História The Hopeful Collection - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bottom!hoseok, Bts, Vhope
Exibições 55
Palavras 12.732
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drabble, Drabs, Fantasia, Fluffy, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Essa é pra quem gosta da agonia, sofrência e fluffy extremo. #sóvai

Essa é minha vhope favorita respeito na corte

Leiam o original um dia, pois os feelings da obra em inglês causam DEPRESSÃO CARALHO QQ DELÍCIA PORRA
a vários termos q eu não consigo traduzir porque sou ruim então né :x Eu sinto que minha tradução é o filme que não conseguiu resgatar nem 25% da emoção do livro; sorry

Essa é uma das primeiras fanfics que eu quis traduzir quando pensei em montar esta coleção. Pra sempre no meu coração leaozinho <3

Capítulo 3 - I worship you. (VHOPE) by pizzaforpresident


 

I Worship you. — VHOPE by pizzaforpresident

 

O vento frio infiltrava meu espesso, macio casaco com facilidade, causando calafrios a correrem em minha pele como digitais geladas, fazendo-me arrepiar involuntariamente. Tinha minhas mãos enfiadas nos bolsos, meu lábio inferior capturado pelos meus dentes e, como todo dia, meus olhos estavam colados em uma figura alta enquanto esperava meu ônibus chegar.

Um carro passou bem no meio de uma grande poça, perigosamente perto da calçada, mas — ainda que meu jeans estivesse a apenas um centímetro de distância de ser encharcado pela água da chuva — eu mal notei. Tudo isso porque estava entretido demais pelo lindo garoto de cabelos castanhos a dois metros de mim.

Por Deus, como eu gostaria de chamá-lo de meu.

Não sabia seu endereço, como sua voz soava, qual sua comida favorita, seu gosto musical, seus hábitos estranhos, no entanto fofos, — Eu não sabia nada sobre ele, exceto que pegava esse ônibus em particular pra algum lugar quase todas as manhãs, que era lindo e que eu me apaixonei incondicionalmente por ele.

O que eu sabia que não era muito.

Mas em vez criar coragem e ir dizer verbalmente que gostaria de conhecê-lo — ou que o achava fascinante — o que eu fazia era só o encarar intensivamente, esperando, desejando, que ele mesmo captasse a dica e tomasse a iniciativa de começar uma conversa.

O que é algo que nunca aconteceu, e tenho um sentimento nas tripas que não aconteceria hoje também. Talvez nunca.

O jovem garoto estava sutilmente apoiando-se de um pé para o outro, escondendo metade de seu rosto por de trás de um cachecol e seu matinal cabelo bagunçado de baixo de um boné, tentando de algum jeito permanecer aquecido nesta temperatura ártica.

Seus dedos longos e finos estavam enrolados em volta de um copo que adivinhei ter café. E toda vez que ele puxava seu cachecol o bastante para poder tomar um gole da bebida quente — revelando seus lábios sedutores e a trilha rosa através de suas bochechas — eu sentia meu interior se derreter um pouquinho.

 

❄❅❄❅❄❅

 

No outro dia foi um dia de chuva. Estava frio, o céu preenchido por um véu de nuvens cinzentas e escuras, chuviscando. Pequenas, delicadas, transparentes gotas de chuva caiam e agarravam-se nas mechas do garoto como pequenos diamantes, o menino não cobriu a cabeça mesmo que estivesse vestindo um casaco longo de toca.

Não que me importasse, era de alguma maneira sexy: o jeito que ele remexia com os dedos em seu cabelo úmido, tentando impedir que sua franja grudasse em sua testa e cobrisse seus olhos.

Hoje suas chaves estavam fazendo um som cintilante na palma de sua mão toda vez que se movia e seu jeans era apertado, o que provavelmente era a razão de eu não conseguir parar de encarar sua bunda e seu quadril que balançou quando ele entrou no ônibus antes de mim.

Ele estava lindo naquele dia, não bonito sem esforço como a maioria dos dias, mas como se ele realmente tivesse tirado um tempo para acentuar sua beleza naquela manhã. E isto foi algo que eu adorei e odiei ao mesmo tempo.

Adorei porque ele estava sexy pra caralho e toda vez que o olhava sentia um formigamento dentro de mim, e que sabia que era pela falsa sombra de esperança que ele o fez por minha causa.

E então, doía por que: e se ele não colocou todo o esforço em sua aparência pra mim? Quem era o homem de sorte então? Seu namorado, provavelmente. Talvez até mesmo seu marido — ou ainda pior: sua esposa.

Mordi meu lábio e suspirei aliviado quando vi que não havia anel ou qualquer coisa do tipo em seus dedos.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Um dia depois daquilo ele estava lá antes de mim — o que era uma coisa que quase nunca acontecia e que quase fez meu coração parar por um momento — de pé na calçada sendo gracioso e fofo, bagunçando seu cabelo com sua mão esquerda antes de plantar um boné no topo das mechas.

Ele sorriu deslumbrante quando me viu e acenou em uma maneira de cumprimento, o que me fez fraco dos joelhos, meu coração faltando batidas e borboletas voando zonzas em meu estômago.

Por um segundo me esqueci de como respirar, como sorrir de volta, como falar, como andar, como qualquer coisa, e quando eu finalmente lembrei-me de como funcionar propriamente de novo... ele não estava mais olhando pra mim.

Em algum momento do dia — na aula de matemática — de repente me dei conta de que aquilo poderia ter sido a única vez que ele reconheceu minha existência. E talvez ele nem tenha reconhecido. Talvez ele tenha visto através de mim, talvez nem tenha ciência do fato de que eu existo.

Apaixonei-me por seus olhos, mas eles não me conheciam. E se um milagre não acontecesse não conseguia imaginar isto ocorrendo em breve também. E isto era algo que me matava. Me consumia, me deixava desesperado, à beira do choro.

De um jeito ou de outro consegui terminar meu dia. Participei de todas as minhas aulas, mesmo que elas fossem um porre — cada uma — e não tive ideia alguma do que foi dito nelas de qualquer maneira, porque mesmo que estivesse fisicamente lá, minha mente estava em outro lugar.

Contudo, quando cheguei em casa estava simplesmente quebrado, cansado de todos os meus pensamentos e triste das conclusões que tirei deles também. A verdade era a que ele não me conhecia e não tinha intenções de me conhecer, enquanto eu involuntariamente perdi a porra do meu coração para aquele — desconhecido, mas amável — garoto.

E Deus, bom, bom Deus, essa conclusão doeu. Mais do que provavelmente deveria. No final do dia eu me encontrava sentado no chão frio do meu apartamento, minhas costas contra a parede e minha cabeça apoiada nas mãos. Repetindo as palavras “por favor. Por favor me queira... por favor. Por favor, por favor, por favor. Me queira, me deseje. Por favor…” pra mim mesmo.

Lamentável.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Um dia depois eu estava uma porcaria ambulante. Meus olhos estavam inchados, estava com enxaqueca e provavelmente parecia que passei a noite em uma lata de lixo. Ou como um corpo que voltou a vida esta manhã depois de dez anos morto sendo comido por lavas. Não muito atrativo.

Ele, por outro lado estava perfeito como sempre. Não estava ali aquele dia — e talvez aquilo fosse uma coisa boa, por mais que eu tenha odiado, porque agora eu não o assustaria com minha aparência —, mas eu sabia que não precisava ver ele de verdade para saber que estava perfeito.

Depois de um longo dia minha cabeça doía ainda mais, provavelmente causada pelas minhas tentativas de encontrar um motivo. Por que ele não parecia me querer? Por que ele nem ao menos me olhava? Por que eu gasto tanto tempo gostando de um cara que não parecia me querer e nem ao menos me olhar?

A última questão foi a mais fácil de responder: porque eu estava apaixonado por ele, perdidamente apaixonado por ele — por quê? Ironicamente, não sabia.

As duas primeiras eram mais difíceis: ele não é heterossexual nem homofóbico — com jeans apertada e uma bunda daquelas? De jeito algum. Aquela bunda não é ‘hétero, quase grita ‘gay!’. Ainda mais que seria um desperdício — ele não é cego, ou uma figura de minha imaginação. Talvez ele sofresse de filofobia, ou já pertencia a outro alguém, irremediavelmente apaixonado por alguém que não era eu.

E novamente, talvez fosse o simples fato de que ele possuía zero interesses em mim. Que ele não está nem metade fascinado por mim do modo que estou por ele. Mas isto era algo que escolhi não acreditar já que é doloroso pra caralho.

Ele foi no que pensei durante o dia todo, o que pensei durante a noite toda e eu nunca tive o desejo de tocar, cheirar ou degustar de alguém como eu tenho dele.

Ele me fascinou de um modo que passei a gastar a maioria do meu tempo imaginando como seria estar com ele — o escutando falar, rir, até mesmo respirar — e isto me deixava maluco. Pode ser doentio, mas não consigo conter.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Depois de um final de semana ele estava de volta — atrasado, mas eventualmente ali — vestido inteiramente de preto: casual, no entanto intrigante e sedutor. O jovem garoto remexia seus dedos casualmente brincando com suas chaves deixando-me desejar que eu pudesse segurar suas mãos e brincar com seus longos e delicados dedos em vez disso.

Depois de dois dias não querendo mover um músculo — e não o fazendo — me sentia um pouco melhor. Parte de mim ainda queria correr de volta para meu apartamento, rastejar por debaixo das cobertas e me esconder na cama pra sempre. Gostaria de me afundar em auto-piedade um pouco mais, sentindo-me vazio, pois quem eu amava não me amava de volta e provavelmente nunca iria.

Mas havia outra parte de mim — que começava a crescer no segundo que meus olhos avistavam aquela figura encantadora — que secretamente nunca perdia a esperança. A parte que me faz sorrir pra ele, olhar pra ele, imaginar a porra de uma vida inteira com ele.

Para surpresa de ninguém esta parte foi a que ganhou.

 

❄❅❄❅❄❅

 

No dia seguinte ele estava apoiado na proteção de vidro do ponto de ônibus quando cheguei, o vento soprava gentilmente entre seus fios de cabelo. Estava vestindo um jeans destruído azul que lhe caia bem e uma jaqueta de couro marrom.

