História The Last Moment - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Morte, Romance, Suícidio, Triângulo Amoroso
Exibições 27
Palavras 3.564
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Chapter Two - Afaste-se dele


Fanfic / Fanfiction The Last Moment - Capítulo 2 - Chapter Two - Afaste-se dele

~ Point of View, Grace 

Cidade de Delaware.

 

Ele tinha feito yakissoba de carne com legumes —  comida que eu não gostava muito — mas comi do mesmo jeito, eu tinha que terminar de estudar alguns assuntos para a prova que haverá amanhã no colégio e me preparar para descobrir um pouco mais sobre essas coisas estranhas que andam acontecendo comigo.

— Acho que eu já vou — Nath disse pegando seu casaco do sofá e eu fui até a porta para abri-la e então ele me deu um papel — Me liga mais tarde — Ele falou e foi embora enquanto eu fechava a porta.

 

Eu tinha lavado a louça junto com ele então eu já tinha me livrado de um dos meus problemas rotineiros. Peguei minha bolsa e tirei de lá meus cadernos e estavam todos molhados.

— Ah não... — Falei comigo mesma.

Eu agradeci silenciosamente pela sorte que tive de não ter molhado tanto as folhas das últimas aulas, eu não teria como estudar se elas estivessem molhadas.

Arranquei as folhas das últimas aulas do professor de Biologia e as deixei sobre a escrivaninha de meu quarto. Fui até a cozinha, peguei um copo, abri a geladeira e coloquei o resto de refrigerante da noite passada em meu copo e voltei até meu quarto.

Sentei-me na cadeira em frente a escrivaninha, levantei a tela do meu notebook e o liguei, digitei a senha e em seguida pesquisei o assunto da prova para estudar e fiz um resumo sobre ele.

 

[...]

 

Acordei com uma luz forte em meus olhos. Eu havia deixado a cortina do quarto aberta. Levantei-me meio sonolenta, fui até a cozinha coçando meus olhos e abri a geladeira pegando a caixa de leite e em seguida indo ao armário pegando a caixa de cereais.

Fui até a pia logo após de deixar tudo na mesa e então peguei uma caneca de Star Wars e a enchi de leite colocando o cereal logo depois. Me sentei na mesa e então comi o leite com cereal e minutos depois, logo ao terminar, fui até a pia lavar a caneca.

Olhei para o relógio de parede e vi que já eram quase sete horas, corri para meu quarto e tomei um banho rápido, fazendo minhas higienes matinais e segui até o quarto para vestir uma roupa.

Eu estava muito agitada, minhas mãos passeavam pela porta do guarda roupa enquanto eu escolhia uma roupa. Por fim escolhi um moletom cinza, com a seguinte frase “O porto é o lugar mais seguro para um barco, mas ele não foi feito para ficar lá; seu destino é navegar” e uma calça jeans de cor azul marinho.

Andei até o banheiro e abri o armário pegando de dentro dele um rímel, uma base e um gloss. Passei a maquiagem em meu rosto, um pouco apressada mas ficou do jeito que eu esperava, nem tão exagerada, mas também não tão simples assim.

Sai do banheiro e fechei a porta dele, indo até o guarda-roupa novamente e tirando de lá minha escova, assim, desembaraçando cada fio de meu cabelo.

Arrumei rapidamente minha bolsa com os livros necessários para o dia e algumas outras coisas e coloquei a bolsa em minhas costas saindo do quarto e indo até a sala.

Sai de casa trancando a porta em seguida e tirando a chave, jogando-a em minha bolsa.

Estava andando até o colégio com fones em meu ouvindo, com a música no volume máximo. Eu estava meio sonolenta e isto era inegável, sabe quando passamos horas no computador ou em um vídeo-game, sem parar? E depois você sente um cansaço enorme? Eu me sentia assim, mas não havia feito nenhuma daquelas atividades. Logo eu descobrira que havia perdido ônibus. Continuei andando – mesmo que tenha parecido uma eternidade - até que eu cheguei em frente ao colégio e entrei.

O pátio estava vazio, não havia ninguém no local, apressei meu passo em direção aos corredores e fui até minha sala. Quando vi o professor já estava em sala, bati na porta envergonhada com a situação e entrei pedindo licença.

Depois de minutos tentando dar uma desculpa para o professor ele me deu a prova e eu me sentei em uma das cadeiras do fundo, deixando minha bolsa no chão e logo, fazendo a prova.

Depois de eu achar que Cronos havia parado o tempo, a prova acabou.

Já era o intervalo, eu sempre ficava na sala ouvindo música ou desenhando — o que faço durante quase todas as aulas que são entediantes —, e hoje não foi diferente. Senti alguém atrás de mim.

