História The Godmother - Capítulo 5


Escrita por: ~ e ~LerigouNaPista

Postado
Categorias The 100
Tags Clarke, Clexa, Lexa, The 100
Exibições 390
Palavras 4.099
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Luta, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá abiguinhas e abiguinhos, venho postar mais cedo porque sim u-u e porque estou ansiosa demais pra avançar logo nessa história. Criei um perfil próprio para a história, e lá estaremos postando algumas frases que vocês AINDA irão ler (ou seja, spoileeeeer) e também sobre futuros projetos, que inclusive, já estão sendo feitos e tem uma quantidade razoável de capítulos :3
Espero que gostem do capítulo <3

Capítulo 5 - V - Nip it in the root


- O que sabe sobre guerrear, Clarke?

- Absolutamente nada, Costia. A não ser que jogos de computador ensinem a realidade...

- Se uma guerra fosse um jogo, tudo seria bem mais fácil – Eu dou risada e ela me acompanha.

Lexa havia acabado de sair para resolver o problema com as tropas desorganizadas. Não sei exatamente o motivo, muito menos Lexa, mas pude ver o quanto ela estava cansada. Ela mal conseguia dormir, no máximo umas quatro horas de sono por noite, até que surgisse mais algum outro problema.

- Bom, o básico que precisa saber é que a observação é de extrema importância, portanto, precisa enviar olheiros, assim terá informações importantes sobre a quantidade de soldados, a localização de cada membro importante entre outras coisinhas. Você precisa saber de tudo, o clima, a vegetação do local, e deve usar tudo a seu favor.

- Senão você acaba como o exército alemão, congelado.

- Exatamente – Dou um sorriso, vendo que ela realmente estava prestando atenção – Existem muitas táticas, poderia passar o dia inteiro falando sobre elas e ainda restariam várias outras, porém, algumas são de extrema importância, como a Blitzkrieg, inclusive é a favorita de Lexa apesar de não ser muito fã dos nazistas, mas temos que reconhecer, eles eram gênios.

- Como é essa tática? – Ela pergunta, o interesse visível nos olhos claros.

- Primeiro ordena-se que as tropas aéreas bombardeiem o local, assim, as linhas inimigas ficarão desorientadas e não conseguirão se organizar, além de não conseguirem se comunicar para pedir ajuda, pois os postos de comunicação e a área de aviação estará destruída. Logo depois envia-se automóveis blindados, no caso os tanques de guerra, e então as tropas serão cercadas e aniquiladas, o que dá espaço para que se forme um cerco com os tanques, assim, nossos soldados ficam protegidos e podem atacar os inimigos sem sofrer praticamente dano algum.

- É um ataque rápido.

- Sim, porém, nosso povo sempre teve o costume de guerrear com escudos e lanças. Relativamente antiquados eu diria, mas Lexa é antiquada, então porque seu povo não seria?

- Então vocês nunca usaram armas de fogo em combate?

- Somente uma vez, mas não foi sob o comando de Lexa, foi da Comandante antes dela.

- Ela parece ter sido muito importante, Lexa a citou várias vezes hoje.

- A última Comandante é a mãe de Lexa, Layla era uma mulher promissora, porém, ambiciosa demais.

Ao tocar no nome da mãe de Lexa, Clarke pareceu ficar completamente surpresa, talvez ela nunca houvesse pensado nessa possibilidade.

- Mãe? Então...o comando é passado de pai para filho?

- Não, somente os jovens que realmente são fortes podem ascender e receber a Flâmula. Layla a preferia, é verdade, mas isso não pode tirar o mérito dela, teve o mesmo ensinamento que os outros Nightbloods.

- E o que aconteceu com todos os outros?

- Foram mortos em combate...pedi para Lexa que banisse esse costume, é cruel demais, mas ela disse que não pode alterar os rituais – Eu falo, desconfortável em lembrar de todas aquelas vidas jovens arrancadas de maneira bruta e fria.

- Lexa matou todos? – Ela pergunta, os olhos atentos e levemente semicerrados.

- Infelizmente sim...não é algo do qual ela se orgulhe, mas precisava levar o legado da mãe adiante.

- E como vocês duas se conheceram? – Ela pergunta, tentando espantar o desconforto que brotou no ar.

