História The Godmother - Capítulo 4


Escrita por: ~ e ~LerigouNaPista

Postado
Categorias The 100
Tags Clarke, Clexa, Lexa, The 100
Exibições 418
Palavras 6.311
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Luta, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais um capítulo para vocês, esperamos que gostem :3

Capítulo 4 - IV - Truce


Já havia se passado uma semana desde os acontecimentos perturbadores. A guerra iminente estava deixando todos agitados demais e a euforia causada por isso me deixava irritada ao extremo.

E também tinha o fato de Aden e Costia não me permitirem nem ao menos ver Clarke. Ele estava tratando do cronograma dela e isso me frustrou profundamente. Clarke é minha responsabilidade. Além disso, queria ver como ela estava, se ela estava bem, se estava dolorida, não me importaria se ela batesse em mim de novo por estar com raiva, mas eu só queria vê-la...eu temia que Clarke fosse um problema, mas na verdade quem está sendo um problema sou eu, e um problema perigoso e explosivo, diga-se de passagem.

Eu não devo ceder às provocações dela, nem de ninguém, tenho sempre que manter o controle...mas Clarke...ela é especial de uma maneira negativa e positiva ao mesmo tempo, e os problemas com a Coalizão estavam me deixando mais estressada ainda, nem mesmo Costia estava conseguindo me acalmar.

- Não pode incluí-los na Coalizão, Heda, sabe da reputação nojenta e agressiva que possuem! – Lyanna, líder do Delphi clan, exclama, me acordando de meus pensamentos conflitantes.

- Podemos controlá-los, inclusive já estou providenciando isso – Eu falo, brincando com um copo d’água, desejando que fosse um copo de vodka.

- São bárbaros, Heda – Heitor, líder do Desert clan, tenta me convencer e todos os outros líderes concordam com ele.

Eu havia convocado todos os 11 clãs para discutir a possível entrada da Nação do Gelo na Coalizão. Mas todos pareciam estar com receio em “adotá-los” devido ao mau comportamento perante as questões políticas. Mas situações desesperadas requerem ações desesperadas, não havia outra solução senão incluí-los na Coalizão.

- Vai da perspectiva de cada um...vocês dizem que eles são bárbaros por utilizarem a agressão como um método principal para resolver seus problemas...alguns dos nossos homens foram bem violentos com alguns clientes caloteiros, não foram? – Eu falo sem observá-los – E temos que levar em consideração que o lema da Coalizão sempre foi “Jus drein jus daun”...não seria hipócrita de nossa parte? Ou talvez até mesmo ignorante?

Todos se aquietaram e eu levanto o olhar para encará-los. Ninguém se atrevia a me olhar diretamente.

- Anya visitou Nia e ela acertou nossos termos e regras. Roan quer guerrear contra nós, por isso treinaremos os seus guerreiros, Heitor. Iremos nos unir à Azgeda para guerrear contra as tropas de Roan.

- Tomou decisões sem nossa aprovação? – Raiden, líder do Plains Rivers, parecia estar indignado.

- Alexandra é a Heda de todos nós, a melhor que já comandou os 11 clãs, acham que ela tomaria decisões precipitadas? – Costia pergunta, em pé do meu lado direito.

- Peço que se preparem, tempos difíceis estão por chegar. Agora se me dão licença, tenho alguns compromissos. Agradeço a presença de todos – Eu falo, já me levantando da cadeira, mas Titus, meu conselheiro, coloca a mão no meu ombro, me impedindo – O que foi, Titus?

- Ainda há tempo de sobra, Heda...assuntos precisam ser discutidos...

- Preciso resolver algo, Titus, já terminei por aqui – Eu falo para ele, me desvencilhando de seu aperto – Preciso falar com Clarke e se ela colaborará conosco – Eu falo para Costia e ela acena positivamente.

Apenas uma coisa se passava pela minha cabeça naquele momento, e eu precisava vê-la, ver se estava bem, apesar de saber que estaria com muita raiva de mim e provavelmente bateria a porta na minha cara.

Subo até o andar do quarto dela e a porta, milagrosamente, não estava sendo guardada por Aden, somente pelos dois seguranças que eu havia mandado.

- Heda – Os homens me cumprimentam.

Entro no quarto sem bater na porta e o encontro vazio, porém, extremamente diferente de quando ela havia se hospedado aqui. Com minha ausência, provavelmente Aden havia feito exigências para que deixassem Clarke o mais confortável possível, e isso aflorou a veia artística dela.

Esboços estavam espalhados por todos os cantos, um cavalete estava descansando ao lado da porta de vidro e vários potinhos de tinta e pincéis estavam cuidadosamente guardados e limpos dentro de uma caixa de madeira.

O ambiente estava, de certa maneira, harmonioso e agradável...causava uma sensação boa em quem o visitasse...ou talvez fosse meus pensamentos que estivessem conectados demais com ela, mesmo que não fosse correspondido.

