História The Hunt (revisando) - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias EXO, Kris Wu
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho
Tags Chanbaek, Hunhan, Kai, Kaisoo, Kris Wu, Kyungsoo, Lay, Sebaek, Suho, Xiumin, Zitao
Visualizações 198
Palavras 8.146
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá Hunters! Tudo bem? Eu estou nervoso...
Enfim, chegamos ao último capítulo e vocês não tem noção de como eu estou feliz...
Vou deixar tudo para as notas finais, ok?
Enfim, boa leitura e até mais embaixo.

~Hello Angel

Capítulo 18 - Um novo dia


Fanfic / Fanfiction The Hunt (revisando) - Capítulo 18 - Um novo dia

O céu já estava clareando e os primeiros raios solares surgiam pelo horizonte, mas o frio ainda permanecia. Não me refiro ao ar frio que tocava minha pele e me causava arrepios, mas a crescente sensação gélida que tomava conta de meu peito. O frio também vinha do o corpo sem vida de Baekhyun ainda em meus braços.

Proibi-me de deixá-lo ali, sozinho e desamparado, não podia deixá-lo por mais que não estivesse no mundo dos vivos. Onde Baekhyun estava agora? Estava junto de seus pais? Estava vendo meu sofrimento ao perdê-lo? Não queria que Baekhyun me visse desse jeito, mas não pude evitar chorar. Por mais clichê que fosse Baekhyun era minha metade e, perdê-lo, significava perder uma parte de mim.

Estava incompleto e isso me deixava desorientado. Estava perdido, sem rumo e sem nenhuma expectativa de vida. Talvez isso fosse sintoma do meu luto.

E dói. Talvez doesse mais porque nunca o amei da forma que queria, amei-o somente em meu silêncio e esse era meu maior arrependimento. Queria ter construído uma vida com Baekhyun, ficar ao seu lado e lhe dar todo o amor que merecia, mas agora não poderia acariciá-lo e nem beijá-lo, faria isso em meus sonhos e, é claro, o faria se não tivesse pesadelos - o que é bastante improvável.

- Eu sinto muito... – disse pela milésima vez naquele início de manhã – Eu deveria ter te protegido com a minha vida, mas eu não fui capaz...

Era eu o culpado por sua morte.

Debrucei-me sobre seu corpo desejando sentir seu calor novamente, mas o que senti foi somente sua pele gélida. Minhas lágrimas molhavam o rosto de Baekhyun, o sangue agora quase seco se misturava a minhas lágrimas...

- Baek, eu te amo tanto...

Odiei-me por alguns segundos novamente. A culpa obviamente era minha, era para eu perecer no lugar de Baekhyun, mas a vida foi tão injusta que ele expirou em meu lugar. Eu tinha minha parte da culpa, mas eu posso dizer que tentei salvá-lo.

Diferente de outras pessoas que preferiram o caminho mais fácil, ou seja, matando-o.

Acariciei seu rosto gélido novamente. Era minha despedida. Estava na hora de deixar Baekhyun e seguir com meu objetivo: caçar o arruinador da minha vida, mas antes precisava enterrá-lo e honrá-lo como um verdadeiro caçador.

...

O sol já estava alto quando cavei o buraco onde enterraria Baekhyun. Não era um buraco fundo, mas era o suficiente para que nenhum urubu se aproveitasse do meu... Namorado? Não, eu e Baekhyun não tivemos a oportunidade de iniciar um relacionamento, então não podia chamá-lo de meu namorado, por mais que quisesse, nunca tivemos nada...

Ou tivemos? Em meio a essa guerra Baekhyun percebeu me amar, trocamos um beijo, mas não passamos disso. Declarei-me duas vezes e disse com convicção que o amava, Baekhyun nem chegou a dizer que me amava, mas sabia que teria me dito se tivesse sobrevivido por mais algum tempo.

Enquanto cavava o buraco me perguntei diversas vezes como seria minha vida com Baekhyun se tivéssemos sobrevividos juntos a essa guerra. Fiquei delirando por algum tempo...

...

Baekhyun dormia ao meu lado. Sua respiração estava lenta e calma, diferente da noite anterior, pois tivemos mais uma noite juntos... E como adorava fazer amor com Baekhyun, tínhamos uma sintonia perfeita e nos entendíamos de todas as formas. Tinha um sorriso nos lábios – e como amava seu sorriso –, vestia apenas uma blusa que me pertencia e que ficava enorme em si.

Levantei-me devagar para não acordá-lo e me sentei na cama, mas ouvi seu resmungo manhoso. Olhei em sua direção e Baekhyun me olhava com seu rosto cheio de sono... Como Baekhyun podia ser tão belo? Mesmo após acordar?

Era incrível como Baekhyun conseguiu roubar meu coração de uma forma devastadora. Não tinha controle sobre meu corpo, era só preciso Baekhyun me provocar para me ter em suas mãos e adorava quando Baekhyun fazia isso... Era a mistura do angelical com o diabólico... Baekhyun era o garoto perfeito para mim...

- Chanyeol-ah... – procurei seus cabelos e lhe fiz um cafuné.

Já sabia tudo sobre Baekhyun. Sabia o que gostava e o que não gostava, conhecia seus pontos sensíveis e sabia como mimá-lo. Baekhyun adorava ser mimado e eu fazia de tudo para agradá-lo.

- Estou aqui – me aproximei e lhe dei um beijo carinhoso na testa, mas Baekhyun pulou subitamente, agarrou meu pescoço e selou nossos lábios.

Um beijo singelo, mas era de seus beijos que precisava, era de seus carinhos que necessitava depois de um longo dia de caça, era de si que precisava para qualquer problema que surgisse. Baekhyun era o antidoto para qualquer veneno, era o remédio para qualquer dor, era o único capaz de me dar o que precisava... Baekhyun me dava seu amor sem hesitar.

- Você não me deu o beijo de bom dia! – protestou depois de separar o beijo.

Sorri contra seus lábios e perguntei:

- Você não estava dormindo, não é? – Baekhyun concordou.

- Eu gosto quando você me observa dormir – agarrou meu pescoço novamente e me encheu de beijos – Eu já disse que te amo hoje? – neguei – Eu te amo, sabe disso, não é? Vou te amar mesmo após a morte...

Sorri com sua declaração. Definitivamente era Baekhyun... Era Baekhyun que viveria comigo pelo resto da minha vida, era com ele que subiria ao altar e construiria uma família.

...

E então a realidade bateu em minha porta. Baekhyun nunca dormiu comigo, nunca fizemos amor ou nos declaramos. Segurei o choro na garganta e continuei a cavar o buraco, algumas lágrimas teimosas caíram por minha bochecha e molharam a terra debaixo de meus pés.

