História The Heart of the Ocean - Newtmas - Capítulo 7


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Palavras 3.617
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Saga, Suspense, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


L O V E R S

HEY, tudo bem?
Simbora para o jantar...
Hm...

B o a L e i t u r a!
LadyNewt!

Capítulo 7 - Make it Worth it


Fanfic / Fanfiction The Heart of the Ocean - Newtmas - Capítulo 7 - Make it Worth it

Titanic,

ATLÂNTICO NORTE

11 de Abril de 1912

12h54min

 

TOMMY

 

Ao regressar para a terceira classe, fui obrigado a responder uma lista de perguntas dos garotos, curiosos com o meu desaparecimento repentino.

- Você saiu sem falar nada! – Minho ralha sendo como meu pai.

- Ontem a noite chegou tarde no quarto. Aposto que aprontou alguma! – Benji sugere por me conhecer tão bem.

- Como é a primeira classe, sabemos que esteve por lá! Até seu cheiro está diferente! – Dexter funga no meu pescoço, enquanto Brenda e Jorge riem sem parar e Harriet revira os olhos para  alvoroço que se instaurou em torno de mim.

- Calma! São muitas perguntas, vamos por partes, como Jack The Ripper! – brinco e recebo um pedaço de pãozinho na cabeça, oferta generosa de Benjmain Bebezão Sheffield. – Primeiro, eu estava sim na primeira classe, tanto ontem quanto hoje cedo.

- E VOCÊ NÃO ME CHAMA??? – claro que o loiro ralha comigo, porque ele não presta atenção em absolutamente nada que falo.

- Benji, se tivesse tirado os olhos da Srta. Brenda ontem a noite e prestado atenção no convite que fiz a todos, você teria mesmo ido comigo?

- Somente se Brenda me acompanhasse. – ele diz abraçando a garota.

Acho que perdi algo entre esses dois de madrugada.

- Conheceu alguém interessante por lá? Esse seu sorriso pretencioso está denunciando algo. – Minho Lee indaga.

- Sim, meus queridos amigos, conheci alguém interessante sim. Na verdade conheci algumas pessoas bem peculiares ontem.

- Conte-nos! Queremos detalhes! – Caçarola pede, tornando a ala comum da terceira classe um pequeno rebuliço.

- Não darei detalhes, irei poupar alguns figurões sem graça que conheci, mas um deles merece minha total atenção. Ele é loiro, rico, inteligente, parece um filhotinho de cachorro assustado na feira de adoção, tem o rosto mais perfeito que já vi e...

- E ele está parado bem atrás de você, O’Brien! – Lee aponta para algo, alguém ou na pior da hipóteses, Newt Brodie- Sangster atrás de mim.

No entanto Newt não seria maluco de vir até aqui me ver ou me procurar, ele não teria coragem, não teria desenvolvido ela em tão pouco tempo desde a última vez que o vi. Giro lentamente meu corpo para trás e congelo só de sentir o perfume adocicado dele, que faz minha boca salivar. Agora eu tenho certeza, Newt está atrás de mim.

- Oi, loirinho... – digo sem graça, chocado – Você ouviu o que eu disse? – questiono confuso.

- Ouvi, especialmente a parte onde dizia que eu era maravilhoso e que você estava encantado com a chance de passar um tempo na minha agradável companhia agora a tarde. – ele diz.

- Isso foi um convite?

- Sim. – Newt sorri envergonhado, percorrendo seus olhos castanhos pela área comum da terceira classe.

- Você sabe que não deveria estar aqui. Se seu pai te pega, ele é capaz de dizer que está infectado por pulgas altamente letais. – brinco com ele.

- Você me ajudaria? – indaga.

- Ajudaria o que? – agora estou muito mais confuso.

- A pegar as minhas pulgas. – Newt sorri, fazendo meu coração derreter.

Qual é a desse garoto?

