História The lost son of Dracula - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drácula, Lenda, Lobisomem, Lobo, Vampiro, Young Dracula
Exibições 16
Palavras 1.572
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Vamos brincar?


Minha noite foi repleta de pesadelos, mas dessa vez, foi diferente. Um lobo de uma pelagem pálida e esvoaçante me perseguia pelos campos; seus olhos azuis davam um contraste perfeito, se comparados à cor de sua pele. O animal era curioso, me farejava com relutância, mas, por algum estranho motivo, sabia que eu não iria atacá-lo. Ao seu lado, um homem velho alisava o topo de sua cabeça, olhando para mim com ambiciosidade. Ele carregava uma espingarda, por isso eu gritava para o lobo fugir de suas mãos, porém, no fim de tudo, eu era sua vítima.

Acordei com a vista embaçada, sentindo sede. Peguei um copo de água que descansava sobre a escrivaninha de Amber e beberiquei tudo. A menina acordou, uma gota pingou em seu braço esquerdo, assustando-a. Pedi desculpas e falei sobre o pesadelo que tive.

 — Lobos? — Debochou — Não acha uma ironia esquisita?

 — Eu não sei. Talvez signifique alguma coisa. — Respondi, enterrando a mão nos meus cabelos negros, o que virou um hábito para mim.

 — Não liga pra isso, Desmond. E daí? Tá, você sonhou com um lobo e um caçador, mas não foi real. — Senti a tensão pelo ar, era quase como se ela soubesse de algo que eu não tivesse reconhecimento.

 — Está escondendo alguma coisa de mim, Amber? — Sugeri, arqueando as sobrancelhas. Seu silêncio me deixou desconfortável, mas então, ela balançou a cabeça, negativamente. Desisti de procurar pela resposta que desejava.

 — Vamos para a escola, por favor. — Sussurrou, como quem tivesse uma forte dor de cabeça ou uma ressaca. Ela pressionava a mão contra a testa agressivamente.

Descemos as escadas, depois de tomar banho. O pai de Amber nos esperava na cozinha, seus olhos fuzilando os meus com ódio.

 — Não tem casa para dormir, senhor Lewis? — Perguntou com indiferença, cortando uma fatia de bacon na sua tigela de porcelana, enquanto lia um jornal. Típica cena americana.

 — Desmond teve um problema com a família dele, será que pode pular essa parte e ser mais gentil, pai? — Amber murmurou, enchendo um prato com panquecas e melado.

 — Por que não procura um psicólogo? Martin, meu irmão, é incrivelmente sábio no que ele faz. — Debochou, Jonathan Walker sequer olhava para mim. Amber insistiu para que ficássemos mais um pouco na casa dela, acho que só para irritar ainda mais seu pai. Mesmo assim, eu pedi para deixarmos o lugar, a mensagem de Jonathan foi passada com muita clareza: ele não gostava de mim.

 — Espero que esteja feliz pelo que fez, papai! — Amber replicou antes de saírmos, deixando a última palavra com um tom maior de desgosto. Ela pegou um casaco escuro que se pendurava no sofá e me carregou pela mão até a porta de saída.

...

 — Acho que você pegou pesado com seu pai, Amber. — Falei, enquanto andávamos até a escola. Estávamos a poucos metros de distância dela.

 — Acho que você quer ser o baba ovo dele. — Queixou-se, ainda com a mesma cara de hoje mais cedo. Tentei me explicar, mas ela havia se chateado um pouco — Escuta, eu não quero falar sobre o Jonathan. Às vezes ele é um grande... esquece.

Parei no meio do caminho, ao notar o quão estranha a menina soava. Era como se seu pai fosse um completo estranho para ela.

 — Está tudo bem? — Perguntei aproximando-me dela até ficar a centímetros de seu rosto.

Levei minha mão até sua bochecha, pretendendo alisá-la sem malícias. Amber não entendeu o recado, desviou o rosto de mim, como quem tentasse se livrar de um inseto irritante. Seus olhos agora repousavam sobre o chão.

 — Desculpe, te assustei? — Questionei, minhas orelhas queimando de vergonha.

 — Não... sim. Eu não sei, Desmond. Todas as vezes que te olho, agora, me lembro daquele dia e penso no que você faria comigo se não tivesse desmaiado.

 — Mas aquele era Cyrus, lembra? — Tentei me aproximar dela, mas a menina dava passos para trás, cada vez que eu progredia. Resolvi parar — Amber, eu nunca te faria nenhum mal, sabe disso!

 — Sei mesmo? — A pergunta pairou pelo ar, o silêncio chegou para tornar a coisa mais embaraçosa.

TRIIING!

O sinal tocou, assustando a nós dois. Amber olhou para trás, percebendo que quase chegamos atrasados.

 — Vamos indo? Nosso primeiro horário é Matemática e você sabe o quão pontual a srta. Bleur é. — Observou, ainda mantendo a maldita distância. Forcei para não grunir, meu temperamento não estava o dos melhores, agora de manhã.

 — Não vou. — Disse com firmeza, sentindo meu estômago embrulhar ferozmente — Pode ir, te encontro no próximo horário.