- Eu sou tão idiota! – me repreendi por me torturar dessa forma.

Eu sou só um garoto apaixonado que acabou de perder o grande amor de sua vida, qual era o problema? O problema era delirar e pensar em um possível futuro com Baekhyun, isso me torturava de alguma forma e me destruía ainda mais.

Terminando de cavar o buraco, peguei o corpo de Baekhyun que estava enrolado em um lençol e pela última vez olhei seu rosto. Coloquei seu corpo com cuidado no buraco e tirei de meu bolso a pulseira que um dia lhe pertenceu. Sorri ao vê-la.

Era a pulseira que havia lhe dado em nosso primeiro dia de treinamento, símbolo de nossa ligação. Lembro-me como Baekhyun ficou confuso e desconfiado pela pulseira, pensou que fosse um Couple Things, não que não fosse, afinal, havia comprado para esse fim, mas representava muito mais que uma “coisa de casal”, era a minha ligação com Baekhyun: eu o pertencia e ele pertencia a mim. Representa o sentimento fraterno, afável e promíscuo que tínhamos um para com outro.

Peguei a minha pulseira ainda presa em meu pulso e dei um nó juntando a minha com a dele.

- Baekhyun, hoje uma parte minha morreu com você... – joguei o nó de pulseiras sobre o lençol – Eu sei que você está me ouvindo aí do outro lado, não está? Eu te amo e te peço perdão pelo que vou fazer... Eu não posso deixá-lo vivo depois disso! – me referi ao meu próximo passo.

Então, subi para superfície e joguei a terra de volta, cobrindo-o por completo. Finquei minha espada na grama danificada pelo buraco e ditei o discurso de honra à baixa de um caçador. Não consegui evitar que lágrimas voltassem a marcar meu rosto.

Sequei as lágrimas tentando ignorar todos os sentimentos tristes e deixei que a raiva transparecesse. Queria vingança e a teria, Sehun de alguma forma pagaria por ter feito o que fez. Em algum lugar sabia que Baekhyun estava recriminando minha atitude, mas seu primo me traiu, era mais fácil ter ficado no time inimigo que a trair-me.

Sehun fez sua escolha e agora pagaria por ela, afinal, como dizia Newton: toda ação tem sua reação. Sua ação foi matar Baekhyun e minha reação seria matá-lo sem demasiada pressa. Matá-lo-ia com minhas próprias mãos.

 

*****

 

Sehun é um completo idiota. Não foi necessário nenhum esforço para encontrá-lo. Sehun havia voltado à base para libertar Luhan, talvez. O observava de longe, andava de um lado para o outro, nervoso, e chorava. Não ia acreditar em suas lágrimas falsas, Sehun é assim, um falso, um traidor.

Iria matá-lo e fazê-lo sofrer assim como fez comigo.

Não podia entrar pela porta da frente, Sehun me ouviria e, provavelmente, fugiria. Precisava de um plano para entrar na base e pegá-lo desprevenido. Só existia uma opção: escalar a alta parede de concreto e entrar pela janela de um dos quartos da base.

E assim o fiz. Lancei uma corda com um gancho preso na ponta e escalei. Encontrei-me no quarto de Luhan, estava vazio e escuro, não podia ligar a lanterna senão Sehun veria a luz, então tive o maior cuidado para não bater em nenhum objeto e saí do quarto.

Relutantemente andei pelo curto corredor e corri meus olhos pelo salão à procura de Sehun, mas não o avistei. Sehun percebeu minha presença e fugiu? Aonde foi parar? Ouvi um barulho vindo da cozinha e corri na direção. Sehun estava fugindo pela janela, mas não tornaria sua missão fácil, pelo contrário, dificultaria as coisas o máximo que pudesse.

Era minha chance de me vingar pela morte de Baekhyun, não a perderia como o perdi. Peguei uma flecha em minha aljava, posicionei nos fios do arco e acertei a coxa esquerda de Sehun que gritou de dor. O sangue já manchava sua calça e escorria por entres as pernas. O moreno me olhou como se eu fosse um monstro e talvez fosse, mas foi ele que causou isso, foi ele quem me transformou neste monstro quando matou Baekhyun.

- Se tentar fugir eu vou lançar outra flecha e dessa vez não será na sua perna – ameacei e me virei rapidamente para evitar o golpe que receberia de Luhan – Acha que eu sou idiota? Eu sabia que você o ajudaria... – encarei um Luhan assustado ao ver seu plano falhar.

- Chanyeol... – Luhan tentou falar, mas o interrompi com um soco.

- Cala a merda da boca! – gritei

Luhan me olhou assustado. Não costumava gritar, mas o ódio havia me dominado de uma forma tão íntegra que não tinha controle sob minhas próprias ações. Estava com ódio pela guerra maldita, pela morte de Baekhyun, pela traição de Sehun. Se Luhan tentasse me impedir teria o mesmo fim que o namorado, não me importava em adicionar mais um item na minha lista de culpas.

- Se você tentar me impedir vou te matar também! – Luhan viu em meus olhos que não estava brincando e por isso largou a faca e se ajoelhou.

- Por favor, Chanyeol, não mate Sehun... – o olhei desdenhoso e ri da sua atitude.

- É sério isso? Está fazendo isso por ele? – perguntei divertidamente para Luhan.

O que fazia Luhan se humilhar dessa forma por Sehun? Por que ele feria o próprio ego por alguém como ele? A resposta se tornou clara quando me lembrei do momento que fiquei em meu cárcere. Luhan feria o próprio ego para tentar salvar Sehun porque o amava; agiu como eu agi em relação à Baekhyun.

Poderia reconsiderar não matar Sehun, mas eu quero tanto quanto queria amar Baekhyun. Luhan podia tentar qualquer coisa, mas eu não voltaria atrás com meu plano.

- Você acha que Baekhyun... – tentou apelar para o outro lado, mas o impedi novamente com outro soco e gritei:

- Não fale sobre Baekhyun! Vocês não têm o direito! – soquei-o novamente e Luhan caiu de encontro ao chão com o nariz sangrando.

Chutei-o em seu abdômen algumas vezes tirando o ar de seus pulmões. Esperei Luhan não reagir para amarrá-lo contra a porta da geladeira com o cabo de um dos equipamentos elétricos da cozinha. Olhei para Sehun, ainda chorava pendurado na janela e ri da sua situação.

- Acha mesmo que vou acreditar nas suas lágrimas? – perguntei chamando sua atenção.

O puxei sem cuidado algum e Sehun caiu com tudo no chão, a flecha bateu contra o concreto e perfurou ainda mais a coxa de Sehun. O primo de Baekhyun gritou de dor e o chutei para se calar.