— Olá princesa — Alguém disse e então pausei a música e olhei para a pessoa.

— Gabriel! — Falei me levantando rapidamente e tentei abraça-lo.

— Oh, me desculpe por isso, eu... gastei muita energia ontem... eu não tenho uma fonte então tenho que poupar energias.

— Fonte? Fale minha língua que eu entenderei.

— Uma pessoa que me dê energia de sua alma...

— Eu quero ser sua fonte — Falei rapidamente e notando o quão rápido eu pronunciei a frase, corei.

— Não eu não quero que seja minha fonte, é perigoso...

— Gabriel eu não estou pedindo sua opinião — Falei

Ele revirou os olhos e em seguida respondeu — Se algo acontecer com um de nós o outro será prejudicado... — Ele disse seriamente — Por isso não quero que seja minha fonte.

— Gabriel eu quero fazer isso por você, não me importa as consequências.

— Não vai desistir mesmo né? Eu conheço você o suficiente para saber que você, ao pôr algo em sua cabecinha, por nada desiste disso.

— Se você for em meu quarto encontrará uma flor azul, bem... terá de se cortar com ela e pingar uma gota de seu sangue dentro dela.

— Eu já fui... ela é muito bonita — Falei

— Ela reflete minha alma, a cada emoção ela muda de cor. Bem eu preciso ir, tchau princesa — Ele falou e acenou enquanto eu sorria vendo sua sombra desaparecer ao ar pouco a pouco.

Olhei para a sala e vi uma garota me olhando.

— V—Você fala sozinha! — Ela saiu correndo após falar isso.

Sentei-me na minha cadeira e continuei ouvindo música e quando notei várias pessoas já estavam entrando na sala. Pausei a música e coloquei meu celular e fones na bolsa.

Metade da sala me olhava e cochichava entre seus grupos — Incluindo a garota que me viu na hora do intervalo — um assunto na qual eu não soube o que era. Podia apostar que fosse sobre mim.

Os tempos de aula passaram tão rápidos que eu nem consegui processar as informações ditas pelos professores, todos já haviam ido embora e eu estava arrumando atentamente minhas coisas e ouvi alguém me chamar, rapidamente fechei minha bolsa e olhei em volta, não vendo ninguém. Eu esperava que fosse Gabriel fazendo outra conexão, mas não vi ninguém em meu campo de visão.

Senti alguém vendar meus olhos com as mãos e quando olhei para trás eu dei um grito assustada.

— O—O que você está fazendo aqui? — Perguntei

— Uma certa pessoa me ligou então eu me lembrei que Gabriel estudava aqui, e se ele estudava aqui provavelmente você também — Ele falou

Coloquei minha bolsa em minha costa — Você me assustou — Falei, e indo até a porta.

— Quer que eu te leve? — Ele perguntou passando suas mãos em minha cintura.

Eu me afastei um pouco saindo de seu braço. — Algum problema? — Ele perguntou.

— N—Não é que... eu... vou.…, eu preciso ir no banheiro — Falei saindo da sala e indo até o fim do corredor, onde se encontravam os banheiros.

Eu sentia que eu não devia ir com ele, e um pouco de medo me tomava. Eu não sei muito sobre ele, talvez ele não seja assim.

Me apoiei na pia do banheiro e olhei diretamente para o ralo da pia. Ele provavelmente iria me esperar fora do banheiro, eu tinha que dar um jeito de me afastar um pouco dele.

— Você está bem? — Ouvi uma voz por trás de mim e então olhei sobre meus ombros, vendo Gabriel, me virei e olhei para ele.

— Eu posso... tocar em você? — Perguntei com medo de tocá-lo e minha mão passar por seu corpo.

— Não — Ele respondeu cabisbaixo — Minha energia está fraca, desde o dia em que eu fiz a conexão pelo Nathaniel.

— Gabriel, o Nathaniel é uma boa pessoa?

— Bom... ele é — Ele disse olhando como se tentasse descobrir o porquê da minha pergunta. Ele me conhecia muito bem. Eu demorava um pouco para confiar em alguém — Lembra que eu preciso da sua ajuda? Bem, eu não pretendo ficar aqui do outro lado conversando com você por conexões. Quero estar aí, como você, mas não no corpo de outra pessoa...

— Entendo

— Não, você não entende, estou sozinho aqui, sinto sua falta... somos a dupla invencível lembra? — Ele falou e vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto.

Minha mão foi de encontro ao seu rosto e quando eu toquei, tentei me iludir pensando que minha mão não fosse atravessar por seu corpo e sim permanecer ali. Até que eu levei um leve choque em meus dedos.