A verdade é que eu sempre tive uma ligação forte com Clarke, e por mais que eu tentasse transparecer descaso em relação a ela, eu não conseguia. Era quase uma necessidade ver ela quando eu estava por perto.

Eu realmente queria estabelecer a paz entre nós duas, sentia falta das nossas conversas sobre banalidades quando éramos mais novas, mesmo sabendo que talvez nunca mais viéssemos a fazer isso com tanta naturalidade.

Escuto alguém ofegando e procuro pela pessoa, até que encontro a porta do banheiro entreaberta. Eu sei que não deveria olhar o que estava acontecendo ali dentro, ainda mais por saber que provavelmente era Clarke que estava ali.

Respiro fundo, apertando os olhos com força, mas não consigo travar as minhas pernas. Me aproximo a passos lentos e silenciosos da porta, e espio Clarke.

A primeira coisa que observei foram as costas dela, pequenas e desprovidas de músculos, a pele branca exposta, sem tecido algum para cobri-la, exceto por uma pequena faixa que envolvia a região do tórax. Apoiava as mãos na pia, respirando fundo, a calça do pijama era larga e ficava levemente caída no quadril. Aquela visão me causou sensações estranhas, mas a que me arrebatou foi o constrangimento e arrependimento. Não era certo com Costia...e também não era certo com Clarke, observá-la em um momento tão íntimo.

Clarke tenta desatar a faixa mas ofega de dor mais uma vez, mordendo os lábios com tanta força que não demorariam a sangrar. Ela parece desistir depois de várias tentativas falhas e pega uma blusa larga no cabide, tentando vestir se vestir, mas também não consegue.

- Droga! – Ela grita, batendo na pia. O corpo dela começa a tremer levemente, e o ar é puxado com força para dentro dos pulmões, mas isso parecia causar mais dor, pois ela chorava copiosamente.

Entro no banheiro e aquilo fez com que ela se assustasse e arquejasse de dor. Clarke puxa uma toalha e tenta se cobrir da melhor maneira que pode, mas até isso tinha se tornado difícil para ela.

- Perdoe a invasão...só queria saber se está bem – Eu falo baixo, observando enquanto ela enxugava o rosto molhado pelas lágrimas, tentando esconder de mim o que estava sentindo.

- Eu estou ótima...só um pouco exausta – Ela diz secamente.

- A bandagem diz o contrário...

- Não foi nada, eu errei um golpe e Aden me acertou, só isso – Ela diz, ainda sem me olhar nos olhos.

- Sei que não está treinando...não sai do quarto desde...- Eu parei de falar, era perturbador lembrar da minha explosão e mais perturbador ainda saber que ela estava daquele jeito por minha causa.

- Pode me dar licença? Preciso...preciso me trocar.

Dou uma última olhada no rosto dela e saio do banheiro, fechando a porta depois de sair.

Enquanto ela tentava vestir a blusa, me distraí com suas pinturas. Várias telas estavam espalhadas por ali, carregando a imagem de alguns dos lugares que ela mais gostava...alguns desses chegamos a visitar, principalmente as colinas, lugares altos eram os preferidos de Clarke.

Mas um me chamou a atenção, diferente da natureza harmônica e feliz dos outros quadros. Este era incômodo e carregava uma negatividade extremamente pesada. Eram cores quentes, vermelho, laranja e amarelo, mas eu sabia o que representavam...era uma memória...nós duas compartilhávamos a mesma memória...a diferença é que eu aprendi a controlá-las, mas com Clarke era diferente, ela não conseguia esquecer, e parecia não querer esquecer.

 

Se Clarke não resolvesse isso hoje, eu mesma iria, não posso ficar parada enquanto fazem isso com ela.

- Temos que fazer isso, eles humilharam você, muito!

- Eu não acho que seja certo, Lexa...todo mundo faz coisas ruins, mas eu não quero retrucar – Ela diz, nervosa com a situação.

- Mas precisa, não é justo que saiam ilesos, ainda mais aquela idiota...sério? Ela não deveria ser a Rainha da Primavera, deveria ser a Rainha dos Idiotas –Eu falo e ela ri, o que me faz sorrir, eu adorava fazê-la rir.

Clarke é uma garota linda, na verdade, ela é tudo aquilo que uma pessoa pode querer, é uma pessoa boa e determinada, e muito, muito teimosa, mas isso é um charme, dá um toque na personalidade dela. Eu particularmente adoro esse jeito dela.

Ver pessoas sofrendo injustiças me deixava com raiva, mas ver as garotas da minha sala, mais velhas que Clarke, tentando humilhá-la...isso me deixava irada, e ficava mais irritadiça ainda sabendo que Clarke não os denunciava porque sabia que seu pai faria um escândalo enorme sobre o assunto...talvez eu até a entenda, ela é a filha do presidente.

Seguro a mão dela e coloco sobre o botão.

- Eles só vão passar vergonha, de que adianta eu ter descoberto todos os segredos sujos deles se não podemos usá-los da maneira que queremos? É a sua vez de mostrar quem manda.

