História The Grey - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Hermione Granger
Tags Draco Malfoy, Dramione, Harry Potter, Hermione Granger, Romance
Exibições 472
Palavras 5.098
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oieeee!
Gente, o capítulo está pequeno se comparado ao resto da fic, mas eu só tive dois dias para escrever, então compreendam. Sei que meu rebanho é compreensível.😘
Enfim, recomendo que leiam a parte da Hermione ouvindo Sweater Weather - James Harris, mas não é obrigatório, OK? É só pra dar um clima.
Aproveitem a leitura, mores!

Capítulo 25 - Amor e Ódio



HERMIONE

A visão que tive ao abrir os olhos foi um agraciado presente. No fundo, eu ainda me impressionava com a beleza de Draco, e com o fato de que ele era meu. Saber que ele me amava e que eu pertencia a ele era maravilhoso, mas ainda assim eu me via admirando-o como se ainda fosse proibido para mim.

   Draco estava vestindo shorts de praia azul escuro, os fones nos ouvidos e luvas nas mãos. O dorso estava brilhando de suor, sua concentração fixa no saco de pancadas à frente. Ele espancava o objeto com determinação latente, a cada golpe ele arfava. Draco ainda não tinha percebido que eu tinha acordado, e aproveitei para observá-lo com calma. Os cabelos claros molhados caindo na testa, as bochechas e peito corados do esforço. Lentamente meu corpo acordou para vida, um leve pulsar entre minhas pernas. Engoli seco, tentando acalmar o incômodo. Não queria que ele me percebesse ainda, estava gostando de vê-lo tão concentrado. Sorri quando Draco pausou e então passou a luva nos cabelos, tirando-os da testa. Apreciei a linha das suas costas, cada músculo flexionando com o movimento.

   Deus, como eu tinha sorte em tê-lo. E não apenas pela aparência, Draco era especial. O humor volátil, a violência, seus problemas com a família, nada disso obscurecia o que eu conhecia dele. Draco era amável, preocupado, carinhoso. Sempre protetor, mesmo com seu modo estranho de demonstrar. Havia algo de ‘macho alfa’ nele também, é claro, mas saber sobre sua criação me fez entendê-lo melhor. Ele se preocupava com o que era dele, e eu o era. Aquela altura eu não negava mais esse fato, eu pertencia inteiramente a Draco Malfoy, e era a mulher mais feliz e completa do mundo por isso. O fato de ter sido machucado emocional e fisicamente na infância o fez ser retraído quanto as outras pessoas, o fez ter receio de ligar-se emocionalmente à alguém, e saber que eu tinha conseguido quebrar aquela parede nele me fazia querer rir de alegria por horas. Ele era lindo por dentro e por fora, era meu ar, meu namorado, meu amante, o homem com quem eu queria envelhecer e morrer junto. E eu torcia para que isso acontecesse.

   Como se ouvisse um chamado, a cabeça de Draco virou até mim em um estalo. Quando notou meus olhos abertos, ele sorriu, afastando os fones dos ouvidos.

   - Bom dia, anjo. - Disse ele, tirando as luvas e colocando-as no chão. Me estiquei na cama, gemendo de satisfação ao estirar cada parte do meu corpo. Draco riu. - Pelo visto ainda não acordou totalmente. Vou tomar banho, depois descemos para o café da manhã.

   Balancei a cabeça, concordando. Draco entrou no banheiro, e logo ouvi o barulho da água cair. Levantei e andei até lá, distraída, fui até a pia de mármore escuro, peguei meu creme dental e escova e comecei a escovar meus dentes. Não notei quando Draco saiu do box, e tomei um susto quando ergui a cabeça e o vi atrás de mim pelo espelho. Seus olhos cinzas me olhavam cuidadosamente, ele não movia um músculo. Enxuguei meu rosto com a toalha de mão ao lado e o olhei outra vez.

   - O que houve? - Perguntei, confusa. Draco sorriu de modo discreto.

  - Nada, só estava te vendo. - Disse. Sorri, ainda o encarando  pelo espelho. Não desviamos nossos olhos por um longo tempo, e a tensão no ambiente se intensificou até chegar em um ponto que me fazia respirar fundo.