— O que aconteceu?

— Eu não sei — Ele falou preocupado — Você se machucou? — Ele perguntou enquanto eu olhava para minha mão, e eu sentia, era notável em seus olhos. Ele estava preocupado, com certeza algo lhe atormentava.

Quando levantei meu rosto, nossos olhares se encontraram — Não, não aconteceu nada... — Falei colocando minhas mãos no bolso do meu moletom.

— Grace, promete uma coisa para mim? — Ele perguntou enquanto eu o olhava atentamente, logo, assenti — Se afaste do Nathaniel...

— Por que?

— Ele é uma boa pessoa mais...

— Você está com ciúmes ou com medo de algo Gabriel? Somos melhores amigos lembra?

— Sim... melhores amigos — Ele falou e então olhou em volta com um olhar triste.

— Pode me acompanhar até lá em casa? — Eu perguntei

— É a primeira vez que você faz essa pergunta, eu sempre acompanho você, e sempre por minha vontade própria.

— O Nathaniel disse que você falava de mim para ele... falei andando em seu lado em direção à saída do banheiro feminino.

— E—Ele falou? — Ele falou corando e gaguejando ao pronunciar a frase.

— Ele disse que você falou muitas coisas boas sobre mim. Obrigada — Falei olhando para ele e em seguida olhando em volta do corredor não vendo ninguém nele — Acho que ainda deve ter algumas pessoas limpando o colégio, mas está tudo escuro aqui.

— Nossa quanto tempo eu não venho aqui, preso naquele mundo, parece que perdi minha vida inteira.

— Iremos achar um jeito de tirar você daí — Falei olhando em seus olhos e em seguida olhando para o corredor vendo uma sombra passar ao fundo —  O que foi aquilo?

Corremos ao final do corredor e olhamos para os lados e não vimos nada.

— Não tem nada aqui — Ele falou, estendeu sua mão e então a tirou rapidamente — Esqueci que não posso tocá-la, muito menos segurar suas mãos.

Ele ficou meio triste, eu sentia um aperto no coração em não poder fazer nada por enquanto, e um apero mais forte por nem ao menos poder abraça-lo.

— Você consegue vir para cá se eu, após me tornar sua fonte, der bastante energia?

— Sim, mas talvez você passe mal ou algo do tipo e eu não quero que isso aconteça.

— Devemos tentar Gabriel, eu sei que deve ser difícil para você estar aí, mas eu quero pelo menos lhe deixar feliz um pouco, por mais que seja minutos, mas eu quero ver você sorrir, e lembra que somos a dupla invencível, não desistimos fácil das coisas. Cadê o Gabriel determinado que eu conheci?

Ele sorriu, ainda triste, mas aquilo me reconfortava — Acho melhor irmos, tem certeza que quer ser minha fonte?

— Gabriel, essa é a coisa que eu mais tenho certeza, e você não vai me fazer mudar de ideia.

Seguimos ao pátio e logo fomos andando pelas ruas, chegamos em casa e eu abri a porta, entrei e Gabriel entrou logo atrás.

Fechei a porta jogando minha bolsa no sofá e fui até a cozinha beber um pouco de água e pegar o vaso com a flor azul. Com a flor em minhas mãos, segui em direção ao quarto do Gabriel.

— Sinto saudades do meu quarto...

— Só do quarto? — Falei arqueando minhas sobrancelhas, sentando-me ao lado do Gabriel na cama.

— Sinto saudades do meu vídeo game também... — Ele falou e logo riu de mim.

Não demorou muito para eu entender por que ele ria, eu devia estar com uma cara muito séria misturada com uma pequena raiva.

— Eu só não te jogo no chão por que não posso — Falei

— Mesmo que pudesse, em todas nossas brigas você nunca ganhou — Ele falou com um sorriso em seu rosto.

— Eu que deixava, tinha pena de você.

— Tudo bem, não discuto com donzelas em TPM — Ele falou e se segurava para não rir.

— Vira logo precisamos me transformar em sua fonte — Falei e ele se virou no mesmo momento que eu e ficamos frente a frente.

Tirei a flor do vaso e esperei cair todas as gotas de água e deixei o pote no meu criado-mudo ao lado da cama.

Virei a flor e fiz um corte no meu dedo indicador e deixei a flor em posição vertical colocando meu dedo no meio de suas pétalas, logo vendo duas gotas de sangue escorrerem e caírem dentro da flor. Ela se abriu mais e senti uma pontada forte em meu coração e logo desmaiei.

 

Abri meus olhos e vi o rosto de Gabriel em minha frente, suas mãos em meus cabelos acariciando cada fio.

