História The Lord of War - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Amor Doce, Eldarya
Personagens Ezarel, Iris, Lynn, Lysandre, Miiko, Nevra, Personagens Originais, Rosalya, Viktor Chavalier
Tags Ação, Dragão, Lysandre, Magia, Poderes, Romance
Exibições 504
Palavras 4.312
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Super Power, Suspense, Violência
Avisos: Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


😱>>>>>>ATENÇÃO!!! <<<<<<<😱

Gente, por favor me perdoem pelo meu atraso, mas isso aconteceu por um motivo muito complicado-> TEMPO. Estamos no último mês antes do Enem e vocês sabem bem com é o meu drama em relação a esse vestibular do capeta, muitas provas, muita coisa pra estudar, muitas aulas... Eu não estou tendo tempo pra nada. Demorei muito pra acabar esse capítulo pq eu simplesmente não tinha tempo(nem nesse feriado😭😭😭) então eu decidi fazer uma coisa que vai deixar vocês com um pouco de raiva de mim(não fiquem com raiva por favorzinho😭) vou dar uma pausa e, assim como fiz com a minha outra fanfic, Dandelion, retornarei com TLOW assim que as provas do Enem passarem!!! É uma promessa de sangue gente, eu vou voltar com toda certeza pq eu jamais abandonaria leitores tão fiéis e maravilhosos como vocês.
Aqui vai o ultimo capítulo antes da minha pausa, espero que gostem.😘

Capítulo 19 - The Purple Betrayal


Fanfic / Fanfiction The Lord of War - Capítulo 19 - The Purple Betrayal

 

Fionna

 

Às vezes me senti culpada por estar amando outro homem ao invés de Nevra, passei toda a minha infância e adolescência observando-o e criando fantasias românticas onde nós dois nos casávamos e tínhamos uma família grande, nessa época eu pensei que jamais amaria outra pessoa que não fosse ele. Eu nunca estive tão errada. Não sei se era por culpa de uma maldição, mas o que eu sentia por Lysandre ficava bem mais forte a cada momento que eu passava com ele; o seu olhar, o seu cheiro, o seus lábios... Nunca me senti tão completa, meu coração acelerava até mesmo quando eu escutava sua voz.

Estendi meus braços para tentar alcança-lo, mas tudo que senti foram os lençóis de seda branca que cobriam meu corpo nu. Abri os olhos e me encontrei sozinha no enorme quarto, a luz do Sol passava pelas brechas da cortina que cobria as janelas, vez ou outra um vento a levantava permitindo os raios solares alcançarem meu rosto.

“Ele saiu...?” perguntei mentalmente. Levantei-me da cama devagar, pois parte do meu corpo ainda dormia, e procurei algo para me cobrir, porém tudo que consegui – e que estava ao meu alcance – foi o mesmo lençol de seda de antes. Com ele enrolado em meu corpo, andei até a janela e abri a cortina, depois senti o ar puro me envolver por completo, tirando o cansaço de mim.

“Foi nossa segunda noite” pensei, com um sorrisinho no rosto. Abracei meus ombros e senti o cheiro de Lysandre no lençol, lembrei logo das suas mãos em mim, do calor dele irradiando minha pele, dos seus cabelos prateados caindo em cascatas sobre meu corpo, inundando-me.

Parei de pensar nas duas noites que tivemos quando ouvi um barulho de vozes no jardim detrás do castelo. A janela ampla do quarto me dava uma boa visão do que acontecia entre as copas das árvores místicas lá de baixo, então bastou que eu me inclinasse mais um pouco para avistar duas pessoas tendo mais uma das suas típicas discussões.

- É a última vez que mando você sair de perto de mim, tenho que me encontrar com a minha Dama – Iris andava apressadamente.

- Não estou seguindo você, é você que está indo pelo mesmo caminho que eu – Castiel falou, o meio sorriso em seu rosto indicava que ele estava mentindo. E se divertindo.

- Só porque me salvou quando aquela cobra tentou arrancar minhas penas, não significa que viramos amigos – Iris cruzou os braços em frustração.

