História The Love Of Monsters - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Personagens Personagens Originais
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Palavras 4.143
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Steampunk, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Eu finalmente tomei vergonha na cara pra terminar esse primeiro capítulo e vir postar ele.
Bem, essa fanfic é original, com umas idéias que arranjei do fundo da minha mente após começar a ler uma fic de uma conhecida minha do facebook, já que eu já tinha uma idéia assim já faz muito tempo, essa fic da moça só me recordou desta idéia que decidi trazer á tona. Mesmo que eu não leia mais a fic dela, tenho que tomar vergonha na cara e voltar a ler porque realmente gosto da história dela.
Eu acabei misturando uma idéia original minha com um universo meio estilo steampunk e tive uma inspiração no filme “ O Castelo Animado ”, que também se passa em meio a uma guerra.
Vai se passar um mundo alternativo com uma base do mundo real, como os monstros nas quais existem na história ou armas estilo steampunk (não sou uma perita nesse estilo então estou aberta á conselhos de quem souber mais).
A fic não terá capa porque...bem...não sei qual usar e muito menos sei criar uma :-:
Queria saber desenhar para poder fazer uma capa para essa fic.

Capítulo 1 - The Meeting


 

 

 

Desde aquele dia, o mundo humano nunca mais foi o mesmo. Não desde a “Guerra Apocalíptica”, contra um inimigo invencível que a raça humana nunca poderia imaginar que existia: Monstros.

Mesmo com toda a tecnologia que os humanos possuíam, poucas armas foram úteis contra aquelas criaturas monstruosas e lendárias; e no final, a raça humana fora reduzida para míseros 30% do que já foi um dia. E os que sobraram, foram vítimas de xenofobia, preconceito e perseguições. Porém, um pequeno grupo de monstros decidiu que seria melhor viver em paz com o resto da humanidade que havia sobrevivido á guerra, visto que muitos de seus iguais também haviam perecido.

Portanto, foi criado um país apenas para humanos, e sendo assim, os monstros dominaram a terra. Mas nem por isso ás barreiras do amor foram vencidas, e surgiu uma nova espécie: Os híbridos, monstros humanóides, que eram ainda mais odiados que os humanos pelos monstros e mais odiados do que monstros pelos humanos; mas mesmo assim eles foram incluídos na sociedade. E depois de meio milênio, as três espécies estavam á viver em harmonia. Ou pelo menos, pareceu.

Uma nova guerra iniciou-se no mundo e já persiste a quase 80 anos, as três espécies lutando entre si, já que agora, todas tinham em média a mesma quantidade de população. E quase todos os países e estados foram atingidos pela guerra, porém, houveram poucos que se safaram, o que foi o caso do país Epimoní, do grego “perseverança”, pois fora o primeiro país á aceitar uma convivência legal e harmoniosa entre as três espécies e persistir contra os preconceitos que cada raça possui uma sobre a outra.

Para a sorte dos habitantes de Epimoní, a guerra e suas conseqüências diretas dificilmente alcançariam o pequeno país; por um certo motivo: Epimoní se localiza em uma ilha rochosa mais afastada dos outros países e continentes, possuindo um muro rochoso natural, além de possuírem uma grande frota naval e um poderoso exército, sendo comparada ao antigo país “Inglaterra” pelos humanos. E graças á isso, seus habitantes puderam viver em paz nestes últimos 80 anos de guerra, mesmo que as conseqüências das batalhas ainda os atingissem, indiretamente.

E o país estava bem pois sua tecnologia era uma das mais avançadas, ou pelo menos, não era antiquada para se defenderem caso fosse necessário. Epimoní era auto-suficiente em todos os quesitos, sua alimentação vinha através de seus submarinos e de pesca própria, junto á alianças com países neutros assim como si; possuía laboratórios que não faltavam com remédios, grandes redes públicas para a população, etc. Mas nem por isto seus habitantes sofriam pelos outros, mesmo que o presidente sempre tentasse fazer acordos com os países em guerra, mas nunca funcionava. A única coisa que os habitantes poderiam fazer era desejar o fim daquela guerra.

