Lexa nutria algo a mais, seus surtos de proteção extrema estavam se tornando frequentes, eram idênticos ao ciúme que sentia de Costia com outras pessoas, exceto pela violência dela para tratar de seus conflitos internos. E era algo doentio, mas mesmo depois dessa semana truculenta e perturbada, eu não conseguia deixar de...de gostar dela...

Mas Costia saber disso? Era algo novo para mim, e a culpa me consumiu quase que instantaneamente, mesmo que Lexa e eu não tivéssemos feito nada...comprometedor demais.

- Nós sabemos quem Lexa é, sabemos também que seu coração pertence a nós duas...por isso eu quero que me prometa mais uma vez – Ela fala, segurando a manga comprida de minha blusa com força.

Meus olhos confusos e envergonhados se encontram com os dela, suplicantes.

- Eu prometo.

 

 

 

Pov Lexa

 

 

 

As malas já estavam prontas, e eu havia dado todas as instruções para Clarke e Indra, dizendo que deveriam me avisar caso algo desse errado ou se fosse de extrema urgência.

Clarke parecia pensativa e distraída, o que fez com que eu chamasse sua atenção várias e várias vezes. E em um determinado momento, ela puxa a manga da blusa cinza nervosamente, me fazendo lembrar de algo que Raven havia falado.

De maneira instantânea, me senti mal e quis tirar minhas próprias conclusões. Eu sabia que Raven nunca iria mentir sobre algo assim, mas eu precisava confirmar.

- Clarke, pode me acompanhar? É rápido – Eu falo e ela confirma, seguindo até o elevador. Já era noite, e em meia hora estaríamos partindo, o que me dava tempo suficiente para conversar com ela.

Entramos no jardim descalças, e as flores se acendem lentamente, até que todo o local está iluminado por um tom azulado. Sinto a terra entre os dedos e fecho os olhos antes de me virar para ela, que esperava que eu prosseguisse.

- Estenda os braços, Clarke – Sem entender o motivo pelo qual eu havia pedido aquilo, ela estende os braços, os olhos confusos me encarando.

Seguro os pulsos dela com delicadeza e afasto o tecido, revelando os pulsos claros. As linhas esbranquiçadas confirmavam tudo o que Raven havia falado.

- Sinto muito...- Eu sussurro, sendo incapaz de olhá-la nos olhos – Sinto muito por ter feito você sofrer tanto...me desculpe por ter...por ter feito todas aquelas coisas com o seu pai...eu...

 - Isso já passou, Lexa – Clarke tenta puxar os braços, mas eu firmo mais ainda o aperto, impedindo ela de se soltar.

- Não, Clarke, eu que causei isso em você...e eu passei dos limites dessa vez, eu não deveria ter agido daquela forma, mas era tanta pressão, tantas decisões, tantas vias de mão dupla, eu fiquei confusa, e estava com raiva demais, e também tem o meu povo.

- Lexa, eu entendo a sua posição, e sei que se não tivesse feito o que fez o próprio povo lincharia você viva...então...por favor, só não fale mais nisso...

- Tudo bem...- Eu sussurro e acaricio seus pulsos com as marcas brancas.

- Como percebeu isso?

- Raven me contou – Revelo em um longo suspiro – No dia que fui acertar as contas com Raven, ela acabou jogando algumas coisas na minha cara...disse que você tentou se matar algumas vezes, e que se eu quisesse confirmar, era só olhar nos seus pulsos.

- Você é impulsiva, apesar de dizer o contrário... o que te levou a não me fazer mostrar assim que chegou de Washington?

- Eu não estava com cabeça para isso. Tudo que Raven me falou eu ainda estava processando, além do mais, a recepção que tive quando cheguei a Polis não foi as das mais agradáveis. Você e Costia estavam bravas demais.

- Valeu a pena. Raven está bem, Costia ficou feliz com sua decisão e eu... – Clarke desvia seu olhar do meu, parecendo envergonhada e nervosa em prosseguir com suas palavras – Eu fiquei orgulhosa de você – Um sorriso tímido brotou nos lábios finos.

