História The lost son of Dracula - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drácula, Lenda, Lobisomem, Lobo, Vampiro, Young Dracula
Exibições 18
Palavras 1.425
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Controle


Já se passaram exatas 27 horas desde meu encontro com a Amber. Meu dia foi tremendamente cansativo e confuso. Perguntas rodeavam na minha cabeça, batendo feito martelos pesados contra meu cérebro.

A imagem de Cyrus aparecia na minha cabeça, dessa vez, ela era nítida e parecia igual ao meu reflexo.

Você é meu prisioneiro, Desmond

Liberte-me, subordinado

Sua voz rouca estourava na minha mente, mesmo chacoalhando os pensamentos para longe, ela me acompanhava como um ímã era atraído pelo metal. Achei que estivesse ficando louco.

 — Cale a boca! — Vociferei, açoitando a mesa da cozinha com a palma da minha mão. Senti meus pulmões serem empurrados contra o peito. Procurei me controlar, meus pais estavam na minha frente.

 — Desmond! — Papai reprovou, sua voz mais branda do que a minha foi suficiente para assustar Zoey. Ele estava de mal humor, foi um terrível dia para me irritar — Se gritar de novo, vai se arrepender pelo resto de sua vida, moleque.

 — Carl, não precisa se aborrecer. Ele é só um adolescente. — Mamãe tentou intervir, posicionando na frente dele.

 — Ele é meu filho, Suzan! Faço o que quiser com ele. — Rebateu, Zoey ainda se encolhia debaixo da toalha da mesa.

 — Sabe que isso não é verdade, Carl! — Repliquei, levantando-me. Quem imaginava que "Cyrus" me traria tanta má sorte — Você não é meu pai e nunca vai ser!

Paft!

O estalo do tapa ecoou pela casa, as paredes ocas auxiliaram para tal processo. Meu pai me agrediu pela primeira vez na vida; foi tão forte que além de sentir minha bochecha esquerda pulsar fortemente, fui arremeçado para o chão. Olhares de pânico haviam sido desenhados nos rostos da minha mãe e da minha irmã, suas bocas se abriam num "o" imenso.

Um cheiro reconhecível rondou pela casa, era o mesmo que eu senti quando causei o acidente no ginásio.

Sangue.

Olhei para as mãos do meu pai, a que ele usara para bater em mim foi atinginda por um caco de vidro — talvez da xícara que segurava.

Tentei tapar o nariz, sem permitir que Cyrus sentisse o odor e tomasse conta da minha cabeça de novo. Meu estômago revirava, ele estava chegando.

 — Des... venha aqui, por favor. — Zoey suplicou, carinhosamente — Papai só teve um dia ruim no novo emprego. Não o culpe.

 — E-eu preciso sair... — Balbuciei, foi tão baixo que sequer chamaria de sussurro — Desculpe.

 — Volte aqui, moleque! — Meu pai gritou, sua atitude chegou a me surpreender. Não estava sereno como de costume — Não terminei nossa conversa.

Carl puxou meu braço e eu o agarrei pelo colarinho da camisa. Empurrei meu pai contra a parede da casa, provocando um baque terrível. O choque foi grande ao ponto de fazê-lo cair. Minha família me olhava com repulsa.

 — Por favor, Desmond. Pare! — Quase nunca ouvia minha nem tão jovem irmãzinha pronunciar meu nome completo, essa foi uma das raras vezes. Libertei meu pai dos meus braços e olhei minhas trêmulas mãos, sem acreditar no que acabei de fazer.

 — P-p-pai... eu não quis... — Pedi para que me perdoasse. Estendi minha mão para ajudá-lo a se levantar, mas ele sequer tocou em mim.

 — Quer saber uma coisa, Desmond? — Disse, sem nenhuma complacência — Acho que está certo.

 — Pai...

 — Droga, garoto, não me chame de pai! — Rugiu — Você não é meu filho. Não mais.

Uma facada doeria menos. Meu coração falhou pela terceira vez, desde que mudamos para cá. Suzan e Zoey tentaram acalmar meu pai, mas não adiantaria. Corri para fora de casa, sentindo-me sozinho e acabado. A chuva forte veio para me assustar, trovões rumorejavam pelo céu negro. Busquei pelo meu segundo refúgio, a pessoa que me compreendia, que passava por uma situação semelhante à minha.

Alguns fios de cabelo colavam em minha testa, procurei ajeitá-los, forjando um tom maior de formalidade. Limpei minha roupa, como se estivesse usando um terno caro e enfeitado e toquei a campainha. Um homem corpulento e de bigode grisalho atendeu-me, ele me olhava de baixo para cima com um certo tom de raiva.