- Bom...há uns quatro anos atrás eu estava caminhando pela praça e resolvi sentar na beirada do chafariz, fazia horas que estava caminhando procurando por uma amiga. Lexa estava passando por ali apressadamente e quando me levantei acabamos trombando. Caímos na água e ela insistiu para me levar em casa...foi basicamente isso, começamos a conversar e algum tempo depois estávamos juntas.

- Lexa e eu nos conhecemos na escola. Umas meninas estavam me importunando e ela como veterana acabou quebrando o nariz de uma das garotas mais novas. Ela foi suspensa por duas semanas, mas quando voltou não nos separamos mais – Ela diz com um sorriso nos lábios e eu não consigo evitar uma risada. Lexa era terrível quando era mais nova.

- Lexa era bem impulsiva algum tempo atrás, mas conseguiu se controlar aos poucos.

- Nem tanto, ela quebrou a minha costela – Ela ri, parecendo não se importar com aquilo.

- Exceto por isso...inclusive peço desculpas por ela.

- Não precisa, já superamos isso...enfim, Lexa era diferente...não só das garotas, ela era diferente de todo mundo, apesar de às vezes ser agressiva, ela era cortês demais para uma garota de 19 anos, como se tivesse sido criada dentro de um castelo a vida inteira. Era forte e independente, e principalmente justa...agora entendo porque ela era assim.

- De fato, Lexa é uma peça rara dentre as demais...a mais jovem Comandante que já tivemos, e a melhor também, e não digo isso porque sou esposa dela...Lexa é especial...é boa...- Eu sussurro, me perdendo da conversa, os pensamentos tomados pelo rosto dela, o sorriso que raramente escapava dos lábios...- Espero que possa perdoá-la um dia, que voltem a ser amigas...Lexa não tem muitos amigos e às vezes acho que não sou o suficiente, ela precisa conversar com outras pessoas, sair com outras pessoas...ela é jovem demais, e apesar das circunstâncias dizerem o contrário, Lexa é solitária.

Clarke parecia perdida em seus pensamentos. Eu não sabia qual a gravidade do passado das duas, mas eu precisava daquilo, precisava que Lexa tivesse alguém que não fosse eu ou Anya...na nossa falta, em quem ela se apoiaria?

- Se eu faltar em algum momento...Lexa vai precisar se apoiar em algo, ela é durona, mas isso não significa que não sente tristeza e infelicidade...

- Por que está me pedindo isso, Costia? – Ela pergunta, confusa.

- Tempos sombrios estão chegando, Clarke.

- Estou começando a realmente ficar assustada – Ela diz, nervosa.

- É de se temer...quero ser positiva, mas tenho um pressentimento ruim quanto a essa guerra. E é por isso que quero reforçar a ideia de que você possa perdoá-la, que volte a ser a amiga dela – Eu falo, segurando a mão dela, tendo o aperto retribuído.

- Eu...eu não sei, Costia, não acho que eu consiga...não tão cedo – Ela diz, desviando o olhar do meu.

- Sabemos o quanto Lexa é especial, e sei que ela te magoou demais no passado, mas eu sinto que você ainda sente um carinho imenso por ela, Clarke.

Clarke retesou os músculos quando terminei de dizer aquelas palavras. Talvez ela não pensasse dessa maneira, ou então nunca tivesse parado para pensar no que realmente sentia por Lexa.

- Eu posso tentar me esforçar...

- Eu sei, deve estar achando bobeira da minha parte estar tão temerosa a ponto de fazer um pedido um tanto quanto estranho...mas espero que me entenda, só quero garantir que Lexa tenha alguém em quem se apoiar caso...caso perca um de nós...

 

 

 

 

 

Já estava escurecendo quando Lexa finalmente entrou pela porta. A postura perfeita de um verdadeiro líder sendo desfeita assim que fechou a porta atrás de si.

- Não precisava ter me esperado, sabe que chego tarde – Ela diz, a voz rouca e cansada pelo sono.

- Estava conversando com Clarke até alguns minutos atrás...não estou com sono – Dou um sorriso para ela e me levanto, caminhando até onde ela estava, mexendo em alguns documentos que eu havia deixado em cima da cômoda – Esqueça isso, precisa descansar.

- Eu não consigo descansar, Cos, são problemas demais e não posso me dar o luxo de adiá-los – Ela diz, esfregando o rosto com a mão livre.

Encaixo meu rosto na curva do pescoço dela, ficando na ponta dos pés para alcançá-la. Passo a mão pela cintura fina e caço os botões da camisa escura, desatando um por um, roçando levemente os dedos na pele quente e macia.

