História The Icy Eyes Dragon - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias RWBY
Tags Lobo Faunus Ruby, Ruby Rose, Weiss Schnee, White Rose
Exibições 46
Palavras 4.044
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Bishoujo, Comédia, Ecchi, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Violência, Yuri
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


16/04

Estávamos discutindo sobre os capítulos. Quantas palavras usar e como dividiríamos a história corretamente.

No fim ficou um capítulo para Weiss e outro para Ruby, e iríamos revezar. ímpares para Weiss, pares para Ruby. Contendo no mínimo 4k palavras como o meu livro. Sim vai se rum loooongo capítulo...

Então queríamos saber quem ia escrever quem. Fizemos uma quest de perguntas e resposta, e decidimos que eu, Kazu, faria Weiss, e a Suzu a Ruby. Acho que nunca respondi um quest tão estranho quanto aquele.Mas isso foi bom, Weiss é mais fácil para mim que a Ruby, pelo menos essa Weiss.

Weiss vai ser um pouco OC nessa história. Principalmente a respeito dos faunus. Em vista do que ela passou e tals... Eu estava um pouco assustada com essa fanfic, não vou mentir. Espero estar fazendo as coisas bem tals...

De qualquer forma boa leitura.

Capítulo 2 - Capítulo 1: A corda do destino.


Capítulo 1: A corda do destino.

 

Dor... Sangue... Não... Não era para ser assim...

Ela abriu seus olhos azuis apenas para encarar a escuridão que a abraçava. Jogada em uma sala escura de pedra e fria. Fechou a mão em punho se lembrando do que havia acontecido. Os gritos. O choro. O desespero. O medo. O rancor. A morte.

Ela molhou os lábios com a língua rosada. Sua garganta arranhando. Necessitava um pouco de agua. Ela estava com medo. Ela estava assustada. Ela estava desesperada. Estava sem esperança. Estava com frio, sede e fome. Ela estava perdida e nem sabia o que poderia fazer a respeito. Ela estava desamparada. Sozinha naquele lugar.

Gritos ecoavam pelas paredes. Uma pequena luz alaranjada surgiu e junto dela uma mulher. Não enxergou bem quem era. A escuridão e da mascara a impediam de ver o rosto além dos olhos. Ela então viu a grade de ferro. E então a porta de ferro se abriu e uma mão foi estendida.

- Venha comigo. Eu vou te tirar desse lugar – A figura disse. A voz era feminina e calma. Seus olhos âmbares não mostravam nada além de compreensão e piedade.

Ela esticou sua mão para agarrar a da mulher. Ela foi puxada em seus pés. Ela estava com medo. Estava com dor. Estava apavorada, mas havia algo que dizia que era a melhor opção. Ficar ali era pior. Era ali que ela conheceu o terror de verdade, e era assustador.

Elas caminharam silenciosamente pelos corredores estreitos de pedras. Ouviam vozes furiosas. Ameaçadora. Procurando. Amaldiçoando. Informando. Com cautela elas alcançaram uma janela sem grades. Foi quando seus olhos azuis viram a grande lua fragmentada.

- Elas estão ali! Depressa! – Um homem gritou no fim do corredor.

- Acha que pode nos tirar daqui? – A mulher perguntou e ela subiu sobre a janela.

Não havia grades como seu quarto, mas ela sabia que ainda estavam no castelo. Na torre onde os criminosos eram condenados. Eles haviam deixado as janelas sem grade para que se eles quisessem se matar, bastava simplesmente pular.

- Vamos. – Ela disse e estendeu a mão para mulher que subisse na janela com ela. Juntas elas saltaram para sua fuga do castelo.

Suas asas bateram instantaneamente voando por entre as torres. Flechas de fogo eram disparadas. Suas asas blindadas sacudiram todas fora. A mulher pendurada por seus braços. Elas cruzaram as torres, passaram pelos muros. Sobrevoaram o grande lago, e chegaram a floresta branca.