 

 

 

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Era mais um dia relativamente comum e frio nos bairros mais simples da pequena cidade de Blanc, no estado de Gora, o estado mais ao norte do país e também o mais montanhoso, conhecido por estar três estações inteiras cobertas de neve, mesmo que em uma dessas estações fosse apenas uma geada. As crianças estavam brincando com a fina camada de gelo existente pelas ruas devido á primavera ter começado á poucos dias - a estação onde a geada começava a desaparecer e as flores e plantas começavam á nascer. Algumas pessoas colocavam o papo em dia nas esquinas perto de suas casas, outras iam trabalhar, alguns iam para a escola e outros apenas se juntavam em grupos para saírem. E entre essas pessoas que andavam pelas ruas estava um jovem híbrido quimera chamado Chiron Karpusi. Apesar de sua aparência juvenil, como a de um adolescente humano e medindo pouco mais de 1,70 de altura, o mesmo já tinha 154 anos completos, faltando menos de 3 meses para seu aniversário. Ele era um híbrido mais humanóide, tanto que parecia mais humano do que monstro aparentemente, mas o que o denunciava sua raça quimera eram: Um par de grandes chifres de bode de uma coloração branca meio acinzentada, curvados para trás e para baixo, quase dando uma espiral em si mesmo, porém parando logo no meio á uns 10 centímetros de suas orelhas humanóides e redondas, meio felpudas nas pontas, muito similares as de um leão; um par de asas de dragão em suas costas da medida exata para seu tipo físico, nas cores iguais á de seus chifres, sendo que a cartilagem que ligava cada ponta de sua asa era de uma cor vermelho claro; seus olhos, dentes e garras das mãos eram muito semelhantes a de um leão, tanto que o contorno de seus olhos dourados eram bem delineados e negros e suas sobrancelhas eram pequenas e redondas; e claro, seu rabo de cobra verde, o que talvez mais chamava a atenção dos que não o conheciam era a cobra em sua cauda, pois a mesma era viva e possuía uma cabeça própria, como se fosse um outro ser habitando seu corpo. Outra parte de seu corpo que se assemelhava á um leão era seu cabelo, louro da cor das savanas e rebelde, como uma juba, cheio e fofo, batendo em sua nuca, mas de um enorme topete. Sua pele era morena, não sendo branca nem negra, como se o mesmo tivesse uma tez um tanto quanto amarelada, podendo-se dizer que era bronzeada.

Chiron estava andando calmamente pelas ruas de seu bairro de nome Sininem, pois era ali onde a cor azul era mais predominante das flores e da pintura das casas do bairro. Ele estava a observar algumas crianças brincando em criar bolhas de sabão e sorria com tal atitude infantil e fofa, anotando tudo o que via em sua caminhada em um pequeno bloco de papel. Chiron era um escritor, não possuía muitos livros publicados, mas os que foram eram muito bem recebidos pelo público e pela crítica e adorados por todos, mesmo não sendo muito famosos, mas quem já havia lido dizia que fora um dos melhores livros que conheceu, e isso deixava o jovem quimera feliz, pois a literatura era sua paixão.

Desde pequeno, Chiron gostava muito de ler e de escrever suas próprias histórias para sua família, já que era um garoto meio fechado e tinha dificuldade em fazer amigos, por isto tinha apenas dois ou três, mas gostava quando escrevia uma história de si e de seus amigos e mostrava para eles, pois notava que seus amigos gostavam de suas histórias e isso o fazia feliz. E a escrita também fora uma forma de superar essa guerra que ele viu acontecer e durar até o presente momento; todas as perdas sofridas, todas as dificuldades passadas, das promessas feitas e nunca cumpridas, das notícias trágicas constantemente anunciadas, das lágrimas e sangue derramados, de todas as conseqüências que uma guerra pode trazer. Mesmo que ele ainda carregasse um certo pesar em seu coração, a válvula de escape que ele encontrou para superar as dores da guerra estava sendo o suficiente até então.

Mas graças a sua vida em Epimoní, ele não precisava se preocupar muito com seu bem-estar ou a de sua família, já que o país era bem protegido, e sua qualidade de vida era muito boa, da medida certa para cada habitante, do mais simples até o mais luxuoso. E Chiron era uma dessas pessoas de vida mais simples, que vivia nos bairros mais comuns, mas nada nunca lhe faltou, e talvez seja por isto que as pessoas gostavam de sua escrita – Ela era simples, leve e muito bem estruturada, fácil de ler e de entender o que o conto e os personagens queriam passar. E por causa disto, ele continuou escrevendo livros e publicando-os, pois também sabia que seus livros ajudavam outras pessoas á superar a dor que sentiam em seus peitos.