Uma hora me expulsa da primeira classe e é rude e na outra invade a terceira e se oferece dessa forma tão, tão, tão graciosa, tornando-me incapaz de negar qualquer coisa. Você pula, eu pulo. É tudo tão óbvio na minha cabeça.

- Não há nada no mundo que eu queira mais do que passar minha viagem no TITANIC caçando as suas pulgas, Newtie. – devolvo sério, mas acho que fiz Benjamin fazer xixi na calça de tanto rir. – Parem de me constranger na frente do rapaz! – viro para trás, repreendendo meus amigos interessados na nossa conversa. – Deixe-me apresentá-lo, Newt. Esses são Minho, Caçarola, Jorge, Brenda, Harriet e Benjamin, o ladrão de taças.

- Ah meu Deus, você é o almofadinha do embarque! – Sheffield tem um pequeno surto de risadas nasaladas.

- Sou eu mesmo e você me deve uma champagne. – Newt brinca, deixando Benji branco. – É brincadeira, só achei um milagre ainda estar vivo, eu havia colocado veneno naquela taça.

Newt continua a debochar do loiro, mostrando um lado divertido que eu desconhecia. Estaria ele se sentindo totalmente a vontade aqui conosco? Creio que sim e isso me deixa extremamente feliz.

- Bom, peço desculpas por roubar o convidado ilustre de vocês, mas ele me convidou para caçar pulgas, então nos vemos mais tarde. – digo puxando o loiro pelo braço e guardando no bolso meu caderno de desenhos, seguindo até o deck coberto da segunda, local onde temos permissão para passear durante a tarde.

O garoto mantem-se calado durante todo o trajeto e suspira quando finalmente chegamos até o deck.

- Diga algo sobre você que eu não saiba. – ele pede, andando lentamente ao meu lado, ignorando os olhares das pessoas sobre nós dois.

- Do jeito que fala parece que conhece tudo sobre mim. – devolvo segurando um riso.

- Eu não sei nada sobre você, ao contrário do que deve ter conversado com Marry, tenho certeza que seu assunto preferido com ela foi Newt Sangster. – diz com precisão, fazendo-me corar. Ninguém nunca me fez corar.

- Bom, eu tenho 23 anos, nasci na Irlanda mas moro na Inglaterra desde pequeno e gosto de desenhar. – sou sucinto. Não quero falar sobre mim, quero falar sobre ele!

- Então deixe-me ver isso!

Newt dá uma de sorrateiro e puxa o caderno do meu bolso traseiro, correndo alguns metros para longe de mim. Observo ao longe ele folhear minhas folhas, atento a cada imagem que reproduzo.

- Gosta do que vê? – pergunto ao chegar do lado dele.

- Hm, são realmente muito bons, Tommy. Você tem um estilo bem realista.

- Você acha? – vejo ele concordar com a cabeça, ainda olhando meus desenhos. A maioria são retratos de pessoas que conheci, alguns estão inclusive nus!

- Para mim, é como se eu observasse todos os detalhes do mundo e tentasse coloca-los no papel, entende?

- Sim, eu entendo! – ele diz animado, fechando o caderno. É a primeira vez que o vejo tão empolgado assim. – Você faz um ótimo trabalho, Tommy. Você... Você vê as pessoas, sabe? Como se pudesse senti-las.

- Eu vejo você! – lanço para ele, anotando sua reação. Ele é de tudo lindo. Suas bochechas ficam coradas de imediato e ele se perde olhando para os pés.

- E? – sussurra de volta.

- Você não teria pulado. Você é melhor que isso. – afirmo. – Mas, que tal falar mais sobre você? – insisto.

- Sobre mim? – parece desconcertado com a pergunta.

- Isso, sobre você, seus sonhos, desejos, expectativas... – instigo.

- Bom, meu sonho sempre foi fazer o mesmo que você faz, só que com histórias, sabe? Me tornar um escritor, sair pelo mundo escrevendo meus contos, vivendo de literatura, sendo pobre, porém livre! – sorri demasiadamente e tem um brilho incomum nos olhos.