Elas andaram pela neve que chegava até a cintura. Latidos de cães. Gritos eram ouvidos, mas apenas incentivam a ir mais rápido. O medo era o combustível para sue corpo pequeno e magro apenas coberto pelo tecido fino de seu vestido branco manchado de sangue.

Por algum motivo seus lábios se curvaram em um sorriso. Ela estava fora da torre. Fora do castelo. Fora das muralhas brancas do White Castle. Ela estava livre. Ou quase. Se alguém conseguisse a capturar, ela seria obrigada a voltar para a torre.

Não! Ela estava determinada a não voltar para lá. A oportunidade estava ali, e ela iria para longe. Ela seria livre. Ela finalmente ia ser livre!

Ela correu mais rápido e abriu suas asas para voar. Agarrando sua salvadora ela cintura enquanto tomava altura, arrastando para os céus. Se camuflando contra a lua e o céu noturno. Se torando apenas uma sobra ou uma estrela a vista das pessoas. Ela não ia voltar. Nunca mais.

- Vá para o porto. Eu tenho um barco lá. – A mulher misteriosa pediu. Ela obedeceu virando no ar. Uma das coisas boas de ser um híbrido, era sua visão noturna. Ela voou seguindo o mapa que decorou durante de anos.

Ela bateu suas asas varias vezes mantendo se no ar. De fato era mais rápido voar que correr. O ar frio chicoteava contra suas bochechas agora avermelhadas. Seus olhos estreitos pela concentração e pelas rajadas de vento. Ela podia ver o porto se aproximando.

- Ali! – A mulher misteriosa apontou para um pequeno barco, e ela pousou no chão de madeira do porto. Ninguém estava nas proximidades o que era bom.

- O que eu faço agora? – Ela perguntou curiosa.

- Vamos, coloque isso. – A mulher misteriosa disse jogando uma grande capa branca para ela vestir. – Tente manter suas asas sob ela.

- Tudo bem. – Ela fez o que a mulher sugeriu. – E agora? – Perguntou.

- Suba a abordo. – Ela pediu e a dragão assim o fez. A mulher então desamarrou seu barco e o empurrou antes de saltar. Tomando os remos ela começou a remar.

- Você quer ajuda? – Ela perguntou.

- Pegue aqueles remos ali. – Ela indicou. – Faça a mesma coisa que eu. – A dragão assentiu antes de se sentar de costas para a misteriosa mulher e começar a imitar seus gestos.

- Por que você me libertou? – Ela perguntou com um fio de voz.

- Porque ninguém merece ser uma arma. – A mulher respondeu antes de puxar seu capuz de sua cabeça revelando longos cabelos negros ondulados. Um par de orelhas de gato no topo da cabeça. Um faunus. – Me chamo Blake por acaso.

- Eu sou... – Ela parou ponderando. – Meu pai não me deu um nome, mas o mordomo o fez, ele me chamou de Weiss. – Declarou. – E... Hm... Obrigada por me salvar. – Disse por fim fazendo Blake sorrir.

- Sempre. – A gata faunus disse.

- Ali! – Eles ouviram alguém gritar. Blake olhou para trás. Lá estava um homem magro, de cabelos vermelhos e roupas negras. Ele usava uma mascara grimm sobre o rosto.

- Adam... – Blake murmurou.

- O que ele... – Weiss viu o homem correr e saltar. Blake tentou remar mais rápido, ela sabia que ele conseguiria subir a bordo. – Não! – Weiss balançou sua mão na frente do rosto. Uma grande muralha de gelo apareceu entre o barco e o homem.

- Vamos, precisamos sair daqui mais rápido. – Blake afirmou e a dupla voltou a remar.

- Eu não vou ser mais ficar presa naquela torre. – Weiss afirmou movendo seus braços com mais força e rapidez. Empurrando o máximo de agua que conseguia. Blake seguia a determinação da dragão. Se fossem capturados seria o fim para ela também.

