História The Judge - Capítulo 10


Escrita por: ~

Exibições 452
Palavras 4.558
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aeee? Finalmente o Camren moment chegou, podem comemorar \Õ/ ...
Eu sei que é chato ficar lendo notas, mas precisamos dizer algumas coisinhas:
Primeiro: nos desculpem por ter adiado tanto esse momento, e segundo: mandem para a gente o que vocês acharam do capítulo :D

OBS: Houve um pequeno engano na escolha de jurados da Dinah. Antes ela havia escolhido o Adam e agora ela escolheu a Jessie, mas é uma mudança sem muita importância e nós já editamos. Nós postamos hoje por falta de tempo para postar amanhã, e como não queremos deixá-los na mão, está ai o cap atualizado.

PS: *Para quem quiser*, gostaríamos que ouvissem a música The Only Exception, do Paramore, durante a audição da Mila.

Aproveitem, esperamos que gostem <3

Capítulo 10 - Everything I think is... Lauren?


Fanfic / Fanfiction The Judge - Capítulo 10 - Everything I think is... Lauren?


CAMILA'S POV 

Entrei no palco do programa e a primeira sensação que tive era que estava entrando para o show da minha vida, com uma energia positiva e, ao mesmo tempo, aquele sentimento único, resumido a medo, que só quem sobe ali entende.


When I was younger I saw 
( Quando eu era jovem eu vi ) 

My daddy cry and curse at the wind 
( Meu pai chorar e amaldiçoar o vento ) 

He broke his own heart and I watched
( Ele partiu seu próprio coração e eu assisti ) 

As he tried to reassemble it 
( Enquanto ele tentava consertá-lo) 



Segurei firme o microfone em minhas mãos e fechei os olhos, imaginando estar na sala de casa, no banho ou sei lá, fazendo qualquer outra coisa que me tirasse dali e me fizesse ficar mais confortável. 


And my momma swore that she would 
( E a minha mãe jurou que ela ) 

Never let herself forget 
( Nunca mais se deixaria esquecer ) 

And that was the day that I promised 
( E foi nesse dia que eu prometi ) 

I'd never sing of love if it does not exist
( Que eu nunca cantaria sobre amor se ele não existisse ) 

But, darling, you are the only exception 
( Mas, querido, você é a única exceção ) 



No momento em que cantei a primeira frase do refrão, Blake Shelton, um dos jurados, se virou para mim sorrindo, e eu fechei meus olhos, apertando-os ainda mais para não perder o meu foco. 


Well, you are the only exception 
( Bem, você é a única exceção ) 

Well, you are the only exception 
( Bem, você é a única exceção ) 

Well, you are the only exception 
( Bem, você é a única exceção ) 



Após ouvir o refrão, Adam pareceu se satisfazer com o tom de minha voz e virou sua cadeira, me assistindo de pé, até que eu terminasse de cantar. Ele tinha mesmo esse costume de ser exagerado?


I've got a tight grip on reality, but I can't 
( Eu tenho muita noção de realidade, mas eu não consigo ) 

Let go of what's in front of me here 
( Deixar o que está na minha frente aqui ) 

I know you're leaving in the morning when you wake up 
( Eu sei que você estará partindo quando você acordar de manhã ) 

Leave me with some kind of proof it's not a dream, whoa 
( Me deixe com uma de prova de que isso não é um sonho ) 



A terceira a virar para mim foi Jessie, que bateu palmas quase que inaudíveis e eu sorri em meio às lágrimas de satisfação que rolavam. 


You are the only exception 
( Você é a única exceção ) 

You are the only exception 
( Você é a única exceção ) 

You are the only exception 
( Você é a única exceção ) 

Well, you are the only exception 
( Bem, você é a única exceção ) 

And I'm on my way to believing 
( E eu estou a caminho de acreditar ) 



Ouvi o barulho da última cadeira se virando e abri os olhos imediatamente, encarando os olhos da mulher que me encaravam atentamente de volta. Um sorriso sacana se formou em seus lábios e eu juro que poderia fugir dela para o resto da minha vida. Uma hora, eu havia batido em seu rosto com toda força que eu havia conseguido, outra hora eu estava ali, sendo julgada pela mesma Lauren Jauregui. 

