História The leaves of a daily - Capítulo 48


Escrita por: ~

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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Volteiiii! E com um big capítulo para compensar o atraso, prometo postar o próximo bem rápido!

Aproveitem?

Capítulo 48 - Bloody Race


Fanfic / Fanfiction The leaves of a daily - Capítulo 48 - Bloody Race

P.O.V Liz Blue. 

 

        Ninguém parecia ter reação para tudo que acabou de acontecer. A sala estava em silêncio, todos pareciam tensos e indginados, com toda a razão. Para cada um aqui, aceitar que Emily Scott é uma pessoa cruel, fria e ardilosa, é muito mais difícil do que eu possa imaginar. Eu conheço todos eles têm pouco tempo e a Emily já demostrou ser um capeta para mim, mas mesmo assim me assustei com as revelações que ela fez nessa sala. Agora, imagina conhecer uma pessoa a anos e descobrir que ela é totalmente o oposto de tudo que você achou. 

 

    A sensação deve ser horrível.

 

       Eles não só descobriram que Emily me inferniza por diversão, acabaram descobrindo também que ela foi quem atirou no Kato. Isso para mim foi o ponto alto de toda as revelações, do resto eu poderia até suspeitar ou saber, mas disso, isso é novo. Emily atirou no Kato, fez parecer que foi o Justin e conseguiu exatamente o que queria, que todos ficassem contra Justin. Não sei que espécie de amor Emily nutre por ele, mas é doentio e sádico demais. Jogar a pessoa que ama na fogueira só para tê-la para si, é algo que realmente só uma grande mente maquiavélica poderia planejar.   

 

     E ela prometeu se vingar e jurou não desistir do que quer, no caso o Justin. Não posso deixar de sentir um aperto no peito só de saber que a Barbie do capeta não vai desistir de nos infernizar, muito pelo contrário. 

 

     Ela só está começando. 

 

    Apesar de ninguém saber o que dizer ou fazer em um momento como este. Melissa, que até então estava quieta ao lado de Agatha, soltou um alto suspiro antes de falar.

 

-Como essa garota conseguiu nos esganar tanto? - A revolta dela parecia ser a de todos. - Eu nunca senti tanta raiva na minha vida...- Confessou, limpando uma lágrima que havia escorrido. 

 

     A mim a Emily não enganou, sempre soube o quanto ela era malvada e desequilibrada. Mas não posso deixar de me sentir enganada pela história do tiro em Kato, isso realmente me surpreendeu. 

 

-Eu juro que quero matar ela! - Dakota rosnou furiosa. - Aquela filha da puta fez todos nós ficarmos contra ao Justin... - Olhou em direção a ele, assim como todos que estavam na sala. Justin permaneceu quieto, com um olhar sério e perdido em algum canto. 

 

     Não imagino como deve está sendo para ele. Justin realmente confiava, gostava da Emily e foi enganado de uma forma bem revoltante. Acho que ele esperava isso de qualquer um aqui, menos dela. 

 

-Devemos ficar em alerta para as coisas que Emily disse...- Matt ressaltou. - Com certeza ela não vai parar. - Acho que essa é a única certeza que todos têm aqui. 

 

-Aquela vadia não vai fazer nada...- Justin murmurou irritado e olhou para mim. - Se ela chegar perto de qualquer um aqui, terá que vê ser comigo e eu garanto que não será nada bom...- O tom ameaçador de Justin podia me trazer confiança, mas só me deixa mais apreensiva. 

 

   Se Justin fizer algo contra Emily pode ser pior para ele mesmo. Porem, da para ver que Justin não quer deixar mais nada que aquela garota fizer passar. Vejo o sacrifício que Justin fez para não acabar com Emily hoje mesmo e apenas deixar essas merdas enormes delas irem embora junto com ela. Mas, creio que não terá próxima vez. 

 

-Fale por você! Ela está completamente apaixonada e visivelmente não sabe ter limites! - Dakota exclamou com certeza. - Emily foi mimada perfeitamente e agora não sabe ficar sem ter o que quer, parabéns! - Cruzou os braços e disse a última palavra em tom de deboche, com seus olhos azuis presos em Justin.

 

-Agora a culpa é minha por Emily ser uma mini psicopata? - Justin perguntou indignado e bastante irritado. - Ela enlouqueceu sozinha, criou teorias entre nós dois sozinha e cometeu todas aquelas merdas sozinhas! - Dak revirou os olhos como se as palavras de Justin fizessem sentindo apenas em alguns pontos. 

 

-Mas quem comeu Emily por três anos, deu sempre tudo que ela quis e alimentou a loucura foi você, querido! - Estreitou os olhos para Justin que parecia se irritar mais ainda com as palavras de Dakota. 

 

-Não è culpa de ninguém! - Ryan comentou tentando amenizar a situação. 

 

    A culpa realmente não é de ninguém, Emily é maluca e isso não é de agora, com certeza bem antes de ficar bonita e se tornar um tormento na vida das pessoas, Emily já era uma menina cruel e calculista. Mas a questão é que em partes Dakota tem razão, Justin alimentou, mesmo que um porcento, dessa loucura, para uma pessoa que está fissurada e obcecada em alguém, até mesmo o simples gesto de sorri ou dizer um oi, pode acabar tendo mais significados do que em qualquer outra situação. É isso que acontece com a Emily, ela é tão obcecada no Justin, que vê todos os gestos dele com ela, como alguma forma de amor.

 

-Ryan tem razão. - Afirmei me metendo no assunto. - Eu já havia notado, a Emily não se tornou obcecada pelo Justin agora e sim a anos! - Dei de ombros e todos me olharam meio confusos. - Vocês não prestaram muita atenção no diário da Katharine né..- Perguntei retoricamente e todos se olharam meio hesitantes em responder.

 

     Acho que fui a única desta sala a ter prestado atenção em todos os mínimos detalhes, inclusive os que se tratavam da Emily. Toda as coisas que ela fazia eram estranhas, mas principalmente as coisas em relação ao Justin, desde que a Katharine era viva, a Emily nutre esse amor. 

 

-A Katharine não escreveu que a Emily disse que se apaixonou pelo Justin no momento que ele pisou na casa dela pela primeira vez? - Perguntei, fazendo os que haviam lido o diário assentirem esperando eu concluir. - E se aquilo não foi uma coisa de criança e sim algo permanente e real? - Todos pareciam pensar nas minhas palavras. 

 

   Incrível que pelo fato de Emily ser praticamente a cima de qualquer suspeita para eles, as coisas que ela fez não tenham sido foco no diário. O pessoal realmente se deixou enganar em relação a Emily. Eu já questionaria quando a irmã da namorada que morreu do Justin, aparecesse linda, bela e querendo uma relação com ele. 

 

-Se ela amava o Justin desde aquela época... Com certeza ela deve ter feito algo também, não acham? - Nash comentou pensativo e pela primeira vez ele falou algo que realmente fez sentido. 

 

-Tipo o que? - Justin questionou apreensivo e Nash deu de ombros sem saber responder. 

 

    Mas é um ponto chave, se Emily já me ataca sem ao menos me conhecer, imagina o que  fazia com a Katharine sem todos terem o conhecimento?

 

-Legal, agora vamos ter que rever toda a merda da nossa vida para tentar achar onde essa vadia atuou? - Justin parecia transtornado com esse fato.

 

-Pega todas as coisa estranha que aconteceram e pronto! - Dakota bufou. - Aposto que tudo foi culpa dela, o tempo todo! - Lamentou, parecendo se sentir bastante mau com isso. - Deveríamos ter suspeitado quando ela apareceu aqui depois de zilhões de cirurgias plásticas! - Cometeu balançando a cabeça e eu abri um pouco a boca, entendo uma questão oculta até agora.

 

    Então Emily é bonita graça a cirurgias plásticas. 

 

    Agora faz sentido.   

 

-A Barbie não era Barbie antes? Calma aí me expliquem! - Agatha andou até um ponto da sala e olhou para todos curiosa com essa história. 

 

   Eu queria dizer que isso não é um assunto para entrarmos no momento, mas confesso que estou tão curiosa quanto Agatha, para saber como isso foi acontecer. 

 

   Todos se olharam e não sabiam se era bom contar, com certeza por Emily tê-los feito jurar não falar sobre. Mas, Dakota não parecia afim de guarda esse segredo por nenhum segundo a mais e deu uma risada sem humor antes de começar a falar.

 

-A Emily era muito feia! - Gesticulou mostrando as proporções. - Tipo aquelas meninas estranhas, nerds, com aparelhos enormes, gordas, cabelo que parecia um ninho de passarinhos, espinhas, óculos fundo de garrafa, nariz torto, cinco metros de testa, olhos caídos e uma inteligência incrível para biologia genética! - Explicou pausadamente em cada tópico, fazendo Agatha arregalar os olhos igual a mim.

 

-Ela sempre amou esse lance de cirurgias plásticas e estética, vivia estudando, desde os doze anos para ser uma cirurgiã...- Melissa entrou na conversa. - Emily sofria bullying o tempo todo por ser assim, tão diferente... Ainda mais por que ela morava com a Katharine que era realmente bem bonita! 

 

     Disso eu já sabia, estava no diário. Porém, Agatha e Barbara não tinham o conhecimento e estavam assustadas olhando para todos, como se aquela história pudesse ser uma piada bem contada. E até parecia ser, a rainha da beleza no colégio High School, na verdade era uma nerd feia. 

 

   Com certeza daria um livro.

 

-Não se esqueça da Nina, melhor amiga da Katharine e que fazia um bullying enorme com a Emily, quase igual ao que ela faz com a Liz..- Dak disse, olhando brevemente para mim quando citou o meu nome. 

 

     É disso que eu não consigo entender. Se Emily sofreu tanto bullying, para quer fazer exatamente igual e pior com os outros? Isso não parece fazer sentido, nada na Emily realmente faz.

 

-E aí como um passe de mágica ela volta a maior gostosa que eu já vi! - Nash disse, com uma certeza malícia no olhar. - E já voltou se jogando para cima do criminoso mais cobiçado de Atlanta, e não estou falando de mim! - Ironizou jogando um olhar sugestivo para Justin que revirou os olhos com o elogio irônico. 

 

-Isso tudo uns seis, sete meses depois da morte da Katharine....E todo mundo achou  normal...- Matt resmungou no canto dele, mas todos ouviram, eu acho, bem eu ouvi e concordei. 

 

      É loucura eles levarem tudo que a Emily fez em si mesma como um ato normal. Essa mudança toda é qualquer coisa, menos normal. 

 

     Eu não fazia ideia, nem em sonho, que Emily pudesse ter mudado tanto assim através de cirurgias plásticas. Isso é realmente algo surreal. Ela tinha o que? Uns quinze anos quando fez tudo isso? E a mãe dela? Ok, que já sabemos que a tal mãe da Emily liga zero para a filha, mas ela teve que autorizar certo? A menos que Emily seja emancipada, mas por que a mãe dela emanciparia ela...

 

-E a mãe da Emily, ela não tinha direitos sobre a filha na época? Já que emily era menor de idade...- Questionei envolvida pelos pensamentos e apenas Justin me olhou. 

 

-Queen emancipou a Emily logo depois que eu chamei ela para morar comigo. - Justin comentou me olhando e querendo saber no que eu estava pensando. - Queen queria explorar a Emily e tudo mais... 

 

-Ah, deixa eu ver se entendi..- Ressaltei olhando para Justin. - A mãe da Emily tentou explorar a filha, aí você se ofereceu para que ela morasse com você e a mãe  deixou, como se não fosse nada demais? - Justin me olhou confuso. - Se essa mulher queria explorar a filha, por que ela a daria tão fácil? 

 

-Liz está certa! - Dakota ressaltou. -  Queen simplesmente emancipou a Emily do dia para a noite e nem ao menos bateu o pé para ela ser sua emprega, aliás depois disso, Queen sumiu no mapa.... Sendo que se a filha estava indo morar com um cara rico, justamente o que ela sempre puxou saco...- Parecia analizar os pensamentos e chegar a mesma conclusão que eu. 

 

-Isso quer dizer que talvez a ideia da Emily se aproximar do Justin tenha vindo antes? - Melissa perguntou confusa. - Mas gente, antes disso a Katharine estava viva, já que o Justin chamou Emily para morar com a a gente no dia do enterro... Se isso foi planejado antes...

 

-Será que Queen esse tempo todo está em contato com a Emily? - Nash levantou a questão. - Aquela mulher pariu os dois maiores merdas que eu conheço! Não tem como ficar calmo pensando nisso! - Jogou, fazendo uma cara de pavor. 

 

     Começou um burburinho na sala e todos se questionavam a mesma coisa. Queen teria planejado emancipar Emily antes ou so fez isso depois do Justin a chamar para morar com ele e qual era o interesse da Queen nisso? 

 

   Nenhuma pergunta tinha resposta. 

 

-Não comecem a foder a minha cabeça mais do que já está fodida! - Justin ordenou, em voz alta, fazendo todo mundo se calar. - Parem de criar teorias malucas! Emily não vai chegar perto de ninguém que esteja sobre a minha proteção e falar sobre ela ou o que essa vadia possa ter feito no passado não é a porra de uma opção! Apenas não façam, antes que eu perca realmente a minha cabeça! - Todo mundo assentiu, já que negar não é a melhor opção, vendo o nível de irritação do Justin. 

 

      Ele foi enganado a mais tempo do que realmente poderia imaginar e pensar isso deve ser desesperador e frustrante.

 

-E eu? Agora estou realmente com medo da Emily! - Barbara disse olhando assustada para todos nós. 

 

    Com certeza tínhamos esquecido que Barbara não tem nada haver com toda a história em si, ela só ajudava a Emily no básico e com certeza não fazia ideia do pior. Justin olhou para ela, antes de bufar e virar para Nash. 

 

-Leva a Barbara para casa...- Mandou fazendo Nash da um sorriso bem alegre e cheio de segundas intenções. - E você Barbara..- Ele se virou para a menina que ainda tinha os olhos apavorados. - Não conte a ninguém o que aconteceu aqui, ouviu? Isso é secreto...- Olhou seriamente para ela que assentiu sem pensar duas vezes. 

 

-Mas e a Emily? Vocês falaram tantas coisas, eu estou assustada...- Disse, mexendo as mãos nervosamente. 

 

-Se ela te procurar, me avisa, até eu saber o que essa menina é realmente, tente manter total distância! - Disse fazendo ela concordar um pouco mais aliviada por Justin está sugerindo uma espécie, singela mas significante, de proteção. 

 

-Então vamos lá, Barbara! - Nash disse galante se aproximando dela, que apenas assentiu, antes de começar a andar até a saída. 

 

-Liz..- Agatha balbuciou, se aproximando de mim. - Sobre aquilo de eu ter ajudado a Emily...- Comentou meio hesitante. - Diz que você me perdoa, eu juro que não fiz por mau...- Justificou, me fazendo olhá-la e ver seus olhos cheios de lágrimas. 

 

   O que Agatha fez foi terrível de verdade. Não estamos falando só de implicâncias com o Justin e sim em armar junto a Emily para me afastar dele. Isso me deixa furiosa, Agatha não quis saber como eu me sentiria ao saber de tudo, mesmo que Justin tivesse me usando, como Emily a convenceu, Agatha fez algo parecido a humilhar, ao contar tudo que me acontecia para Emily e armar contra a mim. 

 

    Respirei fundo tentando não parecer tão chateada quanto estou e senti que todos da sala estavam com os olhos em nós. 

 

-Eu juro que quero te matar por um lado! Mas por outro...- Ponderei a cabeça e Agatha parecia ansiosa pela minha resposta. - Eu te perdoo! - Afirmei, recebendo um largo sorriso dela. - Isso é por que, você realmente parece está arrependida e se pensou em fazer algo assim, é por que realmente se preocupou comigo! - Apontei, antes de Agatha me envolver em seus braços e me da um abraço apertado e sufocante. 

 

   Agatha ter ajudado Emily não é um dos maiores problemas aqui, até por eu eu posso superar todas as merdas que Emily já fez contra mim, mas não posso calcular o impacto das futuras.  Consigo sentir o quanto nada está realmente bom aqui. 

 

-Eu sinto muito mesmo, eu deveria ter contado antes, mas como ela me ameaçou com aquilo do Kato... Eu senti medo...- Afirmou meio envergonhada por esse lado, dei um meio sorriso para ela.

 

-Eu imagino, Emily pode ser muito convincente quando quer..- Fiz um gesto leve para o pessoal, indicando que Agatha não foi a única a ser levada pelas palavras mágicas de Emily, mas todos ali também foram. 

 

-Em falar nessa história do Kato...- Dakota resmungou, antes de suspirar longamente. - Acho que devo desculpas ao Justin, por tudo que falei e fiz depois desse acontecido....- As palavras de Dak eram visivelmente sinceras e ela olhava para Justin.

 

-É cara, a gente achou que tudo em você tinha mudado, mas na verdade foi aquela maluca manipulando tudo...- Matt disse solene. 

 

    Justin olhou para os dois e ao invés de agradecer e aceitar as desculpas, ele deu de ombros indicando que não estava ligando nem um pouco para tudo aquilo.

 

-Isso realmente não importa, já passou e os estragos já foram refeitos antes. - Dakota e Matt assentiram concordando com o Justin. 

 

-Graças a Deus foram, se Kato tivesse se machucado ou vocês nunca mais voltassem a se falar... Eu mesma mataria Emily se descobrisse tudo! - Melissa vociferou irritada. - Só de pensar que essa maluca estava sobre o mesmo teto do meu filho! - Rosnou, como uma leoa prestes a proteger sua cria. 

 

   Me veio algo a memória e pensei cinco vezes antes de contar. 

 

-Acho que você deveria conversar com Chris depois...- Sugeri, não querendo deixar nada a entender, mas os relatos daquele menino para mim, tinham sido bem diferentes, principalmente sobre a Emily.

 

-Porque? Tem algo que você saiba que não sei? - Perguntou visivelmente preocupada e neguei lentamente.

 

-Chris só não gosta da Emily e fala algumas sobre ela, só acho que seria legal você ouvir o que ele tem a dizer...- Olhei para Melissa, que parecia tensa e tentei passar que nada realmente sério aconteceu. 

 

   Aliás, Chris está bem e saudável. Qualquer coisa que Emily tenha feito já passou e não o afetou tanto assim. Mas parece que qualquer coisa que ela possa ter feito, já deixa Melissa fora de si. 

 

-Vamos ver isso depois! - Justin afirmou, lançando aqueles lindos olhos brilhantes para mim. Assenti calmamente, sem tirar meus olhos dele.

 

   Céus, eu cometi tantos erros em relação ao Justin. Apesar de não fazer ideia de que não foi ele quem atirou no Kato, ainda sim cometi erros, deixei as palavras da Emily naquele dia definirem como eu iria tratar toda a situação. Ela me afirmou que Justin só estava perto de mim para jogar e eu acreditei, justamente nas palavras de quem me quer mais longe do Justin nesse mundo. Mas é claro, que a quantidade de erros que cometi em relação a Justin, não foram nem um porcento do que ele já cometeu comigo. 

 

   E mesmo assim continuo perdidamente apaixonada por ele.

 

-Bem...Acho que eu preciso ir para casa e tentar descansar... Foi uma noite toda acordada para desmascarar a vadia! - Dakota bocejou, falsamente, mas eu nem ao menos me limitei a olhá-la. Apenas permaneci com meus olhos em Justin, como se quisesse ver se tudo está bem como ele, mesmo sabendo que não está. 

 

-Também vou! - Matt ressaltou. - Ryan, você não disse que queria formatar seu computador? Posso te ajudar! - Sugeriu com uma voz diferente.

