História The lost son of Dracula - Capítulo 12


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drácula, Lenda, Lobisomem, Lobo, Vampiro, Young Dracula
Exibições 8
Palavras 1.773
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - O retorno do irmão bastardo


— Mas... mas isso é impossível! — continuei a falar, dessa vez, até mesmo eu me interessei em compreender a situação — Você deveria estar morto! É o que os livros dizem, Vladimir.

 — Oh, por favor, me chame de Vlad. — sugeriu, sem deixar de sorrir — E receio que os humanos erraram, mas não me surpreendo com a estupidez deles. Falando em livros, soube de sua história também, Cyrus. É verdade? Desistiu mesmo do sangue dos Dráculas para se unir aos normais?

Parte de mim — Desmond — ansiava em responder por ele. Tinha tantas coisas a falar para esse estranho, que Cyrus mal conhecia também, pois era apenas um bebê quando foi abandonado pelos pais. Queria cuspir na cara de "Vlad", os humanos não eram tão idiotas como ele supõe. De qualquer forma, Cyrus ainda comandava em mim e eu o obedecia com relutância.

 — Sim, é verdade. Eu era um monstro, Vlad. Matei meus pais postiços, sem mesmo ter vontade. — falei, sentindo uma emoção que ainda não tinha detectado em Cyrus: remorso — Abri mão do meu antigo estilo de vida para me aproximar do estilo dos humanos.

Ouvi um barulho não tão alto, creio que Vlad também percebeu, pois olhava para os lados com preocupação.

 — Será que poderíamos continuar nossa conversa em outro lugar? Adoraria conhecer meu irmão propriamente, mas estamos no mundo deles. Somos alvos fáceis por aqui. — meu irmão, que acabei de conhecer, assentiu.

Ele puxou a minha mão e com uma velocidade extraordinária, nos transportou para um armazém abandonado. Não fazia a mínima ideia do tempo que nossa breve viagem levou, muito menos de onde eu estava. Só espero que quando eu voltar à consciência completamente, eu consiga voltar para casa.

 — Onde estamos? — perguntei, sentindo a brisa seca invadir minhas narinas. A labirintite, uma das minhas inimigas de infância, voltou a me atazanar sem piedade.

 — Pouco importa. Quero apenas que me conte sua história fascinante. — Vlad encostou os dedos em seu queixo, esperando uma explicação plausível. A parte boa era que eu também queria ouvir a história do monstro.

 — Você sabe como tudo começou, então gostaria de pular essa parte. — falei, cabisbaixo — Em uma noite, depois de ter ajudado meu pai adotivo em sua fazenda, fui para meu quarto e encontrei este colar.

Eu peguei o cordão que ainda segurava e o mostrei para Vlad. Ele parecia atento e estupefado com o objeto, mas não fiz nenhuma pergunta a respeito. Prossegui com o relato.

 — Eu o coloquei no meu pescoço, pensando na possibilidade de ser de mamãe ou algo do gênero. Ele chamava a minha atenção de uma maneira estranha de ser explicada. Quando finalmente o pingente estava em meu pescoço, senti que não era o mesmo. Passadas as semanas, desenvolvi um apetite peculiar por sangue, comecei a devorar as vacas da minha família. Foi assim como descobri que eu era um vampiro...

 — E no fim de tudo, ainda devorou os dois humanos. Fico feliz por você. — cerrei o punho, querendo socar sua cara, mas manti a calma.

 — Pois não deveria! Perdi as pessoas que eu mais amava e tudo por minha culpa. — disse em derrota — Depois do incidente, procurei por vários métodos para me controlar. Bruxos, feitiços, livros... todos eram em vão, até que encontrei uma cigana. Ela me ajudou, dizendo que o colar que eu tinha poderia canalizar a minha parte vampírica com uma condição: a de esquecer de tudo o que já tinha vivido antes. Aceitei, mesmo sem vontade.