A ilha do White Castle ficando para trás. Elas ainda teriam que pegar outra embarcação para escaparem daquele continente. Isso não era um problema. Ela tinha uma tripulação a esperando no porto. O problema era chegar até lá. Por enquanto ela tinha que cumprir seu dever. Atravessar quase meio reino para o barco era algo que ficaria para depois, quando estiverem mais seguras.

- Você não tem medo de mim? – Weiss quebrou o silencio.

- Um pouco, mas eu sei como evitar seus poderes. – Blake deu de ombros. – Além disso, não é como se você fosse o primeiro dragão que eu vejo.

- Existem mais pessoas como eu? – Weiss perguntou interessada.

- Sim, e para onde eu vou levar você, não haverá ninguém que vai agir como um idiota por você ser como você é. – Explicou.

- Para onde vamos? – A menina de branco perguntou.

- Beacon. – Blake disse sem rodeios. – Onde você vai ficar comigo e meu time. É uma academia de caçadores e caçadoras. Mas também tem um papel importante para o governo mundial. E isso me levou a você estar presa no castelo de Atlas como uma arma. – Explicou.

- Lá eles não vão me tratar como... Uma ferramenta não é? – Perguntou receosa e Blake riu.

- Não se preocupe com isso, eles vão te tratar bem. – Blake afirmou. – Beacon é um lugar perfeito para todas as raças. Pode existir um ou dois idiotas, mas fora isso, é um bom lugar. Eu não preciso me esconder lá. Não mais. – Afirmou.

- Isso soa interessante. – Weiss respondeu. – Você acha que... Não importa. – A dragão fez um sinal de dispensa com a mão e Blake ergueu uma sobrancelha.

- De qualquer forma, como você foi parar naquele castelo? – Blake perguntou curiosa. Ela havia ouvido boatos de um dragão e fora averiguar. Agora precisava saber a origem dela.

- Eu nasci lá. – Respondeu.

- Nasceu? Você é filha de algumas das criadas ou algo assim? – Blake perguntou sem entender. Weiss apenas revirou os olhos e ergueu o nariz.

- Eu sou filha da Rainha Schnee. – Ela disse clara e orgulhosamente. – A herdeira do trono de Atlas, a segunda filha da rainha. – Contou.

- O que? – Blake agora estava espantada. – A Rainha tinha tido duas filhas, Winter, que era da guarda real, e outra criança que todos diziam ter morrido no parto. – Ela contou o que sabia e Weiss deu uma risada amarga.

- Foi o que Klein disse. – Murmurou ainda remando. – Minha mãe não teve a chance de escolher um nome para mim. Foi Klein que me deu esse nome. – Revelou.

- Se você não quiser falar sobre isso você não precisa. Vamos ir para Beacon, você pode começar uma vida nova lá. – A gata faunus tentou animar a dragão.

- Obrigada. – Foi sincero. Blake deu um pequeno sorriso antes de puxar os remos.

- Devemos estar seguros por agora. - Ela então foi até um mastro com uma pequena vela. Ela então começou a abrir para que o vento se encarregasse de empurrar o barco. – Você pode dormir um pouco se quiser. Eu vou vigiar, depois trocamos.

- Não. – Weiss disse rapidamente. – Eu faço a primeira vigília, você pode dormir. – Blake ergueu uma sobrancelha e Weiss deu um pequeno sorriso. – É a primeira vez que estou fora. E eu não acho que posso dormir com todos esses sentimentos fervilhando em meu peito. – A dragão explicou.

- Oh! Eu entendo. – Blake afirmou. – Me acorde em algumas horas então. – Pediu antes de se ajeitar no pequeno espaço do chão do barco.

- Boa noite, Blake. – Weiss desejou.

- Noite. – Blake respondeu antes de bocejar. Ela se ajeitou melhor no espaço, usando um dos braços como travesseiro e fechou seus olhos âmbares.