- Tem certeza que isso não vai machucar ninguém...digo, fisicamente?

- Não vai, eu juro...vamos apertar juntas.

Clarke respira calmamente, cogitando se deveria ou não fazer aquilo, mas por fim, parece determinada.

- Juntas – Ela diz antes de apertar o botão.

E tela branca acende, mostrando a todos imagens vergonhosas enquanto gravações de áudio eram reproduzidas. Os risos eram altos, mas logo se tornaram gritos após um estouro.

A fiação tinha dado curto...o ginásio trancado e lotado...

 

Se soubesse que tudo aquilo aconteceria...nunca teria convencido Clarke a participar do meu plano...eu não me arrependia, não carregava culpa pelo o que eu fiz, eles eram ruins...mas eu impus essa condição para Clarke, esquecendo que ela não é como eu, como ela mesma havia dito alguns dias atrás...Clarke não teve a minha criação.

Clarke sai de dentro do banheiro, usando a blusa larga, os passos suaves para causar a menor quantidade de dor em si mesma.

- Foi eu que causei isso? – Eu pergunto, sentada na ponta da cama.

- Não foi nada, Lexa.

- Eu não entendo...- Eu sussurro, prendendo meus olhos nos dela, azuis, a vergonha estampada neles.

- O que não entende?

- Por que está me poupando da verdade? Sabe que o que eu fiz foi errado, e eu não entendo por que não quer admitir que eu te machuquei...de novo – Eu falo, um pouco alterada.

- Eu só não quero estender o assunto, Lexa, porque eu não quero falar com você e porque sei que isso vai gerar mais briga entre nós, e eu estou cansada demais para isso – Ela umedece os lábios e cruza os braços, mas manter-se naquela posição parecia ser doloroso demais para ela.

Me levanto e fico a uns passos de distância dela, sabia que se chegasse mais perto ela se afastaria e não me deixaria terminar de falar.

- Eu...eu não queria ter me descontrolado daquele jeito, não queria te machucar, juro que não tive intenção.

- Não machucou, Lexa...por favor, eu estou com sono...- Ela desvia o olhar do meu, observando os pés descalços.

- Eu quero resolver nossos problemas, Clarke, mas preciso que me escute.

- Eu não quero nada, Lexa...- Ela respira fundo, mas até isso parecia ser difícil para ela.

- Deixe-me ver – Eu mando, caçando seu olhar que fugia do meu.

- Não...

- Deixe-me ver, Clarke – Eu uso um tom firme e sério – Não estou pedindo.

- Não há nada para ver.

Eu me aproximo a passadas largas e Clarke tenta se afastar, mas seu corpo é brecado pela mesa logo atrás de si, os enfeites tilintando com a força que foi aplicada ali. Seguro a barra da blusa dela e tento erguê-la, mas Clarke coloca as mãos nos meus ombros, tentando me impedir, mas ela mesma acaba por se derrotar, as costelas estavam extremamente doloridas, e isso a impedia de se defender.

Puxo o tecido com força, rasgando-o, o que faz com que a pele branca da barriga e a bandagem fiquem expostas. Clarke já não reagia contra meus atos, o rosto estava virado para o lado, e me senti culpada pela expressão de humilhação que seus olhos carregavam...mas eu havia chegado até ali, não seria impedida, por mais que soubesse que o que eu veria faria com que me sentisse mil vezes pior...mas a dor é necessária em alguns casos.

Com toda a delicadeza que podia ter, desatei o nó da bandagem branca e o desenrolei, parando quando já estava na altura dos seios dela.

Fechei os olhos tentando controlar a raiva que sentia de mim mesma, e se pudesse, mandaria que me espancassem da mesma maneira que, odiosamente e covardemente, eu havia feito com ela. Toquei a pele dela com a ponta dos dedos, acariciando o local arroxeado, sentindo o quanto estava quente ali. Mas o mínimo toque fazia com que ela arfasse de dor e tentasse se afastar de mim...eu não...não era possível que eu tivesse...

- Eu...eu quebrei a sua...

- Só uma...

Eu tento dizer alguma coisa, mas não consigo, parecia que eu havia engolido areia...

- Eu aceito a trégua, Lexa...

- Tem medo de mim? – Eu pergunto, ainda olhando para o hematoma que tinha o tamanho exato do meu punho fechado.

- Sei que mentir faria com que se sentisse melhor...mas não...eu não tenho medo de você, Lexa...e...e eu sei que eu errei aquela noite...

- Nós duas erramos – Eu corto a fala dela.

- Eu...eu tenho pesadelos com aquilo todas as noites...mas não é disso que culpo você, sei que fiz com que pensasse que foi com isso...mas depois daquela noite...eu não sei como nos descobriram, mas ainda sinto a minha pele...queimando e chiando.... – Ela diz entre soluços, as lágrimas caindo dos olhos. A cicatriz abaixo do olho dela de repente pareceu ficar mais destacada na pele branca -...você viu o que estavam fazendo, mas não fez nada...por que não fez nada, Lexa?

