História The Neighborhood Of Offenders - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Miyavi, The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Miyavi, Reita, Ruki, Uruha
Tags Akira, Aoi, Aoiha, Drama, Gazette, Kai, Kou, Kouyou, Lemon, Matsumoto, Meev, Mivykai, Miyabi, Miyavi, Neighborhood, Offenders, Reita, Reituki, Ruki, Shiroyama, Suzuki, Taka, Takanori, Takashima, The, Uruha, Yaoi, Yutaka, Yuu
Exibições 21
Palavras 4.463
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Lírica, Luta, Mistério, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shounen, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi, oi! Postando mais cedo, porque terei de ir ao hospital hoje *--* Gente, estou feliz. Desde setembro, estou stalkeando um enfermeiro do hospital pelo face, porque ele é muito bonito. Semana passada, ele veio conversar comigo e hoje irei vê-lo novamente! Não, não é paixão, até porque eu shippo ele com uma outra enfermeira (eles são lindos s2): é admiração mesmo. Nhah, verdade: perdoem-me se virei ghost no Instagram, mas voltarei para lá! Aliás, minha conta pessoal do Insta eu estou dividindo com uma amiga, ou seja, se aparecer algo estranho por lá, provavelmente foi ela (eu não mexo naquela conta para curtir foto faz uns dias, só estou respondendo quem me manda mensagens). De qualquer forma, eu estou feliz hoje, mas chateada por não ter feito a revisão nesse capítulo. Aff's, espero que não esteja zuado...

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 6 - Lucy


Fanfic / Fanfiction The Neighborhood Of Offenders - Capítulo 6 - Lucy

“Você já viveu no pântano do desespero?

Pesadelos assombram-me, uma bússola perdida...

Com os lábios malignos, você vai dizer isso facilmente?

Um por um eles morrem... Param de respirar pelas palavras infernais”.

*

Yuu dormiu tão-somente uma hora e depois acendeu um cigarro. Sentado na cama, fumando, cravava friamente Kouyou extenuado repousando a seu lado. Estava longínquo em juízos e aguardava o regresso de Miyavi e Kai, que sempre faziam tumulto quando adentravam, ainda que fossem exclusivamente ruídos para não despertarem ninguém. Quando o relógio assinalou sete da manhã, ouviu-os abrir a porta do apartamento e caminharem para o aposento em que repartiam, segredando versos.

Sabia que os meninos estavam esfalfados e não aprazou muito para que o mais incondicional silêncio regesse o apartamento novamente. Possivelmente os garotos haviam desmaiado no leito de tanta lassidão e, portanto, Yuu aproveitou-se deste fato para mitigar seu tabaco no cinzeiro e se erguer, trocando de veste com cuidado. Prudente, abriu a porta do cômodo e se retirou para não despertar Kouyou ou outro alguém, apanhando as chaves do apartamento e partindo.

Perdoe-me, Kou.

Volto logo.

Marchando a passos largos nas avenidas gris do bairro, Yuu aquecia suas mãos nas algibeiras da jaqueta, enquanto sopesava o estado miserando dos residentes de rua – os quais ateavam fogo nas latas de lixo para arriscarem se aquecer do frio da manhã. Era um mundo deprimente e que lhe acarretava amargura, além do sentimento de cobiçar fazer justiça. Entretanto, atinava irônico como alguém fora da lei desejava honestidade e, mais ainda, sabia que era tão egocêntrico quanto os mais abastados da sociedade, afinal, Yuu estava pondo suas primazias em primeiro lugar.

Obviamente ansiava salvar aquelas pessoas, famílias, e fazer as crianças sorrirem e não mais perecerem de fome. No entanto, há pouco tempo arranjara um objetivo egoísta para se dedicar e, portanto, furtava o dinheiro da própria “família” e do local onde trabalhava. Sentia-se péssimo por isso, sobretudo quando sabia que Kouyou confiava em si absolutamente, mesmo que não devesse, uma vez que não sabia de tudo o que ele era capaz de perpetrar por um desígnio próprio. Portanto, ali jazia Yuu, introduzindo-se na Zona Vermelha outra vez.