- Claro... Não é nada importante eu ter SALVO a sua VIDA e nem mesmo ter recebido um obrigado... Fique à vontade seguindo seu caminho enquanto eu sigo o meu – Castiel revirou os olhos e continuou andando. Então Iris parou e bateu os pés no chão.

- Está bem! O que você quer? Um obrigada, é isso? Então aqui vai: Obrigada por ter me salvado! – ela disse a contragosto.

- Não sinto que você está realmente agradecida por isso, então o seu “obrigada” não vale muita coisa para mim – Castiel estava claramente se divertindo de Iris.

- Que pena, porque é esse “obrigada” que você vai receber. Agora eu já vou, então não me siga – Iris já estava prestes a se virar para sair, quando Castiel a puxou pelo braço e roubou-lhe um beijo bem demorado que deixou a garota totalmente sem ação, eu fiquei de queixo caído com a cena.

Depois que Castiel se separou dela, Iris estava mais vermelha que seus cabelos, seus olhos arregalados demonstravam toda a sua surpresa e confusão. Castiel sorriu.

- Não existem regras que impedem relacionamentos entre servos... Bem, agora sua dívida já está paga, pode ir – Castiel falou.

- V-você! O-o quê...?

- Até mais tarde, a sua Dama está esperando – para minha surpresa, ele virou o rosto na minha direção e me encarou – Na verdade ela está observando há horas...

Iris deu um salto quando me viu assistindo a cena pela janela, ela tentou disfarçar as bochechas vermelhas de vergonha, mas já era tarde, eu havia visto tudo.

- S-senhora... E-eu já estava indo acordá-la e... – ela balbuciou.

- Não precisa – uma voz falou, dei um salto para trás quando vi a mulher de cabelos e olhos lilases aparecer de repente na janela ao meu lado. Era a Dama da Criação, Violette. Violette deu uma leve encarada para mim e sorriu de canto, depois continuou – Termine de cuidar de seus assuntos, serva, eu gostaria de ficar a sós com Fionna um momento.

Iris fez uma leve mensura.

- Sim senhora – a ruiva falou, depois encarou Castiel, seus olhos eram navalhas, e saiu do jardim às pressas.

Violette pegou minha mão livre, a que não segurava o lençol que me cobria, e fez surgir nela uma taça cheia de vinho tinto. O cheiro do álcool era inebriante.

- É vinho da melhor estação dos últimos mil anos, um presentinho da Melody – ela falou enquanto se dirigia ao guarda-roupa do quarto. Olhei para a bebida e hesitei antes de tomar um gole. “Álcool pela manhã faz mal?” me perguntei, depois soltei um suspiro de prazer ao sentir o sabor delicioso.

- É muito bom, obrigada – falei, bebendo a taça inteira.

- Agradeça à Dama dos Vícios, não à mim – Violette disse, seus olhos concentrados nas roupas dentro do guarda-roupa. Ela tirou um vestido lá de dentro e o entregou para mim – Vista-se, vou aproveitar que o Lorde da Guerra não está aqui para tomar o seu tempo e levarei você comigo para um lugar. Estarei lhe esperando lá fora.

Esperei a Dama sair do quarto para eu tirar o lençol de mim e começar a me vestir. Eu me surpreendi com o vestido, ele não era bufante e nem desnecessariamente chamativo, e o tecido de seda roxo brilhava de um jeito sutil e belo que caia bem com a cor castanha de meus cabelos; malgrado isso, a saia e as mangas eram absurdamente compridas, e o corpete grudava em meu tronco de um jeito que me deixava pensar que eu não estava vestindo nada – o que, de certa forma, me incomodava.

Quando terminei de me vestir, saí do quarto e me encontrei com Violette nos degraus da escadaria da torre, ela me encarou e sorriu em aprovação, depois bateu as mãos uma vez num movimento curioso.

- Pode deixar que eu irei leva-la até lá – escutei ela dizer antes de eu cair num sono profundo.