   Draco andou até mim, e pousou as duas mãos na minha cintura, puxando minhas costas de encontro para o seu peito. Não ousei tirar minha concentração do cinza escuro dos seus olhos. Ele não falou nada, apenas segurou minha mão e me levou de volta para o quarto, até pararmos ao lado da cama. Draco me colocou de frente para ele, e seu rosto estava sério e pensativo. Como se estivesse imaginando algo, ou em um sonho distante. Ele segurou meu rosto, aproximando-se devagar. Eu estava surpresa, ele nunca havia sido tão calmo e hesitante antes.

   Meus pés automaticamente se esticaram até que eu estava me erguendo alguns centímetros. Fechei meus olhos, sentindo meu coração tão acelerado que, por um momento, me perguntei se eu desmaiaria. No fundo da minha mente fiz uma oração silenciosa, pedindo para que eu nunca perdesse aquela sensação de euforia quando Draco me tocava. Era mágico, sensacional. E se um dia eu perdesse isso, me faria uma falta esmagadora.

   Seus lábios tocaram os meus suavemente, escovando-os com cuidado. As mãos ainda seguravam meu rosto, e eu me desfiz com aquele toque cálido. A textura de sua boca era macia, eu me lembrei da primeira vez que eu o beijei. Como eu tinha me sentido em êxtase, e ainda assim confusa. O êxtase com certeza não havia se dissipado com o tempo, as minhas mãos tremiam um pouco, e estavam geladas. Quase ri daquilo.

   Draco escorregou uma mão pelo meu ombro, e então até o laço do robe, e o desfez. Ainda sem parar de me beijar, ele empurrou o tecido pelos meus ombros e braços até que ele caiu no chão. E então Draco deslizou seus olhos pelo meu corpo, cada pedaço dele. Senti meu rosto esquentar, mas continuei parada lá, a respiração acelerada. Quando finalmente chegou até meu rosto, Draco roçou apenas as pontas dos dedos na minha face, exatamente onde eu sabia que estava corado. Inclinou a cabeça para o lado, um minúsculo sorriso erguendo um lado dos lábios.

   - Você ainda cora, depois de todo esse tempo. - Ele sussurrou. Não soube o que responder, então continuei calada, olhando para ele.

   Draco voltou a me beijar, e com um suspiro fechei os olhos. As sensações que ele me causava eram intensas, parecia que cada milímetro da minha pele estava em chamas. Minha pulsação já disparava, não havia nada que lembrasse auto-controle em mim. Devagar, Draco segurou a base das minhas costas, e então me inclinou até a cama, e me ergueu até me deixar confortável. Ele deitou sobre mim, deixando que a toalha de banho escorregasse até o chão no processo. Nada mais nos cobria.

   Como eu conseguia me sentir como da primeira vez? Minha mente perguntava. Eu podia sentir o amor que nos preenchia naquela hora. Não estávamos apenas transando, como muitas vezes, e sim fazendo amor no seu modo mais puro. Como nunca havíamos feito antes. Era tocante, especial.

   O toque suave da mão de Draco escorregou pela minha lateral, o polegar roçando devagar no meu seio sensível. Meu corpo arqueou em resposta. Continuou descendo em mim, quadris e então minha coxa, que ele ergueu até a sua cintura. Minhas mãos estavam um pouco trêmulas ao segurar seu rosto contra o meu, e então escorregar até seus ombros. Os rastros molhados da boca de Draco desceram até meu pescoço, e fechei os olhos para apenas… sentir. Ele beijou logo abaixo da minha orelha, e novamente meu corpo arqueou para o dele. Estava tão perdida entre as sensações que arquejei quando Draco me invadiu, e apertei minhas unhas na pele de suas costas. O ouvi suspirar no meu ouvido, um som quente que me levou muito alto. Draco movimentou-se sem pressa, o rosto enterrado no meu pescoço, uma mão segurando minha perna na sua cintura enquanto a outra servia como apoio para seu corpo pesado. Ele, então, levantou a cabeça, os olhos travando nos meus. Draco não falou, e o que eu vi nele foi melhor do que qualquer palavra suja ou afrodisíaco. Eu vi amor, adoração pura e única.