A diferença, todavia, é que não estava ali para se encontrar com os progenitores que execrava e que um dia fugiu: jazia ali para trabalhar como bem era o infortúnio de todos os que ali habitavam – prostituição, uma das melhores e mais céleres formas de se carpir dinheiro das mulheres solitárias e impetrar a quantia necessária, sem carecer de sair defraudando das pessoas com quem coexistia e suscitando suspeitas. Sua sorte era que os meninos confiavam cegamente em si, sobretudo Kouyou, por isso, não desconfiaram de suas atitudes suspeitas.

Cobiçado por duas mulheres concomitantemente, Yuu encetou o primeiro serviço daquele dia. Tendo em vista seu propósito sublime e amoroso, cometeria de tudo para abiscoitar seu escopo individualista, egocêntrico. Roubar, matar, prostituir-se, sequestrar, não importava: faria sem pestanejar. A singular coisa que o trucidava por dentro era estar atraiçoando a confiança de todos e, mais precisamente, traindo Kouyou, aquele que tanto amava.

Kou, se você descobrir o que faço por ti...

Irá me odiar, não é?

*

“Ei, Lucy... Por que está se arredando de mim?

Porque você não me merece.

Não merece ninguém.

Foi por causa de nossa derradeira briga, não foi? Por favor, não vá! Não me abandone aqui sozinho para carregar esta culpa dolente. Preciso te proferir tantas coisas e te narrar outras mais. Preciso me desculpar pelas minhas estupidezes para contigo, então por que foges de mim?

Já articulei.

Você não me merece.

Dê-me mais uma chance de me aclarar e me redimir. Sabe, nós sempre guerreamos por coisas bobas, então por que está tão chateada com esta tola altercação? Fora somente mais uma dentre as várias, Lucy. Se me der tempo, deprecarei perdão. Só mais dois minutos—

Você não merece nem mesmo um segundo de atenção.

Sabe, eu te amo de verdade...

Mas você é frio.

Insensível.

Não, eu não sou. Eu só careço de auxílio. Preciso notar que minha vida não é tão ruim e eu consigo isto ao seu lado, Lucy, tanto é que já arquitetei milhões de coisas que nós podemos perpetrar. Fizemos muitas coisas por adolescermos juntos, todavia, há tantas outras mais para improvisarmos. Você é linda, Lucy. É a minha maior paixão e aventura. Não posso te perder.

Você é fofo, Akira.

Mas de nada me persuade.

Como posso convencê-la, então? Diga-me e eu cometerei de tudo por você! Você é minha psicose, minha canção de amor rebelde. Você é a pessoa que amo e que jamais trocarei, por isso, exponha-me: o que preciso fazer para vivermos nossas vidas contíguas para sempre.

Não existe ‘para sempre’.

E, mesmo que eu exponha, agora é tarde demais, Akira.

Você teve sua oportunidade de perpetrar tudo por mim, mas não fez.

Falhou miseravelmente em expor seus sentimentos.

Eu sei, eu sei... Funesto orgulho! Amaldiçoada seja esta vida! Que se dane tudo, só não me abandone, Lucy! Careço ainda te proferir tantas coisas, então por quê...? Por que você está indo embora assim? Por que esse maldito veículo teve de arrastar seu corpo e levar sua alma embora? Sei das coisas que pronunciei antes, então escute o que estou tentando te expor agora!

Eu gostaria, Akira...

Mas não posso.

Estou morta.

Não, não está...

Estou.

Aceite

Não posso. Não desejo. Se você morrer, eu morro junto, Lucy!

Não morre não.

Você não tem coragem.

Mas eu tenho amor por você! Isto não basta?

Não, não basta...

Você sequer sai de casa para me levar o buquê de rosas brancas.

Rosas que amo, da nuança que gosto.