- Você não ia durar dois dias sem água quente, uma cama limpinha e caviar no jantar, Newtie... – debocho.

- Eu odeio caviar! – proteste ele – E odeio as pessoa me dizendo quais sonhos eu deveria ou não deveria ter! – ele quase briga comigo, mas ao menos está colocando para fora suas vontades.

- Me desculpe, você tem razão. – peço de verdade, suspirando.

- Ok, Tommy, tudo bem... – ele baixa a cabeça, voltando a caminhar lentamente – Todo mundo espera que eu seja alguém que eu não quero ser, esse garoto perfeitinho que segue regras e não tem voz própria, mas eu não aguento mais, eu sei o que eu quero e o que eu não quero! Sou desastrado, falante e odeio política! – resmunga inconformado, provando pra mim que quando ver, ele tem voz e sabe se impor. – Eu quero fazer algo significativo na minha vida e não apenas ficar em volta de uma mesa com meus amigos, discutindo sobre jogatina e whisky!

- Eu quero ir para Los Angeles, sentar na calçada e pintar retratos de pessoas famosas! – entrego a ele algo sobre mim. Newt para de caminhar e debruça seu corpo na sacada, observando o mar.

Passamos a tarde toda ali, na segunda classe, apenas conversando sobre assuntos aleatórios e tomando chá com torradas, algo que eu não teria direito por pertencer a outra classe, mas Newt quase arranjou briga quando o tripulante se negou a me servir. Após o chá das cinco, voltamos a caminhar até encostar novamente em um parapeito, aproveitando o por do sol.

- Por que eu não sou como você, Tommy? – pergunta me encarando – Eu queria sair por ai voando pelo horizonte a hora que eu quisesse. – seu jeito meigo e inocente me encanta – Digamos que eu fuja até Los Angeles, o que faríamos juntos? – sua pergunta é excelente e eu terei o maior prazer em respondê-la, embora esteja excitado com as mil possibilidades.

- Podemos ir em algum píer, aí sentamos para tomar cerveja e conversar sobre arte e música, e depois vamos cavalgar pela praia, logo depois de surfarmos. Mas teremos que cavalgar como cowboys, como verdadeiros cowboys!

- Você diz empinando sobre a cela e segurando as rédeas com apenas uma mão? – ele exclama chocado.

- Sim! Você terá que tentar!

- Você vai me ajudar? – ele morde os lábios inferiores e tem os olhos repletos de expectativa.

- Se assim desejar... – respondo sua pergunta.

- Então me ensine a cavalgar como um cowboy!

- Com todo prazer!

- E a surfar como um surfista profissional! – ele pede, rindo.

- Pode apostar que sim!

- E a cuspir de verdade como um homem!

Não seguro minha gargalhada, desacreditando que ele disse isso.

- Sim, Newtie, a cuspir como um homem. Essa podemos começar por sinal agora! Não acredito que nunca te ensinaram isso! – ofereço escarrando fundo e lançando uma bolota de cuspe para o mar.

Ela voa alguns bons metros, surpreendendo o garoto.

- Ew, isso é nojento! – me encara quase chocado.

- Ok, sua vez! – o encorajo a cuspir.

Ele olha para todos os lados antes, certificando-se de que não tem ninguém olhando e faz. Ela mal da uma escarradinha e já lança o cuspe pera o espaço, direcionando sua boquinha linda para baixo, sem pregar propulsão alguma.

- Isso foi péssimo, Newtie! Preste atenção, você tem que acumular uma boa quantidade de saliva na boca e depois pegar impulso para trás com o corpo, lançando o cuspe para longe. Assim!

Repito tudo que fiz e ele observa, fazendo novamente a manobra, dessa vem um pouco melhor que antes.

- Isso foi ótimo! Você está quase pegando o jeito! Mas olha só, você tem que fazer barulho quando for escarrar, como eu, veja!