— Senhor Walker, será que poderia falar com sua filha? — Me humilhei — É de extrema importância, por favor, acredite.

O homem estava prestes a fechar a porta bem no meu nariz, quando uma flácida voz se ergueu no fundo do corredor.

 — Pai, deixe-me falar com ele. — Amber pediu, seu pai ainda me encarava com desgosto — Desmond não viria até aqui nesse horário por qualquer motivo. Dê um voto de confiança, ele não vai me machucar.

Senti uma pontada de culpa quando disse a última parte. Não sei se poderia cumprir com o combinado.

O sr. Walker assentiu, mesmo que com relutância. Subi as escadas para o quarto da garota que, agora, poderia me ajudar. Me sentei em sua cama, olhando para baixo. Amber notou que eu não estava bem.

 — Qual é o problema? — Indagou, depois de bocejar.

 — Antes de tudo, me desculpe por ter te acordado, não estava nos meus planos te visitar.

 — Então você não queria me ver?  — Brincou. Apesar de amar ver seu sorriso, não entrei em seu jogo. Minha face era tão carrancuda que tive medo de ser contagioso — A propósito, Des, vamos me deixar de lado. Você deve ser mais importante. Q-quer dizer... sua situação. — Seu rosto se encheu de um tom vermelho. Ela retirou uma mecha que impedia seu campo de visão e a enfiou no canto atrás da orelha.

 — Tive uma briga feia com os meus pais. A maior parte foi por causa de Cyrus. — Respondi, retraindo-me — E antes que você pergunte: sim, eu aceitei os fatos. Acredito no que o livro diz.

 — Que bom... como foi?

 — Eu fiquei a centímetros de morder meu pai, Amber. Foi tão horrível! — Lutei para não deixar as lágrimas saírem, uma delas quase escapou — Foi como se Cyrus tivesse tomado conta de mim. Eu pude sentir.

Ela me olhou com uma cara de confusa.

 — Ele falou comigo. Desde ontem à noite, a voz dele tem me atormentado.

 — E o que ele diz? — Ela encostou a cabeça em um travesseiro.

 — Não gostaria de saber. Às vezes insultos, outras vezes, asneiras. — Tentei sorrir, não teria outra opção. Chorar não era uma delas — Nem sei se consigo olhar pro rosto do meu pai de novo. Seria um vexame!

 — Bom, não vou me incomodar se dormir aqui. — Engasguei novamente, nunca dormi na casa de alguém antes, muito menos na de uma garota que conheci há uns 2 dias — Podemos ir para o colégio juntos, amanhã.

 — E seu pai?

 — Nah... ele não seria um problema, confie em mim. — Seu sorriso foi reconfortante, agradeci por o ter visto num momento tão ruim. Sorri de volta.

Preparei um lugar para mim no chão, seria estranho dormir ao lado de alguém que mal conheço, mesmo se tratando da garota que fazia meu coração palpitar. Amber se acomodou em seu pijama cor vinho, até fiquei impressionado por gostar da mesma cor que eu.

 — Des? Tem certeza que está bem aí? — Perguntou, enquanto ajeitava a colcha de sua cama. Não vou mentir, minhas costas doiam por estarem em contato com um lugar duro feito pedra, mas não queria ser rude.

 — Na medida do possível, sim. — Ri, fazendo uma careta — Não se preocupe comigo, estou... confortável — Menti.

A menina desligou a luz do abajour, o quarto logo foi engolido pelo breu. A única luz existente era a dos raios que cortavam o céu constantemente. Por que Thor estaria com raiva de mim?

Cerrei os olhos, incomodado em enfrentar o escuro. Senti algo macio apalpar minhas costas, mordi a língua para não gritar.

 — Anda, afasta. — Amber falou, indo para o chão; o ar se encheu de dúvidas — Se vai dormir aí embaixo, vou tornar as coisas mais justas. — Deu uma piscadela.

 A garota pegou seu edredom e partiu para o meu lado. Fiquei sentado — notei que, se iria dormir, deitado não era a melhor forma — e, quando menos percebi, ambos estávamos envolvidos na colcha macia, a poucos centímetros um do outro.

 — Está tudo bem, agora? — Perguntou, seus olhos brilhavam, mesmo no escuro.

 — Melhor não estaria. — Abri um sorriso idiota e agradeci novamente por ela não ter visto. Amber deitou sua cabeça no meu ombro, encontrando-se na mesma posição que a minha. Beijei sua testa, delicadamente — Tenha uma ótima noite.

 — Acredite, eu vou ter. 



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