 

Acordei de súbito, minha cabeça estava em frangalhos e minha visão demorou a se focar em alguma coisa. De início senti apenas um cheiro sutil de bebida alcoólica e de doces, depois me dei conta de que estava sentada numa cadeira, e, por fim, de frente para uma mesa lotada de comida – um grande banquete de café-da-manhã com vários bolos de chocolate e muito vinho. Tentei me mover para pegar um dos doces próximos a mim, mas no mesmo instante escutei um barulho de escamas se arrastando perto de mim, juntamente a um sibilo de cobra. De soslaio me deparei com uma enorme serpente albina que se enrolava em minha cadeira. Engoli em seco.

- A convidada de honra finalmente acordou – a voz feminina desconhecida me tirou a atenção da cobra. Olhei para o canto da mesa e vi uma mulher linda, seus olhos, duas pedras azuis acinzentadas, me observavam de um jeito afiado e perigoso; meus pelos se arrepiaram quando eu senti o poder que ela emanava.

Olhei para o lado oposto e vi Violette sentada saboreando um morango coberto de chocolate, ela, por mais que estivesse disfarçando bem, ainda parecia bem nervosa com o que estava acontecendo. “O que está acontecendo?” eu me perguntava, meus instintos gritavam para que eu saísse dali, mas por qual motivo?

- Esse anel em seu dedo é bastante bonito e... Peculiar – a mulher desconhecida falou.

- Er... Obrigada – eu disse, por algum motivo eu não queria que ela se aprofundasse nesse assunto. Mas ela o fez.

- É peculiar por culpa do material. Você sabe de que ele é feito? – ela perguntou.

- N-não sei ao certo. Talvez de prata...?

- Tsc, Tsc. Lastimável, nem mesmo conhece os metais divinos, como conseguiu tanto poder? – a mulher falou com desprezo. Eu decidi naquele momento que, se tinha alguma cobra naquele lugar, era ela.

- Violette... O que está acontecendo? Quem é ela? – perguntei à Dama da Criação, mas meus olhos continuavam fixos em cada movimento da outra.

- Se tem perguntas a fazer, as faça para mim – a mulher impediu Violette de falar, seus olhos brilhavam numa chama intimidadora – Esse anel é feito do metal mais raro do mundo, o humano que o tiver ganhará todas as batalhas que enfrentar em sua breve vida. Um grama dele é suficiente para fazer reinos lutarem entre si, o que já aconteceu há algumas centenas de anos atrás. Mas sabe por quê? Porque o único capaz de produzi-lo é o Lorde da Guerra.

A mulher andou até mim e agarrou minha mão com o anel, mas no mesmo instante ela foi queimada, o que a fez se afastar de mim.

- Lysandre sempre foi um estrategista nato... Esse metal ataca todos aqueles que são seus inimigos, a melhor proteção que ele poderia dar à sua noiva híbrida – a mulher falava sarcasticamente, mas havia uma pontada de frustração em sua voz.

- Quem é você? – perguntei firmemente, já farta de tanta enrolação.

A mulher me encarou com um ar de desprezo e depois fez um sinal com os dedos, após isso uma sombra surgiu ao seu lado e tomou a forma de um ser que sempre estava presente em meus pesadelos. E em todos eles era Lynn sendo assassinada.

- J-Jamon! – minha voz saiu entrecortada, meu coração se acelerou assim que me dei conta de que o assassino de minha amiga, quase irmão, estava diante de mim. Então logo juntei os pontos, o poder que aquela mulher emanava mais as cobras que me rodeavam, e ainda Jamon! Encarei Violette com um misto de confusão e incredulidade – Você... Por que me trouxe até Miiko?

Violette desviou o olhar e não respondeu, de soslaio vi Miiko exibir os dentes num sorriso maléfico.

- Você jurou lealdade à minha mãe...  – eu disse.

- Mortos não cobram lealdade de ninguém... E e-eu preciso salvar a vida de quem está vivo – Violette balbuciou a última frase, ela claramente não tinha coragem de me encarar.