- Você merece mais do que uma flecha na coxa! – o puxei pelos cabelos e falei contra seu rosto.

Olhei para Luhan que já estava consciente e observava a cena, horrorizado. Vi em seus olhos o medo puro. E por que estava com medo? Estava com medo de eu matar Sehun? Estava com medo de mim? Eu estava fora de mim, reconheço, mas precisava de algum conforto e realmente acreditava que se matasse Sehun encontraria algum.

- Você quer que eu o mate na sua frente? – perguntei para Luhan – Quer vê-lo gritar enquanto eu o mato? – segurei a flecha na coxa de Sehun, balancei de um lado para o outro fazendo Sehun gritar de dor – Responda porra! – gritei para Luhan.

Luhan estava vermelho e seus olhos lacrimejavam, era uma tortura para si ver o namorado gritar de dor daquela forma. Não entendi o sentimento que se formou em mim, não sei se era bom ou ruim, mas certamente não dei atenção para que continuasse com o que estava fazendo.

- Chanyeol, por favor – suplicou Luhan, mas quando voltei a balançar a ponta de metal da flecha contra a pele de Sehun, o chinês gritou – Não, eu não quero ver! – soltou os soluços e começou a chorar.

- Tudo bem... – falei com um sorriso de canto – Que tal conversarmos em outro cômodo? – perguntei para Sehun.

Não o esperei responder e o arrastei pelo chão até o salão de treinamento. Joguei seu corpo contra a parede e o fiz sentar em minha direção. Sehun não me olhava, se mantinha cabisbaixo e chorava em silêncio.

Peguei a espada em minha bainha e apontei para o peito de Sehun, o mataria como matou Baekhyun. Deixá-lo-ia morrer devagar e agonizar em dor. Sehun só me olhou quando a ponta da espada perfurou sua pele. O primo de Baekhyun gritou alto, mas se calou ao se acostumar com a dor.

- Chanyeol... – me chamou depois de um tempo – Por favor, me deixe explicar...

A voz de Sehun estava me irritando, por isso o chutei e enfiei mais um pouco da lâmina em seu peito. Sehun voltou a gritar de dor e seu choro agora era mais evidente. Mantive-me o mais frio possível, não deixaria que meus sentimentos amistáveis por Sehun me enganassem nesse momento. Ele é um traidor, merece por isso.

- Não fale mais uma palavra ou vou cortar sua língua fora – ameacei e Sehun se calou – Acha que me enganará? Você fez de propósito, não foi? Quis me ver infeliz sem Baekhyun! – afundei a espada mais alguns sentimentos e Sehun gritou mais alto desta vez. O sangue já manchava sua blusa branca e se misturava com o suor.

Não pretendia tornar isso uma sessão de tortura, mas implicitamente estava acontecendo. Eu não era assim, não sou o vilão da história, mas tentem entender o meu lado! Sehun me tirou Baekhyun, não era justo que eu tirasse sua vida? Não existia justiça na Terra que resolvesse meu dilema, por isso cabia a eu resolvê-lo.

Não já estava destruído o suficiente? Por que não poderia me destruir mais? Sabia que se matasse Sehun iria me condenar depois, mas estava com tanta raiva, estava tão magoado, tão ferido que não mais me importava com isso... Confiei em Sehun, mas este me traiu e me tirou Baekhyun. O que poderia fazer a não ser matá-lo?

Estava perdido sem Baekhyun. O que ele faria em meu lugar? Perdoaria Sehun? Vingar-se-ia? Mataria Luhan para fazê-lo sentir da mesma dor? Eu só queria ter uma vida ao lado de Baekhyun, era pedir demais?

Será que Baekhyun estava me assistindo neste momento? Deveria sentir vergonha de mim, estava agindo como um monstro, mas isso ocorreu em consequência do que aconteceu. Só estava agindo do jeito que achava ser certo. Para mim a única solução era matar Sehun.

Talvez essa seja a verdadeira natureza humana. Por mais que tentássemos nos civilizar, acabávamos voltando ao nosso estado natural. Somos verdadeiros animais. Lutamos para sobreviver. Matamos aqueles que nos ameaçam e Sehun, apesar de não ser uma ameaça, era mais meu novo inimigo.

E de fato iria matá-lo, mas como sempre, algo deu errado. Sehun sabia a minha fraqueza e a usou em seu favor.

- Baekhyun sentirá vergonha de você – ouvi a voz de Sehun.

Olhei-o surpreso. Estava falando? Mesmo depois de minhas ameaças? Sehun não estava me levando a sério. Deveria lhe mostrar quem é o dono da situação.

- Você acha que eu estou brincando? Eu vou te matar Sehun, não entende isso?

- Mate-me! Estará me fazendo um favor... Acha que não estou sofrendo?! – gritou.

A fúria voltou a tomar conta de mim e o soquei no rosto algumas vezes. Agarrei a flecha novamente e a enfiei ainda mais em sua carne. Sehun gritou e o soquei para se calar. O rosto do primo de Baekhyun já estava vermelho pelo sangue que escorria de suas narinas e pelos cortes em seu rosto ocasionado por meus socos e seu maxilar estava estranhamente caído para a esquerda.

Sehun riu fraco.

- Cara, você deslocou meu maxilar...

Olhei-o irritado. Estava brincando com minha cara? Estava falando sério, cortaria sua língua fora se continuasse falando.

- Eu vou contar sua língua fora! Cala a merda da tua boca, porra!

- Não queria conversar? – perguntou irônico – Baekhyun sentirá vergonha de você! Ele o verá como um monstro se me matar...

Aproximei-me de Sehun e soquei-o no rosto mais algumas vezes. A fúria estava tomando conta de mim, nunca havia sentido tal sentimento em minha vida, mas não me impedi de senti-lo. Sehun merece pelo que fez.

- Você não pode falar de Baekhyun! – gritei e as lágrimas voltaram a preencher meu rosto – Você o matou! Você não pode...

Solucei e me repreendi por voltar a chorar. Estava ali para matar Sehun, mas por que não o fiz ainda? Era simples, só bastava uma flecha ou uma espada e tinhas ambas comigo, mas por que não o matei? Talvez uma parte de minha consciência estivesse viva.

- Chanyeol, dói tanto para mim quanto para você... Eu não podia deixar você morrer, Baekhyun iria te matar e seria o fim do mundo...

Virei de costas para Sehun para esconder minhas lágrimas e ouvi seu discurso em silêncio. Deveria matá-lo logo, mas algo em mim pedia para ouvi-lo até o final. Será que era Baekhyun falando em minha consciência e me pedindo para fazer a coisa certa? Não! Sehun tem que morrer...

- Eu queria ver vocês dois juntos... – admitiu Sehun – Eu queria que vocês tivessem um futuro juntos e felizes, mas...