- Mas mesmo assim, isso não muda os fatos. Peço perdão mais uma vez – Segurando suas mãos, me ajoelho em sua frente. Nunca me curvei diante de ninguém, e foi algo que me deixou surpresa, assim como Clarke. Eu realmente não o porquê de eu ter feito o que acabei de fazer.

- Lexa, não...- Clarke parou de falar e se ajoelhou também, o rosto não muito distante do meu, as mãos segurando firme nas minhas. Tentei decifrar o que ela estava pensando, mas seus olhos estavam impassíveis apesar de intensos – Eu já te perdoei.

Respiro fundo e puxo seus braços, rodeando-os em volta da minha cintura, enquanto os meus a prendiam pelo pescoço, sua respiração quente na minha pele. Clarke demora para corresponder a intensidade do abraço, e imaginei que estivesse surpresa pela minha iniciativa, mas assim que ela corresponde, me sinto relaxada.

Uma pequena lágrima escorre de meu olho, mas eu a limpo rapidamente, não queria que Clarke me visse chorando.

- Você precisa ir – Ela sussurra, o hálito quente causando cócegas no meu pescoço, que já começava a se arrepiar – Eu vou...sentir saudades...

- Não é como se eu fosse passar um mês em Azgeda – Eu respondo, a voz rouca e baixa para que ela não percebesse o meu estado emocional abalado.

Clarke se desvencilha do abraço e se levanta, as mãos segurando as minhas com firmeza para me ajudar a levantar. Puxo um frasquinho do meu bolso coloco na palma da mão dela.

- O que é isso?

- Meu sangue...sei que gosta do jardim, e tirei um pouco do meu sangue para quando quiser vir aqui. É só virar um pouco na terra e o jardim acordará de noite – Clarke parecia surpresa novamente - Até logo, Clarke – Eu falo, soltando a sua mão lentamente, sentindo a pele macia na ponta dos dedos.

Clarke não me seguiu até a pista de pouso, já havia se despedido de Costia hoje mais cedo.

Entramos no jatinho e Costia se acomoda no banco, estava se sentindo extremamente casada apesar de não ter feito esforços durante o dia. Procuro por uma garrafa de vinho e encho duas taças, dando a outra para ela. Alçamos vôo e o céu noturno nos engole. A lua cheia estava enorme, e as estrelas tinham dificuldade para brilhar, pois eram ofuscadas pelo brilho da lua.

- Não quer beber um pouco? – Eu pergunto para Costia.

Ela não bebia muito, somente quando eu estava junto com ela e sozinha, como agora. Mas ela não havia aceitado.

- Não posso beber – Ela responde, um sorriso pequeno nos lábios.

- Por que? Está passando mal? – Eu pergunto, preocupada, me ajoelho a sua frente, acariciando as coxas cobertas pela calça jeans – Posso mandar que o piloto dê meia-volta.

- Não, Lexa...não precisa, eu estou bem.

- Então por que não quer beber?

- Por que eu não posso...- Costia responde e eu fico confusa – Nós combinamos que deixaríamos isso para depois, mas eu não consegui...

- Deixaríamos o que para depois? – Eu pergunto, preocupada demais para esperar que ela terminasse. Meu coração parecia que iria sair do peito.

- Me deixe concluir – Ela pede – Enfim, eu queria que fosse uma surpresa, assim como é para um casal hétero quando algo acaba saindo do controle...

- Cos...

- Talvez não seja um momento oportuno para fazer isso...mas eu já fiz, não tem como voltar atrás – Ela dispara a falar, o sorriso branco, os dentes perfeitamente alinhados.

- Eu...eu ainda não entendi aonde quer chegar...- Eu sussurro, realmente confusa com o que ela estava falando.

Costia não fala nada, ela simplesmente segura a minha mão, que afagava a coxa dela, e a guia até sua barriga, espalmando nossas mãos ali, a dela por cima da minha.

- Talvez não seja um momento oportuno para fazer isso...mas eu já fiz, não tem como voltar atrás – Ela dispara a falar, o sorriso branco, os dentes perfeitamente alinhados.