- O que quer dizer? – perguntei, mas antes que Violette pudesse se expressar, Miiko a interrompeu.

- Basta! Isso é suficiente. Vamos ao que interessa... – os olhos de Miiko ficaram vermelhos como sangue. Por mais que ela não pudesse ter um contato físico comigo, seu poder conseguia me atingir, pois eu sentia seus olhos analisando cada pedaço do meu corpo, quase como se estivesse procurando por algo.

Mas então Violette se colocou entre nós, interrompendo o progresso de Miiko.

- Antes cumpra o que você prometeu – Violette falou. Agora eu sentia o seu poder, algo sereno e ao mesmo tempo avassalador.

Miiko encarou a Dama com ódio reluzente, ela suspirou fundo e fez um estralo com as mãos – um movimento que parecia acalmá-la – e depois falou para mais alguém que se escondia nas sombras.

- Faça o seu trabalho.

Outra sombra surgiu, e dessa vez fiquei petrificada. Os cabelos negros, os olhos cinzentos... Era tudo dele, mas não era ele, e eu tinha que acreditar de uma vez, mas era difícil demais. Caos jazia em seu corpo, o corpo de Nevra.

Violette também fez surgir uma pessoa, era um garoto de cabelos negros e pele pálida, seu rosto me lembrou bastante o de Alexy, mas ao contrário da viva alegria que Alexy costumeiramente demonstrava para mim, esse garoto deitado parecia estar em estado vegetativo há tempos.

Caos andou até ele e tocou em sua cabeça, depois se concentrou e absorveu algo obscuro de dentro do garoto. Enquanto o processo ocorria, percebi que era algo complicado que pedia muita concentração e poder, pois os olhos de Caos estavam vidrados e eu quase conseguia escutar sua pulsação.

Quando acabou, Caos se afastou do garoto e esperou este último reagir; depois de alguns poucos segundos a cor dele ficou mais vibrante e seus olhos se abriram – duas esferas azuis como o céu – ele era idêntico ao Alexy, até mesmo na forma de olhar para as coisas.

- Mova-se – Miiko ordenou à Violette. A Dama de cabelos lilases hesitou, mas quando viu o estado do garoto de olhos azuis, ela saiu. “Então era uma troca”.

Miiko voltou a me encarar, seus olhos escarlates pareciam ainda mais afiados agora, minhas entranhas se reviraram com o poder dela – e eu não conseguia me mover, por mais que eu tentasse – mas então Miiko desviou o olhar e soltou um grito de dor.

- Maldito! MALDITO! – ela gritava. Miiko quebrou a mesa de café-da-manhã ao meio com um soco e voltou a gritar, totalmente exaltada – Maldito Lysandre, esse anel tem muito mais poder, ele quase me cegou! Nevra, segure ela!

“O quê?”

Caos revirou os olhos e bufou de impaciência antes de andar em minha direção e prender meus braços com as suas mãos. Ele fez uma careta de dor assim que me tocou, mas a disfarçou em seguida.

- Ora se não é a garota que eu ia matar a uns dias. O mais engraçado é que você continua me olhando desse jeito – ele falou com sarcasmo, mas cada palavra que saía de sua boca parecia um tormento. O anel estava lhe causando muita dor.

- Ela o chamou de N-Nevra? – perguntei num sussurro.

- É... Eu gostei desse nome, e parece que ele lhe causa muitos tormentos – ele curvou os lábios num sorriso, mas o sorriso logo se desfez com outra careta de dor.

- Por que ele tem que fazer isso? – perguntei à Miiko.

- Porque humanos são previsíveis demais, garota híbrida, e você não vai suportar ver o Nevra sofrer por muito tempo até finalmente tirar esse maldito anel – Miiko respondeu, seu tom de voz parecia igual à de uma doente mental.

Virei-me para Nevra e engoli em seco.

- Não... Isso não vai acontecer. Nevra está morto, Caos me provou isso várias vezes, um Lorde cruel é tudo que estaria machucando.