Mas havia um pequeno porém nisto tudo; já fazia um tempo considerável de três anos e meio que ele não publicava um livro sequer. Antigamente, isso não seria problema, pois suas obras não eram conhecidas, mas desde que passaram a ser, ele sofria uma leve pressão de seu editor para que publicasse pelo menos um livro pequeno por ano. Mas Chiron não sabia sobre o que escrever em sua nova obra, por isso ele fazia caminhadas pela cidade anotando coisas do cotidiano das pessoas e até mesmo conseguia fazer algumas breves viagens para outros lugares de Epimoní, tudo em busca de inspiração e conhecimento para suas obras. E mesmo assim a inspiração não lhe vinha a mente, parecia que ele não tinha mais criatividade para escrever livros diferentes dos demais, mas que também não saíssem do tipo de conto que escrevia. O que ele deveria tentar? Trocar alguma idéia com outro escritor? Difícil, ele não era amigo de nenhum, apenas conhecido. Conversar com algum amigo próximo? Complicado, pois também não tinha amigos íntimos, talvez apenas alguns colegas e conhecidos do bairro. Conversar com parentes? Talvez, mas os conceitos de Chiron eram levemente diferentes de seus familiares, então deixaria eles como última opção.

Um suspiro de cansaço escapou por seus lábios enquanto ele atravessava uma pequena ponte acima de um dos pequenos rios do bairro que estava á descongelar; olhou em volta a procura de um banco para se sentar e o fez quando encontrou, descansando um pouco. Se ele não tivesse pelo menos cinqüenta páginas até o prazo de dez dias, ele teria sérios problemas com sua editora e poderia até perder seu emprego como escritor. O que fazer neste momento? O jovem quimera olhava para o céu, vendo algumas criaturas e máquinas voadoras passando acima de seu cabeça, como se a solução para seus problemas surgisse do céu.

 

 

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Saindo de Keltainen – um bairro onde a cor amarela era predominante nas flores e nas casas - e entrando em Sininem, caminhava um jovem híbrido um tanto peculiar, pois o mesmo era um homem filho de um híbrido de um humano com um oni vermelho e de um humano com um oni azul, tendo em sua pele pálida manchas arroxeadas , pois o mesmo possuía vitiligo, condição herdada de sua mãe, uma meio-oni vermelha. Por onde o rapaz andava, afastava algumas pessoas de si devido a sua aparência intimidadora, com quatro enormes caninos em sua boca que sempre eram visíveis quando o mesmo abria os lábios, dois superiores e dois inferiores, assim como os três chifres lisos de boi que saíam do topo de sua cabeça – duas nas laterais e uma maior bem no centro - e eram parcialmente escondidas pelo seu cabelo negro e liso. Ele parecia intimidador por causa de seus olhos cinzentos intensos e sua aparência robusta e musculosa, como também era deveras alto, com mais de 2,00 metros de altura. Suas orelhas pontudas eram escondidas por seus cabelos, que estavam presos em um frouxo rabo de cavalo, sendo que suas pontas encostavam em seus ombros. Apesar de sua aparência assustadora, o rapaz de nome Hoshiguma Atsushi era mais manso do que um peixe dourado, muito simpático até. Mas devido á sua aparência, ele dificilmente conseguia fazer amigos ou arranjar um par, o que para ele não tinha aquela necessidade imposta pela sociedade, nunca teve grandes interesses em ter uma vida sexual ativa, mas se sentia meio sozinho, pois sempre quis saber como era compartilhar sentimentos amorosos com outras pessoas.

Mesmo que Atsushi possuísse feições mais adultas, ele tinha apenas 70 anos, o que é uma idade juvenil para um oni, mesmo que o mesmo fosse metade da metade de um. E o rapaz já trabalhava, mesmo sendo relativamente “jovem”, como policial da cidade de Blanc; tal profissão era perfeita para alguém com o seu tipo físico, mas nas horas vagas, o oni era músico e tocava flauta para pessoas em hospitais e orfanatos, algo que não parecia combinar com alguém como ele, mas Atsushi nunca fora de dar ouvidos para as opiniões alheias; ele era ele, e estava de bem consigo mesmo, e era isso que importava no momento. Mas aí que vem a dúvida, o que um policial estava fazendo andando por bairros simples com vestes comuns e não fazendo seu trabalho, como ir atrás de bandidos e prendendo criminosos ou apenas prevenir que não houvesse confusão na cidade? Simples, era seu dia de folga, um obrigatório por assim dizer, pois o mesmo nunca tirava férias e seu chefe lhe ordenou que passasse pelo menos alguns meses longe do trabalho, o que para ele era algo difícil, pois ele amava seu trabalho.