- Eu não consegui reagir...e eu juro que queria que tivessem feito tudo aquilo comigo e não com você, Clarke.

- Eu vou tentar passar por cima disso e trabalhar com você...mas não significa que eu a perdoei.

- Já é mais do que eu esperava...mais do que mereço - Eu falo, e dessa vez o olhar dela estava preso no meu. Toco mais uma vez o hematoma dela e sinto a pele se arrepiar sob meu toque, afinal, meus dedos agora estavam gelados – Quer que eu te ajude com isso? Sei que está doendo.

- Por favor – Ela pede, envergonhada com a nossa nova relação, sem trocar farpas.

- É melhor usar camisas de botões enquanto sua costela se cura... – Minha voz sai falha nessas últimas palavras.

- Só tenho uma.

- Pode usar as minhas...vou buscá-las para você – Eu falo, percebendo só agora o quanto estávamos próximas uma da outra. Seu hálito de menta indo de encontro ao meu nariz, a cabeça dela ligeiramente inclinada para cima, já que eu era mais alta que ela.

Pisco os olhos várias vezes e vou até a porta dela, saindo do quarto.

- Mande que tragam algo que ajude na recuperação dela – Eu ordeno para um dos homens que guardavam a porta do quarto de Clarke.

- E para a senhora, Heda?

- O mesmo que o dela.

- Sim, Heda – Ele acena positivamente com a cabeça e começa a ir em direção ao elevador.

Vou até meu quarto, mas não encontro Costia por ali. Vou até o closet e procuro por algumas camisas de botão, pegando seis peças do cabide de madeira.

Antes de sair do quarto eu me sento na cama, tentando absorver tudo que havia acontecido minutos atrás. Clarke e eu estávamos nos dando bem novamente, depois de 5 anos longe uma da outra, sem contato algum.

Chegava até mesmo a ser estranho a nossa proximidade repentina, sem discussões e brigas...pensando de um jeito meio cômico, diria até que ela está se aproximando de mim para me matar.

Um riso escapa dos meus lábios e vejo a porte se abrindo, me tirando de meus devaneios. Era Costia, segurando um copo de café e lendo os papéis que ela segurava.

- Como foi com Clarke? – Ela pergunta depois de colocar os papéis e o café na penteadeira e se sentar do meu lado.

- Ela...disse que trabalhará comigo, mas que não estou perdoada. Mas já é mais do que eu mereço – Eu falo, encostando a cabeça no ombro de minha esposa.

- Eu visitei Clarke durante a semana...tentei me aproximar dela, e depois de um pouco de hostilidade ela aceitou...estou tentando convencê-la de que você não é ruim...

- Obrigada, Cos, isso facilita mais ainda para o meu lado – Eu falo e dou um beijo casto nos lábios dela - Não sei o que faria sem você...

- Ficaria parada, olhando para o céu, esperando uma solução cair de lá – Ela brinca e eu jogo ela na cama.

- Está dizendo que não tenho capacidade para comandar sem você? – Eu brinco mordendo o pescoço dela e apertando as coxas que estavam presas no meu quadril.

- Você tem...mas fica melhor quando eu dito as regras – Ela me beija e me empurra para sair de cima dela – Eu vi você pegando suas roupas...vai dar para Clarke?

- Ela está sentindo muita dor para vestir as roupas normais, vou emprestar as de botões até que se recupere.

- Então vá logo levar para ela – Ela me puxa pela gola da blusa e me dá mais um beijo.

- Eu vou tomar o café da manhã com ela, preciso conversar sobre algumas coisas...você não se importa?

- Sei que é necessário...e temos a vida inteira para tomar café juntas...vou te liberar só hoje – Ela sorri e dou um beijo na bochecha dela.

Me levanto e pego as camisas em cima da cama, indo em direção a porta. Quando chego no quarto de Clarke, duas bandejas forradas de frutas, torradas, suco, queijo cremoso, iogurte de morango, manteiga e três tipos de geleias diferentes, estavam acomodadas na cama dela. Clarke estava sentada na beirada da cama, vestindo um robe preto, fechado frouxamente por um laço na cintura.

- Podia ter começado a comer – Eu falo, fechando a porta e indo em direção a cama, me sentando do lado oposto de Clarke. Deixo as roupas ali e pego uma torrada na bandeja, passando o queijo cremoso e dando uma dentada.

- Queria te esperar – Ela diz e bebe um pouco do suco.

- Prefere que Aden continue a ser seu tutor? – Eu pergunto para ela, que dava mordidas tímidas em um morango.

- Eu não quero dispensá-lo...mas quero que você me ensine – Ela diz, parecendo culpada por dizer aquilo.

- Posso intercalar com ele, eu te ensino a parte teórica e ele a prática.

- Está com medo de se descontrolar, não está?

Aquela pergunta me atingiu violentamente, não achei que estava tão evidente os meus temores.

- Não – Respondo secamente.