- Estou livre... – Weiss disse baixinho olhando para o céu estrelado. Era tão diferente olhar para céu de fora de seu quarto. Um grande sorriso enfeitou seu rosto com a realização. Como seria o mundo fora de seu quarto?

Uma onda de medo se arrastou sobre seu corpo. Uma ansiedade que ela não conhecia. Como o mundo a trataria? Por mais que odiasse isso, seu cativeiro ainda era seguro. Ali nada poderia alcança-la além da solidão e tristeza, mas e aqui fora? Nessa imensidão? Que tipo de coisa poderia atingi-la? Quais tipos de sentimentos ela teria que temer?

Não. Ela não tinha que se preocupar com nada. Ela não precisava mais voltar para seu pai. Ela não queria mais ser usada por ele. Ela não precisava mais ser humilhada. Não precisava mais ser uma boneca nas mãos daquele homem. Ela não queria ser uma arma temida.

- Eu vou aguentar o que jogarem em mim, não deve ser tão ruim quanto o que aconteceu naquele castelo. – Ela murmurou fechando os olhos momentaneamente antes de voltar a apreciar a vista do céu noturno, e aquela sensação borbulhante em seu peito.

Como a liberdade se sentia?

Ela não sabia bem, na verdade não fazia menor ideia sobre isso. Ela olhou para o castelo que ficava cada vez mais longe. Ela ia ficar bem. Ela tinha que ficar bem. Ele jamais iria voltar a tocá-la. Jacques Schnee nunca mais voltaria a possuí-la. Ela faria qualquer coisa para nunca mais ter que voltar para as mãos dele.

Um feixe de luz cortou o céu. Weiss sorriu levemente antes de fechar os olhos. Que ela pudesse encontrar alguém que se importasse com ela. Alguém com quem ela se importasse também. Era seu único pedido. Porque os outros, ela iria batalhar para conquistar.

Ela se espreguiçou e colocou seus dedos na agua. Um pouco frio considerando que era inicio de outono. Talvez ser um dragão de gelo aumentasse sua resistência ao frio. Ela submergiu a mão. Encantada com a forma que a agua envolvia sua pele em um abraço frio.

Weiss se sentou por horas apenas comtemplando aquilo que não pode ter antes. A forma em que a agua circundava sua mão. O movimento do barco sobre a agua. O barulho do vento que soprava a vela. A brisa em seus cabelos. O cheiro da agua e da madeira molhada. E até a respiração tranquila de Blake no chão.

Então os primeiros raios do sol pintaram no horizonte. Surgindo por entre as montanhas brancas. Weiss se levantou maravilhada. Era uma cena que havia visto tantas vezes, mas ainda era maravilhoso. Era igual, mas ao mesmo tempo tão novo. Ela sorriu. Um grande sorriso. Era seu primeiro amanhecer como uma pessoa livre. Como Weiss Schnee, e não a arma do rei.

- Blake! Blake! – Weiss chamou se agachando e procurando cegamente pela gata faunus. – Vamos Blake, acorde! – Pediu ainda sacudindo a forma dormindo.

- O que você quer Yang? –Blake respondeu esfregando os olhos.

- Yang? – Weiss olhou sem entende para a gata faunus.

- Oh! É mesmo. – Blake se sentou. – Bom dia Weiss. Como você está se sentindo? – Perguntou enquanto se sentava. Ela se espreguiçou, esticando os músculos doloridos.

- Maravilhosa! – Ela disse animada. Percebendo sua agitação e forçou uma tosse. – Digo, eu estou me sentindo muito bem. – Respondeu neutra.

- Isso é bom. – Blake então mexeu em uma bolsa no canto do barco. Ela puxou duas maçãs. – Aqui, aposto que você está com fome, depois você pode dormir. Ainda temos um bom trecho a percorrer. – A morena afirmou e Weiss assentiu.

- Você sabe quanto tempo até estar fora daqui? – Weiss perguntou antes de morder sua maçã.