Mas enfim, lá estava ele andando por seu bairro e então indo para Sininem comprar algo para sua mãe, já que não tinha mais nada para fazer além de ficar em casa lendo livros ou olhando para seus peixes. O que para o oni era algo ruim, pois seu trabalho era uma distração para os traumas que o mesmo sofrera, que foi ter lutado nesta guerra. Sim, Atsushi esteve no exército dos híbridos na guerra, mas acabou voltando devido á um infeliz acidente que resultou em um terrível estresse pós-traumático, na qual ele nem mesmo poderia ver uma arma, escutar um barulho diferente ou passar por algo incomum que lembranças do campo de batalha lhe vinham á tona e ele enlouquecia. O mesmo se vestia com peças de roupas compridas e não gostava de se ver nu em um espelho para não ter de encarar as cicatrizes provenientes da guerra; este era um fardo que teria de levar para o resto de sua vida com dificuldade. Por isso se tornou policial, para continuar á trazer paz, mesmo que ainda fosse difícil encarar certas armas sem ter uma crise, mas seu emprego também ajudava-o como uma forma de tratamento. Ele, mais do que muitas pessoas, sabia o quão dolorosa era essa guerra, e com certeza ele nunca mais iria para o campo novamente, por esse motivo ele voltou para Epimoní e passou a morar com sua mãe e seus dois irmãos menores a 15 anos, e mesmo assim, as cicatrizes em seu psicológico não foram curadas e nem esquecidas, o que também o tornava alguém meio fechado e sozinho.

Quando entrou em Sininem, Atsushi percebeu que estava causando um leve desconforto em algumas pessoas, mas isso não impediu que uma jovem menina múmia viesse aos prantos para cima dele, agarrando em sua perna e chorando por ajuda. Ele se abaixou e colocou a mão na cabeça da pequena monstrinha, perguntando o porquê de suas lágrimas. E a resposta fora comum para uma criança: Seu gatinho estava preso em uma árvore. Mesmo parecendo confuso um gato estar preso em uma árvore, pois o felino poderia pular e cair em pé, a menina múmia estava desesperada afirmando que seu gato era filhote e estava com medo de descer de uma altura tão grande. E como era um cavalheiro, o oni não recusou o pedido da moçinha, colocando-a em seus ombros e pedindo para que a mesma indicasse o caminho até seu bichinho.

 

 

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Naquele momento, o lápis na mão de Chiron se movia tão rapidamente quanto uma máquina. Algo diferente lhe chamara a atenção quando ouviu cochichos sobre um híbrido demônio estar junto á uma menina múmia ali por perto, e como curiosidade era uma palavra quase que destacada em seu vocabulário, o quimera não perdeu tempo em ver com seus olhos tal cena. E era algo realmente diferente, mas uma bela ação.

Assim que a múmia o levou até a árvore, ele a colocou no chão e olhou para o pequeno gato sem pêlos agarrado ao galho da árvore, realmente estava com medo de descer. Ele apenas sorriu levemente e se pôs na ponta dos pés, erguendo os braços e alcançando o bichano, o puxando sem muito esforço para longe do galho, devolvendo para a menina que abraçou seu gatinho feliz e aliviada pelo mesmo estar bem. Agradeceu ao homem e saiu andando de volta para outra múmia que estava ali perto, provavelmente seu pai que estava á procurá-la.

Tal cena fez a curiosidade de Chiron despertar e ficou levemente intrigado que alguém como aquele oni poderia ser tão bondoso e gentil ao ponto de resgatar o gato de uma menina monstro. Algo dentro de si acordou e ele sentiu que aquela poderia ser a oportunidade que queria para seu novo livro, gostaria de escrever uma história sobre aquele homem, ele seria “sua musa”, como alguns escritores diriam. Com uma empolgação nos olhos, o jovem quimera andou a passos lentos para perto do maior e ficou levemente intimidado, ele deveria admitir. Aquele homem era enorme, não importa como visse, mas ele não se deixaria amedrontar por tal coisa.

