História The Luxury Escort - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Allybrooke, Camilacabello, Camren, Dinahjane, Laurenjauregui, Normanikordei, Norminah, Trolly, Troyogletree
Exibições 83
Palavras 3.594
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


HELLO HELLO HELLO

Capítulo 3 - Capítulo 3


A piscina era aquecida e revigorante. Usei o tempo livre para me bronzear e fazer um pouco de exercício nadando em voltas. Camila, ou Mila, como ela gostava de ser chamada, não apareceu. Imaginei-a atrás de uma das muitas portas fechadas pelas quais passei no caminho até o pátio. Enquanto eu me secava ao sol, uma mulher baixa e bem cheinha, usando calça cáqui e suéter e segurando uma bandeja, entrou no pátio. Imediatamente procurei uma toalha, mas não achei. Olhei ao redor. Ela abriu um grande sorriso e caminhou até um cesto no canto, junto à porta, levantou a tampa e pegou uma enorme toalha de praia multicolorida.

— Aqui está, meu bem. - Disse com sotaque britânico, entregando-me a toalha. Seus cabelos grisalhos e os olhos castanhos me fizeram lembrar da Mary Poppins, só que mais velha.

— Oi, eu sou a Lauren. - Envolvi a toalha ao redor do corpo, escondendo o minúsculo biquíni vermelho que tinha encontrado no guarda-roupa. Havia muitos outros, mas todos eram pequenos demais, então escolhi um ao acaso.

Mary Poppins sorriu e estendeu a pequena mão.

— Sra. Croft. Eu mantenho a casa em ordem, preparo as refeições da sra. Cabello, arrumo tudo e muito mais. - Apertei a mão dela e assenti, então torci o cabelo para tirar o excesso de água e o prendi em um rabo de cavalo. — Eu queria lhe trazer algo para comer, me apresentar e dizer que, se você precisar de alguma coisa, pode me chamar apertando o botão "Ajuda" nos interfones disponíveis em cada cômodo. - Ela apontou para o painel de botões na parede externa. — Vou entregar a sua programação diária e as atividades da sra. Cabello para que você possa estar preparada. Que tal se eu colocar debaixo da sua porta pela manhã?

Dei de ombros. Como ela, eu era uma empregada. Só que meu trabalho era ficar bonita e espantar as riquinhas. Cada um com a sua cruz.

— Como você achar melhor. Sou uma pessoa fácil. - A sra. Croft me olhou de cima a baixo e, em seguida, inclinou a cabeça. Um sorriso enfeitava seus lábios finos.

— Tenho a sensação de que você é tudo menos fácil, meu bem. - Ela piscou. — Vai ser interessante. - Disse vagamente, antes de se virar e voltar para dentro da casa. Sabe-se lá o que aquilo significava.

Olhando para a paisagem incrível mais uma vez, pensei que seria um dinheiro fácil. Uma mulher gostosa, por quem eu não iria me apaixonar, uma casa com uma vista de matar e roupa que não acabava mais. Até agora, parecia moleza. Através das portas abertas do pátio, vi o relógio pendurado sobre o fogão na cozinha e notei que tinha uma hora e meia antes que a surfista rica e gostosa precisasse de sua nova "companheira", em meu primeiro dia de trabalho.

Decidi, como em tudo, que iria impressioná-la, mesmo que não fosse com a meia de Natal vermelha e verde. A sra. Cabello deu uma batida rápida em minha porta e, em seguida, entrou sem esperar por um convite. Lembrete: não me vestir fora do banheiro, ou eu corro o risco de oferecer um show a Senhora da Mansão. Porém algo me dizia que ela não se importaria nem um pouco, se o jeito como seus olhos passearam sobre minhas curvas, de cima a baixo — não apenas uma, mas duas vezes —, significava alguma coisa. A vista do lado de cá do quarto também não era nada ruim. Ela estava de-li-ci-o-sa em vestido vestido sangue, deixando a pele dos seios à mostra. Eu estava usando um vestido roxo-berinjela, com aplicação de contas na gola frente única, que descia em duas faixas de tecido sobre os seios, deixando a junção entre eles exposta num decote profundo, e então se cruzava nas costelas, com mais contas, exibindo recortes atraentes nas curvas da minha cintura. Eu nunca tinha usado algo tão sexy, elegante e caro. Me senti como Elizabeth Taylor em um daqueles comerciais de perfume. A saia do vestido caía em A, terminando nos joelhos. A peça não permitia o uso de sutiã — já que tinha as costas abertas —, mas, mesmo não estando no time das peitudas, os dois ficaram bem seguros lá dentro. Eu parecia e, o melhor, me sentia bonita pela primeira vez em muito tempo.