- Cos, agora não...- Ela diz quando eu puxo a camisa pelos braços fortes, revelando o sutiã preto. Sigo a tatuagem longa de suas costas, até chegar no cós da calça jeans, justa nas pernas.

- Você vai largar estes papéis e vai tomar um banho na banheira...até usei seus sais de banho favoritos...e depois do seu banho, quero contar uma coisa importante...- Eu termino de falar levando minhas mãos para frente da calça dela, desabotoando o botão e descendo o zíper.

- Você me venceu – Ela ri e se vira, me dando um beijo calmo – Eu já volto...

Deitei-me na cama, apoiando as costas no travesseiro e me pus a pensar. Talvez este não seja o momento certo para iniciar esse tipo de conversa com ela, não era algo para se conversar no meio de uma guerra, ainda mais sendo Lexa a Comandante dos clãs, e consequentemente, a cabeça da guerra.

Não queria deixá-la com mais preocupações, já tinha que pensar demais e eu não queria dar mais motivos para isso. Não deveria atormentá-la com meus temores e pressentimentos, muito menos meus desejos que por hora eram inalcançáveis.

Depois de alguns minutos, Lexa aparece vestindo um short curto e uma camisa larga, os cabelos molhados já penteados e o semblante mais calmo. Ela se ajeita debaixo dos lençóis e fecha os olhos, dando um longo suspiro.

- Obrigada pelo banho...- Ela diz, o antebraço descansando em cima dos olhos verdes que tanto amo.

- Está mais relaxada? – Eu pergunto, sentando-me em sua barriga.

- Completamente...mas não consigo parar de pensar nessa guerra e em como ela irá acabar...

- Precisa parar de pensar nisso por pelo menos algum tempo, esse vinco entre suas sobrancelhas parece nunca sumir, quer ficar com rugas tão cedo? – Eu brinco, desfazendo o vinco com a ponta do dedo. Lexa ri e espalma as mãos nas minhas coxas.

- Estou falhando com você...de novo...prometi que passaríamos um tempo juntas e não estou cumprindo isso, só falei com você quando ocorria algum problema e eu não tinha tempo para resolver.

- Eu entendo que tenha responsabilidades, Lexa, e mesmo assim eu me casei com você.

- A base principal de um casamento é a comunicação, Costia, e eu quase não vejo o seu rosto. E com essa guerra...temo que não a verei por muitos dias, preciso estabelecer novos acordos e evitar que os clãs se revoltem com a minha decisão.

- Iremos conseguir, ainda mais com você no comando...mas agora precisa descansar, desligue essa cabeça por pelo menos algumas horas...

- Tem certeza? Ainda consigo agradá-la um pouquinho...- Ela diz maliciosamente e eu dou risada.

- Temos a vida toda pra fazer isso, agora durma, precisa estar disposta amanhã.

- Ainda não quero dormir, quero conversar com você, saber o que fez durante o dia, sobre o que você e Clarke conversaram, se ela te escutou e não ficou fazendo gracinha.

- Falando assim parece que ela é uma criança hiperativa – Eu falo, brincando com a gola da camisa dela.

- Clarke é irritante – Ela bufa, afundando a cabeça nos travesseiros.

- Não vejo dessa forma...ela é engraçada e simpática, você que é rabugenta demais para uma jovem de 25 anos.

- Estão virando amiguinhas ou é somente uma impressão? – Ela pergunta, as sobrancelhas formando o vinco novamente. Levo o dedo até ali e desfaço a expressão dela.

- Por que? É tão estranho uma aproximação entre nós duas?

- Não, vocês só são bem diferentes, não imaginei que se dariam tão bem...sobre o que ficaram conversando?

- Sobre alguém que nós duas conhecemos muito bem.

- Não podem falar de mim pelas costas, é injusto! – Ela parecia irritada, mas assim que eu dei um beijo rápido nos lábios dela, Lexa pareceu se acalmar.

- Só falamos coisas boas sobre você, em como conhecemos você e como você sempre é boa em tudo o que faz...

- Se quiser pode ensiná-la amanhã também, preciso resolver uma coisa com Anya – Lexa diz e me segura pela cintura, rolando o corpo até que estivesse por cima do meu.

- Eu cuido dela, fique tranquila...

- Obrigada – Ela diz e une nossos lábios, movendo-os calmamente até que nos separa e deita do meu lado, me puxando para ficar por cima dela.