- Com licença, desculpa incomodar e por perguntar tal coisa, mas por que fez isto? – Talvez não fosse a melhor pergunta, nem o melhor momento para fazê-la, mas ele era meio abusado quando estava animado. – Oh, você se refere ao gato daquela menina? – Atsushi o respondeu com outra pergunta, e Chiron afirmou com a cabeça. – Eu o fiz pois ela me pediu. Devo admitir que foi estranho, ela chegou correndo e chorando e se agarrou na minha perna, mas eu não poderia ignorá-la, então resgatei o pequeno felino Foi só isso. – O oni respondeu contente e orgulhoso com sua própria ação. E não pode deixar de notar que o quimera estava escrevendo suas falas no bloquinho de papel em sua mão, o que o deixou meio incomodado, pois não sabia para o que seria aquelas anotações.

Percebendo que sua atitude deixara o mais alto incomodado, Chiron apenas sorriu e guardou o bloco em seu bolso, estendendo a mão em seguida. – Eu sou Chiron Karpusi, prazer em conhecê-lo. – O oni olhou para a mão que lhe era oferecida e a segurou, cumprimentando o quimera, sendo sua mão bem maior que a do outro. – Sou Hoshiguma Atsushi, prazer em conhecê-lo. – Após o aperto de mãos, Atsushi o cumprimentou como em sua cultura, com uma breve reverência, o que fez que Chiron desse um tapa em si mesmo por dentro por esquecer os costumes nipônicos, evidentes em suas vestes. – Bem, eu poderia saber o motivo de ter anotado minhas falas naquele pedaço de papel? – O oni fora direto, e Chiron já espera por isso, então o convidou para se sentar nos bancos ali perto.

Atsushi aceitou o convite e foram se sentar em um dos bancos de madeira; o quimera parecia ansioso demais para quem apenas convidou alguém para se sentar em um banco para conversar. E de certa forma, isso deixou Atsushi um pouco mais confortável, quase ninguém, fora seus colegas de trabalho vinham falar com ele por livre e espontânea vontade, então ver que um desconhecido queria conversar consigo era uma coisa boa, quem sabe eles não se tornam amigos?

Sentaram-se e Chiron começou á lhe bombardear com perguntas simples, como onde ele morava, sua idade, seu trabalho, que espécie era, do que gostava, essas coisas; mas Atsushi também não ficou apenas nas respostas, ele também, perguntava coisas para Chiron, as mesmas perguntas. Um jeito divertido de se conhecerem melhor. Quando Chiron disse que era escritor e citou algumas de suas obras, o oni segurou em suas mãos com uma cara surpresa, mas feliz. Ele era fã dos livros do quimera, pois os mesmos sempre o ajudaram com seus problemas e o ajudou a superar um pouco o trauma de coisas que o lembravam a guerra. O mais baixo ficou emocionado ao conhecer um admirador de seu trabalho, ainda mais quando suas obras o ajudaram com problemas tão grandes quanto o oni possuía.

- Eu me sinto lisonjeado com suas palavras de admiração por mim, não mereço tanto, apenas faço algo que amo, e saber que várias pessoas conseguiram superar algum tipo de dor por causa de meus livros é um grande orgulho. – O mais baixo sorriu, sentindo que iria chorar, romântico do jeito que era, tal coisa poderia mesmo acontecer. – Eu poderia fazer-lhe uma pergunta Chiron-san? – O oni se pronunciou depois de alguns segundos em silêncio entre ambos, o quimera apenas afirmou, estranhando o jeito como seu nome fora pronunciado pelo mesmo. – Porque faz mais de três anos que o senhor não publica um livro? Nós, seus fãs, estamos ansiosos por uma nova obra sua, e o senhor também teve um sumiço tão repentino que ficamos preocupados, eu mesmo lhe enviei uma carta uma vez. – Chiron ficou envergonhado com as palavras do rapaz. Primeiro, ser chamado de senhor era estranho, poderia ter mais de cem anos, mas ainda era jovem se comparado a idade que as quimeras vivem; segundo, quando sua inspiração para um novo livro não apareceu, Chiron realmente sumiu, nem mesmo se explicou em alguma coluna de jornal, e quanto ás cartas, ele mesmo não as lia mais, o que agora percebeu ter sido uma bela mancada, deveria ser mais receptivo com os agrados que seus fãs tentam fazer.