Branco é a gradação do luto! E eu tenho temor de sair de casa, Lucy... A cidade é caótica, violenta. É demais para mim. Estou seguro em meu aposento. É assim que me sinto protegido, sobretudo depois que você... Depois que você...

Vê? No fundo sabe que morri.

Não cobiça viver, todavia, não anseia morrer.

Afinal, o que deseja, Akira?

Você, Lucy... Você de volta.

Não, você só deseja amar outra vez.

Não, eu preciso de você! Necessito de ti, Lucy!

Não, Akira... Não precisa.

Você não precisa e nem merece ninguém.

Por que está sendo assim comigo? É por causa do meu orgulho, não é? Sempre foi, pois nunca te pedi desculpas pelas coisas que te proferi e você faleceu. Sua vida aboliu-se em menos de dois segundos e eu não tive tempo de me desculpar. Você não me ofereceu tempo.

Eu fiquei em coma. Dei-te o tempo.

Contudo, você não foi me ver.

Não pude! Não desejava vê-la num leito de hospital, quase morta! Não dava... Por favor, não me peça isso. Permita-me desculpar-me contigo...

Akira...

Você é tão belo e oco quanto um boneco de porcelana.

Quê...?

Suas emoções não existem. É só um vazio.

Meus vocábulos repercutem em sua casca.

Espero que para sempre seja assim.

Não... Não, Lucy! Não vá!

Adeus, Akira.

Não...! Não...! Não...!

Lucy!”

*

- Akira! – gritou Takanori, despertando o refém do pesadelo. O lourinho fitava o de faixinha no nariz oscilar e suar frio com o sonho que contivera. Estava sentado na cama de Akira e aguardava o garoto tentar se estabilizar. – Pesadelo?

- É... – sorriu petulante, ocultando seu rosto com uma das mãos. – Nada que eu já não tenha sonhado antes.

- Ei, quem é “Lucy”? – a indagação de Takanori fez Akira arregalar seus olhos. – Estava delirando o nome dela e gritando por ela.

- Não anseio falar sobre isso, Taka, desculpe-me. – sentou-se na cama, ainda arriscando se abrandar totalmente do sonho que tivera. Takanori suspirou e, após ponderar por alguns segundos, decidiu.

- Se eu contar um pouco sobre mim... Você me conta um pouco de você?

- Para quê deseja saber de minha vida? Sou só o refém, não sou? – estranhou Akira, espantando o olhar. – Indiscrição não é nada bela.

- Eu sei, mas sou enxerido e sincero, admito. – aliciou os olhos de Akira para si e sorriu simples. – E nós temos os mesmos olhos, o mesmo olhar. Mesmo que nossas histórias sejam bem díspares, creio que nos entenderemos um pouco se articularmos sobre nós um para o outro. Fora que desabafar pode te fazer bem, pois me parece que há tempos vem guardando um segredo que te mata por dentro.

- Definitivamente, você é um completo estranho. – Akira cedeu, sorrindo de canto. – Tudo bem... Se me expuser um pouco sobre você, farei o mesmo em seguida.

- Combinado. – Takanori respirou fundo e encetou. – Expus um pouco do Yuu e do Kouyou para você, então vou te descrever um pouco de mim, antes de ter sido salvo pelo Kou e por que os policiais me perseguiam.

- Pode começar... – Akira atentou-se aos olhos de Takanori que, um pouco hesitante, encetou.

- Minha história não é tão ruim quanto à do Kou, mas sofro por ela. – sorriu infeliz. – Quando eu tinha quatro anos de idade, vivia com meus pais em uma habitação de pau a pique do outro lado do bairro. Nós sempre fomos pobres e muitas vezes não contínhamos nada além de pão e água para manducar. Ainda assim, éramos felizes com o pouco que apresentávamos. – baixou os olhos. – Porém, quando as coisas tem que dar errado, elas darão, sabe?

- O que ocorreu? – Akira indagou aflito com o jeitinho do menor.