 

-Eu? Não. - Afirmou. - A sim lembro, claro! Vamos lá! -Ryan riu em nervoso e parecia ter notado algo, mas não quis descobrir o que é. Apenas fiquei do mesmo jeito que estava e sentindo os olhos de Justin me analisarem complemente.

 

-Vou ver o Christopher! Se quiser te dou uma carona Agatha! - Sugeriu gentilmente.

 

-Muito obrigada! - Minha prima agradeceu com um certo grande alívio na voz. 

 

   Todos começaram a se movimentar para sair e eu poderia jurar que estavam fazendo isso para deixar eu e Justin sozinhos. Mas é obviamente esse o motivo, não teria outro para que todos corressem para fora daqui de forma tão rápida. Dei um meio sorriso envergonhado para Justin, que parecia bem satisfeito por todos estarem saindo daqui. Não tem como ser mais vergonhoso ter todos os seus amigos fazendo a linha cupido para você. 

 

   Mas não posso deixar de agradecer mentalmente por isso.

 

   Logo que a última pessoa saiu pela porta, eu poderia jurar que foi Agatha. Justin finalmente respirou fundo e se movimentou até mais perto de mim, sem tirar os seus belos olhos dos meus por nenhum segundo. 

 

-Desculpa..- Falei primeiro fazendo Justin balançar a cabeça fazendo a expressão de que tinha algo errado na minha palavra. 

 

      Eu estava pedindo desculpa por toda a situação horrível que Emily me fez ficar contar ele. Mesmo que nem Justin poderia ter imaginado que foi ela, eu me sinto mal por tê-lo julgado sem ter feito nada.

 

    Justin nunca atirou no Kato.

 

-Eu é quem tem que pedir desculpas! - Falou rígido. - Duvidei de você ontem, de uma forma bem idiota, enquanto todos acreditavam e tentavam provar sua inocência.... Eu só fui uma merda de namo.... - Se interrompeu e torceu os lábios não acham que essas fossem as palavras certas. - Eu só fui uma merda de cara e que mostrou não merecer nem um terço do que você sente! Eu fui rude, grosso e bem arrogante, quando eu deveria ter só ouvido você! - Me olhou mais intensamente e eu sentia que cada palavra é verdadeira.

 

    Fico muito feliz que Justin possa assumir seus erros e pedir desculpas de uma forma madura. Quando o conheci, Justin literalmente me chamou de lerda e vadia por ele mesmo ter se esbarrado em mim. Agora, posso ver a mudança. Justin é capaz de ver exatamente onde errou com as pessoas e tentar se redimir, isso é tão nobre e bonito, me encanta quanto a pessoa tem o dom de saber encarar seus erros de frente. 

 

-Tudo bem... Não estou mais com muita raiva de você em reação a isso, aliás foi culpa da Emily como sempre.....- Cruzei os braços, lhe dando um olhar mais sério. - Mas o beijo... É isso que ainda não perdoei! - Pontuei e Justin franziu a testa e parecia querer entender do que eu estava falando. Até que como um instalo momentâneo, ele pareceu se lembrar. 

 

-Você viu aquilo? - Perguntou meio incomodado e apenas assenti monotonamente, ainda sentindo uma leve chama de raiva por conta da cena. - Baby,  você sabe que eu não beijaria a Emily ou qualquer outra garota, estando com você...

 

-Na verdade, um dia antes, na minhas, você disse que não temos nenhuma relação ou qualquer outra porra do tipo! - Ressaltei usando as mesmas palavras que Justin lançou contra mim ontem e me feriram bastante. 

 

   Não estou querendo cobrar nada do Justin, nem uma relação mais profunda e nem uma posição fixa dos seus sentimos, gostar é muito vago para eu entender, até por que ele gostava da Emily até uma hora atras. O que eu quero aqui, é que Justin me explique exatamente que tipo de relação ou qualquer outra porra do tipo nós temos, mesmo que ele tenha falado que não temos, as minhas tias já estão cientes de todo o nosso caso e com certeza vão questionar isso.

 

-Eu falei da boca para fora! - Desviou o olhar de mim por um instante. - Só não quero rotular nada por agora. - Deu de ombros indiferente, mas logo depois lançou um olhar forte e cheio de significados para mim. - Não que eu não goste de você, por que eu gosto e muito! Mas, não acho que rótulos definem alguma coisa! Mas estamos juntos, de qualquer jeito. - Falou calmamente para ver se eu entendi e claro que eu entendi. 

 

-Eu entendo, sei que tem outro alguém que ainda limita seus sentimentos. - Dei um leve sorriso e não precisei citar o nome para Justin entender. - Respeito isso e você sabe.. Mas tem um pequeno problema.... Minhas tias...

 

   Parei de falar assim que me lembrei de todo o novo drama que estou vivendo na minha vida. Justin me olhou atentamente, esperando eu concluir o meu raciocínio.

 

  -Elas ouviram tudo e já sabem que temos alguma coisa! - Disparei meio tensa e Justin me olhou levemente confuso, até parecer cair em si é lembrar que nossa briga de ontem não foi muito discreta. 

 

-E o que elas falaram? - Perguntou meio hesitante por se tratar de um assunto nada legal.

 

    Não é de hoje que sabemos que minhas tias não são as melhores pessoas desse mundo para se tentar enganar, principalmente a Rachel. Só de lembrar tudo que ela me disse ontem, jurando que iria me proibir de chegar perto do Justin... Já me da um aperto no peito enorme. 

 

-Rachel quer que eu fique longe de você... na verdade ela mandou eu ficar bem longe de você, o que obviamente não vai acontecer.... Mas ela deixou claro que se eu desobedecer, vou sofrer as consequências! - Contei tudo, sentindo a tensão das palavras, brotar de dentro de mim. 

 

     Não quero me sentir mau e me levar pelas promessas apavorantes de Rachel. Mas não posso deixar passar que ela é uma mulher amarga e me odeia claramente, com certeza vai fazer de tudo para concluir suas palavras. 

 

-Ela não vai fazer porra nenhuma! - Justin fez um gesto banal, como se não estivesse ligando para tudo isso. - E se fizer, vai arrumar um grande problema comigo! - Afirmou seriamente e neguei, já vendo uma grande confusão nascer bem diante dos meus olhos. 

 

     Justin não é uma pessoa muito calma e se Rachel quiser ficar no seu caminho, realmente ele só pensar duas vezes em removê-la, seja lá como for. Não que isso não seja ótimo, Rachel parar de se meter a minha vida é um sonho. Mas, qualquer coisa errada que Justin faça, só vai piorar ainda mais a situação dele perante as outras tias.

 

-Acho melhor não fazer nada, se Rachel confirmar as suspeitas que ela tem sobre você não ser um cara muito coreto, pode acabar bem pior. - Sibilei calmamente, olhando nos olhos do Justin, que bufou irritado, sabendo que no fundo eu tenho total razão. 

 

   Minhas tias tem minha guarda e total direito sobre mim, ainda não sou maior de idade e elas podem fazer o que quiserem comigo, literalmente. Apesar de eu amar a Crystal e a Nikki, Rachel é um grande saco, não faço ideia de como ela pode ser tão diferente das outras. Mas para o meu grande azar, ela não vai se poupar de me castigar se me ver com Justin novamente. 

 

-Só vamos evitar de você ir até lá e de ela saber que estamos juntos! - Pedi, dando um meio sorriso fofo para o Justin. -Agatha está do nosso lado, acho que da para fingir que estamos distantes.... Até pelo menos eu fazer dezoito, é daqui a menos de dois meses...

 

-Como se Rachel fosse parar de ser chata quando você fizer dezoito...- Justin resmungou irritado e revirei os olhos pelo pessimismo dele.

 

-Mas pelo menos as outras duas vão ficar mais relaxadas! - Sorri fofamente, para que Justin entendesse que manter as aparências é melhor do que começar uma guerra contra a Rachel. - Por favor, baby, por mim... Vamos continuar nos encontrando, mas temos que limitar algumas coisas, mas eu prometo que tudo vai da certo! - Pisquei os olhos, sugestivamente para ele, que respirou fundo antes de assentir, quase que forçadamente.

 

    Vai ser melhor assim, desse jeito ninguém sofre a fúria da Rachel e podemos ficar bem, de algum jeito. 

 

-Mas para todos os efeitos estou perdoado por ontem e por hoje? - Torci os lábios pensando na pergunta dele, mas só para fazer uma cena, por que já o perdoei por tudo, mas preciso deixar uma coisa clara.

 

-Está! Mas, eu sei que você sente alguma atracação pela Emily, que aquele beijo pode ter sido por qualquer razão... Não importa, você retribuiu e isso é sério! Se você não puder se controlar toda vez que a Emily quiser algo, temos um grande problema aqui...- É exatamente sobre isso que eu estou querendo falar a tempo, mas agora, que finalmente Justin viu quem Emily é de verdade, posso falar isso sem ser julgada.

 

   Justin negou e parecia levemente indignado com as minhas palavras. Não tem como o Justin fingir que essa atração não existe, ela existe e é perigosa demais, Emily não iria desistir e se sempre que ela tentar algo ele ceder, não vai da certo.

 

-Emily pode até ser atraente pra caralho, mas é uma maluca, desequilibrada e vadia! Eu não cometeria o erro de me aproximar dela desse jeito de novo! - Firmou as palavras para me convencer e tentei parecer convencida, apesar de está bem incomodada com isso ainda.

 

    Não quero parecer ciumenta, até por que não sou, aturei Emily atirada e vadia por todo esse tempo. Mas não posso deixar de sentir uma leve aflição por ele a achar atraente, mesmo depois de tudo. Emily é bonita, sexy, provocante, isso ninguém pode negar. Só não quero pensar que Justin ainda a vê como alguém que lhe atrai. 

 

-Baby, estamos juntos nessa? - Murmurou se aproximando mais e ficando a menos de um passo de mim. - Não quero me afastar de você, eu quero apenas você...- Olhou no fundo dos meus olhos e colocou uma das suas mãos no meu rosto, me fazendo quase derreter com as suas palavras. 

 

    Esqueci até como se fala no momento e com certeza devo está parecendo uma boba apenas o encarando. Mas não consigo controlar os efeitos que Justin causa em mim. Acabei apenas assentindo lentamente, completamente levada pelos olhos maravilhosos e o charme incomparável de Justin, que se aproximou do meu rosto lentamente, antes de juntar nossos lábios em um beijo intenso e de tirar o fôlego no primeiro segundo. 

 

   Me fazendo esquecer de ver todos os meus problemas. 

 

 

 

 

   

 

      Tentei me manter atenta a rua que passava como um borrão na janela do ônibus e me concentrar para não dormir. 

 

   Ontem, depois de me acerta com o Justin, ele me levou para casa antes que minhas tias chegassem e dessem falta de mim. Felizmente nenhuma delas suspeitou da minha falta no colégio e agiram normalmente, na medida do possível. Passei o resto do dia e noite tentando me concentrar para trazer de volta a minha vida normal. Vou voltar para as aulas de matemática e largar a monitoria, mesmo que seja bastante legal, preciso ajudar Justin, sozinho eu não posso ter certeza que ele consegue. 

 

     Suspirei pesadamente, quando o ônibus parou na esquina da escola e olhei para Agatha que quase dormia ao meu lado. A escola é necessária, mas depois de tudo que aconteceu na minha vida, realmente não é um lugar muito legal mais. Isso que da quando sua vida de apenas ficar estudando, muda totalmente para uma vida corrida e cheia de perigoso.

 

   Me sinto dentro de um filme de ação. 

 

    Saltei do ônibus, com Agatha se arrastando ao meu lado e ela não estava parecendo está no seu melhor dia. O que é bastante normal quando se trata de Agatha de manhã cedo, ela nunca está de bom humor. Caminhei com ela até mais perto do prédio da escola e uma movimentação diferente chamou a minha atenção. 

 

   Ao invés de todos estarem entrando no colégio, os alunos estavam espalhados pela rua e alguns perto do portão que visivelmente se encontrava fechado. Olhei brevemente para Agatha, que parecia muito confusa assim como eu. 

 

    Já está na hora do portão abrir, eles costumam abrir bem cedo para os funcionários entrarem. 

 

   Andei até perto do portão e parei em frente ao mesmo, vendo apenas três pessoas pelo lado de dentro, dois seguranças e o porteiro, nenhum professor ou a diretora estavam presentes. Todos em volta estavam se perguntando diversas coisas e tentando entender o que possa ter acontecido. Parecia que ninguém estava entendendo nada, e havia grupos de alunos murmurando algumas hipóteses. 

 

  Nada concreto ou que fizesse sentido. 

 

-O que será que aconteceu? - Agatha sussurrou olhando para dentro do colégio com os olhos em alerta. - Eles geralmente avisão quando não tem aula e pelo visto ninguém aqui sabe! - Disse curiosa e assenti concordando.

 

    High School é um colégio com um conceito incrível, quase nunca não tem aulas por besteiras, sempre é por obras ou  alguns problemas no prédio, de resto tem aula normal. Não posso imaginar o que tenha acontecido para que fechassem justo hoje.

 

-Que porra tá acontecendo? - A voz rouca de Justin soou atrás de mim e eu me virei imediatamente para olhá-lo. Seus olhos estavam curiosos no colégio, mas logo desceram em encontro ao meu rosto. 

 

-Não sabemos e pelo visto ninguém sabe! - Ressaltei, recebendo apenas um aceno de cabeça e Justin sorriu sedutoramente para mim, antes de se aproximar e colocar suas mãos em volta da minha cintura.

 

-Eu tento me esforçar para acabar a escola, mas nem mesmo essa merda colabora...- Disse perto do meu rosto e levei meus braços em volta do seu pescoço. 

 

   Senti vários olhares curiosos sobre nós dois e notei que é a primeira vez que demonstramos algum afeto em público. Com certeza os outros alunos devem está se perguntando, como uma nerd começou a se relacionar com um bad boy. Na verdade eu não faço ideia também. Só sei que não sou tão nerd assim e Justin também não é tão bad boy. 

 

   Talvez seja aí que esteja a chave.

 

-Alunos! Atenção! - O porteiro gritou um pequeno megafone, para que todos ouvissem. - O colégio High School se manterá fechado por três dias! - Disse pausadamente para que todos entendessem e o burburinho de antes aumentou, virando um falatório desenfreado de alunos. 

 

   Eu senti até um pouco de pena do Senhor pedindo calma dos alunos para que pudesse dizer o resto do recado. Porém, parecia que a notícia de fecharem por três dias, alegrou alguns e irritou outros. 

 

   Olhei rapidamente para a multidão falante atrás de mim e quase pedi para que ficassem calados, o que claramente não funcionaria. 

 

    Depois de mais alguns gritos de silêncio, o Senhor conseguiu diminuir o burburinho e prosseguir falando sobre o assunto de antes.

 

-Bem, o recesso será por motivos de luto oficial de toda a instituição! - Gritou e deu uma leve pausa antes de suspirar tristemente. - A aluna Barbara Palvin, querida filha da diretora, foi encontrada morta essa manhã dentro da sua própria casa! - Um silêncio absoluto se estalou na rua. - As causas da morte ainda não foram divulgadas! Pedimos a todos a compreensão e suas orações para a família dessa jovem que nos deixou tão cedo! - Pedi emocionado. - Obrigada pela atenção! - Encerrou com a voz meio embargada e eu quase cai para trás.

 

     Toda a rua estava em silêncio absoluto e ninguém se atrevia a da um suspiro se quer. Comecei a sentir meu coração acelerar ao decorrer que a minha ficha ia caído. 

 

   Barbara morreu.

 

   Senti como se me faltasse o ar e minhas mãos começaram a tremer um pouco com aquele sentimento ruim que estava queimando dentro de mim. Agatha se virou rapidamente em minha direção e seus olhos estavam arregalados e assustados, como se ela tivesse entrado em choque total. Ninguém tinha reação para falar alguma coisa ou fazer algo, apenas parecia que a notícia ainda estava sendo digerida por todos.

 

 -Ela...- Agatha tentou começar a falar, mas sua voz parecia ter desaparecido por completo, impedindo que completasse a frase. Eu também não estava conseguindo pensar e nem muito menos reagir a uma notícia tão chocante e apavorante.

 

    O que será que aconteceu com essa menina? 

 

-Vamos...- Justin disse, puxando Agatha e a mim pela mão no meio da multidão confusa e silenciosa. 

 

     Durante o caminho eu pude ver alguns alunos chorando, outros literalmente chocados com a notícia e alguns estavam parecendo não acreditar. Mas é nítido de que ninguém realmente pode imaginar como essa morte pode ter acontecido. Nem eu mesma posso imaginar. 

 

    Justin destravou o carro e abriu a porta de trás para Agatha e da frente para mim, ainda sem dizer nenhuma mísera palavra, ele parecia correr de uma forma entranha para que entrássemos no carro e assim que entramos, Justin não esperou mais para sair dali cantando pneu pelo asfalto, me causando um frio na barriga pela alta velocidade. 

 

    Eu sentia que não tinha forças para questionar nada, nem ao menos a forma apressada que Justin nos tirou de lá. Mas eu precisa pergunta ao menos o que ele achava de toda essa situação estranha e confusa. Olhei para Justin, que segurava o volante do carro com força e mantinha o maxilar travado, enquanto olhava a rua com uma atenção absurda. Suspirei me sentindo tensa 

com a atitude dele. 

 

-O que será... que aconteceu com ela? - Sussurrei ainda envolvida pelo baque da notícia e Justin me olhou brevemente antes de falar.

 

-Eu não sei, mas vou descobri! - Rosnou, mostrando que tem teorias na sua cabeça e eu só queria não ter as mesma. Justin pegou seu celular com apenas uma mão e desbloqueou o mesmo numa agilidade enorme, antes de digitar algumas coisas rápidas, ainda dividindo a atenção coma rua e quando acabou, o bloqueou novamente.

 

 

   Não precisa ser muito inteligente para achar essa morte da Barbara suspeita e fora de sentido. Ela estava ontem com a gente, forte e saudável, não tinha motivos nenhum para ela morrer assim do nada a menos que algo tenha provocado a morte dela...

 

      Meu estômago embrulhou no instante que meus pensamentos me levaram para essa teoria. Não quero ter que pensar nisso, não quero ter que imaginar uma causa e me surpreender com o que pode ter acontecido para Barbara. Respirei fundo e me concentrei em olhar o caminho, tentando não pensar em todas aquelas possibilidades que me surgiam assim que eu pensava naquela menina. 

 

    Nunca fui amiga ou próxima de Barbara, ela me odiava assim como todo o grupinhos da Emily. Mas ontem, quando confessou tudo que Emily fez contra mim, Barbara pareceu uma menina não tão patricinha arrogante e muito mais humana.  Ela ajudou muito, se não fosse por ela a verdade não teria sido revelada jamais e isso que me preocupa. 

 

 

     Justin estacionou seu carro no jardim e saiu do mesmo sem nem ao menos falar comigo ou com a Agatha, que estava em silêncio desde o início. Sai do carro sem esperar muito e minha prima me seguiu, vindo correndo para o meu lado. Caminhamos juntas até a porta da casa, enquanto Justin já entrava pela mesma. Ouvi o barulho de motores potentes e olhei para trás, vendo quatro carros luxuosos entrarem pelos portões, como se tivesse combinado em chegar ao mesmo tempo. Parei ali mesmo, junto à Agatha e esperei para ver Nash, Ryan, Matt e Dakota saírem dos seus carros.

 

-Ei meninas! - Dak saudou andando até nós e parecia tensa. - Justin mandou uma mensagem de urgência, o que aconteceu? - Perguntou preocupada e olhei para Agatha que estava sem reação ao meu lado. 