   Não chore. Repeti a mim mesma. Não chore, não agora.

   Mas era difícil não o fazer quando eu me sentia a ponto de explodir de tanta adoração. Meus olhos marejaram, e Draco beijou cada um deles e então roçou os lábios na ponta do meu nariz. Abracei seu pescoço, deixando meu rosto afundar na curva do ombro dele, sentindo algo quente e poderoso ser construído lentamente em mim. Nada além de suspiros e arquejos era ouvido, e o sentimento contido em nós dois parecia se derramar no quarto. Seus lábios na minha pele, seu corpo roçando no meu, seus dedos apertando minha perna, era tudo tão doce e impetuoso, como o próprio Draco.

   Quando tudo se tornou demasiado para conter, mordi a pele do ombro de Draco, tentando abafar meu grito pelo orgasmo intenso. Meu corpo ardia, meu peito queimava, eu não tinha percebido que prendi a respiração até que a soltei em uma expiração abrupta e pesada. Draco rosnou no meu ouvido, os dedos apertando minha perna e impulsionou mais três vezes antes de parar, respirando pesadamente, beijando cada parte do meu rosto e pescoço que conseguiu.

   Não consegui conter o sorriso que esticou meus lábios. Foi a melhor coisa que eu já tinha sentido alguma vez em toda a minha vida. Tinha sido o momento de mais intimidade que eu e Draco compartilhamos. E as estúpidas lágrimas estavam de volta, junto com um leve arquejo. Draco levantou a cabeça e franziu os olhos para mim, parecendo preocupado.

   - Eu te machuquei? - Perguntou ele, e eu ri e chorei ao mesmo tempo. Não entendia o que estava acontecendo comigo. Era apenas que… era demais, amor demais, carinho, intensidade, paixão, tudo era demasiado para meu coração conter. Balancei a cabeça, negando. Draco inclinou a cabeça para o lado.

   - Só estou feliz. - Sussurrei. Ele sorriu, e então tocou a testa com a minha e fechou os olhos. Seu hálito quente chegava até minha boca entreaberta.

   - É surpreendente o quanto eu sou feliz com você. - Draco murmurou. Caramba, eu não aguentaria mais do que eu já sentia. Meu peito parecia prestes a explodir. - Nunca achei que seria tão… realizado com alguém. E com você, anjo, eu me sinto completo. Como se sempre tivesse me faltado algo, toda a minha vida, mas agora eu achei. É você, Hermione. Você era o que me faltava. É a mulher da minha vida.

   - Meu Deus, Draco… - Ofeguei, abraçando-o mais forte, as lágrimas escorrendo nas minhas têmporas. Ele abriu os olhos, e sorriu, tímido. Eu sempre me perdia quando Draco sorria daquela forma para mim. Ele beijou o rastro das minhas lágrimas, e então minhas bochechas coradas.

   - Você não pode nem começar a imaginar o quanto significa para mim. Acho que se eu a perdesse agora, eu deixaria de existir. - Segurei seu rosto, trazendo-o até o meu, tocando nossos narizes. O observei de perto, vendo todo seu coração finalmente escancarado para mim.

   - Eu não achei que alguém pudesse sentir tanto, e ainda mais por uma única pessoa. Mas eu te amo tanto, tanto, que nenhuma palavra ou gesto é capaz de descrever. Eu só… amo. Além de mim. - O sorriso amplo que eu vi em Draco desencadeou o meu próprio. Ele parecia tão feliz.

   - Eu não tenho jeito com as palavras como você, anjo. Mas é isso que eu sinto também. Eu. Te. Amo. Com tudo o que resta de mim. Com meu coração fodido. Com minha alma mutilada, se é que eu ainda possuo alguma. O que quer que tenha restado, eu sou todo seu.

   Um suspiro trêmulo escapou, antes que eu o puxasse para um beijo.

   Deus, eu o amo tanto. Pensei. Não deixe que eu o perca, por favor. Não permita que eu o perca.