- Eu diria por volta de uma semana até estarmos a salvo mesmo. – Blake suspirou e Weiss olhou para baixo. – Olha, eu sei que você quer estar livre logo, mas só mais um pouco. Eu prometo que farei tudo ao meu alcance para que cheguemos a salvo em Beacon.

- Oh, claro... – Weiss murmurou timidamente. E então ela moveu os lábios novamente, e Blake achou ter ouvido um baixo “obrigada.”

Assim que Weiss terminou sua maçã ela se deitou para dormir. Blake pescou uma vara do lado de seu barco e jogou o anzol na agua. Não tinha nada melhor para fazer, e talvez Weiss desfrutaria de alguma comida para mais tarde

O barco continuou seu caminho até uma margem distante. Afastado do porto, onde tinha certeza que haveria pessoas procurando. Ela tirou uma fita da bolsa e envolveu suas orelhas de gato. Não podia correr riscos.          As pessoas odiavam faunus naquela região.

- Weiss! – Ela chamou pelo dragão. – Acorde. – Pediu um pouco mais alto, e logo os olhos azuis se abriram.

- Já chegamos? – Perguntou esfregando os olhos com cuidado para não se machucar com as escamas de seus dedos.

- Olhe! – Ela apontou para cidade que ficava cada vez mais próxima.

- Uau!- Weiss deixou escapar.

A maior parte das casas era de madeira. Algumas pintadas, outras não. Os telhados íngremes. Aparentemente a maioria tinha dois ou três andares. Uma chaminé saindo do telhado de cada casa. Era no geral como as casas da cidade perto do castelo. Mas a vista ainda era incrível.

- Coloque isso. – Blake deu um par de luvas brancas para Weiss. – As pessoas daqui não gostam dos que são como nós. – Ela apontou para suas orelhas cobertas.

- Claro. – Weiss então colocou as luvas com cuidado para não cortar com suas garras ou escamas. Ela então olhou para os espinhos em seu cotovelo. Blake seguiu o olhar e começou a pensar em um uma solução.

- A capa. Mantenha a fechada. Com esse tempo ninguém vai suspeitar de nada. – Garantiu e Weiss ajeitou sua capa. Blake olhou para a figura. Parecia bom.

Elas desembarcaram em uma margem e subiram para a cidade. O barco continuou a navegar pelo canal estreito. Seria uma distração se eles estivessem procurando pelo barco.

Weiss olhou admirada para as construções ao seu redor. Elas eram enormes. Muito maiores do que ela imaginara vendo de longe. As ruas estavam cheias de pessoas, mesmo no frio. Crianças brincando na frente das casas. Idosos sentados em suas cadeiras de balanço desfrutando do sol da manhã. Mulheres e homens andando juntos. Tão pacifico.

- Fique por perto. – Blake pediu tomando a frente. Só então Weiss reparou que ela estava usando uma capa semelhante, porém negra.

Elas caminharam pelas ruas de pedras. O chão um pouco escorregadio por conta de neve. Algumas pessoas olharam para as duas figuras de expressão dura que atravessavam as ruas. Os olhos treinados de Blake atentos a qualquer movimento estranho.

A gata faunus parou e comprou algumas carnes secas antes de prosseguir viagem. Weiss logo atrás da morena. Não tinha como perde-la de vista. Ainda mais com aquela fita negra na cabeça. As pessoas ainda olhavam. Algumas apontavam, e isso estava começando a deixa-la nervosa. Como se a qualquer momento fossem atacar.

- Weiss. – Blake chamou a dragão. – Eu sei que você também percebeu, mas enquanto estivermos no meio da multidão ninguém vai ousar a atacar. Eles não querem esse tipo de atenção. Ainda mais com o ataque ao castelo. – Explicou.

- O que vamos fazer? – Weiss perguntou seguindo a liderança da faunus. – Em algum momento as pessoas vão desaparecer.