 

-A Barbara...- Comecei a falar, enquanto Nash, Matt e Ryan também se aproximavam curiosos. 

 

-Ela morreu..- Agatha sibilou sem emoção alguma, como se realmente estivesse ainda em transe pela notícia. 

 

    Eles se olharam por um breve instante, antes de correrem para dentro, me deixando mais nervosa ainda. Comecei a segui-los e Justin não estava na sala, então todos seguiram corredor a dentro em direção ao escritório. A tensão corria em mim e eu queria saber o que está se passando pela cabeça de todos, ao mesmo tempo que as ideias parecem ser terríveis. 

 

   Entramos na sala, praticamente todos de uma vez e encaramos Justin que parecia pensar enquanto olhava para o chão, me deixando mais apreensiva ainda. Eu queria pergunta o que está acontecendo, além da morta da Barbara. Mas parece que qualquer pergunta minha vai ser idiota demais.

 

-O que está acontecendo? - Melissa apareceu no escritório também e parecia assustada pela movimentação tão cedo. - Por que vocês não estão na escola? - Olhou para nós e Justin levantou o olhar lentamente para Melissa. 

 

-A Barbara morreu! - Disse nervoso e começando a andar de um lado para o outro. - Morreu do nada e essa porra está muito estranha! 

 

   Prendi a respiração sentindo a força das palavras dele. Justin estava visivelmente transtornado e surpreso com a morte de Barbara, assim como todos nós, mas ao contrário de mim, ele não parecia ir muito longe para buscar explicações. 

 

-Como assim morreu? - Melissa exclamou apavorada. - Nash não levou ela para casa ontem? Como isso aconteceu? - Ela estava perdida, não parecia achar sentido na notícia e nos fatos. 

 

-Eu levei, avisei que qualquer coisa era para ligar, dei meu número e vim embora! - Nash contou ainda em choque com tudo. 

 

-O que pode ter acontecido? - Ryan questionou pensativo e Justin parecia se controlar para não perder completamente o controle e nem posso imaginar o que se passa pela cabeça dele.

 

-Eu deveria ter ficado de olho nela! - Disse como se a culpa fosse sua, mas claramente não é. 

 

   Não é justo o Justin se culpar por algo que não sabe nem ao menos o que aconteceu. Apenas sabemos que ela morreu hoje de manhã, não podemos prever a causa e nada do tipo. Isso é muito vago até termos notícias concretas. 

 

-Calma aí! - Dakota Exclamou. - Ninguém aqui vai se culpar até sabermos o que aconteceu! - Olhou para cada um seriamente. - Matt, procura na internet para ver se já tem alguma noticia, os jornais já saíram a essa hora! - Pediu olhando atentamente para ele, que não demorou para sacar o celular do bolso e começar a pesquisar alguma coisa.

 

   O clima estava de tensão e parecia até mesmo que a culpa realmente tinha sido nossa, não do Justin e sim de cada um de nós aqui. O que é bastante estranho, mas só é o sentimento aflorado por toda a sala. 

 

   Matt parecia ter chego a algum lugar na sua pesquisa e pigarreou, antes de começar a falar. 

 

-Bem, aqui na internet só diz: Jovem encontrada morta em casa teria recebido choque elétrico com secador de cabelo ligado, que caiu na banheira em que tomava banho! - Matt ressaltou olhando o celular. - Os pais da jovem só tiveram o conhecimento quando a luz acabou na casa e depois de alguns minutos sem a filha aparecer resolveram ir ver o que aconteceu e a encontram morta! Até então a morte está sendo levada como acidente... - Explicou e parecia incrédulo pelo o que lia. - Isso foi essa manhã...- Murmurou antes de levantar o olhar em direção a todos nós e era visível como ele estava abalado com a notícia, assim como todos ali.

 

-Meu Deus! - Melissa exclamou colocando a mão na boca em espanto. Me sentei no sofá ao lado de Agatha que nem ao menos olhava para Matt e encarava um canto qualquer na sala.

 

-Quais as chances de isso ter sido um acidente? - Nash questionou nervoso e a resposta parecia óbvia.

 

   Não foi um acidente.

 

-Foi ela! - Dakota sibilou lentamente. - A Emily matou a Barbara! - Disparou, aquelas palavras que eu menos queria ouvir no momento. 

 

    È exatamente essa a resposta que ronda a minha cabeça desde que ouvi sobre a morte de Barbara. Emily, a única que realmente seria capaz e teria motivos de sobra para cometer tamanha barbaridade. Depois de tudo que ouvimos ontem, não tem como essa ideia não ser a primeira na cabeça de todos aqui. Mas para confessar, eu realmente não queria que ligar Emily a essa morte. Isso torna tudo mil vezes mais assustador e ameaçador. Se antes Emily só dizia, agora ela está realmente cumprindo o que diz, matou a Barbara, como uma espécie de aviso de que nada nela é da boca para fora. 

 

    O medo começou a dominar o meu coração e a ideia de que Emily esteja por aí, planejando machucar mais alguém que conhecemos, só para se vingar como prometeu. Mexe com a minha cabeça totalmente pensar que todos aqui estão correndo perigo diante daquela garota.

 

-Aquela filha da puta! - Justin esbravejou batendo na mesa com força me dando um pequeno susto. - Com certeza ela fez isso para se vingar e mostrar que não está de brincadeira! - Confirmou exatamente o que eu pensava. - Mas isso não vai ficar assim, se eu ver Emily de novo ela está fodida! - Exaltou furioso e me senti tensa por suas palavras.

 

     Está visível que Justin está afim de comprar a briga que for com Emily, se isso ser preciso. Já eu, não consigo pensar na possibilidade do que essa briga poderia causar. Emily não odeia o Justin e não consegue sentir nada do tipo, parece que todo mundo é errado, menos ele e mesmo que ela consiga essa briga, jamais tentar atingir o Justin. O foco dela é totalmente em tê-lo só para si. 

 

-Não acredito que essa assassina estava o tempo todo dentro dessa casa..- Melissa lamentou limpando algumas lágrimas que haviam escorrido. - Eu estou com medo... De verdade, a Emily é muito além do que podemos imaginar! Ela matou a própria melhor amiga! - Disse indignada com tudo aquilo.

 

-É o que dizem sobre os assassinos, se seu cúmplice te trair, pode ser o que for, eles se vingam... Foi isso que Emily fez, se vingou pela traição de Barbara e por ela ter a exposto para nós! - Ryan comentou apreensivo analisando os fatos. Senti Agatha se mexer desconfortável ao meu lado e notei que ela estava pálida.

 

-Se ela matou a Barbara por dizer a verdade sobre ela... O que Emily vai querer fazer comigo? - Agatha pergunta olhando tensa para todos ali, esperando respostas. - Eu revei o maior crime dela até então e ela me ameaçou....- Contou, mesclando seus olhos entre o medo e o desespero. 

 

   Ninguém sabia o que responde e mesmo que eu quisesse ajudá-la com alguma palavra de conforto, não há nada que se possa ser dito no momento. Agatha está certa, se Emily foi atrás de Barbara, as chances de ela vim atras de Agatha são enormes. Ao notar que ninguém iria respondê-la, Agatha começou a ficar mais nervosa e desesperada, se colocando de pé em um pulo. 

 

-Ela vai vim atrás de mim para me matar? É isso? - Questionou, deixando as lágrimas de desespero caírem pelo seu rosto. - Gente, por favor falem alguma coisa! - Gritou afobada olhando para todos. - Eu estou com medo... Não quero morrer...- Confessou chorando mais e não teve como segurar as lágrimas diante do desespero da minha prima. 

 

-Agatha, calma..- Dakota pediu se aproximando dela que negou rapidamente passando as mãos pelos cabelos de forma nervosa.

 

-Calma? Eu estou correndo risco de vida! - Gritou desesperada. - Eu não quero morrer! - Disse em meio às lágrimas e Dak a abraçou para tentar conforta-lá, enquanto o resto permanecia em silêncio, só olhando aquela cena sem saber exatamente o que dizer.

 

   Agatha é como uma irmã para mim, eu não suportaria viver sem ela ou vê-la machucada e toda essa história de Emily se vingar está me deixando nervosa e agoniada. Não quero ter que pensar em Emily fazendo algum mal contra a minha prima, acho que sou capaz de surta de vez se isso acontecer. Eu sei nomear muito bem as pessoas importantes na minha vida e Agatha é uma das principais dela. Eu não posso deixar que algo aconteça a ela, mesmo que tenha alguma leis idiota sobre gangues e quem está sobre sua proteção, eu preciso pedir isso.

 

   Olhei para Justin praticamente implorando ajuda, sei que ele odeia me ver chorar e estou fazendo isso bem agora, não é como se fosse uma chantagem, mas preciso que ele nos ajude agora, minha prima não pode ficar sem proteção. Ao ver meu estado de nervoso, Justin não pensou duas vezes antes de ficar em pé e olhar diretamente para Agatha. 

 

-Emily não vai chegar perto de você! Eu prometo! - Afirmou, tentando passar confiança para a minha prima, que não parecia muito apegada a isso. - A gangue K irá te proteger, vou colocar quantos homens necessário em volta de você. Agatha, nada vai lhe acontecer! Confia em mim! - Disse seriamente, me fazendo sentir levemente melhor. 

 

   Quando Justin se empenha em proteger alguém, não há ninguém que consiga atingi-los, eu sei bem disso, Justin me protege e me salva a alguns meses e nunca falhou nessa missão. Agatha estará segura enquanto a K estivesse de olho em sua volta. 

 

-Sério que vai mobilizar uma escolta para ela? - Nash perguntou levemente indignado e todos olharam para ele um pouco sem entender a sua reação. Nash estava sério e parecia realmente não gostar da ideia de colocarem pretenção para Agatha.

 

-Nash! - Melissa o repreendeu em voz baixa e ele deu de ombros não ligando para isso.

 

-Só acho um exagero, estamos falando da Emily! Ela só quer fazer isso para chamar a atenção do Justin, matar a Barbara não é a mesma coisa que tentar matar essa dai! A Barbara no significava nada e se ela ferir a prima da garota que Justin gosta, vai comprar um briga enorme com você! Praticamente atoa! - Explicou sua teoria e todos estavam tentando entender o que Nash tentou falar. 

 

   Nada realmente estava fazendo sentido nas palavras dele. Como ele pode ser tão insensível? Agatha está realmente correndo perigo e se não estivesse eu seria a prima a desconsiderar ajudar e dizer que podemos lidar com isso sozinhas. Não é como se fossemos mocinhas indefesas e bobinhas, apenas não queremos ter que correr riscos grandes.

 

   É tão fácil de entender.

 

-Cara, você está falando sério? - Ryan perguntou meio cético para as palavras do amigo. - Óbvio que Agatha precisa de proteção, por estarmos exatamente falando da Emily, não acho que ela vá poupar justamente quem mais ferrou ela nessa porra toda! - Gesticulou como se fosse óbvio e Nash bufou, como se não convencesse disso. 

 

-Nash, você está sendo bem ridículo! - Matt ressaltou antes de revirar os olhos. - Mais uma vez...- Sussurrou rolando os olhos, como se isso não fosse a primeira atitude idiota dele. 

 

-Pare de dizer merdas, Nash! - Dakota vociferou irritada pela falta de noção dele. - Agatha vai ter proteção sim e você não tem nada haver com isso!  Pare de ser sem coração! - Disse balançando a cabeça, bastante surpresa pela atitude de Nash. 

 

-É óbvio que ela terá a proteção da K! - Justin disse olhando seriamente para Nash. - Melhor ainda! - Ressaltou como se tivesse pensado em algo e deu um meio sorriso provocante, antes de cruzar os braços. - Ela vai ter um segurança particular.... E ele será você, Nash! - Disse balbuciou com o sorriso brincando em seus lábios e os olhos de Nash se arregalaram.

 

-O que? - Ele disse, ironicamente, ao mesmo tempo que Agatha, que parecia tão incrédula quanto Nash com essa proposta.

 

 -Não, eu prefiro enfrentar a Emily! - Disparou balançando a cabeça e se afastando do abraço de Dak. - Esse garoto visivelmente não vai com a minha cara! Ao invés de me proteger é capaz de me jogar para a morte mesmo! - Gesticulou exageradamente, enquanto olhava para Justin, que riu divertidamente daquela situação.

 

    Ele só pode ter batido a cabeça em algum momento. Por que não tem como essa ideia maluca da certo. Se Nash acabara de deixar bem claro que não vai com a cara da Agatha, por que diabos Justin quer colocá-lo justamente para protegê-la? 

 

   Isso é ridículo.

 

-Com certeza ele irá te proteger! Se não fizer será expulso da K, aposto que Nash não vai querer isso! - Justin disse sádico e foi inevitável abrir minha boca, surpresa com a ameaça um tanto quanto inesperada. Nash parecia mais indignado ainda pelas palavras de Justin.

 

-Isso não é justo! - Protestou exaltado e Justin deu de ombros, como se não ligasse a mínima para isso. 

 

   E aposto que não liga mesmo. 

 

-Eu não quero saber! Quem mandou ficar implicando com a Agatha, agora quero você colado a cada passo que ela der e se algo acontecer, você será totalmente responsabilizado. Fui bem claro nessa porra? - Reforçou, bem sério, mostrando a autoridade que visivelmente Justin tem sobre o próprio amigo, por trabalhar para ele.

 

   Imagino quanto doido deve ser ter seu melhor amigo como seu chefe e imagino o quando mais louco é ter o Justin impulsivo Bieber como chefe e amigo. Não posso nem analizar o quanto de coisas similares a isso já podem ter acontecido. Quando Justin quer algo ele está pouco ligando se alguém é contra, ele vai lá e faz. 

 

   Visivelmente uma pessoa que não se importa com a opinião nem dos amigos.

 

  Nash demorou segundos, mas assentiu. Agatha fez o mesmo logo em seguida, não querendo recusar ajuda do Justin, aliás, sem ela Agatha está bem encrencada. Ironicamente, a pessoa que ela mais repudiava antes é oficialmente a única que lhe pode defender. 

 

   O mundo da muitas voltas mesmo.

 

   Mas não posso deixar de demonstrar o quanto estou feliz pela minha prima está realmente segura e no meio das pessoas que nunca a deixarão correr perigo. Como se Agatha tivesse entrado para a equipe de alguma forma. Apesar de eu também receber uma certa proteção, isso só acontece por que tínhamos um acordo doido que nem sei se vale mais. 

 

   Olhei para Justin, com um meio sorriso e ele piscou para mim, mostrando está com tudo sobre o controle. Eu queria ter essa certeza, de que a K e Justin estos com tudo sobre controle, mas não consigo me firma nisso. Emily ainda está por aí e assinou uma pessoa hoje, isso sem medo de que alguém realmente desconfie dela. Não posso nem ao menos prever até onde vai a mente maldosa e psicopata dessa menina. Mas me sinto preocupada e agoniada com as possibilidades. Emily não vai desistir de infernizar a gente.

 

    Muito menos desistir de me infernizar. 

 

 

  P.O.V Emily Scott

 

  Cinco horas atrás...

 

   

   Já se passou pela minha cabeça diversas coisa que eu poderia fazer. Porém, nenhuma delas era realmente a solução. 

 

   Fui descoberta, alguns dos meus erros foram expostos em frente ao Justin e daquele pessoal nojento. Nunca me senti tão furiosa em toda a minha vida. Me jogaram contra ao Justin justamente quando ele estava quase se entregando a mim e ao amor que sentimos um pelo outro. Por que eu sei que no fundo, aquela atração que Justin sente por mim, não passa de um amor retraído e que precisa de ajuda para se libertar. 

 

   Mas perdi minha grande chances graças a uma traição enorme da pessoa que tive coragem de chamar de amiga. Barbara me enganou e me expôs na frente de todos, inclusive da Liz, fazendo aquelazinha parecer melhor do que eu o tempo todo.

 

   Ninguém é melhor do que eu nesse mundo e as pessoas precisam descobrir isso.

 

   Agora, Justin está mais do que furioso comigo e me expulsou de casa como seu fosse um cachorro sarnento. Tudo por conta de Barbara e sua língua grande. 

 

   A única coisa boa que essa exposição me trouxe foi a possibilidade de ser quem eu sou de verdade pela primeira vez desde que tinha doze anos de idade e principalmente, dizer umas verdades que estavam entaladas na minha garganta a tempos para aquelas pessoas que convivi forçadamente durante anos. Pela primeira  vez eu pude assumir para Justin o quanto eu o amo e até onde eu irei por esse amor.

 

   Um dia Justin verá que ninguém o ama mais do que eu e irá rastejar aos meus pés... Por bem... ou por mal.

 

   Tirei o meu capuz da cabeça, assim que meus olhos bateram na bela mansão azul clara na minha frente, onde todas as luzes se encontravam apagadas devido ao horário da madrugada que é. Cinco da manhã, não é nada para quem não dormiu a noite toda, simplesmente por não ter onde dormir. 

 

   Tudo culpa dessa vaca traidora. 

 

     É incrível quantas vezes a gente fale para as pessoas e as avisse sobre os perigos, as antas vão exatamente até o perigo o catucar para ver se é real. Para dizer que não foi falta de aviso, falei com a Barbara umas mil vezes sobre traição e como isso para mim era o maior crime da terra. Se eu cheguei a um ponto de confiar em uma pessoa e ela me trai, quer dizer que ela é uma vadia sedenta pelo prazer da morte.

 

   Diz o ditado, que se alguém não pode guarda um segredo e ser leal, não merece está no mundo. Pois aqui, quem não sabe jogar, acaba caindo muito feio. 

 

   Também tem outro ditado que diz: Fofoqueiro morre cedo. 

 

   Estou começando a creditar nesses ditados populares e a ver como eles se encaixam perfeitamente em minha vida. Por que olha só, eu tenho uma traidora, fofoqueira como amiga. Logo a minha amiga. 

 

  Me diz se não é pedir para morrer? 

 

  Continuei tomando o meu milk shake comprado em uma loja vinte e quadro horas, calmamente enquanto analisava aquela casa. 

 

   Olha o crime gigante que Barbara está fazendo eu cometer? Tomando milk shake cheio de calorias e gorduras a essa hora da manhã. Isso é um insulto ao meu corpo perfeito.

 

  Bufei lamentando o azar que essa menina teve por entrar na minha vida. Das duas uma, ou o Diabo está precisando de um novo rostinho para a sua coleção de vadias, ou Barbara tem um carma longo e está prestes a pagá-lo.

 

   De qualquer forma. Ela vai morrer.

 

  Para o grande azar dessa garota, eu adoro ver pessoas morrendo. Não que eu já tenha visto muitas pessoas, mas as poucas que já vi, me causaram uns belos momentos de diversões e felicidades. 

 

   Causar a morte de alguém é tão legal quanto assistir. Vê o quanto você é poderosa e acima de qualquer outra porra que existe, é inexplicável. Você tem o poder da vida e da morta nas suas mãos e pode usá-lo quando quiser. Por que você nasceu especial e exclusivamente para reinar sobre os mais fracos. Como a lei da seleção natural, onde apenas o mais forte sobrevive, nesse caso, você é quem decide quem irá sobreviver.

 

   Tão mágico quanto ir a Disneylândia.

 

    Para mim tão tentador quanto emocionante.

 

   Desde que me lembro eu tenho esse amor pela submissão das pessoa diante de mim. Jason costumava a me chamar de mimi cobra por que sabia que eu jogava as pessoas umas contras as outras o tempo todo. Inclusive a proporia Katharine. Jamais fui com a cara dela, nem quando criança, tê-la na mesma presença que eu,me deixava furiosa e isso só foi aumentando ao decorrer dos anos. Mas a convenci do contrário, fiz aquela sonsa me amar e me colocar a cima de qualquer suspeita, fazendo a princesinha fazer tudo o que eu queria, ao mesmo tempo que eu podia fazer tudo com ela sem levantar suspeitas. 