- Meus pais foram demitidos dos ofícios na mesma época. Sem mais nenhum salário, nossa situação de pobreza passou a ser de miséria. Pobreza é ausência do supérfluo, enquanto miséria é a carência do fundamental... E eu adoeci. – suspirou melancólico. – Meus pais se desesperaram e cobiçaram me salvar, afinal, eu era o filho que tinham de resguardar e garantir a sobrevivência, portanto, recorreram para conseguir me acudir. A culpa foi minha...

- Taka, por acaso eles...? – encetou a deduzir e Takanori fitou Akira com um sorriso macambúzio nos lábios.

- É. – afirmou. – Minha mãe roubou um pão para mim. Foi só um pão, mas a polícia execra os pobres, então eles apanharam-na na fuga e espancaram-na com tudo o que tinham, até, enfim, matá-la. – riu macambúzio. – Meu pai surtou. Quando ele viu o corpo de minha mãe, regressou para casa pranteando... Ainda me recordo das lágrimas dele e eu podia tê-lo impedido de contrair o revólver e ir atrás dos policiais, mas não fiz, Akira. Meramente contei os passos dele quando se espaçou de mim para vingá-la.

- Você era uma criança e estava doente... Como poderia ter evitado, Taka? Não acha que está se culpando por algo que não é seu?

- Talvez, contudo, não consigo me livrar desse peso e dessa culpa, entende? – esclareceu-se. – Fui atrás do meu pai e o vi, ao longe, assassinar dois policiais e ser morto por mais de vinte tiros. Eu o vi perecer quase que em minha frente e, quando os policiais me avistaram ao além, correram atrás de mim. Não desejavam me consentir vivo, pois eu adolescer constituiria que buscaria vingança contra eles e, então, o ciclo de ódio jamais deteria. – suspirou. – Todavia, fui salvo pelo Kou e todo o carinho dele. Jurei a mim mesmo que jamais buscaria vingança, porque isso não leva a nada.

- Você é incrível, sabia? – Akira sorriu abatido, aliciando os olhos dúbios de Takanori. – Alguém precisa mesmo dar um fim ao ciclo de ódio e esse alguém foi você. Mesmo que tivesse tudo para ter uma vingança, seus olhos me proferem que você jamais ponderou tal ideia.

- E está certo... Você é realmente bom em ler as pessoas. – sorriu deprimido. – Do mesmo jeito que eu tinha uma família, sei que aqueles policiais mortos também continham. Só de refletir nisso, meu estômago dói e a saudade de meus pais vem a mim. Recordo-me de pouca coisa com nitidez da puerícia que não tive, por exemplo: o frio, a fome, o sangue do meu pai e as lágrimas de todos aqueles que amo. Fora que a culpa também foi minha se o Kou fora expulso por tanto tempo da boate...

- Quando contou-me sobre o Kouyou,  cri que fossem mais velhos. – Akira refletiu. – Agora apreendo: todos vocês eram crianças quando se conheceram. – Takanori assentiu, dando a palavra ao refém. – Minha vez, é...? Nunca me dei bem com meus pais e, honestamente, minha história não chega nem perto da sua ou dos outros. Vai semelhar que reclamo e sofro à toa.

- Meev e Kai me proferiram uma vez que nenhum sofrimento é tolo. Quando alguém sofre por algo, sofre de verdade e não é pouca coisa. Pode parecer aos olhos daqueles que não estão sofrendo, apenas isso. – Takanori sorriu. – Então você não se dá bem com seus pais? Creio que Meev, Kai e Yuu te entenderiam, afinal, eles igualmente não se dão bem com os pais, tanto é que fugiram de casa.

- Não sei se isso soa mais animador. – riu de canto. – Bem, meus pais sempre foram ausentes demais. Eles sempre me ofereceram tudo: dinheiro, comida, roupas, brinquedos, jogos... Só nunca me deram amor e atenção, entende? Então não sei como é esse amor que seus pais sentiam por ti e, por isso, atino que te invejo um pouco. Sou a pior pessoa, não?

