História The Hunter's Nephew - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Aventura, Contos De Fadas, Fantasia, Violencia
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Palavras 2.589
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Magia, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction The Hunter's Nephew - Capítulo 1 - Prólogo

 

 

 O primeiro ataque ocorreu em julho.

 Ainda me lembro de ter acordado de repente e observar o quarto escuro a minha volta. Pode chamar de previsão se quiser, mas eu realmente senti algo aquela noite. Nos meus pesadelos eu caia por um túnel de escuridão enquanto fogo verde explodia por todos os lados a minha volta. Seres vermelhos voavam ao meu redor enquanto espinhos brotavam da parede do túnel.

 Foi extremamente real, e senti os pelos do braço chamuscando segundos antes de acordar.

 Ao sentar na cama notei que o cheiro de fumaça vinha de uma vela apagada há alguns minutos. Provavelmente eu estava muito cansado na hora de dormir na noite passada e tinha me esquecido de apagar a vela, que resistira a noite inteira, até apagar. Me levantei devagar e esfreguei os olhos pra acordar de vez. Abri alguns centímetros da janela e observei o lado de fora. A pequena plantação do lado de fora estava intacta. Os coelhos pareciam ter desistido de vez de buscar cenouras ali. Novamente sacudi a cabeça pra esquecer a sensação vertiginosa e assustadora que o sonho me trouxe. As duas vilas depois da floresta tinham poucas luzes visíveis. Imaginei que fossem umas quatro horas da manhã, ou seja, o sol nasceria em pouco tempo.

 Desisti de voltar a dormir e dei alguns passos até o armário no canto paralelo do pequeno espaço. Ainda no escuro, vesti a camiseta de linho e a calça de couro que notei possuir um furo um pouco abaixo do joelho ao passar o dedo. Resmunguei baixo, reclamando sobre ter que costurar aquilo mais tarde. Foi nesse momento que escutei a primeira bomba. Por um segundo me perguntei se foi real ou seria um resquício do sonho na minha mente. Talvez fossem jovens das vilas que tinham chegado até o pico do vale cinzento para soltar bombinhas, mas estava tarde demais pra isso. E já faziam dois anos que nenhum adolescente subia até ali por conta das histórias sobre o meu tio. Voltei a pensar no som. Realmente pareceu vir de alguns quilômetros de distância. Vesti a pequena jaqueta bege e calcei as botas negras perto da porta.

-Eric. – meu tio gritou com a sua inconfundível voz rouca no quarto ao lado. Saí rapidamente e atravessei o corredor escuro do segundo andar. Empurrei devagar a porta de seu quarto que grunhiu.

- Entre rápido seu bastardo. - meu tio tateava uma cadeira ao seu lado. Seus olhos completamente brancos se moviam de um lado pro outro. Ele sorria como se tivesse acabado de achar um saco com ouro. – Eu as vi Eric. Estão chegando. Eu estava certo o tempo todo. O rei vai saber disso agora...

-Quem está chegando? – perguntei me divertindo com as loucuras dele. Acendi a vela ao seu lado com uma pedra de fogo e me sentei no banquinho ao seu lado. Ele ainda era forte, longe de ser o que havia sido um dia, mas era um senhor resistente. Infelizmente havia ficado cego há alguns anos, e segundo suas histórias, a culpa era de uma feiticeira que lançara uma maldição sobre ele vários anos antes.

-Estão chegando. Já estão vindo. Está noite é a última em que as vilas irão dormir tranquilas. – Ele apertou minhas mãos e me olhou no fundo dos olhos, como se pudesse me ver. – Eu sei que tenho dito coisas que parecem absurdas ultimamente, mas acredite em mim pelo menos dessa vez.

-Tio John, eu não estou entendendo. Você viu o que?

-Elas. E eu posso provar – ele cuspiu desesperado. Seus olhos se arregalaram e sua voz mudou – Eu posso. Eu sonhei com essa noite a um ano, e agora sonhei de novo. Eu irei provar assim que a primeira rir. - Ele cerrou os punhos e olhou para cima. - Merda, temos que cuidar do baú.