DRACO

Descemos as escadas e fomos até a cozinha. Meu braço estava sobre os ombros de Hermione, e ela tinha um sorriso no rosto. Minha mãe e Lucius estavam no balcão de café da manhã, e meu humor teve uma leve recaída quando notei Astoria sentada no fim dele. Levei minha garota até lá e sentei em um dos bancos, ela sentou ao meu lado.

   - Bom dia, queridos. - Narcisa disse, toda sorridente. Eu estava satisfeito que ela tão feliz. Minha mãe merecia tudo, e o que eu pudesse dar, eu daria. Em um gesto nada meu, arrodeei o balcão e fui até ela, a abracei por trás, dando um beijo no seu rosto.

   - Bom dia, mãe. - Narcisa paralisou por uns segundos, e então seu amplo sorriso alargou, e ela me abraçou de volta.

   - Oi, meu menino. - Ela murmurou no meu ouvido. Ri, e então a larguei, voltando para o lado de Hermione, que parecia tão satisfeita quanto Narcisa.

   Lucius estava com os olhos arregalados na minha direção, e, de repente, eu estava constrangido. Eu deveria falar algo para ele? Com certeza eu não o abraçaria, se era o que ele esperava. Limpei a garganta e hesitei.

   - Bom dia, Lucius. - Falei, mesmo que tenha titubeado um pouco. Surpreendendo-me, ele sorriu, e por um breve instante eu não reconheci o pai abusivo que ele tinha sido um dia. O que eu daria em troca daquele sorriso há alguns anos atrás?

   - Bom dia, filho. - Disse ele.

   - Não vai falar comigo? - Astoria falou, cobrando minha atenção. Virei para olhá-la e então parei. Ela parecia destroçada. Os olhos inchados indicavam que havia chorado a noite inteira. Mas o sorriso arrogante e petulante ainda estava lá, e foi o que me fez responder.

   - Duvido que eu possa falar o que tenho em mente na frente da minha mãe. - Sorri quando notei seus olhos estreitando. Hermione segurou minha mão sob o balcão, um breve lembrete do que tínhamos conversado na noite anterior.

   Eu não estava feliz em deixá-la contra Astoria sozinha. Sabia como era minha prima, e não havia nada que ela não fizesse para ter o que queria. Isso me preocupava. Temia que Hermione fosse magoada nessa briga, e se ela fosse, eu acabaria com Astoria. Não me importava se ela era minha família, não importava quem ela tinha sido para mim, se Astoria machucasse Hermione, eu tomaria medidas drásticas.  

  A viagem de volta teve que ser adiantada. Lucius recebeu uma ligação urgente de Isabelle, e simples assim, uma nova reunião de trabalho importante foi agendada. Eu não estava chateado com isso, de qualquer maneira. Estava louco para voltar a minha casa, minhas coisas e ter Hermione novamente só para mim.

   Por todo o caminho, Hermione dormiu ao meu lado, o braço sobre meu estômago e a bochecha no meu peito. Eu me sentia um idiota de tanto que a observei, os olhos dela fechados, as pálpebras tinha uma leve cor rosada. Os lábios entreabertos, as bochechas coradas pelos dias de sol, tudo nela me convidava a olhar.

    Deixei minha mente vagar até nossa manhã. Caralho, eu ainda não sabia o que tinha acontecido, mas senti que foi especial. Nunca houve nada como aquilo antes com nenhuma outra garota, aquele nosso momento foi íntimo, eu vi e a deixei ver tudo que tínhamos um pelo outro. A ficha caiu com suavidade, já que eu suspeitava há algum tempo. Eu amava Hermione mais do que minha própria vida. O medo me invadiu, tentando me alertar de que aquilo não era bom! Amar não era saudável, eu tinha que preservar meu coração! Mas já não adiantava, eu tinha entregue meu coração a Hermione sem sequer notar. E, porra, eu estava feliz com isso.

   Quando chegamos à nossa casa, nos despedimos dos meus pais e subimos até o apartamento. Contrariando meus planos de sono profundo, Hermione pegou minhas chaves do carro e segurou minha mão, saltitando como uma criança depois de uma tonelada de doce. Eu ri, achando aquilo divertido. Segurei-a pelos ombros.