- Não, não é... – Takanori percebeu Akira emudecer por alguns segundos.

- Sobre meus pais, não tenho muito que articular, porém... – cerrou os olhos. – Inquiriu-me sobre “Lucy”, não é? – Takanori assentiu. – Ela era filha de um casal rico que vivia próximo a mim. Nossos pais se detestavam, entretanto, nós dois adolescemos juntos e nos gostávamos... Ou mais do que isso.

- Vocês se amavam? – indagou e Akira assentiu.

- Ela não era a “princesinha” que uma nobre deveria ser, sabe? Adorava se vestir de forma desleixada, utilizava gírias, gostava de rock e amava andar de skate. Os pais dela ficavam pirados com o modo dela agir e meus pais proferiam que eu não devia ficar com ela, contudo, o que fazer quando você a considera incrível? – riu infeliz. – Nós crescemos juntos e noto que sempre soubemos que nos amávamos. Não apresentávamos o costume de caminhar pela cidade, todavia, fugíamos de casa para ficarmos juntos. Fizemos planos para o futuro e idealizamos uma vida inteira de psicoses e diversão, ocultada de nossos pais, no entanto...

- Eles descobriram...? – Akira negou com a cabeça.

- Jamais descobriram. Até hoje não sabem. – aclarou. – Lucy e eu brigávamos muito, mas era por coisas tolas. Discutíamos, separávamos e íamos para casa. Tomávamos banho, jantávamos e daí ligávamos um para o outro para pedir desculpas. Sempre fora assim, porém, um dia ela proferiu que devíamos contar para nossos pais que estávamos juntos e eu disse que era melhor não. – suspirou. – Brigamos outra vez e cada um seguiu seu rumo, como sempre. Fui para casa a pé e ela, de skate. Tomei banho, jantei e liguei para me desculpar, todavia, ela não me atendeu. Liguei várias e várias vezes, mas nada...

- O que ocorreu? Ela não desejava te atender ou—

- Ela foi atropelada na volta para casa. – Akira discorreu celeremente e Takanori arregalou seus olhos. – O motorista não prestou socorro, mas deu tempo de as pessoas ao redor avocarem uma ambulância. Ela foi para o hospital e ficou em coma, sendo que eu só soube disso na manhã seguinte pelos meus pais. Sempre tive temor da cidade e da violência, então, naquele momento, todo o pânico em mim agravou-se. Não tive coragem de ir visitá-la no hospital e, dias depois, ela faleceu. – Akira ocultou seu rosto nos joelhos. – Não pude me desculpar com ela, Taka. Não proferi a ela que a amava, porque cria que era óbvio e que ela sabia. Eu não disse e ela se foi para sempre...

Takanori não localizava vocábulos para proferir a Akira. Nunca havia amado alguém daquele modo e também nunca havia perdido um amor. Não conseguia entender a amargura do garoto que apresentava tudo para ser feliz, contudo, era claro como o dia que a felicidade era algo incógnito para ele. Sendo assim, baixou a cabeça e manteve-se silente, enquanto o outro semelhava estremecer com as lembranças.

- Lucy... – Takanori encetou, elegendo as melhores palavras. – Era o nome dela ou apelido?

- Apelido... – Akira ergueu sua cabeça novamente, revelando os olhos enrubescidos. – Gostava que a avocassem assim.

- É bem bonito... – o silêncio debelou por mais alguns segundos. – Sua história... Jamais refletiria que alguém que tem tudo sofreria assim.

- O dinheiro compra muita coisa, Taka... Coisas que tentam preencher o vazio das almas das pessoas pelas ruas. Por isso todos persistem consumindo, no entanto, o dinheiro não compra felicidade, amor e não traz ninguém de volta à vida. – sorriu abatido. – E eu nunca ansiei nada extravagante: somente estar com ela e observar as pessoas nas ruas era satisfatório. Analisá-las, detalhe por detalhe, do modo como atuavam era divertido ao lado dela, já que não gostávamos de interatuar com terceiros, exclusivamente observar.