Suas bochechas estavam rosadas pelo ar gelado — o que pode ou não ser a coisa mais fofa que já vi em minha vida inteira — e seus lábios vermelhos estavam moldados em um sorriso bonito, que não desapareceu.

Seu copo de café se encontrava em suas mãos esta manhã e toda vez que ele tomava um golinho eu via seu pomo de adão subir e descer. O jeito que ele segurava em ambas as mãos, aproveitando o calor que o copo irradiava era adorável.

Hoje ele estava uma perfeita combinação de bonito, sexy e fofo e basicamente pedindo para ser admirado.

O que foi o que claramente fiz — sem pudor.

❄❅❄❅❄❅

 

No outro dia ele estava com uma calça jeans skinny preta, uma camisa xadrez preta e branca amarrada na cintura e a mesma jaqueta de couro do outro dia — jaqueta que decidi ser um dos meus itens favoritos. A peça lhe caia melhor do que qualquer outra pessoa que já vi vestindo.

Era oito da manhã, estava um pouco frio, e o céu estava cheio de chuva — mas ainda não estava chovendo — e ele estava cantarolando uma canção.

A piscadela que ele me mandou — aquilo sequer foi uma piscadela? Não era apenas minha imaginação? Ou um tic nervoso? — fez-me esquecer de ficar enciumado do que, ou quem, lhe fez tão feliz já cedo, e eu passei a manhã simplesmente aproveitando a melodia gentil com as borboletas em meu estômago.

O fiel companheiro copo de café estava em suas mãos e de tempo em tempo ele pausava a cantoria: quando trazia o objeto aos seus lábios. A argola da chave que conectava três delas estava ao redor de seu dedo do meio e se remexia dali, fazendo-a cintilar toda vez que ele mexia o pulso, como em uma orquestra.

Como qualquer outro dia não consegui tirar meus olhos dele, mas ele nem me olhava de relance — sequer uma vez, tirando aquela parte do rápido ‘isso-foi-uma-piscada’?

 

❄❅❄❅❄❅

 

Um dia depois disso foi o dia que ele perdeu suas chaves.

Pela manhã, nós esperamos o ônibus chegar: ele, sendo maravilhoso, eu, na média. Como todos os dias. O ônibus chegou, freou em nossa frente e abriu as portas para entrarmos. Entrei depois que o lindo garoto o fez, e saí antes dele — sua viagem era mais longa que a minha. Caminhei até a escola no frio, feliz de ser recebido com o calor do prédio.

Abri meu zíper da jaqueta e sem pensar subi as escadas até chegar à cafeteria. O menino do outro lado do balcão sorriu assim que me notou: Eu ia ali todo dia antes de ir pra minhas aulas e pedia o mesmo café de avelã.

 “O de sempre?” o menino perguntou com um sorriso nos lábios quando eu estava já próximo, respondi com um gentil aceno. “Sim por favor.”

Eu gostava dele, porque seus olhos me lembravam dos dele. Ambos cintilavam apesar do horário cedo inumano.

Ao longo do dia todo senti como se algo estivesse prestes a acontecer, embora não soubesse o que, ou quando, ou por quê. Eu apenas sentia.

E provavelmente, justo por causa deste sentimento resolvi ir pra casa mais cedo. Minha última aula foi cancelada — por um professor doente, não ligo — e o na outra aula a professora era nova então ela ainda não saberia quem realmente deveria estar em sala, com certeza não sentiria minha falta.

Rapidamente eu caminhei até o ponto de ônibus da escola e consegui chegar justo a tempo de pegá-lo — chame de boa sorte. Cumprimentei feliz o motorista que retribuiu. Satisfeito, eu andei pelo veículo e escolhi um bando pelo meio, para desabar silenciosamente ali e aproveitar o sol aquecedor do inverno em meu rosto através da janela.

Só pra ter meu coração na porra de meus pés quando fiz contato ocular com certo alguém. Justo quando pensei que meu dia não poderia ficar melhor... ou pior — não tenho certeza — mas por deus.

Senti algo que parecia centenas de volts eletrocutando através de meu corpo inteiro, em um bom sentindo, quando nossos olhares se cruzaram, e meu estômago preencheu-se com milhares de borboletas quando um sorriso preencheu aqueles lindos lábios. 

Oh, como eu queria tomar aqueles lábios com meus próprios...

Eu poderia ter percebido que ele estava ali, se eu tivesse prestado atenção no inconfundível cintilar causado pelas três chaves de metal — as chaves dele.

Ele olhou pra mim por alguns segundos — que pareciam minutos, horas até — seus dedos brincando com as prestes-a-serem-perdidas chaves, seus lábios curvados e meu coração batendo tão alto que eu tinha certeza que ele poderia escutar.

Tudo isso, só para me deixar sem ar quando ele tirou seus olhos de mim para procurar o botão de pare, que ele logo achou apertando com um de seus pecaminosos dedos.

Onde o tempo parecia ser suas vezes mais devagar agora estava duas vezes mais rápido, e em segundos ele saiu. Suspirei, não esperava vê-lo aqui, apesar de secretamente procurar seu rosto em qualquer lugar que fosse, e tive de admitir que eu gostei — melhor dizendo: amei.

Estava tão viciado na ideia de ele e eu estarmos juntos futuramente que toda vez que eu o via parecia que estava chapado. Era quase como uma dose para um alcoólico, um cigarro para um fumante, uma pílula para um drogado. Apesar de não saber exatamente como qualquer dessas coisas funcionem, imagino que seja efeitos similares: sangue que começa a correr entre minhas veias em uma rapidez inumana, o coração que cria vício e bate como louco com os níveis de endorfina em meu sistema. Minha boca esquece como tomar oxigênio — porque eles estão esfomeados demais pelos lábios dele —, meus olhos dilatados e o sentimento de estar voando.

Estava prestes a escorar minha cabeça no vidro, intoxicado com amor, quando percebi que alguma coisa estava errada. Ele não estava acompanhado daquele cintilar quando saiu do ônibus.

Franzi a sobrancelha, deixando meus olhos irem até o acento onde o lindo garoto estava sentado e imediatamente vi o objeto de metal que não deveria estar ali reluzindo com os fracos raios de sol. Merda. O negócio deve ter escorregado dos seus — perfeitos, fantasiosamente excitantes — dedos. Merda.

Sem dar ao meu cérebro um segundo pra pensar me levantei, literalmente afundando um dos botões de pare do ônibus com a falsa esperança do motorista quebrar os freios imediatamente e agarrei as chaves do chão. O motorista não — é claro — parou abruptamente pra mim para que eu pudesse devolver as chaves para o garoto que desesperadamente caí de amores — ele não sabia disso de qualquer jeito — então acabei na frente das portas, impaciente.

O motorista parou o ônibus uns três minutos depois, como ele faria normalmente no próximo ponto, saí do veículo, começando a meio-que-correr, meio-que-andar-rápido — a cena deveria estar seriamente idiota — de volta, nem sequer questionando se isso deveria ser uma ideia ridícula. Achei que esses três minutos de diferença do meu ponto — para o dele — não seria tão longe um do outro, e que eu seria capaz de alcançar o garoto se andasse rápido o suficiente. E então eu acelerei só mais um pouco para onde esperava que acharia o menino que viveria em meu coração se não fosse o fato de ele já ter o roubado.

Por sorte a parada de ônibus que estava procurando era quase duas ruas longe, logo em um canto. E felizmente pra mim o garoto estava ali parado, suas mãos enfiadas nos bolsos, provavelmente procurando pelas chaves que estavam comigo.

Andei devagar conforme me aproximava dele, notei que estava fazendo bico e que seus olhos estavam grandes — e hipnotizantes como sempre. Ele provavelmente já descobrira o sumiço das chaves. Fofo, pensei, muito fofo.

 “Oi” Eu disse, mentalmente me martirizando por não conseguir falar mais alto que um sussurro — o que ele faz comigo, é puramente insano.

 “Hey” O garoto respondeu, ainda que não estivesse prestando atenção em mim. Então fiquei em silencio por um tempo, tentando achar palavras — e também minha voz normal — enquanto o adorável garoto prendeu seu lábio inferior entre os dentes, roubando o ar de meus pulmões.

 “Você perdeu isto?” Subitamente indaguei deixando as três chaves cintilares como ele sempre fazia, a argola entre meu polegar e dedo indicador.

 “O que?” Ele perguntou, levantando o rosto com olhos curiosos que começaram a brilhar em alívio quando viu suas chaves, “Oh, você é incrível, sim! Obrigado!” Eu acenei, incapaz de parar de sorrir como um idiota, sentindo-me encantado quando sua mão brevemente tocou a minha quando lhe dei as chaves. Seus — deslumbrantes — pares de mãos finas eram surpreendentemente macias e quentes contra minha mão fria.

 “Eu sempre perco tudo, realmente está começando a ficar irritante, de verdade.” O moreno me contou, coçando atrás de sua cabeça timidamente — adoravelmente. “Eu acho que deveria prestar mais atenção nas minhas coisas... Você sabia que uma pessoa em média perde duzentos mil itens na vida? Cerca de nove itens ao dia! Comigo isso deve ser duas vezes mais.”

Eu ri um pouco — pois não conseguiria fazer nada, além disso — enquanto seus lábios se curvaram em um sorriso. Deus amado, eu nunca estive tão perto dele, nunca o escutei falar, é como seu eu sentisse cada fibra no meu corpo em chamas agora.

Encontrava-me um pouco — ou mais do que só ‘um pouco’ — atordoado pela sua aparência, igualmente pela sua voz, como se esta fosse a primeira vez que o vi. O garoto tinha a pele morena, seu físico bem construído e era provável que fosse um tanto mais alto que eu. Ele falava com um sotaque discreto, em que eu me apaixonei no segundo que disse “hey”, e eu nunca vi ninguém que ousasse tanto no cabelo-bagunçado quanto ele.

 “Onde achou elas? Eu deveria procurar lá na próxima vez que as perder,” ele perguntou com sua voz altiva e atrativa, mostrando outro sorriso e deixando as chaves cintilarem.