 

     Pena que ela me encheu o saco rápido demais, seria um bom brinquedinho se Katharine não tivesse se apaixonado pelo meu Justin.

 

   Como sempre, ela tentava me apagar e me humilhar, só para se sobressair mais. 

 

    Felizmente ela está morta e realmente não é o assunto aqui hoje. Apesar de Barbara também está caminhando em direção a morte.

 

   Olhei para o relógio em meu pulso, mostrando a hora exata e esperei até que a luz se acendesse. Como esperado, ela se acendeu, me fazendo da um breve sorriso. 

 

   Uma curiosidade sobre as patricinhas mimadas. Elas acordam bem mais cedo que o resto do mundo, só para se prepararem e parecerem apresentáveis as sete da manhã no colégio. Quando todos vêem uma menina bonita e com a aparência ótima tão cedo, com certeza foi por que ela acordou duas horas antes e se preparou para isso. Só para da a sensação de que é melhor do que todo mundo até mesmo no acordar.

 

    Tão mesquinha e ainda teve coragem de me julgar? Pelo menos eu sou linda a qualquer hora do dia.

 

   Patética.

 

  Deixei o copo de milk Shake no chão e me levantei do meio fio, batendo as mãos para tirar a poeira. 

 

    Eu adoro agir de surpresa. Não saber como irá começar ou terminar um plano me atiça de uma forma boa. É a chamada adrenalina e eu a amo bastante. Olhei para a porta e suspirei, antes de abaixar no canto e pegar a chave em baixo de uma pedra.

 

   Regra número um de um assassinato: Conheça bem a sua vítima. 

 

   O fato de eu ser até então amiga de Barbara, me faz ter o conhecimento de tudo, até mesmo esse pequeno detalhe de onde ela esconde as chaves de casa. E com um girar, a porta está aberta e livre para a sua ação. 

 

   Regra número dois de um assassinato: Use luvas, ninguém aqui está afim de ser preso por assassinar uma vadia né? Apesar de para mim não ser crime, para o resto do mundo patético é. Então não deixar digitas ou coisas similares, é importante.

  

   Abri a porta lentamente, para ter certa de que ninguém estaria na sala. Apesar do horário, vamos evitar ter que matar uma família toda por um descuido bodo como sair entrando sem analizar antes. Como a sala está vazia, rumei calmamente em direção às escadas. 

 

  Regra número três de um assassinato: Não corra, você não vai querer chamar a atenção da sua vítima ou de qualquer outra pessoa né? Então tens que passar despercebido, como se nunca tivesse estado ali.

 

   Ao chegar no andar de cima, olhei para todos os lados, antes de seguir corredor a dentro indo de encontro ao quarto da fofoqueira. Apesar de eu ter ficado fora de mim nas duas primas horas que fui desconcerta, agora me sinto serena, como se estivesse prestes a fazer um ritual de purificação. Livrando o mundo de uma alma traidora e imunda.

 

   Eu deveria virar uma Deusa por isso.

 

  Parei em frente ao quarto de Barbara e encostei levemente a orelha na porta. 

 

  Regra número quatro de um assassinato:

Você realmente não vai querer que sua vítima faça um escândalo e acorde a vizinhança toda né? Então toda a sua ação perto dela tem que ser silenciosa e surpreendente. Nada paga o olhar de surpresa de uma pessoa prestes a morrer. 

 

  Eu nunca matei muitas pessoas, só algumas vadias que corriam atras do Justin e ainda tinham coragem de querer me enfrentar de frente. Tadinhas, algumas ninguém nunca achou o corpo. Talvez alguém tenha esquartejado e jogado os pedaços em um rio... Apenas talvez. 

 

   Girei a maçaneta da porta, assim que tive certeza que Barbara não estava nele e sim no banheiro. Entrei no quarto lentamente e fechei a porta atras de mim como calma para não fazer barulho. Pisei levemente no chão até chegar perto da porta do banheiro e parei no canto da mesma, vendo Barbara pela fresta da porta, ela estava na banheira e parecia relaxar. 

 

   Ela nem imagina o quanto mais vai está relaxada daqui a pouco. 

 

  Abri a porta um pouco mais e agradeci pela minha magreza, que me permitiu passar pelo vão, sem fazer muito alarde. Sorri largamente ao ver que estou mais perto de me vingar a cada segundo que passa. 

 

   Barbara parecia realmente desatenta a sua volta e isso é um erro para quem está devendo a alguém. Será que ela realmente achou que eu não iria fazer nada? Eu se fosse meus inimigos, dormiria com os dois olhos abertos. 

 

  Olhei rapidamente em volta e notei o secador de cabelos em cima da pia, perfeitamente preparado para ser usado.

 

 

  Regra número cinco de um assassinato: Saiba exatamente o que pode matar a sua vítima, ou seja, tenha um conhecimento vago sobre crimes, mas isso vai de cada um. Eu no caso nasci com o dom de criar armas mortais nas simples coisas.

 

   Caminhei calmamente até a bancada da pia e parei diante do espelho, pegando o secador em mãos. Olhei para Barbara, antes de olhar para os meus cabelos. Céus, eles estão um desastre hoje, molhados pelo sereno da noite e embaraçados pela briga com Melissa. 

 

   Eu deveria está mais apresentável para matar a traidora. 

 

   Liguei o secador e o posicionei perto dos meus longos fios loiros para seca-los. Não vou matar ninguém com meus cabelos nesse estado. Assim que ouviu o barulho alto, Barbara abriu os olhos assustada e os mirou na minha direção. Sorri largamente ao olhá-la pelo espelho e vê a cara de surpresa e medo que ela estava formando ao me ver ali. 

 

 Regra número seis de um assassinato: Se divirta com o medo da vítima. Essa é a melhor sensação de todos, com certeza.

 

   Desliguei o secador rapidamente e me escorei na pia de mármore, me virando para encarar a cara impagável de Barbara de frente. Mantive meu largo sorriso antes e começar a falar. 

 

-Oi chuchu, surpresa em me ver? - Perguntei com a animação em cada tom da minha voz. - O que foi? Por que está com essa cara? - Perguntei sarcástica vendo Barbara sem reação na minha frente. - É o meu cabelo? Ah, eu estava tentando da um jeito nele agora! - Mexi o secador em minha mão. 

 

-Como você entrou aqui? - A voz de Agatha saiu apavorada e eu neguei lentamente. 

 

   Por que todas as pessoas parecem muito medrosas quando sabem que vão morrer? Mas na hora de fazer a merda toda não tinha esse medo todo da morte. 

 

-Vim acerta com você a conta que criamos ontem de manhã! - Ponderei a cabeça. - Você me traiu sabia? Depois do tanto que te avisei sobre isso! - Lamentei chateada. 

 

  É tão fácil não ter meu ódio. Mas as pessoas parecem adorar me ver com raiva.

 

-O Justin está me protegendo! Você não pode fazer nada comigo! - Ela afirmou e parecia nem ter tanta certeza de suas palavras. 

 

   Burra demais.

 

-Ae? E cadê ele? Não estou vendo? - Perguntei irônica, olhando ao redor. - Justin não está aqui, eu estou! - Sibilei maldosamente e de forma séria. - E vim acerta essa conta que você abriu comigo....- Abri um sorriso forçado que fez Barbara engoli em seco. - Mas antes deixa eu secar os meus cabelos! - Ressaltei levantando o secador, o ligando  novamente e me virando para o espelho. 

 

   Eu conseguia ver o quanto Barbara está apavorada e desesperada com a minha presença. Para o azar dela, esse desespero todo só aumenta mais a minha vontade de acabar com ela.

 

   Quase tive uma crise de risos quando Barbara citou a proteção de Justin. Por favor né, da para ver o quanto essa menina está desprotegida só pelo jeito que entrei aqui e estou cara a cara com ela. Sei como Justin é quando quer proteger alguém e isso não é proteção.

 

  Barbara esticou a mão para pegar o seu telefone, isso sem tirar seus grandes olhos azuis esverdeados de mim. Continuei concentrada no meu cabelo, a vendo tentar agir como se eu fosse burra o suficiente para deixar isso acontecer. 

 

   Respirei fundo pela audácia dela em tentar me enganar novamente pelas minhas costas. Já não basta o que fez ontem em me expor na frente de todos. 

 

    Essa vadia fofoqueira não aprende.

 

-Barbara! - Rosnei seriamente me virando, agora com minha cara de fúria e raiva que eu estava guardando. 

 

   Ela parou de se mover para me olhar atentamente e eu dei um leve sorriso pela atenção antes de ficar seria novamente. 

 

-Boa viagem para o inferno! - Exclamei antes de mandar um beijo para ela.

 

   Joguei o secador ligado dentro da banheira, causando um enorme curto e eletrocutando a água, fazendo Barbara fritar igual a um peixinho no forno. As luzes começaram a piscar, como no natal, enquanto ela se debatia dentro da água e subia uma fumaça do seu corpinho. Não pude deixar de gargalhar diante da cena, parecia até um show psicodélico e isso é muito legal.

 

    Eu estava me divertindo tanto, queria que durasse mais um pouco. Mas a luz infelizmente acabou e todo o banheiro ficou escuro. Bufei frustada pelo fim do espetáculo e peguei meu celular do bolso, ligando a sua lanterna, me virando para o espelho. 

 

   Pelo menos meu cabelo deu uma melhorada.

 

   Me virei novamente para Barbara e iluminei a morta imerge na banheira. 

 

-Já foi tarde, traíra! 

 

   Afirmei indiferente para a situação, antes de me virar e sair do banheiro, pela mesma fresta que entrei e em seguida sai do quarto fechando a porta atrás de mim. 

 

   Ouvi uma movimentação no quarto no fim do corredor e com certeza ali era o quarto da diretora e seu marido. Não esperei para ver se alguém iria aparecer, apenas desci as escadas devagar e fui até a porta da sala, dando uma última olhada para a escada antes de soltar um sorriso e sair para o lado de fora. Tranquei a porta da frente coloquei a chave no mesmo lugar. Soltei todo o ar de dentro de mim e comecei a caminha na calçada calmamente aliviada por ter me livrado de uma filha da puta traidora e fofoqueira. 

 

   Menos uma no mundo.

 

   Agora tenho outras coisas para pensar. Como estou na vibe matar fofoqueiras, eu poderia até ir atrás de Agatha, mas atingi-la agora não será tão divertido. É bem melhor quando as vítimas morrem uma de cada vez e no seu tempo. 

 

  O que é de Agatha está guardado.

 

   Fiz sinal para o primeiro e único táxi que parecia ter nessa hora na cidade e entrei no mesmo. 

 

-Por favor! Me leve para as Docas! - Pedi gentilmente e o motorista apenas assentiu dando início a viagem. 

 

   A pergunta que ronda a minha cabeça agora é, o que eu vou fazer de agora em diante. Sem casa, sem o Justin e com a Liz a vários passos na minha frente nesse jogo. Pode tudo parecer perdido, mas eu tenho duas saídas. 

 

  Uma é a carta que Katharine me deixou, ou melhor, que eu roubei. 

 

 A outra é pedir ajuda. Como um soldado ferido na guerra, pedir ajuda a única pessoa que pode te ajudar nessa batalha, a pessoa que tenha os mesmo ideias que você. 

 

   E eu sei bem a quem pedir. 

 

   Poucas pessoas nessa cidade me estenderiam a mão. Sou envolvida com Justin e K até o pescoço, até então sou aliada a eles e qualquer um que seja contra desconfiará da minha presença. Mas, tem algo realmente que ninguém pode ir contra nessa guerra e disputadas de gangues.

 

   O laço de sangue.

 

 

 

 

    Paguei o táxi, assim que me deixou na frente daquele lugar imundo e deplorável. Docas não é o melhor lugar para se visitar a essa hora da manhã. Quando tem festas aqui tudo parece menos nojento, mas agora, toda a precariedade está a amostra. 

 

   Tentei não ligar para o lixo que o lugar é e apenas me dirigi até a porta principal. Não me lembro quantas vezes vim nessa boate, mas realmente não é um lugar que eu gostaria de frequentar. Pegando a AD+ e as outras da K, isso aqui fica parecendo o lixão municipal. 

 

   Um horror.

 

    Empurrei a porta que já estava aberta e para a minha surpresa, está acontecendo uma festinha  aqui dentro. Mas uma festinha para uns dez caras, que bebiam e viam as mulheres dançarem sobre as mesas. 

 

   Olhei toda a cena o tanto quando enjoada e não contendo a repulsa dentro de mim. Por favor, tem como esses homens serem menos escrotos a essa hora da manhã? 

 

   Melhor acabar com isso antes que eu vomite nesse chão. 

 

-Com licença! - Falei tentando ser notada, mas ninguém nem ao menos me ouviu. Odeio não ser notada, todos deveriam se ajoelhar assim que passei pela porta. 

 

  Mas o que esperar de homens que parecem mais com ogros.

 

  Revirei os olhos e voltei para perto da porta de metal pela qual passei e dei dois tapas fortes na mesma fazendo um som alto ecoar pelo local chamando a atenção de todos.

 

   Agora sim.

 

-Olá! - Saudei olhando petulantemente para cada um ali. - Alguém sabe me informar onde se encontra o idiota do Dylan Mancarter? - Cruzei meus braços sobre o peito e bati o pé no chão em um ritmo continuo, até obter alguma resposta.

 

  Todos ficaram em silêncio, até que aquele rosto pouco familiar surgiu do meio deles e me encarou seriamente.

 

-Emily? Que porra você faz aqui? - Questionou confuso e dei de ombros não querendo entrar em detalhes. 

 

-Não é da sua conta! - Gesticulei fazendo pouco caso. - Você! - Apontei para um dos caras sentados! - Preciso que fique atento à mansão do Bieber, para quando forem jogar minhas roupas na rua! - Ordenei. - As vadias podem sair, acabei de matar uma e estou sedenta por mais! - Rosnei ameaçadoramente e as putas me olharam antes de começarem a sair, sentindo que não estou brincando. 

 

 -O que? Que merda é essa garota? O Justin sabe que você está aqui? - Dylan disse sem entender nada. 

 

   Tenho nojo de gente lerda e Dylan é até demais. Nunca fui com a cara dele e sempre torci para Justin enfiar uma bala no meio do rosto desse idiota. Mas nunca se concretizou. 

 

-Claro que o Justin não sabe que estou aqui, mas duvido que ele ligue. Fui expulsa. - Resmunguei a última frase e Dylan arregalou os olhos se aproximando mais. 

 

-Calma aí, que eu acho que não ouvi muito bem! - Bufei irritada pelo idiota completo que Dylan é. Eu não mereço passar por isso, Justin vai ter que me recompensar muito por esse castigo injusto que estou tendo agora. 

 

  Aturar Dylan é sacanagem.

 

-Você! Agiliza para ir pegar as minhas coisas! - Voltei a falar com o cara de olhos escuros que me encarava como se eu fosse louca e digamos que esse não é o melhor momento para testar a minha fúria.

 

-Brian não vai a lugar nenhum! - Dylan falou seriamente. - Quem você pensa que é para chegar aqui assim e dizer o que os caras tem ou não que fazer? - Disse tentando me colocar medo, mas nem ao menos me impressionei com o seu tom de voz serio e rigoroso.

 

  Ah faça-me um favor. Quem teria medo desse cara? Sério, por que eu não sinto nem ao menos o poder de um líder de gangue nas palavras dele como no Justin. Dylan é uma piada.

 

   Dei uma risada achando graça da cara dele, antes de balançar a cabeça. Acho que preciso lembrar um detalhe a Dylan que obviamente ele se esqueceu. 

 

-Eu sou irmã do Jason Scott, verdadeiro líder da Explosion! Então é melhor você fazer o que falei, Brian! - Me virei para o moreno sentando na cadeira e ele se colocou de pé imediatamente. 

 

-Isso é sério Dylan? - Perguntou sem tirar os olhos de mim. - Essa gostosa é irmã do Jason? - Quase fiquei lisonjeada com o elogio, mas vindo de um cara  nojento e nem um pouco atraente, não me agradou. 

 

     Incrível como as pessoas aqui realmente não sabem quem eu. Ser irmã do segundo maior gângster dessa cidade, só atras do meu amor Justin, quase não vale para nada realmente. Exatamente quando eu preciso disso, quase não me server, por ninguém saber quem eu sou. Devo ser conhecida com algo haver com a K e Justin, dificilmente meu nome seria veiculado a Jason e Explosion. 

 

-É verdade... Essa aí é irmã mais nova do Jason..- Dylan Murmurou, como se a informação não o agradecesse. 

 

-E então é melhor você fazer o que eu mandei, Brian, senão, Jason vai saber que você não ajudou a irmãzinha dele e aí..

 

  Fiz um gesto no pescoço, indicando a morte e o rapaz assentiu prontamente antes de se apresar para sair dali, passando por mim.

 

-Aliás, sabe aquela mansão enorme que Jason morava? Pode me da a chave dela! Vou ficar por lá! - Afirmei olhando para Dylan com superioridade e ele bufou furioso.

 

    Dylan me encarava com ódio e nenhuma felicidade em me ver ali. Não sei o por que disso, eu só vim para somar, ele nem imagina todos os planos ótimos que tenho contra os mesmos inimigos que ele. A presença de Dylan me agrada só de eu lembrar que ele odeia a Liz Blue assim como eu.

 

-Você é doida garota? Jason não está aqui, a gangue está sobre o meu comando! - Afirmou batendo no peito e eu gargalhei alto, levando aquilo como uma piada e só pode ser uma piada.

 

-Mas ele vai voltar! - Afirmei rindo ainda das palavras de Dylan. - Então é melhor você me tratar bem! - Rosnei no final da frase, começando a ficar séria. 

 

    Eu não estou tendo uma das melhores manhãs da minha vida e Dylan não está ajudando muito. Se não fosse pela morte da Barbara, eu já teria arrumado uma bela e grande confusão aqui. Mas matar alguém logo cedo me deixou mais zen. 

 

-Como assim volta? - Perguntou cruzando os braços com um olhar divertido. 

 

-Eu vou ligar para Jason e pedir para ele voltar! - Contei me sentindo soberana por isso e Dylan riu, assim como os outros caras que ali se encontravam, riram como se eu fosse uma idiota. 

 

-Boa sorte com isso! Por que Jason não volta nem fodendo! Talvez daqui a alguns anos! - Afirmou aos risos me deixando nervosa. 

 

   Esse é o meu plano. Ligar para Jason e pedir ajuda, eu não posso lidar mais com essa situação sozinha, pensei que daria conta da Liz com fiz com as outras. Mas aquela infeliz está quase no nível Katharine da história e ninguém mais do que Jason para tirar mais uma pedra dessas do meu caminho com prazer. Aliás somos irmãos e ele não pode me negar ajuda, se antes de sumir ele me deu seu número para caso eu precisasse, por que iria ignorar o meu pedido de socorro bem agora? 

 

     Sei que eu sempre fui a última pessoa de Atlanta a querer Jason de volta, com medo do que esse duelo entre ele e Justin pudesse causar. Mas agora, a volta de Jason è mais do que necessária para me salvar, eu perdi o controle total de toda a situação com Justin e a primeira vez em três anos que realmente confesso precisar da ajuda de Jason. 

 

    Minha mãe sempre dizia para nós, que os laços de sangue nunca devem ser quebrados. Que não importe quantas Katharine tentem nos destruir, ainda vamos ser uma família e lutar lado a lado independente do que for. 