- Por isso você consegue ler as pessoas tão bem, não é? – Akira assentiu. – Então... Foi por isso que se trancou no quarto e tentou se excluir de tudo?

- Foi. – respirou fundo, hesitante nas expressões. – A cidade é violenta, então tenho receio de sair e acabar como Lucy. Além disso, o que mais me mata de tudo é saber que articulei um dia para ela: se você morrer, eu morro junto. Só que aqui estou eu: vivo e ela morta. – fitou os olhos de Takanori. – Sou covarde, não sou? Não cumpri minha promessa com ela.

- Não é covarde. Não mesmo. – o lourinho refletiu. – Você não deseja viver, mas também não ambiciona morrer. Parece comigo mesmo... Ainda que tenha dito isso a ela, não creio que Lucy iria gostar se você cumprisse esta promessa, Akira. Remorsos estão te trucidando, assim como a ausência dela, contudo, não tem que perecer para cumprir isso. Você não é covarde...

- Você é a primeira pessoa para quem discorro dela... – sorriu de canto, ambos fitando-se veementemente nos olhos. – Nunca imaginei que falar dela doeria tanto, mas também seria um alívio.

- Desabafar é bom, mesmo que as pessoas ajuízem denotar fraqueza. – Takanori sorriu pueril. – E, pode parecer estranho, mas me identifico um pouco contigo. Nossas histórias não possuem nada em comum e nossas classes sociais são antagônicas, porém, sinto que nos daríamos bem se nos conhecêssemos de um modo mais natural.

- Nós nos damos bem de uma forma anormal, Taka. – riu Akira. – Somos estranhos e creio que talvez jamais nos falássemos se nos topássemos nas ruas. Acho que a situação às avessas teve um lado bom...

- Como Yuu proferiu-me uma vez: tudo tem um lado bom, basta nós o distinguirmos. – sorriram.

Tristeza fez você no fundo do mar escuro.

Continue a expiação e morra.

No labirinto sem fim...

Por que você ainda respira?

*

Miyavi e Kai, apesar de extremamente esfalfados, despertaram três horas depois que deitaram-se para dormir. A insônia era algo que sempre os impedia de repousarem genuinamente e como desejavam, logo, por mais que cobiçassem, não podiam meramente prosseguir rolando na cama e aguardando o sono regressar, pois isso nunca incidiria. Destarte, ergueram-se e iteraram a mesma rotina pela manhã até, enfim, irem para a sala.

Miyavi sentara-se no sofá, enquanto Kai apoiara sua cabeça no colo dele, deitando no almofadado. Dialogavam sobre um assunto qualquer, concomitantemente em que calculavam o dinheiro roubado no dia antecedente e atrelavam as notas iguais no mesmo monte para facilitar no momento em que fossem comprar o que careciam e dar às famílias necessitadas. Sorriam cansados, tentando não alçar o tom de voz nas brincadeiras que faziam um com o outro para não despertar Kouyou.

Todavia, logo o mesmo apontou na sala, pisando duro e visivelmente arreliado. Miyavi até arriscou proferir um “bom dia” amigável, entretanto, sua voz fora baixando o tom conforme via Kouyou agir com animosidade ao abrir a geladeira e adquirir o leite que ansiava tomar. Os meninos no sofá entreolharam-se, buscando compreender o motivo de Kouyou despertar tão mal-humorado, sendo que jamais fora daquele modo. A expressão irritada do garoto na cozinha não amenizava e os atos coléricos semelhavam unicamente acrescer de veemência.