 “Você, hmm, deixou no ônibus,” Lhe respondi um pouco incerto, “Eu vi logo que você saiu, eu pensei... bem eu só pensei que eu deveria te devolver. Então...”

Esperando que não tivesse soado muito como um stalker bizarro, comecei a mastigar meus lábios, olhei para seu rosto antes do garoto exclamar um “Oh, Jesus, obrigado!” Enquanto piscava adoravelmente. “Eu realmente agradeço. É. Você definitivamente salvou meu dia.”

 “Sem problemas,” Sorri pra ele. Pra qualquer pessoa eu teria comentado algo provocativo e debochado, mas com ele meu cérebro se torna uma bagunça, incapaz de funcionar propriamente, muito menos pensar em algo atrevido e afiado pra falar.

Encarei o chão depois disso, e ficamos de frente a frente por um tempo. Ele olhando pra mim — conseguia sentir seus olhos me encarando — e eu envergonhado observando os granitos cinza da calçada como se aquilo fosse a coisa mais fascinante que já vi na minha vida inteira, até que ele voltou a falar e disse-me que tinha que ir.

 “Não! Eu não quero que você vá embora,” gritou minha mente.

 “Eu não quero que você vá, fique aqui, comigo,”.

 “Você poderia, por favor, ficar e segurar minha mão,” gritou minha mente, implorando.

Mas ele não ficou e quase não conseguiu dizer um fraco “tchau” em reposta. Ele fazia coisas comigo, coisas que eu não conseguia explicar, puta merda. E tais coisas me impediram de me mover até que ele fosse embora.

Palavras não poderiam descrever como ele me afeta pra caralho só sendo ele mesmo. Apenas sendo. Era ele, sempre ele. Droga. Se pudessem transformar humanos em deuses, ele seria o meu. Sem dúvidas. Acidentalmente, no entanto, tremendamente me apaixonei por ele, e bom deus, era uma tragédia.

É uma horrível, linda tragédia.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Aquela tarde me encontrava na pequena varanda do meu apartamento, com minha pequena colher de prata mexendo meu café, arrependido de ter colocado muito leite. Eu amava café com bastante leite, mas porra, estava muito cremoso agora pra lembrar dos olhos castanhos daquele menino adorável — e também não havia aquele brilho fofo — e eu descobri que o amava mais.

Ainda sentia onde suas mãos haviam me tocado, ainda escutava o que ele disse, eu ainda via o sorriso brilhante em seus lábios tentadores.

Há quem consiga passar minutos, horas, dias, semanas ou até mesmo meses reanalisando alguma situação: imaginando o que poderia acontecer e o que realmente aconteceu. E isso era exatamente o que eu estava fazendo o dia todo, tirando o fato de que sabia que aquilo era algo completamente inútil.

Queria o amor que todos sonham; o amor que todos invejam, mas não amor por amor. Eu simplesmente queria por causa dele, eu queria com ele. Eu anseio, como um homem faminto necessita de comida.

E enquanto bebia o café quente e delicioso e encarava a noite escura e nublada, tudo que pensava era em como seus lábios seriam igualmente quentes, igualmente doces.

Eles certamente pareciam.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Pela manhã — depois de uma noite preenchida de sonhos sobre ninguém mais que aquele perfeito garoto — Forcei-me a tomar meu rumo no frio, enrolado em meu casaco fofinho e meu cachecol de malha, pensando “Infernos, se o ônibus se atrasar congelarei até a morte.”

Eu lentamente, preguiçosamente, cheguei lá, passo á passo — estava cedo — mentalmente xingando todas as manhãs por vir. Até que eu de repente ouvi uma voz animada me cumprimentando atrás de mim. Então passei a elogiar as manhãs e até mesmo desejei que esta nunca tivessem fim, pois soube imediatamente cuja boca as palavras “Olá, bom dia!” vieram.

Apesar do frio intenso, senti calor espalhar por todo meu corpo no som daquela voz — daquele sotaque — na hora. Aquela voz clara e lírica, doce como açúcar e macia como manteiga, sentia nos meus dedos, sentia em meus pés: calor e formigamentos tomaram conta de cada molécula do meu corpo.

Eu virei nos calcanhares, rápido demais, abobado, e de fato encontrei os olhos do jovem garoto, dono da voz. Eles estavam brilhando, como sempre, tinham este fofo cintilar e eram tão grandes e claros que poderia me perder neles — e acho que me perdi. “Uhh, oi,” Cumprimentei de volta, rapidamente, limpei minha garganta e tentei de volta: “oi,” um pouco mais alto desta vez.

Um sorriso abriu-se nos lábios do menino e eu sabia que minhas bochechas estavam no mesmo tom de rosa que as dele, a única diferença marcante era o fato de ele estar simplesmente com frio e eu, por outro lado, estava naquele estado, pois, bem, estava me fazendo de bobo — de novo.

Era vergonhoso, ele provavelmente pensou que eu poderia ter problemas sérios, mas não consegui evitar. Ele roubou o ar de meus pulmões e as palavras na minha língua. Ele tornava meu cérebro em algo que lembrava uma abóbora, uma massa que não funciona, inútil e incapaz de exercer sua função.

 “Eu espero que não te incomode? Eu só te reconheci. Obrigado novamente, falando nisso,” ele disse, enquanto andávamos os últimos metros para nosso ponto de ônibus compartilhado, obviamente se referindo as suas chaves e eu apenas acenei com a cabeça. Não podia pensar em algo pra dizer —tive de focar meu cérebro a andar direito ao lado dele, porque deus que me livre se tropeço e pareço ser um otário de marca maior.

 “Está frio, não é? Embora os dias mais frios sejam menos dezessete graus negativos e mal chegamos ao menos cinco agora. É o vento que deixa frio. Antigamente, o frio fazia os encanamentos congelarem e explodirem. Deve ter sido uma bagunça.”

Novamente, eu não sabia o que falar ou fazer, impressionado por ele saber tanta coisa, encantado por sua voz e longe de estar confortável ao mesmo tempo.

 “Aposto que vários bebês foram feitos naquele dia. Quero dizer, se o encanamento quebra, não há aquecimento. É um jeito perfeito de se manter aquecido — especialmente se é bom. Sem banheiros e muito sexo, deve ter sido indecente, você não acha?” Ele concluiu, e eu tentei de verdade segurar meu queixo de cair na calçada, e talvez mais baixo ainda: nas rochas do centro da terra.

Passei muito tempo tendo diálogos imaginários com este garoto, mas Cristo, nem em um milhão de anos pensaria que ele casualmente estaria mencionando trepar enquanto fala sobre o tempo. Pai amado.

 “É” significando relações sexuais, “um jeito perfeito de se manter aquecido — especialmente se é bom,” “é” novamente se referindo a transar. Mas não um sexo habitual, sexo bom. A sentença ressonou na minha mente e bom Deus, se antes tive de tentar manter minha mandíbula fechada, agora tinha de me esforçar — tipo me esforçar mesmo — pra não ficar duro — muito duro mesmo.

Mordendo forte meu lábio inferior, tentei agir normalmente e afastar várias imagens dele abaixo de mim, nu. Suas longas pernas enroladas na minha cintura. Suas unhas arranhando minhas costas. Seus dentes abusando de meu pescoço. Uma língua avermelhada trilhando seus lábios. Expressões pecaminosas. Muita pele, pele, pele. Choramingos implorando por mais, mais forte. E gemidos; Sensuais, pedintes gemidos…

 

❄❅❄❅❄❅

 

Não soube como, mas apesar de tudo consegui pegar o ônibus sem parecer um idiota com um problema de coordenação motora depois daquela pequena — surpreendente — conversa. Dei um jeito de não pirar totalmente quando a questão “eu deveria sentar ao seu lado agora?” pipocou em minha mente — eu sou muito covarde pra fazer isso de qualquer jeito. Fui capaz de chegar à escola sem dançar o caminho todo — ok, talvez só um tantinho. E consegui sobreviver ao longo do dia, apesar de não conseguir me concentrar em nenhuma das minhas aulas porque meu cérebro estava cheio dele. Ele, ele, ele.

E talvez um pouquinho de sexo.

Com ele, claro. Então principalmente só nele.

Fato é, meu cérebro estava tão cheio dele, que quando o vi novamente naquela tarde, tinha certeza que era apenas minha imaginação se tornando real. Mas não era. Era ele e ele é real e ele é fofo e meu Deus, ele é a perfeição personificada.

Era mais ou menos cinco e meia, na minha volta pra casa e ele estava exatamente no mesmo banco do ônibus como da ultima vez, brincando com suas chaves. Quase me afoguei em seus grandes olhos quando me localizaram e tornaram-se em pequenas crescentes porque ele sorriu pra mim. Porra, pensei que apenas era possível borboletas no estômago, estava errado, porque eu juro que senti elas em todo lugar.

Como ontem ele desceu do ônibus antes de mim, e como ontem, ele esqueceu suas chaves — mas desta vez notei a tempo. Levantei, corri pra pegá-la, agarrei o item do bando onde ele deixou e saí do veículo bem a tempo antes que as portas se fechassem.

E lá estava ele, encarando-me quando pulei pra fora, provavelmente já percebendo seu erro antes mesmo de estender as três chaves e balançá-las sutilmente, assegurando que não precisava se preocupar com elas.

 “Você é realmente incrível!” O garoto imediatamente exclamou, “Não posso acreditar que eu as deixei lá de novo, isso é tão vergonhoso. Obrigado!”

 “Sem problemas,” Eu respondi — de novo.

Sorriu, encarei seus grandes olhos castanhos — deuses, as estrelas, lua, o céu e além é maçante em comparação a eles — imagino por segundos o que aconteceria se eu apenas me inclinasse.

Se me inclinasse e o beijasse…

Afastei os pensamentos quase imediatamente, achando que ele ficaria com nojo, ou chocado, no mínimo. Seria completamente estranho: beijar alguém que é praticamente um estranho no meio da rua. Ele poderia gritar, me empurrar pra longe e me xingar. Ele desaprovaria ou pior: choraria. Poderia me estapear, correria pra longe, talvez até chamasse a polícia. Não, nada de bom sairia disso. Estava cem por cento certo disso.

