História The Godmother - Capítulo 3


Escrita por: ~ e ~LerigouNaPista

Postado
Categorias The 100
Tags Clarke, Clexa, Lexa, The 100
Exibições 390
Palavras 4.198
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Luta, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoinhas, estamos postando antes do dia correto, mas é que HOJE É DIA DAS CRIANÇAAAAAS, e nós temos leitores menores de idade...seus safadinhos, já leem hot ¬u¬
Enfim, um presentíneo para todo mundo \o/
E por favor, comentem, é importante saber a opinião de vocês, teorizem, teorizem, teorizem \o/
Boa leitura \o/

Capítulo 3 - III - Out of control


Depois do suposto desaparecimento de Clarke, ordenei que dois homens ficassem vigiando a porta dela 24 horas por dia. Não correria o risco de deixá-la sumir de vista novamente.

Apesar da abordagem agressiva, não temi que ela fizesse algo de “maiores proporções”. Clarke não é capaz de matar absolutamente nada...ou talvez fosse, afinal, já havia feito isso antes, mesmo que não tivesse sido de uma maneira intencional.

- Está fazendo aquilo de novo...- Costia diz com a voz arrastada pelo sono, encaixando o rosto na curva do meu pescoço.

- Fazendo o que? – Pergunto, apertando o corpo dela no meu.

- Pensado demais...fica olhando para o nada e franze as sobrancelhas quando algo te aflige – Ela se apoia nos braços, esticando-se para me dar um beijo – Eu acho sexy, mas fico preocupada com você – Ela morde o lábio inferior e sorri para mim.

- Desculpa, estou meio avoada...- Falo acariciando o rosto dela.

- Está preocupada com aquela garota? Clarke? – Ela me pergunta, fazendo desenhos na minha barriga com a ponta dos dedos.

- Ela é difícil de se lidar...não consigo decifrá-la...há momentos em que ela se mostra frágil e fraca...e há momentos em que tenta me degolar...ela é um mistério.

- Por que se preocupa tanto com ela? – Costia questiona e algo me diz que ela estava enciumada.

- Éramos amigas quando mais novas...fiz uma coisa horrível com ela e nos afastamos...

- E por que ela está aqui em Polis se não se falavam há tanto tempo?

- Isso faz parte de um negócio...não quero envolvê-la nisso, Cos. É perigoso – Eu falo enroscando o dedo em um cacho dela.

- Enquanto estiver com você, nada me acontecerá. Pode contar comigo para qualquer coisa, Lexa...sei que não queria um envolvimento muito forte, mas deveria ter sido uma cafajeste comigo na nossa primeira noite e me largado sozinha, sem um número ou endereço...mas se casou comigo, então tem o dever de me deixar te ajudar com o quer que esteja te atormentando.

- Eu não poderia deixar uma mulher linda e com uma mente brilhante escapar por entre meus dedos – Falo sorrindo, lembrando de nossa primeira noite, do nosso casamento...

- Está comigo somente por esses motivos? Não sabia que era tão fútil – Ela brinca e dá um beijo no canto da minha boca.

Uma realidade com ela nunca havia me passado pela cabeça, mas agora estamos juntas e fazendo planos para nós duas, e desde que ela ficasse aqui em Polis, não haveria perigo algum, eu a protegeria, e mataria aquele que tentasse machucá-la.

- Queria acelerar o tempo e parar quando tudo estiver tranquilo, como em alguns anos atrás – Ela ri e me beija.

- Estou tão feliz em saber que vai passar mais tempo comigo...– Ela diz, puxando meu lábio inferior carinhosamente.

- Sobre isso...eu vou ter que viajar bastante durante algum tempo, e intercalar com o treinamento de Clarke, mas não como nesse último ano, algumas questões eu resolverei aqui. Mas prometo que vou tentar passar mais tempo com você.

- E eu vou junto com você. Sobre Clarke, pare de se preocupar tanto. Não sei o que planeja para ela, mas vai conseguir fazer dar certo...agora podemos falar de outra coisa? Ou melhor...fazer outra coisa?

Dou risada da fala dela e a empurro, ficando por cima do corpo moreno, mordiscando a pele exposta do pescoço. Ela gargalha e me puxa para mais um beijo, mas esse pareceu diferente de todos os outros...era mais intenso e ela parecia querer demonstrar todo o amor que sentia por mim, e eu, da minha maneira, tentei me abrir para ela.

