História The lost son of Dracula - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drácula, Lenda, Lobisomem, Lobo, Vampiro, Young Dracula
Exibições 10
Palavras 1.614
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - A tatuagem


Fanfic / Fanfiction The lost son of Dracula - Capítulo 14 - A tatuagem

— O que quer saber primeiro sobre mim? — Vlad se acomodou na cama, pegando um travesseiro e ajeitando debaixo de sua cabeça. Clary deitou em seu peito.

— Sua história. — falei tão baixo que nem parecia um sussurro. Graças a sua excelente audição, pôde me ouvir — O que realmente aconteceu naquela noite, Vladimir?

— Tudo bem, vamos do início. — pigarreou — Meu nome é Vladimir Thomas Drácula e tenho 63 anos. — me espantei com a revelação de sua idade e com o "Thomas", já que também era meu sobrenome. Será que meus pais o tinham mantido ou foi apenas uma macabra coincidência?

— Como podemos ter "Thomas" como sobrenome? — perguntei, com um certo desespero, que foi logo notado por Vlad.

— Vladimir, nosso pai, deixou um bilhete no seu berço. No fim da carta, havia um "D. Thomas" como assinatura. — explicou — Fico surpreso por seus pais adotivos terem deixado o "Thomas". Creio que escolheram um nome com D para você, só para combinar. — riu, ficando em pé.

— Que previsível... — a menina balbuciou.

— Pelo menos, faz sentido. Continue.

— Claro. — tossiu, fazendo uma careta estranha e olhando para a porta com dúvidas — Mas acho que antes queira expulsar sua irmã daqui.

— O quê? Do que está falando? — acompanhei seus olhos, virando-me para a porta e depois para os dois. Vlad e Clary não estavam mais no quarto. Como se estivesse adivinhando o futuro, Zoey bateu na porta e a abriu, mesmo sem meu consentimento.

— Com quem estava falando, Des? — seus olhos castanhos brilhavam de preocupação. Não olhei para ela, ainda procurando discretamente os vampiros.

— Comigo mesmo, Zoey. Pode sair daqui? — rebati, amassando meu rosto contra as mãos.

— Desmond, eu entendo que seja difícil para você se adaptar a esse lugar, mas estamos todos tentando. Posso te ajudar?

— Sim. Você pode me dar um tempo? Por favor.

Zoey se entristeceu, eu conhecia esse sentimento dela, mas teria que descobrir os segredos da minha família biológica e a única oportunidade de fazer isso estava se escondendo atrás de uma janela, literalmente.

— Tudo bem. — ela fechou a porta. Dados exatos 5 segundos, eles voltaram para o quarto, Clary arrumava uns fios de cabelo rebeldes.

— Quer falar sobre isso ou prefere que eu continue? — o garoto pediu, escolhi a segunda opção, sem nenhuma dúvida. Ele, dessa vez, sentou-se numa cadeira — Eu era apenas um bebê quando os aldeões descobriram sobre nossa família de vampiros. Depois de um ano, mamãe descobriu que estava grávida de novo, dessa vez, de você.

Ele parou por um tempo para respirar, pensei que não precisasse disso, mas o fez.

— Os humanos ficaram malucos! Juraram matar todos de nossa espécie e começariam comigo. Uma mulher me sequestrou, como era apenas um bebê indefeso, não pude fazer nada. Magda soube do que ocorreu e me tomou dela. Fui jogado num rio, para não cair nas mãos deles novamente, foi assim que os rumores da minha morte começaram.

— Descobri que tinha um irmão e que ele foi abandonado pelos nossos pais, então comecei a te procurar. Foi em vão, então comecei a habitar as florestas, conhecendo lobos, ursos, homens. E Clary... — ele olhou para ela com paixão e segurou suas mãos.

— Como descobriu que era um vampiro? — o menino se contorceu de maneira desconfortável. Era como se eu tivesse perfurado seu coração com uma estaca.

— Não precisa falar sobre isso, Vlady. — sua namorada sussurrou com pena.

— Está tudo bem, Clary. Eu consigo. — respondeu, confiante. — Eu tinha uma amiga chamada Lily, irmã da Clary. Ela me conheceu na floresta, quando seu pai estava caçando um cervo. Nossa relação se estendeu até chegar a me apaixonar por ela. Um dia, ela fugiu pela vegetação, afoita. Uma alcateia de lobos a perseguia, todos morriam de fome. Quando a encontrei, ela estava morrendo, cheia de arranhões e outros machucados. Meu coração pulsou mais forte, ao ver o sangue em sua pele, peguei um pouco e lambi, sentindo o melhor sabor que já tinha provado na minha vida.

— Você a mordeu?

— Sim. — o menino declarou — Mas não consegui parar.

— Fiquei destruída pelo que aconteceu com a minha irmã. — a menina falou, dessa vez, triste — Não suportaria viver sem ela, então pedi para Vlad me transformar.

— Sinto muito. — falei, derrotado.

Um silêncio foi instalado no local, foi bem constrangedor. Procurei, então, outro assunto.

— O que é essa tatuagem em seu pescoço, Vlad? — apontei para o pássaro, parecia mesmo estar voando.

— É o símbolo da família. Ele vem junto ao "Vitae, Mortis, Redutis" em seu colar. — aproveitei para me certificar e era verdade, embora nunca tinha percebido — É uma espécie de metáfora, você não deveria ligar.