Bem, talvez noventa e nove por cento… porque havia aquela miúda voz no fundo de minha mente sussurrando “mas e se ele te correspondesse e beijasse de volta?”

Pra surpresa de ninguém — ao menos pra mim não — essa questão não foi respondida, porque eu não me inclinei, quem dera pressionar seus lábios contra os meus. Em vez disso o escutei me contar que as chaves são o terceiro item mais perdido, logo depois de meias e anéis de casamento. “Graças a deus não estou casado,” ele sorriu — concordei mentalmente — e depois disso o vi ir embora.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Os dias que se seguiram foram iguais. Pela manhã eu o encarava, admirando sua beleza — alguns dias escutando o que ele tinha a dizer, alguns dias não — até que o ônibus chegasse. Então, na volta pra casa, eu o via de novo. Sempre no mesmo lugar, sorrindo adoravelmente.

E toda vez ele esquecia algo. Sem exceção.

Depois de suas chaves, a segunda vez, ele esqueceu seu copo portável. Depois suas chaves, chaves de novo, e até mesmo sua jaqueta de couro — que ele tirou sei lá Deus por qual razão — apesar de querer manter por um dia porque o cheiro era delicioso, acabei por devolver. No outro dia ele esqueceu as chaves — pela nona vez — e depois seu copo novamente, um livro, um mini guarda chuva e depois um par de luvas. Pelo amor de deus, ele com certeza não havia mentido quando falou que perdia suas coisas...

Então eu ficava de olho nele por duas razões agora: uma, porque o achava simplesmente irresistível, e dois, porque não queria que ele fosse assaltado — ou estuprado — por algum maníaco que achou suas chaves em um lugar onde não deveria estar, resultando em alguém arrombando seu apartamento. Oh deus não.

Em todos esses dias ele falou muitos “obrigado!” e me disse que seu nome era Hoseok — “Hoseok, Hoseok, Hoseok, Hoseok, Hoseok, Hoseok,”  Provavelmente repeti esse nome um bilhão de vezes naquele dia, só pra ver como soava na minha língua — e contou-me que pessoas conseguem reconhecer sorrisos a trezentos metros de distância, fazendo desta expressão a mais reconhecível, que se todas as pessoas no mundo lavassem as mãos direito, poderíamos salvar um milhão de vidas por ano, que o rei Francisco da França tinha o quadro Mona Lisa como decoração de banheiro depois da morte de Leonardo Davinci — “aquela pobre mulher pintada deve ter o visto se masturbando várias vezes” —, que o primeiro produto a ter código de barras foi o chiclete Wrigleys, e muitas outras coisas que me pergunto como ele sabe.

E pra mim, em todos esses dias eu dominei a arte em desejá-lo.

Cheguei a tal ponto que eu o ansiava tanto que chegava a doer. Era um tanto estranho porque com ele não era nem o caso de sexo. Eu não sonhava com nós dois trepando durante a noite, eu sonhava que eu o levava a encontros, o fazia soltar risadinhas e corar. Nunca senti isso antes e Deus sabe o que eu deveria fazer sobre isso.

Tudo que sei é que eu mataria pra ser seu namorado.

Gostaria de estar tão perto dele que poderia sentir seu coração bater. Queria ouvi-lo falar, contar histórias, sobre qualquer coisa. Era sobre como eu queria me aconchegar nele, segurá-lo, apenas dividir calor. Era sobre querer ser capaz de beijá-lo, pressionar meus lábios em sua testa a hora que desejasse. Queria estar em sua presença, estar ao seu arredor. Eu queria mais do que apenas olhá-lo, e ter pequenas, fofas conversas em que ele me fala alguns fatos aleatórios com aquela voz embriagante. Eu queria mais do que apenas lhe devolver as chaves, queria mais do que um simples tocar de mãos. Eu queria mais, queria tanto, tanto. Mas nunca tinha mais.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Quinta-feira de manhã estava chovendo, as nuvens resolveram soltar as gotas, pois estavam simplesmente muito pesadas para carregá-las. Grandes pingos caiam na terra e se desmanchavam em azulejos, carros, árvores, asfalto, gramas, guarda-chuvas, pessoas emburradas, e tudo mais, encharcando tudo no caminho.

Eu estava escondido por de baixo de minha toca em uma tentativa de me manter seco, mas não estava realmente funcionando.

Hoseok não estava ali naquela manhã, e eu não gostei, porque adoraria ouvi-lo comentar sobre o tamanho e peso das gotas de chuva, ou algo assim. Mas de novo: não poderia culpá-lo, se eu fosse ele teria ficado em casa também.

Queria poder simplesmente ligar pra ele, ou ir até sua casa, ou escrever uma carta até. Não sabia o que a gente era. Não éramos amigos, não nos conhecíamos de verdade pra isso, mas não éramos exatamente desconhecidos também.

Ou talvez fossemos. Estranhos que de vez em quando e acidentalmente se encontravam diariamente, onde um tinha um monólogo curto e o outro funcionasse como um Achados e Perdidos ambulante. Talvez eu fosse muito sem graça, normal e tedioso para a deslumbrante, espantosa, fascinante pessoa que ele era — como se ele fosse a lua e eu apenas uma das milhões de estrelas distantes — e talvez pessoas que não se colidem. Talvez só passem ao lado da outra de vez em quando. Talvez pessoas assim não fossem feitas para permanecerem juntas.

Mas eu queria. Queria muito mesmo. Eu prefiro arrancar meu coração do meu peito do que escutá-lo chamar outro alguém de ‘meu’ com aquele sorriso maravilhoso. E talvez, só talvez, mesmo que duas pessoas não sejam feitas pra ficarem juntas, elas ainda se encaixam perfeitamente. Chantilly não foi feito para o chocolate quente, mas estas duas coisas ficam muito bem juntas.

Um suspiro fugiu de meus lábios e parecia que eu havia nadado com meu jeans, mas eu mal notei isso. Estava muito ocupado pensando em como há milhões de anos, bilhões de pessoas, infinitos números de vida; e eu o conheci. Não sabia se poderia chamar de destino — porra, nem ao menos sabia se eu acreditava em tal coisa — mas havia acontecido.

Chame de maior acidente de sorte que já me deparei.

Tinha ciência, plena certeza, que em milhões de vidas, e centenas de mundos, em qualquer versão da realidade: eu o desejaria como nunca, do mesmo jeito.

Quando o ônibus finalmente chegou e eu entrei meus pensamentos apenas me deixaram confuso. Estava piorando ao passar do dia: Eu estava tão obcecado com o adorável garoto e tudo que ele é, que era tudo em que eu pensava, e que não chegaria a lugar nenhum com estes pensamentos. Meus sentimentos por Hoseok me levavam por horas, horas e horas, só pra me abandonar exatamente onde comecei incapacitado de saber o que tenho que fazer.

Tudo que sabia era que meus pensamentos não poderiam correr livres sequer um segundo sem colidir com um pedaço dele. Seu sorriso. Seus olhos achocolatados. A maneira como seus dedos passavam por seu cabelo. Seu aroma — doce, como baunilha. Sua voz. Suas longas pernas. O jeito como se vestia. Suas mãos. Seu tudo, na verdade.

Isso, somando que eu estava apaixonado por ele. Esta era a única coisa que eu tinha completa certeza: estava apaixonado, profundamente, incondicionalmente, e com todo o meu coração por aquele garoto.

Antes, pensava que não faltava nada em minha vida, mas agora… era como se algo faltasse desde o começo, um certo pedaço que iria completar, que eu necessitava para estar inteiro — como a última peça do quebra-cabeça. E Hoseok era esta peça.

 

❄❅❄❅❄❅

 

As horas passaram devagar naquele dia, e suspiros incontáveis saíram de meus lábios. O tédio era quase palpável — até estava com medo de ser esmagado por ele — e todo segundo foi gasto pensando em Hoseok ou desejando que parasse de chover.

O que não aconteceu, é claro.

Meu dia acabou cinco horas da tarde, e até aí estava chovendo mais forte do que pela manhã, e a única coisa boa disso — que eu podia pensar pelo menos — é que meu jeans não havia secado totalmente ainda, por isso não precisava me preocupar com o banho que iria levar. O que nem era bom no caso.

De qualquer modo fui até o ponto de ônibus mais próximo sem usar minha touca — se você irá aparecer como um gato molhado, melhor fazer direito, certo? — e visto que era impossível evitar as poças d’água, andei direto por elas.

Pra deixar tudo pior ainda, eu vi as luzes do ônibus já chegando antes de eu alcançar o ponto, a coisa iria só passar por mim, me deixando na chuva por outra meia hora. Ótimo, apenas ótimo. Comecei a correr, esperando que o motorista não pensasse que eu era um retardado tentando se exercitar.

Mas não fui rápido o suficiente, ou estava longe demais, pois era claro que eu não conseguiria chegar ao ponto a tempo. Então eu desacelerei, deixando uma sequência de xingamentos escaparem de meus lábios, grunhi frustrado.

Estava xingando o mundo, pois estava chovendo, os ônibus não parariam pra mim, e as aulas estavam extremamente entediantes e Hoseok não me beijaria até meu mau humor passar e Hoseok não estaria lá pra tomar banho comigo pra me livrar de meus músculos gelados e o fato de que Hoseok não dormiria ao meu lado, e o fato de que eu não veria Hoseok hoje, e Deus, me irritava as poças imensas e o que mais, até eu ver que o ônibus parou.

 “Deus abençoe! Deêm a este motorista de ônibus um bolo. E uma gorjeta. Prêmio melhor-cara-do-ano,” foi tudo o que pensei enquanto subia rapidamente — antes que o motorista desista e volte a dirigir sem mim.

 “O tempo realmente está ruim, não é, filho?” O motorista riu do meu estado assim que pisei pra dentro do veículo.

 “Sim, realmente,” Concordei com ele, meio que querendo sacudir toda a água do meu corpo como um cachorro, “obrigado por ter esperado, senhor.”

 “Não me agradeça, agradeça ao bom jovem ali.”