Sua respiração rapidamente começa a ficar mais lenta e ritmada, o peito subindo e descendo com calma.

- O que queria me falar? – Ela pergunta, sonolenta.

- Outra hora eu te conto...

 

 

 

 

POV Lexa

 

 

 

 

Em torno de duas semanas Clarke já havia se recuperado com a ajuda da flor, e hoje recomeçaríamos as aulas de combate. Eu estava nervosa, é claro, tinha medo de tudo sair do controle, mas ela havia falado que queria treinar comigo e relutantemente eu aceitei, porém, achei uma solução melhor que aquela.

- Clarke, talvez seja cedo demais para começar com o treino de combate corporal, então pensei que poderíamos partir para as armas de fogo.

Estávamos no estande de tiro dos soldados de Heitor, achei que o ambiente influenciaria um pouco e acabaria por inspirá-la, mas estava começando a me arrepender.

Homem algum ousava olhar para mim, tinham medo demais para fazer isso, porém, Clarke era uma exceção, somente uma garota da qual a Comandante está treinando. Aquilo estava começando a me deixar desconfortável.

- Não fica irritada com tantos...rapazes olhando para você? – Eu pergunto, pegando uma pistola Barreta e checando a câmara, ultimamente, os garotos inexperientes vem guardando as armas com uma munição na câmara.

- Não...por que? Está irritada com isso? – Ela pergunta, os braços cruzados firmemente contra o peito.

Retiro a bala da câmara e pego um pente carregado. Vou até onde Clarke está e entrego os dois objetos para ela, que segura um pouco receosa. Pego uma outra pistola para mim, idêntica a dela.

- Não, mas queria saber se estava desconfortável, posso espantá-los daqui rapidamente se quiser.

- Queria que olhassem para você? – Ela pergunta, a sobrancelha erguida provocativamente.

- Cale a boca e preste atenção – Eu falo rudemente, olhando-a com irritação – Isso é um pente cheio de balas, você precisa encaixá-lo na pistola e empurrar até em cima, automaticamente ela irá travar. Você puxará aqui – Dou um tranco para atrás – E a bala estará na câmara. Tente você agora.

Clarke analisa com cuidado cada peça e encaixa como eu havia ensinado, deixando a pistola pronta para ser usada.

- E agora? É só apontar e atirar? – Ela pergunta, o cano virado para o meu lado.

- Pelo amor de tudo que é sagrado, Clarke, cuidado com isso! – Eu exclamo virando a arma para o alvo – Eu quero que mire e acerte aquele alvo – Eu falo apontando para uma latinha de cerveja em cima de um banquinho.

- É sério? Nunca vou conseguir acertar!

- É por isso que está treinando – Eu falo e tiro a minha Colt Python do coldre. É a minha favorita.

- Por que você tem uma super foda enquanto eu tenho que usar essa pistolinha? – Ela pergunta, parecendo indignada. Pego tampões de ouvido e coloco nela.

- Eu atiro desde os 6 anos de idade, Clarke, nada mais justo do que eu ter uma própria, certo? – Eu a provoco, colocando as balas no tambor. Dou um tranco e ela se encaixa – Agora mire e atire – Eu falo entredentes e me ajeito na pequena área separada, mirando nos meus alvos e acertando todos.

Eu adorava praticar tiro ao alvo. Me relaxava apesar do som ensurdecedor.

Alguns garotos que treinavam por ali estavam boquiabertos com a velocidade em que eu acertei os alvos, antes que o primeiro caísse eu já havia estourados todas as garrafas.

Observo Clarke que ainda estava mirando.

- Nessa velocidade você já estaria parecendo um queijo de tanto tiro que teria levado.

- Um pouco de paciência seria ótimo, sabia? – Ela diz e aperta o gatilho, errando feio. Ela tenta mais uma vez e nada. Mais uma e mais uma – Eu desisto!

- O que aconteceu com a sua persistência, Griffin? – Eu dou risada e pego outro pente, jogando-o para ela, que prontamente retirou o pente vazio e colocou o novo – É simples, mas tem que pedir minha ajuda.

- Não vou pedir ajuda para você...tem vários outros caras que virão assim que eu estalar os dedos – Ela diz de um jeito provocante e eu mordo o lábio inferior com raiva.

- Eu sou sua tutora, tem que pedir ajuda a mim.

- Uma péssima tutora, você joga a teoria e deixa que eu adivinhe a prática!