   - O que você quer fazer? - Perguntei.

   - Vamos visitar Rose! - Ela quase gritou de animação, me fazendo rir mais ainda.

   - Achei que ficaríamos o resto do dia na cama.

   - Mas eu não tenho sono… - Seu cenho franziu.

   - Pensei que poderíamos foder até amanhã, então. - Ela arregalou os olhos, pasma. Segurei uma risada enquanto Hermione processava minhas palavras.

   - Draco! - Finalmente ela gritou, me batendo no peito, mas um sorriso contido nos lábios. Ri, abraçando-a e trazendo para mais perto de mim. Hermione me abraçou, ainda rindo. - Mas eu queria visitar nossa bebê.

   - Tudo bem, então. - Suspirei, dramaticamente. No fundo eu, estranhamente, também tinha sentido falta da minha bonequinha. - Vamos ver nossa boneca.

   Em poucos minutos estacionamos na casa de Theo e Luna, e subimos no elevador. Enquanto estávamos presos naquela pequena caixa de aço, Hermione sorria de orelha a orelha, repetindo uma e outra vez que não faríamos sexo no elevador. Aquilo cortou meu coração, é claro. Eu já podia imaginá-la baixada na minha frente enquanto eu cobria as câmeras com as mãos. Pensamentos doces…

   Hermione bateu na porta do apartamento, tão animada que quase pulava. Eu só achava aquilo hilário, uma mulher formada agindo como criança só porque veria uma criança. Prendi meus braços ao redor do seu tronco, fazendo-a parar.

   - Você parece uma criança no Natal. - Eu ri, beijando seu pescoço. E então a porta escancarou e lá estava a loirinha.

   Luna deu um grito estridente, me fazendo saltar para trás, enquanto Hermione gritava junto e as duas se abraçavam como se fizesse anos que não se viam, e não dois dias. Bufei, rolando os olhos.

   - Entra, babaca! - A voz de Theo soou dentro de casa, e eu sorri.

   - Isso aí é um cumprimento. - Falei para as duas garotas que ainda se abraçavam enquanto entrava. - O que vocês fizeram foi uma briga de amor. Nunca ouvi tantos gritos.

   - Não é minha culpa se você não a faz gritar. - Luna sorriu, maliciosa. Meu sorriso em resposta foi mais amplo.

   - Ah, mas eu faço. Todos os dias.

   - Eu estou aqui, notaram? - Hermione falou, estreitando os olhos para nós. Luna riu, segurou minha mão e nos levou até o sofá, onde Theo segurava um embrulho rosa pequeno nos braços.

   O sorriso genuíno se esticou nos meus lábios. Lá estava a pequena Rose, ainda tão pequena e linda como eu me lembrava. Hermione quase correu até Theo, sentando ao seu lado e estendendo os braços para segurar a bebê. Theo colocou-a cuidadosamente no colo de Hermione, e então ela levantou e veio até mim. Não notei meu sorriso vendo-as andando na minha direção. Hermione brincava com a mãozinha de Rose, falando baixinho com ela.

   - Olha só como ela é linda… - Disse Hermione, parando na minha frente. Hesitante, estendi a mão e toquei na cabeça de Rose, e então me abaixei para sentir o cheiro dela.

   Como uma pessoinha tão pequena podia cheirar tão bem?

   - Oi, bonequinha. - Murmurei.

   - É o seu tio Draco, lembra dele? - Disse Hermione. Era estranho ser chamado de tio por alguém, mas estava começando a me acostumar com aquilo. Eu era tio, afinal, e já me sentia protetor em relação a Rose.

   Não demorou para que a pequena bebê estivesse nos meus braços. Mesmo apavorado, tentei me manter firme, segurando Rose como se minha vida dependesse disso. Hermione e Luna não paravam de suspirar, e Theo apenas revirava os olhos. Minhas mãos ainda tremiam enquanto eu a segurava, mas o seu peso leve era estranhamente reconfortante. Rose abriu os lindos olhos verdes para mim, e estendeu a mão rechonchuda, roçando-a no meu rosto. Não pude esconder o sorriso que se alargou no meu rosto. A menininha já me tinha na palma das mãos no momento em que eu a vi, e ela parecia saber disso.

