História The Last Petal- Taejin - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Jin, Seokjin, Taehyung, Taejin, The Last Petal, Vjin
Exibições 132
Palavras 7.450
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oiii!
Demorei? Sim, perdão D:
Se possível, vocês podem escutar RAIN versão piano a partir do "Tae POV" que eu colocar um asterisco na frente? É que vai combinar muito com o momento e tal <3 É o primeiro que aparecer com BTS na frente no Youtube
repararam que o título desse cap é em inglês? bem, eu vou mudar todos para inglês porque o nome da fic é em inglês, aí é só pra ficar bonitinho e tal sxhjushbjc
eu não revisei tanto esse capítulo para não demorar mais, espero que compreendam e perdoem os erros :')
Boa leitura e muito obrigada pelos favoritos e comentários <3333

Capítulo 11 - The fifth petal


Fanfic / Fanfiction The Last Petal- Taejin - Capítulo 11 - The fifth petal


  

Jungkook POV 

Cansado de esperar Yoongi, saí da sorveteria bebericando o milk shake que tinha em mãos. As ruas estavam pouco movimentadas, nuvens escuras anunciando chuva  começavam a aparecer e os guarda-chuvas tornavam-se companheiros das pessoas que esperavam pelo clima.

Sentei-me em um banco de uma praça repleta por cerejeiras prestes a florescerem e crianças acompanhadas de seus pais. Uma garota que vestia roupas de frio estava sentada ao meu lado, ocupando a outra ponta do assento de madeira. Os cabelos negros perfeitamente cortados acima do pescoço cobriam-lhe o rosto devido ao movimento proporcionado pelo vento.  Se mantinha de cabeça baixa, fitando uma tulipa que tinha em mãos.

Pensei várias vezes em perguntar se ela estava bem, parecia tão triste e sozinha, mas tinha vergonha e não queria incomodá-la. Enquanto esse pensamento de dizer algo ou não ainda rondava a minha cabeça, ela se levantou e o celular que estava em seu bolso caiu sobre o banco.

_ Ei, espere, você esqueceu isto. –cutuquei-lhe o ombro e ela virou-se para mim, revelando um lindo par de olhos acinzentados, mas que pareciam tristes e profundos, prestes a liberar as lágrimas que depositavam-se na linha d’água.

_ Oh, eu não tinha visto. Obrigada. –pegou o aparelho e sorriu de leve.

_ Você está bem? –perguntei e ela suspirou, abaixando a cabeça e balançando-a em negatividade. _ Quer conversar sobre?

_T-tudo bem. –sorriu outra vez e sentou-se no banco novamente acompanhada por mim.
 

Tae POV

_ A-ah, desculpa. Eu preciso atender. –Seokjin dizia sem graça após seu celular começar a tocar e verificar o contato no visor.

_ Tudo bem, hyung. –saí de seu colo envergonhado, ficando a sua frente novamente. 

Brinquei com os dedos tentando disfarçar o nervosismo que sentia enquanto Jin parecia alegre ao falar com a pessoa do outro lado da linha.

_ Perdão, Tae. Era o Yoongi. Ele disse que o Jungkook não estava na sorveteria, mas que ligou para ele dizendo o endereço de casa, então ficará tudo bem. –pediu novamente lançando-me um sorriso embaraçoso que combinou com o rubor que tomava conta de suas bochechas.

Balancei a cabeça em afirmação, devolvendo o curvar de lábios e pedi a Seokjin para irmos logo à procura de Jimin, tentando desviar o assunto que podia surgir se ele tocasse no que estava prestes a acontecer minutos atrás.

Após ajustarmos o necessário nos amuletos, tomei os dedos de Jin nos meus, apertei o pequeno botão dourado que ficava na parte superior do relógio, evitando que esquecesse outra vez.

_ Tae-ah, me desculpe por lhe pegar de surpresa daquela forma. –Seokjin  disse assim que estávamos cercados pelas paredes brancas. Senti sua mão suar, ainda chocada com a minha.

_ Não se desculpe tanto, está me deixando envergonhado. –sorri, o que pareceu deixá-lo sem reação.

O caminho até a porta, desta vez, era um rastro de água. Segui a frente e Seokjin olhava para os lados demonstrando medo e se encolhendo, aumentando a força nos dedos entrelaçados aos meus.

_ Aconteceu algo, Jin hyung? –perguntei virando-me para ele.

_ Não está escutando essas vozes? –disse levantando o olhar assustado a mim e apontou para algo que só ele ouvia atrás de si.

_ Elas não vão incomodar. Estou aqui com você. –o abracei e ele receou um pouco antes de retribuir o ato e aconchegar-se em meus braços.

Depois que sua respiração quente que ia de encontro com a minha pele normalizou e Seokjin ignorou as próprias alucinações, retomamos o caminho. A imagem de Jimin parecendo pensativo enquanto afundava-se na banheira, tendo o rosto tomado por lágrimas apareceu no momento em que toquei a maçaneta. Adentramos o cômodo escuro, ficando a sua frente e este pareceu confuso ao nos ver ali.

_ O que fazem aqui? –melhorou a própria postura e olhou dos pés a cabeça, cada um de nós.

_ Viemos te ajudar. –Jin se pronunciou, soltando minha mão e abaixando-se na direção de Jimin. _ Você não deve dar ouvidos ao Jyhoi, Jimin. –sorriu tentando passar-lhe segurança.

_ C-como sabem dele?  -perguntou esboçando medo somente em ter o nome do homem citado.

_ Isso não importa agora, ele é um mentiroso. É tudo o que precisa saber. Você acha mesmo que terá uma vida melhor se tirá-la agora? Isso não faz nenhum sentido, você não vai nascer de novo, hyung. –disse apoiando os cotovelos na beira da banheira.

_ Sim, é verdade... Mas por que eu deveria confiar em vocês? E se eu estiver louco e forem apenas uma alucinação? –perguntou ao tocar-me o ombro tendo os dedos atravessados e Jin pareceu desconfortável com o comentário que, de certa forma, encaixava-se nele. _ Da última vez que confiei em uma alucinação ela me trouxe até essa situação. 

_ Porque queremos o seu bem, não pedimos nada além de sua confiança. –sorri, entendendo-lhe a mão.