-Baú? Nós não temos...

-Mas é claro que temos seu incrédulo... – seus olhos se fecharam e ele me soltou, voltando a se deitar. Sua voz quase desaparecia -... Nós temos. Temos sim... Claro que... Temos. Está em cima das vigas... - Ele dormiu.

 Saí do quarto e deixei a vela acesa para aquecê-lo, por mais que a noite estivesse com uma temperatura favorável. Desci as escadas e atravessei os únicos dois móveis do andar de baixo. Uma pequena cozinha e uma grande sala. Destranquei a porta de madeira da entrada e saí para respirar um pouco. Um mal pressentimento me acompanhava conforme eu rodeava os legumes da plantação.

 Segui até o pequeno celeiro, que era uma pequena casinha vermelha ao lado da minha e entrei. Cascudo estava acordado e me olhou resfolegando. Seus olhos negros refletiam a luz da lua cheia do lado de fora.

-Como você está seu grande cavalo feio? – Me aproximei sorrindo e vi ele parecer fazer o mesmo. Ergueu uma das patas e abaixou em seguida – Não. Não vamos sair está noite. – Me apoiei com as costas em uma das paredes e observei aquele animal. Era o único amigo vivo do meu tio. Todos os outros tinham ficado nas memórias de suas viagens. Cascudo era seu nome, e ele possuía uma marca única – uma grande lua crescente branca na testa – além de cicatrizes por todo o corpo, uma lembrança das jornadas dele. 

-As vezes eu acho que nós devíamos comprar uma égua para você. - Ele ergueu as orelhas e relinchou baixinho. Pra mim ele nunca havia entendido uma palavra do que eu dizia, mas era assustador como ele parecia entender. - Você merece. Tem que montar em alguma coisa depois de tanto tempo apenas servindo de montaria certo? - Peguei uma maça em um saco ao lado do cercado de madeira que nos separavam. Levei a fruta até a altura de sua cabeça e esperei ele comer. Dei dois tapinhas no lombo do grande animal e saí do local.

 Enquanto caminhava observei as poucas estrelas no céu. Eu não sabia muito sobre elas, mas me perguntei de onde vinham aquelas luzes. Puxei do bolso do casaco uma maça e mordi, sentindo o sabor cítrico. Por um instante parei e mastiguei devagar refletindo sobre a minha vida. Depois de alguns minutos notei que a sensação ruim apenas crescia. Aquilo era estranho.  Me sentei no gramado ao lado das batatas que nasciam e respirei fundo novamente. No horizonte notei uma pequena luz. Em um primeiro momento imaginei ser o sol, mas o ponto era muito ao sul, e além disso, imaginei que o sol demoraria para nascer.

-O que é isso? – perguntei levantando. Uma segunda luz havia surgido ao longe, perto de uma das torres do castelo principal, cujo eu conseguia enxergar apenas a silhueta. Novamente luzes surgiram, e imaginei se estaria vendo coisas. Conforme o tempo passava novas luzes acendiam, cada vez maiores e mais nítidas. Minha mente lembrou das palavras de meu tio e por um segundo fiquei sem ar. Comecei a correr em direção a casa quando notei a primeira risada ao longe. Tropecei nos próprios pés em certo momento, mas logo voltei a correr. Entrei na casa e fiquei indeciso do que fazer primeiro. Se realmente fosse um ataque de bruxas ele estava certo o tempo todo, mas eu não tinha tempo de pensar nisso, subi a escada e adentrei o seu quarto.

-John, você estava certo. – fui até ele, que ainda dormia e toquei de leve a sua mão. Ele abriu os olhos e virou a cabeça na minha direção.

-O que? – disse ele. Seu rosto enrugado parecia não entender o que eu dizia.

-Elas chegaram tio. Elas estão aqui. Nós temos que sair rápido.

 Pela fresta da janela do quarto consegui ver pontos se movendo ao longe no céu. Pequenas chamas se formavam nas torres do castelo.