 

 

 

 

- Esse é o seu cronograma, com o tempo vai se acostumar com o prédio e não vai precisar carregar um mapa para todo canto – Eu falo, entregando um mapa do prédio e o cronograma dela.

Ela pega os papéis da minha mão e os observa durante um tempo, até que franze as sobrancelhas loiras e olha para mim.

- O que é trigedasleng? – Ela me pergunta, os olhos mostrando a confusão.

- A nossa língua nativa.

- Eu acho que o que está usando agora é o inglês tradicional...

- Por que estou usando o inglês tradicional...falamos as duas línguas – Dou um sorriso de canto para ela.

- Eu começo hoje? – Ela pergunta, observando os papeis com atenção.

- Primeiro precisa aprender um pouco da nossa história, a história da cidade, um pouco de geografia e táticas de guerra...depois partimos para trigedasleng e intercalamos com combate corporal, para depois passar para combate armado.

- Mesmo depois do que aconteceu ontem você ainda vai me ensinar a lutar? Como consegue ficar calma desse jeito?

- Um Comandante precisa manter a calma, Clarke. Se agirmos guiados por nossas emoções, os resultados serão negativos. Ontem queria se vingar de mim, a raiva te cegou e fez com que errasse o golpe. Se não fosse pelo seu nervosismo...tenho que reconhecer que estariam fazendo o ritual de cremação do meu corpo nesse momento, mesmo você não tendo técnica nenhuma – Eu dou risada, mas ela permanece séria.

- Por que está me ensinando essas coisas? Não faz sentido algum.

- Entenderá depois que estiver formada...mas precisamos abaixar a guarda uma para outra se vamos trabalhar juntas – Eu falo enquanto apago algumas velas que estavam acesas nos pedestais.

- Mas eu não quero viver em paz com você...você é meu inferno pessoal, Lexa – Ela diz com um misto de provocação e ironia na voz.

- Só peço que tolere a minha presença, é de importância extrema que preste atenção nos meus ensinamentos.

- Por que outra pessoa não pode fazer isso? Por que me escolheu? – Ela pergunta, me encarando com os olhos gélidos.

- Sou a Comandante...isso já me coloca como primeira escolha...e sou eu quem treino os Nightbloods, meus sucessores caso eu faleça por algum motivo.

- Então...está me treinando para comandar? – Ela pergunta, as sobrancelhas franzidas em questionamento – Comandar o que?

- Vista estas roupas, ajudam na mobilidade – Corto o assunto e ofereço uma muda de roupas esportivas para ela, que caminha até onde estou e pega os tecidos negros – Já tomou seu café da manhã?

- Sim...trouxeram agora a pouco – Ela me responde, desabotoando os dois primeiros botões da camisa que usava.

Prendo a respiração com o que ela estava fazendo, mas não consegui desviar o olhar. Me xinguei internamente por isso.

- Cla-Clarke...tem um banheiro no quarto... – Eu tento não gaguejar, mas foi em vão.

- Você já me viu assim uma vez – Ela diz melancolicamente – Exposta...

- Não precisa fazer e nem falar sobre isso, já tenho muito arrependimento guardado – Eu falo, evitando observá-la enquanto trocava de roupa.

- Imagino o quanto você deve sofrer – Ela diz ironicamente.

- Acha que não tenho pesadelos também? Nós tínhamos o que? 15 e 19 anos? Adolescentes não pensam nas consequências, Clarke.

- E qual é a diferença agora? Eu tenho 20, não é um espaçamento muito grande de tempo.

- Você amadureceu, Clarke...eu também...talvez até mais do que o normal. Tenho que lidar com a responsabilidade de comandar 11 clãs que divergem sobre absolutamente tudo que existe a todo momento.

Dou uma olhada nela e Clarke pareceu surpresa com essa última informação, e não pude evitar, aquilo inflou meu ego. Ela estava terminando de subir a calça quando eu a espiei, e aquilo fez meu coração dar uma batida a mais. Era inegável, eu sentia uma forte atração por ela, e isso era extremamente errado!

- Podemos ir? – Eu pergunto para Clarke, tentando espantar aqueles pensamentos.

- Não disse que eu teria que aprender sobre a história antes de partir para a ação? – Ela pergunta, torcendo os dedos nervosamente.

- E você vai...enquanto lutamos.

 

 

 

 

- Não tem conhecimento nenhum, certo? Tem um bom condicionamento físico? – Eu pergunto, já vestida com meus trajes de treinamento.

- Tenho conhecimento da palavra, porém, não faz parte do meu cotidiano – Ela diz enquanto amarra os cabelos loiros em um rabo de cavalo perfeito.