   - Deus, vocês estão tão lindos que dói de olhar. - Luna disse, fungando em seguida. Ergui meus olhos, vendo-a limpar as lágrimas que acumulavam. Arqueei uma sobrancelha. - A amamentação me deixa sensível, tudo bem? Não me julgue! - Disse ela, fazendo todos rir.

   A contragosto, deixei que Hermione e Luna tirassem algumas fotos minha e de Rose. As duas pareciam maravilhadas com o fato, o que me fazia rolar os olhos constantemente.

   - Eu não sei porque vocês estão assim. - Theo resmungou. - Eu seguro Rose o tempo todo!

   - Você é o pai, não conta. - Luna disse, nem sequer olhando para Theo. - Olha só para eles! Draco está todo sexy com Rose no braço!

   - Amor!

   - Luna!

    Hermione e Theo rosnaram, mas a loirinha não parecia se importar. Ri silenciosamente.

   - Já não basta eu aguentar as mulheres  tentando entrar nas calças dele, agora tenho que ouvir você o elogiando… - Hermione bufou. Sorri para ela, adorando aquela parte possessiva.

   - Eu sou todo seu, anjo. - Falei, o que a fez sorrir, mesmo que tenha tentado esconder mordendo o lábio.

   - Ai, vocês são tão nojentos! - Luna guinchou, nos olhando com os olhos marejados. Bufando, voltei minha atenção a pequena bonequinha.

   - Imaginem só nossa Rose crescendo. - Disse Hermione. - Aprendendo a falar, a andar, e então indo à escola. Em seguida vem a adolescência, os garotos… - Ela não continuou a falar quando meus olhos e os de Theo focaram no seu rosto com repulsa.

   - Nada de meninos! - Theo rugiu.

   - Caralho, eu sabia que era uma péssima ideia ter uma garotinha. - Falei para Theo, que parecia pálido.

   - Não fala palavrão perto da criança! - Hermione e Luna rugiram. Arregalei os olhos, percebendo meu erro.

   - Desculpa, bonequinha.

   - E assim começa a saga “desculpa, bonequinha”, totalmente derivada do “desculpa, mãe”. - Theo riu, e eu revirei os olhos para ele.

   Não demorou para que Hermione começasse a bocejar, e logo voltamos para casa. Ao chegarmos, nos jogamos no sofá, entrelaçando nossos corpos e fechando os olhos. Suavemente beijei sua testa, e ela se aconchegou mais a mim.

   - Eu realmente, realmente, preciso de um banho. - Ela resmungou, franzindo o cenho com desgosto.

   - Posso ir junto? - Perguntei com um sorriso conspiratório. Ela riu.

   - Não, senão só sairemos de lá amanhã. - Bufei, porque tudo que ela disse era verdade.

   Hermione levantou, recebendo uma palmada na bunda antes de sair correndo e me xingando. Sorrindo, me encostei contra o sofá e fechei os olhos. Estava exausto pela viagem, mas ainda não queria dormir.

   Um barulho soou ao meu lado. Virei o rosto, contrariado, e vi o celular de Hermione virado para baixo no sofá. Estava tocando de modo insistente.

   - Anjo, tem alguém te ligando! - Gritei, mas não houve resposta. Cansado daquele ruído, peguei o aparelho e virei a tela. E então paralisei.

    Na tela, incontáveis mensagens chegavam uma atrás da outra. E todas elas vinham da mesma pessoa.

   Harry.

   Era apenas esse nome que aparecia, mas apenas ele fez meu estômago embrulhar. Minha mão, instantaneamente tensa, desbloqueou o aparelho, e então tocou no aplicativo de mensagens. Meus olhos passavam pelas palavras enquanto meu polegar rolava a tela. Meu coração batia tão forte e rápido que eu mal podia respirar. Meus olhos estavam arregalados pelo choque, e a raiva cega familiar já me atingia como um tapa.