Seokjin estava triste com as palavras de Jimin, era visível aos meus olhos, mas tentava ao máximo disfarçar. Sua mão também estendeu-se na direção do rosto molhado do outro.

Jimin intercalou o olhar entre Jin e eu e pegou timidamente nas nossas mãos.
 

Jimin POV

O corpo de ambos deixou de ser translúcido e Taehyung sorriu para mim, enquanto Jin apenas abaixou a cabeça. Eles me ajudaram a levantar e o mais novo saiu em busca de uma toalha.

_ Hyung, você está bem? –perguntei a Jin e pareci libertá-lo de pensamentos. Ele balançou a cabeça em afirmação e sorriu fraco depois de piscar algumas vezes, saindo de seus devaneios.

Taehyung enrolou o tecido pelo meu corpo e fomos os três de mãos dadas na direção da porta que levava para fora do banheiro, ou ao menos era o que eu pensava. Nos vi em uma sala totalmente branca e a porta por onde entramos desapareceu.
 

Tae POV

Os pontos de luz tomaram conta da pequena mão de Jimin e o desenho da pétala fora formado aos poucos, mudando a posição como aconteceu com Jungkook. Park pareceu assustado e balançou os dedos gordinhos freneticamente, não acreditando no que via.

_ O-o que foi isso? –perguntou com os olhos arregalados.

_ Não se preocupe, hyung, é normal. –sorri.

_ O que tenho de fazer agora? 

_ Apenas nos guie até a outra porta como eu os guiei até essa pela qual entramos. –expliquei e ele foi na direção de Seokjin que se mantinha ao meu lado e todos ou dedos pequenos nos do mais velho. 

Peguei na outra mão de Jin lançando-o um sorriso de lado, tentando lhe dizer que estava tudo bem, mas ele não viu.

Ocorreu o mesmo processo assim que Jimin tocou a maçaneta, o desenho que antes tomava o seu palmo tornou a ficar em chamas tanto em sua pele como no momento em que se transportava para a porta, dando lugar a quinta pétala do lírio.

Saímos do cômodo branco e retornamos ao banheiro, agora iluminado.

_ Jimin, temos que ir embora, não moramos mais aqui. Acho melhor você sair do prédio primeiro e se passar por um morador, eu e o Jin hyung vamos depois, já que estamos aqui como entregadores de pizza.

_ Por isso essas roupas. –riu apontando para nós e assentiu em relação a explicação, tomando a frente do plano.

_ Hyung, antes de irmos, você está bem? –depositei uma mão sobre o ombro do mais velho assim que Jimin deixou o local.

_ Estou sim. –sorriu de leve, levantando a cabeça que se mantinha abaixada desde o momento em que ele pareceu se afetar com o comentário de Jimin.

Eu sabia que estava mentindo, conhecia Seokjin o suficiente para chegar a essa conclusão, mas resolvi não tocar no assunto para não deixá-lo ainda pior.
               Nos direcionamos até o elevador e ele se manteve quieto durante o percurso. Ao chegarmos no térreo, o recepcionista do prédio nos olhou torto provavelmente pelo fato de termos demorado. Jimin estava no esperando enquanto brincava com uma menininha de pedra-papel e tesoura, uma atitude que fez Jin rir. Fiquei feliz por vê-lo melhorar o humor.
                                                                                                                          ✮
              Jin POV 
     

_ Esta é sua nova casa, Jimin. –sorri, abrindo a porta e sendo recebido por Chim, que pulou nas pernas do novo morador.

_ Ya! Que fofo! –pegou o cachorro em seus braços e Taehyung sorriu, acariciando-o junto de Jimin. _ Qual o nome dele? –perguntou adentrando a casa.

_ Chim. –Tae respondeu fechando a porta e Jimin deixou aparente seu eye smile, sorrindo para o cachorro que se remexia feliz em seus braços.
 

Jimin POV

_ Está bem, agora pode me explicar o que foi aquilo? Por que foram me salvar? –sentei-me ao lado de Taehyung no sofá enquanto Jin dirigiu-se para um cômodo que imaginei ser seu quarto.

_ Bem, não seremos nós que vamos te explicar. –riu.

_ E onde estão os outros meninos?

_ O Yoongi hyung está sozinho em uma sorveteria aqui perto e o Jungkook, provavelmente, andando pelo bairro.

_ Isso tudo é muito confuso. –ri baixinho. _ Acho que vou ir fazer companhia para o Yoongi, onde é?

_ É só seguir pela direita na calçada, em linha reta que você acha. Cuidado para não se perder, Chim Chim. 

_ Espera, o nome dele é baseado em mim? –me referi a pequena bolinha de pelos acinzentada.

_ Sim, ideia do Seokjin hyung. –sorriu deixando a cabeça cair para trás e se deitando no sofá.
 

Jungkook POV

A garota contou-me que hoje faria um ano que sua irmã mais nova havia falecido e estava  a caminho do cemitério afim de visitar sua lápide.

_ E é isso. –deixou escapar um sorriso fraco, seguido por uma lágrima que gotejou na flor que repousava em suas mãos.

_ E por que ela veio a falecer?

_ Ela... cometeu suicídio. –direcionou o olhar para mim e enxugou algumas lágrimas com as costas das mãos. _ Eu me sinto muito culpada por nunca ter percebido o sofrimento que ela guardava para si e não ter tentado impedir.

_ Não se culpe, você não sabia. –disse.

Ela apenas balançou a cabeça em afirmação, concordando com o que eu disse.

_ Eu geralmente sou bem falante, desculpe se pareci meio fechada hoje. –riu baixinho. _ Qual o seu nome?

_ Jeon Jungkook, prazer. –sorri

_ Aeryn Hahiro. E o prazer é meu. –fez uma reverência. _ Enfim, Jungkook, eu preciso ir. Obrigada por conversar e se preocupar comigo, de verdade. –sorriu. 

_ Não precisa agradecer, noona. –falei, o que a fez me olhar assustada pela forma que lhe chamei.

_ Como sabe que sou sua noona? Está dizendo que tenho cara de velha?

_ Não! Não é isso, eu só.... –senti meu rosto esquentar e não consegui formular uma resposta.