- Mas você me traiu! – falei seco ainda de costas para Sehun.

Sehun se calou por um momento. Senti que era a minha vez de falar.

- Eu realmente acreditei que nós seríamos amigos... – disse magoado o suficiente para que Sehun notasse.

Talvez parecesse mais dramático do que quisesse, mas eu realmente considerei uma amizade com Sehun e acreditei que ela cresceria e nos tornaríamos bons amigos, mas sua traição estragou tudo. Sua traição é a causa disso, tudo ocorreu em consequência do seu ato mal pensado.

- Chanyeol, eu realmente fui sincero com você... Em todos os momentos... Eu também quis sua amizade, mas acho que estraguei tudo, não é?

Concordei com Sehun, sequei as lágrimas e voltei para si.

- Você ainda vai me matar? – perguntou Sehun curioso.

Não sabia ao certo se continuaria com aquilo... Poderia deixá-lo viver ou poderia matá-lo por pura vingança. Baekhyun não concordaria com a segunda opção, mas ele não estava mais neste mundo para opinar sobre algo.

Encarei Sehun. Seu rosto estava bem machucado, olhei para minhas mãos e o sangue de Sehun as manchava. Por que estava fazendo isso? Era vingança, sabia, mas qual é o sentido da vingança? Se matasse Sehun iria criar um novo ciclo de ódio que, por conseguinte, geraria mais violência... Não quero isso...

Chega de mais mortes! Chega de violência! Sehun pagaria por seus erros, mas não nessa vida.

- Eu não vou matá-lo...

Sehun me olhou e olhei em seus olhos, vi pelo reflexo em seus olhos uma figura atrás de mim. Empunhava uma faca e, quando tentei me virar para me defender, fui apunhalado. Senti o metal frio perfurar minha pele e causar uma dor diferente das que já havia sentido.

Ouvi Sehun gritar e Luhan passar por cima de meu corpo para libertá-lo.

- Ele desistiu de me matar! – gritou para Luhan que olhou para minha direção, assustado.

Eu ainda estava de pé, tentando estancar a hemorragia, sentia o sangue saindo pela ferida aberta em meu corpo. Luhan não era idiota, me perfurou em um ponto que não sobreviria se não fosse socorrido a tempo, perfurou-me na artéria carótida em meu pescoço. Minha tentativa de estancar o sangue não estava funcionando, o sangue escapava por entre meus dedos.

Minhas mãos e minhas pernas estavam tremendo bastante, pela tremedeira minhas pernas fraquejaram e caí no chão de concreto do salão de treinamento. Sehun correu em minha direção e tentou me ajudar a estancar o sangue. A dor era insuportável, ver seu próprio sangue deixando seu corpo de uma forma absurda era um tanto assustador, nunca imaginei que veria isso. Afinal, quem imaginaria isso?

- Luhan! Ajude-me! – gritou Sehun – Pegue alguma coisa! – Sehun estava muito desesperado e as lágrimas já se acumulavam em seus olhos.

Luhan estava congelado em seu próprio lugar e balançava a cabeça de um lado para o outro. Surpreendi-me que mesmo depois de tentar matá-lo Sehun ainda estava me ajudando e chorando pela minha possível morte.

- Kris! – Sehun voltou a gritar desesperado.

Consegui ver em seus olhos a sua preocupação. Sehun foi sincero em seu discurso, consegui ver que realmente se importava comigo. Era tarde para me desculpar? Deixei que o ódio me subisse à cabeça e me fizesse tomar atitudes que nunca tomaria em plena consciência. Se fosse deixar essa vida, deixá-la-ia sem nenhum arrependimento.

- Me desculpa... – disse baixo chamando a atenção de Sehun – Eu... sinto... muito... – as palavras saíram trêmulas, meu corpo estava tremendo de um frio que não vi surgir.

- Chanyeol, você não vai morrer! Peça desculpas depois – apertou a ferida tentando a todo custo estancá-la.

Neste momento não sentia mais quase nada. A sensação gélida estava tomando conta de meu corpo, subindo devagar pelas minhas pernas até chegar ao último fio de cabelo em minha cabeça. Não sabia que sensação era essa, mas a mesma me pedia para relaxar... Talvez devesse fazer isso, não? Era só fechar meus olhos...

- Chanyeol! Não feche os olhos – gritou Sehun me impedindo de fechá-los.

Não adiantava mais lutar para viver e confesso que não queria mais lutar. Já estava cansado o suficiente e aceitei que meu fim estava próximo, pelo menos estaria ao lado de Baekhyun. Estava com saudades e a ideia de me encontrá-lo me alegrava.

Alguém vinha em minha direção e, sentando ao meu lado, falou:

- Você pode descansar agora... – olhei para o lado e vi Baekhyun acariciando meus cabelos. Estava lindo! Seu cabelo estava arrumado, seus olhos castanhos brilhavam e seu rosto estava perfeito... Sua presença me fez sorrir – Não faça isso! Quer que eu me derreta, é? – riu.

Não impedi que as lágrimas viessem, mas não eram lágrimas tristes, estava feliz por tê-lo comigo. Levantei minha mão para tocar-lhe o rosto e senti sua pele quente, sorri novamente. Baekhyun estava ao meu lado, mesmo em meu fim e isso já me bastava.

- Você me ouviu, não foi? Lembra que eu disse que te esperaria do outro lado? Você finalmente veio! – Baekhyun sorriu bobo, se aproximou e beijou minha testa.

- Chanyeol! Por favor, não feche os olhos! – gritou Sehun alto tentando me manter consciente.

Olhei para Sehun e sorri bobo.

- Baekhyun está me chamando... Não deveria ir? – as palavras não saíram trêmulas, mas calmas. Era a presença de Baekhyun me acalmando, era o seu amor me acalmando...

Sehun arregalou os olhos, olhou para os lados à procura de alguém, mas finalmente entendeu o que acontecia. Não podia ver Baekhyun, pois ele não pertencia mais a este plano. Eu estava a um passo de deixá-lo e, talvez, era esse o motivo de conseguir vê-lo. Eu e Baekhyun pertenceríamos ao mesmo plano: o plano dos mortos.

- Entendo – Sehun falou triste e as lágrimas voltaram a marcar seu rosto – Seja feliz, ok? – concordei e sorri para si.

Gradativamente fechei meus olhos e a escuridão veio, então não senti mais nada. As sensações, os sentimentos, os pensamentos... Tudo que nos torna humanos me abandou, inclusive a vida.

- Venha logo! – chamou Baekhyun e, sorrindo, o segui.

Não me importaria com o que aconteceria depois disso, mas tinha uma certeza: amanhã seria um novo dia e eu estaria junto de Baekhyun.