 

   Se Jason fugir dessa lição, vai ser um belo de um otario. Mas eu sei que ele virá me ajudar. Tenho cartas na manga que o farão vir as presas para Atlanta, isso se o plano de implorar não funcionar. 

 

   De qualquer jeito, eu vou trazer Jason Scott de volta. 

 

-È isso que vamos ver então..- Abri um sorriso debochado para todos ali. 

 

   Jason não vai ser capaz de quebrar o pacto de família. 

 

   Eu tenho certeza que ele virá.

 

 

 

  Um mês depois.....

 

 

P.O.V Liz Blue.

 

   Eu não tinha mais sono nenhum, apenas fiquei encarando o teto do quarto, tentando pensar no que diabos a Agatha foi fazer a essa hora da noite.

 

    Acordei a poucos minutos e ela simplesmente não está em nenhum lugar dessa casa. Com certeza saiu escondida. Mas para onde? E por que não me chamou?

 

    Tão injusto ver Agatha me escondendo as coisas como a muito tempo atras, pensei que realmente isso tivesse acabado, ainda mais quando ela mesma já descobriu toda as verdades que eu escondia.

 

    Um mês se passou desde a morte de Barbara, apesar de aparentemente todos já terem seguido em frente no colégio, ainda vejo a tristeza e o cansaço nos olhos da diretoria Palvin, mas ela tenta se manter forte o tempo todo. Eu ainda me surpreendo em como uma pessoa pode ser tão fria ao ponto de matar outra dessa forma, é terrível. A morte de Barbara foi considerada acidente pela polícia, eles até fizeram uma reconstrução dos fatos, bem louca, em um programa de televisão, tudo isso para mostrar as jovens, o risco de usar secador de cabelo em ambientes molhados. 

 

   Ou seja, culparam a Barbara pela própria morte. 

 

   Às vezes eu penso nela e penso no capeta que a Emily é. Ninguém nem ao menos pensou que fosse um assassinato, tirando o pessoal, ela passou ilesa nisso. 

 

   Tão ilesa que sumiu. 

 

   Emily desapareceu completamente desde o dia da morte da Barbara. Bem similar com o que aconteceu na morte da Katharine, quando Jason sumiu. Não posso deixar de comparar esses dois, por que, apesar de eu não conhecer Jason, conheço a irmã dele e ela já provou que a genética não é boa. 

 

    Tento não me pegar pensando no que a Emily está tramando dessa vez. Para ela sumir por tanto tempo assim, ainda mais depois de ter avisado que se vingaria, não deixa de ser extremamente estranho e confuso. Por isso me preocupa a Agatha de madrugada sozinha nas ruas de Atlanta. Não adianta meus constantes avisos para ela tomar cuidado, Nash virou meio que um guarda-costas dela, mas não adianta muito coisa se ela sair de madrugada, horário que claramente ele não está. Agatha fica fugindo dele o tempo todo e as brigas já me causaram umas centenas de dores de cabeça. Mesmo que eu tenha quase implorado para Justin colocar outra pessoa para vigiar Agatha, ele insiste que não volta atrás nas palavras dele. 

 

    É tipo um castigo de Deus por eu ser tão desobediente. 

  

    Isso me lembra as minhas tias. Crystal resolveu que agora quer ser mais a minha amiga, ficar mais presente na minha vida e eu tenho quase certeza que isso é uma desculpa para saber se ainda me encontro com Justin. Nikki, continua sendo a mesma comigo, não mudou nem um porcento e eu a amo muito por isso, é bom não ver a desconfiança nos olhos de alguém, só para variar. Rachel é oficialmente quase a substituta da Emily na minha vida, quando eu acho que ela está quieta, me surge de surpresa na porta da minha escola para ver se está tudo "bem", vergonhoso demais e sem contar que ela quase me pegou no flagra algumas vezes com isso. 

 

     Rachel agora controla quase todos os meus passos, me liga umas cem vezes por dia e faz questão de reforçar, se souber que eu ando encontrando Justin, minha punição será severa.

 

    Eu deveria, só deveria mesmo, está preocupada com as ameaças de Rachel e fazer o que ela manda. Mas quem disse que consigo me manter longe do Justin? É quase impossível, na escola ficamos o tempo todos juntos e sempre damos um jeito de nos encontrar. Já perdia as contas de quantas vezes o Justin veio aqui ou eu fugi no meio da noite. 

 

    Perigoso eu sei, mas quem liga para essas coisas quando se está apaixonada? 

 

     Ouvi um barulho do lado de fora do quarto e torci para não ser uma das minhas tias, por que aí sim Agatha está bem encrencada. Mas para a sorte, a própria Agatha passou pela porta, em passos lentos e silencioso para ninguém vê-la. Continuei quieta na cama, vendo a astúcia da minha prima em fugir e ainda querer voltar sem ser vista. 

 

   Ela deve achar que sou uma idiota.

 

-Boa noite Agatha! - Ressaltei, irônica em voz baixa, assim que ela fechou a porta atrás de si e parecia ter levado um susto. 

 

   Agatha acendeu a luz para me enxergar melhor e me encarou com os olhos surpresos em me ver acordada a essa hora da madrugada. Já ia dar quatro e meia da manhã e estamos numa quinta feira, não sei exatamente o que Agatha acha sobre acordar às sete da amanhã, mas parece que ela não estava se incomodando e só ficou realmente surpresa em me ver.

 

-Onde você estava? - Questionei cruzando os braços feito uma mãe desapontada com a filha. Agatha parecia não saber como me responder e ainda se encontrava sem reação pelo flagra.

 

-Bem... Fui em uma festa, na Concer...- Disse meio hesitante e tirando os sapatos altos. Estreitei os olhos para Agatha, tentando achar qualquer sinal de mentira, mas parece que é realmente verdade.

 

    Concer é uma das boates da gangue K, essa funciona só em dois dias da semana, segunda e quinta. Eu não sei exatamente o por que disso, mas parece que Agatha não é a única maluca que gosta de festejar até tarde em dia de semana. 

 

-Foi sozinha? - Agatha ponderou a cabeça e torceu os lábios. - Você sabe que a Emily ainda está por aí e pode tentar vir atras de você, aí resolve sair a essa hora da noite para boate! - Elevei um pouco o tom de voz, mais ainda não o suficiente para que a casa toda acordasse.

 

    Agatha negou rapidamente, como se não fosse exatamente isso e depois soltou um longo suspiro. Mantive meus olhos sérios nela, esperando ela me responder.

 

-Eu fui com o Nash, tá bom? - Gesticulou resmungando e começou a caminhar até o seu armário. Á acompanhei com o olhar e essa é a história mais sem pé e sem cabeça que já ouvi. 

 

-Nash? - Perguntei para ter certeza disso e recebi um aceno de confirmação. - Que eu saiba você se odeiam! - Cruzei os braços curiosa com aquilo e Agatha continuou mexendo no armário, atrás de algo para vestir.

 

-A gente não se odeia...- Ela murmurou descordando de mim e me senti mais confusa ainda. - Só tivemos alguns atritos! - Afirmou voltando a se virar para mim. - Nada demais. - Deu de ombros como se fosse indiferente, me fazendo abrir a boca surpresa. 

 

    Atritos? Eu quase fiquei maluca no último mês com esses dois discutindo até mesmo sobre o tempo. Só eu eu sei o que foi aturar dois cabeça dura reclamando o tempo todo.

 

-Calma aí, acho que não entendi..- Olhei atentamente para Agatha, esperando ela explicar melhor essa história e ela me olhou com os olhos diferentes, antes de suspirar mais uma vez. 

 

-Ele me chamou para sair, eu aceitei... Foi isso! - Disse como um tom de voz diferente e acenei com a cabeça, esperando ela continuar a explicar por que ainda não entendi nada. 

 

-Ele te chamou para sair? Porque? - Perguntei ainda mais confusa e Agatha suspirou pela décima vez desde que entrou pela porta.

 

    Tem algo de errado com ela. Não diria que é mentira, por que Agatha tem um jeito único para mentir e não se parece nada com esse jeito tímido e constrangido que ela está agindo agora. Aliás, ela suspirou mais vezes hoje do que em toda a vida dela e sustenta um brilho diferente no olhar. 

 

-Você pode me contar logo o que está acontecendo? - Agatha levantou o olhar para mim e se sentou em sua cama, ainda com a expressão e o olhar diferente. 

 

-Foi um encontro. -Contou quase me fazendo cair para trás. - Só fomos nos divertir na Concer, Justin e nem o resto do pessoal estavam lá, aí ficamos no camarote a noite toda, dançando...- Detalhou, antes de dá um sorriso cheios de significados e nunca vi Agatha sorrir assim.

 

    Eu realmente devo está dormindo e tendo algum sonho louco.

 

    Nash chamou Agatha para sair. Os dois que mais discutem na história, saíram juntos para se divertir. Eu perdia algum dia dessa história ou tudo realmente aconteceu rápido demais?

 

    Eu não podia esconder a cara de espanto e surpresa que eu mantinha e só quero saber mais detalhes desse encontro bem típico de duas pessoas que amam festas, mas bem atípico por que eles se odeiam, ou se odiavam, ou nunca se odiavam, sei lá.

 

 

-E o que mais? - Perguntei esperando ela concluir a história e senti que tinha algo grande no final, só pela forma que ela olhou para mim. Céus, eu já vi esse olhar antes...

 

-Ele me beijou. -Sibilou com um grande sorriso bobo e encantado. Pisquei várias vezes para ter certeza de que não estou ficando louca.

 

-Como è? - Minha voz quase não saiu em meio ao susto e Agatha assentiu sorrindo bastante. Igualzinho eu sorria quando...

 

   Ai meu Deus. 

 

-Você está apaixonada pelo Nash! - Gritei incrédula e Agatha me tacou o travesseiro fazendo um barulho para eu falar baixo. 

 

     Foi quase impossível não ter essa reação. Eu perdi alguma coisa realmente, por que desde quando eu me lembro eles nem ao menos se olhavam, até começarem a brigar como se fosse uma guerra e agora, saíram, se beijaram e Agatha está com um olhar de boba apaixonada. 

 

   Isso não pode ser possível.

 

-Desde quando isso é possível? - Gritei em sussurro para ela que riu levemente pela minha cara de confusa.

 

-Você anda muito tempo longe de mim né, tipo as últimas duas semana você se afastou um pouco...

 

-Claro, você é Nash quase se mataram e eu não estava aguentando mais! - Disse o óbvio, interrompendo Agatha, que revirou os olhos assentindo.

 

-Aí nesse tempo, a gente se aproximou mais e paramos de brigar o tempo todo...- Contou me olhando nos olhos. - Começou a rolar um clima estranho sabe, aí ele me chamou para sair e bem... Já te contei o que aconteceu! - Agatha sorria tanto que tenho a sensação que nunca a vi sorrir assim em todos os seus dezoito anos. 

 

-Vocês se odiavam... Como isso foi acontecer tão rápido? - Fiz minha ultima pergunta e Agatha me olhou com a sobrancelha erguida, como se eu fosse doida em pergunta algo assim.

 

-Querida, o Justin tentou te matar e dias depois você estava aos beijos com ele! Nem vem querer falar de ódio e amor aqui! - Gesticulou petulantemente e parei para pensar no que ela disse.

 

   Agatha tem total razão. Eu não deveria está tão surpresa, levando em conta a minha história com Justin. Foi tudo tão rápido quanto o de Nash e Agatha, posso até dizer que mais surpreendente, apesar de eu ainda está assustada com eles. Enfim, eu realmente não posso falar nada nesse caso.

 

-Tudo bem, mas por que você não me contou? - Olhei seria para ela. - Sou sua prima eu deveria saber que você está gostando dessa forma de alguém! - Me senti levemente ofendida por não ter sido notificado antes desse novo romance de Agatha e ela fez um biquinho fofo antes de ri.

 

-Eu te contaria, mas juro que nem eu pensei que iria para frente. Nash é um galinha! - Ressaltou rindo, me fazendo assentir lentamente. 

 

   Nash é mulherengo, Agatha também é da vibe: Pegar geral. Acho que foi aí que as coisas se encaixaram, duas pessoas parecidas conseguiram achar o que tinham de igual e se juntaram. 

 

   Realmente impressionante. 

 

-Diz que está feliz por mim. - Ela pediu com um olhar fofo e não consegui mais segurar a cara séria, dando uma risada. 

 

-Óbvio que estou feliz! Nash é o melhor amigo do Justin e tenho certeza que ele irá te tratar bem... Na medida de um gângster, mas vai! - Afirmei, fazendo Agatha suspirar mais uma vez e se jogar na sua cama. 

 

   É tão bom vê-la feliz assim. Acho que posso me acostumar com esse novo casal surpresa. No fundo eles combinam tanto que seria de se esperar.

 

-Vamos sair de novo hoje. - Murmurou olhando o teto e afirmei querendo saber mais. - Vamos a um racha, nunca fui a um, estou realmente ansiosa! - Contou voltando a se sentar. - Vai ser divertido. - Disse rindo. 

 

-Um racha, realmente um ótimo lugar para um segundo encontro. - Ironizei, debochando da cara de Agatha, que me deu língua sarcasticamente. 

 

-E onde foi seu segundo encontro com o Justin? - Colocou a mão no queixo ironicamente. - Ah, foi quando ele te sequestrou. - Sibilou maldosamente, mas ao mesmo tempo sarcástica, me fazendo lançar um olhar sério para ela.

 

   Na verdade eu nunca tive um encontro com o Justin. Tudo aconteceu tão rápido que não tivemos tempo para essas formalidades. Uma pena, mas ao mesmo tempo tudo que vivi, com o diário, já basta para a cota de encontros estranhos que se pode ter com alguém. Só de lembrar do jardim do Labirinto, já me bate um desespero interno. 

 

-Mas me fale sobre esse novo encontro. - Mudei de assunto e Agatha assentiu.

 

-Vai ser como eu disse, um racha, sendo que esse é o maior dessa cidade, é a disputa entre as duas gangues dominates, resumindo... O maior evento do crime. - Disse com uma voz cheia de emoções e franzi a testa pensando no que ela disse.

 

-Esse racha tem nome? - Perguntei curiosa pelas informações que ela deu e Agatha assentiu, parecendo querer se lembrar qual era.

 

-Acho que é sangue... Não,  sangrando... Não...

 

-Racha Sangrento? - Perguntei seriamente, Agatha assentiu animada e senti uma tensão correr dentro de mim. 

 

   Ah, eu não acredito isso.

 

-Você já ouviu falar? È hoje e todos os grandes da cidade vão está lá! È oficialmente o maior evento do crime! - Contou animada, enquanto eu comecei a queimar de raiva dentro de mim. 

 

   Não acredito que o Racha Sangrento è hoje. 

 

-Filho da puta, desgraçado! - Exclamei me colocando de pé no mesmo instante e sentindo aquela mistura de coisas em mim, raiva a tensão. 

 

    Como o filho da puta do Justin Bieber teve coragem de não me contar que o Racha Sangrento è hoje? Ele esteve comigo todos os dias nas últimas semanas e nem se quer mencionou a proximidade do evento. Aquele idiota vai competir ainda por cima, só para completar o meu nervosismo. 

 

-O Justin não me contou que seria hoje! Aquele idiota vai competir! - Ressaltei sentindo a angústia crescer dentro de mim e Agatha me olhou com uma grande cara de culpa.

 

-Acho que falei demais...- Resmungou me olhando com atenção e analisando cada expressão minha. Neguei firmemente.

 

-Não Agatha, você não falou demais, foi o babaca do Justin que falou de menos! - Afirmei raivosa. - Mas pode deixar, que eu vou esganar o Justin hoje! - Cruzei os braços, certa de que Justin Bieber vai ouvir bastante quando me ver. 

 

    Como ele pode ter coragem de me esconder isso? Eu sei bem do que o Racha Sangrento se trata. Sei de cada perigo e regra dessa corrida, Justin me contou a meses atras, mas como viu que fiquei preocupada acima do normal, e com razão. Então resolveu fugir do assunto e ainda disse que faltava algum tempo. Mas eu realmente esqueci disso, até por que eu não vou criar uma agenda especial para marcar cada merda que Justin Bieber vai fazer nessa cidade ou com a vida dele. Apesar de eu começar a achar que deveria. 

 

    Me sinto frustada e enganada por até Agatha ter sido convidada e eu não. Com certeza, Justin sabe o tamanho do sermão que vou lhe dar sobre isso de colocar a sua vida em risco numa competição que pelo menos uma pessoa sai morta. E se essa pessoa for o Justin? Ele não pensa em nada quando o assunto é esse ego enorme de bandido dele. Eu não deveria está surpresa com ele tentando me esconder algo que claramente eu irei bater o pé contra. Tratamos todos os dias sobre a confiança entre nós dois, principalmente depois de tudo que aconteceu e parece que não serviu para muita coisa. Aqui está Justin Bieber tentando me enganar mais uma vez.

 

   Mas vamos ver o que esse idiota tem a me falar sobre ter escondido isso de mim. 

 

 

 

 

 

P.O.V Justin Bieber.

 

      Melissa falava no telefone e nem me viu entrar na cozinha, querendo simplesmente não estão acordado a essa hora da manhã. Toda aquela motivação para estudar já estava sumindo de novo e nem chegamos na metade do ano ainda. Eu simplesmente não sirvo para essa merda de estudos e não sei realmente como tem gente que se esforçar para essa porra. Não posso contar o dias para isso acabar e tem que acabar.

 

-Filho, eu sei que você não gosta, mas pelo menos finge que gosta! - Melissa pediu falando no telefone e me aproximei dela rapidamente.

 

-Não pede para a criança ser falsa! - Falei irônico antes de chegar perto do telefone. - Chris, se for daquele o velho chato que mora aí, pode não gostar mesmo! - Ressaltei, fazendo Melissa me olhar feio e me empurrar.

 

-Não, Chris, já falei para você respeitar todo mundo! - Melissa disse me olhando sério. Revirei os olhos para ela.

 

   Não tem como ela ensinar o garoto a ser esperto e corajoso, sendo que ao mesmo tempo ela pede para ele ser educado com um velho escroto que se acha o rei do mundo. 

 

   Isso é ridículo. 

 

-Você, para a escola agora, está atrasado! - Melissa disse para mim, antes de voltar a falar com o Chris. 

 

   Nem me dei ao trabalho de responder ela, para não ser grosso logo essa hora da manhã. 

 

   Eu simplesmente não dormir a porra da noite toda. Isso por que estou elétrico com o que irá acontecer hoje à noite. Finalmente chegou o dia do Racha Sangrento, o maior evento do crime dessa cidade. Desde que a K iniciou, coloco caras meus para competir e fico assistindo e me divertindo com tudo. Mas esse ano, me senti mais do que preparado para entrar no jogo também. Depois de tanto assistir, fiquei tentado a tentar, sei que é perigoso, o risco de morte é alto para todos. Porém, eu sou foda pra caralho onde eu quiser ser e vou ganhar esse Racha hoje.

 

   Tenho certeza disso.

 

    Mas tem um problema. Melissa não pode nem sonhar que o Racha é hoje à noite, ela com certeza me mataria e não deixaria de forma alguma eu fazer. Quando Melissa quer me proibir de algo ela realmente faz de tudo para isso. Uma merda chata que não muda mesmo com o tempo. 

 

   E ainda tem a Liz, não contei a ela e nem vou contar também. Liz é outra que me impediria de correr ou tentaria ir junto, o que obviamente vai tirar a minha concentração total. Não tem como eu focar em uma competição, tendo Liz no mesmo ambiente que Dylan e outros cara da Explosion. Aquela ameaça ainda está viva na minha memória e a sorte de Dylan é que ele não me encontrou ainda depois disso, se não já estaria morto só pela audácia de ameaçar a minha garota. 