- Está brincando – Eu dou risada, cruzando os braços.

- Não...eu ficava trancafiada dentro de casa, pintando quadros e estudando para as provas do meu professor particular – Ela diz calmamente – Eu sou a típica norte americana sedentária, que come demais e não faz exercício nenhum.

Aquilo me doeu mais que os insultos e indiretas que ela me mandava. Seria mais complicado do que eu havia imaginado. Na época da escola ela era ótima em qualquer tipo de esporte, e em dança também.

- Vou ter que reescrever o cronograma – Falo comigo mesma, bufando de raiva.

- Poderia ser um pouco menos metódica e seguir sem horários.

- Precisa ter disciplina, Clarke, e isso inclui cumprir metas e horários – Eu falo, me irritando com ela.

- Não me lembro de você ser tão insuportavelmente irritante – Ela me olha desdenhosa.

- Talvez seja porque eu sou obrigada a ter uma mentalidade de um sábio de 70 anos – Eu falo, me aproximando dela.

- Sábios são interessantes e você está longe de ser interes...- Ela se cala quando eu dou um soco em cheio no nariz dela.

Clarke cambaleia para atrás, segurando o nariz, os olhos fechados com firmeza, a expressão mostrando a dor que estava sentindo.

- Você me bateu! – Ela diz, ainda segurando o nariz.

- Nunca baixe a guarda – Eu falo e dou um chute lateral na perna dela, diminuindo um pouco a intensidade para que não machucasse tanto.

- Mas você não me ensinou nada! – Ela diz indignada, dando voltas no ringue.

- Também não ensinei nada para eles – Eu digo apontando para os Nightbloods, que treinavam com bastões e punhos, espalhados pela enorme sala de treino – Aden consegue me acertar quando está focado, e começou a treinar quando tinha 8 anos.

Clarke me lança um olhar de ódio e corre em minha direção como um touro bravo. Facilmente eu desvio e dou uma rasteira nela, que cai de cara no chão.

- Use seus olhos, Clarke, não a raiva que sente por mim.

Ela se levanta e tenta imitar a minha postura, o pé esquerdo à frente do direito, que estava inclinado para o lado. O tronco estava ligeiramente tombado para frente e os cotovelos baixos demais, deixando o rosto desprotegido.

- O que é necessário para uma luta justa, Clarke?

- Habilidade?

- Equipamentos – Dou dois passos para perto dela e ela tropeça para atrás, quebrando a posição – Precisa de bandagens como as minhas, assim não machucará a pele quando treinar. O que mais é necessário?

- Luvas de boxing? Protetor bucal? – Ela pergunta, a respiração já ofegante devido os movimentos bruscos.

- Essa é uma arte antiga, Clarke. Não existiam luvas e protetores bucais naquela época, muito menos uma técnica.

- Está me dizendo que tudo é na base da observação? – Ela abre um pouco a guarda e eu dou um soco no estômago dela.

Clarke enverga o corpo para frente e eu passo minha perna pela dela, prendendo-a e a derrubando de costas no chão. Fico por cima dela e Clarke, ainda desnorteada pela falta de ar, tenta me afastar, dando socos desajeitados e aleatórios, seguro os pulsos dela com força e os prenso no chão.

- Como vai me atacar sem usar os punhos? – Ela pergunta, tentando me provocar.

Coloco o joelho no peito dela e coloco toda a força que tenho ali. Clarke se contorce abaixo de mim, tentando falar alguma coisa, mas eu estava roubando o ar de seus pulmões.

Quando ela para de se debater e começa a realmente ficar quieta demais, tiro o joelho dali e ela puxa o ar com força, engasgando e tossindo.

- Não há restrições e existe somente uma regra: alguém sempre terá de sair morto, não importa que golpes você utilize. Apesar de ser uma arte marcial antiga, eu tomei a liberdade de casar alguns movimentos de diversas modalidades. Jiu jitso, capoeira, boxe, muay thai, taekwondo...

Clarke estava com os olhos presos nos meus, prestando atenção em tudo o que eu dizia.

Solto os pulsos dela, mas ela os mantém na mesma posição. Os cabelos loiros estavam bagunçados, alguns fios caindo pelo rosto dela. Os lábios finos estavam entreabertos o hálito quente em contato com o meu rosto...até aquele momento eu não havia notado o quão próximos nossos corpos estavam. E aquilo me deu um arrepio estranho na espinha.