- É verdade... Então podemos continuar com isso o dia inteiro – Miiko se sentou numa cadeira e ficou observando Nevra se contorcer de dor por estar pegando em mim.

Nevra suava – Lordes podiam suar? – e tremia, seus nervos estavam dilatados assim como suas pupilas dos olhos, mas ele não me soltava por nada, quase como se estivesse obstinado a algo.

- Por quê? – sussurrei. Nevra me encarou de soslaio, esperando – Por que segue as ordens dela? Depois de tudo que aconteceu com você... Não acha que está perdendo mais do que vai ganhar?

- Você não é a primeira a fazer essa observação, mas, assim como a outra pessoa, você não sabe de nada... Apenas fique de boca calada – ele disse.

- A outra pessoa é a Rosalya?

A expressão de choque era visível em seu rosto. Em seguida ele sorriu discretamente e sussurrou – A sua mãe sempre quis se intrometer nos problemas alheios, parece que alguém herdou isso...

- O que quer dizer...? – perguntei num sussurro, mas ele apenas me ignorou.

Nevra então soltou o ar pesadamente e falou algo que se parecia com “Consegui”, mas foi tão rápido e baixo que quase não consegui escutar. Depois disso ele tirou suas mãos de mim e cruzou os braços, claramente aliviado por não estar sendo torturado.

- Por que a soltou? – a voz de Miiko foi cortante.

- Por que jamais vamos conseguir alguma coisa aqui, pois este lugar é uma armadilha – Nevra encarou Violette de soslaio – Nem elas e nem nós estamos aqui de verdade, tudo não passa de uma criação de Violette.

- Quando percebeu? – Violette perguntou incrédula.

- Há um tempo, só não disse nada porque havia chances de eu conseguir alguma coisa aqui, assim como a Dama da Criação conseguiu – Nevra olhou para o garoto de olhos azuis semiacordado, depois me encarou de relance – Mas não consegui. Seria prudente sair daqui logo, Miiko, ou esse lugar vai começar absorver suas forças. Eu já estou indo.

Miiko estreitou os olhos para Nevra e o encarou por longos segundos, percebi que, nesse meio tempo, ela parecia estar verificando a veracidade daquela descoberta. Quando ela pareceu ter acabado – pois seu olhar relaxou e a pressão do ambiente voltou ao normal – Ela se aproximou de mim com um piscar de olhos, seu sorriso afiado bem próximo do meu rosto. Um verdadeiro monstro em forma de gente.

- Você, jovem alma humana, mal sabe o que te espera... Mal sabe o que o destino te reservou... – Miiko falou com sua voz de cobra.

- Eu sei qual o meu destino – eu disse com determinação.

Miiko segurou uma risada.

- Não, conheces apenas a parcela deleitável dele – sua voz ecoou em minha cabeça, misturando aos sibilos das cobras que me rondavam.

Senti o poder de Violette se intensificar ao meu redor, era realmente um lugar criado por ela. Nevra sumiu no ar segundos depois. Miiko não parecia  gostar que lhe apressassem e, por isso, estava prestes a explodir num ataque, mas ela não era burra o suficiente para permanecer num lugar tão arriscado, então foi embora logo depois com Jamon.

Violette me trouxe junto com o garoto para o seu palácio, senti a densidade do ar se normalizar e minha respiração voltar a funcionar completamente. Vi Violette correr para o garoto e chorar de alegria ao vê-lo de olhos abertos, mas ela logo se deu conta da gravidade da situação que tinha me metido e me encarou de soslaio, esperando.

 - O que Miiko quis dizer com aquilo? – eu interrompi, ansiosa e perturbada demais para me importar com qualquer outra coisa.

Violette baixou a cabeça e sussurrou – Eu não sei ao certo.

Aquilo não me convenceu, então continuei encarando-a. Violette tomou meu olhar como um ato de inquisição.