Ela estava ali, em pessoa, talvez me encarando de verdade pela primeira vez na vida e eu custava a acreditar que aquilo estava acontecendo. 


Oh, and I'm on my way to believing 
( Oh, e eu estou a caminho de acreditar ) 


Finalizei com alguns pequenos agradecimentos e ouvi as palmas de Jessie aumentarem, conforme os amigos a acompanhavam. Eu sentia o peso do olhar de Lauren sobre mim e era quase como se eu estivesse nua por um momento, ou qualquer outra coisa que me deixasse completamente constrangida naquela situação. Tentei ao máximo manter o foco nos outros jurados, mas era impossível ignorar o fato de que ela estava ali. 

— Conte-nos um pouco mais de você, como você se chama? — Blake perguntou e eu pigarreei antes de falar pela primeira vez depois de cantar. 

— Eu me chamo... Eu sou Camila Cabello... — Respirei fundo antes de continuar. — Eu tenho dezenove anos e sou cubana. 

— Eres maravillosa, Camila. Es un gran placer tener a cantar en nuestro escenario, felicitaciones. — A mulher da qual eu estava tentando ao máximo ter o mínimo de contato me pegou de surpresa e eu engoli em seco. 

Respondo? 

Não respondo! 

Respondo? 

Não, não respondo!

— Gracias, el placer es todo mío. — Respondi por fim, recebendo um sorriso dela em troca. 

Que maldito sorriso era aquele? Céus, que mulher era aquela e que tipo de poder ela exercia sobre mim? 

Para de olhar para ela. Foco, Cabello. 

— No começo, eu achei a sua voz "simples" demais, não havia me convencido. Eu ainda acho muito comum a forma com que você canta, mas sabe fazer o diferencial quando quer, é disso que você precisa: fazer o diferencial sempre. Por isso que eu virei para você. — Jessie falou e, como se fosse possível, meu coração acelerou e as palavras me fugiram. 

— Eu precisei que cantasse apenas o refrão para me convencer. Eu gosto muito dessa música e você não poderia ter feito uma escolha melhor porque ela se encaixa perfeitamente no seu timbre de voz. Parabéns. — Adam elogiou e eu me senti ainda mais tranquila. 

— Você me encantou! Sim pra você, sim para a sua voz, sim para você no meu time, me escolha por favor. — Blake se pronunciou novamente bem humorado, fazendo com que eu gargalhasse e me sentisse mais confortável diante deles. 

— Bom, Camila... Eu estou sem palavras para descrever sua apresentação. Você é linda, maravilhosa, talentosa e tem um belo nome, sem brincadeira. — Agora foi a vez de Lauren se pronunciar e roubar todas as minhas palavras com apenas um olhar. Eu não conseguia agradecer, mal me movia, só conseguia sorrir de felicidade e concordava com tudo o que ela falava. — Eu só acho que você deveria ter escolhido uma música que valorizasse ainda mais essa voz maravilhosa que está guardada aí, dentro de você. Prometo que se me escolher como mentora, trabalharemos isso e muito mais. 

 Trabalharemos isso e muito mais?   Que?

— E então, Camila Cabello? Quem você escolherá como seu mentor daqui para frente? — Jessie J. perguntou com as mãos cruzadas em baixo do queixo e de repente, era como se eu não tivesse palavra ou opinião própria. 

Encarei cada um ali com uma certa aflição e mordi meu lábio inferior, tentando travar uma grande batalha de confusões em minha mente. Pensei por mais alguns segundos e decidi, finalmente, com quem eu seguiria dali por diante. 


LAUREN'S POV 

Não podia ser a garota. Era muita coincidência encontrá-la aqui depois de tudo, depois de eu ter prometido à mim mesma que a encontraria e ter conseguido isso sem nenhum esforço. Era sorte demais, milagre demais, destino demais, sabe-se  lá como chamavam isso, mas de uma coisa eu sabia: eu não iria deixá-la escapar outra vez. 

Levantei depressa daquela cadeira afim de sair dali e encontrá-lá linda e sozinha para que pudéssemos conversar a sós, sem nenhum empecilho. 

Não iria acontecer nada demais dessa vez, eu só queria conversar. 

— Mas Lauren, ainda não acabou... 

— Eu sei Daly, está gravando? Pede para puxar os comerciais, sei lá... — Falei saindo do lugar e olhando de um lado para o outro em busca da garota. 