Apesar de estar descabelada, ofegante e suada, Clarke continuava bonita, os olhos tão azuis quanto o céu, contrastados com a pele branca, me encaravam com intensidade, a raiva se manifestando, como o oceano em dias de tempestade, lindo e mortífero.

As mãos dela sobem pelas minhas coxas expostas pelo short e vão subindo, os dedos tocando a pele da minha cintura, e eu prendo a respiração, meu corpo se arrepia e sinto um frio na barriga.

Em um piscar de olhos estou deitada no ringue com ela por cima, segurando meus braços contra o chão.

- Bate em mim, Clarke – Eu falo – Bate, Clarke – Ela franze as sobrancelhas e aperta mais os meus braços – Preciso que me acerte com força!

- Eu não...

- Não é questão querer ou não! Bata em mim, porra! – Eu grito com ela, tentando encorajá-la, mas Clarke só parecia assustada com meus gritos de incentivo – Deixaria que eu te matasse porque você tem medo de machucar as pessoas?!

- Pare... – Ela pede, os olhos realmente assustados agora.

- Deixaria que matassem os seus amigos porque você é incapaz de arrebentar alguém até a morte?!

- Eu não sou como você! – Ela grita de volta – E não tenho que matar ninguém!

Aproveito a distração e fico por cima dela novamente. Clarke estava se esforçando para não chorar. Aquilo me fez vacilar por alguns segundos.

- Por que você não acaba comigo logo?! Me bate também! – Ergo o punho fechado me preparando para socá-la, mas apesar de ser necessário para que ela treinasse, eu não queria fazer aquilo, não queria machucar Clarke de novo – Me chama de fraca, mas você é mais fraca que eu...por que não acaba logo comigo, Lexa? É difícil para você bater no meu rosto? Me ver sangrando?

O olhar dela que antes estava assustado, agora estava com um ódio descomunal. A pele fervendo de raiva sob a minha.

Respiro fundo para não perder a calma e me levanto, puxando ela junto comigo, voltando à posição inicial, mas ela não se protegia, os braços caídos.

- Você continua covarde – Ela cospe as palavras com desprezo.

- Sou tudo, menos covarde, Clarke.

- Então por que me abandonou? O medo de ser pega foi grande demais? Foi mais fácil jogar a culpa na filhinha do presidente? Ou então não conseguia encarar o que realmente estava sentindo?

- Eu não tive...

- Você tinha escolha, Lexa, você tinha! E você foi covarde, você me largou lá, sozinha, no meio de todos aqueles corpos que você me obrigou a...

- Cale a boca, Clarke...

- Eram crianças...como teve coragem?

- Não foi eu quem apertou aquele botão, Griffin. E você também queria se vingar, não se finja de inocente, também tem culpa – Eu falo lentamente, prestando atenção na minha respiração para me acalmar.

- Mas foi você que colocou a minha mão nele – Ela se aproxima de mim – Tem tanta culpa quanto eu! Esse é o seu problema, você joga a responsabilidade para os outros porque é covarde demais para admitir! Você é um monstro, Lexa! Deveria ter morrido naquele dia, deveria ter...!

Antes que ela termine a frase eu perco o controle, dando um soco forte demais na costela dela, sendo seguido por incontáveis outros. Minha visão estava turva e embraçada, e quando finalmente me dei conta do que estava fazendo, Aden estava me imobilizando com braços e pernas, segurando-me firmemente no chão, enquanto outro garoto mais velho dava apoio para Clarke, que mal conseguia se manter de pé pela dor.

- Aden, me solta – Eu falo para ele, mas Aden permanece naquela posição – Deixe-me ver como ela está!

- Depois, Heda – Ele se esforçava para me manter no chão.

Costia entra correndo dentro do ringue e verifica Clarke, ajudando Nightbloods a retirarem ela dali sem que se machucasse mais. Ver Clarke amolecida no colo de Matthew me deixou irada comigo mesma. Como eu sou estúpida!

- Lexa, amor, olha pra mim – Costia segurava meu rosto com as duas mãos. Eu nem havia percebido quando ela parou na minha frente – Olha pra mim, Lexa.

- Eu machuquei ela – Eu falo, me contorcendo no aperto de Aden – Me solta, Aden! É uma ordem!

O garoto rapidamente me solta e eu me levanto tempestuosamente, saindo do ringue, arrancando as bandagens e largando-as de qualquer jeito no chão.

- Heda, deixe Clarke descansar, por favor. Sabe que não é sensato ir vê-la da maneira que a senhora está – Aden diz, acompanhando os meus passos acelerados em direção a enfermaria.