 

   Essa é a porra da coragem que admiro nele. Dylan insiste em dizer que eu adoro me por em perigo, mas ele conseguiu bem mais, só ameaçando a Liz da forma que ameaçou. 

 

    Para todos os efeitos, Liz e Melissa estão fora de saber sobre o Racha. Pedi para o pessoal manter segredo absoluto sobre isso e nem ao menos lembrar que esse evento existe. Sei o quanto Liz vai ficar puta quando souber que eu competi no Racha sem dizer nada a ela, mas ao mesmo tempo é melhor contar depois do que ouvir um sermão agora. 

 

   Não tem o que se preocupar. 

 

   Eu vou vencer essa porra.

 

 

 

 

     Cheguei na escola, como sempre não sentindo nenhum pingo de vontade de está ali. Hoje é sexta feira e acho que desde que comecei com a gangue, é o primeiro ano que não falto todas as sexta-feiras. Esse é o dia que quase todas as boates da K estão abertas e geralmente eu estou cheio de coisas para fazer. Mas infelizmente, eu preciso acabar essa merda de escola e não mais faltar. 

 

   Nesse mês todo eu tenho tentado dividir a vida de bandido com a de aluno. Até que está dando certo, com a Liz ajudando tudo fica mais fácil. Estou em negociação com as gangues para onde a carga bilionária que roubei seriam enviadas e estou fechando negócios altos. Depois que eu concluir toda a venda, me tornarei o maior bandido dessa cidade oficialmente e também um dos maiores do país. Não vai existir nem a vaga lembrança do que é Explosion no mundo do crime. 

 

     Sai do meu carro, deixando ele no estacionamento dentro do colégio e comecei a andar em direção ao prédio C. Mas uma pequena garota surgiu na minha frente com um olhar furioso e de braços cruzados.

 

-Olá, Justin! - Liz sibilou seriamente, me fazendo olhá-la atentamente. 

 

     Pelo visto ela está bem brava comigo e nem sei a merda que fiz desse vez. Durante todo esse mês andei na linha com ela de uma forma que nunca pensei, acho que Liz não fica brava comigo tem mais de três semanas e isso é um recorde bem importante. Porém, agora ela está parecendo que quer me matar e se seus olhos lindos tivessem visão de fogo, ela já teria feito.

 

-O que foi? - Perguntei singelamente, por que Liz me olhava como se eu devesse saber exatamente o que fiz de errado. 

 

-Me diz, tem planos para hoje à noite? Tipo, arriscar sua própria vida? - Perguntou petulantemente e neguei por um instante, até notar a porra que esta acontecendo.

 

     Liz já sabe do Racha Sangrento. 

 

  Mais que caralho. Como ela foi descobri? Pedi sigilo total do pessoal e ninguém mais além deles sabe do Racha. Eu vou matar o fofoqueiro que abriu a boca, por que agora fodeu totalmente. 

 

  Liz me olhava esperando eu responder e não tem como reverter essa merda. Ela já sabe e se eu mentir só vai piorar as coisas, melhor contar a verdade.

 

-É só uma corrida, baby! - Dei de ombros, tentando mostrar que não tem nada demais nisso, mas na verdade vale o título de rei do Racha e, caralho, eu quero isso. 

 

-Não me chama de baby! Você não está nesse direito agora! - Exclamou gesticulando bastante furiosa. - Justin, eu sei bem o que é o Racha Sangrento, você já me contou lembra? Então não tente dizer que isso è só uma corrida, por que não é! - Deu ênfase nas palavras e bufei irritado.

 

    Não tem como convencer a Liz de que o Racha Sangrento não é nada demais por que eu já fui idiota o suficiente de contar tudo para ela. Agora não sei exatamente que porra fazer para tentar convencê-la de ficar em casa e não se preocupar comigo. 

 

-Pode até ser, mas eu sou bom, não vou correr nenhum perigo lá! - Falei certo disso, eu sou o melhor em todas as porras que me disponho a fazer e não vai ser diferente com o Racha Sangrento. Eu esperei por esse evento o ano todo, Liz não sabe o quanto estou preparado para vencer. 

 

-Claro que vai! Todos que competem correm perigo! - Falou como se fosse óbvio. - E o pior è que você me escondeu isso, iria competir sem nem ao menos me falar! - Disse as palavras de forma indignada. - Pensei que já tivéssemos resolvido isso da confiança. - Usou uma cara triste e creio que não foi de propósito para tentar me convencer a desistir, apesar de ela saber que isso convenceria.

 

    Liz tem um poder absurdo sobre mim. Eu faria qualquer porra para vê-la bem e feliz. Isso chega a ser bem incontrolável em mim, apenas me pego tentando da o melhor a ela o tempo todo. Eu poderia desistir do Racha por ela se Liz pedisse da forma certa e que me deixasse sem escolhas. Essa porra não é nem um pouco justa, aposto que Liz não desistiria de fazer merdas por mim, até por que, ela já fez alguns bem grandes.

 

-Eu só não queria te ver preocupada! - Confessei olhando nos olhos dela. - Sei que você se importa e adoro isso, mas não posso abrir mão de competir. Meu nome está lá a meses, seria como amarela. - Expliquei calmamente a situação, para ver se coloco na cabeça dura de Liz, que não tem chance de eu desistir de correr.

 

-Eu já te disse que você não precisa dessas coisas para ser o melhor bandido dessa cidade! Para mim você já è! - Falou com sinceridade e dei um leve sorriso para ela, por vê-la me apoiar dessa forma. 

 

    Liz pode até ser bem chata com esse lance de não querer que eu corra perigo, sendo que sou um criminoso. Mas ela è capaz de sentir orgulho de mim e me considerar o melhor bandido dessa cidade.

  

     A minha garota realmente è demais. 

 

-Eu sei baby, mas os outros bandidos precisam disso para me considerar! - Falei calmamente me aproximando mais dela. - Prometo que não vou me machucar, eu jamais faria algo para te ver triste. - Olhei bem nos olhos dela, para mostrar o quanto estou sendo verdadeiro. 

 

     È bem complicado essa porra de demonstrar sentimentos, eu nem ao menos lembrava que tinha algum. Mas estou tentando, pela Liz, ela realmente não tem culpa nenhum de toda a porra do meu passado e merece saber tudo que sinto por ela, mesmo que eu tenha  um bloqueio por falar. Katharine era a única no meu coração, eu não precisava ter que me declarar para outras garotas, ainda mais depois de sua morte. Mas a Liz entrou na minha vida e me fez ter que mudar isso, mudar a promessa que fiz no enterro da Katharine, de que nunca mais iria gostar de alguém de novo e principalmente sobre ter jurado jamais usar meus sentimentos de novo, seja com quem for.

 

    Liz suspirou e rolou os olhos rapidamente antes de assentir. 

 

-Tudo bem, eu confio em você... Mas eu posso ir junto só para ter certeza que nada vai acontecer? - Pediu me olhando fofamente e quase ri disso. 

 

-Se você for, eu vou acabar perdendo toda a concentração prestando atenção do em você! - Coloquei a mão no queixo dela, que fez um biquinho fofo. - Talvez nos próximos anos. - Liz riu de leve.

 

-E você acha que vamos ficar juntos por vários anos? - Perguntou com um olhar divertido e significativo. 

 

    Essa garota consegue pegar os meus momentos carinhosos mesmo que eu não tenha notado. Eu nem ao menos prestei atenção na força das minhas palavras e acabei confessando que quero Liz ao meu lado por vários anos. Isso é realmente bastante sério e não deveria ser dito assim do nada. Ainda não tenho uma noção completa do que sinto por Liz, mais tenho certeza que é muito forte e cresce cada dia mais. 

 

-Você entendeu! - Dei de ombros tentando fugido do assunto. - Agora você tem que ficar em casa, Ok? - Pedi seriamente e ela revirou os olhos.

 

-Eu vou ficar chorando de nervoso lá, é isso que você quer? - Perguntou irônica e fazendo um charme fora do comum para tentar me convencer a deixá-la ir.

 

     Liz já está mais do que ciente que odeio vê-la chorar e está começando a usar isso ao seu favor. Um pouco baixo demais para uma garota certinha, mas Liz está cada vez mais por dentro desse mundo real, fora totalmente da zona de conforto que ela vivia e agora, Liz sabe como jogar, quase igual a um adulto, apesar de ela ainda ser uma menina de dezessete anos. 

 

-Você não faria isso, por que se eu pensar que está chorando, vou me desconcentrar e perder a corrida, você não quer que eu perca né? - Perguntei com uma das sobrancelhas erguidas e ela negou lentamente. - Você pode fazer algo com a Melissa hoje, ela não sabe do Racha e nem pode saber, com certeza ela tentaria me impedir e nada mudaria isso! - Expliquei para Liz que deu de ombros, aceitando a minha ideia. 

 

-Tudo bem, eu faço isso, mas se Melissa desconfiar eu não sei se sou capaz de mentir! - Confessou seriamente e eu sei que ela não é capaz de fazer isso com a Mel, as duas são super amigas e essas porras todas, aposto que Liz jamais vai querer mentir para ela.

 

-Ok, mas não fale nada para ela! - Pedi novamente. - Eu vou ganhar essa corrida, ninguém é melhor do que eu nessa cidade. - Afirmei com toda a certeza, fazendo ela ri. Mas logo após, ficou séria e parecia pensar em algo, levando alguns segundo até falar.

 

-Sabe, eu andei pensando... Sobre a Emily. - Comentou meio hesitante. - Você não está preocupado com o sumiço dela? Faz mais de um mês que ela desapareceu! - Me olhou atentamente e eu conseguia ver a preocupação nos olhos dela. 

 

    Liz está certa, Emily sumiu desde que Barbara morreu e não deu mais as caras, nem na escola e nem em porra de lugar nenhum. Pensei que ela seria mais filha da puta do que já foi em assassinar a própria amiga, mas para a minha surpresa, nada de estranho aconteceu. 

 

-Estou achando muito estranho sabe... Estou com uma sensação ruim, de que não vem coisa boa...- Lamentou meio nervosa. - Emily não desistiu dessa briga e com certeza não vai desistir tão cedo. Ela está tramando alguma coisa, eu tenho certeza! - Pontuou, me fazendo analizar as suas palavras.

 

     Emily realmente não desistiria tão fácil assim, ainda mais depois de matar Barbara e deixar claro que é bem pior do que qualquer um de nós poderia acreditar. Agora, o sumiço dela pode ser um sinal de que algo ruim está vindo ou simplesmente a vadia não sabe o que fazer. 

 

    Coloquei uma segurança pesada em volta de Liz, Agatha, Melissa e Chris, os outros saberiam se virar se vissem a Emily pessoalmente. Então com certeza, para uma garota mimada e desequilibrada, estar sozinha em Atlanta e querer enfrentar uma gangue não deve ser nada fácil. Ela deve está tentando achar um jeito de burlar tudo que montei, mas essa cadela vai queimar os poucos neurônios íntegros dela e não vai conseguir. 

 

-Não se preocupe com a Emily, ela sozinha não dá perigo a ninguém, o que ela poderia fazer contra centenas de homens e uma gangue? Emily viu tudo na K, sabe que não brinco com esse lance de proteção! - Afirmei, tentando tirar a tesão no rosto de Liz. 

 

   Emily era um problema maior quando eu não tinha nenhuma noção do que ela é de verdade, agora que sei, Emily não pode contra a mim de forma alguma, ninguém nessa cidade realmente pode. 

 

-Vou tentar não pensar nisso, mas é que, sei lá...- Liz balançou a cabeça tentando se livrar dos pensamentos e vi que ela não está confortável com isso, como se realmente estivesse sentindo algo ruim chegar.

 

     Nada de ruim vai vim da Emily sem que eu esteja preparado para responder a altura. Emily não me assusta nem um pouco mais. 

 

-Mas me conta, quem te disse sobre o Racha Sangrento? - Mudei de assunto tirando Emily de foco, ela não interessa mais para mim, por mim ela pode ficar desaparecida para sempre. 

 

      Liz riu divertidamente e parecia que tinha alguma coisa engraçada no meio da história. 

 

-Foi a Agatha! - Balbuciou com um sorriso significativo, como se eu não estivesse esperando o decorrer da história. - Você nem imagina o que está rolando! - Afirmou começando a andar em direção aos prédios e eu a segui, curioso para ouvir o que é tão engraçado para Liz. 

 

 

 

 

 

P.O.V Liz Blue

 

     Olhar Agatha se arrumar estava me dando um aperto no peito enorme. Saber que o Racha vai acontecer daqui a poucas horas, não estava ajudando nada no meu nervosismo. 

 

   Eu queria ter batido o pé, dito para o Justin que não aceitava de jeito nenhum que ele participasse. Mas, eu não mando nele, Justin faz o que quiser de sua vida e realmente, essa competição parece ser importante para ele. Sei o quanto o Justin trabalha duro para ser considerado o maior bandido dessa cidade e se competir vai fazê-lo ser, que seja, só quero ver ele feliz. 

 

     Não me lembro quando fiquei tão manteiga derretida com o Justin. Mas agora tento pensar muito mais nele e no que ele quer, ao invés de simplesmente julgar. 

 

-Gosta desse? - Agatha falou me mostrando um tênis lindo em um tom de rosa e assenti. - Ótimo, nem louca que vou para um racha de salto, quero pular muito e torce pelo meu cunhado! - Ela piscou para mim e revirei os olhos pelo comentário. 

 

   Justin não é cunhado dela pelo o meu lado da história, só se for pelo lado do Nash. Até onde eu me lembro, não tenho nenhum compromisso com o Justin, apenas estamos juntos, como ele mesmo adora reforçar.

 

     Ouvi a campainha da porta e levantei da minha cama com um pulo, saindo do quarto e descendo as escadas para atender.

 

  Minhas tias, jamais, em hipótese alguma, me deixariam ir na casa do Justin, não por elas e sim por Rachel, ultimamente esta todo mundo evitando irrita-lá para não ter que ouvir a megera falar. Então nem cogitei pedir para ir lá, apenas fiz ao contrário. Já que Justin falou para que eu fique com Melissa essa noite, resolvi chamá-la para dormir aqui. E nisso as tias não puderam dizer não. Rachel até questionou, mas no final das contas, não há nada demais em uma noite de meninas.

 

     Me sinto péssima enganando Melissa e fingindo que o Racha não é hoje. Mas não quero vê-la preocupada exatamente como estou, só eu sei como meu coração está em saber que Justin irá correr nos penhascos de Atlanta, junto com caras que não estão muito afim de perde, assim como ele. Eu não posso pensar nessas coisas, se não vou acabar surtando de nervoso. 

 

-Oi Mel! - Saudei assim que abri a porta e a abracei com força. - Que bom que veio, não quero ficar sozinha, já que Agatha vai dormir na casa de uma amiga e como estou numa espécie de...- Olhei para trás vendo as minhas tias na sala e preferi não falar. - Enfim, entre! - Falei dando espaço para ela passar.

 

    Melissa sabe de todo o lance com a Rachel e sua proibição maluca. Todos sabem, então não precisei de muito para que ela entendesse minhas palavras. Agatha também não vai dormir em uma amiga, apesar de Melissa achar que vai e minhas tias também. 

 

-Olá Melissa! - Nikki disse sorridente. - Como vai? - Perguntou sendo gentil e Melissa sorriu antes de responder. 

 

-Vou bem! - Disse simples e Nikki assentiu feliz em saber. 

 

-E como vai aquele fofice do Christopher? - Crystal Perguntou fazendo uma vozinha esquisita, me fazendo ri.

 

     Eu já tinha contado a Nikki e Crystal sobre Chris está na casa da mãe de Melissa, principalmente por conta do sequestro, Melissa realmente ficou abalada com isso e teve que tomar essa decisão. Apesar de que eu mesma não teria coragem de deixar um filho meu com alguém e tentou matá-lo ainda dentro da minha barriga. Mais Justin e Mel tem esse lance da Michelle, avó do Chris, que realmente estou dispostos a ajudar. 

 

-Ele está ótimo, acabei de vim da casa dos meus pais! - Afirmou sorrindo e olhei rapidamente para Rachel, que nem ao menos prestava atenção em Melissa e continuava a folhear uma revista qualquer. 

 

  Ela tem uma falta de educação enorme e irritante. Quando não é para se meter Rachel sempre está atenta, mas para ser educada nunca há tempo. Sei muito bem que ela criou uma leve implicância com Melissa e só por causa do nome que ela carrega. O fato de Mel ser irmã do Justin e ela mesma ter pedido para que eu dormisse em sua casa a meses atrás, a faz com certeza cúmplice, na cabeça maluca de Rachel. 

 

     Puxei Melissa para cima comigo, sem querer olhar mais na cara de Rachel hoje e chegamos no quarto já vendo Agatha pronta para sair. Olhei no relógio na parede e já são onze horas da noite, o Racha começa meia noite e vai durar a madrugada toda. 

 

-Oi Mel! - Agatha disse vindo abraçá-la rapidamente. - Tenho que ir agora, mas a gente se vê amanhã! - Disse beijando o rosto de Melissa e em seguida vindo fazer o mesmo comigo, antes de sair porta a fora. 

 

     Soltei um suspiro, me sentindo tensa e Mel olhou ao redor do meu quarto, curiosa com cada canto. Ela nunca veio aqui e com certeza meu quarto deve ser do tamanho do banheiro do seu na mansão. Vergonhoso por um lado, mas eu gosto do meu cantinho, nada extravagante  e eu consigo achar tudo que procuro. 

 

-Gostei do seu quarto, uma fofura! - Ressaltou e parecia realmente encantada. - Teve uma época na minha vida que eu realmente queria um quarto pequeno, sempre senti medo no grande, parecia que eu estava sozinha sabe...- Disse analisando mais algumas coisas e assenti. 

 

    Foi exatamente assim que me senti ao entrar nos quartos da mansão pela primeira vez. Parecia que eu estava sozinha e no meio de uma sala escura, mesmo sendo bem bonitos, prefiro os pequenos e aconchegantes. 

 

-Liz, Liz! Vamos brincar! - Stella entrou pulando no quarto e parou quando viu Melissa. - Oi! - Disse fofamente e Mel se virou para ela fazendo uma cara fofa.

 

-Stella, como você está? - Perguntou, vindo até a pequena e a pegando no colo. - Sabe que Chris perguntou de você hoje, falei que viria na casa da Liz e ele logo perguntou se a Stella estaria aqui! - Disse apertando as bochechas delas que pareceu ter ficado levemente envergonhada e deu uma risadinha extremamente fofa.

 

-Ele é meu amigo, sabia! Nós dois enfrentamos o escuro! - Deu ênfase nas palavras para mostrar como aquilo era corajoso e realmente é, Stella e Chris encararam o perigo de frente e nem ao menos ficaram traumatizados com isso.

 

     Já eu, ainda tenho pesadelos com o Jardim do Labirinto e vez em outra eu penso no leão que morreu. Todos perigos tão grandes que eu poderia jurar que iria morrer, mas como sempre, Justin estava lá para me proteger de tudo. 

 

   Lembrar de Justin me deixa novamente com um embrulho no estômago e um aperto forte no peito. Ele está lá, se arriscando fisicamente em um Racha e correndo riscos, enquanto eu estou aqui, tentando fingir que nada está acontecendo. Com certeza isso é quase sufocante para mim, tentar não levar o perigo em conta e todas as coisas que podem acontecer hoje à noite.

 

     É assustador ser envolvida com alguém que é do crime, não recomendo. Eu vivo com meu coração nas mãos e em nervoso constante, Justin corre riscos o tempo todo e ainda se coloca, por livre e espontânea vontade, em alguns perigos só para ser o maior criminoso da cidade. 