 

*****

 

Estava quente, muito quente!

...

Estava morto? Mortos não sentem, mas por que estava sentindo um calor imenso? E por que minha pele pinicava? Estava me coçando todinho! Levantei-me de supetão e comecei a coçar minha pele irritada pelo contato com grama.

E foi nesse momento que me deparei com o ambiente a minha volta. Era um jardim muito bonito, deveria ser primavera, pois o verde das folhas das árvores era substituído pelo colorido dos diversos tipos de flores que desabrochavam e espalhavam um cheiro agradável pelo ar.

Apesar da quentura, o clima estava agradável. O cheiro doce das flores estava impregnado pelo ar e borboletas de todos os tamanhos e formas voavam pelo jardim. Olhei para os lados e árvores enormes me cercavam.

Levantei-me e passei a mão em meu pescoço procurando o corte que Luhan fizera em mim, mas minha pele estava em perfeito estado. Andei relutantemente pelo jardim à procura de algo ou alguém, mas não encontrei nada além de uma clareira abandonada.

- Que merda de lugar é esse? – perguntei retoricamente.

Senti um toque em meus ombros e um idoso de barba longa surgiu ao meu lado.

- Tenha cuidado com as palavras meu jovem... Sabia que a palavra é a arma mais mortal de todas? Elas tanto salvam quanto matam...

Olhei-o curioso. Onde estava? Quem era esse velhote? Lembrei-me dos relatos de Baekhyun e relacionei com o meio onde estava. É possível que estivesse no jardim de Yang? Precisaria perguntar para ter certeza.

- Yang? – perguntei impressionado.

- Sim – o idoso concordou, ajoelhei-me fazendo reverência – Quem diria que finalmente nos conheceríamos, não é?

Permaneci ajoelhado e tentei não o olhar irritado. Ok, a culpa de tudo não cabia somente a Yang, mas de certa forma ele tinha sua parte. Por que não fui direto ao encontro de Baekhyun? Por que acordei nesse maldito jardim e estou a conversar com um dos ocasionadores da guerra que me impediu de viver adequadamente? Não queria conversar com Yang, só queria ter Baekhyun ao meu lado... É pedir demais?!

Enquanto vivi, odiei com todas as minhas forças essa guerra maldita, mas agora parecia tudo tão supérfluo... Qual era o sentido da minha vida no mundo além de cumprir com a tarefa de proteger Baekhyun? Se não existisse essa batalha, o que teria me movido?

- Não tiro sua razão de nos odiar, mas eu não pude controlar o que aconteceu.

- Você convenceu Baekhyun a lutar por uma batalha que não era nossa... Seus conflitos com Yin deveriam ser resolvidos nesse mundo, não no nosso – levantei-me e dei as costas para o velho.

Yang tocou meu ombro novamente e me puxou para que ficasse de frente para si.

- Ele encontrou os pais dele... – disse se referindo a Baekhyun – Ele que colocou em seus pensamentos a ideia de não matar Sehun... Era ele que estava com você em seu último momento com vida...

Então eu realmente morri? Era estranho pensar isso... A vida parece tão efêmera, tão corriqueira, tão frágil... Era estranho pensar que eu realmente havia morrido. Afinal, quem pensa na própria morte?

- Você quer vê-lo? – perguntou Yang.

Meu coração correu em meu peito. Por mais que estivesse morto, podia sentir um pouco de nervosismo. Baekhyun me receberia de braços abertos? Acolher-me-ia? Beijar-me-ia? Não fazia ideia do que fazer ao encontrá-lo novamente.

- Quero – disse convicto, mas estava me tremendo de emoção.

- Ok, mas antes preciso falar e fazer algo... Eu estava totalmente errado sobre Baekhyun, nunca foi ele o herói destinado a salvar o mundo, mas sim você.

- O que?- não consegui controlar minha surpresa.

- Baekhyun não era o herói dessa história, ele era apenas um coadjuvante. Sempre foi você e só agora percebo isso. Certamente seus pais estão orgulhosos de você Chanyeol.

Até tomar conta do que Yang me falava fiquei estático. O destino de salvar o mundo era meu? Então por que Baekhyun morreu? Por que Yang não me chamou antes e esclareceu meu destino? Preciso de respostas!

- Enfim, Chanyeol, você é o herói desta história. Agora, eu vou consertar tudo que esta guerra causou a você – o idoso sorriu.

- Eu preciso de respostas! – exigi.

O idoso riu e deu as costas para mim.

- Nem sempre temos as respostas que queremos... Afinal, qual a graça da vida sem um pouco de mistério?

O velho começou a se distanciar e eu o segui pelo jardim. Yang disse que consertaria tudo que causou... Então, o que faria? Ressuscitar-me-ia? Ressuscitaria Baekhyun?

- O que fará? – resolvi perguntar.

- Juntar-me-ei a Yin e restaurarei toda sua vida.

- Mas... – tentei entender o que Yang faria, mas o idoso não me deu espaço para perguntar e começou a irradiar uma luz própria.

Tentei manter meus olhos abertos, mas a luz era tão intensa que fui obrigado a fechá-los. Senti meu corpo se desmanchar, senti que cada célula se desprendia de meu corpo e me desfazia por completo.

Enquanto me desfazia em milhões de partículas, vi a história retroceder diante de meus olhos. Vi minha morte, vi a morte de Baekhyun, vi meu primeiro beijo com ele, vi seu sacrifício, vi o dia que fritei milhões de omeletes para o café da manhã, vi o dia que Baekhyun me mostrou seus poderes, vi o dia em que me desculpei consigo, vi tudo que vivi com Baekhyun... E por último vi o dia em que o reencontrei no táxi...

Lembro-me de como o achei tão lindo...

E as memórias voltaram mais um pouco. Voltaram para o início daquela manhã antes de encontrá-lo no táxi.

E assim me desfiz por completo.

 

*****

 

Acordei abruptamente, respirava pesado e meu peito doía. Parecia que tinha corrido uma maratona infinitamente. Olhei a minha volta e estava em meu quarto na base dos caçadores. Estava tudo perfeito, os móveis em seu devido lugar e na cama ao lado alguém dormia.

Peguei meu relógio em cima da cômoda e conferi o horário. Era 5h45min, estava quase amanhecendo. No entanto ainda estava confuso com o que estava acontecendo. Por que estava na base dos caçadores? Por que estava no meu quarto? E a pior pergunta: quem dormia na outra cama?

Levantei-me devagar e caminhei nas pontas dos dedos, mas minha tentativa de ser silencioso foi por água abaixo quando o que dormia falou:

- Chanyeol – Kris se virou para mim – Por que está acordado? Tem ideia de que horas são? – parecia irritado, mas não consegui evitar a surpresa. Por que Kris estava aqui? Ele morreu também?