Ele deu um sorriso de lado, me fazendo, por instantes sentir uma falta de ar.

Eu estava no sofá deitada no colo de Gabriel. E eu sentia ele.

— Me desculpe pelo que aconteceu, eu não sab... — Antes dele completar a frase eu me levantei sentando em seu colo e logo abraçando-o.

— Eu senti tanta falta dos seus abraços seu chato — Falei apertando cada vez mais ele.

Depois de um a dois minutos nos abraçando e eu tentando segurar as lágrimas que lutavam para caírem, logo eu senti-as rolando em meu rosto.

Comecei a soluçar, continuávamos abraçados. Até que fiquei reta e olhei nos olhos do Gabriel. Ele fez o mesmo, mas como se analisasse minha alma.

A campainha tocou e quando notei que estávamos em uma posição não muito normal, sai de cima dele em um pulo. Fui em direção a porta e a abri, vendo Nathaniel em minha frente e quando vi ele aproximava seu rosto do meu.

Me esquivei dele rapidamente — O—O que você está fazendo aqui?

— Você tentou fugir de mim, não é? O que eu fiz de errado?

— Você não fez nada, e eu não tentei fugir de você.

— Então por que você sumiu?

— Nath eu fui no banheiro, coisas de mulher — Falei logo após encontrar uma desculpa.

— Oh, e então não vai me convidar para entrar?

— Eu vou estudar daqui a pouco

— Não tem problema se quiser eu até te ajudo

— N—Não precisa da sua ajuda, não quero incomodar

— Mas você sabe que não me incomoda, muito pelo contrário... — Ele fala

— Tudo bem pode entrar — Falei sabendo que as desculpas não iriam ajudar em nada.

Quando olhei para trás percebi que não havia ninguém no sofá, aquilo me aliviou um pouco.

Nathaniel se sentou no sofá, no mesmo lugar em que Gabriel estava.

Fui até meu quarto e senti alguém me puxar, quase dei um grito, mas a pessoa tapou minha boca com suas mãos.

Ele fez um “shii” e logo tirou suas mãos dos meus lábios.

— Sou eu, calma — Gabriel falou, quase sussurrando.

— Oh você me assustou — Sussurrei em resposta.

— Sabe, ele é meu amigo, mas... não quero ele aqui, não com você, quer dizer... —  Ele tentava falar e eu ria baixo dele, ele era tão fofo quando se enrolava em algo e tentava explicar.

— Tudo bem. Eu arrumo um jeito de tirar ele daqui — Falei e andei até a sala, deixando Gabriel sozinho no meu quarto.

— Sabe eu fui levar o carro para limpeza e acharam uma fotografia, eles acharam que fosse importante e então me devolveram, é sua? — Ele falou estendendo a minha fotografia.

— Como você... — Eu falei.

— Um fotógrafo profissional e um homem que conheço sabem ajeitar fotografias. Não estava tão manchada, dava para ver bastante coisa — Ele falou se levantando e ficando atrás de mim.

Nathaniel me abraçou por trás e eu tentei sair de seus braços, mas ele me abraçava fortemente, ele começou a descer seu rosto até meu ombro nu e logo deu um beijo nele.

Sai rapidamente de seus braços quando pude — Obrigada por ter consertado a fotografia, mas não preciso dela. Os melhores momentos são aqueles que guardo em minha mente, onde eu sei que nunca vou esquecer — Falei

Seu celular vibrou e ele apenas bloqueou a tela, aproveitei a situação e comecei a dizer que estava com uma enorme dor de cabeça e logo sentei-me no sofá.

— Se quiser eu fico aqui...

— Não eu preciso descansar — Falei me sentando no sofá — Pode ir, obrigada por tudo.

— Tem certeza? — Ele falou

— Absoluta

— Tchau princesa — Ele falou abrindo a porta e indo embora.

 

Gabriel surgiu de repente em minha frente, ele respirava fundo, eu o conheço muito bem, o suficiente para eu saber que ele estava com raiva de algo.

— Eu não quero você perto dele Grace — Gabriel falou seriamente.

— Por que?

— Porque não.

— Seu chato — Falei rindo dele.

— Eu sou chato? Eu sei que você ama essa pessoa aqui — Ele falou, logo mudando de expressão e mostrando seu lindo sorriso torto. Eu amava aquele sorriso, as imperfeições não valiam nada comparadas a energia que ele transmitia com aquele sorriso.

— Convencido demais como sempre...

— Eu nunca mudei, só para sua informação — Ele parou de rir e um silêncio instalou-se no ambiente.