- Vamos ficar nessa cidade por hoje. É mais seguro. – Blake explicou antes de caminhar até um estabulo. – Fique aqui. - Ela foi para o balcão. Trocou algumas palavras com um dos homens e mostrou a ele um pergaminho e um saco de moedas. Ele assentiu e Blake então voltou para Weiss com um pequeno sorriso nos lábios.

- O que foi? – Weiss perguntou enquanto Blake a empurrava pelas costas para as cocheiras.

- Pegue um cavalo. – A gata faunus respondeu simplista. Weiss caminhou entre as cocheiras. Alguns animais se assustaram quando a viram o que fez seus ombros caírem.

Ela continuou olhando para os animais. A grande maioria parecia com medo, apenas alguns ficavam imóveis, mas quando tentava tocá-los eles recuavam. Weiss suspirou antes de chegar ao fim do estabulo. Ela então viu um grande cavalo branco ali. Majestoso. Seus olhos azuis como os seus. Uma crina extensa e branca.

- O-olá. – Ela cumprimentou antes de tentar tocar o animal. Para seu deleite, o cavalo empurrou seu grande focinho contra sua palma. E ela acariciou a pelagem macia do animal.

- Esse? – Blake perguntou olhando por cima do ombro da dragão.

- É o único que não tem medo de mim. – Weiss disse dando de ombros. A gata faunus sorriu antes de se afastar para falar com o homem novamente.

O cavalo deu passo para frente, enfiando sua cabeça para fora. Weiss riu um pouco antes de afastar e inclinar sua cabeça olhando distraidamente para o chão. Então sentiu algo contra sua testa. Ela ergueu a cabeça apenas para ver a cabeça do cavalo encostada na sua.

- É você... – Ela murmurou baixinho.

- Oh, esse cavalo. – O homem disse pensativo. – Ele é um bom cavalo, mas um pouco fora do controle. Acho que é melhor você montar nele para ver se lhe serve. – Ele disse rudemente. E o cavalo relinchou irritado.

- O que acha Weiss? – Blake perguntou uma ligeira preocupação em seu rosto.

- Eu vou montar para ver. – A dragão respondeu antes de se afastar para o homem poder entrar e preparar sua montaria.

Alguns minutos de ansiosos depois o homem saiu puxando o cavalo por sua rédea. Ele não pareceu gostar muito. Relinchando e subindo em suas patas traseiras. Dando trabalho para ele. Blake sentiu se tensa com a visão. Não havia como Weiss montar em um animal tão bravo e aparentemente indomável quanto aquele cavalo.

- Tem certeza que ainda quer montar essa fera? – O homem perguntou parando na frente de Weiss. Blake lançou um olhar preocupado entre o cavalo e a princesa.

Weiss e o cavalo se entre olharam. Azuis nos azuis. Uma conversa muda. Era quase como se pudessem se entender realmente. Ela se concentrou e tomou uma longa respiração antes do cavalo ceder e desviar o olhar. Weiss assentiu e deu um passo para trás.

O animal deu um passo para trás antes de dobrar uma das patas da frente e abaixar a cabeça. Weiss colocou uma mão sobre o peito e se curvou também. Blake ergueu uma sobrancelha sem entender o que estava acontecendo. O encarregado do haras estava tão confuso quanto a gata faunus. Ele nunca tinha visto nada parecido.

- Estou pronta. Como eu monto no cavalo? – Ela perguntou para a surpresa da dupla.

Blake se apressou e indicou onde Weiss deveria colocar o pé e agarrar para poder subir. A dragão fez o que fora dito, e depois de alguns minutos falhos, ela finalmente subiu sobre a cela. Era estranhamente alto ali, e confortável também.

- Você está pronto? – Ela perguntou agarrando as celas. O cavalo relinchou e Weiss acariciou seu pescoço. - Vamos meu amigo. – Ela murmurou para ele e o cavalo decolou.