- E-eu não tive escolha... Nada conseguia curá-lo, Caos é o único que pode tanto tirar quanto devolver vidas. Fionna, eu... – ela tentou se explicar.

- Você sabe o que ela queria comigo? – perguntei sem me sensibilizar com as desculpas, foi um choque grande demais para mim.

- Era algo relacionado à maldição, Miiko não falou muita coisa, ela apenas queria vê-la – Violette respondeu, lágrimas caíam de seus olhos – Fionna, não sou mais poderosa como antes, eu jamais teria feito isso na época em que a Luz equilibrava o mundo. Mesmo não a colocando em completo perigo, eu ainda a coloquei, e sei que essa traição será lembrada para sempre e...

- Que traição? – uma voz veio dos portões principais do castelo. Era Lysandre, e ele encarava Violette com um olhar frio que poderia congelar um país.

 

 

Viktor

 

Já se passaram quatro meses desde aquele dia em que vi o exército de Miiko pela primeira vez, e da mesma forma me encontrei com o senhor da calamidade, cujo corpo era de meu falecido irmão Nevra. Eu era um único que restara de minha família, e depois de termos passado por mais tantas batalhas nesse meio tempo, poucos dos meus amigos ainda jaziam vivos e fortes para seguir lutando; mas eu não tinha mais o luxo de descansar ou de desistir, pois agora não só a legião de guerreiros de Valkyon estava ao meu comando, como também o exército real e os servos divinos de três Lordes e Damas. O Rei havia me condecorado e desde então eu havia me tornado o General.

Lynn ainda aparece em meus sonhos, tenho pesadelos com a morte dela ao menos uma vez por semana e fico escutando sua voz ao vento quase sempre, como se fosse uma miragem. A falta que eu sentia dela era gigante, mas eu não podia demonstrar fraqueza na frente das minhas legiões, então aprender a manter meu rosto firme e sem expressão acabou sendo de grande utilidade.

Eu novamente estava delirando com a voz dela em meu momento de sossego, quando os homens já tinham terminado de montar as tendas ao redor da capital e haviam começado a acender as fogueiras para preparar a janta. Momentos como aquele estavam ficando cada vez mais escassos, o número de monstros que invadiam as terras do reino parecia aumentar e a frequência ficava cada vez maior, era visível o cansaço nos rostos dos meus guerreiros e parte daquela antiga graça que se via ao redor das fogueiras, com as histórias que eram contadas, havia desaparecido. Os servos divinos ficavam num local afastado, nenhum deles parecia cansado ou entediado, como se vivessem para aquilo, e nem mesmo tentavam algo contra nós – o que era muito bom – mas eu jamais vou conseguir me costumar com o fato de ter um monstro de três cabeças, com chifres e presas, andando por aí.

Então escutei um murmúrio seguido por um barulho de galope, levantei-me do tronco em que eu estava sentado e vi um grupo de homens à cavalo vindo na minha direção.

- Senhor general – um deles chamou, ele desceu do cavalo e se aproximou de mim de forma respeitosa, depois fez uma leve mensura e me entregou um pergaminho – O Rei lhe convoca para ir agora ao palácio.

Encaro o homem sem entender bem qual o motivo daquela convocação e leio o pergaminho. O Rei me convocava, e o pedido era oficial, algo altamente urgente e inegável. Mesmo com receio de deixar meus homens, montei meu cavalo e segui rumo ao palácio, sendo acompanhado dos mesmos cavaleiros que vieram me trazer a mensagem.

O caminho até o centro da capital, onde ficava o palácio, não era muito grande, e isso misturado ao pouco movimento de pessoas naquela hora da madrugada deixava o percurso ainda menor. Chegamos rapidamente e fomos levados à sala de guerra, lá fui deixado sozinho com o Rei e um homem de capuz e vários colares com os símbolos dos sacerdotes.

- Senhor, estou aqui porque fui convocado – falei enquanto me curvava para o rei.

- Viktor, foi bom você ter vindo rápido – o rei falou, o homem já era idoso e tinha olhos profundos que demonstravam toda a sua experiência – Acredito que conhece o Grande Sacerdote – ele apontou para o homem de capuz.