- Eu...porra! – Dou um soco na parede ao meu lado, parando os passos e massageando as têmporas com força, tentando colocar os pensamentos em ordem.

- Tomarei conta dos afazeres dela, mas por favor, não volte a vê-la até que esteja com a cabeça no lugar.

- Quando se tornou tão sábio, garoto? – Eu pergunto, vendo pontinhas de sangue saírem da pele esfolada pelo soco.

- Tenho a melhor mentora que já existiu – Ele sorri e faz uma breve reverência, indo em direção a enfermagem.

 

 

 

 

Dois dias se passaram e finalmente Anya voltou de Azgeda, e milagrosamente, trazendo boas notícias.

- Nia aceitou a proposta, mas só irá assinar os papéis se “Heda estiver presente e honrar o contrato, não uma subordinada qualquer”. Por que eu sempre sou designada para conversar com pessoas arrogantes e prepotentes? – Anya pergunta, depois de me dar um abraço forte.

- Indra massacraria a pessoa, você é a mais sensata e controlada, por assim dizer.

- E então, como vai a menina premiada?

- Podemos falar sobre outra coisa? – Pergunto, me sentindo desconfortável em tocar naquele assunto.

- Não, fiquei sabendo que você arrebentou ela. Eu entendo, precisamos apanhar, faz parte da iniciação, mas foi covardia o que fez com ela. O que aconteceu com “tratá-la bem”?

- Ela me tirou do sério e me descontrolei, apenas isso – Eu falo secamente, deixando claro que não queria relembrar o assunto. Já era difícil dormir todos os dias sentindo Costia tensa o tempo inteiro.

- Precisa se desculpar...fora que a apresentar da possível maneira em que está, é burrice, acha que o pai dela não irá desconfiar? Você, fodeu com todo um planejamento de meses, gênia.

- Olhe como fala comigo – Eu falo em alerta, lembrando-a de quem está verdadeiramente no comando.

- Enfim...desculpe-se com Clarke e vá conversar com Nia o mais rápido possível, dei o prazo de um mês.

- Obrigada pelos seus serviços, agora descanse um pouco, teremos um ano conturbado.

Eu realmente teria que pensar em uma maneira de mostrar Clarke para o pai dela sem que ele suspeitasse de que algo aconteceu com ela, e também precisava convencer Clarke a colaborar, o que eu particularmente acho que será impossível, levando em consideração o ódio que ela deve estar sentindo de mim.

Resolvi seguir os conselhos de Aden e esperar até que a poeira abaixasse, mas minha semana estava sendo tediosamente lenta e não vi Clarke uma vez sequer.

E o que me desmotivou mais ainda é saber que terei de me reunir com os membros da Coalizão para discutir a entrada da Nação do Gelo. Ter divergências é saudável, mas os líderes são insuportavelmente chatos e briguentos.

Minha cabeça estava latejando pela enxaqueca. Em um piscar de olhos, todo o meu planejamento foi por água abaixo e agora eu teria que refazê-los.

Vou até a sala do trono e o encontro vazio.

Rústico, antigo e imponente, cada galho retorcido esbanjando grandeza e poder, era assim que eu encarava aquela velharia em que todos os comandantes que vieram antes de mim, se sentaram e governaram Polis. Eu não gostava de me sentar ali, dava a impressão que eu era uma monarca imbecil que controla seus homens da maneira que queria, sem pensar nas consequências ou então no bem-estar alheio.

Mas apesar disso tudo, era o lugar em que me sentia confortável, pelo menos quando estava vazio, afinal, eu conseguia me conectar com eles de certa maneira, talvez por conta do chip de Becca...ou então Bekka Pramheda como meu povo a chama.

Nossa civilização é antiga, porém, nossa tecnologia é extremamente avançada, o que permitiu que Becca, a primeira Heda, a criar o chip que ajudar-nos-ia a governar as grandes massas em caso de uma desestruturação mundial em termos de conflagrações.

E agora, com uma guerra prestes a eclodir, guerra esta que devastará no mínimo quase uma parcela inteira da população, estou uma pilha de nervos, tecnicamente, o futuro de todos está em minhas mãos, um passo em falso e eu devastarei a civilização humana.

Vou até a sacada e observo a lua em todo o seu esplendor, no alto do céu escuro e forrado de estrelas. A brisa morna tocou meu rosto e aquilo me relaxou um pouco, mas a enxaqueca ainda era presente. Fecho os olhos e respiro fundo, tentando esquecer todos os problemas, nem que fosse por um minuto.