 

   Louco demais para uma menina, que até então não tinha noção de nada disso, pudesse entender. Só me resta rezar, como sempre que Justin está prestes a fazer algo, para que tudo corra bem. 

 

   Eu só espero que tudo fique bem mesmo  e que ele saia sem nenhum arranhão de lá.

 

 

 

   P.O.V Justin Bieber. 

 

   Sai do meu carro, olhando a movimentação no local. Não está nem na hora do Racha ainda e isso aqui já está lotado de gente, como uma grande festa na rua. Adoro essas porras, já me sinto muito foda por mandar em metade dos homens que estão aqui hoje e saber que todos nunca chegaram aos meus pés. Se antes, quando eu era mais novo, eu fui criado para liderar uma empresa, eu agora consegui transferir todos os meus ensinamentos para o crime e me sinto bem pra caralho nisso. No começo era totalmente por vingança, mas agora sinto que nasci para isso completamente, como se a alma do crime estivesse dentro de mim o tempo todo, só querendo uma chance para se libertar. 

 

-E aí cara! - Ouvi a voz de Ryan e ele se aproximava com a Dakota. - Pronto para arrasar essa noite? - Perguntou fazendo um toque de mãos comigo. 

 

      Eu sempre estou pronto para arrasar a porra toda, hoje não será diferente. 

 

-Já considere essa corrida ganha! - Afirmei me sentindo superior e Dakota revirou os olhos balançando a cabeça antes de se encostar no meu carro, bem ao meu lado.

 

-Desce um pouco desse pedestal,querido, antes que você caia dele! - Ela debochou, me fazendo olhá-la com atenção. 

 

-Se foi para ficar com pessimismo, por que veio? - Perguntei seriamente, não gostando da falta de confiança da Dakota em mim. Ela riu achando graça da minha cara.

 

-Por que eu sei que você vai ganhar! Só estava brincando! - Bateu no meu ombro ainda rindo e arrancou risadas do Ryan também. - Você tinha que ver a sua cara, Justin relaxa! Você realmente está sobre pressão com essa porra! - Disse com uma mão no meu ombro, como se esse fosse um conselho sério, mas dava para ver que Dak estava prestes a ri. 

 

    Dakota me conhece e sabe que estou tenso pra caralho. Mas ao invés de me ajudar ficando caladinha, ela quer fazer uma graça. Acho que Dak está andando tempo demais com o Nash ultimamente.

 

     Apesar de eu ter a completa certeza que vou vencer. Não posso deixar de dizer que estou tenso e ansioso para a corrida, esperei isso por meses e finalmente vai acontecer. Dak tem razão, não posso deixar a ansiedade me atrapalhar, preciso me concentrar para vencer. 

 

-Oi pessoal! - Matt apareceu e mexia no seu celular, como sempre, se não é o celular. é computador, ou qualquer outro aparelho eletrônico. 

 

-E aí! - Dak disse para ele. -O que está vendo aí? - Perguntou esticando o pescoço para ver o que Matt estava vendo. Dakota não é nem um pouco discreta com essas coisas e isso já nos acostumamos. 

 

-Nada, só que está todo mundo comentando sobre o Racha no grupo oficial do facebook! Estão apostando em quem vence na corrida principal! - Disse virando o IPhone para nos e olhei rapidamente aquilo.

 

-Mas nem a gente sabe o nome dos competidores ainda! - Dakota riu achando graça disso. 

 

-É, mas parece que estão apostando na gangue vencedora, K ou Explosion! - Ryan explicou olhando o celular de Matt. - Vão fazer até transmissão ao vivo! - Comentou rindo. 

 

   Eu não deveria me surpreender mais com as coisas da internet. Mas gostei disso de aposta e transmissão ao vivo, isso aumenta o número de pessoas vendo.

 

    Estou ansioso para saber quem irá competir contra mim. Apesar de haver várias corridas na noite, todas são feitas aqui em baixo na pista normal e ninguém importante vai nela. A corrida principal acontece nos penhascos de Atlanta e são entre quatro competidores das duas gangues dominates da cidade, dois da K e dois da Explosion. O homem da K que se dispôs a correr foi um dos caras de apoio à fulga e essas coisas. Não tenho muito contato com ele, quem tratava disso do pessoal era Kato e agora Ryan. Porém, os dois da Explosion eu não faço ideia de quem seja.  

 

   Queria que fosse Dylan, só para eu derrotá-lo mais uma vez.  

 

-E aí pessoal! - Ouvi a voz de Nash e me virei para vê-lo chegar com a Agatha. Olhei seriamente para ele, me lembrando o tremendo fofoqueiro que ele é. Mas ao mesmo tempo não segurei a risada ao ver que Liz realmente estava falando sério quando falou de Nash e Agatha. 

 

    Eu juro que pensei que fosse uma piada. 

 

   Caralho, eu coloquei ele para vigiar ela é Nash não perdeu tempo para tentar algo com a menina. Ele realmente não vale nada, mas a Liz me afirmou que Agatha não está ligando muito para isso. 

 

   Um vez, eu cheguei a dizer que jamais apresentaria um amigo meu para a Agatha, por ela ser extremamente chata. Mas não é que essa porra aconteceu sem querer? 

 

-Que porra tá acontecendo? - Dakota exclamou confusa, assim como Matt e Ryan estavam. Comecei a ri da cara de todos, só para não dizer que fiquei igual quando soube. 

 

-Eles estão juntos... Acredita? - Falei olhando para os dois com um olhar divertido. - Realmente não sei quem tem mais coragem nessa história! - Ressaltei debochando da cara deles e Agatha levantou uma sobrancelha, me encarando seriamente.

 

-Acho que quem tem mais coragem aqui é a Liz, mas não vamos entrar nesse ponto né! - Disse sarcástica e todos começaram a zoar. Olhei meio sério para Agatha. 

 

   Eu até pensaria em responder a porra que ela disse, mas não quero ter que começar algo que possa acabar me estressando. Apesar de parecer brincadeira dela. 

 

-Depois dessa eu deixava a Agatha competir por você, por que ela acabou de te pisar! - Nash debochou rindo. - Muito bem gatinha! - Fez um toque de mãos com ela antes de da um selinho. 

 

-Eca! - Dakota resmungou fazendo uma careta. - Mais um casal beijoqueiro para o time! Realmente estamos prestes a mudar o nome da gangue para, gangue Love! - Ironizou revirando os olhos. - Se alguém quiser se candidatar para fazer o meu par, tô aceitando só para não ficar de vela! - Exclamou olhando para Matt, que so riu balançando a cabeça e para Ryan que também riu.

 

-Eu até arriscaria, mas é meio perigoso...- Ryan murmurou. - Quebrar o coração da Dakota significa quebrar o de outros quatro bandidos juntos e não estou afim de morrer! - Confessou dando um meio sorriso para ela e todos assentiram. 

 

   Apesar de Dakota odiar esse lance de proteção, ela é a única garota do grupo, mesmo sendo mais forte que muitos homens, Dak ainda é a minha irmã de consideração e eu quebro a cara de qualquer engraçadinho que tentar se meter com ela.

 

-Então estou vendo que vou ficar pra titia! - Lamentou sarcasticamente. - Eu deveria ter aprendido a ser puta com Nina quando tive tempo...- Disse pensativa antes de ri. 

 

     Dakota adora fazer piadas em relação a Nina até hoje e isso realmente não muda por nada. 

 

-Só peço que vocês não sejam tão melosos igual Justin e Liz são as vezes! - Ryan pediu olhando para Nash e Agatha que assentiram firmemente como se fosse um juramento. 

 

   -A gente não é meloso! - Afirmei achando absurda aquela afirmação. 

 

   Olha bem para mim e vê se tenho cara de ser melosos com alguém? A máximo que eu faço é da a atenção que Liz merece, se isso é ser meloso eles queriam o que? Que eu brigasse com ela todos os dias e a tratasse como uma vadia? Aí se eu faço isso sou um monstro. 

 

     Ótima posição a deles.

 

-Não é meloso? - Dakota exclamou antes de gargalhar.

 

-Baby, Baby! - Agatha debochou entonando a voz antes de começar a ri. 

 

-Ninguém toca na minha garota! - Nash zombou também, forçando a voz e arrancando a risadas de todos, menos a minha que encarava eles sério. 

 

-Não vou poder sair hoje, vou encontrar a Liz! - Ryan debochou balançando a cabeça, como se já tivesse ouvido isso várias vezes.

 

-Liz é a pessoa mais inteligente que eu conheço! - Matt deu ênfase nas palavras, e me olhando sugestivamente. 

 

-E nada se fala da Liz por que ela já é um potinho de fofura melosa! - Agatha voltou a falar. 

 

-Se essa porra não é ser meloso, Justin, eu realmente não faço ideia do que é ser! -  Dakota pontuou olhando para mim com um grande sorriso debochado. Revirei os olhos diante da palhaçada deles. 

 

     Pode passar o tempo que for, o pessoal sempre vai me zoar em relação a alguma coisa. Já que eu quase nunca dou motivo para ser pauta das suas piadinhas, quando eles acham algum, querem usá-los até encher a porra do saco. 

 

    Todos continuaram rindo e comentando sobre isso, de uma forma para me provocar. Mas não consegui prestar mais atenção, meus olhos bateram em uma mulher usando um micro vestido vermelho e que estava caminhando na nossa direção. Forcei o olhar para ver melhor e todos que passavam por ela paravam para olhá-la. Na medida que foi se aproximando, a mulher foi se tornando familiar, até que eu a reconheci completamente.

 

-Emily...- Rosnei sentindo a irritação apontar dentro de mim. Todos se calaram no mesmo instante que citei o nome da vadia. 

 

    Emily continuava a vim na nossa direção e ela está mais do que diferente. Seus cabelos não estão mais ondulados e sim lisos, a maquiagem que ela usava è bem mais forte que antes e agora destacam bem os seus olhos e sua boca carnuda, além das roupas, agora não mais de uma menina líder de torcida do ensino médio. Emily está vestida feito uma mulher adulta e com um micro vestido vermelho brilhante, por sinal.

 

-Caralho! - Nash resmungou vendo ela se aproximar mais, com um largo sorriso sedutor nos lábios. Olhei para Emily de cima a baixo analisando as mudanças. 

 

-O que essa vadia faz aqui? - Dakota falou entre dentes. 

 

-Olá! - Emily falou mordendo os lábios, assim que parou na nossa frente. - Vejo que estão animados para a grande corrida da noite! - Disse de uma forma provocante e sexy. - Eu vou ser a bandeira girl, darei a partida entre os carros! - Contou olhando diretamente para mim. - Te vejo na largada, amor! - Mandou um beijo para mim, piscando os olhos, antes de começar a andar rebolando para o outro lado da rua. 

 

     Todos continuaram em silêncio e senti que não fui o único a ficar chocado com o quanto essa mulher conseguiu mudar. Toda aquela falsa inocência sumiu completaste e agora ela é a mulher provocante, sexy e malvada que sempre escondeu. Essa é a verdadeira Emily. 

 

     Mas não posso deixar de ficar impressionado com isso. 

 

   Ela some por a porra de um mês todo e me aparece justo na noite do Racha Sangrento. Parece ate que è de propósito, para me provocar e me tirar do sério completamente. Essa vadia sabe como fazer isso e já me sinto incomodado com a presença dela. Essa mulher é o próprio capeta como Agatha e Liz dizem o tempo todo, agora que está de vermelho parece muito mais com uma tentação do Diabo mesmo. 

 

-Tenta não babar, Nash! - Agatha disse seriamente para ele, quebrando o silêncio. 

 

-O que? Eu não fiz nada! - Ele se defendeu parecendo realmente que foi pego no flagra. 

 

-Você também, Bieber. - Dakota sussurrou perto de mim. - Vê se não baba! - Sibilou seria. 

 

 P.O.V Liz Blue. 

 

    Eu olhava para o celular de cinco em cinco segundos e não estava conseguindo me concentrar no filme que via com Melissa. Já vão da meia noite e daqui a pouco a corrida principal vai começar e Justin irá competir. Não acredito que deixei que ele fizesse isso de boa.

 

      Eu deveria ter chorado. Sempre funciona quando eu choro. 

 

   Mas não quero parecer uma louca manipuladora, apesar desse caso em especial ser permitido isso.

 

     Minhas mãos estavam impacientes e eu não conseguia nem se querer aparentar está relaxada, por que não estou. Péssima hora que não insisti para ir junto. Que raiva, agora estou aqui me sentindo agoniada e tensa com tudo isso. 

 

      Estou prestes a ter um ataque de nervoso.

 

-Ok, Liz! - Melissa disse tirando o som da televisão e se virando para mim me dando um leve susto. - O que está acontecendo? - Perguntou seriamente e é exatamente essa pergunta que ela não deveria ter feito.  Respirei fundo para tentar me concentrar na resposta e não deixar o nervosismo e a angustia me entregarem mais ainda. 

 

-Nada! - Tentei parecer convincente, mas Melissa me olhou com os olhos semicerramos. Meu Deus, eu preciso sustentar essa mentira.

 

-Liz, eu te conheço a tempo suficiente para saber que você está escondendo algo de mim, então pode falar! - Cruzou os braços de forma séria e o jeito matriarcal de Melissa, fez meu coração aumentar as batidas e meu estômago revirar novamente em tensão e medo. 

 

     Não posso mentir para ela dessa forma. Melissa se importa seriamente com o Justin e se algo acontecer, vou me sentir extremamente culpada. É tão fácil mentir para as pessoas quando elas não te colocam contra a parede dessa forma. Me sinto acuada, como se fosse uma das minhas tias me perguntando algo sério e que eu não quero mentir. 

 

      Sinto muito se Justin vai querer me matar depois disso e eu tenho certeza que ele vai querer. 

 

-Justin vai participar do Racha Sangrento hoje à noite! - Disparei de uma vez e a cara de Melissa de seria, foi para preocupada.

 

-Ele vai o que? - Perguntou sem reação, mas com um olhar de preocupação visível. Suspirei pesadamente, me sentindo horrível por ter mentindo para Melissa e por ter quebrado o acordo com Justin. 

 

-Ele vai competir no Racha Sangrento hoje à noite! - Repeti meio hesitante. - Mas não precisa se desesperar, Justin sabe o que fazer e prometeu não se meter em problemas! - Tentei acalma-la, ma Mel negou, se levantando da cama em um salto. 

 

-Liz, o Racha Sangrento já é um problema! - Afirmou seriamente, me fazendo sentir culpa por não ter falado antes. - Sabe quantos homens da K já morreram nisso? Ano passado foram dois! Cada ano morre um e se esse não for o Justin? - Me olhou seriamente e nem ao menos tive coragem de respondê-la.

 

    Eu não sabia o que tinha acontecido nos outros anos e Justin me garantiu que nada de errado irá acontecer com ele. Me sinto muito mal por tudo isso agora. Só deveria ter contando antes. 

 

-Eu também não sabia até hoje de manhã! Ele me convenceu que não ia se machucar e aceitei...- Expliquei me sentindo mais tensa e nervosa. - E agora? - Perguntei para Mel, que parecia furiosa, mas não comigo. Ela bufou irritada antes de me olhar novamente. 

 

-Nós vamos até lá! - Afirmou, antes de se virar e ir pegar suas coisas. Fiquei estática por alguns segundos, até as palavras se encaixarem na minha cabeça.

 

 -Calma aí! Você tem certeza? - Perguntei saindo da minha cama. 

 

      Se Justin se irritar com a gente lá não vai adiantar nada, ele irá correr com o nosso apoio ou não, mas com a cabeça quente é muito mais perigoso. 

 

-Claro que tenho! - Exclamou. - Eu vou arrastar o Justin de volta para casa! - Rosnou. - Anda Liz, troca de roupa! - Disse olhando para mim e eu fui correndo até o meu armário atras de uma roupa. 

 

   Não sei como me vestir para ir a um Racha, então nem ao menos olhei muito em meu armário, onde a maioria das roupas não são de uma garota que vai a rachas. Passei para o armário da Agatha e bati meus olhos no primeiro vestido preto que vi. Peguei ele e comecei a vesti-lo. 

 

    Não sei exatamente qual é o plano de Melissa, por que não pode ser simplesmente chegar lá e arrancar Justin da competição, ele matéria nós duas na hora. Mas não vou questionar, Mel está furiosa e com toda a razão. Agora é torcer que isso não vire uma grande confusão.

 

   

 

 

   

     Melissa corria pelas ruas como se ela mesma estivesse fazendo um racha. Tentei não parecer apavorada com isso, mas a forma que eu segurava o cinto de segurança, mostra que eu não estou muito confortável com tudo isso. Os penhascos de Atlanta não são tão longe da minha casa, uns quinze minutos de carro e já se está lá. Mas do jeito que Melissa está correndo, podemos chegar lá em dez ou menos. 

 

     Não posso imaginar a reação do Justin ao nos ver, com certeza ele vai ficar bastante irritado e vai sobre para mim no final das contas. Isso não é justo, ao mesmo tempo é, por que eu não deveria ter aceitado mentir para Melissa dessa forma.

 

      Mel parou o carro com uma freada brusca e saiu do carro apressadamente. Não pensei duas vezes antes de sair junto e já conseguimos ver uma forte movimetação na subida da estrada do penhasco. Com certeza falta poucos minutos para a corrida começar. Olhei para o alto e dava para ver o pedaço da estrada que se estende feito zigue-zague montanha a fora, até o outro lado do vale. Havia umas vinte televisões enormes espalhasse e pelo o que notei elas mostravam as imagens de câmeras a cima de cada carro, um vermelho, um preto, um azul e o último verde. 

 

      O cenário é idêntico a aqueles filmes de corrida que tiram o nosso fôlego. Todas aquelas pessoas pareciam ansiosa e acabei avistando um palco com um telão enorme. Isso aqui é uma super produção de verdade e como Justin disse...

 

     O maior evento do crime em Atlanta. 

 

      Por se tratar de uma estrada e de um terreno enorme vazio, quase não tinha luz,  a não ser pelos postes e as tochas que iluminavam o lugar. Tudo aqui da uma tensão diferente e um frio na barriga intenso. 

 

     Eu estava com um bota que tinha um salto médio e Melissa andava de uma forma bem apressada, apesar de também está com um leve salto. Não imagino o tamanho da raiva que ela está carregando agora. 

 

    Consegui alcançar Melissa, assim que ela avistou Justin e o pessoal em um canto e não esperou nenhum segundo para ir até eles, soltando fogo pelas orelhas. 

 

-Justin Drew Bieber, o que acha que está fazendo aqui? - Ela reclamou, quase tão alto quanto a música. Justin olhou para nos duas incialmente surpreso, mas depois mudou o olhar para sério demais.

 

-Que porra vocês estão fazendo aqui? - Ele rosnou furioso antes de olhar para mim. - Liz..- Falou meu nome lentamente e bastante irritado. Nem deu tempo de eu falar algo e Melissa já saiu dizendo o que  queria. 

 

-Não vem coagir a menina não! - Disse se colocando na minha frente. - Você é doido ou o que? Eu te disse que não queria te ver correr! - Ressaltou cruzando os braços e Justin bufou irritado.

 

-E você sabe que eu vou, você querendo ou não! - Disparou. - Mel, isso aqui é importante e você sabe, tinha aceitado até começar a surta! - Gesticulou bravo e eu continuei calada atras de Melissa. 

 

-Kato me avisou sobre todo os problemas e só assim eu tive conhecimento da enrascada que isso aqui é! - Contou fazendo Justin bufar novamente.

 

-Aquele filho da puta! - Rosnou se referindo a Kato, sendo bastante grosso.