- Sim senhor, a sua santidade é o maior responsável por termos a ajuda de exércitos tão poderosos como o do Lorde da Guerra – tentei soar agradecido, mas a verdade é que eu não deixava de culpar aquele homem por ter mandado Fionna para as garras de um monstro.

- Muito bem, pois tenho um assunto importante a tratar com você, já que preciso da sua liderança e da sua ligação com aquela jovem chamada... Fionna – o rei enfatizou o nome da garota, eu não pude controlar minha expressão de espanto e confusão. Então o Grande Sacerdote tomou a frente da conversa, ele me levou até o salão ao lado e ficou no centro, depois se afastou de mim e do rei e começou a entoar palavras de uma língua desconhecida.

Seus olhos começaram a se revirar, o ar ao seu redor ficou pesado e a temperatura do salão caiu. Então acima de nossas cabeças um mapa do mundo foi formado, o mar se movia, os vulcões entravam em erupção e as guerras se manchavam em vermelho.

- Acredito que vós sabeis sobre a Luz que tudo guia – o sacerdote falou para mim, eu apenas movi a cabeça em afirmação – Este é o nosso mundo, e ele, durante milênios, teve um equilíbrio regido pela Luz. Mas, com acontecimentos de poucos séculos atrás, esse equilíbrio foi rompido e agora estamos perto de perder a luta. Eu pensei que o poder dos exércitos divinos fosse ser suficiente, mas, se nada for feito, esse poder não mudará nosso destino.

- Então entregamos inocentes para serem mortos à toa? – não consegui controlar a raiva na voz.

- Vejo que guarda ressentimentos por causa da mulher chamada Fionna.

- Ela praticamente fazia parte de minha família – falei entredentes.

- Compreendo... Mas vós entendeis errado, a força dos exércitos é extremamente necessária, e vós, como General do exército do rei, deve entender o que estou dizendo – ele falou calmamente. Eu fechei meus punhos em frustração, era fato que sem os servos divinos o reino já teria caído há muito tempo. Ele, vendo que eu compreendia, voltou a falar em seguida – Como eu havia dito antes, se nada for feito nós iremos perder. Há várias estações recebi uma mensagem da mais pura e poderosa das Damas, ela me avisou sobre a possibilidade desta guerra ter início e sobre quem seriam nossos inimigos. Miiko deseja acima de tudo duas coisas para que o equilíbrio jamais retorne a esse mundo, e, assim, ganhar o trono divino; uma dessas coisas já está sendo resolvida e protegida, mas a outra ficará a par de vós.

- O que desejas que eu faça?

O sacerdote se virou e ergueu as mãos para o mapa, depois fez um movimento com os braços que expandiu o tamanho das imagens, até que finalmente apontou para um ponto entre as montanhas ao Norte do Reino, onde a neve cobria boa parte dos picos altos e dos planaltos.

- Existe um humano, um homem vivendo nessa região, ele é protegido pelos servos da Dama que entrou em contato comigo. Tudo que você precisa fazer é protegê-lo com parte do exército divino que tem em mãos e, principalmente, proteger o objeto que ele carrega.

- Mas se eu fizer isso, o Rei ficará desprotegido aqui – eu disse.

- O Rei irá convosco, pois ele precisa tratar de determinados assuntos que não lhes dizem respeito – o sacerdote me censurou.

- Então ao menos posso saber a identidade desse homem?

O homem de capuz se virou para mim, com um olhar que escondia muitos segredos, e falou com intensidade.

- Ele é pai de Fionna.

 


Notas Finais


Gente, já estou sentindo falta disso aqui😭😭😭😭 me desculpe por ter dado uma notícia desse porte sem ter feito preparações, mas é como eu disse, não tenho tempo nem pra coçar a comissão de trás😂😭😭
Espero que tenham gostado do capítulo, não deixem de comentar meus amores! Vejo vocês em Novembro❤❤❤


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