- Você morreu também? – perguntei confuso.

Kris se virou em minha direção e me olhou divertido.

- Você ainda está sonhando? Volte a dormir!

Meus pensamentos estavam bagunçados. O que estava acontecendo? Yang disse que ia consertar tudo, mas só as bagunçou ainda mais. Não sei como ainda confiei naquele velho idiota!

Comecei a andar de um lado para o outro no quarto tentando pensar em uma teoria concreta para o que estava acontecendo. Okay, preciso pensar corretamente. Baekhyun morreu e depois da sua morte, eu morri pelas mãos de Luhan, mas de alguma forma eu acordei no jardim de Yang. No entanto, o que houve depois disso? Yang não consertou coisa alguma!

- Olha, se você continuar andando de um lado para o outro eu vou te dar um soco! – Kris levantou irritado e me encarou sério – No que está pensando?

- Só me responda uma coisa: você morreu?

Kris franziu a testa.

- Eu estou tão vivo quanto você! Chanyeol, você está bem? – o chinês tocou minha testa – Não está com febre... Teve um pesadelo?

Espera um pouco...

Eu estou vivo? Não, eu fui esfaqueado por Luhan, tenho certeza disso. No entanto, por que Kris dizia que estava vivo se eu não estava? Qual era sua intenção com isso?

- Kris, eu tenho plena convicção que eu morri! Todos morreram! Só sobreviveram você, Luhan e Sehun.

Kris riu alto.

- Chanyeol, você está enlouquecendo! – deu uns tapinhas amigáveis em meu ombro.

- Não! Eu estou falando sério!

Kris bufou e veio em minha direção.

- Deixa de ser idiota, Chanyeol! Foi um sonho, respira...

- Mas... – tentei contra argumentar, mas Kris me interrompeu.

- Chanyeol, foi só um sonho, tudo bem? Ninguém morreu – Kris olhou o relógio em seu pulso – Já está na hora, vamos.

Kris saiu do quarto e eu, relutantemente, o segui. Surpreendi-me com o que vi, a base estava totalmente perfeita. Não havia sangue manchando as paredes, os móveis não estavam quebrados, os equipamentos de treinos estavam todos perfeitos... O que houve? Antes tudo estava destruído, mas agora tudo estava consertado e em seu perfeito estado natural.

- Bom dia! – Suho falou sentando em sua poltrona.

Olhei-o surpreso e, de repente, mais surpresas aconteceram. Todos os caçadores começaram a sair de seus quartos e começaram a ocupar os lugares vazios nos sofás distribuídos pelo salão. Permaneci em pé, chocado o suficiente para não me mover e para Suho me notar.

- Kris, o que houve com Chanyeol? – perguntou Suho me encarando estranhamente.

- Ele acordou estranho hoje. Acho que teve um sonho e não está sabendo separar da realidade.

Um sonho? Será que tudo que vivi nos últimos meses não passaram de sonhos? Foi tudo tão real, não pode ter passado de um sonho! Tenho toda certeza que morri e que conheci Baekhyun, que o beijei e que chorei por sua morte... Conseguia sentir a sensação do vazio em meu peito.

- Chanyeol, o que houve? – perguntou Suho.

Ignorei Suho e sentei em meu lugar. Não pode ter sido um sonho... Se estiver certo, tudo que vivi com Baekhyun não passará de imagens criadas por meu cérebro.

- Okay, temos um assunto urgente para tratar – falou Suho, mas não estava dando à mínima. Tenho que descobrir o que aconteceu – Recebi a notícia de que mais uma estudante foi morta na noite passada. Tao.

Tao que estava sentado junto de Kris começou a falar:

- A estudante foi encontrada em uma clareira no meio da floresta na noite passada. Suspeito que foi encantada por um sanguessuga, pois seu corpo estava seco e sem sangue.

- Tudo bem – falou Suho – Minseok.

O loiro estava sentado junto com Chen, seu namorado.

- As atividades demoníacas têm aumentado cerca de 10% somente este mês, alguma coisa está acontecendo. Percebemos que os demônios estão mais espertos, começaram a viver em colônias. Chanyeol, precisaremos do seu esforço na floresta. Prepare todas as armadilhas, claro, se Suho o quiser.

Suho avaliava a sugestão de Minseok e, no fim, concordou.

- Kris, tem algo a colocar? – perguntou o líder.

- Bem, recebemos informações de que dez pessoas novas chegarão à cidade nessa semana.

- Tem a lista de nomes? – perguntou Suho.

Observava a situação corriqueira de mais um dia comum na ordem, mas algo despertou em minha memória como um déjà-vu. Senti já viver este dia antes, algo em mim me dizia que sabia o que fazer... Que dia poderia estar revivendo?... Não pode ser...  Será que o que estava pensando estava certo?

Kris passou a lista para Suho.

- Temos dez pessoas se mudando para a cidade nesta semana... Quatro ontem, uma hoje e cinco amanhã...

...

De repente meu coração começou a correr em meu peito. Se minha teoria estivesse certa, era Ele que estava se mudando hoje. Segurei minhas mãos e tentei controlar as minhas pernas trêmulas. Precisava confirmar minha teoria, por isso perguntei:

- Suho, qual é o nome da pessoa que está se mudando hoje?

Suho pegou o papel e leu o nome:

- Baekhyun, por quê?

Senti meu coração parar em meu peito, senti como se um cofre de dez toneladas tivesse caído em cima de mim, senti um incômodo no peito. Contive a vontade de chorar e tentei manter a calma – o que era impossível em um momento como esse. A teoria que a pouco pensei estava certa: Yang fez algo que me fez voltar no tempo e foi justamente nesse dia... O dia em que me dei conta que amava Baekhyun... O dia em que o encontrei no táxi.

- Chanyeol, você está bem? Está pálido – perguntou Chen.

Concordei, mas aparentava não estar bem. Os sinais eram óbvios: minhas mãos e pernas tremiam, suava frio, meu olhar estava apreensivo... Se estivesse certo, Baekhyun estaria em um táxi regredindo a sua vida “normal”. No entanto, havia um porém, não estava naquele táxi e isso significava que não nos conheceríamos...

Isso não pode acontecer! Isso não vai acontecer!

- Preciso sair – levantei-me devagar e corri pela saída.

Precisava pegar aquele maldito táxi ou Baekhyun nunca me notaria. Corri por entre as ruas da cidade o mais rápido que pude, cheguei à saída da cidade e vi o táxi partir. Gritei e corri atrás do veículo amarelo, mas este não parou.

- Merda! – praguejei. Enquanto estava correndo atrás do táxi, Baekhyun devia estar aos beijos com Sehun. Eca! Isso me causa nojo só de pensar... e, talvez, um pouco de ciúmes.