Sem pensar muito sobre suas palavras, pensando que era apenas uma piada de motoristas de ônibus que não compreendi, lhe sorri e caminhei mais ao fundo no veículo, encharcado. Precisei sentar nas últimas cadeiras porque de repente meus joelhos pareciam gelatina, por Deus, o “bom jovem” que o senhor falava era ninguém mais que Hoseok. E ele estava lindo e gracioso e ele era magnífico e a única pessoa no ônibus, além de mim, do motorista, e um gangster mal encarado escutando música lá no final, que não tinha cara de ajudar ninguém.

 “Olá!” Ele disse, suave e gentil, sua mão gesticulando ao assento ao seu lado, onde eu hesitantemente me sentei, dizendo “oi” também.

 “Eu te vi andando na rua, então pedi pro motorista esperar. Por que não está vestindo sua touca? Você pegará um resfriado!” Não tinha certeza se ele realmente estava preocupado com minha saúde ou só não queria perder seu garoto Achados e Perdidos pra doença, mas deixei quieto no momento em que ele estendeu sua mão e retirou uma mecha de cabelo da minha face. Fofo. Fofo pra caralho. Por favor, só me deixe te beijar. “Como você vai? Parece cansado.”

 “Foi um.. bem, um longo dia. Eu acho…” Gaguejei. Deus, porque eu não conseguia funcionar como uma pessoa normal com ele, isso estava ficando ridículo, e isto não o faria se apaixonar por mim com certeza.

 “Oh! Bem, então garanta uma boa noite de sono. Você sabia, falando nisso, que nosso relógio biológico funciona melhor em um dia em Marte do que um dia na Terra? É verdade! Humanos tem um ritmo circadiano inato de vinte e cinco horas, o que é equivalente a um dia em Marte. É porque é mais longe do sol.”

Eu não sabia. Nada disso.

Nós conversamos um pouco — ou melhor dizendo, ele falou, e eu apenas escutei e acenei de vez em quando — até que chegamos a sua parada. Cedo demais, não tive a chance de impressioná-lo, porra, eu não tive a chance nem de perguntar como foi o dia dele. Não, isso não é completamente verdade, tive várias chances, mas toda vez que tentava perguntar alguma coisa eu magicamente me transformava em um peixe de aquário, abrindo e fechando a boca. Ridículo e vergonhoso.

 “Então, tchau! Acho que te vejo amanhã ou coisa assim.” Hoseok sorriu antes de se levantar e sair. E eu queria me estapear por não conseguir sequer lhe desejar uma boa noite ou coisa parecida. Não conseguia achar as palavras. Puta merda.

Recostei no banco, deixando minha cabeça cair pra trás assim encarando o teto e cravando as unhas no material do banco, bufei. Por que diabos a única vez que pareço perder minha voz, é com Hoseok? A única pessoa no mundo inteiro que eu quero muito, muito que goste de mim? Eu meio que me odiei.

E odiei-me mais ainda quando senti de repente a superfície de algo metálico sob meus dedos. Deus, como eu me odeio. Segurei esse item tantas vezes na semana passada, que nem precisava olhar pra saber o que era. As chaves de Hoseok.

 “Senhor! Senhor, por favor! Você poderia me deixar sair? O garoto que acabou de descer deixou suas chaves aqui. Tenho que devolver! Senhor, por favor...” Apesar de saber ser uma ideia estúpida, perguntei mesmo assim.

O homem me encarou do volante, balançando a cabeça, repentinamente freando, “Rápido, filho!” Ele gritou e abriu a porta. Mentalmente fiz uma nota pra mim mesmo: descobrir se há algum troféu de prêmio-melhor-cara-do-ano, e então ter certeza que este homem ganhe.

 “Obrigado senhor, obrigado!” Eu gritei de volta, pulando do ônibus e correndo pra onde esperava que Hoseok ainda estivesse.

Onde Hoseok ainda estava.

 “Hoseok!”

O moreno virou imediatamente, um sorriso preenchendo a face linda e fofa dele, seus dedos livrando-se de algumas mechas de cabelo na frente de seus olhos empurrando-as. “Taehyung?”

 “Eu, hmm, eu tenho suas… chaves,” Eu disse-lhe, devolvendo, encarando seus olhos. E afogando-me neles, aliás. Grandes, castanhos olhos, escuros como chocolate puro, brilhantes como ouro.

 “Oh… Sim, obrigado. De novo. Você é ótimo, obrigado,” ele respondeu, quase analisando meu rosto gelado com seus incríveis olhos. Senti meu ar parar abruptamente na garganta enquanto mastigava meu lábio inferior nervosamente.

 “Sabe Taehyung…” Inesperadamente começou, antes que eu pudesse responder com meu usual “Sem problemas” ou, se eu estivesse me sentindo corajoso “Não é nada, de verdade!”

 “Sabe, eu não consigo te entender. Ou você é muito gentil e educado, ou você está interessado em mim,” disse, terno, vagaroso. Enquanto eu senti minhas palmas suarem, pingos de chuva escorreram pelas têmporas e bochechas de Hoseok, molhando seu cabelo e ensopando ambos.

E Cristo, eu literalmente senti meu coração esmurrar meu peito enquanto ele estudava minha cara com seus olhos brilhantes.

 “Quero dizer: quem em sã consciência se encharcaria na chuva só pra ser educado?” Continuou, por Deus, as palavras que dizia pareciam escorrer de seus lábios como mel, porra, sua voz deve ser meu som favorito no mundo, “Pode ser que, talvez, você simplesmente goste de chuva. É possível, sabia? É chamado pluviofilia. Não tão comum, sinceramente.”

Eu apenas pisquei, sentindo em como calor foi reunindo em meu corpo, desesperadamente pensando no que eu deveria dizer, ou fazer. Ou se até mesmo deveria falar ou fazer algo. Eu não sabia onde ele queria chegar com isso —não tinha a mínima ideia — a única coisa que sabia era que meu coração estava acelerando rápido e mais rápido dentro de minha caixa torácica com cada segundo contado.

 “Como eu disse: eu não consigo te entender,” Hoseok então concluiu depois de uma pequena pausa, penteando seus dedos através de seu cabelo molhado — poderia alguém ser mais fofo? Ou sexy? 

O garoto encarou meus olhos por alguns segundos e suspirou. “Então...” ele disse, ainda me olhando, “Eu vou me arriscar a fazer isso e descobrir uma resposta.”

E então, antes que sequer pudesse raciocinar o que exatamente ele quis dizer com “isso”, suas mãos agarraram meu casaco, me puxando pra perto e senti um par de lábios macios beijando os meus — forte. Deuses, senti que estava prestes a entrar em colapso.

O ato surpreendente quase me rendeu um rangido irrompendo de minha garganta roubando-me a habilidade de respirar normalmente. Por um longo e doloroso segundo fiquei ali, congelado, incerto do que estava acontecendo apesar de ter a plena consciência dos seus lábios quentes contra os meus.

Passei muitas — muitas — horas pensando em como seria beijá-lo, mas ter esta fantasia tornada em realidade, experimentando como é a sensação do garoto me beijando era uma história totalmente diferente. A sensação é esmagadora, intensa demais.

Contudo, apesar minha falta de entusiasmo, Hoseok continuava persuadindo-me a retribuir o beijo passando uma língua hábil em meu lábio inferior e mordidinhas gentis no canto de minha boca enquanto gotas de chuva continuavam a cair em ambos.

Mesmo assim, permaneci parado até que ele ansiosamente, de um jeito brusco mordeu meu lábio enquanto meus olhos finalmente fecharam-se e um arquejo escapou de mim, dando ao garoto a oportunidade de invadir meus lábios com a língua pra encontrar-se com a minha com facilidade. Senti como ele parou um segundo para sorrir quando eu finalmente cedi, respondendo desacreditado a sua tentadora e desafiadora língua.

Oh Deus, não conseguia processar o que estava acontecendo — não conseguia — mas era bom. Muito bom. Mandava intermináveis arrepios por minha espinha e bom Deus, o quão bom era. Era maravilhoso, perfeito. Parecia certo. Não queria mais parar.

Línguas dançavam nas bocas de um e outro, brincando por dominância, e eu me perdi inteiro naquele beijo. Hoseok quase não me deixava respirar, ele beijava com vontade, com fome até, mas eu não ligava. Ele era a única coisa que eu sabia, ele substituía o sangue que corria nas minhas veias, o oxigênio em meus pulmões, o cal dos meus ossos e se esta fosse a última coisa que eu fizesse, que fosse.

Quando ele se afastou, se distanciando de mim minimamente, imediatamente senti falta da macia, delicada pressão de seus lábios contra os meus. Literalmente senti a falta formigando em meus lábios e sem pensar, sem nem saber o que diabos estava fazendo me inclinei para capturá-los, só mais uma vez. Eu queria ser levado ao paraíso só mais uma vez.

E eu o beijei. Deus amado, não estava nem ciente do que fiz, mas fiz. Recostei-me e lhe beijei, sem pensar. Beijei devagar, não havia nenhum lugar que preferia estar senão ali naquele momento. O beijei como se fosse o primeiro e único pedaço de chocolate que teria. Beijei-o até ouvir um suave gemido escapar de sua boca, e até depois disso. Eu beijei como se ele fosse ar e eu não pudesse respirar. O beijei como se nada valesse a pena nesse mundo além dele. Eu o beijei. Finalmente.

Brincando com sua língua, sentindo seus lábios, sentindo seu gosto — deus amado, ele é tão doce — estava imitando seus movimentos inconscientemente, mas não ousando mover um músculo enquanto suas mãos foram até minha bochechas.

Não existia tempo, chuva, tráfego, frio. Era apenas ele. Ele e meus lábios beijando-o.

Sentia como passeava com seus dedos descuidosamente nas minhas madeixas, e como sua língua enrolava-se na minha, descobrindo um território desconhecido. Foi a melhor experiência que tive em minha vida. Parecia que eu estava voando, flutuando de prazer.

Eu juro por Deus, eu lhe daria tudo que tenho, dedicaria cada pedaço de amor em meu corpo para ele, eu adoraria este homem, apenas para poder chamá-lo de meu.