— Gabriel, eu andei pensando... eu... eu não consigo me segurar com essa pergunta — Falei olhando para meus pés e ele sentando—se em meu lado.

Ele segurou minhas mãos, como se estivesse se preparando para a pergunta.

— Cadê a mamãe?

— Ela não pode mais voltar, ela não queria... eu insisti que você acharia um jeito de nós trazer de volta, mas ela não quis... — Ele falou acariciando minha mão direita com seus dedos.

— Mas eu posso fazer alguma conexão com ela?

— Não, só quem consegue são âncoras... você não é uma.

Respirei fundo — Tudo bem...

— Hey, vamos arrumar algo para fazer para animar você — Ele falou se levantando animado.

— Que tal assistirmos um filme?

— Por mim tudo ótimo, vou ver se tem alguma pipoca de micro-ondas na cozinha.

Como diversas outras noites, tudo estava calmo, mas eu sentia algo ruim, um sentimento de dor me tomava. Quando percebi Gabriel já estava na cozinha.

Ela sentia uma preocupação, sua mãe lhe fazia falta, mas acreditava que o lugar em que ela estava deveria ser muito melhor do que ela estava antes, por mais que longe de sua família.

Emma, tinha um sorriso lindo que fazia qualquer um se acalmar, amava a cor azul, tanto quanto eu.

Era apaixonada por doces, mais especificadamente doces azuis.

Seu sonho era ter uma loja de doces, dos mais diversos, e com alguns feitos por ela mesma. Ela compartilhava um diário meio que álbum de família, na qual escrevia várias receitas o que me deu ideia de fazer ao menos uma para me lembrar dela.

Corri em direção à escada e subi-a rapidamente indo até o quarto onde antes minha mãe dormia.

Tudo estava em perfeita organização, porta-retratos e livros na prateleira, a cama com seu lençol dobrado e o ambiente com um leve cheiro de lavanda.

Repentinamente senti como se algo passasse por mim, como se eu levasse uma facada por trás. Minha visão ficou turva no mesmo instante, senti meus joelhos tocarem o tapete ao chão do quarto e logo eu me joguei ofegante no tapete.

Um cansaço me tomou, e a dor aumentava cada vez mais, me levantei lentamente sentindo a dor piorar. Levantei meu moletom, revelando minha barriga e me deparei com uma mancha roxa.

“Se algo acontecer com um de nós o outro será prejudicado...”

Corri para a cozinha e quando cheguei lá não havia ninguém.

Comecei a procurar por algum sinal de Gabriel, mas de nada adiantou.

 

 ~ Point of View, Gabriel

Cidade de Delaware.

 

— Você sabe que não pode ficar aqui por muito tempo, o máximo é um dia, ela não irá aguentar, você vai acabar matando-a. Você já morreu, deixa ela viver sua vida! — Ele gritava se aproximando de mim.

— Eu sei que ela precisa de mim, eu não vou continuar aí, iremos conseguir um jeito de me tirar dessa merda de “mundo” — Gritei um tanto quanto mais alto do que ele, cuspindo as palavras, como ele próprio fazia.

Ele estendeu e abriu a palma de suas mãos em minha direção, um holograma surgiu acima desta e logo vi Grace rindo deitada sobre uma cama cujos lençóis eram de cor branca, segurando um celular em suas mãos. Seja lá o que for que ela estava vendo, parecia muito feliz.

Pude ver rapidamente a imagem se distorcer e outra surgir por cima.

Grace estava beijando Nathaniel.

— Ela já é grande, nem irmão de sangue você é. Por que quer voltar? Você sabe os prejuízos de desequilibrar a natureza dos nossos mundos.

— Eu não ligo para as consequências, eu quero ficar ao lado dela, eu vou continuar procurando uma saída.

— E se essa consequência for a morte ou algo de ruim para ela? Ainda irá continuar?


Notas Finais


➤ O que é uma âncora? É uma pessoa que liga o mundo dos mortos com sua alma, como se fosse um manto, e se essa alma morrer o manto é aberto, em alguns casos, se houver mais de uma âncora, uma parte dos mortos é aberta onde poucos conseguem sair.
➤ O que é uma fonte? Uma pessoa que, viva, compartilha sua energia vinda de sua alma com alguém morto, fazendo-o ficar forte. Com uma grande energia é possível aparecer em sonhos, e até mesmo tornar-se tocável.
➤ Não sei se foi explicado mas caso se pergunte "Quem é Emma?"
Bom não sei se ficou óbvio mas é a mãe biológica de Grace e que cuidava de Gabriel quando menor.

♥ Essas são as explicações que eu tinha para hoje, caso não tenha entendido comente sua dúvida ♥


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