— Uau. - Foi tudo o que Camila disse enquanto me olhava com uma expressão de admiração no rosto generosamente anguloso. Sorri, amando cada segundo de sua reação de surpresa. Eu podia ser uma motoqueira ferrada, mas sabia me produzir.

— Você está gostosa. - Não havia por que não ser sincera. Ela estava mesmo gostosa.

Sua boca se curvou num sorriso apetitoso demais para resistir e eu mordi o lábio, sentindo a calcinha ficar úmida. Merda. Se ela não parasse, eu ia pular em cima dela. Como Dinah tão grosseiramente me lembrou, fazia meses que eu não sentia o toque de uma mulher. Honestamente, fazia tipo um ano. Fiquei farta das pessoas depois de Brad e passei o ano inteiro dizendo a mim mesma que podia viver como uma freira, já que tinha um vibrador e muitos cookies em casa. Mas, diante dessa mulher, eu não tinha certeza de que o celibato seria uma decisão inteligente. Por ora, eu estava pronta para derrubar a surfista gostosona.

— Minha mãe não vai gostar disso. - Ela sussurrou antes de segurar meu pulso e me puxar para si. Vacilei nos saltos absurdamente altos que sua personal shopper comprara e trombei nela, peito contra peito. Minhas mãos pousaram na sua cintura.

Nossos olhares se encontraram.

— Você sempre faz o que a mamãe manda? - Desafiei-a. Ela riu e seus olhos adquiriram um tom intenso de castanho. Descobri que podia olhar para ela por dias a fio e me sentir como se tivesse ganhado um prêmio.

— Não, mas é um evento dela. Gosto de ser um boa menina quando convém. - Ela se aproximou e inspirou na base do meu pescoço. — Nossa, você tem o perfume da luz do sol e de uma brisa fresca no verão. - Disse, passando os lábios ao longo do meu queixo. Arrepios de excitação percorreram meu corpo, desde a raiz dos cabelos cacheados até a sola dos pés. — Você está mais que linda.

Ela beijou o canto da minha boca novamente. Sem contato labial completo. Quase reclamei, mas concluí que era parte do jogo, e ela era boa nisso. Obviamente, ela gostava de seduzir. E naquele momento eu estava entregue.

— É melhor nós irmos. - Avisei. Camila sorriu e puxou minha mão, virando-se e me levando para fora do quarto. Mal tive tempo de pegar a bolsa com meu celular, batom e identidade.

A limusine que nos esperava na frente da casa. Minha boca se abriu com o tamanho da limusine. Era comprida, maior que qualquer carro que eu já tinha visto. Eu nunca havia andado em uma daquelas, e, quando nos aproximamos, Camila inclinou a cabeça para o lado e olhou para mim com um sorriso engraçado.

— Já andou de limusine? - Perguntou, claramente se divertindo. Ajeitei os ombros e caminhei até o carro, como se já tivesse andado em um daqueles um milhão de vezes.

— Claro. - Abri a porta. Ela colocou a mão na boca, segurando o cotovelo com a outra, e riu. Eu me encolhi, sem entender a piada.

— Então por que está tentando entrar na frente? - Ela fez um gesto para a porta que eu estava mantendo aberta. Olhei para dentro e vi o volante. Quando me endireitei, havia um cavalheiro, com uniforme preto de chofer, segurando a porta traseira.

— Eu sabia. Só ia perguntar ao motorista para onde estávamos indo. - Passei pela porta, as bochechas queimando de vergonha.

— Claro que ia. - Ela colocou a mão na base das minhas costas e me conduziu para dentro com uma risada. Quando já estávamos acomodadas, me ofereceu uma taça de champanhe, prontamente aceita.

— Obrigada. - Ela sorriu e se serviu de uma taça também. Brindamos.

— A que estamos brindando? - Perguntei.

— Que tal à nossa amizade? - Sorriu e, em seguida, colocou a mão quente sobre a minha coxa, por cima do tecido, com muito mais intimidade do que uma "amiga" faria. A sensação era gostosa. — À nossa boa amizade. 

 Seus olhos desceram para minha boca quando mordi o lábio. 

— Amizade colorida? - Perguntei, arqueando uma sobrancelha para causar mais efeito e cruzando as pernas. Sua mão subiu mais alguns centímetros, até tocar a pele nua da minha coxa. Seu olhar estava focado no meu, me fazendo sentir quente, positivamente quente.