Minutos depois, Yuu abriu a porta do apartamento, ingressando no local. Assim que avistaram o moreno, Miyavi e Kai entreolharam-se novamente, já deduzindo o motivo de Kouyou estar colérico naquela manhã gris: Yuu o havia deixado só, de novo. Apresentaram a fiúza quando, ao se toparem na sala, os olhares semelharam travar uma guerra injusta: Kouyou era aquele que possuía todas as armas, enquanto Yuu não possuía qualquer defesa. O garoto de cabelos compridos virou o rosto e regressou a seu cômodo e Yuu, já compreendendo ter feito besteira, nada proferiu aos meninos contando dinheiro na sala, indo atrás do garoto que o esnobou com total razão.

- Kou... – avocou Yuu, embarcando no aposento e observando o outro caminhar de um lado para o outro, ignorando-o. – Kou, por favor—

- Por que me deixou sozinho, Yuu? – indagou furioso. – Hein? Por que me deixou sozinho? Não viu o quanto fraquejei ontem? Ou, por acaso, já não se importa mais comigo?

- Sobre isso, Kou, permita-me explicar. – solicitou cauteloso.

- Explicar o quê? Que precisou sair para resolver uns assuntos seus? Uns problemas seus? – mordeu o lábio inferior. – Você já não me conta mais nada e creio que não é porque deseja me resguardar. Esconde-me algo e estou farto disso. Prometeu-me que jamais me abandonaria e que jamais mentiria para mim, mas por que sinto como se fosse exatamente isso o que está fazendo? Estilhaçando as promessas que fez comigo...!

- Kou, meus problemas não são nada graves, entretanto, preciso resolvê-los o quanto antes. – Yuu sentia-se culpado. – Nada te digo, pois não vale à pena se preocupar ou se estressar com isso. Meus problemas não precisam ser fonte de seus estresses, ademais, você dormia tão bem hoje de manhã, que recusei-me a te despertar.

- Boa, Yuu! – Kouyou aplaudiu com desdém, rindo cínico. – E você acha que saindo sem me avisar e nada me expondo sobre seus problemas vai me ajudar? Não percebeu que é isso o que mais me estressa? Seus problemas não são bobos para mim!

- Sei que não, por isso oculto-os, Kou. – elucidou-se. – Por favor, entenda meu lado.

- Não, não dá! – Kouyou passou por Yuu e se retirou do dormitório, indo em direção à sala. O moreno fora atrás, ainda perseverando para que o garoto lhe desse ouvidos. Miyavi e Kai puramente encetaram a acompanhar a discussão, ora fitando um, ora outro. – Você é quem cuida de nós, mas isso não constitui que pode esconder as coisas! Você não pode me deixar sozinho, seu idiota!

- Eu sei! Eu errei! – Yuu suspirou. – Eu errei contigo, então me desculpe! Não irá ocorrer novamente! Só peço que se acalme, Kou!

- Pedir é... – Kouyou apanhou os montes de notas que jaziam em cima da mesa da sala e principiou a arremessar em Yuu. – Fácil, não é? – o moreno defendia-se das notas, enquanto Miyavi e Kai agora rezingavam alto. – Pedir desculpa é fácil, não é? Não vou me acalmar!

- Aí! Aí! – gritou Miyavi, erguendo-se do sofá quando Kai saiu de seu colo. – Pare com isso, Kou! Está desarrumando tudo!

- Pouco me importa! – Kouyou persistiu a arremessar as notas em Yuu, as quais voavam pelo ar e ruíam ao chão. – Seu mentiroso!

- Que droga! Parem os dois! – gritou Kai e tudo emudeceu. Somente as notas voejavam pelo ar, enquanto declinavam ao chão. – São crianças ou o quê?

- Kou, vamos conversar. Dois minutos, é só o que te peço. – Yuu solicitou com toda a calma do mundo e Kouyou, respirando com dificuldade, retornou ao dormitório a passos largos. – Isso seria um “sim”...?

- Vai lá, imbecil. – Kai arremessou mais algumas notas em Yuu. – E depois ficará para você o trabalho de organizar o dinheiro outra vez.