 — O que aconteceu depois? — ele me olhava com um ar de curiosidade.

 — Eu "tranquei" a minha parte vampira dentro do meu corpo. Acordei numa estrada não movimentada, um casal me avistou de longe e me abrigou. Eu tinha apenas 6 anos quando tudo aconteceu. — continuei, mostrando um sorriso nostálgico — Eram os Lewis. Eles me levaram a um cartório e me adotaram. Nunca souberam da existência de "Cyrus Drácula", apenas a do seu novo filho: Desmond Lewis.

— Como você lembra do dia da adoção? Quero dizer... isso não deveria ser uma memória de Desmond?

 — Eu e Desmond somos um, Vladimir. Compartilhamos esse corpo e também algumas memórias. — falei, sem olhar para Vlad — Desmond, porém, nunca teve acesso às memórias de quando ele... bom, de quando eu era uma criança.

— Wow... estou impressionado, irmãozinho. — seu tom me deixou com dúvidas, parecia meio sarcástico e pouco eloquente — Mas tem algo que ainda me questiono... como "Cyrus, o Grande" voltou a tona?

— Tem essa garota... Daxamber Walker, ela é diferente. Quando nos conhecemos, tive uma conexão forte com ela. Amber me libertou e devo uma a ela, para ser franco.

— E Desmond? Ele está aí? — perguntou, fazendo-me ter uma leve vontade de rir — Posso conhecê-lo? Tenho um recado especialmente para ele.

 — Não seja tolo, Vladimir. Eu sou Cyrus e Desmond. Posso ser quem eu quiser nessa vida e ninguém irá me impedir! — Cyrus rebateu, rispidamente — E achei que não conhecia à nenhum de nós dois, irmão. Afinal, éramos crianças, quando fomos separados pelo destino.

 — E não conheço nenhum de vocês dois propriamente, mas preciso entregar o recado à sua... outra metade, digamos assim. — insistiu, deslizando os dedos nos cabelos escuros e bagunçados — Como você consegue voltar à forma de Desmond de novo e vice-versa?

 — Simples. Da mesma maneira que usei para ser aprisionado.

Meu estômago revirou, senti o cheiro da liberdade, de poder finalmente sentir a posse do meu corpo e das minhas ações de novo.

 —  Vitae, Mortis, Redutis. — Cyrus expeliu com um forte sotaque, ele o fez três vezes, para ser exato. Não vi a reação de Vladimir, pois tinha cerrado os olhos, mas senti uma onda de choque invadir meu corpo, dessa vez, com menos intensidade.

O processo acabou. Meus dedos formigavam loucamente e minha boca sentiu um gosto metálico e enjoativo. Abri os olhos, encarando a imagem de um Vlad espantado. Levei ambas as mãos à minha boca, sentindo a bile subir até o esôfago, não impedi que ela fizesse o trajeto para fora do meu corpo. Melhorei depois de ter vomitado, Vlad me olhando com desgosto e pena.

 — Olá? — sussurrou — Você está bem, parceiro?

Forcei meus olhos a se acostumarem ao meu redor, a imagem de Vlad surgia trêmula e borrada. Quando o menino ousou dar um passo para frente, me afastei, assustado.

 — Calma. — disse, sua voz se ajustou num tom suave e firme, ao mesmo tempo — Prometo não te machucar, ao menos que seja preciso.

 — O garoto morreu? Cyrus se foi?  — ignorei seu conselho, referindo-me a George na primeira pergunta — Ele se foi para sempre mesmo? — perguntei, um sorriso se esboçando nos meus lábios, mas logo foi desfeito por sua resposta

 — Chequei o pulso do moleque, ele ainda está vivo. Quanto a Cyrus, ele pode voltar quando você sussurrar as palavras. É sua escolha, irmãozinho.

 — Não me chame assim ou arranco sua traqueia. — murmurei, usando a camisa para limpar o sangue de George, que ainda restava na minha boca. Nem queria saber o que a minha mãe acharia se me visse assim.