— Eu espero que sim. - Ela sussurrou e se aproximou mais. Para frustrar seus planos e manter minha própria sanidade, imediatamente levantei a taça de champanhe e a coloquei nos lábios, tomando um grande gole da bebida borbulhante. Camila se inclinou para trás e gemeu, me fuzilou com o olhar, mas terminou balançando a cabeça e sorrindo. Sim, eu ia apreciar bastante esse jogo de gato e rato. Se bem que, no momento, eu não tinha certeza de quem era o gato e quem era o rato. No fim das contas, eu estava me divertindo muito para me importar.

Chegamos a uma mansão elegante nas colinas de Malibu, perto de onde Camila vivia. Enquanto caminhávamos até a escada, pude ver as pessoas através das janelas. Todos estavam vestidos com sofisticação e seguravam taças. A maioria das mulheres parecia ser mais ou menos da minha idade, o que achei estranho, já que os homens não eram.

— O que você faz mesmo? - Sussurrei enquanto ela me levava até o bar. Percebi, quando entramos, que eu não tinha quase nenhuma informação sobre o que estava fazendo ali, além de manter as vagabundas de Hollywood a distância.

— Eu escrevo roteiros. - Ela respondeu casualmente, enquanto esperávamos que o barman se aproximasse. Parecia estranho haver um bar completo na casa de alguém, mas a sala era enorme, do tamanho de um salão de baile, então talvez não fosse tão esquisito. Lustres salpicavam o teto e uma parede de vidro dava vista para o mar, assim como na casa de Camila, mas em uma escala muito maior.

A pessoa que morava ali era ultrarrica. Mais do que Camila, que era apenas muito rica. Ela me entregou uma taça de champanhe.

— De peças de teatro? - Perguntei, enquanto observava o local. Instantaneamente, vi um bando de garotas em um canto, bem-vestidas e prontas para atacar. Elas focalizavam Camila e pareciam ter cifrões luxuriosos nos olhos.

— De filmes.

— Hum. Será que eu conheço algum? - Virei-me para ela, que sorriu.

— Provavelmente. - Ela riu e tomou um gole de um líquido âmbar. Eu podia sentir cheiro de uísque a quilômetros de distância, e isso não me trazia boas recordações. Eu me encolhi e me voltei para as predadoras. Camila colocou a mão sobre meu ombro nu, os olhos apertados e incertos. — Qual é o problema?

Respirei fundo e escondi a frustração relacionada ao que tinha me metido nessa confusão — meu pai e seu hábito de beber e jogar. Balancei a cabeça.

— Nada. - Ela se inclinou, segurou meu queixo e olhou em meus olhos.

— Eu sei que tem alguma coisa. Não vou perguntar de novo. - Alertou. Despreocupadamente, dei de ombros.

— Odeio cheiro de uísque. Mas não é nada de mais. - Curvando-me, soltei-me de seu aperto. Ela colocou a bebida sobre o balcão e fez um gesto para o barman.

— Mudei de ideia. Gim-tônica. - Pediu e o homem assentiu.

— Você não precisava fazer isso. - Comecei, mas ela me cortou, levantando a mão até minha bochecha. Segurou-a e tocou, com ternura, meu lábio inferior com o polegar. Eu quis muito passar a língua em seu dedo para roubar uma pequena prova. Mas me segurei, com medo do que ela pudesse pensar ou fazer.

— Eu quis. Agora, vamos apresentar você à minha mãe. - Com um esforço gigantesco, eu a segui, mas tudo que queria era sair por aquelas portas duplas em direção à praia até chegar ao mar, onde eu prontamente me afogaria. O que é que eu estava fazendo em uma festa extravagante, nos braços de uma mulher que escrevia roteiros para o cinema e tinha mais dinheiro do que eu veria em minha vida inteira? Eu era a filha de um jogador de Vegas, abandonada pela mãe desde muito nova, que trabalhou a maior parte do tempo como garçonete e só recentemente resolvera tentar ser atriz.

Camila me guiou através da multidão. Fragmentos de conversas sobre férias exóticas, o filme de ação mais recente, quem era quem em Hollywood e que grande corporação estava fazendo o quê inundaram minha mente à medida que passávamos pelos pequenos grupos. Os homens olhavam para mim com admiração; suas mulheres, nem tanto. Lábios inchados e anorexia eram, obviamente, as últimas tendências, as quais eu não seguia, e, em meu vestido, nada era deixado para a imaginação. Seguimos até o fundo do salão, onde havia cadeiras com encosto alto e estantes de livros. Uma mulher, talvez na casa dos quarenta anos, estava ao lado de um homem que se parecia muito com Camila. Ele era alto e tinha o cabelo quase branco, mas aquele distinto cavalheiro, que usava um terno cinza-escuro, complementando o vestido rosa-pálido de sua mulher.