Precisava pensar... Para onde aquele táxi estava indo? Qual era o destino de Baekhyun? Talvez fosse a ideia de perdê-lo que não me fez pensar direito... Obviamente aquele táxi estava indo para casa de sua avó!

Voltei a correr como se a minha vida dependesse disso e posso dizer que dependia sim, minha felicidade dependia de Baekhyun. Não que precise dele para ser totalmente feliz, mas queria tanto ele comigo e não tê-lo doía.

Eu definitivamente o amo e o quero de todas as formas... Não irei cometer os mesmo erros de antes, salvarei Baekhyun e viverei consigo até meus últimos dias.

Estava molhado de suor quando virei na rua e o encontrei. Estava tão lindo, tão sorridente, tão perfeito... Como alguém poderia ser tão belo? Seus olhos serenos, seus lábios finos, seu sorriso acalentador... Tudo se combina em um complexo angelical e diabólica que encantava qualquer um.

Não me importei se Baekhyun se lembraria de mim ou não, só queria abraçá-lo novamente, sentir seu calor, sentir seu doce cheiro...

Necessitava-o por completo.

Quando me aproximei o suficiente, Baekhyun estava saindo táxi. Seu sorriso se desfez ao notar minha presença... Ele se lembra de mim?

- Oi – disse tímido coçando minha nuca. O que deveria falar? Deveria agir casualmente? – Você é novo por aqui, não é? Prazer meu nome é Chanyeol! – lancei um sorriso amigável e estendi a mão.

Sabia que estava tremendo e Baekhyun percebeu isso, por isso retribuiu o sorriso e apertou minha mão. Senti um arrepio quando tocou minha mão e, involuntariamente, o puxei para um abraço.

- Eu... – tentei dizer algo, mas não consegui. Deixei-me sentir o misto de emoções que tomavam meu peito, senti seu cheiro e seu calor. Baekhyun era adorável!

Baekhyun em um súbito ato me empurrou e me olhou estranho.

- Quem é você?! – perguntou bravo, seu olhar pesava sobre mim e me senti desconfortável.

- Baek...

O garoto se afastou assustado e perguntou:

- Como sabe meu nome? Sehun! – gritou Baekhyun para o primo que estava distante.

Baekhyun realmente não se lembrava de mim? Realmente era um estranho aos seus olhos? Faz todo o sentido. Nessa época Baekhyun não me conhecia, teríamos nos conhecido propriamente hoje a noite quando outra estudante morresse, mas agora minha última chance foi para o ralo... Baekhyun ia me achar um estranho carente e nunca se aproximaria de mim.

Não precisava ficar ali. Seria uma tortura reviver tudo novamente. Virei-me e tentei correr, mas a voz do pequeno me impediu:

- Você é muito bobo, sabia? – permaneci de costas – Você disse que devolveria meu carrinho, cadê?

Virei-me e encontrei um Baekhyun sorridente. Li em seus olhos que ria de minha cara, mas por que mudou de comportamento tão repentinamente? Baekhyun estava se lembrando de mim? Ele pediu pelo carrinho... Será que realmente está começando a se lembrar de mim? Precisava ter certeza.

- O que você disse? – tentei reconfirmar suas palavras dirigidas a mim.

Baekhyun andou alguns centímetros e se aproximou de mim, deixou um pequeno espaço entre nós. O ar estava rarefeito, pois respirávamos do mesmo ar.

- Você é um bobo! Um idiota.... mas é um idiota que quero amar... – se aproximou, passou os braços pelo meu pescoço e selou nossos lábios em um beijo tímido.

Senti meu peito aquecer e meu coração correr. Era Baekhyun ali mesmo? Era em seus lábios que me deliciava. Queria gritar o quanto estava feliz, o quanto desejava por esse beijo e o quanto o queria, mas era real mesmo o que estava vivendo?

- Agora devolva meu carrinho! – disse ao separar o beijo.

Não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Baekhyun se lembrava de mim? Lembrava-se do que tinha acontecido? Estava feliz por tê-lo ali comigo, mas queria respostas.

- Baek, eu não entendo... Você se lembra de tudo? – Baek concordou – O que houve então, por que estamos aqui?

Baekhyun sorriu.

- Yin, com a guerra, causou um desiquilíbrio na ordem natural do mundo e para haver equilíbrio novamente, Yang se sacrificou. Quando Yang se juntou a Yin, a guerra chegou ao fim e meio que ela se apagou da história. No entanto, muitas coisas tinham acontecidos devido à guerra e essas coisas não podiam permanecer, pois a guerra as causou, entende? A história precisava ser reescrita do seu ponto de início e o início se deu quando nos conhecemos.

Então Yang fez o que prometera? Acho que sim, ele me devolveu a vida, mas dessa vez tinha alguns privilégios... Tinha Baekhyun.

Baek olhava em meus olhos e eu olhava os seus. Permanecemos assim por minutos até que decidi beijá-lo novamente. Ainda estávamos próximos o suficiente, por isso não foi difícil me aproximar. Acariciei seu rosto diversas vezes e fui deixando leve selares por onde passava, Baekhyun suspirava de olhos fechados a cada beijo meu.

- Eu sonhei tanto com esse dia... – disse em seu ouvido, mas Baekhyun riu.

- E eu pensava que você me odiava... Por que me tratava ruim naquela época? – perguntou.

- Porque não queria você na ordem. Não queria que você levasse a mesma vida que a minha, correndo perigos a todo o momento.

- E por que mudou de ideia?

- Porque o queria perto de mim – Baekhyun riu.

Voltei a beijá-lo e sem pressa beijei seus lábios. Baekhyun ainda tinha os braços em volta de meu pescoço, puxou-me para que aproximássemos o beijo. Deslizei as mãos por suas costas e agarrei sua cintura. A cada momento beijo se tornava mais intenso e ganhava uma volúpia diferente.

Teríamos continuado a nos beijar se não fosse pela interrupção abrupta de Sehun.

- Finalmente! – gritou perto o suficiente para que nos assustássemos.

Luhan estava ao seu lado e se divertia da minha expressão assustada.

- Sehun! – protestou Baekhyun.

- O que foi? Vocês iam ter que parar de qualquer forma, vovó fez o café da manhã!

Baekhyun comemorou e me puxou para que adentrasse a casa de sua avó. Tomamos o café da manhã todos juntos, rindo de coisas aleatórias e contando tudo o que tinha acontecido antes de Yang reverter tudo.