- É o melhor jeito de se aprender alguma coisa, não vou passar a mão na sua cabeça só porque não aguenta um pouco de pressão! – Eu discuto com ela.

- Você é insuportável! – Ela diz e se vira bruscamente, mirando no alvo.

- Conte-me uma novidade!

Ela atira, errando mais uma vez, e aquilo pareceu deixar ela mais irritada ainda, pois esvaziou o pente todo, apertando o gatilho freneticamente.

- Pode me ajudar?! – Ela pergunta, olhando-me por cima do ombro desnudo.

- Qual a palavrinha mágica?

- Por...favor – Ela diz, rosnando de raiva, o rosto vermelho.

Pego mais um pente e entrego para ela. Me posiciono e encaixo meu corpo nas costas dela, segurando seus braços e os esticando da maneira correta. Sinto sua respiração ficar irregular e os batimentos se tornam rápidos e descompassados sob as costelas. Estaria ela com tanta raiva assim?

- Sempre mire um pouco abaixo da onde quer acertar, o coice acaba desfazendo a mira inicial – Eu falo segurando a arma por cima das mãos dela – Concentre-se...- Eu falo baixo, me perdendo nas palavras, a fragrância suave de seu perfume exalando do pescoço exposto, a maciez da pele...parecia diferente do que eu havia imaginado – ...você é a bala...você decide onde irá se alojar...

Clarke aperta o gatilho e acerta a latinha, mas não fala nada, e na verdade nem eu falo. Ela se aperta um pouco mais nas minhas costas e eu me afasto rapidamente, sentindo meus braços se arrepiarem. Me viro e pego a minha Python, recarregando-a rapidamente, tentando esquecer aquelas sensações. É errado.

- Não é tão difícil, é só questão de prática – Eu falo rapidamente e termino de arrumar a minha arma. Pego um AK47 e entrego para ela – Treinará com todo tipo de arma, precisa aprender sobre os tipos diferentes de bala e o alcance de cada uma. A pistola é de curto alcance, esse rifle é de médio.

Clarke assente positivamente e recarrega o rifle, mirando no alvo e se posicionando na bancada de ferro, acertando-o perfeitamente.

Passamos a tarde inteira no estande e Clarke acertou praticamente todos os alvos com as mais diversas armas, inclusive já sabia nomear algumas delas.

Quando estávamos guardando as armas, um rapaz de aparentemente 20 anos, passou ao lado de Clarke, que se retraiu quando ele se aproximou demais de onde ela estava. Rapidamente percebi que ele havia apalpado Clarke, e aquilo me enfureceu completamente, porém, não deixei que minhas emoções ficassem estampadas no rosto.

- Segurem ele – Eu mando calmamente e dois garotos que estavam nos ajudando a arrumar as armas ficaram confusos, mas seguraram o rapaz que estava assustado – Levem-no para o refeitório.

- Lexa, o que está fazendo? – Ela pergunta, mas eu a ignoro.

Os rapazes começam a arrastá-lo até as mesas que estavam lotadas de soldados que já começavam a comer o jantar. Clarke me seguia, não entendendo absolutamente nada.

Com o braço, derrubo tudo o que estava em cima da mesa, deixando os soldados confusos e assustados com a minha atitude. Gesticulei para que os dois rapazes se aproximassem de mim e eles vieram.

– Estiquem o braço direito dele na mesa – Os rapazes obedecem e o seguram firmemente, ele já estava se contorcendo, tentando se livrar do aperto de ferro. Todos estavam em silencio, observando a cena com atenção.

Puxo minha adaga da bainha e posiciono no pulso dele, que arregala os olhos e começa a rogar para que eu não fizesse aquilo.

- Deveria ter pensado nisso antes de fazer o que fez – Eu falo, não dando importância para os gritos de agonia que ele dava – A adaga é pequena demais, alguém pegue um cutelo, por favor?

- Por favor, Heda, por favor! – Ele grita, chorando desesperadamente.

- Lexa, não precisa...- Clarke põe a mão no meu ombro.

- Eu prezo por civilidade, e serão castigados aqueles que se comportarem feito animais enjaulados – Eu corto a frase dela, pegando o cutelo que o cozinheiro havia trazido para mim – Sua mãe não te ensinou a respeitar as mulheres? Considerando a sua possível idade, viveu durante o comando de duas mulheres, e ainda não foi capaz de respeitá-las da devida maneira...