_ Hey, se acalme, estou brincando. –riu. _ Você é bem tímido Jungkook. Quantos anos tem?

_ 18. –respondi e ela abriu a boca em surpresa.

_ É, eu sou sua noona. –deixou escapar uma risada envergonhada. _ Tenho 27. –depois disso, ela nem sequer deixou que eu dissesse algo, apenas acenou para mim antes de seguir seu caminho.
 

Yoongi POV

Estava distraído enquanto depositava outra colher de sorvete de morango na boca. O local estava vazio, afinal, era um dia frio. Encarava o lado de fora esperando que algum conhecido aparecesse ou apenas desejando que a sobremesa gelada terminasse logo para que rumasse para casa.

_ Yoongi hyung? –uma voz chamava-me e parecia distante, ficando perto aos poucos. _ Yoongi! –voltei a realidade depois de cutucarem-me o ombro.

Pisquei os olhos algumas vezes antes de avistar a pequena criatura sentada na cadeira a minha frente, encarando-me com um sorriso divertido no rosto.

_ Jimin?! 

_ Ya! Estou aqui a uns cinco minutos, só agora reparou minha presença? –riu, apoiando o rosto nas próprias mãos.

_ D-desculpe. 

Ah, maldito Jimin, você tinha que escolher vestir listras pretas e brancas logo hoje para me lembrar um assaltante e fazer aquela história rondar a minha mente outra vez?

_ Por que está me olhando assim? –sorriu de lado, fazendo com que o rubor tomasse conta do meu rosto.

_ Não é nada. –falei envergonhado e ele me encarou um pouco mais antes de cobrir seu rosto com o cardápio que agora folheava.

Jimin pediu um chocolate quente e arqueou as próprias costas  assim que a moça da qual anotou seu pedido saiu de vista. Suspirou pesadamente e puxou o celular do bolso. O cheiro adocicado que sua pele exalava tomava conta do ar, tornando o ambiente ainda mais agradável aos meus olhos.

_ Por que você está sozinho aqui, hyung? –perguntou sem tirar os olhos do aparelho.

_ Bem, era para o Jungkook estar aqui comigo, mas ele sumiu. –ri soprado. _  E você, por que veio aqui?

_ O Taehyung me disse que estava só, então vim lhe fazer companhia. –olhou-me por cima do celular, revelando somente os olhinhos esmagados pelo sorriso escondido atrás da tela.

Park Jimin era realmente bonito, os cabelos castanhos desgrenhados caindo sobre os olhos, as roupas largas para a proporção de seu corpo, calças justas, eram detalhes que juntos tornavam-se uma combinação perfeita, tornando-o ainda mais atraente.

Yoongi, seu idiota, o que é que você está pensando? – perguntei mentalmente para mim mesmo, balançando a cabeça em seguida tentando me livrar desse tipo de pensamento.
 

Tae POV


              Eu acabei pegando no sono depois que Jimin saiu e acordei horas depois com o som da notificação no meu celular, anunciando uma mensagem do mesmo. 


“Eu e o Yoongi vamos comer fora, Tae. Até mais tarde.” – 12:02
“Ah! Acabamos de encontrar o Jungkook no caminho, então ele também vai, eu acho.” -12:03  

Depois de fechar o aplicativo de mensagem, fiz o que qualquer pessoa que não sabe cozinhar faria, pedir comida. Após fazer o pedido e desligar o celular, saí em busca de Seokjin em meio àquela casa que sempre achei ser exageradamente grande, mesmo que o manager, pessoa responsável pela compra do imóvel, tenha dito que o espaço era para o caso de uma visita de nossos pais.

O quarto dele ficava no final do corredor, praticamente me arrastei até lá, ainda me sentindo meio sonolento e abri devagarosamente a porta, para o caso de talvez ele estivesse dormindo. 

Jin estava sentado em sua escrivaninha, escrevendo algo em um caderno.  Levantou o olhar a mim e sorriu, voltando a atenção ao que fazia antes em seguida.

_ O que está fazendo, hyung? –encostei no batente da porta e continuei a olhá-lo.

_ Relendo alguns conteúdos, vou à faculdade hoje. 

_ Oh, eu estou atrapalhando?

_ Não, pode ficar. –sorriu, novamente.

O toque da campainha soou pela casa e eu me segurei para não fazer uma cara de cachorro abandonado e pedir ao Jin para ir buscar a comida. Chim começou a latir e pulou alegre nas pernas do entregador quando abri a porta. O homem riu com a recepção e eu pedi desculpas pelo ocorrido.

Seokjin, de começo, se recusou a comer. Eu me preocupei, afinal, ele não é de ficar sem apetite. Mas depois que dei sermão nele, dizendo que isso poderia tornar-se mais sério, que a alimentação dele era importante seguido de várias respostas vindas dele,  tais como;
“Você também quase não come, o que está dizendo?”
“Deveria se preocupar com a sua própria saúde primeiro antes de vir brigar comigo”
, eu o convenci a comer pelo menos um pouco.
                                                                                                                        ✮

Algumas horas se passaram, Jin já estava na faculdade e Yoongi e eu estávamos jogando vídeo-game. Ele e os outros haviam chego em casa a alguns minutos.  Jimin e Jungkook estavam em um dos quartos, onde Sora explicava a história a eles. Yoongi contou sobre sua revolta ao ser largado pelo Jungkook na sorveteria e que os dois discutiram sobre quem ficou mais tempo esperando o outro quando se encontraram, arrancando várias risadas de mim.

_ Ganhei de novo! Eu sou o melhor. –se gabou quando deu o último golpe no meu personagem, vencendo o jogo de luta.

_ Veremos. –sorri desafiador. 

Pegamos os controles novamente e Yoongi escolhia o personagem que usaria para lutar primeiro, já que ele usava o controle de comando. Depois de muito tempo, finalmente pude escolher o meu.
             

_ Hyung, podemos jogar mais tarde? Eu tenho que ir ao psicólogo daqui a pouco. –perguntei e ele assentiu. 

Eu já estava um pouco atrasado, tomei uma ducha rápida e vesti a calça que usava mais cedo, já que foi a primeira que encontrei jogada pelo meu quarto. Me olhei no espelho enquanto terminava de vestir uma jaqueta jeans por cima de outro casaco.