— Mãe, pai. - Camila abordou o casal. A mulher tinha o cabelo loiro-claro, os olhos castanhos. Seus lábios eram cheios como as da filha e estavam pintados com um batom cor de malva que combinava com seu tom de pele. O cabelo estava preso em um coque francês severo, e pérolas pendiam do pescoço e das orelhas. Seu visual era clássico e elegante.

O Cabello mais velho bateu nas costas de Camila.

— Filha. - Disse, com um tom orgulhoso. Sua mãe prontamente beijou suas bochechas no ar. Aquilo geralmente parecia algo muito pretensioso, mas em seguida ela segurou seu rosto com as duas mãos e sorriu calorosamente para ela.

— Vejo que você aceitou a minha escolha. - Ouvi seu sussurro ao se virar para mim. O nervosismo que senti antes de me encontrar com Camila voltou com força total. A mãe dela me escolhera? Quer dizer, eu sabia que ela e tia Millie se conheciam, mas é meio estranho que a mãe escolha uma acompanhante para a filha. Meio que me deu calafrios.

Camila se virou em minha direção e levou a mão às minhas costas. O contato de sua pele contra a minha enviou um choque pelo meu corpo. Eu havia esquecido que toda a parte de trás do vestido era aberta, fora as alças de contas de cinco centímetros que se cruzavam nas omoplatas. O resto era completamente aberto, até a cintura. Sua mão queimava como brasa no ponto onde seus dedos traçavam pequenos círculos. Tremi e me aproximei dela, mesmo sem ser convidada.

— Mãe, pai, esta é Lauren Jauregui, minha amiga. - Ela sorriu e eu estendi a mão. — Lauren, este é Alejandro Cabello. E esta é minha mãe, Sinuhe.

— Encantada em conhecê-los, sr. e sra. Cabello. - Apertei a mão de ambos.

A mãe de Camila apoiou um braço no outro e colocou a mão na bochecha. Ela estava corando graciosamente, e deu um sorriso tão largo que parecia estar rindo de uma piada interna. Então se inclinou para o marido.

— Ela não é de tirar o fôlego? - Piscou para mim e balançou a cabeça.

— Hum... Obrigada. - Respondi, e o pai riu.

— É um prazer conhecê-la, srta. Jauregui.

— Ah, pode me chamar de Lauren. - Ele fez um aceno de cabeça. Aparentemente a conversa tinha acabado, pois ele se virou e segurou o braço de Camila.

— Agora, filha, me conte sobre esse projeto que você tem em andamento. Ouvi dizer que querem lhe oferecer três por cento do orçamento. Isso vai render apenas três milhões, quando eles estão conseguindo centenas de milhões com o seu último projeto, a série Honor. Você precisa aumentar a aposta. - Sua voz retumbou com um timbre pesado.

A série Honor. Camila Cabello escreveu a série Honor! Puta merda! Seus filmes fazem o maior sucesso — com bilheterias gigantescas — desde que o primeiro, A honra de Jeremiah, foi lançado, há três anos. Sai um por ano. A maneira inventiva de misturar um soldado em busca da mulher da sua vida com quantidades massivas de sangue, violência, explosões, patriotismo e cenas de amor bem sensuais tornou seus filmes grandiosos, com recordes de bilheteria.

— Eles vão me dar dez por cento do orçamento total e a oportunidade de dirigir. - A voz estrondosa de Camila me afastou de meus pensamentos. Justo quando eu estava começando a pensar com mais clareza, depois de perceber que tinha sido contratada para passar um mês com a realeza do cinema, duas mulheres vieram por trás dela.

Os dois urubus ficaram esperando, pacientemente, que ela as notasse. Uma delas estava enrolando entre os dedos uma mecha de cabelo loiro oxigenado e usava um horroroso tomara que caia dourado, com os peitos plastificados destacados ao máximo. Examinei seu visual e fiz uma careta. Era tão magra que todas as costelas estavam visíveis. A morena ao seu lado não era muito melhor. Peitos siliconados — na verdade, um parecia maior que o outro, e eu podia ver quase tudo através do tecido fino e colado de seu vestido. Seus mamilos estavam duros, e eu quis avisá-la de que ela precisava esfregar as pontas para aquecê-los antes que passasse vergonha, mas algo me disse que ela os queria exatamente daquela forma.