Passei o dia na casa de Baekhyun. Conversamos por bastante tempo e isso nos permitiu uma aproximação enorme. À tarde voltei à base com a promessa de voltar para jantar consigo e descobri que os caçadores já sabiam do ocorrido, pois Yang conversou com eles no jardim. Kai e os outros caçadores se desculparam comigo e houve uma pequena comemoração.

No fim da noite, após a janta, Baekhyun me convidou para ir ao seu quarto e tive que aguentar as piadinhas de Sehun sobre usar camisinha, mas sabia que eu e Baekhyun não estávamos preparados para algo do tipo agora.

- Não liga para Sehun, ele é idiota às vezes!

Baekhyun sentou na cama e sinalizou para que sentasse ao seu lado e assim o fiz. Ficamos calados por um tempo. Era tão estranho, mas ao mesmo tempo tão certo.

- Chanyeol... – Baekhyun se virou em minha direção e me olhou sério – Será que tudo vai se repetir? Eu não quero que...

- Eu também não... – o interrompi – Eu vou fazer de tudo para te proteger, Baek... Eu falhei, mas dessa vez tudo será diferente...

Baekhyun sorriu e descansou a cabeça em meu ombro, passei meu braço por trás de si e acariciei seus cabelos. Baekhyun fechou os olhos e recebeu meus carinhos silenciosamente.

- Chanyeol... – disse ainda de olhos fechados – Eu não disse da última vez, mas acho que eu gosto de você, tipo, muito mesmo...

Olhei-o e Baekhyun ainda estava de olhos fechados, talvez tentando esconder a vergonha de admitir isso a mim. Sabia claramente que era pouco tempo para desenvolvermos o sentimento de amor, mas estava disposta a construí-lo.

- Baek, eu preciso fazer algo!

- O quê? – Baekhyun levantou o rosto e me encarou – Você vai embora? – Baekhyun pareceu ficar triste.

- Não! – ri – Vou ficar com você, para sempre, mas preciso fazer isso...

Levantei-me e puxei do bolso o velho carrinho azul.

- Está na hora de devolvê-lo ao seu legítimo dono, não? – Baekhyun riu.

- Sério? – perguntou divertido – Fez esse teatrinho só pelo carrinho?

- Ora, não foi o combinado? Tenho que te devolver! Aliás, você também fez um teatrinho mais cedo – me referi à forma que me recebeu quando fui ao seu encontro no táxi.

Ajoelhei-me, estiquei os braços e ergui o carrinho como se fosse uma oferenda.

- Senhor Baekhyun, receba este carrinho como oferta de sacrifício...

- Chanyeol! Deixe de ser idiota – riu Baekhyun e socou meu braço.

Aproximei-me de si e apoiei meus cotovelos em suas coxas e o olhei igual a um bobo apaixonado.

- Eu me torno um idiota por você...

- Você já é naturalmente idiota!

- Sou um idiota apaixonado.

- E eu acho que amo pessoas idiotas...

Sorri e pulei em cima de Baekhyun e permanecemos assim durante a noite inteira, um rindo um do outro, outrora trocávamos beijos e carícias, conversávamos sobre o que tínhamos e o que não tínhamos em comum e assim fomos, pouco a pouco, nos conhecendo profundamente.

Baekhyun me contava de sua infância, dos momentos felizes com seus pais, dos natais que passava com sua avó. Contei a Baekhyun minha história, a forma que fui criado e tudo que aconteceu em minha vida até conhecê-lo. Compartilhávamos nossos medos, nossas angústia, nossas frustações... Vivíamos em uma relação mutualística, dependíamos um do outro.

...

E assim os dias foram se passando, eu e Baekhyun nos aproximávamos mais e mais, até que resolvi pedi-lo em namoro e sua avó abençoou nosso relacionamento. Anos e anos se passaram até que concretizássemos nossa união no ato do casamento e fundássemos nossa própria família.

Aquele dia foi o dia mais perfeito em minha vida. O modo que Baekhyun sorria e o modo que trocamos as alianças. Sem falar de nossa tão esperada Lua de Mel e a primeira vez que fizemos amor. Outro dia que nunca sairia de minha memória foi o dia que concretizamos a adoção de nossos filhos. Não demorou muito para escolhê-los, só bastou uma criança grudar em nossas pernas e implorar um lar que as aceitamos.

Não abandonei a vida de caçador, pois sabia que o mal sempre estaria à espreita. Sabia que o mal estava esperando o momento certo para agir, mas não seria nessa vida, pois o amor combate todos os males. O amor é a cura e a solução para qualquer problema. E foi meu amor por Baekhyun que fez lutar para salvar o mundo.

É por meio deste amor que aprendemos a dar valor necessário as coisas simples e especiais da vida. É pelo amor que lutávamos por razões, às vezes, sem sentido. É o amor que transforma um pequeno sorriso em uma gargalhada.

O amor age em todos os lugares e ele independe de qualquer coisa. O amor independe de gênero, sexualidade, cor... O amor age em qualquer lugar, só é preciso que alguém que esteja disposto a amar.

É o amor a essência da vida...

...

E o meu amor tinha um nome...

Seu nome era Byun Baekhyun!


Notas Finais


Gente, meu peito está explodindo de felicidade. Sério! Estou muito feliz! O capítulo deu o final feliz que vocês esperavam? Eu espero que sim! Eu fiquei muito feliz com o resultado.

Agora vamos a parte sentimental...

Apesar de eu escrever uma fanfic, eu me acho muito ruim com as palavras, mas eu tenho que fazê-lo!
Enfim, vamos lá!

Eu sou muito agradecido por todos vocês, leitores, por me acompanharem nessa aventura que foi escrever minha primeira fanfic. Sobretudo, existem algumas pessoas que são de demasiada importância para mim, pois sem elas eu não teria ido longe. Yhasmin (~ILizes), Ana Clara (~Nayeonnie_), Gabi Borin (~Bii_Yeollie), Julie (~Misukisanlover) e Júlia (~juliasales741) vocês de longe foram as pessoas que mais me ajudaram nessa fanfic, vocês me conhecem muito bem e sabem o quanto reclamava de tudo sobre a fic e como a odiava. Cada uma, em sua particularidade, me ajudou e pouco a pouco consegui entender o que tanto me falavam. Além delas, TODOS VOCÊS (leitores fantasmas, etc) que leram e comentaram, pois nos meus momentos mais difíceis os comentários de vocês me salvaram, pois já pensei em desistir várias vezes. Eu não sei como expressar esse sentimento, mas sou e serei eternamente agradecido a CADA UM DE VOCÊS e vou leva-los sempre em meu coração.

MUITO OBRIGADO A TODOS! NÃO SERIA NADA SEM VOCÊS <3

E lembrem-se: na caçada, nunca se sabe quando o caçador se torna a caça!
Milhões de beijos e até qualquer momento!

~Marshmallow


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