 — Parece que ainda tem um pouco de rancor dentro de você, Desmond. Ah, é mesmo! Quase me esqueci. É apenas Cyrus. — Vlad deu uma gargalhada profunda, mostrando uma fileira de dentes brancos e afiados, um pouco diferente dos outros vampiros.

— Se me trouxe de volta só para debochar, por que não aproveita e me deixa te jogar de uma ponte? — rebati, querendo espancar o vampiro.

— Não faria isso, se fosse você. — ele falou um tanto despreocupado, enquanto analisava suas unhas cortantes — Sou só um mensageiro, Desmond. Vim entregar um recado de nosso pai.

Parei onde estava, meus músculos se enrijeceram brutalmente, como se estivesse com caimbra. Olhei no fundo dos olhos dele, na esperança de descobrir se o que dizia era mentira — e se eu tinha escutado direito também.

— Nosso... você disse "nosso pai"? — perguntei atônito, as milhares de hipóteses se espalhando em minha cabeça — D-Drá... Drác...

— "Drác, Drác, Drác..." Por Deus, Desmond! Sim! Nosso pai, Vladimir Drácula! — rugiu, seus olhos brilhando de felicidade.

— Está mentindo. O conde Drácula morreu, há vários anos. — falei, lembrando de ter assistido à vários filmes e documentários no History Channel. Mamãe dizia que era muita alienação e babozeira pra um canal educativo, mas sempre tive uma queda por vampiros. Detestava lobisomens, pareciam bichos asquerosos.

 — Olha só... parece que alguém tem feito o dever de casa. — o menino se exibiu, confirmando o meu pensamento — De fato, o velho Drácula morreu em uma cilada, pelo que eu lembre. Mas vem cá, Des, já ouviu falar do Rosário de Balthus?

Girei a cabeça, negando.

 — Claro, já suspeitava. Bom, trata-se de um artefato de nossa família. As pétalas do Rosário têm propriedade de cura, mas só se utilizada nas pessoas certas e pelas pessoas certas. — falou, demorando para prosseguir. Tossi para chamar sua atenção — Mamãe as utilizou, depois de ter visto o corpo inerte de Drácula no campo. Ele voltou à vida, Desmond, é tudo o que precisa saber.

— Quando isso aconteceu?

 — Anos após minha "morte". — Vlad desenhou aspas no ar. Pelo que dissera, os humanos teriam criado essa parte da história. Por sinal, depois o perguntaria sobre isso.

— Bom... qual é a mensagem? — me rendi, procurando uma posição calma e mais confortável. Ainda estávamos no armazém. Meu irmão se aproximou de mim, uma aura estranha se exalava dele.

— Ele está à sua procura, Desmond. — engasguei pela segunda vez — Nosso pai me enviou pra te dizer isso, ele não gosta muito de visitar o lugar que destruiu parte de sua vida.

— Então diga a ele pra se-

— Whoa! Vamos com calma! — ele disse, antes de eu completar a sentença que tanto desejava — Entendo que isso seja demais, mas não pode culpá-lo. — virei as costas para Vlad, observando as nuvens se movimentarem.

— Posso e vou!

Comecei a fazer um caminho, mesmo não conhecendo o lugar muito bem — a quem eu estava enganando? Eu estava perdido!

— Está indo para casa? Posso te levar até ela. — ele me seguia, nervoso.

— Eu posso ir sozinho! — falei, dando de ombros. Minha cabeça estava cheia.

— Tudo bem, não diga que eu não tentei te ajudar.

Abri a boca para responder, mas quando virei meu rosto para sua direção, tudo o que vi foi um vulto negro, desmanchando pelos ares como uma sombra.


Notas Finais


nome do título nem tão intencional. Eu gosto do Vlad x) [Estranho declarar isso do seu próprio personagem? É... sim.]

Bjos e até o próximo capítulo ♡ Espero que estejam gostando.


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