- Você pode até conseguir esconder seus sentimentos dos outros, mas eu consigo ler as suas expressões, Lexa, sempre foi assim – Ela diz, um sorriso mínimo esticando os lábios finos.

- Não quero machucá-la...- Eu admito, mentir para ela já não era uma opção.

- Mas eu te aticei, não teve culpa – Ela diz, a voz baixa e rouca.

- E como Comandante eu tenho que manter a calma, se eu fosse corresponder a cada provocação que recebo, o mundo já estaria em ruínas a essa hora. Nossos sentimentos não devem interferir em nossos julgamentos, Clarke, lembre-se disso.

- Estamos tomando café...ainda não está no meu horário de “aula” – Ela diz, fazendo aspas com os dedos.

- O aprendizado é bem-vindo em qualquer momento, Clarke. Termine de comer, nós vamos caminhar um pouco e fazer alguns exercícios.

- Mas...a minha costela está quebrada – Ela diz, os olhos arregalados.

- E daí? – Eu pergunto, dando de ombros e comendo um pouco do iogurte.

- E daí que eu não consigo nem espirrar direito que todo o meu corpo dói! – Ela diz, exasperada.

- Existem exercícios para costelas quebradas. Precisa se recuperar o mais rápido possível, por que acha que está comendo coisas saudáveis ao invés de bacon e ovos? ...aliás, só comerá coisas saudáveis a partir de agora.

- Mas eu não quero.

- Já disse que não me importo com o que você quer ou deixa de querer – Eu falo e dou uma última golada no suco.

- Você é insuportável.

- Me agradecerá no final disso tudo – Limpo a boca com o guardanapo e ela faz mesmo – Quer ajuda para se vestir? Se quiser eu chamo alguma empregada.

- Não, eu consigo sozinha – Ela diz, o queixo travado, como se quisesse mostrar que não precisava da ajuda de ninguém.

- Não sei se percebeu, mas...como você mesma disse, não consegue mover um músculo sem que doa...como vai colocar a calça? – Eu brinco com ela, me divertindo com o rosto emburrado.

- Se estou vestindo uma calça é porque eu a vesti.

- Está mentindo.

- Não estou.

- Eu sei que Costia anda conversando com você, então é mais do que óbvio que ela está te ajudando – Dou um sorriso de canto – Você é confusa, Clarke...

- Por que acha isso?

- Alguns dias atrás você se vestiu na minha frente...agora está envergonhada porque perguntei se precisava de ajuda...isso se chama bipolaridade, sabia?

- Cuida da sua vida, Lexa.

- Eu já estou...vou chamar Costia. Diga para ela te levar até o Jardim do Comandante.

- Parece nome de jogo de fantasia.

- Talvez por exatamente essa ser a intenção...entenderá quando o ver.

 

 

 

 

O sol da manhã aquecia minha pele lentamente, não era um calor incômodo, e sim reconfortante, me revigorava e fazia esquecer dos problemas. A música suave feita exclusivamente pelo som das folhas ao vento e os animais saindo de suas tocas... a grama baixa e verde, fofa e fria sob os pés.

Em meio a todo esse estresse, havia uma vantagem em ser Comandante...apenas eu e aqueles que eu permitisse podiam subir ao Jardim do Comandante, afinal, nossos maiores legados estavam guardados aqui, velados somente pelo céu.

Algumas das plantas mais raras, assim como alguns animais era cuidados e guardados aqui, isolados dos possíveis riscos de extinção que poderiam sofrer na floresta, pois eram extremamente frágeis.

Escuto passos tímidos na grama e olho para atrás, vendo Clarke vestida com uma calça preta e a camisa azul escuro de botões. Ela observava a natureza ao seu redor, parecendo embasbacada com tudo aquilo. E o cenário conseguiu deixá-la mais bela do que já era.

- Gostou? – Eu pergunto para ela, que me direciona o olhar deslumbrado.

- É muito lindo aqui...mas nunca vi essas plantas em lugar algum – Ela diz, se aproximando de mim.

- Nunca as viu porque só podem ser cultivadas aqui neste jardim, são nativas – Eu falo arrancando uma flor com quatro pétalas, com pigmentações vermelhas por toda a extensão branca.

- E por que elas são mantidas com tanta segurança? Aparentemente são normais.

- Nossa tecnologia é avançada, Clarke, estamos quase 100 anos adiantados em relação ao resto da humanidade. Estas flores têm propriedades medicinais muito fortes, melhores que muitos remédios vendidos por todo o planeta. Porém, em doses muito altas pode ser fatal, o corpo entra em colapso quase que automaticamente depois de entrar na corrente sanguínea. Então meus ancestrais usavam a seiva na ponta das flechas e na extensão das lâminas para matar os inimigos em uma velocidade bem agressiva...

- Basta apenas um corte? – Ela pergunta, trocando o peso nas pernas.

- Exatamente.

- E há algum antídoto?