Yuu suspirou, indo atrás de Kouyou – que já aparentava estar em um nível altivo de estresse, uma vez que respirava com dificuldade e as mãos sacudiam. O rosto lívido, os lábios fendidos e os olhos entreabertos delatavam que a enxaqueca retrogradara e que não iria embora tão cedo. Dessa forma, Yuu encostou a porta e observou o outro cruzar os braços com afinco, semelhando até que seus versos não penetrariam na barreira que o mesmo instituíra ali.

- Meus problemas não são bobos para você, não é? Isso prova que me ama. – antes que Kouyou pudesse retrucar, Yuu prosseguiu. – O mesmo sucede comigo. Tudo o que faço é por você, Kou, pelo amor que sinto por você. Eu errei, está bem? Achei que, se te poupasse dos meus problemas, você não se estressaria, mas me enganei. Perdoe-me.

- Por que já não me conta nada, hein...? Sei que não posso me estressar, porém, você é estúpido, Yuu... – Kouyou descruzou os braços e sentou-se na cama, como se baixasse a guarda. O moreno beirou-se do mesmo, sentando-se ao lado. – Conhece-me tão bem, então como pôde achar que eu ficaria melhor se me encobrisse tudo? Não vê como fico mal quando Taka esconde as preocupações dele de mim? Ou o Meev e o Kai?

- É, eu errei feio... Muito feio. – suspirou, pegando na mão de Kouyou e aliciando os olhos suavemente marejados do garoto para si. – Então está correto em ficar bravo comigo. Contudo, saiba que eu só desejo seu bem e, por isso, estou resolvendo o que preciso sozinho. Não posso te expor o que estou fazendo, mas saiba que faço porque te amo.

- Não é nada de errado, não é? – indagou. – Você não está me traindo ou mentindo para mim, está?

- Eu jamais faria isso, Kou. – mentiu Yuu, sentindo a culpa carcomer seu corpo impuro e devasso. – Você é único para mim, então me perdoe pelo que fiz, sobretudo porque ontem você teve uma recaída drástica por conta dos remédios... Perdoe-me, Kou.

- Ainda não me sinto nada à vontade por ficar no escuro, especialmente porque sei que faz de tudo por mim... – Kouyou afugentou o olhar. – Mas acredito em você, Yuu.

Não devia...

Não devia, Kou...

- Obrigado. – sorriu. – Prometo que articularei sempre que sairei e, para que não se preocupe tanto, darei minudências para onde estou indo e quando volto. Assim melhora?

- Era assim que deveria ter sido desde o princípio... – sorriu. – Então, se mentir para mim, jamais te perdoarei.

- Jamais mentirei para você, Kou, e não te deixarei sozinho novamente. – trouxe o rosto de Kouyou para perto do seu, selando um beijo de reconciliação.

Mentiroso... Como sou mentiroso...

Podre.

Kou, por que ainda confia cegamente em mim?

Por que me admite tocá-lo?

Tudo o que faço é por você, contudo...

Se descobrir o que estou fazendo por ti...

Ainda me amará na manhã ulterior?

*

“Debaixo do céu você não pode ficar escondido.

Mesmo que você se esconda, irá se ajoelhar diante da verdade”.


Notas Finais


Escolhi minha melhor roupa para levar soro no hospital, juguem-me '-' Haha primeira vez falando do cara que estou stalkeando sim, porque eu precisava comentar dele -- preferi ficar no silêncio durante esses meses, até porque tive uma decepção amorosa recentemente, embora eu esteja superando T^T. Socorro, é só ele que estou stalkeando desde setembro!! Hahahaha sou louca.

O que acharam do cap? Comentem! \o/ Aliás, eu disse que aqui teria revelações do Akira e do Taka, então o que pensam sobre o pouco que eles expuseram sobre si? E o Yuu deixando o Kou sozinho e fazendo coisas escondidas da família? Muito a se pensar, inclusive na situação interna dos nossos líderes... Segunda-feira, adivinhem? Vai ter capítulo novo sim! E, se tem algo que quero dizer propositalmente agora é: aguardem o capítulo 8...

Kissus! *3*


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