Me sentia um tanto feio ao ver minha imagem. Meu cabelo estava em sua cor natural já que fazia tempo que não pintava e, havia emagrecido muito em tão pouco tempo. 

_ Aish, eu não consigo fazer isso. –reclamei ao tentar passar lápis nos olhos da mesma forma que as staffs faziam, mas acabei machucando meus olhos e ficara uma droga.

Acelerei os passos até a porta da sala enquanto recolocava as ataduras e soltando palavrões sozinho quando algum filete de sangue resolvia escorrer dos cortes mais recentes. Despedi-me de Yoongi que apenas acenou com a cabeça enquanto tinha os olhos fixos na televisão onde jogava um jogo de corrida sozinho.
                                                                                                                               ✮

Caminhava lentamente enquanto deixava o prédio depois de mais uma seção irritante que sempre se baseava na mesma coisa; ficar sentado em uma poltrona e contar sobre a minha vida para um desconhecido que apenas assentia sobre tudo o que eu dizia e fazia anotações o tempo todo em uma prancheta.

Me assustei ao chegar na saída e perceber que chovia forte do lado de fora. Suspirei desanimado ao pensar que teria de pegar  um longo caminho na chuva e chegar encharcado em casa. Digiri-me para a entrada do prédio que era coberta e fiquei longos minutos encarando a água que caía sem parar. Estava tudo branco, era difícil de enxergar qualquer coisa. 

Decidi esperar a chuva cessar para seguir em frente e me sentei em um dos degraus da pequena escada. Abracei meus próprios joelhos e encarei meus tênis velhos que molhavam aos poucos com a água que respingava ao chocar-se com o chão. Eu pensei em chamar um taxi, mas meu celular estava com a bateria esgotada e não sabia ao certo se eles circundavam pela cidade em climas como esse.
Depois de alguns minutos, a chuva diminuiu e me levantei prestes a encarar os pingos gelados, mas fui impedido por alguém segurando-me pelo pulso. Virei-me em direção à pessoa e o vi parado ali, segurando um guarda chuva preto e encarando-me com um sorriso de canto estampado no rosto.

_ Jin hyung? –perguntei após piscar algumas vezes e ele andou até mim, cobrindo ambos corpos com o guarda chuva.

_ Olá. –disse, ficando frente a frente comigo.
 

Jin POV

Taehyung parecia surpreso por me ver, seu olhar era triste, eu sabia o quanto ele detestava psicólogos e que devia se segurar todas as vezes para não chorar na frente dos profissionais ao ter que contar sobre as dificuldades que enfrenta. Ele tinha passado a visitá-los com mais frequência depois do que aconteceu e, sempre parecia voltar a cada vez mais triste das seções. 

_ Está bem? –perguntei ao ver que ele continuava a me encarar sem nem mesmo piscar os olhos. 

Abaixou a cabeça e brincou com os próprios dedos enquanto balançava a cabeça em negatividade. Olhou para mim novamente  com os olhos cobertos por lágrimas e envolveu os braços pela minha cintura, abrançando-me levemente. Retribui envolvendo o braço desocupado pelos seus ombros.

_ Você odeia psicólogos, não é? –perguntei baixinho.

_ S-sim. –respondeu com a voz abafada e fungou em seguida. _ A idiota daquela mulher não fez nada das últimas duas vezes além de escutar meus desabafos e ficar escrevendo alguma coisa na prancheta.

_ Calma, você acabou de mudar de psicólogo, ela está anotando seus problemas e pensando em como poderá te ajudar. É sempre assim no começo. –tentei explicar e deixar transparecer que ficaria tudo bem.

Ele se separou de mim limpando o que sobrara das lágrimas e tentou sorrir. Pediu para que fossemos logo para casa, mas algo em meio a chuva, na nossa frente me chamou a atenção, me fazendo ficar longos segundos com os olhos vidrados naquele borrão rosa.

_ Hyung? –Tae balançou a mão na frente do meu rosto procurando por atenção.

_ Espere um pouco. –lhe entreguei o guarda chuva e ele me olhou confuso.

Enfrentei a chuva, sentindo os pingos frenéticos e doloridos chocarem-se com as partes descobertas da minha pele. Aproximei-me do que me chamara a atenção e finalmente pude ver que era uma caixa parecida com a de música que Taehyung havia recebido de Sora, mas, diferente dela, esta estava abandonada, sem nenhum destinatário específico.

_ O que tem dentro? –Taehyung perguntou apontando para a caixa quando já estava junto dele outra vez.

_ Não sei. Devo abrir? –perguntei e ele balançou a cabeça, assentindo.

Então, abri o objeto revelando um pequeno bilhete por cima de um lírio que parecia ter sido colhido a pouco tempo. 
 

“Guarde suas memórias, pode precisar delas no futuro.”

_ Isso foi proposital? A Sora deixou isso aqui esperando que eu fosse achar? –perguntei olhando para o papel.

_ Não acho que tenha sido ela, não se parece com a sua caligrafia. Bem, se os bilhetes da minha caixa tiverem sido escritos por ela, nunca perguntei isso. –falou.

Guardei o papel no bolso e voltei a atenção para os outros objetos presentes na caixa. Peguei o lírio e sorri ao pensar no quanto aquela flor tinha se tornado presente nas nossas vidas nos últimos tempos.

_ Pra você. –estendi a flor para Taehyung que olhou-me confuso antes de tomar o lírio em suas mãos.

_ Obrigado. –agradeceu timidamente com as maçãs do rosto avermelhadas e um sorriso curvando seus lábios.

E, por fim, o outro objeto era uma polaroid, aquelas famosas câmeras que imprimem as fotografias depois de tiradas. Apontei a câmera para Taehyung que batia o lírio nos próprios lábios, provavelmente entediado e ele piscou algumas vezes após a foto ser tirada.

_ E aqui temos minha primeira memória. Taehyung-ah entediado querendo voltar para casa enquanto seu hyung chato fica fazendo hora. –falei balançando a foto na altura de seus olhos e fazendo-o rir com o comentário.
              