Hora do show. Eu precisava fazer jus aos cem mil dólares que receberia. Pensar no valor que ia pagar a Brad mensalmente me fazia querer vomitar. Assim que meu pai estivesse melhor, ouviria poucas e boas por ter se colocado numa situação daquelas novamente.

— Ei, querida, acho que tem algumas pessoas ali. - Apontei aleatoriamente para o outro lado do salão e sinalizei com os olhos para que ela olhasse para trás. Camila notou meu nada discreto movimento e olhou por cima dos ombros. Periguete um e periguete dois prontamente balançaram os peitos falsos em saudação, franzindo então os lábios grossos, repletos de colágeno.

Ela passou um braço ao redor da minha cintura.

— Sempre me mantendo na linha. Obrigada. - Acariciou minha bochecha e eu sorri.

— É um trabalho duro, mas alguém tem que fazer! - Praticamente dei pulinhos de alegria, meu tom de voz muito falso e forçado. Camila se inclinou e me deu um beijo quente no pescoço, depois me cheirou.

— Humm. Obrigada. - Sussurrou em meu ouvido. Ela estava tão perto que pude sentir o calor de seus lábios sobre minha pele antes que se afastasse. — Lauren e eu encontraremos vocês no baile de caridade na semana que vem. - Ela disse.

Sua mãe se aproximou de forma surpreendente, ficando a pouco mais de um palmo de distância.

— Não, não, não. Nada disso. Quero passar mais tempo com a Lauren para conhecê-la melhor, querida. - Ela abriu um daqueles sorrisos de mãe, que te fazem sentir como se não houvesse nada mais precioso no mundo do que você. Claro, eu jamais tive isso, mas, se tivesse, tenho certeza de que seria como Sinuhe Cabello fez.

Camila enrijeceu ao meu lado.

— Mãe... - Alertou. Ela passou as mãos pelos ombros da filha e arrumou os cabelos dela. Ri baixinho enquanto ela a atormentava.

— Ah, querida, relaxe. Eu sei que a Lauren é apenas uma amiga. Portanto, não há mal algum em trazê-la para o brunch de domingo, não é? - Ela perguntou, usando um tom que eu sabia estar cheio de chantagem emocional. Camila suspirou e balançou a cabeça.

— Estaremos lá. Na hora de sempre? - Perguntou.

— Essa é a minha garota. - Ela beijou o ar em ambas as faces, virando-se, em seguida, para mim e fazendo o mesmo. Caminhamos em direção ao bar mais uma vez.

— Preciso de uma bebida. - Ela disse, liderando o caminho. Não pude evitar e comecei a rir. — O que é tão engraçado?

— Você sempre faz o que a sua mãe diz! - Eu ri. Assim que chegamos ao bar, me aproximei mais. — Filhinha da mamãe. - Soltei em seu ouvido.

— Ah, cale a boca! Estou questionando seriamente minha sanidade por concordar com isso. Eu poderia ter escolhido uma Barbie sem cérebro, sabia? - Uma sobrancelha se ergueu bruscamente e seus lábios formaram uma carranca falsa, mas seus olhos a entregaram. Estavam repletos de humor e tinham a cor castanho cintilante. Aproximei-me para implicar com ela novamente, mas cambaleei nos saltos altíssimos. Ela me segurou contra seu corpo. Descansei as mãos em seus ombros quando ela colocou o braço ao redor da minha cintura.

Seus olhos mudaram de castanho-claro para um tom escuro e brilhante em um instante. Ela lambeu os lábios rosados, e não pude evitar também lamber os meus. O calor de suas mãos nas minhas costas nuas infiltrou-se em minha pele. Era como se todo o salão tivesse se esvaziado enquanto eu estava em seus braços. Eu podia sentir seu coração batendo contra meu peito.

**Tum-tum**, **tum-tum**, **tum-tum**.

— Você é encrenca. - Ela apertou os lábios e se inclinou para mais perto. Estávamos a menos de quinze centímetros de distância, no meio de um coquetel de negócios, bem em frente ao bar, onde todos podiam nos ver.

— E você é uma filhinha da mamãe. - Desviando-me da situação, me afastei de seu abraço tão rapidamente quanto meus sapatos novos permitiam e me sentei em um banquinho.

— Então é assim que você vai jogar, é? - Ela sorriu, levou a mão até o queixo e acariciou os lábios com o polegar. Gemi. — Que comece o jogo, srta. Jauregui.



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