Quando interrompemos o beijo — Cristo, era um beijo, eu o beijei, e eu mal conseguia acreditar — ele sorriu. Um adorável, brilhante sorriso adornando seus pecaminosos lábios. Estes lábios como vinho tinto vermelho cereja, igualmente viciante, Deus, tenha piedade de mim.

Encarei-o por mais alguns segundos, quase congelado novamente. Meus músculos pareciam estarem travados, e tudo que eu podia fazer era admirá-lo, confuso. Meus joelhos fraquejaram, minhas pernas não providenciavam uma boa base para me sustentar, meus olhos estavam arregalados, meu lábio inferior preso pelos meus dentes. Palavras perderam o significado, sentenças não possuíam mais propósito e tudo que pude fazer era o encarar.

Então, de repente, notei a chuva de novo e me arrepiei. Estava encharcado e gelado, praticamente um hotel para vírus, um alvo fácil, e se eu não pegasse um resfriado no mínimo como Hoseok avisou-me há dez minutos, estaria surpreso.

Mas valeu todo o esforço. Valeu muito mais.

 “Acho… acho que tive minha resposta,” Hoseok suspirou, silenciosamente, quase um sussurro, mas meu ouvido captou mesmo assim. “Hmm,” Eu murmurei em resposta, ainda confuso, houve um momento de silencio. Nada movia-se, absolutamente nada além de suas pálpebras que abria e fechava constantemente. “é... acho que tenho,” repetiu, como se estivesse concordando com si mesmo, quebrando o silencio.

Então caí na real — enquanto ele sorria novamente e penteava os cabelos pra longe de sua testa e lindos olhos — era isso. Isto seria tudo que o universo me daria, se este me deu algo em primeiro lugar, e também se não fosse o caso de Hoseok ser apenas muito mais corajoso que eu. E não era o suficiente, ainda não era o suficiente. Talvez fosse egoísmo, mas era a verdade que não podia negar: eu ansiava mais que isso.

Percebi que você não pode simplesmente prolongar as coisas pra sempre. Não pode esperar por algo que aconteça se aguardar o suficiente. É impossível, chega a um ponto que é tarde demais. E eu não queria chegar a este ponto. Preferia ser rejeitado do que viver eternamente com um “e se?”

Por isso falei. Só falei. Não fluentemente, minha língua tropeçou nas palavras, mas ainda sim falei. “Eu posso... talvez, se você quiser... bem, levar você, a um encontro?” Apesar de que parte de minha bravura vinha do fato de que achava que alguém que acabou de te beijar não recusaria um encontro. Ou pelo menos esperava que não. Esperava que ele não recusasse, com todo meu coração. E Cristo, sentia meu coração o dobro de mais rápido quando ele não respondeu na hora. Eu até senti meus dedos tremerem um pouquinho, nervoso pra caralho, automaticamente comecei a fazer algo que era melhor não ter feito, nunca. Clareei minha garganta e comecei a tagarelar.

 “Quero dizer: só se você quiser. Se gostar da ideia! Eu iria... não, digo – se você... você sabe, se não estiver ocupado – e estiver afim... e – e – se você não quiser está bem. Sem problemas... quero dizer, eu não ficaria tipo... feliz... com isso mas... humm, é. Mas –”

 “Eu adoraria,” Hoseok interrompeu, depois de uma risadinha fofa continuou. “Eu adoraria ir a um encontro com você. Eu não beijo qualquer cara na rua, sabe. Eca. Provavelmente pegaria doenças estranhas se fizesse. Oh, sim, provavelmente teria feridas. Que nunca vão embora sabia? É como da família de herpes, é causado pelo mesmo vírus. Nojento. Eu não quero vírus DST nos meus lábios. Não vale a pena o risco, se quer saber minha opinião. Nem lisonjeiro também. Mas sim, eu adoraria ir a um encontro com você.”

Uma onda de formigamentos correu por todo meu corpo assim que ouvi as primeiras duas palavras que deixaram seus lábios, e honestamente não escutei mais nada depois disso —tentei, mas não tive sucesso em me forçar a escutar. Senti todos os meus nervos se acalmando quando inalei ar aliviado e ele sorriu mais uma vez, pai amado, gostaria de pegar seu sorriso hipnotizante e injetar direto em meu sistema circulatório.

 “Se…” Hoseok falou repentinamente, resultando em meu coração — que, por um recorde, havia se acalmado um pouquinho — voltando a bater em um ritmo inumano novamente, porra, esse garoto vai ser o meu fim. “Se puder meu dar outro beijo antes de ir. Você beija bem. Oh, e claro, seu número.”

Ele disse normalmente, casual e só consegui lhe encarar em retorno — novamente — por um tempo, picando meus olhos, tentando manter a respiração compassada: ele está falando sério?! Um incontrolável sorriso apareceu no canto de minha boca e meu coração parecia que saltaria de meu peito a qualquer minuto, derramando nada além de pura felicidade. 

Porque Deus, eu adoraria lhe dar beijos. Qualquer tipo de beijo que ele quisesse: beijos na testa, beijos no pescoço, selinhos, beijos na bochecha, beijos na boca, beijos longos, beijos apaixonados, beijos calmos, beijos famintos. Eu poderia beijá-lo até perder os sentidos se ele assim desejasse, poderia beijá-lo até não lembrar onde eu termino e ele começa, até que ambos se derretessem.

Sim, eu gostaria muito disso.

 

❄❅❄❅❄❅

 

 [19:32 de: Hoseok]
Há em torno de três milhões de primeiros encontros diariamente no mundo todo, sabia disso?

 [19:33 para: Hoseok]
Na verdade, não sabia não.

 [19:33 de: Hoseok]
Falando nisso, onde iremos?

 [19:33 para: Hoseok]
Eu te disse: é uma surpresa!

 [19:35 de: Hoseok]
Por favor, me conta.

 [19:35 de: Hoseok]
Eu vou fingir que estou surpreso, prometo!

 [19:36 para: Hoseok]
Fofo, mas não. Não irei te falar.

As pequenas mensagens que trocava com Hoseok me faziam sorrir como um idiota pro meu celular, como se estivessem me falando a piada mais hilária que eu já escutei. Era vergonhoso, de verdade, especialmente em público, mas não conseguia deixar de sorrir toda vez que [1 Nova mensagem: Hoseok] aparecia na tela. Eu ficava feliz, sorridente, pois sabia que eu havia passado pela sua mente, mesmo que fosse por apenas um segundo.

De qualquer modo, me recurei a contar que iríamos à pista de gelo neste Sábado a tarde, mas é, eu levaria Hoseok para patinar, uma atividade muito bem pensada, por ter múltiplas razões.

Hoseok não parecia o tipo de pessoa que iria curtir um jantar chique — e entediante — sob luz de velas. Um jantar que você tem que vestir terno, que tem que ter vinte e um cursos pra entender, tão caro que seria mais barato se você comesse seu próprio dinheiro diretamente. Eu não gostava dessas coisas mesmo, odiava como deveríamos sussurrar pra sermos considerados decentes. Odiava o fato de ter quatro tipos de faca e garfos, e odiava os olhares que receberiam se você acidentalmente escolhesse o errado. E não parecia uma ideia fantástica pra mim, levar o garoto que eu amo a um restaurante que com toda a certeza odeio.

E tinha o fato de que eu não era terrível patinando. Claro que não me arriscaria a cair de cara no gelo no momento que entrasse na pista, incapaz de levantar de novo, sem nada pra fazer além de permitir minha pele a ser congelada pelo material gelado como um tipo de conforto. Mas, eu não era excepcionalmente bom nisso — não mesmo, se eu quisesse lhe impressionar eu teria escolhido algo melhor —, no entanto gostava de patinar. Amava o som estridente do metal contra o gelo, como parecia que eu estava voando com asas metálicas geladas, o modo como me sentia feliz, calmo e depois o chocolate quente pra fechar. Além de que, eu era bom — estável — o suficiente pra ser um suporte decente pra alguém. E com alguém quero dizer Hoseok. Oh, como eu queria que ele fosse um péssimo patinador, porque assim ele seria forçado a ficar grudado em mim praticamente a tarde toda, nós dois patinando por aí, sua mão agarrada a minha.

Entretanto, a principal razão de ter escolhido patina foi porque estaria frio lá. E tem algumas coisinhas que eu sei sobre Hoseok, uma delas é que o frio sempre pintava suas bochechas com uma cor vermelho rosado, e Deus, como eu amava o ver com um tom fofo, rosado nas bochechas. Simplesmente adorável. Eu também sabia algumas coisas sobre mim mesmo também, e o fato de amar contato físico, carinhos e aconchego estava com certeza no topo da lista. Fazer isso com Hoseok, imagino, deve ser o paraíso. E se estivesse frio, eu teria uma boa desculpa para tentar. Porque apesar de tudo eu ainda sou um covarde e ainda preciso de uma porra de desculpa para segurar o garoto dos meus sonhos.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Sábado a tarde ele me pegou depois das sete, logo depois do jantar — não que eu tenha conseguido comer com meus nervos a flor da pele — com seu carro, visto que eu não tinha um. O que foi um começo constrangedor da coisa toda.

Na verdade, o encontro foi desajeitado. Foi o mais estranho, desorganizado, desconfortável-ainda-sim-confortável-ao-mesmo-tempo encontro que já estive. Fato é, este foi o primeiro encontro de verdade da minha vida. Mas mesmo que fosse, com certeza foi extraordinário. Houve muita troca de olhares, tentativas de flerte, e muitos — pra caralho —, muitos sorrisos. Teve vários ‘uhmm’-s, ‘uh’-s, e ‘hmmm’-s. Teve beijos, e borboletas no estomago. Houve muito nervosismo também, Jesus, o quão nervoso eu fiquei...

Mas foi perfeito.

Porque ele estava ali, e eu estava ali, e estávamos juntos. E ele sorria, por mim e até mesmo por minha causa, estava bem com qualquer um deles, contanto que ele sorrisse e me olhasse enquanto o fizesse. E ele fez. E deuses com eu amei. Eu quase culpei o gelo por não derreter diante desta fofura, pois com certeza eu derreti.