Harry:

Oi, corujinha!

Sinto muito se tenho estado ansioso pra te ver, mas realmente sinto sua falta.

Eu sei que seu notável e possessivo namorado te deixa tensa, mas eu posso te ajudar nisso.

Ontem eu sonhei com aquela última noite em que dormimos juntos, quando você e ele brigaram.

 

Pode falar o que for de Helena, mas devo uma das melhores noites da minha vida a ela. Aquela em que passei segurando sua mão, deitado ao seu lado, enquanto te confortava pelas babaquices do seu namorado.

Quero minha corujinha de volta, então trate de esclarecer isso tudo!

Te amo, baby!

Minha mente se recusava a acreditar naquelas palavras. Não podia ser real, Hermione nunca me trairia daquela forma!

   Seguindo algum tipo insano de intuição, mandei uma mensagem a ele.

Onde você está?

Preciso ver você.

Não demorou para que ele tivesse visualizado, e logo sua resposta chegou.

Harry:

Você sabe, no Hotel Great Park, quarto 356.

Vem logo!

Minha intenção era a de apenas matá-lo. Sair correndo de casa em direção a meu primeiro assassinato, no hotel onde ele falara. Mas meus planos foram arruinados quando Hermione entrou na sala, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo frouxo e um sorriso tranquilo.

   Como ela podia estar tão calma quando meu mundo caía em ruínas? Como ela teve coragem de acabar comigo?

   Pura ira me invadiu, e toda a decepção e dor foi transformada em raiva. Ela tinha me traído. Tinha partido a porra do meu coração! Eu sabia que não era certo dar tudo de mim! Duvidava que sobraria algo do meu coração quando eu acabasse aquela conversa.

   - Quem era, lindo? - Disse ela, vindo até o sofá. Quando viu meu rosto, sua expressão vacilou. Eu sabia que minha expressão era no mínimo assassina.

   - Quem caralho é Harry, Hermione? - Provando as minhas suspeitas, seu rosto perdeu toda a cor. Ela estava pálida, completamente surpresa. Levantei do sofá, ficando diretamente na frente dela, fixando nossos olhos para que eu visse a mentira daquela cretina que tinha conseguido me arruinar. - Você teve coragem de me trair com o babaca que trepou com a sua mãe? Que tipo de monstro você é?!

   Hermione respirava rapidamente, os olhos marejados. Meu lado idiota queria que eu parasse de falar daquele modo com ela, mas me recusei a ouvi-lo. Eu já tinha sido um idiota por muito tempo. Seus lábios entreabertos gaguejaram algo, mas não ouvi nada. Eu não queria ouvir nada.

   - Como você… Caralho, como pôde, Hermione?! - Me xinguei quando minha voz quebrou. - Eu te amei mais do que a mim mesmo! Como pôde fazer isso comigo?!

   - Eu não fiz! - Gritou ela, chorando. Repeti a mim mesmo que eram apenas lágrimas falsas, eu não podia mais acreditar nela. - Eu não te traí, lindo, eu juro! - Disse, estendendo as mãos para o meu rosto. Antes que me tocassem, porém, segurei os seus punhos, me inclinando sobre ela, e a olhando com nojo.

   - Olhe para mim, e me diga que você não dormiu com ele quando nós brigamos. - Minha voz fria mascarava o que eu realmente sentia. Eu estava implorando para que fosse mentira. Pedindo miseravelmente para que ela negasse tudo. Mas o que eu vi me fez perder o ar. Hermione ficou calada, os olhos cravados nos meus e as lágrimas escorriam. Foi verdade, então. Tudo aquilo era verdade. Surpreendendo a mim mesmo, eu ri. Uma risada alta e clara. - Então foi isso que aconteceu, não foi? Enquanto eu morria a cada segundo com medo de você me deixar, você trepava com o seu ex amigo que comeu a sua mãe! Olha só a ironia da situação! Todos sempre acharam que eu seria quem trairia você, a doce e inocente Hermione Granger. O que ninguém sabia era que tipo de cobra, suja e doente você é.