— Mas já acabamos de chamar, não posso chamar outra vez. — O homem disse na intenção de me fazer voltar, mas eu não podia. Juro que não. 

— É importante. Caso de vida ou morte. — E dizendo isso, caminhei para onde os participantes saiam e a procurei por todos os possiveis lugares que ela, uma participante aprovada, poderia estar. 

Caminhei até a mesa, onde ficavam os documentos que eles assinavam para a proxima etapa do programa, e estava vazia, tendo apenas uma pessoa da produção para administrá-la. 

— Oi? Ham... Você pode me dizer se a última participante a passar por aqui, foi uma morena de sotaque latino? 

— A última? — A mulher perguntou como se eu já não tivesse deixado claro e vasculhou dentre as várias papeladas na mesa. — Karla Camila Cabello... 

— Essa! Sabe me dizer pra que lado ela foi? — Perguntei impaciente e ela pareceu pensar por alguns segundos. 

— Pra que lado...? 

— É, minha filha, eu não tenho o tempo todo. 

— Para o banheiro. Ela está lá. 

— Ótimo. — Respondi por fim, marchando até o local normalmente com a leve sensação de vitória, a mesma de quando eu conseguia achar o que eu tanto procurava. 

Com as mãos no bolso frontal da calça que vestia, entrei galanteadora, com o barulho oco das botas batendo no chão e fitei bem a cara da pessoa que lavava as mãos calmamente e conversava com uma outra participante que, provavelmente já tinha se apresentado. 

"Ora, Ora. Se não é a 'famosa' Camila Cabello que eu tanto procurava. "  Sorri comigo mesma ao pensar. 

Nunca pensei que fosse ser tão fácil encontrá-la assim, de repente. Aliás, por que eu estava atrás dela? Eu nunca ía atrás de ninguém se a pessoa não viesse, mas por força maior eu me sentia atraida por ela de alguma forma. 

— Eu fiquei tão feliz Camila, acho que nunca havia sentido uma sensação como essa em toda a minha vida. Me sinto a própria Beyoncé... Ei?! — A tagarela parou por um segundo e encarou a amiga que estava paralisada ao me ver encarando-as com serenidade. — O que houve? 

— Nada, Dinah... Vamos indo... 

— Mas por que? — A maior perguntou e olhou para trás no mesmo momento em que eu resolvi me pronunciar, mas desisti quando ela continuou. — Lauren Jauregui? Meu Deus! 

— Eu só queria trocar uma palavrinha com você antes — Disse me referindo à morena —, será que incomodo? 

— Não, claro que não! — Dinah respondeu e eu sorri em resposta. — Eu te espero lá fora Mila. 

— Dinah, eu não tenho nada pra falar com uma estranha, vamos sair daqui juntas! — Falou entredentes e Dinah a fuzilou. 

— Te espero ali fora, deixa de ser chata! — E dizendo isso, a loira caminhou para fora do lugar, deixando uma Camila completamente irritada para trás. 

— O que você quer? — Cruzou os braços na altura dos seios e me encarou com um olhar superior ao meu. 

Será que ela não percebia que quanto mais fazia de tudo para ser desagradável, mais eu a achava parecida comigo e mais eu me sentia atraída por ela? 

— Eu só queria me desculpar por aquele dia... — Comecei meio sem jeito e ela sorriu irônica. 

— Ah, para! Se desculpar? Você não me parece o tipo de pessoa que sai se desculpando por aí. 

— Sabe que você tem razão?! — Sorri um pouco mais confortável com a situação. — estou pouco me fodendo para isso mesmo. Foi apenas um pretexto para conseguir falar com você... 

— E de onde você me conhece? — Perguntou como se não soubesse do óbvio e eu revirei os olhos impaciente. — O que foi? 

— Eu sei que você é a garota que eu beijei acidentalmente na boate, não vai negar. 

— "Acidentalmente"? — Gargalhou com sarcasmo antes de continuar — Como eu já disse, não me recordo. Tenha um bom dia. — Disse se dirigindo à saída e eu a segurei pelo antebraço antes que pudesse completar o ato. 

— Como alguém não se recordaria de mim? Mais fácil, bem mais fácil, eu não ter me recordado de você. 