Entrei dentro do carro com um delicado “oi” e ele sorriu brilhante, doce e respondeu o mesmo, só que com sua voz clara, confiante. Perguntou aonde iríamos — de novo — e eu recusei lhe contar — de novo — então ele acabou dirigindo, e virando quando eu gritava “esquerda!” ou “direita!”.

Quando não estava ocupado vigiando a estrada, tentando pensar no caminho que tomaríamos, eu lhe olhava rapidamente.

Ele estava vestido com uma blusa azul cobalto, um colarinho branco escapando da gola — supostamente uma camisa de botões por baixo — e um jeans azul escuro. Eu vi sua jaqueta de couro no bando de trás, uma touca estava ao redor de suas madeixas e um sorriso estampado no rosto. Ele estava bem pra caramba. Lindo, absolutamente deslumbrante.

Eu estava vestindo uma camisa xadrez vermelha e preta, as mangas dobradas até meus cotovelos, e uma jeans cinza, bom: não tão casual, não tão produzido.

 “Pra onde vou agora?” O ouvi perguntar de repente percebendo que minhas olhadas secretas haviam me levado a encará-lo abertamente. Desviei meu olhar rapidamente pra janela.  

 “Hmm,” Murmurei, me sentindo envergonhado ao perceber que já havíamos no mínimo girado três vezes na rotatória; ele me esperando dizer qual caminho tomar; eu, atônito com sua beleza, como sempre.

Hoseok por outro lado, não pareceu ligar e riu encantadoramente antes que eu fosse capaz de avisar pra pegar a segunda curva, gentilmente guiando seu carro para um cruzamento, nos levando sem erro ao nosso destino.

Remexi-me inquieto no banco, desconfortável e Hoseok riu novamente. “Sabe, você poderia me dizer pra onde estamos indo,” ele disse sem tirar os olhos da estrada, “seria mais fácil.”

 “Não, não! Está tudo bem, sério. Eu só não tava, tipo, prestando atenção.”

 “Ah, vai Taehyung. Eu realmente quero saber o que você planejou. Me diz, por favor?”

 “Você vai ver, só espera. Próxima à direita falando nisso.”

 “Ok. Nós vamos ver um filme? Me dá uma dica! O encontro mais comum ainda é sair pra jantar – nós vamos ir jantar? Ou uma caminhada, talvez? No shopping? O zoológico? Oh, eu adoraria ir ao zoológico!”

Hoseok continuou adivinhando por um tempo, e eu manti minha boca fechada com um pequeno sorriso. Aí ele fez um bico fofo enquanto tentava descobrir aonde iríamos, mas eu continuava em silêncio. Depois disso, ele ameaçou parar o carro e se recusar a continuar dirigindo se eu não o contasse, mas quando eu o desafiei a fazê-lo, as ameaças se tornaram vazias.

Ele não se calou até que eu disse “Você, hmm... você está muito lindo”. Senti uma onda de adrenalina correr por meu corpo, e notei como suas bochechas ganharam cor quando a frase escapou acidentalmente de minha mente, fugindo de minha boca, passando por meus lábios, pra ele ouvir. Bem, isso poderia ter sido muito pior.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Estava frio na pista, mas não um frio desconfortável. Estava relativamente cheio então o murmúrio de diferentes vozes nos cercavam de um modo aconchegante, do mesmo modo da música de fundo. Brisas geladas passeavam em minha pele de vez em quando. Várias pessoas passavam por nós sem esforço, enquanto algumas permaneciam atrás, tentando moverem-se desajeitadamente.

Hoseok enganchou seu braço no meu patinando perto de mim, meu lado esquerdo constantemente conectado com o seu lado direito, e estava tudo inacreditavelmente incrível e mágico. “Oh meu Deus, nós vamos patinar? Eu amo fazer isso, Taehyung!” O garoto exclamou antes mesmo de sairmos do carro, seus olhos brilhando, e desde então já havíamos patinado quatro vezes.

Patinar no gelo não era aparentemente um dos fortes de Hoseok, pois ele não me largou desde que amarramos nossos patins e fomos pra pista. Era fofo, como ele se agarrava a mim e parecia ter medo de soltar, amei cada segundo.

Guiava ambos mantendo Hoseok firme no lugar, roubava olhadas pelo canto de meus olhos enquanto deslizava no gelo. Poderia continuar desta maneira pra sempre, se não fosse pelo fato da aproximação de Hoseok me deixar, de algum modo tenso, trêmulo. Nervoso.

Lá pela metade de nossa segunda volta, eu observei um garoto passando os braços ao redor de sua suposta namorada, para mantê-la perto e plantar um beijo em seus lábios; Instantaneamente a memória de Hoseok me beijando veio a minha mente. E estava nessa até agora, assim como a ideia que talvez ele me beije novamente. E Deus, o quão estranho isso me fez. Toda vez que meus olhos cruzavam com os dele, meu coração literalmente parava por um segundo e chegou a um ponto que meus joelhos estavam tão fracos que temi que minhas pernas falhassem em carregar-me.

 “Hmm, Hoseok? Você gostaria de algo… bem, pra beber? Quero dizer, uh, eu deveria pegar algo pra você – nós! Quero dizer, nós? Tipo, chocolate quente? Ou algo assim?” Língua tropeçando em palavras familiar, a sentença saiu mais divagar do que uma sugestão legal.

 “Oh, sim,” Hoseok respondeu, voz suave, seus olhos pairando nos meus facilmente, “chocolate quente parece perfeito. Eu gostaria.” Um sorriso radiante me foi lançado antes dele puxar seu braço e me dizer que esperaria ali.

Então eu saí rapidamente da pista na intenção de fazer o pedido e retornar o mais rápido possível com as bebidas quentes. “Dois, por favor,” Sorri, colocando o dinheiro no balcão em alguns minutos, a fila estava surpreendentemente curta.

 “Certo, só um momento, por favor,” A garota respondeu, com uma voz feminina e macia.

Demorou em torno de três minutos pra garota fazer meu pedido, o que significa que tive apenas três minutos para acalmar meus nervos.

Respire. Expire. Repita. Eu queria Hoseok, não necessariamente de um modo sexual — apesar de querer isso também — mas apenas pra gostar de mim.  Pra se apaixonar por mim, pra me achar fascinante, mas eu simplesmente não conseguia funcionar direito ao seu redor. Não como um ser humano normal, pelo menos.

 “Aqui está, senhor.”

Respire. Expire. Repita. Eu sabia que deveria parar de me preocupar se ele me acharia gostável o suficiente, fofo o suficiente, viril o suficiente, doce o suficiente, bom o suficiente, mas sabia que se não recebesse um tipo de confirmação que ele não me odiava totalmente esta seria uma tarefa impossível.

 “Obrigado!”

Respire. Expire. Repita. Você pode fazer isso Taehyung. Tudo dará certo.

 

❄❅❄❅❄❅

 

Voltando pra Hoseok e seus olhos brilhantes e seu sorriso radiante foi mais difícil que pensei inicialmente: as duas xícaras estavam cheias de chocolate quente até a borda e tentando manter tudo ali dentro eu precisava mantê-las estáveis. E Cristo, é mais fácil falar do que fazer quando você está andando com patins.

Balançando nas duas lâminas de metal, meus olhos oscilavam das bebidas para o caminho repetidamente, assim eu não esbarraria em ninguém nem derramaria chocolate em mim, mas então me encontrei estagnado subitamente.

Deixei meus olhos pairarem na pista, tentando achar Hoseok novamente, mas tudo que vi foi algumas pessoas paradas e um jovem garoto patinando espetacularmente, como se houvesse nascido com patins nos pés.

Eu quase tive um colapso mental — onde estava Hoseok? Ele foi embora? Ele gostou de mim? Odiou? Oh Deus, por favor, não… — cuidadosamente retomando meus passos, finalmente vi.

Hoseok.

O jovem garoto era Hoseok.

Eu paralisei, quase tropeçando, meus olhos arregalados. O garoto que antes parecia ter problemas em ficar de pé — ou patinar —, o modo como se movia era tecnicamente desafiador, agora, parecia natural. Gracioso e poderoso ele movia-se no gelo derrapante, como se nunca tivesse feito outra coisa, me peguei xingando baixo enquanto me forçava a manter o olhar nas xícaras em minhas mãos.

 “Merda. É claro que o Hoseok consegue patina. É claro. Não há porra nenhuma que ele não consiga fazer provavelmente. Eu sou um grande idiota. Quem diabos ama algo que não consegue fazer? Ninguém. É claro que o garoto consegue patinar caralho, droga. Porra, porra, porra.”

Não assisti-lo, todavia, era algo difícil de fazer — pelo menos pra mim. O garoto exercia um magnetismo sobre mim que eu não conseguiria resistir, mesmo se tentasse. Por isso, meus olhos trilharam novamente para o moreno e seguiram o jovem garoto enquanto o mesmo descuidosamente desviava de outras pessoas em alta velocidade, contorcendo seu corpo, curvando sua espinha dorsal, esticando seus membros, um sorriso no rosto. 

Sem pensar coloquei as xícaras na mesa mais próxima, fazendo um barulho irritante de cerâmica contra metal, mas nem notei. Toda minha atenção estava tomada pelo garoto rodopiando na pista de gelo, como um cisne, sério. Igualmente gracioso, de tirar o fôlego, intimidador. Ele parecia mover-se com a facilidade de um cisne na água.

Eu não havia percebido que estava encarando, quero dizer, não de verdade. Sabia que meus olhos estavam acompanhando a figura de Hoseok, sabia de alguma forma em algum lugar de minha cabeça, mas não estava completamente ciente disso. Até que ele parou e cruzou olhares comigo.

Mesmo de longe eu podia ver seu peito estufar em uma inalada profunda, recuperando seu fôlego depois de deslizar pelo gelo livremente. Ele sorriu — um de seus estupendos sorrisos. Depois disto, foi só uma questão de tempo até eu me ver encantado pelo seu sorriso pela enésima vez; suas características perfeitas, grandes, cintilantes olhos cor de chocolate, um sorriso divertido, perfeitos lábios rosados gesticulando meu nome em silencio e mechas negras e bagunçadas de cabelo.