                                                                                                                             ✮

Tae POV

Caminhávamos em silêncio de volta para casa. O único som presente era o da chuva que caía sem parar. Jin estava com um dos braços envolvido pelos meus ombros, se mantendo próximo a mim e estava totalmente quieto, sem nem sequer uma expressão no rosto.

_ Jin hyung, eu tenho uma tarefa, mas não sei como fazê-la. –tentei iniciar uma conversa.

_ Uma tarefa?

_ Sim, minha psicóloga me passou. –falei olhando em sua direção e ele sorriu para mim.

_ Então ela não ficou só escrevendo em uma prancheta. –riu e eu concordei. _ O que você tem que fazer?

_ Tenho que desenhar algo que represente os meus sentimentos diários. –falei e ele olhou para cima, pensativo. _ Espera, já sei! Tem um papel? –perguntei e ele começou a mexer na bolsa que trazia suas coisas da faculdade, já que veio de lá para me buscar.

Estendeu-me uma folha de caderno e eu a coloquei para fora do guarda-chuva, retirando-a quando estava prestes a encharcar o papel.

_ Por que um papel molhado representaria seus sentimentos? –perguntou recolocando o braço pelos meus ombros.

_ Não é o papel molhado e sim a chuva. –disse e ele arqueou uma sobrancelha, provavelmente se perguntando onde eu queria chegar. _ Veja, quando está chovendo o tempo meio que fica vazio, o clima se fecha e as pessoas não saem de casa. Isso representa quando estou triste. Mas, uma hora esta chuva tem que passar, certo? Uma hora o sol vai surgir e o tempo vai abrir, o arco-íris vai aparecer. –fiz uma pausa para desviar os olhos do papel e olhar para Jin, que prestava a atenção. _ O sol é o que traz a minha felicidade de volta, então, enquanto o sol estiver ali me alegrando, eu estarei feliz, o arco-íris estará presente. Mas quando o sol resolver sumir e a chuva voltar, tudo será como antes. É mais ou menos isso que sinto todos os dias. 

_ Então, a chuva é a sua tristeza, o arco-íris é a sua alegria e o sol é o que a alimenta? –perguntou e eu assenti em resposta. _ E o que seria esse sol que te deixa feliz?

_ É...

_ Mas, Tae, isso não fez muito sentido. –interrompeu-me. _ Quando o sol vai embora, isso não vai afetar o arco-íris porque ele não precisa do sol para poder estar ali, somente da chuva. 

_ Ya, Jin! Não estraga o meu momento de filósofo! Você entendeu o que eu quis dizer. –ri e bati de leve em seu braço, fazendo-o me acompanhar nas risadas.

Depois disso, o silêncio tornou a nos acompanhar e a chuva diminuía a medida que nos aproximávamos de casa.

_ Hyung, podemos parar aqui? –perguntei assim que nos vi em frente ao hospital fazendo-o parar e olhar para o local, depois para mim, em um semblante preocupado. _ Preciso pegar uma coisa, será rápido. –disse e ele assentiu em concordância.
 

Jin POV 

Minutos depois de entrar no prédio, Taehyung cumpriu a palavra no quesito de não demorar e logo reapareceu com um papel entre os dedos. Parecia aliviado com o que lia e logo olhou para mim, sorrindo.

_ Ei, o que é isso? –perguntei erguendo o pescoço na tentativa de ler o conteúdo quando ele entrou de baixo do guarda chuva.

Então, ele me entregou o que distingui como um exame. Um exame de HIV.

Eu senti uma vontade tão imensa de protegê-lo no momento, senti tanta pena por vê-lo ser obrigado a fazer tal coisa, mas, junto dele, me senti feliz por ver a palavra estampada de vermelho;
 

Negativo.

Por mais que Taehyung não tivesse contraído a doença, me doía por vê-lo assim, sem o brilho que antes tinha nos olhos, pela expressão visível que ele deixa transparecer de medo todas as vezes que uma pessoa passa a olhá-lho na rua e o quanto tenta se esconder atrás de mim quando este tipo de coisa acontece, ou simplesmente segura minha mão com força implorando por proteção.

Não importa quantos psicólogos ele frequente ou o quanto eu me esforçe para deixá-lo feliz ao longo do dia, ele nunca seria capaz de se esquecer daquilo, seria uma coisa que o deixará marcado para sempre e pode até mesmo prejudicá-lo no simples ato de conhecer novas pessoas ou ter contato físico com desconhecidos. Se ele já tinha dificuldades de deixar sua própria zona de conforto, agora ele se recusa a sair dela.

_ Taehyung-ah, por que não me contou que havia feito esse exame? –perguntei entregando-lhe o papel.

_  Estávamos brigados no dia que o fiz, hyung. Me desculpe. –abaixou a cabeça em uma reverência, pedindo por perdão.

_ Está tudo bem. Não é como se tivesse a obrigação de me contar. –sorri e ele devolveu o gesto em um semblante um tanto triste.
                                                                                                                            ✮
              Tae POV *
               

_ Ei, algum de vocês viu o meu celular?
             

 A essa altura já estávamos em casa.  Eu havia acabado de sair do banho, foi aí que me dei conta do meu celular. Saí procurando pela casa, mas não achava em lugar algum. Quando cheguei na sala, os meninos preparavam-se para assistir um filme.
             

 _ Eu não vi. –Jimin respondeu com a boca farta de pipoca.
               

_ Jimin hyung! Não coma toda a pipoca antes do filme começar!  -Jungkook o repreendeu enquanto apertava os botões da TV, procurando por um filme que o agradasse.
             

_ Ya, Kookie! Está parecendo o Seokjin hyung brigando comigo. –reclamou enchendo a boca outra vez, provocando o mais novo.
             

_ A propósito, cadê ele? –perguntei.
             

 _ Acho que ele está lá fora. – Yoongi, que enchia três copos com refrigerante na cozinha, pronunciou-se.
               

_ Vou perguntar para ele. –falei e me dirigi até a porta que levava ao quintal.
               

Ainda garoava e a grama continha várias poças espalhadas por si. As gotas faziam leves ondas quando em contato com a água cristalina da piscina que refletia somente a pouca luz que a lua escondida dentre as núvens proporcionava.
               