— E só porque você é a famosa Lauren Jauregui, acha que pode chegar nas pessoas daquele jeito? Acha que as pessoas vão estender um tapete vermelho por onde você passar? 

— Recordou agora? E eu realmente acho. — Respondi simplesmente. 

— Para mim, você é uma completa desconhecida. Porque veio atrás de mim? Por que eu? Tantas outras melhores por ai, por que céus você cismou comigo? 

Sorri de lado e caminhei pelo lugar, processando as perguntas e me sentindo uma completa imbecil por estar atrás dela. Do contrário, isso nunca aconteceria e eu precisava manter algum tipo de contato com ela. 

Se Maomé não vem à montanha... 

— Te confesso que me pergunto isso todos os dias, mas não encontro respostas. Talvez você poderia me ajudar... 

— Você nem me conhece. 

— Mais um motivo para estar atrás de você. 

— Já sei. Já entendi tudo. — Bateu uma palma — Você gosta mesmo de apanhar e está afim de andar por ai com a cara cheia de make para esconder a marca, como saiu nos sites nos últimos dias, acertei? 

— Você anda pesquisando muito sobre mim, suponho. — Sorri vitoriosa. 

— Está supondo errado. — disse e suspirou depois —  Olha só, Lauren, eu sinto muito mesmo. Mas seja quem for que você pense que eu sou, eu não sou. Então, por favor, eu tenho mais o que fazer depois daqui, não tenho a vida ganha como você tem e se pediu desculpas, considere-as como aceitas. 

— Eu não vou te perder de vista e isso aqui é apenas o começo dos nossos outros vários encontros "casuais", é importante que você tenha em mente. 

— Eu não estou entendendo, é serio. O que você quer comigo? — Perguntou e eu me aproximei dela sem o menor receio de alguém entrar ali e nos pegar ou dela repetir o que havia feito da outra vez e me acertar em cheio do outro lado do rosto. 

Quanto mais eu me aproximava dela, mais ela se afastava de mim como se eu fosse atacá-la a qualquer momento, e iria, num bom sentido, é claro. 

— Quero ouvir você dizer que gostou do beijo que te dei aquele dia. — Respondi dando mais um passo para frente, enquanto ela dava dois pra trás. 

— Você só pode estar de brincadeira. Eu não vou dizer isso. — Piscou algumas vezes e desviou seu olhar do meu, enquanto eu ainda a encarava. 

— Você gostou, diz pra mim. 

— Pra quê? — Perguntou franzindo o cenho e dando mais um passo para trás. 

— Quero saber a verdade. — Respondi sorrindo torto e dando mais um passo para frente, até que parei por um momento, vendo-a se chocar contra a parede. 

— A verdade é que foi normal. Não senti nada de diferente. 

Apoiei uma das mãos na parede ao seu lado e antes que ela tentasse escapar pelo outro, apoiei a outra mão deste mesmo lado a encurralando. 

— Diz isso, mas diz olhando nos meus olhos. — Fitei a garota que parecia desconfortável com a situação. — Diz que eu não sou boa o suficiente no que faço. 

— Lauren... 

A vontade de beijá-lá ali mesmo havia se tornado incontrolável e eu precisava me controlar para não meter os pés pelas mãos novamente. Por que ela tinha que agir daquela forma comigo? Cada vez que eu a via, mais diferente ela parecia, como um distúrbio bipolar ou algo do tipo, mas de uma forma boa. Em um momento eu a enxergava como uma Camila frágil, ingênua e como se pudesse quebrar a qualquer momento e em outra situação, uma menina determinada e indisposta a abaixar sua cabeça para qualquer pessoa e isso me deixava mais fodidamente interessada. Por que ela complicava tanto as coisas? Por que não facilitava como Keana fazia? Talvez fosse por isso que eu na estava tão interessada nela como estava por Camila. 

— Diz, vai. — Pedi calmamente, desejando pular para a parte em que a gente se pegaria ali mesmo, naquele lugar e sem preliminares. 

— Eu já disse, Jauregui, o que você quer de mim? — Disse com os olhos fechados enquanto eu acariciava seu rosto com uma das mãos, e entendi aquilo como uma aprovação. Bom saber. 