Falo escarrando super algo, pronto para cuspir, quando noto Newt congelar ao meu lado, dando-me uma cotovelada.

- Oi pai! – ele sorri amarelo e eu engasgo com meu cuspe acumulado na bochecha, virando para trás.

Janson está na companhia de Marry, uma senhora loira, a tal ruivinha e mais duas garotas morenas, jovens como Newt.

- Acho que a maioria de vocês já conhecem Thomas O’Brien. – ele diz me apresentando a senhora loira e as duas garotas morenas.

- Hm, encantada. – a de olhos azuis diz com desdém.

Encaro Marry Campbell e ela faz um sinal para limpar minha baba e cuspe escorrendo pelo canto da boca. Céus, eu devo estar ridículo assim. Por alguns minutos Newt explica para as mulheres que eu o salvei na noite passada, sinto seu pai me encarar como se eu fosse um inseto perigoso e repugnante, igualmente o olhar que sua noiva desfere pra mim, ambos louquinhos para me esmagar na primeira oportunidade.

Saltito de susto quando uma corneta passa a tocar logo atrás de nós.

- Eu detesto a forma como eles anunciam a hora do jantar como se fossemos cavalos prontos para uma corrida. – Marry Campbell diz sorrindo, ganhando apenas a risada gostosa de Newt.

- Bom, Sr. O’Brien, temos que nos arrumar para o jantar, que sem dúvida alguma será bem interessante. – sinto que ele quer me provocar.

- Tenho certeza que sim, Sr. Sangster.

- Nos vemos mais tarde, Tommy! – Newt diz sorrindo, sendo arrastado pela noiva para longe de mim.

Enquanto todos saem, Marry para na minha frente, tentando captar minha atenção.

- Thomas? Thomas!? Menino Thomas!

- Me desculpe, Sra. Campbell.

- Você sabe que está prestes a entrar em um ninho de cobra, certo?.

- Eu sei sim, senhora. – confirmo.

- Que tal se arrumar na minha cabine? Eu posso ajudá-lo com a roupa se quiser.

- Isso seria perfeito, Sra. Campbell. – agradeço, saindo com ela até a cabine 116.

 

 

19h03min

 

É impressionante como uma simples roupa e gel nos cabelos muda tudo. Há algumas horas atrás se tentasse passar por estas portas, seria barrado pelo simples fato de não estar com as vestes condizentes ao local.  Esqueçam o fato de pertencer a terceira classe.

Tudo é facilitado pelo fator smoking.

Um simpático homem abre a imensa porta de vidro e madeira clara, liberando minha entrada no início do salão principal. Logo nos primeiros passos sou obrigado a conter os comichões dentro de mim, gritando com a magnitude do lugar.

Todo de madeira talhada e esculpida, a recepção ganha ainda mais charme com diversas luzes acesas e uma imensa cúpula de vidro no centro de uma escada. Creio que o restaurante seja naquela direção. Ao menos é para lá que as cobras estão seguindo.

Desço as escadas e logo me encanto com um relógio embutido na parede de madeira. Perco alguns segundos fitando o objeto tão refinado que chega a ofuscar meus olhos. Continuo a descer, anotando o comportamento das pessoas bem vestidas que passam por mim, desejo não fazer feio na presença de Newt e seu pai.

Giro o corpo pelo espaço, perdido, sem saber ao certo para onde seguir. É quando Janson Sangster passa por mim, de braços dados com uma senhora loira e a garota morena de olhos azuis de hoje a tarde. Ele me ignora, ou não me reconhece pelo menos. Alço meus olhos até o relógio e pego o exato momento em que Newt desce as escadas ao lado da noiva atada ao seu braço. Ele está lindo, não é pra menos. Está para existir uma roupa no mundo que deixe esse garoto feio ou desfavoreça seus traços.