Na beirada da piscina, Jin estava sentado com as pernas cruzadas e o capuz posto na cabeça. Brincava com a água fazendo rastros e ondas com o graveto que tinha em mãos. Aproximei-me dele e me perguntei diversas vezes o porquê de ele estar sozinho na chuva antes de dizer qualquer coisa.
             

_ Jin hyung, você viu o meu celular?
               

Olhou para cima para ver quem o chamava e revelou o rosto vermelho e coberto por lágrimas, que ele logo se apressou em limpar.
             

_ Hyung, o que aconteceu? Por que está chorando? –sentei-me ao seu lado, não me importando se molharia minhas roupas.
               

Seokjin não respondeu. Parou de remexer a água com o graveto e o repousou sobre suas pernas. Levou sua mão a um dos bolsos do casaco e retirou de lá o meu celular, entendendo-o para mim.
           

_ Desculpe por mexer. –falou sem direcionar o olhar a mim e com a voz extremamente triste.
           

_ Tudo bem. Foi algo que viu aqui que lhe deixou triste? –perguntei e ele balançou a cabeça em corcordância.
           

_ V-você tem noção de o quanto me segurei o dia todo para não chorar diante de você? -disse de repente, com a garganta presa. _ Sabe, eu sei que sou doente e tento ao máximo me esquecer disso as vezes , mas sempre vem e aparece alguém que aponta o dedo para mim e joga na minha cara que sou louco, que ser alucinado é coisa de louco. Comentários assim me deixam extremamente triste e eu sempre consigo controlar meus sentimentos  diante disso, mas, dessa vez, eu não consegui me segurar, Taehyung-ah. –falou enquanto brincava com o graveto e mais lágrimas rolavam incessamente por suas bochechas.
         

_ Hyung, quem fez isso com você? –perguntei colocando uma mão sobre seu ombro e fitando-o preocupado.
         

_ Não foi um comentário diretamente a mim, mas me afetou da mesma forma porque oque essa pessoa disse encaixava-se em mim. 
       

 _ Foi o Jimin, não é? Quando ele se perguntou se estaria ficando louco e vendo alucinações. –falei lembrando-me de mais cedo.
           

Seokjin pareceu surpreso por eu saber do que se tratava. Olhou-me com os olhos levemente arregalados, mas logo abaixou a cabeça outra vez.
         

_ Sim, foi ele. Mas eu não o culpo de forma alguma. O Jimin é uma pessoa incrível, ele não sabe que tenho esquizofrenia e nunca faria esse tipo de coisa intencionalmente. –falou olhando-me de canto. 
         

_ Eu reparei que você tinha ficado triste com aquilo e...
         

_ S-se reparou, por que não tentou me ajudar? –perguntou virando o rosto para mim. _ É claro, por que me ajudaria?  Eu sou só um doente da cabeça incapaz de amar para você, não é?
       

  _ O que? 
         

Me assustei por vê-lo daquela forma. Eu tinha tentado ajudar, mas ele recusou-se a aceitar que estava mal. Remoí minhas próprias memórias diversas vezes tentando compreender oque ele havia dito, se eu já tinha falado aquilo alguma vez e nem me lembrava, mas não consegui recordar-me de nada.
         

_ Veja seu histórico de pesquisas.
         

Fiz oque Seokjin pediu e comecei a descer a barra de rolagem no celular. Tentei prestar a atenção em cada uma das pesquisas que, para mim, eram na maioria inúteis.  Até que meus olhos pararam em algo que havia buscado já fazia certo tempo.


          “Esquizofrênicos podem amar?”
       

  _ J-Jin, eu... –eu nem sequer soube oque dizer quando aqueles olhinhos tristes encontraram-se com os meus.
           

Ele passou a encarar a grama abaixo de si e pegou na minha mão delicadamente, levando-a até seu peito. 
           

_ Isso prova pra você que eu sei amar? –engoliu em seco. _ Fica assim sempre que você está por perto. –olhou-me nos olhos e deixou escapar um sorriso triste.
           

Seu coração batia forte. Muito forte. Meus batimentos cardíacos estavam normais até o momento, mas depois disso eu pude até mesmo escutá-los acelerarem a pé dos meus ouvidos.
         

 _ Eu sei que não foi sua intenção me machucar, mas, por favor, tome cuidado com o que pensa, Tae. Eu gosto tanto de você, não sabe o quanto me doeu quando li isso. –soltou a minha mão e estancou as lágrimas outra vez.
         

Eu não consegui pensar em mais nada naquele momento além de abraçá-lo. Tentei ao máximo ficar o mais próximo possível dele, oque não deu muito certo por estarmos sentados. Jin envouveu os braços pela minha cintura e seu rosto molhado me fez arrepiar quando em contato com meu pescoço.
         

Meus sentimentos relacionados ao meu hyung já martelavam a minha mente a dias, eu estava confuso, não queria admitir, mas Jin estava sim balançando-me o coração. Talvez eu achesse errado nutrir sentimentos por meu melhor amigo, achasse estranho beijá-lo e trocar carícias por praticamente todos os dias, mas, errado ou não, estranho ou não, eu gostava daquilo, gostava de sentir algo a mais por Seokjin.
         

Eu já havia treinado várias vezes em frente ao espelho como diria a ele quando resolvesse declarar meus sentimentos, mas sempre acabava por rir de mim mesmo ou dar-me um tapa na testa e me achar um completo idiota. Eu nem sequer tinha certeza sobre os sorrisos que Seokjin arrancava de mim, sobre as vezes que me fazia suspirar, não sabia se o amava de verdade e nem mesmo se o merecia.
         

Estava com vontade de chorar naquele momento, Seokjin destruia o meu emocional quando o via chorar, ainda mais se o motivo fosse causa de alguma bobagem que eu mesmo cometi. Minha garganta estava presa pelo futuro choro que poderia vir.
         

 _ H-hyung, quero dizer uma coisa importante a você. –tomei a coragem de dizer e suspirei fundo, inalando o cheiro de sorvete de creme que sua pele exalava.
         

 _ Estou ouvindo. –sussurrou com a voz doce, diferente de minutos atrás.
           

_ Não sei como dizer, é embaraçoso. –apertei-o mais forte contra meu corpo e senti o rubor tornar-se presente nas maçãs do meu rosto.
         