Aproximei meu rosto do seu e depositei minha mão vaga em sua nuca a trazendo ainda mais pra mim, enquanto a garota ainda relutava, mas cedia aos poucos. Puxei seu lábio inferior com os dentes e dei uma leve sugada antes de soltá-los e colar minha testa na sua, em um ato insano. 

— Você! 

Aquelas palavras saíram da minha boca sem eu, ao menos, ter permitido que saissem. Minha mão escorregou de sua nuca para o seu rosto, enquanto nossas respirações ofegantes se entrelaçavam em um único ritmo. Fechei meus olhos e aproximei meus lábios dos seus, que se mantinham ainda juntos em uma linha fina impedindo-se de se entregar, mas eu tinha certeza de que ela queria aquilo tanto quanto eu queria. Pedi passagem com a língua, mas a garota continuava relutando, e ficou assim por mais alguns minutos até permitir. 

— Que bom que te encontrei, Lauren! — Marcus, um estagiário da produção, apareceu sem que eu pudesse dar um inicio oficial ao beijo e eu bufei frustrada, ainda com os olhos fechados — Te procurei por toda parte. 

— O que você está fazendo em um banheiro feminino? — Perguntei impaciente e o vi arregalar os olhos em minha direção. 

— D-desculpa, e-eu não quis incomodar... — Coçou a cabeça e eu pude perceber que seus pés tremiam um pouco. Eu riria daquela cena se não estivesse completamente puta com ele no momento. — Estão te chamando p-para dar inicio ao... 

— Entendi. Eu já vou! 

— Me desculpe. — O rapaz se desculpou novamente e senti Camila saindo de trás de mim de uma forma apressada. 

— Não precisa se desculpar. — Sorriu simpática para o homem. — Eu já estava mesmo de saída. 

— Estava? — Perguntei e sorri irônica. 

— Estou! — Exclamou e Marcus deixou o banheiro entendendo que eu não o queria mais ali nos observando e Cabello fez o mesmo


CAMILA'S POV 

Saí do lugar praticamente fugindo, como se alguém fosse me sequestrar a qualquer momento e era exatamente isso que eu temia, pois não duvidava das atitudes de Lauren. 

Em tão pouco tempo ela já havia me mostrado motivos suficientes de que ela era capaz de tudo quando queria alguma coisa e eu não entendia o que ela queria de mim. Sinceramente, nem teorias eu tinha, só tinha uma certeza: que quanto mais eu fugia, mais ela encontrava motivos para não desistir. 

— Camila! Meu Deus, eu achei que vocês iriam se devorar lá dentro, estava quase entrando para ver se você estava bem.  — Dinah surgiu por de trás de mim, me assustando um pouco. 

— Credo Chee... Quer dizer, Dinah. — Bati em minha testa por ter errado sem querer seu nome e ela riu. 

— Hmm, se assustando atoa, trocando as palavras... Cabelos desarrumados e respiração ofegante... Esses sintomas são de pervertissite, são curados com umas boas doses de "amassos" e... EI! Eu gostei disso que você acabou de me chamar. 

— O quê? Eu tenho um namorado que, inclusive, está me esperando na saída. — Falei puxando-a mais depressa pelo corredor a fora. 

— Nada impede. E você tem uma bundinha enorme, qualquer um, como a Jauregui, iria... 

— Dinah eu não conhecia esse seu lado cara de pau. — a interrompi e ela gargalhou, andando um pouco mais devagar quando nos afastamos do banheiro. 

— Você tem muito o que conhecer de mim ainda, Cabello, e a propósito, vou te chamar de Chancho.  Receba como um apelidinho carinhoso a partir de agora. 

— Sabe que eu gostei de você? Sério, eu nunca fico à vontade com pessoas que eu acabo de conhecer, mas com você eu sinto como se fossemos amigas desde sempre. — Enganchei meu braço no dela e dei um pequeno pulinho de euforia. 

— Awn, que declaração linda, mas não mude de assunto! Que história é aquela de beijo que ela te deu "naquele dia" ? — Perguntou e eu apertei os olhos amaldiçoando aquela lingua grande de Lauren e aqueles ouvidos fofoqueiros de Dinah. 

— Você ouviu?? 

— Uma nuvem me falou e eu fiquei extremamente chocada com isso. Não sabia que Lauren Jauregui era sapatão, apesar dos boatos e das teses. — Dinah praticamente gritou a última frase inteira e eu arregalei os olhos, assustada. 