- Para outros venenos sim, mas pare este...a morte é o antídoto. Todos os músculos começam a se retorcer e a pele parece ter entrado em combustão, os órgãos mais delicados acabam derretendo pela temperatura interna que é forçada a se elevar.

- Tenho pena de quem foi envenenado com isso...mas como vou carregar isso comigo? São flores, elas desidratam rápido.

- Pode prepará-la como um chá e levar em pequenos frascos. E antes que pergunte, duas gotas curam ferimentos, três gotas curam doenças e cinco gotas são fatais.

- Curam costelas quebradas? – Ela pergunta.

- Curam absolutamente tudo...mas não é como magia, não será restaurado da noite para o dia. Doenças e fraturas graves demoram a curar, mas se curam mais rápido do que o normal.

- E as outras flores?

- Elas não têm tanta importância para nós, mas geram frutas com as proteínas necessárias para os animais que vivem aqui, assim, ninguém precisa ter acesso diário ao jardim, somente eu.

- Por que não podem ter acesso?

- Somente guardiões e seus protegidos podem subir aqui, e somente com sua permissão podem usufruir do local. Ensino meus sucessores aqui no jardim, conto as histórias do nosso povo e nossos antigos métodos...eles precisam desenvolver uma conexão forte com a nossa cultura, e aqui é o local mais indicado. E é por isso que te trouxe aqui, precisa aprender algumas coisas sobre os Trikru.

- Esse é o nome dos nativos?

- Sim...venha, sente-se comigo – Eu falo para ela, me sentando na grama. Clarke sente dificuldade mas consegue se acomodar confortavelmente no chão – Inicialmente, vivíamos na floresta, até que Becca, nossa primeira comandante, encontrou essa ilha e passou a tornar os nativos “civilizados”. Trigedasleng é uma adaptação do inglês, pois Becca tinha descendência inglesa, e nos ensinou sua língua. Nosso sangue foi estudado e a composição de alguns são diferentes dos outros, a resistência é maior, geralmente vivem mais que a maioria e o raciocínio é relativamente mais rápido. De certa maneira podemos dizer que foi alguma adaptação que a espécie sofreu.

- E porque sofreram adaptações?

- Não sabemos exatamente...não teve um motivo específico, talvez somente um erro genético...porém, se analisarmos e utilizarmos o contexto da atualidade, seria uma maneira de criar seres humanos mais fortes, para que sobrevivam aos problemas futuros. Foi então que Becca criou um chip que grava todas as memórias daqueles que já o portou em algum momento de sua vida.

- Está me dizendo que pode se comunicar com os comandantes já mortos?

- Comunicar não seria a palavra correta...eu tenho consciência de todos os seus feitos, todas as suas estratégias e saberes, por isso somos aptos a governar.

- Isso é...bem diferente das outras histórias...

- Como eu disse, somos mais avançados. As doenças graves foram erradicadas, geramos filhos saudáveis e damos prosseguimento às nossas vidas.

- Todos possuem esse sangue diferente?

- Não, somente os Nightbloods.

- E como sabe que uma pessoa é um Nightblood? – Ela pergunta, brincando com um pedacinho de grama que ela arrancou do chão.

- Nosso sangue é negro e espesso. Todas as crianças fazem um exame de sangue ao nascerem, os selecionados são mandados para cá e quando atingem 6 anos, começam a ser treinados.

- Não é um pouco...severo? São só crianças, é praticamente um sistema espartano.

- Serão possíveis governantes, Clarke, quanto mais cedo aprendem seus deveres, melhores líderes eles serão.

- Mas você é a Comandante...e você não morou em Polis a vida toda, estava nos Estados Unidos.

- Eu era a favorita de minha Comandante, morei com ela em Washington durante aquele tempo afim de obter aprendizado, tive que observar de perto os rostos mais importantes.

- Então eu fui uma consequência?

- Sim, a primeira e estrangeira que criei laços fortes, talvez a única...mas conheci Raven também, uma mente brilhante, a engenheira mais promissora que já conheci. Moramos juntas durante algum tempo, mas minha antiga tutora não a levou junto conosco, resolveu infiltrá-la no sistema, colocando-a na segurança da Casa Branca.

Não havia problema em contar aquilo para ela, ela sabia que Raven estava envolvida de alguma forma, só não sabia como exatamente.

- Ainda é estranho saber que Raven estava nos espionando esse tempo inteiro.

- As pessoas surpreendem o tempo todo, Clarke.

- Nisso eu tenho que concordar...- Ela diz um pouco melancolicamente.

- Eu não estou exigindo que apague isso...faz parte do que você é, mas espero que entenda os meus motivos – Eu falo depois de um suspiro, trançando três raminhos de grama.

- Mas você não me mostrou seu ponto de vista...só disse que foi necessário...

- Não acho que é a hora certa para te contar isso.

- Respeito sua decisão – Ela diz sem olhar nos meus olhos.