Nossos olhos castanhos se cruzam, causando um choque em mim, mas não mais que nele. O loiro não consegue esconder o sorriso ao me ver como ele e logo desprende-se das mãos da ruiva, caminhando diretamente para mim.

- Nossa! Você está... Diferente! – quase geme.

- E isso é bom ou ruim? – questiono tomando sua mão para mim.

- Isso é bom. Vem, vamos até os outros.

Ele me puxa, sem desprender o laço que criamos ao darmos as mãos. Seu gesto é inocente e totalmente casto, mas sei que as consequências dele, ao menos ali aos olhos de seu pai, seriam desastrosas, por isso, com dor no coração me desfaço dele.

- Pai, olha quem está aqui! – o loirinho não controla sua empolgação.

Janson arregala os olhos, igualmente as mulheres que o acompanham. Todos desferem olhares de cima para baixo, surpresos com as minhas vestes.

- Quase poderia passar por um cavalheiro. – Janson sorri e me dá as costas, acompanhando suas damas, como se seu filho e eu fossemos invisíveis.

Mas Newt não. Newt faz questão de andar do meu lado, sorrindo fraquinho toda vez que meu olhar cruza com o seu. Sou apresentado a algumas pessoas durante o trajeto, que devem estar se preguntando quem é o rapaz moreno ao lado de Newton Sangster. Seria ele um magnata do petróleo? Uma figura da bolsa de valores? Um novo rico da Inglaterra?

- Acho que você está fazendo sucesso com as mulheres... – Newt sussurra para mim ao passar por um grupo de damas muito bem vestidas, que cochicham enquanto passamos por elas.

- Eu não quero fazer sucesso com nenhuma delas. – respondo seriamente, encarando-o.

- Ah, não? – sinto que ele quer me testar. Sua língua passeia atrevida pelos seus lábios, aguardando minha resposta.

- Não. Não mesmo. Desde ontem a noite eu só me importo com uma única pessoa nesse navio.

Sua boquinha abre no segundo seguinte que finalizo minha frase, talvez surpreso ou estarrecido. Ele sabe sobre quem me refiro e quero deixar bem claro isso a ele. Newt está a ponto de me entregar uma resposta, mas somos brutalmente interrompidos por sua noiva.

- Vou rouba-lo de volta.

Concordo com a cabeça e faço a honras para que ela pegue o acha que lhe pertence. Por sorte encontro Marry, que burca meu braço para acompanha-la até a mesa de jantar, onde sou novamente apresentado aos rostos que me encaram. Os garçons começam o serviço, apresentando a carta de vinho e comidas.

- Então, senhor O’Brien, dá onde disse que é mesmo? – Vince questiona brincando com sua barba espessa enquanto me encara.

Fui sutilmente posto longe de Newt, ao menos encontro-me ao lado de Marry.

- Eu não disse de onde sou. – respondo sério, talvez causando um desconforto nas pessoas com a minha resposta. 

Tento esconder meu nervosismo, por isso entorno a taça de champagne. Alcool sempre ajuda nessas horas.

- Diga-me, Thomas, as cabines da terceira classe são tão espaçosas e chiques quanto as nossas? – Janson Sangster faz questão mais uma vez de me alfinetar e frisar a todos que meu lugar não é ali.

- São sim, Sr. Janson. A única diferença é que lá temos ratos e não cobras peçonhentas.

Marry me belisca na perna, Janson engasga com sua bebida, Sonya cospe um pedaço de ostras e Newt é obrigado a tapar a boca com o fino guardanapo de tecido, evitando que seu riso escandaloso saia pela boca e deixe todos ainda mais horrorizados.

- Thomas O’Brien é um ótimo desenhista, sabia papai? – o loirinho tenta mudar o foco – Suas obras são espetaculares, você precisa ver.

- Não tenho dúvida disso, mas sabemos que eu e você discordamos sobre o que seja arte de verdade. Newton acredita que qualquer forma de expressão é válida e deve ser respeitada... – ele ri com desdém, fazendo o garoto calar.