 

-Ei! - Eu, Dak, Melissa e Agatha exclamamos ao mesmo tempo, bem por acaso. 

 

   Justin não precisa atacar o Kato só por ele alertar sobre os risco que o corre. Isso é pela segurança dele, apesar de Justin já ter demonstrado que não está muito interessado em se manter seguro. Parece um louco atras de adrenalina.

 

-Ah, desculpa ofender o fan clube oficial do Kato! - Debochou maldosamente. - Eu não quero saber o que Kato disse, eu vou competir e acabou! Se quiser, pode assistir, se não quiser pode ir embora! - Justin resmungou fazendo Melissa o encarar seriamente. 

 

-Mel, se fosse realmente perigoso a gente não deixaria o Justin entrar nessa! - Dakota disse tentando acalmar os ânimos. - Se ele presta bem atenção, tem com sair daqui com o título! - Explicou. - Você confia em nós né? - Olhou para Mel, que rolou os olhos para todos ali, inclusive para mim. 

 

       Melissa parecia não querer mudar de ideia, mas depois de pensar por alguns segundos, acabou suspirando em rendição. Até por que ela não tem muito para onde correr, hoje Justin está realmente decidido a passar por cima até mesmo dos pedidos de irmã, tudo por essa competição idiota. 

 

-Só não morre, se não eu mato você! - Disse como uma ordem e Justin assentiu firmemente. Fique prestando atenção neles, até que senti algum passar a mão na minha bunda me dando um leve susto. 

 

-Ei! - Reclamei me virando para o cara visivelmente bêbado, que estava atras de mim. Era realmente só o que me faltava. 

 

-Oi gatinha,vamos foder? - Perguntou quase caindo de bêbado e me olhando quase me comendo com os olhos. 

 

-É melhor você se afastar dela antes que ganhe um tiro no meio da sua cara! - Justin sibilou ameaçador para o cara enquanto parava do meu lado.  O homem não pensou duas vezes antes de sair cambaleando para longe de nós, claramente intimidado por Justin. 

 

-Está vendo? Aqui é um lugar perigoso! Para as duas! - Justin disse me olhando de cima a baixo e depois para a Melissa que revirou os olhos. 

 

-Não somos mocinhas indefesas Justin! - Fez pouco caso do irmão que parecia realmente bem incomodado com a nossa presença ali. 

 

 -A corrida já vai começar! - O cara no microfone gritou, me fazendo olhar para Justin já sentindo a apreensão queimar dentro de mim. - Temos dois representantes de cada gangue! - O cara explicou. - Pela gangue K, Pietro Delutre no carro verde e Justin Bieber no carro azul! 

 

    Todos começaram a gritar,  demonstrando suas torcidas e a animação junto com os gritos, tornava o ambiento como se fosse um estádio de futebol. Olhei ao redor vendo as pessoas gritando, em cima de carros ou de latas. 

 

-Pela gangue Explosion, temos Brian Fleith,  no carro vermelho é...- O cara fez uma pausa e olhou para a plateia, como se não tivesse o nome do outro competidor em mão. 

 

    Dylan subiu ao palco e meu coração pulou uma batida por vê-lo ali depois de tanto tempo e ainda mais depois dele ter me ameaçando.

 

     Justin também não parecia nada confortável com a presença do Dylan e prestava atenção nele no palco. Dylan falava com o cara do microfone e parecia explicar alguma coisa. Todos ficaram em silêncio e so alguns burburinhos eram ouvidos. Eu poderia jurar que Dylan é o outro competidor.

 

-O outro pela Explosion, leva o nome de Anjo da Morte e correrá com o carro preto! - O homem falou com ênfase e animação. - Aparentemente o melhor corredor da Explosion! - Todos começaram a gritar e Dylan assentia alegremente do lado do cara. - Então vamos lá! - Gritou.

 

   Olhei para Justin e esperei que ele falasse que vai desistir, mas é óbvio que não vai. Respirei fundo, tentando não parecer apavorada. Lembro quando ele disse que se me visse nervosa iria se desconcentrar na corrida, preciso demonstrar que sou madura o suficiente para encarar tudo isso. Essa é a realidade de alguém que se relaciona com um bandido. 

 

-Vai lá e ganhe! - Firmei as palavras, tentando incentivar Justin, que deu um sorriso lindo para mim, antes de se virar para o pessoal e assentir, começando a caminhar em direção ao carro.

 

-Vamos mostrar quem manda nessa porra de cidade! - Justin gritou para a torcida que parecia eufórica.

 

    Me aproximei de Melissa e segurei a sua mão que já estava tremendo. Com certeza ela não queria está presenciando isso, mas é melhor do que ficar em casa imaginando o que possa está acontecendo aqui. 

 

    O tal Pietro que também iria correr pela K, parou do lado do carro verde e fez um aceno de cabeça para Justin, que se posicionou do lado do carro azul. O tal Brian que eu poderia o reconhecer como um dos caras do dia que Dylan tentou abusar de Agatha e eu a defendi. Já não vou com a cara dele e ele visivelmente é bastante debochado, ria como se tivesse acontecendo algo mágico. O outro competidor, o que seria do carro preto, surgiu do meio da multidão, usando jaqueta de couro, coturnos e um capacete preto de moto, que não deixava ver seu rosto. 

 

     Todos pareciam está intrigados com isso e comentavam em volta não entendendo muita coisa. 

 

-Quem é? - Melissa perguntou curiosa, exatamente a mesma coisa que eu queria saber e aparentemente todos dali se perguntavam o mesmo. 

 

-Não sabemos! - Dakota murmurou, atenta a tudo que acontecia nos carros.

 

-Então vamos começar! - O homem gritou no microfone, fazendo o público ir a loucura. - Entrem nos seus carros! - Falou e assim os quatro fizeram ao mesmo tempo. - Nossa bandeira girl já pode se posicionar! - Mandou e o publicou abriu espaço para a garota que reconheci na hora. - Uma salva de palmas para Emily Scott, esse monumento da natureza, mas podem chamá-la de Barbie! - Quase cai para trás ao ver o quanto Emily estava diferente, agora ela parece uma mulher bem mais velha do que a idade que tem. 

 

     Além de está muito sexy.

 

      Tentei não me senti incomodada com Emily. Apesar de que não temos notícia dela a mais de um mês e ela apareceu justo nessa noite tensa. Ao contrário do que eu achei, as únicas pessoas que estavam surpresas eram eu e Melissa, até Agatha parecia já saber que Emily seria a bandeira girl da corrida. 

 

      Emily olhou na minha direção e piscou para mim, antes de se virar e se posicionar  no meio da pista, um pouco distante de onde os carros estavam. 

 

-Então vamos lá! Liguem os motores! 

 

    O homem gritou fazendo o público gritar junto e os motores foram ligados fazendo um barulho alto por todo o lugar. Quarto Ferraris fazem um barulho ensurdecedor juntas. 

 

-Na sua vontade, Barbie! - Ele disse para Emily que assentiu com um grande sorriso, como se esse fosse o melhor momento da vida dela e eu sei quando ela sorri assim. 

 

      Essa garota está aprontando alguma coisa. 

 

    Emily puxou um lenço vermelhos de dentro do sutiã, de uma forma bastante sedutora, arrancando gritos e assobios dos caras em volta. Ela levantou o lenço, esperou alguns segundos e o abaixou novamente, dando início a corrida.

 

      Os carros aceleram com tudo e cantaram pneus no chão da pista. Tentei não parecer desesperada, mas foi quase impossível diante de tudo. Olhei para a televisão a um metro de mim e foquei unicamente na câmera em cima do carro do Justin. 

 

    Deus, por favor, não deixa esse homem maluco se machucar. 

 

     Os carros corriam tanto, que não demorou quase nada para chegarem na primeira curva. Os quatro viraram ao mesmo tempo em sincronia e tudo parecia calmo até aqui. O carro verde estava na frente, sendo seguido por Justin, depois pelo vermelho e logo após pelo preto. Na outra curva mais fechada o carro preto passou pelo vermelho e pelo de Justin, indo para o lado do carro verde. A velocidade que ele ultrapassou os outros fez o público delirar. A curva em um ponto mais alto do penhasco chegou e eu conseguia sentir a agonia em ver aqueles carros correndo tão perto da beirada. 

 

     E, como num movimento rápido e inesperado. O carro preto bateu na lateral do carro verde, justamente no momento da curva, não o deixando sem rumo e o o jogando lá de cima. 

 

    Fiz um som de horror junto com Melissa, enquanto o público vibrava alegremente, como se adorassem isso. Meu coração foi parar na boca e senti minhas pernas tremerem. Aquele cara morreu, o carro preto o empurrou lá de cima sem necessidade nenhuma. 

 

    Meu Deus do céu. 

 

     O carro preto parecia bem, mas Justin o ultrapassou rapidamente seguido do carro vermelho. Isso ficou bastante estranho para mim, parece que diminuiu a velocidade e deixou os outros dois passarem.

 

-Ele deixou o Justin passar? - Matt Perguntou,claramente confuso, mas ninguém foi capaz de responder isso. Apenas estavam calados assistindo a corrida e apreensivos assim como eu.

 

      Um competidor da K já morreu e isso só me deixa mais aflita do que antes. 

 

    A próxima curva chegou e o carro vermelho foi para o canto, deixando o carro preto passar e ficar do lado de Justin, igual fez a pouco tempo com o verde, que se espatifou lá em baixo. O carro preto, como em um ato pensado, se jogou para cima de Justin, mas ele recuou, fazendo apenas encostar em uma parte da frente, mas nada que tirasse o controle. 

 

-Meu Deus! Esse cara que matar o Justin! - Melissa gritou olhando desesperada para todos. - Alguém tira meu irmão de lá! - Pediu as berros e saiu do meu lado indo até Dakota. Eu não conseguia me mexer, nem meramente piscar com medo de perder algo. 

 

     O aperto no meu peito está me sufocando e meu sinto sem ar. A situação está realmente perigosa e Justin está correndo risco ali. Se aquele carro já jogou um lado cima, o que custa fazer isso com Justin? 

 

    Antes de chegar uma outra curva, o carro preto foi novamente para o lado do Justin e visivelmente diminuindo a velocidade. O carro vermelho foi para o outro lado e os dois juntos batiam nas laterais do carro de Justin, como se fosse uma bola de pingue-pongue.

 

-Gente! Por que eles tão fazendo isso? Não tem motivo! - Agatha exclamou apavorada e confusa com a atitude dos outros carros. 

 

-Eles estão tentando matar o Justin... - Nash murmurou incrédulo e senti o desespero tomar conta de mim completamente. 

 

-Cala a boca, Nash! - Ryan pediu vendo que isso não está ajudando a manter Melissa calma, que gritava com Dakota pedindo para tirar Justin de lá. 

 

   Não tem como tirar ele de lá

 

     Por que esse menino foi se meter nisso? Nash está certo, aqueles carros estão querendo matar ele de qualquer jeito, é como se a corrida realmente não estivesse importância para eles, pois nem ao menos estão correndo, apenas se uniram para tentar tirar Justin da estrada. 

 

      Quando a próxima curda de aproximou, Justin freou, fazendo os dois carros rivais baterem e quase perderem o controle. A torcida vibrou com a manobra assim como o pessoal.

 

-Boa Justin! - Dak disse em êxtase por ele ter conseguido sair da emboscada. Mas a corrida ainda não acabou, faltam duas voltas e a linha reta até aqui. 

 

      Não aguento mais olhar esses carros na pista, mas também não vou desviar nenhum segundo se quer. A corrida estava visivelmente estranha, os dois carros da Explosion não pareciam querer ganhar e sim unicamente matarem o Justin, eles freavam continuamente para tentar atingir Justin e isso sem motivo nenhum.

     

 

     A penúltima curva chegou e Justin cortou por dentro dos dois carros e passou à frente deles. Vibrei levemente, sentindo um pouco de alívio por agora, pelo menos o Justin está distante dos outros, que pareciam aumentar a velocidade para alcançá-lo. Isso não acaba nunca, parece uma tortura longa e difícil de assistir. 

 

    Justin seguiu na frente até a próxima curva e conseguiu concluir ela sem nem ao menos se aproximar do outros. Agora só falta a parte em linha resta aqui. A torcida gritava em coro pelo seu carro favorito e eu só conseguia torcer em silêncio para que Justin saia vido e bem dali. O carro vermelho estava bem atrás e nem parecia correr mais. A disputa então ficou entre Justin e o carro preto que estava cada vez mais perto. 

 

      Justin conseguiu manter a frente até chegar na estrada de volta, mas no início dela o carro preto conseguiu ficar ao seu lado. Ainda há penhascos, mas Justin foi esperto e se manteve do lado do paredão e não do precipício. Assim aquele carro preto jamais vai conseguir jogá-lo de lá de cima. 

 

    Faltava poucos metros para a chegada e os carros estavam quase se encostando de tão perto. A tensão do final é quase tão grande quanto a do início. Todos estavam atentos para quem iria vencer e Justin estava na frente, fazendo os meninos vibrarem. 

 

    Até que, o carro preto acelerou mais um pouco e ficou praticamente empatado com o Justin, faltando uns cinco metros para a chegada. Do nada começou a sair fofo de baixo do carro preto, um fogo alto e que atingia os pneus de Justin, que diminuiu um poucos velocidade e o carro preto passou à frente no último metro, cantando pneu pelo chão e parando. 

 

       O carro preto ganhou a corrida. 

 

    O fogo que saia de baixo do carro parou, junto com o motor, mostrando que aquilo não foi um erro e sim proposital. A plateia gritava enlouquecida enquanto eu estava boquiaberta para esse final, foi por um pouco que Justin não vence, mas também com tantas dificuldades nessa corrida, ele tem que agradecer por está vivo. 

 

     Justin parou o carro e saiu do mesmo batendo a porta com força e visivelmente transtornado por tudo que aconteceu, claramente prestes a começar uma briga. Não pensei duas vezes antes de correr até ele e jogar meus braços em voltado seu pescoço o abraçando com força. Eu quase morri do coração durante a corrida toda, parecia que a qualquer instante eu iria ter um ataque. Não sei quantos rachas o Justin costuma a participar, mas o Sangrento, esse foi o último. 

 

-Você está bem? - Perguntei segurando o rosto dele com as mãos e o forçando a me olhar. - Não faz isso de novo, eu quase morri aqui! - Confessei, antes de juntar nossos lábios em um beijo intenso, não ligando a mínima para os gritos em volta de nós e nem para quem estava vendo. 

 

-Eu estou bem..- Justin disse assim que se afastou e passou a mão pelo meu rosto acariciando. - Mas quase morro graças a esses filhos da puta da Explosion! - Rosnou se virando para ver o competidor do carro preto cumprimentar Dylan com um abraço animado, enquanto as pessoas vibravam em volta de dele. 

 

-Nunca mais você participe disso! - Melissa disparou. 

 

-Tentaram te matar aqui! - Dakota ressaltou o que todos já viram. - Esses caras não conseguem jogar limpo! O que foi aquele fogo no final? - Perguntou indignada.

 

-É usado geralmente para da velocidade aos caros, mas nunca é feito dessa forma,  é na parte de trás! Com certeza ele colocou ali para tentar queimar seus pneus! - Matt explicou cientificamente e pareceu mais fácil de entender. 

 

-E pode fazer isso? - Melissa gritou furiosa. - Cadê as regras? - Perguntou olhando para todos ali que hesitam um pouco antes de responder.

 

-Não tem regras...- Ryan comentou, fazendo Melissa ficar mais incrédula do que antes. 

   

     O que mais esperar de um Racha do crime onde o nome é Racha Sangrento? Com certeza não tem regras alguma e tudo feito aqui valeu para a diversão do público. Mesmo se tivesse regras, eu duvido que alguém as siga. 

 

-E temos aqui o vencedor do Racha Sangrento! - O mesmo homem do microfone voltar a falar em cima de uma camionete a poucos metros de nós e o competidor de capacete subiu. - Parabéns! Cadê a nossa bandeira girl maravilhosa para entregar o prêmio! - Ele disse olhando em volta, até que Emily subiu na camionete com ajuda de alguns homens que não se importaram em colocar mãos bobas nela. 

 

     Apesar de Emily dizer amar o Justin, ela mantinha um largo e vitorioso sorriso nos lábios e não parecia ter se preocupado nem um porcento durante a corrida. Mesmo Justin quase morto diversas vezes, enquanto eu estou aqui ainda uma pilha de nervos. 

 

   Que tipo de amor doentio é esse?

     

     Emily, como sempre muito exibida. Pegou o troféu da mão do cara e o microfone também, jogando seus olhos em direção a nós. 

 

P.O.V Justin Bieber

 

     Tentaram me atingir durante toda a merda da corrida, de uma forma covarde. Assim que o carro de Pietro caiu no penhascos, eu tive certeza que alguma porra de errada estava acontecendo. Os dois competidores da Explosion me encurralaram por todos os lados e quereriam visivelmente me jogar la de cima. Mas ainda bem que fui mais esperto e não deixei isso acontecer. 

 

    Acabei perdendo a merda da corrida para o cara do carro preto e isso me deixou só mais furioso. Eu estava prestes a ir me acertar com ele, quando Liz apareceu me beijando e me livrando de um pouco da tensão. Ela tremia e parecia realmente nervosa com toda a porra que teve que presenciar. Eu nunca quis assusta-la e por causa desse idiota, fiz isso. 

 

      Emily estava sobre a camionete, junto com o Paul e o cara do carro preto. Ela tinha um sorriso tão grande, que parecia te feliz por eu ter perdido a merda da corrida. Me preparei a porra de meses por isso, mas não tinha como, aquele cara tinha fogo em baixo do carro ou algo assim, só sei que tampou quase toda a minha visão e não dava para ficar do lado dele. 

 

    Me sinto frustrado e um fracassado por ter perdido. Mas pelo menos estou vivo aqui, por incrível que pareça isso é o que está mais importando agora. Não posso deixar Liz triste em hipótese alguma. Eu não aguentaria vê-la sofrer por mim, mesmo que eu estivesse morto. 

 

     Eu já tinha dado minha vitória como garantida e perdi. Não posso conter a irritação e a raiva por isso. 

 

   Emily pegou o microfone e o troféu das mãos do Paul, deu um longo sorriso em direção à nós, antes de começar a falar.

 

-Eu entrego esse prêmio ao vencer do  Racha Sangrento, o rei da competição e o rei de Atlanta....

 

   Ela ressaltou enquanto o cara começava a tirar o capacete, com todos atentos a isso. Revirei os olhos para as palavras dela. 

 

  - Meu irmão, Jason Scott! - Gritou assim que o cara tirou capacete e revelou o seu rosto. 

 

    Meus olhos bateram naquele rosto familiar, que tanto esperei ver por três anos, me deixando completamente sem reação. Apenas senti as batidas do meu coração aumentarem, na mesma proporção que algo crescia dentro de mim. 

 

   Olhei bem para aquele desgraçado, só para ter certeza que não estou delirando ou alguma porra do tipo. 

 

    Mas é real. 

 

    Jason Scott está na minha frente novamente.

 

      Ele ria divertidamente com o apoio e os aplausos de todos que estavam ali. Logo em seguida parando o olhar sobre mim com um grande sorriso antes de gritar com convicção.

 

 

 

 

  -Sou eu quem manda nessa porra de cidade!

 


Notas Finais


Meus amoreeees a coisa tá seriaaaa. Reta final da temporada da nisso!

E o que vocês acham que vai acontecer agora?

Jason de volta é tudo que mais esperamos hahahahaha

Deixem aí a sua opinião e principalmente sobre a volta de Jason! Vou ler e responder todos!

Até o próximo!


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