Aquela palavra "sapatão" me assustava, às vezes. 

— Shhh China fale mais baixo! — Resolvi devolver a forma carinhosa e pensei em um jeito de abreviar toda aquela história antes de encontrar Shawn, minhas amigas e minha família do lado de fora. 

— Me conte, anda. 

— Calma, vou contar mulher! — Rolei os olhos antes de começar e respirei fundo, contando minha versão. 



" Lauren Jauregui investe em mais uma mansão:

A cantora, agora jurada do talent show The Voice nos EUA, não descansa quando o assunto é 'casa nova' e não pensa duas vezes antes de investir na primeira que lhe agrada. A celebridade mudou-se recentemente para a residência em Manhattan, New York, que possui cinco quartos, casa para os hóspedes, piscina e muito mais no valor de, aproximadamente, 12 milhões de dólares. " 


O site Radar Online estava aberto em uma matéria exclusiva e, com letras garrafais, sobre Lauren Jauregui e sua nova mansão em Manhattan. Era impressionante como, mesmo com tudo em sigilo, aquelas baratas chamadas "paparazzi" sempre estavam ali, com todas as informações e fotos que comprovavam sua tese. Eu via isso acontecendo com varias pessoas famosas e tinha medo do que eles poderiam revelar sobre mim, quando eu estivesse nesse meio artístico. 

E o que eu estava fazendo ali procurando sobre a vida pessoal de Lauren Jauregui? Não, eu não estava procurando sobre a vida dela, eu só estava conhecendo melhor os  jurados do The Voice. 

É, nada demais! 

Por que eu estava me cobrando explicações? Não havia explicação para aquilo além de curiosidade, eu não estava interessada na mulher ou nada do tipo. 

— Eu tenho que parar com isso! — Exclamei desligando a tela do celular e bufando baixo, irritada comigo mesma. 

Fazia alguns dias desde a minha apresentação no The Voice e eu não havia parado de pensar nela em momento algum dos meus dias. Sempre que eu tentava tirá-la da minha mente, eu me lembrava de que teria que passar pela próxima batalha e me perguntava como seria ter que olhá-lá outra vez e fingir que nada tinha acontecido. Querendo ou não, aquela abordagem no banheiro tinha sido mais do que um simples encontro casual. Que efeito ela parecia ter sobre mim para me fazer ficar daquela forma, praticamente rendida aos seus encantos? Que ideia imbecil era aquela de perguntar sobre o beijo? Eu havia gostado, se era isso que ela queria saber. Eu tinha adorado o jeito com que ela manuseava suas mãos e o rumo que aquele beijo estava seguindo, mas ela não precisava saber. Não para alimentar ainda mais seu ego. 

FLASHBACK ON 

— Você gostou, diz pra mim. 

Eu queria saber por que ela fazia tanta questão daquilo. O que iria mudar caso eu dissesse que sim ou que não? Ela iria esperar, mas eu não diria nada sobre aquele dia, pois tudo o que eu queria, e estava lutando para fazer, era esquecer. 

— Pra quê? — Perguntei franzindo o cenho e dando mais um passo para trás, rezando para que aquela maldita parede desse em algum lugar longe dali e que nunca mais a mulher conseguisse me encontrar. 

— Quero saber a verdade. — Respondeu sorrindo torto, aquele mesmo sorriso canalha que eu infelizmente gostava, e deu mais um passo para frente até que eu  batesse de vez contra a parede. 

— A verdade é que foi normal. Não senti nada de diferente. 

A mulher apoiou uma de suas mãos na parede ao meu lado e, como se tivesse lido os meus pensamentos, apoiou a outra mão do outro lado me encurralando para que eu não pudesse escapar. 

Droga! Aquilo iria dar merda e eu estava fodendo o meu relacionamento aos poucos, sem querer por causa daquela... Droga! 

— Diz isso, mas diz olhando nos meus olhos. — Seus olhos me fuzilavam com intensidade e minhas mãos, naquele momento, soavam frio — Diz que eu não sou boa o suficiente no que faço. 

— Lauren... 

Por que diabos eu não conseguia dizer aquilo olhando nos olhos dela? Seria a coisa mais fácil do mundo Camila! Era só olhar e dizer. 