- Eu...eu ainda não entendi aonde quer chegar...- Eu sussurro, realmente confusa com o que ela estava falando. Costia não fala nada, ela simplesmente segura a minha mão, que afagava a coxa dela, e a guia até sua barriga, espalmando nossas mãos ali, a dela por cima da minha - Está grávida? – Eu pergunto e seu sorriso aumenta mais ainda, coisa que achei ser impossível – E vou ser mãe? ...nós…nós vamos ser mães? – Minha voz falha e Costia acena positivamente, lágrimas de felicidade caindo de seus olhos castanhos – Cos...- Minha voz sai em um fiapo de som. As emoções estavam começando a explodir dentro de mim – Eu vou ser mãe! – Eu falo mais alto, o riso escapando dos meus lábios. Ergo a blusa dela e deposito um beijo demorado em sua barriga. Meu filho estava ali dentro, protegido – Meu amor, obrigada – Eu falo e me estico para beijá-la, sentindo o gosto salgado das nossas lágrimas se misturando em nossos lábios – Eu amo você...eu amo vocês dois... 

- Eu não aguentava mais esconder isso – Ela sussurra entre o beijo, as mãos segurando firmes em meu pescoço, como se não quisesse que eu me afastasse dela...sinceramente, eu também não queria.

- Quantos meses? – Eu pergunto, afagando sua barriga com delicadeza, percebendo somente agora o pequeno volume. As pernas dela me prendiam ali.

- Três...eu queria ter falado antes, mas nunca encontrei uma oportunidade. E não estamos em um momento bom, mas eu queria que você tivesse ao menos algo bom para se dedicar...não estou exigindo que esteja sempre presente, mas eu sei que uma criança te deixaria feliz.

- Foda-se os problemas, Cos, eu vou ser presente, eu juro – Eu falo e sinto que ela não aprovava a minha atitude, mas não significa que não tenha gostado – Ele vai me ter presente em sua vida, vou treiná-lo, ensiná-lo...poderemos passar as tardes no jardim...

 - É o que eu mais quero – Ela sorri mais uma vez e me rouba um beijo – Como sabe que é um menino?

 - É um menino? – Pergunto, empolgada e ela ri do meu estado.

- Não com total certeza, mas eu acho que é...intuição de mãe – Ela fala e agora é minha vez de abrir um sorriso largo – Sei que seu sonho é ter um filho menino...e minha intuição diz que é um.

- Não importa o que seja, amarei meu filho – Eu sussurro, os lábios roçando nos dela levemente.

- Eu te amo – Ela diz, antes de aprofundar o beijo mais uma vez.

 

 

Costia e eu não nos separamos até chegarmos em Azgeda. Passamos a viagem inteira fazendo planos sobre o nosso filho...é até estranho dizer isso...nosso filho.

Eu sempre pensei em formar uma família com ela, desde o momento que me apaixonei por Costia, mas eu nunca imaginei que essa seria a sensação, ainda mais pelo jeito que ocorreu. Foi a melhor surpresa que já recebi na minha vida.

Não estava apavorada com a possibilidade de não conseguir ser uma boa mãe para o meu filho, eu me esforçaria e daria tudo a ele...o meu nervosismo era por conta da expectativa, eu queria que ele viesse logo, seriam meses torturantes até que ele finalmente nascesse.

Quando pousamos, Costia ainda estava dormindo no meu colo. Ressonava baixinho contra o meu pescoço, nossos dedos entrelaçados. Dou um beijo no topo da cabeça e a desperto.

 

Of Monsters And Men - Thousand Eyes

 

Nia estava nos esperando pessoalmente, um carro luxuoso e preto estacionado próximo dali, aguardando-nos.

Entramos no prédio dela, parecido com o de Polis, porém, a estrutura era bem menor, e não havia como comparar a beleza de ambos, Polis era mil vezes mais bonita.

- Heda, não precisará de tanta conversa, podemos fechar o acordo aqui mesmo – Nia fala, Ontari ao seu lado, seguindo-a como se fosse um filhotinho. Depois do problema com Clarke, passei a desconfiar de Ontari. A imagem do sangue negro não abandonava a minha mente.