Amber ergueu as sobrancelhas, tão confusa que cheguei a ficar impaciente.

 — O que está falando? Você não é assim, Desmond. Não é do tipo de cara que burla as regras.

— Ora, srta. Walker, não é como se você nunca tivesse feito isso. — Arremecei um sorriso áspero de orelha a orelha. Espera... o que eu acabei de fazer?

 — "Srta. Walker"? E quem você pensa que é pra atirar acusações por cima de mim? — A voz dela se misturava num tom de tristeza e de ódio, acho que se tivesse a chance, me daria um tapa — Quer saber, eu não tenho tempo pra aturar idiotas como você.

 — Estranho... como você consegue se aturar? — Sussurrei, sem nenhuma vontade de ter dito tais palavras, senti o peso enorme da culpa pressionar minhas costas. Sacodi a cabeça, tornando-me mais consciente assim — Amber, calma. Não era eu falando.

 — E quem se importa! — Respondeu, chamando a atenção de um garoto que sentava numa pilha de lixo — Você poderia ser o presidente dos Estados Unidos, ainda te chamaria de idiota até seus ouvidos arderem!

A menina pegou a mochila e a jogou nas costas, quase caindo devido o peso, e seguiu para o portão principal do colégio.

Fiquei ali com cara de imbecil, olhando para meus dedos. A raiva que senti pelo que acabara de acontecer foi tão grande que minhas mãos chegaram a tremer.

 — Por que fez isso comigo, Cyrus! — Gritei, esperando que ninguém me notasse, que pensassem que eu era um louco de rua. Sem pensar direito, soquei uma parede de concreto que cituava ao meu lado. O choque foi estrondoso ao ponto de eu ter arrancado um pedaço dela.

Você fez isso à si mesmo, Desmond. Somos um, lembra?

Ouvia ansiamente a voz que se projetava apenas em minha cabeça.

 — Não somos e nunca seremos! Você estragou tudo! É um grande miserável, uma aberração. — Rugi, meu coração contorcia dentro do peito.

Não ouvi a resposta de Cyrus, somente um barulho foi gerado após minha breve crise existencial. Procurei de onde veio, minha cabeça girava em movimentos enjoativos. Até que enfim, vi o garoto do lixo. Ele usava o mesmo casaco que Igor, quando o conheci, o que estampava o nome do time de basquete deles, "Tigers".

 — Além de esquisito, é um morador de rua, Lewis? — O garoto falou, adquirindo uma posição de defesa e repugnância. Seus ombros largos e musculosos me intimidavam. Eu não era o tipo de garoto magrelo, nerd e totalmente indefeso, mas não era fã de entrar em brigas com os caras populares.

 — Desculpe, nos conhecemos? — Pedi, estufando o peito numa tentativa de me sentir superior a ele.

 — "Desculpe, nos conhecemos?" — Repetiu num tom provocador. Sua risada ecoava na minha cabeça com um volume maior do que eu esperava. Claro, eu era um vampiro — Por que não para de bancar o inocente, Lewis? Não se lembra do que fez pra mim no ginásio?

Forcei minha mente a lembrar de seu rosto, mas foi falho, até o estranho menino me mostrar uma cicatriz bem na altura da testa. Uma pequena linha pontilhada traçava sua pele, como um machucado de guerra.

 — Ah, Deus! M-me desculpe, não queria que acontecesse isso! — Tentei me defender, recordando-me do rosto do garoto que caíra no chão e rasgara a testa, no dia do acidente do basquete.

 — Desculpas não vão adiantar, Desmond. Desculpas não vão retirar os 5 pontos que eu levei por sua causa! — Berrou, apontando para a testa e chegando mais perto. Para sua sorte, estávamos numa ruela — Mas posso tornar a situação igual.

George cerrou o punho direito, batendo contra a outra mão com força. Tentei assumir um posto de guarda, atirando meus braços para frente, mas ele me puxou. Antes que pudesse dar qualquer golpe, eu agarrei seu braço e o transportei para a parede quebrada de mais cedo. Sua cabeça colidiu contra o sólido incrivelmente endurecido e desmaiou.

Uma faixa grosseira e rubra brotou do lugar em que se machucou, presumi que seus pontos haviam sido estourados. O cheiro do seu sangue inundou de uma maneira graciosa os meus pulmões, senti minha boca salivar involuntariamente.

— "Não! Você não vai ser libertado!" — Pensei, tentando comandar em Cyrus, mas o monstro rogava para sair.

Deixe-me alimentar. São só umas gotas, o que faria mal?

Respondeu, dentro da minha mente.

"Só seriam umas gotas."  Ainda pensei "E por que não? Por que eu deveria torturar Cyrus desse jeito? Por que não... deixá-lo ser livre uma vez?"

— "Tudo bem." — Rendi-me, sentindo um nó de fraqueza — "Mas só umas gotas. Nada mais."

A voz não me respondeu pela segunda vez, acreditei que tivesse desistido de mim.

Droga! Como eu estava estupidamente errado...


Notas Finais


Próximo capítulo: "A primeira mordida"


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