- Lexa, por favor, seja razoável – Clarke diz, tentando me fazer mudar de ideia. Aquilo me deixou extremamente irritada. Sem pensar duas vezes, desci o cutelo, o som da lâmina rasgando a pele, partindo o osso ao meio. O garoto começa a chorar e gritar escandalosamente, outros dois rapazes correm até ele, estancando o sangramento rapidamente.

Peguei um guardanapo limpo em cima da mesa e limpei os respingos de sangue na minha mão.

- Perdoem-me pela atitude um pouco medieval...mas não tolerarei desrespeitos em minha cidade – Eu falo para os homens que me encaravam, um pouco aflitos e desconfortáveis com todo o sangue e os gritos intermináveis do rapaz – Você ficará bem, mandarei que enviem remédios e médicos adequados para você – Eu falo para o rapaz, que me encarava com medo, as lágrimas molhando o rosto jovem – E se me chamar pelo nome na frente de qualquer um ou questionar as minhas ordens, também será castigada, Griffin – Eu rosno no ouvido dela quando estava saindo dali.

- Vai cortar a minha língua? – Ela pergunta, desafiando-me, o olhar raivoso.

- Não provoque. Apronte-se, iremos para casa – Eu falo com a voz firme, caminhando em direção ao carro, onde Gustus já nos esperava como havia sido ordenado.

- Eu não quero voltar.

Travo meus passos e me viro para observá-la. Agora a raiva havia abandonado os seus olhos, mas parecia estar desapontada.

- Clarke, eu realmente não quero discutir agora, já foi bem perturbador o que acabei de fazer e terei algo mais para me atormentar pela vida toda, então por favor, vamos para casa.

- Não foi certo o que você fez, ele só foi um babaca! – Ela diz gesticulando, assim como faz quando está nervosa demais.

- Já ouviu algo como “corte o mal pela raiz”? Estou arrancando as ervas daninhas, Clarke. Acha que essa cidade se mantém como? Acha que todos são bons e que vivemos em um conto de fadas? – Eu me aproximei dela e segurei seu braço, levando-a até próximo do carro. Ela não gostou da minha atitude, mas aceitou mesmo assim – Eu já sacrifiquei todo o tipo de gente ruim em Polis. Estupradores, golpistas, assassinos, ladrões. É exterminando este tipo de doença que se obtém uma cidade segura, as pessoas têm medo de cometer crimes, e se eu fingir que não vi algo desse tipo, meu governo começará a enfraquecer, e creio que você não quer viver no caos, quer? – Eu pergunto e ela não fala nada, os olhos presos nos pés – Quer? – Eu pergunto mais uma vez, apertando seu braço com mais força, dizendo silenciosamente que era para me responder.

- Não.

- Então por favor, entre nesse carro e esqueça o que viu.

Voltamos para o prédio principal em silêncio, Clarke parecia meditar sobre alguma coisa o tempo inteiro, eu deveria ter feito aquilo longe dela, assim não ficaria com aquelas imagens horríveis na cabeça. Não é uma visão que eu queira que pessoas como ela assistam.

Então lembrei-me de Costia, a essa altura ela já deveria estar a par da situação e eu já previa a longa e cansativa discussão que isso resultaria, Costia não apoiava nenhum tipo de castigo violento.

- Por que me sequestrou, Lexa? – Clarke pergunta, me fazendo acordar dos meus devaneios.

- Perdão?

- Por que me sequestrou? Faz três semanas que estou aqui e você ainda não me disse, sempre foge do assunto.

- Quer mesmo ter essa conversa agora? Já é tarde e tenho que resolver alguns problemas – Eu falo, mexendo no celular e checando o calendário.

- Tem que me contar, eu mereço saber. Fiz tudo o que me pediu sem reclamar, se me perguntar sobre tudo o que me ensinou, saberei responder, porque me dediquei, mas eu quero que seja sincera comigo – Clarke diz e segura meu braço, chamando a minha atenção. Estava com um semblante perturbado.

- Outro dia, Clarke...é informação demais para absorver essa noite.

- Lexa...

- Outro dia, Clarke – A porta do elevador se abre no andar dos quartos. Desvencilho-me de maneira delicada de seu aperto e a empurro levemente para fora do elevador – Descanse um pouco, teremos um dia exaustivo amanhã.


Notas Finais


Sigam-nos e recebam mais novidades :3 @Anjosdelerigou


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