Ficamos em um silêncio desconfortável. Apesar de termos concordado em não trocar farpas, era impossível esquecer o que havia acontecido entre nós duas. Clarke ainda estava chateada e isso era completamente compreensível, afinal, ela foi a mais afetada por conta de nossas ações irresponsáveis.

- Vai doer um pouco, mas precisa fazer exercícios de respiração para não desenvolver pneumonia – Eu desvio do assunto.

- Tenho uma flor com superpoder de cura – Ela brinca comigo e balanço a cabeça em negativa.

- Não pode abusar dos poderes dela, Clarke.

- Foi só uma brincadeira.

Franzo o cenho, e volto a ficar séria.

- Fique com a coluna ereta e respire fundo, segure o ar e depois solte lentamente. Quero que faça esse exercício todos os dias, até que melhore – Eu falo para ela, que começa a fazer o exercício, as caretas de dor indicando a dificuldade.

- Dói demais – Ela reclama, apertando os olhos.

- Você vai se sentir melhor, eu garanto...mandarei que preparem um frasco para você, todos os dias antes de fazer esse exercício, quero que tome duas gotas...

- Nunca se cansa de dar ordens? – Ela me provoca.

- É meu dever dar ordens...enfim, se sentir dores muito fortes, tome uma gota depois de três horas após ter tomado as duas primeiras...

- Exercícios não servem para relaxar? – Ela me interrompe.

- Sim...

- Então cale a boca e faça exercícios – Ela diz, os olhos fechados, tentando respirar.

- Quem você pensa que é? – Eu pergunto, estática com as palavras dela. Podíamos até ter uma relação estranha e eu ter relevado aquele tapa, mas me mandar calar a boca no meu jardim?

- Clarke Griffin – Ela fala debochadamente.

- Ponha-se no seu lugar, Griffin, está na minha casa, sob a minha proteção...

- Deixa eu adivinhar, iria dizer que te devo respeito, certo?

Travo o maxilar com força, sentindo o músculo se movendo sob a pele, e mando um olhar que deveria ser arrebatador, porque na verdade, sempre colocava todos abaixo de mim, fazia com que me temessem, mas era diferente com Clarke. Ela parecia se divertir ao me irritar.

- Ande logo com isso, tenho assuntos para tratar – Eu falo rispidamente. Talvez manter a política da boa vizinhança não fosse tão fácil quanto eu imaginava.

- Sim, Lexa.

- Foi bom ter falado isso...na frente de todos você deve me tratar como Comandante, nunca pelo meu nome.

- Mais ordens...

- É sério, Clarke.

- Tudo bem, farei isso...mas não deixa de ser estranho...de apelidos bobos à Comandante – Ela responde depois de soltar o ar dos pulmões lentamente – Acha que minha respiração está melhor?

- Não sei, me diga você...

- Deus, façamos um acordo, eu te ensino um pouco de ironia e você me ensina a comandar.

- Suas prioridades são estranhas e eu sei ser sarcástica.

- Sim, é sarcástica quando está explicando sobre a textura de uma veia.

- Sobre isso, peço desculpas, eu não sou daquele jeito...não totalmente.

- Então sobre toda aquela tortura psicológica que você fez comigo...é tudo mentira? – Ela pergunta, incrédula.

- Não, eu realmente sei a textura de uma veia...mas acabou soando mais sádico do que o normal.

- Eu...esquece...o que tenho que aprender agora?

- Táticas de guerra, mas estarei ocupada, Aden pode te ensinar, ou então chame Costia, ela pode dar uma introdução boa.

- Mas se você é minha tutora, não é o seu dever me levar para resolver esses assuntos importantes? Afinal, você me disse que aprenderei na base da observação.

- Não esse assunto, ainda não é necessário que saiba dessas informações.

- Costia é uma garota tão meiga, me pergunto como ela teve paciência para te aguentar nesses dois anos.

- Quase três, faremos aniversário daqui a alguns meses.

- Foi o que me disseram...- Clarke diz e se levanta com dificuldade – Precisa mesmo manter aqueles guardas na minha porta?

- Você inventou de fugir, perdeu a minha confiança – Eu falo, indo em direção ao elevador com Clarke logo atrás de mim.

- Eu juro que não faço isso de novo.

- Não sou tola, Clarke – Eu resmungo enquanto apertava o botão. A porta se fechou e começou a descer lentamente.

- Costia disse que achava exagerado da sua parte...estou com uma costela quebrada, o que eu poderia fazer? – Ela diz como quem não quer nada. Isso já estava ficando bem irritante.

- Não use a minha esposa para alcançar seus objetivos, Griffin. E eu já estive com três costelas quebradas, fui capaz de fazer bastante estrago.

- Exatamente, você conseguiu porque é treinada para isso, eu não, eu só sei sobre plantas tóxicas.

- Quando você começar a agir como um verdadeiro comandante, poderei pensar em tirar os guardas da sua porta, agora cale a boca e vá para o seu quarto, vou pedir para que Aden cuide dos seus afazeres – Eu falo, vendo a porta abrir. Costia estava passando e nos viu.