 “Taehyung”

Como se estivesse enfeitiçado voltei para o gelo, sem quebrar contato ocular, as bebidas quentes esquecidas, mente lotada de Hoseok.

Notei como havia pessoas o assistindo, que nem eu, mas toda a atenção do garoto estava em mim.

Só pra mim.

E isso… era justo a confirmação que eu precisava.

E bom Deus, eu de repente conseguia sentir meu corpo vibrar com alguma coisa, mas não era nervosismo desta vez. Mais como excitação. Queria beijá-lo mais do que nunca, o desejo quase insuportável tomando meus sentidos.

O sorriso do garoto cresceu mais, meu coração passou a bater mais rápido e então ele começou a mover-se novamente. Acelerou e em uma piscada de olhos ele estava a metros de mim, mas Hoseok — um indivíduo descuidado — não diminuiu a velocidade mesmo quando eu praticamente toquei-o estendendo meus braços, deixando seu corpo colidir brutalmente com o meu.

A força me fez escorregar pra trás, basicamente me jogando contra a separação e eu grunhi pelo baque do vidro e metal contra minhas costas e com o impacto de seu corpo contra meu peito. Mesmo assim o peguei e enrolei meus braços ao redor de sua pequena cintura, sorrindo quando meus olhos acharam os seus novamente.

 “Então,” Eu disse em um sussurro, voz um pouco áspera, olhos inconscientemente migrando para seus lábios.

 “Então,” ele imitou, piscando com aqueles olhos luminosos enquanto eu sentia a separação afundar ainda mais contra minhas costas.

 “Então,” Repeti, involuntariamente rouco, “você é um ótimo patinador. Há algo mais que você não está me contando?” Finalmente sendo capaz de falar sem gaguejar levantou minha recente-descoberta confiança ainda mais, assim o puxei pra mais perto, olhos fixados no ato sedutor que era ele mordendo o canto direito do seu lábio inferior.

 “Eu sei fazer brake dance,” falou depois de um tempo, quase sussurrando e eu respondi com um revirar de olhos.

 “E,” a palavra deixou seus lábios em um tom baixo, “o ponto de ônibus em que desço é na verdade muito mais perto do estacionamento onde deixo meu carro todas as manhãs do que o ponto em que subo.” Meus olhos voltaram no lugar para encarar os seus enquanto eu franzia o cenho: “Você dirige pro ponto de ônibus?” Ele acenou quase imediatamente. Mantive-me em silêncio por um minuto, processando as palavras.

 “Você vem de carro, e daí pega o ônibus?” Questionei curioso. Havia incredulidade e incompreensão em minha voz, mas não pude conter meus olhos ao caírem em seus lábios novamente, murmurando um delicado “mas por quê?” quando ele acenou novamente. Nós compartilhamos um momento de silêncio, onde a vontade de beijá-lo aumentou mais forte do que nunca.

Bom Deus, eu amava tanto este garoto. E parecia que eu me apaixonava mais a cada segundo.

 “Você,” ele então sussurrou adorável, um leve rosado adornando suas bochechas, “por causa de vo–”

Era isso.

Eu estive encarando seu lindo rosto, sua linda boca e não havia nada que eu queria mais do que experimentá-lo. E fiz justo isso, meu autocontrole despedaçou e incapaz de segurar-me mais acabei por me inclinar. Desejava aqueles lábios desde sempre, e a vontade de conectar nossas bocas andava incontroladamente forte desde aquele beijo na chuva intensa.

Pressionei-me contra o corpo de Hoseok, invadindo o resto de espaço pessoal restante e capturei seus lábios com os meus. Minha língua veio para passear entre os seus lábios, e ele os partiu na hora, me dando livre acesso.

E dessa vez sabia o que estava fazendo: Eu estava beijando o garoto mais lindo e encantador do mundo.

Tudo ao nosso redor tornou-se vago, a única coisa que podia focar era em Hoseok. E Deus, era tão certo que contemplei a ideia de que eu era suposto para beijá-lo o resto de minha vida. E de novo: poderia beijar ele todo dia, todos os dias do resto de minha existência e ainda sim não seria suficiente. Eu nunca terei o suficiente dele. Sentindo sua língua colidir com a minha, senti-lo, experimentá-lo era simplesmente mágico, e sabia que nunca me cansaria disso.

Senti como se um milhão de moléculas morreram extasiadas e renasceram novamente, sentia suas faíscas enquanto nos beijávamos. Era lento, mas profundo; Até bruto. Fez meu coração perder uma batida, e outra, e outra conforme nossas línguas entrelaçavam-se e nossos lábios se encontravam de tempos em tempos.

Os dentes de Hoseok abusavam de meu lábio inferior, mordendo, beijando fervorosamente. Mas porra, eu preferia que ele mordesse meu lábio até que estivesse cortado e sangrando, do que receber macios, cuidadosos beijos de outra pessoa. E sendo verdadeiro: Eu amava o jeito que ele beijava. Faminto, apaixonado. Dizendo em entrelinhas que não havia nada em sua mente além de mim.

Hoseok arqueou a coluna até que não houvesse um espaçinho sequer entre nós, mas Deus, ele ainda não estava perto o suficiente de mim. E nos beijamos.

E beijamos. E beijamos. E beijamos.

E beijamos.

Foi Hoseok que eventualmente partiu o beijo, e eu quase quis chiar com a perda, mas sabia que aquilo não seria razoável. Seria estranho, no mínimo.

 “Eu não terminei de falar,” ele então falou, quase me culpando e de algum jeito sem fôlego, “ainda tem mais.”

 “Ok, perdão,” eu ri sarcástico em resposta, apertando meu agarre ao seu redor, “me diga. Você não é um criminoso, certo? Ou um demônio em forma de humano? Ou um–” Um par de lábios rosados roubaram as palavras de provocação que estava prestes a dizer, e ansioso entreabri os meus, mas assim que o beijo começou, ele parou.

 “Cala boca,” Hoseok sorriu, “Eu estava prestes a admitir algo vergonhoso. Ok, então... eu não perdi minhas chaves de verdade, ou minha jaqueta ou nada assim. Da primeira vez, sim: foi acidental–” inconscientemente meu foco voltou de novo aos seus lábios. Eles pareciam tão delicados e doces e rosados, e agora que estava tão próximo deles meu impulso de redescobrir o quão bom eles eram contra os meus estava crescendo.

 “– mas o segundo não foi sem querer. Nenhuma das outras vezes, honestamente falando. Era só o meu jeito de te conhecer, então desculpe por isso. Também desculpe por te beijar aquele dia–” meu olhos divagaram até seu pescoço, a pele bronzeada quase como a de um deus. Macia e vulnerável, porra, tão convidativo.

 “– mesmo que eu não me arrependa, foi um pouco do nada, drástico até, e provavelmente te assustou pra caramba – nngh...” Um silencioso gemido escapou dos lábios de Hoseok quando comecei a deixar beijos delicados no pescoço do moreno, incapaz de me controlar. Deus, eu queria senti-lo, sentir seu gosto, todos os segundos de minha existência.

 “Eu… eu apenas gosto muito de você – nngh –” lábios perambulando na sedosa pele de seu pescoço, sugando de leve a extensão bronzeada, “E eu só – nngh, ugh – precisava descobrir se... se...”

Emiti um pequeno “Hm?” quando ele divagou, mas continuei a pressionar firmes selares e lambidas pequenas em seu pescoço.

 “Se – nngh – se não era só eu. Se você talvez – nngh –” dentes mordiscando pequenas, fracas marcas em sua pele “– sentia o mesmo. Ugh – porra, Taehyung...”

Senti como suas mãos foram até meu peito, deixando-as paradas só por uns segundos até outro gemido sair de seus lábios, assim ele as usou para de algum jeito me empurrar bruscamente. Algo que teria me deixado chateado se não fosse pelo fato de eu notar quando inclinou sua cabeça levemente, sua linguagem corporal me dizendo que ele gostou. Ainda mais com o suave — meigo, quase não audível — “você está me deixando excitado” que murmurou assim que criou distância. Palavras que eu supostamente não deveria ouvir, mas ouvi, e estaria mentindo se dissesse que já ouvi algo mais sedutor em minha vida. Porque, porra, o quão erótico aquilo soou. Eu olhei pra ele, suas bochechas um tom rosa escuro, sabendo que meu olhos brilhavam travessos.

 “Bem, eu sinto. Eu gosto de você. Muito.”

❄❅❄❅❄❅

 

Depois disso eu não consegui manter minhas mãos longe dele. Ou meus lábios.

Parecia que estava viciado em seu gosto, com overdose de adrenalina e bêbado de amor. Meus olhos colados em sua figura, meu corpo atraído ao dele como um ímã.

Ficamos na pista até que fechasse e fiquei genuinamente triste quando estávamos andando de volta para o carro de Hoseok.

 “Eu me diverti muito esta noite, Taehyung,” Escutei o moreno confessar adoravelmente ao meu lado antes de gentilmente selar minha bochecha; Agarrei sua mão delicadamente.

 “Eu também,” Disse, entrelaçando nossos dedos.

 “Não, de verdade. Eu acho que eu gosto de você, Tae. Eu acho que realmente gosto de você.”

E deste modo eu passei o caminho de volta pra casa sentado ao lado do garoto que eu amo provavelmente desde o começo dos tempos. Garoto que acha que realmente gosta de mim. E desta vez, nem ao menos tentei esconder meus olhos observadores. Eu o admirei – sem rodeios, descaradamente.

Notei que ele estava sorrindo, e gostava de pensar que era por minha causa. Notei como marquei sua pele perfeita com meus dentes, lábios e língua. Como uma carta de amor, escrita na carne. Notei como uma sombra de rosa adornava suas bochechas. Notei que seus lábios estavam perfeitamente um pouco mais vermelhos, um pouco mais inchados, devido a mim. Notei em como ele não precisava da luz da lua, nem as luzes dos postes para seus olhos cintilarem. Notei muito, e honestamente não conseguia esperar pra notar mais. Para conhecê-lo melhor. Para descobrir mais sobre ele.

Para amá-lo como ninguém jamais amou ninguém antes.

 


Notas Finais




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