Pensei por um tempo numa ideia maluca e insensata. E se eu tivesse também o símbolo?

— Posso tatuá-lo em mim? — perguntei encabulado, não tinha uma boa justificativa pra isso. Vlad arqueou as sobrancelhas e a garota riu, como se nada tivesse acontecido.

— Por que você a quer? Pensei que não gostasse de sua família. — Clary se pronunciou.

— Eu nunca disse isso! — berrei, controlando o tom de voz — Eu só... queria ter alguma coisa que me lembrasse das minhas origens.

— Você tem o colar. — Vlad apontou para o objeto sintilante.

— Quero algo que realmente seja meu. Qual é o problema?

— Nenhum. — riu ele, revelando duas pequenas fissuras ao lado dos lábios, suas "covinhas" — Só não esperava isso de você.

— Então... — falei, como quem não tivesse mais assunto pra pôr em dia — Sabe onde tem algum tatuador por perto daqui?

Os vampiros soltaram uma longa gargalhada, a mais longa que já ouvi até agora. Fiquei com cara de tacho, esperando uma resposta.

— Quem precisa de um tatuador quando o próprio Vlad pode fazer? — mostrei um olhar de dúvidas — Venha aqui.

Obedeci, meu irmão esfregava as mãos rapidamente. O menino fechou os olhos uma vez e depois os abriu. Sentei perto dos dois.

— Tudo bem, onde você quer que ela fique?

— No mesmo lugar que a sua. — disse, ele fez uma careta estranha.

— Não quer que sejamos gêmeos, quer?

— Relaxa, não seria parecido com você nem nos seus sonhos. — todos nós rimos. Apesar de ter dito aquilo, não era totalmente verdade, eu e Vladimir éramos parecidos em alguns pontos. A cor do cabelo, o nariz levemente arrebitado, as sobrancelhas ligeiramente angulosas... era quase improvável dizer que ele não era meu irmão.

— Claro, sou 2 anos mais velho que você. — replicou — Mas tenho que avisar, isso vai doer.

— Pode segurar minha mão, se quiser. — Clary sugeriu, estendendo um dos braços. Segurei, cedendo.

Deixamos de conversa, o menino levou uma das mãos ao meu pescoço. Depois de um breve intervalo de tempo, senti minha pele queimar. Apertei a mão da namorada dele com a dor.

— Ai! — exclamou — O garoto é forte, tenho que admitir.

 

Ignorei seu comentário. Emiti uns rugidos, mas foi para dentro — se não tivesse cuidado, mamãe ou Zoey descobririam que eu estou aprontando uma.

— Feito. — Vlad falou, apontando para um espelho.

Lá estava ela. A runa negra do pássaro da minha verdadeira família, ele abria as asas com vigor e quase voava para fora da pele. Agradeci e disse que iria dar umas voltas pela cidade.

— Antes de tudo, Desmond. Cuidado. — Clary adverteu — Você está nadando em águas sombrias. Aquela garota pode ser um perigo para vocês.

— Não se preocupe. Sou um bom nadador. — sorri — A gente se vê.

Vladimir uniu dois de seus dedos numa continência e ambos se foram. Desci as escadas, com medo de encarar minha mãe.

— Desmond? O que houve? — e meu pesadelo se concretizou. Lá estava mamãe ao lado de Zoey, ambas preocupadas. Inventei uma desculpa esfarrapada.

— Sabe o que é, mãe? Fui fazer uma tatuagem hoje mais cedo. Fiquei com medo de te mostrar e a senhora me pôr de castigo. — mostrei a tatuagem recém formada no lado esquerdo do pescoço.

— Espera, você não tava usando isso quando eu te vi no quarto, Des. — Zoey observou com as sobrancelhas curvas.

— Você deve não ter me visto com ela, maninha. — dei um leve estalo em sua testa.

Minha mãe e minha irmã se entreolharam, com estranheza.

Por mais estúpida que soasse a ideia, desejei falar a verdade. Bom, claro, sem todos os detalhes. Suspirei.

— Tudo bem, olha só... Mãe, Zoey. Eu encontrei alguém da minha família biológica. — as duas ficaram em choque — Meu irmão mais velho... Kadan Thomas. — Criei o nome, rindo por dentro ao imaginar qual seria a reação de "Kadan", quando souber disso.

— Isso é sério? — minha irmã questionou, ainda assustada.

— Sim, ele me falou do meu pai. Disse que estava à minha procura.

— Fico feliz por você, Desmond, mas não quero que fale com ele. Pode estar mentindo, sabe como o mundo está, hoje em dia. — essa foi a vez de mamãe falar.

— Mas, mãe...

— Se eu não o conhecer pessoalmente, diga adeus a Kadan, Desmond.

Murmurei, chutando o chão. Assenti, mesmo não querendo e falei da minha saída para a cidade.

— Tudo bem, querido, mas tome cuidado. Já são 6 e meia da noite. Volte daqui a 1 hora. — agradeci. Sorri para as duas e dei um beijo na testa de cada uma.

— Vocês são incríveis! — gritei, antes de ir embora.

Fechei a porta da casa, ajeitando uma jaqueta preta que eu peguei no meu guarda-roupa e parti pela noite fria.

Subindo a ladeira de uma rua estranha, ouvi um barulho intrigante. Era de um animal, mas não de qualquer um.

Era o uivo de um lobo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...