-Elas? Elas quem? – John se sentou devagar. Ele parecia fraco e confuso.

-Eu preciso que você se lembre do que me disse. As bruxas estão chegando. Você disse que elas queriam algo.

-Eu disse? – ele olhou para baixo pensativo. – Quando? Eu disse o que exatamente?

-Você disse algo sobre o que elas queriam. Era como um... Baú.

 Os olhos dele se arregalaram e seu rosto iluminou. – NO TETO! PEGUE O BAÚ NO TETO! RÁPIDO!

-Como?

-Quebre a madeira do teto como meu machado.

 Aquele era o único objeto da casa em que eu nunca havia podido tocar. O machado prateado era um objeto muito importante para ele. Eu o puxei de baixo da cama e em seguida atingi repetidamente as vigas retangulares e cumpridas do teto fazendo lascas e poeira cair. Por alguns segundo, continuei destruindo o teto e me perguntei se realmente havia um baú ali. Um som seco me fez parar e eu notei que havia atingido algo que não era madeira. Continuei batendo até destruir o teto.

-Retire o baú daí e coloque ao meu lado. - Uma explosão aconteceu ao longe. Dessa vez uma luz roxa atravessou a fissura da janela fechada. Elas estavam chegando muito rápido. Era como um enxame de abelhas no céu. Puxei o cofre, que caiu com um estrondo aos meus pés. Estava fechado por um cadeado ligado a correntes que formavam um X ao seu redor. – A chave está presa embaixo do machado. Pegue ela rápido. – meu tio começou a tossir por conta da fumaça espalhada do teto.

 Girei o machado e notei que encravada em um pequeno espaço abaixo do cabo detalhado estava uma chave, que retirei usando a unha. Acoplei no pequeno espaço do cadeado e girei, ouvindo um clique. Ergui a parte superior do baú e arregalei os olhos ao ver um pingente azul e brilhante preso a uma correntinha, além de um manto roxo escuro dobrado e uma espada colocada em uma bainha negra que ia de uma extremidade a outra do baú.

-O que é isso?

-São três objetos mágicos. Eles pertenceram a alguns... –Ele começou a tremer e gaguejar. – ...Eu devia ter contado antes. Apenas não deixe que elas peguem. Se isso acontecer o reino pode estar fodido.

-Por que elas querem? – Uma nova explosão ocorreu terrivelmente perto e um feixe laranja adentrou o quarto. Pela primeira vez na minha vida fiquei arrepiado ao ouvir a risada áspera e estridente de uma bruxa.

-São objetos... Muito... – meu tio tossiu novamente. – Muito valiosos. Você deve fugir. Não olhe pra trás enquanto não houver atravessado a floresta até a vila de Joriard. Elas vão destruir tudo por aqui. Eu vi isso. Não deixarão nada como está. E não podemos fazer porra nenhuma. Vai ser um desastre. Fuja agora.

-Mas e você?

-Eu vivi o suficiente. Preciso de uma morte gloriosa olhando para um ser desgraçado como os que me seguiram a vida toda. Saia por esta porta e continue a história da família. – suas mãos geladas apertaram as minhas e ele sorriu novamente. Alguns dentes faltavam em sua boca.  – Leve meu machado com você. Espero que tenha boas experiências. Não confie em ninguém que eu não confiaria. Agora vá meu garoto, e não morra. Divirta-se nesse mundo louco. A magia voltou!

 Dei alguns passos para trás segurando os objetos entre os braços, inserto sobre o que fazer, Parei por um segundo quando cheguei ao corredor escuro. Rapidamente vesti o manto roxo e prendi a bainha na minha cintura. - Meu tio é louco. Meu tio é louco. Meu tio é louco. - Era extremamente desconfortável, principalmente por conta do manto ser longo e quase alcançar o chão, além de que eu não era guerreiro e não fazia ideia de como andar com aquele peso extra. Coloquei o pingente em uma abertura na lateral da jaqueta, amarrei o machado nas costas e desci as escadas o mais rápido que pude. Uma nova risada atravessou o céu e um som agudo como um assovio surgiu. Escutei um baque no chão do segundo andar quando o som sumiu e ouvi a voz do meu tio, alta e clara.