- Seria mais apropriado se estivéssemos em seu escritório – Eu falo, tentando não ser rude.

- Nós teremos de fazer um juramento de sangue, apesar de sagrado, é eficaz e rápido.

- Nia, perdoe-me se estou sendo indelicada, mas eu me sinto mais...confortável, se estivermos em um local apropriado – Eu falo e sinto a mão de Costia apertar minha cintura. Sinto seus músculos enrijecerem sob a palma de minha mão, e fiquei me perguntando por qual motivo ela teria ficado tão tensa de repente.

- Indelicadezas tem suas consequências, Alexandra – Ela diz o meu nome de um jeito venenoso...merda! Costia estava certa! Como sou tola!

Levo a mão até minha cintura e não sinto a Python ali...eles haviam confiscado com a desculpa de que não toleram armas dentro dos prédios. Sem opções, agarro Costia mais firme contra meu corpo e procuro rapidamente por uma saída rápida, mas estávamos em um corredor fechado e cercadas por 8 homens fortes.

Meus joelhos fraquejam quando sinto um chute forte contra o esquerdo. Cambaleio para frente, mas ainda sim protegi Costia com o meu corpo da melhor maneira que pude. Não havia nada que eu pudesse usar! Nem um mísero vaso de planta!

- Não pode me trair...- Eu falo, olhando atentamente para Nia – Fizemos um juramento de...

- Sangue? Minha querida, não sou um ser credor, não temo a nada, acha que um castigo tosco como esse irá me impedir de conseguir o que quero? – Ela grasna, agora realmente revelando como era verdadeiramente.

- Façam o que quiser comigo, mas deixe minha esposa ir – Eu tento negociar, tentando manter o tom ameaçador e controlado.

- Olhe só, a grande Heda implorando por uma vida...você é tão estúpida! – Ela grita, rindo, e Ontari avança, mas dá um passo para trás quando eu reajo à sua aproximação repentina – Você é fraca.

Costia agarra minha blusa e eu me distraio rapidamente, mas Ontari estava esperando por um deslize como esse. Meu rosto lateja, começando pela bochecha e depois por todo o rosto. Um homem alto agarra Costia e minha mulher começa a se debater, tentando se soltar, mas ela nunca iria conseguir fazer isso, ele era enorme.

- Lexa! Lexa me ajuda! – Costia grita desesperadamente enquanto é levada para longe de mim.

 - Costia! – Eu chamo e consigo derrubar dois dos homens que me cercavam, mas me sinto sufocar quando levo um soco no estômago. Puxo o ar com dificuldade, e sem que eu consiga reagir, Ontari chuta o meu rosto, o gosto metálico do sangue enchendo minha boca.

Ela vem para cima de mim, me imobiliza e aperta com força o meu pescoço, cortando meu ar.

Nia puxa uma seringa e aplica no meu pescoço, entre os vãos dos dedos da garota. Tento gritar de dor, mas eu não conseguia falar nada, meu pescoço queimava, e minha língua ficou dormente, e depois a dormência começou a se espalhar por todo o meu corpo.

Eu não tinha forças para reagir a mais nada.

Meus pulmões queimavam por conta da falta de ar, e meus olhos insistiam em fechar. A sensação de impotência estava me matando, eu precisava salvar Costia!

Consigo reunir um resquício de força e agarro o colarinho de Ontari, mas não era o suficiente para tirá-la de cima de mim. Minha visão fica turva, e eu só consigo enxergar o sorriso sádico de Ontari, deleitando-se com a minha subjugação.

E então tudo ficou escuro.


Notas Finais


Eu sei, vocês querem nos matar, mas gente, realmente foi necessário para o andamento da história esse sequestro...postaremos o próximo capítulo na terça-feira para não prolongar demais a curiosidade de vocês huahuahua por favor, comentem o que acharam, e nos falem suas teorias :3 :3
Siga @Anjosdelerigou no Twitter e receba spoilerzinhos marotos
Até a próxima :3


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