Weiss sorriu sentindo o vento em seus cabelos. O cavalo era incrível. Mesmo correndo ele ainda era confortável. Ela quase não sentia seu balanço. O empregado do estabulo apenas olhava estupefato com a cena que se desenrolava a sua frente. Ninguém nunca tinha conseguido subir naquele cavalo, muito menos correr com ele.

- Sim, esse cavalo está ótimo. – Blake disse por fim.

Weiss e seu cavalo pararam na frente da dupla e a dragão desceu. Um sorriso feliz e realizado no rosto dela. Ela bateu levemente contra os músculos poderosos da pata dianteira do animal. Ele respondeu a altura, descansando a cabeça no topo da cabeça de Weiss.

- O senhor sabe onde deixar os cavalos. – Blake disse para o homem. – Vamos Weiss. Temos muito o que fazer ainda. – Blake afirmou antes de começar a andar. Weiss acariciou uma ultima vez seu cavalo antes de seguir a gata faunus.

Elas caminharam pela cidade comprando coisas necessárias. Comida. Agua. Alguns mapas. Uma bolsa para Weiss. E também um florete com câmeras de Dust. A dragão havia dito que Klein e alguns soldados a ensinaram a lutar. Algo sobre alguns dos criados terem pena dela. E uma vez que ela era usada como arma do rei, ele exigiu que ela soubesse manejar algum tipo de arma e usar Dust.

 Elas pararam em uma pousada de tamanho médio. Não muito caro, e nem muito barato. Elas estavam usando as pessoas como escudo, então não podiam se dar ao luxo de um lugar deserto. Era uma faca de dois fios. Mais olheiros, mas era necessário.

- Vamos jantar e dormir Weiss. Amanhã vai ser um longo dia. – Blake afirmou enquanto pegava sua bandeja com dois pratos que continham arroz, um pouco de batatas assadas e uma coxa de frango cada.

- Tudo bem. – Weiss respondeu pegando um garfo para comer.

Não era assim que ela imaginava sua liberdade, mas era melhor do que a torre do castelo. Ela suspirou enfiando uma batata na boca. Blake comia em um ritmo mais rápido, mas Weiss não tinha pressa. Elas não estavam indo embora tão cedo.

Assim que terminaram de comer elas subiram para o quarto e caíram na cama. Não havia tempo para conversas. Poderiam fazer isso mais tarde quando tinham certeza que estavam em segurança. Blake soprou a vela ao lado da cabeceira banhando o quarto em escuridão. Weiss se virou olhando pela janela. Ia ser uma longa noite.

Uma hora depois que a lua atingiu o ponto mais alto no céu. Duas pessoas saíram da pousada usando capas negras. Blake e Weiss. Elas caminharam até a frente do estabulo, onde dois cavalos estavam esperando por elas. Um negro e um branco. Ambos já selados, prontos para uma corrida noturna de escape.

Weiss olhou para os olhos azuis de seu cavalo antes de fazer uma reverencia, que o animal logo correspondeu. Ela subiu em sua cela com ajuda de Blake e então eles trotaram para fora da cidade. Deixando que a lua fragmentada iluminasse seu caminho naquela noite fria de neve.

Cada batida do casco do cavalo no chão de pedra era um passo mais longe de sua prisão. E um passo mais perto da sua liberdade. Para o sonho que ela tinha inventado em sua mente. Para encontrar o que tanto queria. Sua própria felicidade e alguém que se importasse com ela como uma pessoa e não como uma arma.

 


Notas Finais


Eu tentei seguir a linha do capítulo 00
Não vou mentir que eu estava hesitante sobre esse capitulo, ele saiu estranho para meu gosto, e esse novo estilo de escrita foi meio tenso para mim, cheio de pontos e sentenças mais curtas. Pelo menos os diálogos são iguais aos meus.

Não sei como a Suzu consegue escrever assim... Sinceramente.

Cumprindo a palavra, os post serão nos domingos, terças e sextas, o próximo vai sair no domingo, estejam avisados

Kissus
Se cuidem


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