O garçom passa e servir os pratos e é só ai que reparo que existem três garfos e três facas lado a lado, com tamanhos diferentes. Um leve pânico me domina. Eu não sei o que fazer e Newt percebe minha reação.

- Comece de fora para dentro. – Marry sussurra para me ajudar, só assim é que conseguirei provar a comida que servem na primeira classe.

- Onde você mora, O’Brien? – Janson mastiga um enorme pedaço de carne vermelha enquanto me fita.

- No momento eu moro no RMS Titanic. Depois vou depender da boa vontade de Senhor. – respondo bebericando minha champagne para disfarçar o gosto estranho do peixe.

- E como veio parar aqui, meu jovem? – Ava, a dama loira, pergunta.

- Ganhei ela em uma aposta com meu antigo chefe.

- E o que vocês apostaram? – Newt faz a pergunta proibida.

Eu poderia facilmente mentir para ele, poupá-lo de um constrangimento ou até mesmo evitar que estas pessoas estranhas me encaram com desdém e horror ao final da minha incrível história, mas o que acontece é que sou 100% íntegro e sincero, eu nunca mentiria para Newt.

- Fui obrigado a beijar uma dama que estava acompanhada em um bar em Southampton. Tive muita sorte, eu poderia ter morrido, já que me perseguiram na rua com uma arma.

- Sorte? Chama esse tipo de vida de sorte? – o pai do garoto não está disposto a me deixar em paz hoje.

- Sim, eu chamo de sorte. – sorrio encarando a todos, que agora me enxergam com curiosidade. – Tenho tudo     que preciso aqui comigo. Adoro a sensação de acordar de manhã sem saber o que acontecerá, quem conhecerei ... – fito Newt neste instante – Ou onde irei parar. – seguro minha taça novamente cheia – Outro dia dormir debaixo de uma ponte e agora estou aqui jantando com vocês no maior e mais seguro navio do mundo, tomando minha champagne! - ergo a taça e proponho um brinde – Acho que todos nós devemos fazer a nossa vida valer a pena.

- Faça sua vida valer a pena! – Marry brinda comigo, seguido dos outros.

Após muito falatório e pouco comida de qualidade, solicito um papel e uma caneta a um dos garçons, escrevendo algo especial nele. Os homens levantam da mesa, seguindo para um canto. Vince me encara, fazendo um convite.

- Aceita tomar um brandy conosco até mais tarde?

A primeira coisa que faço é saber se Newt tem alguma pretensão de se juntar a eles, no entanto o loiro não move um músculo para seguir com os mais velhos.

- Agradeço o convite, Sr. Vince, mas eu realmente preciso voltar. Foi muito bom passar esta hora na companhia dos senhores.

Janson mal me olha na cara e se afasta, levando com ele mais alguns homens. Me despeço das damas, uma a uma e acabo deixando Newt para o final, propositalmente.

- Você tem mesmo que ir? – ele parece decepcionado.

- Sim, mas isso não significa um adeus.

Estendo a minha mão para um breve aperto e nela acabo deixando rapidamente o bilhete escondido que escrevi a pouco. O loirinho pisca algumas vezes, confuso, mas disfarça e esconde o papel.

- Boa noite então, Tommy.

- Boa noite, Newtie.

Deixo mais um notório aceno de cabeça para as damas antes de me retirar por completo, seguindo o meu caminho. Mesmo assim ainda consigo ver o garoto curioso voltar para seu lugar, desesperado em ler o papel que lhe entreguei.

Uma pequena folha.

Nove palavras.

Apenas um pedido.

Basta saber se ele vai se arriscar em sorvê-lo.

Acho que fui bem claro.

 

“Faça valer a pena. Estarei perto do relógio.

Tommy”.


Notas Finais


Opa!
E ai, Newt? Vai fazer valer a pena?

bjinXX


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