Ponto. 

Fim! 

Mas eu não conseguia por mais fácil que parecesse. Ela era sim muito boa no que fazia e eu não conseguiria, de jeito algum, mentir falando que não. Eu tinha vontade de socá-la, bater, chutar essa idiota e descontar toda a minha raiva dela nela mesma, mas eu também tinha vontade de agarrá-la, beijá-la e não soltar nunca mais, apenas para continuar sentindo aquela sensação maravilhosa que só conseguia sentir com ela. Aquele frio na barriga e aquela adrenalina de estar fazendo algo errado me trazia uma sensação boa, eu gostava daquilo e me crucificava mentalmente por isso. 

— Diz, vai. — Pediu com a voz mais suave, mas era nítido que ela estava impaciente. 

— Eu já disse, Jauregui, o que você quer de mim? — Perguntei no mesmo tom com os olhos fechados, apenas aproveitando suas carícias. Malditas carícias imbecis e gostosas. 

Senti seu rosto se aproximando do meu e sua mão sendo depositada em minha nuca, me trazendo ainda mais pra ela, enquanto eu ainda relutava para não acontecer o pior, mas cedendo aos poucos. Lauren puxou meu lábio inferior com os dentes e deu uma leve sugada antes de soltá-los e colar sua testa na minha, inesperadamente. 

— Você! 

Engoli em seco e meu coração se acelerou, tornando minha respiração ainda mais descompassada do que já estava e eu sentia que dali por diante, eu estaria em um caminho totalmente sem volta. 


FLASHBACK OFF 

— Kaki, o que você 'tá fazendo? — Sofia perguntou sonolenta ao acordar na cama ao meu lado, fazendo com que eu desse um pulinho de susto. A pequena havia insistido para dormir comigo e Shawn, na noite anterior, e não tivemos como negar aquela fofura. 

— A Kaki estava pensando. — Sussurrei depositando um beijo em sua bochecha. — Bom dia, princesinha. 

— Bom dia, princesonaaaaa!!! — Exclamou alto, fazendo com que Mendes acordasse e eu sorri sem graça. — Ih, acordou o tio. 

— Não tem problema, pequenininha. Bom dia para as meninas mais lindas desse mundoooo! — Exclamou, também animado, e deu um beijo na testa de Sofia, antes de selar seus lábios nos meus. 

— Bom dia amor. — Respondi forçando emoção. 

— Por que Kaki chama você de amor? Eu também sou amor dela e ela não chama eu assim não. — Sofia respondeu fazendo um bico enorme, o que fez com que eu risse e ela ficasse ainda mais irritada. 

— É claro que você é o amor da Kaki. O amorzão dela, mais do que eu. — Shawn respondeu tomando a garotinha em seus braços. 

— É? 

— Mas é claro que é. Meu amorzão grandão. — Falei, fazendo-a sorrir, dessa vez. 

— Vamos tomar café? — Shawn perguntou. 

— Vamoooos!!! — Gritei "animada" tentando esquecer o motivo do meu desconforto. 

— Não quero comer. Sofi ta sem fome Kaki. — A pequena respondeu em terceira pessoa e toda vez que ela fazia aquilo, eu a achava ainda mais fofa do que era. Ela era surpreendente às vezes. 

— Aaaah não, mas Sofi vai comer sim. Tem bolo gostos... 

— Sofi vai não! — A garota me interrompeu. 

— Sofi vai, e vai de aviãozinho! — Disse Shawn ao pegá-la no colo e girar a pequena varias vezes no ar. — Vruuuum... 

— Ebaaaa. — Sofia gritava do alto. — 'Pera tio, avião não faz vrum nãoooo. 

— E como faz então? — Perguntei e Shawn a colocou de pé em cima da cama novamente. 

— Faz Shiiiiiii porque ele voa. 

— Aah entendi. Então, shiiiiii — O garoto disse, voltando a pegar Sofia no colo e saindo com ela nos braços "voando". 

Eu precisava tirar Lauren da minha cabeça. Precisava esquecer o gosto do seu beijo, precisava esquecer aqueles olhos e agir como se nada tivesse acontecido porque aquilo nunca mais iria acontecer. 

Nunca mais! 
 
 


Notas Finais


E ai? Como estamos?



:)



~RGBS


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