- Eu sinto muito por isto. Mas é que eu já não tinha mais idéias para uma nova obra, pelo menos que não fossem diferentes do meu habitual. Quebrei a cabeça por muitos meses, mas desisti no final, com enormes olheiras, mãos trêmulas e com calos e uma enorme pilha de papel amassado com narrativas ruins. Eu percebi que não era um poço de idéias como achava quando comecei, e por isso entrei em desespero quando percebi que não conseguia mais escrever. As palavras já não fluíam mais como antigamente e depois de um tempo tentando, eu desisti completamente, até mesmo não queria mais entrar em meu escritório e ter de pegar um lápis e um papel novamente. – Desabafou aquelas coisas amarguradas em seu peito, e deveria admitir que suspirou em alívio depois. Não esperava que o oni lhe entendesse, mas estava contente em ter soltado aquilo para um estranho – mesmo que seu fã – do que para seu editor. – Bem...não posso dizer que lhe entendo pois não sei como se sente, mas é bom saber que o senhor também possui seus próprios problemas e que agora está correndo atrás de uma nova trama, isso é muito bom. Talvez eu esteja me equivocando, mas quando leio suas obras, noto que o senhor parece ser uma pessoa que vai atrás do que quer, e isso é algo que admiro muito no senhor, gostaria de ser um pouco mais assim também. – Atushi admitiu com um pouco de vergonha. Ele não era alguém muito sociável e falava pouco com seus colegas, falar com desconhecidos então era apenas o necessário, mas ele se sentia confortável em conversar com o quimera, se sentia ligado a ele de alguma forma, talvez devido a entender um pouco dele em seus contos, não saberia dizer, mas se estava falando tão sinceramente de seus sentimentos para o mesmo, deveria estar muito a vontade com ele, ou não estaria falando tanto assim.

Chiron ficou tocado com as palavras do oni e puxou a conversa para um rumo mais aleatório, diferente por assim dizer, e ficaram nisso de assuntos quaisquer até o sol começar á se pôr, quando ambos perceberam que o tempo havia se passado rápido demais e que ainda tinham muito o que conversar. Se levantaram e cada um olhou para o lado onde sua casa ficava; Chiron percebendo que Atsushi morava em Keltainen e o oni notando que o quimera morava em Sininem mesmo, o que facilitava e muito ás próximas vezes que quiserem se encontrar, como no dia seguinte um pouco depois do meio-dia.

- Bem, foi ótimo poder em fim conhecer-te, Chiron-san, e ficarei feliz em poder te encontrar amanhã para podermos conversar mais. – O grande homem fez uma breve reverência e o quimera sorriu para ele, pois também compartilhava dessa felicidade. – Nos encontraremos aqui mesmo ao meio-dia amanhã, certo? Mal posso esperar. – O rapaz mais baixo estava muito contente e estava doido para voltar para casa e começar á escrever sua nova história. Os dois então se despediram e deram as costas um para o outro, andando de volta para suas residências. Bem, Atsushi andava, já Chiron praticamente voava – ou melhor, corria e planava algumas vezes para ir mais rápido – para sua casa, com um grande sorriso no rosto. Ele havia finalmente achado sua inspiração e não poderia esperar mais um minuto sequer para começar a trabalhar. As idéias fluindo em sua mente o deixavam á mil por hora e com certeza ele iria escrever bem mais de cinquenta páginas até o fim do prazo de sua editora. Já o oni estava imensamente feliz por ter conhecido um dos escritores que mais admirava e por poder se encontrar com ele no dia seguinte. Em seu interior, ele sentia que uma provável amizade sincera surgiria entre eles, e isso o deixava com um estado de espírito leve e feliz.

Nenhum dos dois sabia exatamente quem e como o outro era, mas aceitaram o desafio de conhecer o outro homem e abrirem seus corações para ele, pois sentiram que algo de muito bom saiu daquele encontro que aconteceu pelo acaso.

 

 

 


Notas Finais


Já peço perdão por qualquer erro. Espero que tenham gostado ^-^
Até o próximo capítulo, talvez? :3


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