-Estou pronto para morrer seres desgraçados. Venham...

 Uma explosão percorreu toda a casa a partir do telhado e magicamente se espalhou sem parar. A onde de calor crescente  percorreu todo o espaço até mim. Corri desajeitadamente pela sombra com o capuz sobre a cabeça. Saltei para trás de uma árvore e tinha certeza de que o fogo havia me alcançado, mas eu estava intacto. Tudo ao meu redor era fumaça e fogo. As árvores estavam em chamas que lambiam tudo ao redor. Luzes explodiam no céu e as bruxas se chocavam umas contra as outras, gargalhando e gritando. Era uma divertida brincadeira de assassinato e explosão. Risadas e mais risadas diabólicas ecoavam pelo céu. Saí de trás da árvore, que já estava consumida pelo fogo até a metade e respirei fundo cobrindo o rosto com o manto.

 Foi então que me lembre de Cascudo. Na mesma hora fiz um grande esforço e refiz o caminho por qual eu tinha vindo. Engatinhei tentando não fazer barulho por cima de galhos queimados. Avistei a cabana dele e me preparei para correr o mais rápido que eu podia até lá, quando uma das criaturas parou com a vassoura cerca de dez metros acima do lugar e sorriu. Ela largou um objeto esférico e prateado, que desceu até entrar no local. Os próximos segundos foram horríveis. Cascudo relinchou desesperado e eu não pude fazer nada enquanto uma fumaça verde e ácida se espalhava por todo o local, derretendo e desintegrando tudo. Meu cavalo tentou fugir batendo com o casco nas paredes, mas assim que conseguiu tombou para o lado, morto, enquanto seus ossos se tornavam visíveis e sua carne virava pó.

 A bruxa que lançara a bomba de ácido sorriu com escárnio. Eu me ajoelhei e olhei meu único animal perder a vida daquela forma.

-Não. Seus demônios! Voltem pro inferno de onde vocês vieram. – gritei olhando diretamente para aquela que sorria. Ela me avistou com seus olhos azuis brilhantes, e no mesmo momento eu notei que morreria se não me movesse. Levantei e virei correndo na direção da floresta. Comecei a ficar sem ar, mas um grupo de seres voadores vinha na vinha direção e eu apenas tentei correr de modo furtivo pelas sombras. A risada havia mudado. Eram gritos repetidos e descontrolados, como se estivessem em outro tipo de atividade. Tinham ido de explosões enlouquecidas para caça. E eu era a vítima.

 Em certo momento enxerguei uma delas a poucos metros da minha cabeça. Tudo que pude fazer foi parar e deitar no chão, torcendo para que a capa me camufla-se na escuridão. E foi o que aconteceu. Todas seguiram em frente, destruindo árvores e fazendo animais correrem, enquanto eu tentava não respirar, imóvel entre galhos e arbustos.

 Semicerrei os olhos enquanto a fumaça se dissipava. Eu imaginei que minha casa agora fosse restos de madeira em cinzas. Eu havia acabado de perder tudo. Minha casa. Meu cavalo. E meu tio. Mas ainda estava vivo.

 Fiquei dez minutos sem me mover. Quando não ouvi mais risadas ou explosões, ajoelhei devagar e fiquei de pé. Retirei uma lasca de madeira da coxa gritando e quando me recuperei puxei meio palmo de lâmina da bainha, vendo meu reflexo no metal. Meu rosto era pura fuligem e meu cabelo marrom estava cinza e bagunçado. Olhei para o céu e berrei como um louco. Oque seria da minha vida agora? Logo estaria de manha e eu teria que continuar a caminhada. Não havia mais o que fazer no local de onde eu tinha vindo. De forma desanimada e lenta iniciei uma jornada até Joriard que ficava a vários quilômetros. Provavelmente, quando eu chegasse, ela estaria destruída, já que as bruxas tinham ido pra lá.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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