O cheiro de lavanda me embriagou e senti os braços de Costia rodearem minha cintura, me abraçando por trás. Os lábios dela tocam minha nuca e eu acaricio seus braços com leveza.

- Está tensa...- Ela sussurra, ainda distribuindo beijos suaves na minha nuca e ombros.

- Eu fodi com tudo, Cos – Eu falo, a chateação evidente na minha voz.

- Você vai dar um jeito...sempre consegue...mas não pode se descontrolar daquela maneira.

- Eu sei – Eu falo suspirando.

- O que aconteceu entre vocês duas para que ficasse tão irritada? Você nunca foi agressiva.

- Eu...eu sei que só quer ajudar, Cos, mas eu prefiro não falar sobre isso, tudo bem? Não agora – Eu me viro e seguro a nuca dela com uma mão, fazendo um leve carinho ali.

- Eu entendo – Costia sussurra, mas parecia chateada por descobrir recentemente que eu não havia contado tudo sobre a minha para ela...em uma situação contrária, eu também ficaria.

- Não fique chateada, por favor – Eu peço, colando nossas testas e nariz, os olhos fechados, tentando aproveitar aquele momento de paz – Eu te amo, Costia.

Ela não responde, mas une nossos lábios em um beijo calmo, somente um movimentar de bocas.

- Eu quero te contar uma coisa – Ela diz depois de quebrar o beijo, me olhando intensamente.

- Heda, temos um problema! – Indra entra de rompante na sala, o maxilar travado – Perdão por tê-las interrompido...

- O que aconteceu? – Eu pergunto, me desvencilhando de Costia com delicadeza e indo em direção à mulher.

- Azgeda. Roan se separou da mãe e jurou guerra contra nós se não o colocarmos na Coalizão.

- Ele sozinho não pode fazer nada contra nós, não é perigoso.

- Ele formou seu próprio clã, com homens fiéis e bem treinados das tropas da mãe dele, é tão poderoso quanto ela, Heda.

- Porra...marque uma conferência amanhã de manhã com os 11 clãs – Eu ordeno, andando de um lado para o outro – E diga que se algum deles não vier, serão expulsos e considerados inimigos da Coalizão.

- Sim, Heda.

Indra saiu da sala e me deixou sozinha com Costia. Minha cabeça voltou a latejar com a informação enorme que eu havia acabado de absorver. Isso mudava praticamente todo o planejamento que já estava mudado.

- Podemos fazer um acordo com Nia, retalharemos as tropas de Roan com a ajuda dela e do Desert clan, são mais fortes em poderio bélico.

- São assassinos em potencial, Costia, um homem de Azgeda consegue matar três dos nossos, seria arriscado e não podemos exterminar um clã inteiro somente para colocar outro. Seria mais vantajoso adicionar esse novo clã, e não Azgeda.

- Já tem um contrato com ela, não vale a pena sujar a sua reputação.

- Então começaremos um treino intensivo para a guerra que virá...pela manhã irei ordenar que arrumem um campo para alojar os homens de Heitor...durma um pouco, virarei a noite discutindo algumas coisas com Anya e Indra – Eu falo e dou um beijo na testa dela – Obrigado por me ajudar a encontrar uma solução.

- Eu te amo – Ela diz em resposta e me dá um selinho rápido.

Ando a passos rápidos até a porta e procuro por Indra e Anya, até que as encontro próximas da sala de segurança, discutindo arduamente.

- Indra, ordene que preparem o Camp Arkadia para alojar os soldados de Heitor, avise-o para trazer todos os homens que tiver.

- O que planeja, Heda?

- Treinaremos os homens de Heitor e nos uniremos à Azgeda para aniquilar Roan e seu exército. Entre em contato com ele e pergunte quanto tempo ele nos oferece.

- Acha prudente? – Anya pergunta, o maxilar travado e o músculo tenso.

- É a melhor tacada. Não podemos oferecer acordos à Roan, seria injusto com Nia e desencadearíamos uma guerra de maiores proporções. Permanecer apoiando Azgeda é a melhor opção que temos no momento.

- Me pergunto quando teremos paz – Anya resmunga, observando-me com atenção.

- Só encontramos paz na morte, Anya.

 


Notas Finais


Um pouco extrema a atitude de Lexa, mas a partir de agora, Lexa e Clarke vão começar a interagir mais, um pouco hostil de início, mas depois a relação deslancha u-u


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