- Está havendo alguns conflitos entre os soldados de Heitor no campo, pode ir resolver isso? Surtirá mais efeito se a Heda estiver lá – Costia diz, segurando minha mão – E Clarke, eu vou ensiná-la algumas táticas. Aden precisa treinar, Lexa.

- Céus...- Eu sussurro, apertando os olhos de raiva e cansaço – Vou descer, vejo você mais tarde – Eu falo para ela e dou um beijo rápido em seus lábios grossos – E preste atenção na aula, Griffin.

- Sim, Comandante.

 

 

 

 

- O que está acontecendo? – Eu pergunto, descendo do carro e entrando no campo coberto por barracões. Estávamos no alojamento dos homens de Heitor.

- Não sabemos ao certo, mas os homens estão um pouco agitados em saber que irão guerrear contra os soldados de Azgeda. Creio que eles sabem que as chances são quase nulas de ganharem uma batalha – Titus diz, andando ao meu lado.

- É por isso que estão aqui sob a minha tutela, iremos treiná-los para que possam enfrentá-los de maneira justa e igualitária – Eu falo, andando até a tenda principal, os braços para atrás do meu corpo.

Entro e encontro Heitor, mexendo em seu notebook.

- Heda – Ele faz uma reverência, levantando-se da cadeira.

- Peço desculpas por não poder alojá-los no prédio, mas os quartos já estão lotados.

- Não dê importância para isso, isto é um luxo para estes homens. Estão bem alimentados e têm camas confortáveis...mas creio que a senhora não veio aqui para saber se eles estão se empanturrando de boa comida.

- Preciso saber a quantidade de soldados que tem em seu exército.

- Dois mil homens.

- Iremos separá-los em 10 tropas de 200 homens. Tenho exatamente 100 bons professores. Portando, haverá 10 professores por tropa, creio ser o suficiente para que aprendam rápido.

 - Com total certeza, Heda.

- Soube que está havendo alguns conflitos, sabe a procedência? – Eu pergunto.

- Temem à morte. Sabem que os soldados de Azgeda são sanguinários e perigosos, alguns querem voltar para suas famílias.

- Reúna-os, farei um pequeno discurso em poucos minutos.

- Heda, pode fazer isso amanhã, podemos preparar um local adequado – Titus diz para mim, a voz calma.

- Não preciso de luxo, Titus, o que acha que acontecerá se adiarmos isso? – Eu pergunto e ele se mantém calado – Por favor Heitor, mande seus homens se reunirem.

- Sim, Heda, com licença – O homem pede e sai apressadamente da tenda, deixando-nos a sós.

- Heda, não é prudente o que está fazendo, incluir Nia na Coalizão é um erro irreparável.

- E o que quer que eu faça? Quebre os acordos com ela e me junte à Roan? Ele é só um filhote, será devorado pelos peixes grandes.

- Ele é o príncipe, sabe como governar...

- Mas não tem experiência.

- A senhora também não tinha quando foi escolhida no dia de sua Ascensão.

Travo os dentes com aquela informação, Titus estava certo, eu não tinha experiência nenhuma, era boa na teoria, e cometi alguns pequenos erros na prática. Quem garante que com Roan também não seria assim?

- Não posso quebrar acordos, Titus. Infelizmente a melhor solução que surgiu até agora foi essa, e não podemos perder tempo bolando outra. Geralmente estou certa em minhas escolhas, nada dará errado, confie no meu julgamento – Eu falo, um pouco tensa com aquelas novas perspectivas que surgiram diante de meus olhos.

- Estão todos aguardando pela senhora, Heda – Heitor surge na abertura da tenda.

Aceno positivamente e olho para Titus, que parecia não aprovar minhas ações. Respiro fundo e saio da tenda, indo em direção ao aglomerado de soldados, que falavam alto e discutiam entre si.

- Homens! – Eu grito quando fico à frente da multidão. Rapidamente eles se calam e a ordem é estabelecida. Todos me observavam atentamente, esperando por minhas palavras – Estão temerosos e eu entendo a razão disso, entendo que queiram voltar para suas famílias, mas peço que fiquem calmos, alvoroço em um momento como este só tende a piorar a situação. Não são meros números, a vida de todos é significante para mim e para todos os outros clãs, e por tal motivo, não os enviarei para uma guerra com final já definido...serão separados e cada pelotão terá 10 tutores, os melhores guerreiros de Polis – Eles pareciam um pouco mais confiantes com as minhas palavras – Lutarei com vocês! Sangrarei com vocês! – Eu grito e eles seguem, erguendo os punhos para cima, gritando com toda força que seus pulmões permitiam - E juntos venceremos essa guerra!


Notas Finais


Lembrando todas as informações que escrevemos sobre a cultura grounder foram inventadas e modificadas, não tem ligação nenhuma com a história original.
Pessoas, comentem aí a teoria de vocês, e para spoilers futuros, sigam-nos no Twitter: @AnjosMaranjos @LerigouNaPista


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