 _ Você disse que se declararia para mim no futuro. Esse futuro seria agora, Taehyung-ah?
           

_ Ya, Jin! Não estraga... Eu é... uh... 
           

_ Apenas diga “eu te amo”, Tae. –senti seus lábios se contraírem em um sorriso em choque com a minha pele.
         

 _ Não tem graça dizer só isso, Seokjin-ssi. 
         

 _ Tudo bem, você pode declarar seus sentimentos de verdade quando se sentir confortável. Mas apenas diga isso agora, por favor, é tudo que preciso ouvir. –falou perto do meu ouvido e eu suspirei outra vez, sentindo minhas mãos suarem.
           

_ E-eu te amo, Jin hyung. Muito.  –falei trêmulo e senti outra vez o sorriso de Jin sobre meu pescoço.
             

Aquilo não foi como eu esperava, mas como ele mesmo dizia, não devemos planejar tanto as coisas, apenas deixar que tudo aconteça. Inclusive, nem mesmo sua resposta dita tão repentinamente estava nos meus planos.
           

_ Eu também te amo muito, Tae. –disse baixinho.
           

Jin POV
           

Meu coração havia acelerado mais rápido junto do de Taehyung.
             

Nos separamos do abraço e seu rosto estava completamente vermelho, assim como o meu também deveria estar. Ele sorria envergonhado e olhava para os próprios pés. Fiquei alguns segundos fitando-o até que levei os dedos até seu queixo, erguendo seu rosto e podendo ver em seus olhos o brilho que já não aparecia a muito tempo. Taehyung estava sinceramente feliz depois de tanto tempo. 
         

Tomei seus lábios nos meus em um beijo que ele esperava que fosse demorado, mas que eu rapidamente quebrei, deixando-o com um biquinho de reprovação estampado no rosto.
       

 _ E-eu não esperava que fosse retribuir, hyung. –disse batendo os indicadores um no outro.
     

  _ Para falar a verdade, Tae, acho que eu já venho me sentido estranho em relação a você desde o dia que disse aquele “Hyung, eu amo você”, mesmo que naquela época  você não sentisse nada por mim.
       

_ Talvez sentisse, você nunca saberá. –olhou-me com um sorriso divertido e nós voltamos a nos sentar lado a lado.
         

 Voltei a encarar a garoa que continuava a criar ondulações na piscina.  Olhei-o de canto e o vi colocar as mãos nos bolsos do casaco, retirando um pirulito de lá. Descascou a embalagem e colocou o doce azul-claro entre os lábios, girando o suporte com o polegar e indicador de vez em quando.
       

Ele murmurou alguma coisa, mas eu não entendi nada por conta do doce que o fez até mesmo babar e rir de si mesmo.
     

 _ Tira isso da boca pra falar, idiota. –puxei o pirulito de sua boca e ele limpou a saliva no canto do lábio inferior com a barra do casaco.
       

_ Eu disse que estou nervoso, daqui a dois dias é o meu julgamento. E se eu for preso? –suspirou.
       

_ Vai dar tudo certo, não se preocupe. –sorri ,reconfortando-o e ele devolveu o ato.
     

 _ Jin, mudando de assunto, você vê a piscina diferente do que eu vejo?
       

_ Sim. –respondi e ele perguntou como eu a via. _ Uh... como posso explicar?
       

Tae POV
       

Jin ficou girando o pirulito entre seus dedos e olhava-me pensativo, até que moveu-se para trás de mim e tapou meus olhos com suas mãos.
     

 _ Use sua imaginação e tente ver a minha descrição. –falou perto do meu ouvido, oque me fez arrepiar.
       

_ T-tudo bem. 
   

  Ele descreveu algo como uma água que mudava as cores a cada piscada vinda dele e que no momento estava vermelha. Vez ou outra passavam espécies de mini tubarões que tinham pontinhos brilhantes em sua calda como os de vagalumes e que, inclusive, quando cheguei no quintal, ele usava o graveto para brincar com um desses peixes.
     

_ Ya, Jin! Você tem uma imaginação estranha. –falei e me arrepiei outra vez por escutá-lo rir baixinho, ainda tendo sua voz chocando-se com a minha nuca.
     

  Destampou meus olhos e foi para o meu lado novamente, sorrindo divertido e com o meu pirulito entre os lábios.
       

_ Seokjin! Quem deixou?! –perguntei fingindo estar irritado, fazendo-o rir.
       

_ Vem pegar. –falou provocativo, erguendo uma sobrancelha em seguida.
     

Ele desviou o rosto algumas vezes, mas finalmente consegui segurar na aste e arrancar o doce de seus lábios, surpreendendo-o por lhe roubar um beijo.
     

Os lábios de Seokjin sempre foram doces, mas com a ajuda do pirulito tornaram-se ainda mais desejáveis. Ele levou certo tempo para retribuir, levara uma de suas mãos ao meu rosto e entregou-se, aprofundando o beijo.
     

_ Peguei. –disse com a voz um tanto rouca quando nos separamos com uma mordida no meu lábio inferior vinda dele, colocando o pirulito nos lábios outra vez de forma provocativa e olhando-o malicioso.
       

Ele continuou imóvel por um tempo, apenas piscando na e tentando assimilar oque acabara de acontecer com a boca entreaberta enquanto me encarava.
     

 _ Taehyung, você parece um anjo mas quando resolve mostrar seu outro lado é aí que percebemos que é, na verdade, um demônio. –falou fazendo-me rir.
         

Jin POV
     

Depois de alguns minutos cercados apenas pelo barulho da chuva e do barulho irritante que ele fazia ao chupar o doce, resolveu se pronunciar.
         

_ Jin hyung, você se lembra de quando brinquei perguntando se queria namorar comigo e você negou? –assenti. _ O que você diria se eu perguntasse de novo, mas sendo sério?
           

Fiquei totalmente sem reação e até mesmo arregalei os olhos, surpreso. Eu não sabia ao certo como respoder àquela pergunta.
         

_ E-eu não sei, por que? –falei.
       

 Taehyung, ainda olhando na direção da piscina, entrelaçou seus dedos nos meus e tirou o pirulito da boca, suspirando pesado em seguida.
         