   - Eu não te traí, Draco! - Ela gritou novamente, puxando os punhos do meus aperto. Caminhei para trás, as mãos atrás da minha cabeça, puxando meus cabelos para ver se aquilo era só um sonho. Um maldito pesadelo. Eu ri quando a dor me atingiu, e aquela dor física  abrandou a que havia no meu peito. Peguei um porta-retrato nosso sobre a mesa de centro, e então o lancei na parede, reduzindo-o a cacos de vidro. Hermione gritou, colocando as mãos sobre a boca.

   - Você não está entendendo, me deixa te explicar, por favor! - Pediu ela, soluçando enquanto caminhava até mim.

   - Cala a boca! Cala a porra da sua boca, Hermione! - Gritei, descontrolado. - Quer me dar os detalhes da sua proeza? Eu admito, Hermione, eu nunca pensei que você seria tão baixa. Pensei que conhecia cada puta que eu colocasse os olhos, mas você me surpreendeu, parabéns!  - Meu sorriso largo era minha maior arma naquele momento. Eu não a deixaria ver o quanto tinha me afetado. - Ele te comeu como você esperava, pelo menos? Seria uma pena se você tivesse esperado esse tempo todo para se frustrar.

   - Não fala assim comigo, babaca! - Hermione rugiu, me pegando de surpresa. - Não ouse me chamar de coisas que eu não sou!

   - Cristo, você é inacreditável. Ainda acha que me ganha com essas lágrimas ridículas, porra?! Eu não acredito no quanto eu fui imbecil de acreditar que você me amava. Era sempre ele, não era? Você sempre amou esse cara, eu só fui um modo de passar o tempo.

   - Eu vou te explicar, por favor me deixa explicar!

   O que ela queria tanto explicar, afinal? Eu me sentia enlouquecer só de pensar em alguém tocando-a. Minha cabeça doía, parecia que eu estava em curto-circuito. Corri até a porta, parando apenas para pegar minhas chaves. Antes que eu conseguisse sair, as mãos de Hermione seguraram meu braço, e me virei para encará-la. Ela chorava copiosamente, os soluços descontrolados. Caralho, ela era uma ótima atriz.

   - Eu não transei com ele, lindo, por favor acredita em mim. Nós só dormimos, apenas isso! - Por um momento não consegui fazer mais nada além de olhá-la. Ela queria brincar comigo? Queria acabar com cada mísero pedaço do meu amor por ela? Amor esse que naquele momento estava me esmagando, reduzindo tudo que eu tinha até virar pó. Não havia mais chão aos meus pés, não havia mais nada. Eu tinha apostado tudo nela, e agora… nada restava. Eu perdi tudo.

   - Eu só quero te perguntar mais uma coisa. - Falei, baixando a voz até que se tornou um sussurro. Eu entendia que ela tinha me traído, mas algo havia me confundido naquilo. Eu sempre achei que Hermione gostava do meu ciúmes, era algo que eu também gostava de ver nela. - Seu amigo disse que eu sou possessivo, foi você quem falou isso a ele? É isso que você acha que eu sou? - Hermione engoliu seco, visivelmente nervosa. Eu sabia da resposta antes mesmo que ela falasse, mas ainda assim, senti-me rachar ao meio quando a ouvi.

   - Eu disse, mas…

   - Me largue, Granger. Agora. - Sussurrei, com a voz mais fria e cortante que consegui. Foi como se Hermione tivesse levado um tapa, ela recuou, me soltando.

   Não esperei por nada, apenas corri pelas escadas, ignorando o elevador, entrei no meu carro e saí do prédio. Meu peito doía, minha cabeça latejava, meus olhos ardiam, mas nada disso me interessava. Nunca em toda minha vida eu me sentira tão traído, nem mesmo com Lucius. E toda a frustração era descontada no acelerador, de modo que eu corria a mais de duzentos por hora sem sequer notar. Só uma coisa passava pela minha cabeça. Eu mataria aquele cara. Eu acabaria com Harry.

   


Notas Finais


Treta is coming!!!!!!
Quero saber o que estão achando, mores!
Hoje eu começo a responder seus comentários, prometo!
Até a próxima. BJ.😘😘😘😘😘


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