_ Seokjin-ssi, o que eu sou para você? –perguntou pegando-me de surpresa outra vez.
         

_ A-ah, meu melhor amigo? –disse sem entender muito bem onde ele queria chegar com isso.
       

 _ Jin, eu não acho que sejamos somente amigos agora. Vou fazer uma pergunta diferente. Eu sou um amigo para você? –deu ênfase no “só”.
         

_ Não... 
         

_ Então responda novamente a minha primeira pergunta. –disse dando outra chupada no pirulito.
         

_ O que você é para mim...? Ah, e-eu não sei ao certo. Nós dois meio que agimos como se fossemos namorados, certo?  -falei sentindo o sangue ferver na região do rosto, tornando à coloração avermelhada.
         

_ Certo. –sorriu.
         

_ Taehyung-ah! Onde você quer chegar com isso? Por que sua mão está tremendo e suando? – olhei para nossas mãos que ainda não estavam entrelaçadas de ambas partes, no caso, eu não tinha devolvido o ato.
         

_ Hyung, você vai me achar louco por isso, mas, vamos lá. –suspirou. _  Sabe, toda essa história acabará logo, só faltam o Namjoon e Hoseok e logo voltaremos a nossa rotina de antes. Se nós dois formos continuar com isso, teremos que fazer tudo as encondidas, não poderemos mostrar a mídia e nem nada do tipo. Então... é...
         

_ Se acalme, você está muito nervoso. –sorri tentando lhe passar segurança.
         

_ E-eu sei que não estou vestindo um terno incrível ou tenho alianças caras e bonitas comigo, mas vou lhe perguntar isso de coração... –virou-se para mim. _ Kim Seokjin, você aceita namorar comigo? –sorriu nervoso, olhando-me nos olhos, segurando ainda apenas uma de minhas mãos, já que o pirulito ainda tomava os dedos da outra.
         

_ Taehyung... 
       

  Eu não sabia o que dizer, meu coração estava acelerado e, agora, também tremia. 
       

  _ Hyung, eu prometo continuar cuidando de você e lhe fazer feliz, ou, pelo menos tentar dividir com você o pouquinho que resta da minha própria felicidade. –aumentou o curvar de lábios deixando a mostra os dentes e o sorriso quadrado que só ele tinha. _ E-eu...
         

 Ele tentou dizer mais alguma coisa e se demonstrou preocupado diante da minha demora em responder a sua pergunta. Coloquei o dedo indicador sobre seus lábios pedindo por silêncio e ele assustou-se.
       

  _ Você fala de mais Tae Tae. –sorri feliz.
     

 O abracei, derrubando-o na grama, mas ele colocou as mãos sobre meu peito, empurrando-me e procurando me olhar nos olhos. Me apoiei nos antebraços, ficando por cima de si.
         

_ H-hyung, responda... –pediu com a garganta presa e com uma feição triste, já com lágrimas acumuladas nos olhos.
           

Quando estava prestes a respondê-lo, minha cabeça começou a doer e vozes começaram a sussurrar perto dos meus ouvidos.


           “Diga não, Seokjin.”


           “Não aceite, esquizofrênico de merda.”


           _ N-não... pare...
       

_ Eu sabia que não ia aceitar... – Taehyung saiu de baixo de mim e esfregou os próprios olhos.
     

 _ Não! Não é isso! –segurei seu pulso quando ameaçou levantar-se. _ Tinham vozes falando comigo e... Me perdoe, por favor. –abaixei a cabeça.
     

 _ Jin... –sorriu ao ver meu desespero e levantou-se. _ Levante-se. –estendeu a mão, cedendo-me ajuda.
     

 Assim que me levantei, Taehyung ficou frente a frente comigo e segurou meu queixo com uma mão, usando- a para erguer meu rosto. Olhou nos meus olhos e um sorriso formou-se no canto de seus lábios, esperando por minha resposta.
     

  _ E-eu aceito ser seu namorado, Taehyung-ah. –falei um pouco nervoso e ele sorriu em aberto outra vez. Envergonhado, olhou para baixo tentando esconder as bochechas avermelhadas e encolheu os ombros.
       

 Segurei sua cintura com ambas mãos, deixando-o mais perto e ele, ainda de cabeça baixa, colocou o pirulito na boca e jogou o doce longe depois de chupá-lo uma última vez. Olhou para mim com os lábios levemente azulados em um sorriso tímido estampado nestes, levou as mãos a minha nuca e sussurou um “eu te amo” antes de acabar com o espaço entre nossos rostos.
     

O adocicado que tomava conta de seus lábios e o carinho que fazia nos meus cabelos me fez querer não parar de beijá-lo, mas, ele acabou encerrando o beijo com um selinho assim que o ar lhe faltou. 
     

_ Me desculpe por lhe pedir isso tão antecipadamente, eu só queria poder chamar você de namorado nesses últimos dias, hyung. –disse dedilhando meus ombros.
       

_ Tudo bem. –sorri. _ E sabe, eu não me importo se você está vestido com um terno ou tem uma aliança para me dar, não é uma roupa que o torna bonito e não é uma joia que vai dar inicio a um namoro.  –falei acariciando seu rosto e ele sorriu, fazendo seus olhos sumirem. 

_ Seokjin-ssi?

_ Sim?

Você é o meu sol.
                                                                                                                           ✮
         Yoongi POV
       

_ Yoongi, eles se pegam? –virei-me para Jimin e ele espiava pela porta de vidro que levava ao quintal.
         

 Me aproximei para ver do que ele falava.
     

  _ Jimin! –bati em seu braço e ele riu.
       

  Taehyung e Seokjin estavam de pé, abraçados no meio da chuva naquele momento.
 


Notas Finais


quem é que estraga o momento bonitinho fazendo piada? isso mesmo, Park Jimin GHDXSCSVDHDC
gente, o cap ficou enorme, ia ficar mais porque seriam duas interações Yoonmin, mas eu tive que excluir pra não ficar extremamente grande, mas prometo colocá-la no próximo <3
eu chorei pra caralho escrevendo esse fim, então espero que tenham chorado também
amo vocês, comentem e até o prox <333


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...