História The Neighborhood Of Offenders - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Miyavi, The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Miyavi, Reita, Ruki, Uruha
Tags Akira, Aoi, Aoiha, Drama, Gazette, Kai, Kou, Kouyou, Lemon, Matsumoto, Meev, Mivykai, Miyabi, Miyavi, Neighborhood, Offenders, Reita, Reituki, Ruki, Shiroyama, Suzuki, Taka, Takanori, Takashima, The, Uruha, Yaoi, Yutaka, Yuu
Visualizações 60
Palavras 4.077
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Lírica, Luta, Mistério, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shounen, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, oi! Postando mais cedo, porque terei de ir ao hospital hoje *--* Gente, estou feliz. Desde setembro, estou stalkeando um enfermeiro do hospital pelo face, porque ele é muito bonito. Semana passada, ele veio conversar comigo e hoje irei vê-lo novamente! Não, não é paixão, até porque eu shippo ele com uma outra enfermeira (eles são lindos s2): é admiração mesmo. Nhah, verdade: perdoem-me se virei ghost no Instagram, mas voltarei para lá! Aliás, minha conta pessoal do Insta eu estou dividindo com uma amiga, ou seja, se aparecer algo estranho por lá, provavelmente foi ela (eu não mexo naquela conta para curtir foto faz uns dias, só estou respondendo quem me manda mensagens). De qualquer forma, eu estou feliz hoje, mas chateada por não ter feito a revisão nesse capítulo. Aff's, espero que não esteja zuado...

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 6 - Lucy


Fanfic / Fanfiction The Neighborhood Of Offenders - Capítulo 6 - Lucy

“Você já viveu no pântano do desespero?

Pesadelos assombram-me, uma bússola perdida...

Com os lábios malignos, você dirá isso facilmente?

Um por um eles morrem... Param de respirar pelas palavras infernais”.

*

Yuu dormiu tão-somente uma hora e depois acendeu um cigarro. Sentado na cama, fumando, cravava friamente Kouyou extenuado repousando a seu lado. Longínquo em juízos, aguardava o regresso de Miyavi e Kai, que sempre tumultuavam quando adentravam, ainda que fossem exclusivamente ruídos para não despertarem ninguém. Quando o relógio assinalou sete da manhã, ouviu-os abrir a porta do apartamento e caminharem ao aposento em que repartiam, segredando versos.

Sabia que estavam esfalfados e não aprazou muito para que o mais incondicional silêncio regesse o apartamento novamente: possivelmente, os garotos desmaiaram tamanha lassidão e, portanto, Yuu aproveitou-se do fato para mitigar seu tabaco no cinzeiro e erguer-se, trocando-se cuidadosamente. Prudente, abriu a porta do cômodo e retirou-se para não despertar Kouyou ou outro alguém, apanhando as chaves do apartamento e partindo.

Perdoe-me, Kou.

Volto logo.

Marchando a passos largos nas avenidas gris do bairro, Yuu aquecia suas mãos nas algibeiras da jaqueta, enquanto sopesava o estado miserando dos residentes de rua – os quais ateavam fogo nas lixeiras para aquecerem-se do frio da manhã. Era um mundo deprimente e que acarretava-lhe amargura, além do sentimento de fazer justiça, entretanto, atinava irônico como alguém fora da lei desejava honestidade e, mais ainda, sabia que era tão egocêntrico quanto os mais abastados da sociedade, afinal, Yuu punha suas primazias em primeiro lugar.

Obviamente ansiava salvar aquelas pessoas, famílias, e fazer as crianças sorrirem e não mais perecerem de fome. No entanto, há pouco tempo arranjara um objetivo egoísta para dedicar-se e, portanto, furtava o dinheiro da própria “família” e do local onde trabalhava. Sentia-se péssimo, sobretudo quando sabia que Kouyou confiava em si absolutamente, conquanto não devesse, visto que não sabia de tudo o que ele era capaz de perpetrar por um desígnio próprio. Portanto, ali jazia Yuu, introduzindo-se na Zona Vermelha outra vez.

A diferença, todavia, é que não estava ali para encontrar-se com os progenitores que execrava e que um dia fugiu: jazia para trabalhar como era o infortúnio de todos os que ali habitavam – prostituição, uma das melhores e mais céleres formas de carpir-se dinheiro das mulheres solitárias e impetrar a quantia necessária, sem carecer de sair defraudando das pessoas com quem coexistia e suscitando suspeitas. Sua sorte era que os meninos confiavam cegamente em si, sobretudo Kouyou, por isso, não desconfiaram de suas atitudes suspeitas.

Cobiçado por duas mulheres concomitantemente, Yuu encetou o primeiro serviço daquele dia. Tendo em vista seu propósito sublime e amoroso, cometeria de tudo para abiscoitar seu escopo individualista, egocêntrico. Roubar, matar, prostituir-se, sequestrar, não importava: faria sem pestanejar. A singular coisa que trucidava-o era atraiçoar a confiança de todos e, mais precisamente, trair Kouyou, aquele que tanto amava.

Kou, se descobrir o que faço por ti...

Irá odiar-me, não é?

*

“Ei, Lucy... Por que está arredando-se de mim?

Você não merece-me.

Não merece ninguém.

Foi por causa de nossa derradeira briga, não foi? Por favor, não vá! Não abandone-me aqui sozinho para carregar esta culpa dolente. Preciso proferir-te tantas coisas e narrar outras mais. Preciso desculpar-me pelas minhas estupidezes contigo, então por que foges de mim?

Já articulei.

Você não merece-me.

Dê-me mais uma chance de aclarar-me e redimir-me. Sabe, sempre guerreamos por coisas bobas, então por que está tão chateada com esta tola altercação? Fora somente mais uma dentre as várias, Lucy. Se oferecer-me tempo, deprecarei perdão. Só mais dois minutos—

Você não merece sequer um segundo de atenção.

Sabe, amo-te verdadeiramente...

Mas você é frio.

Insensível.

Não, eu não sou. Só careço de auxílio. Preciso notar que minha vida não é tão ruim e consigo isto ao seu lado, Lucy, tanto é que já arquitetei milhões de coisas que podemos perpetrar. Fizemos muitas coisas por adolescermos juntos, todavia, há tantas outras mais para improvisarmos. Você é linda, Lucy. É a minha maior paixão e aventura. Não posso perder-te.

Você é fofo, Akira.

Mas de nada persuade-me.

Como posso convencê-la, então? Diga-me e cometerei de tudo por ti! Você é minha psicose, minha canção de amor rebelde. Você é a pessoa que amo e que jamais trocarei, portanto, exponha-me: o que preciso fazer para vivermos nossas vidas contíguas para sempre?

Não existe ‘para sempre’.

E, mesmo que eu exponha, agora é tarde demais, Akira.

Teve sua oportunidade de perpetrar tudo por mim, mas não fez.

Falhou miseravelmente em expor seus sentimentos.

Eu sei, eu sei... Funesto orgulho! Amaldiçoada seja esta vida! Dane-se tudo, só não abandone-me, Lucy! Careço ainda proferir-te tantas coisas, então por quê...? Por que está partindo? Por que esse maldito veículo arrastou seu corpo e levou sua alma embora? Sei das coisas que pronunciei antes, então escute o que estou tentando expor-te agora!

Gostaria, Akira...

Mas não posso.

Estou morta.

Não, não está...

Estou.

Aceite

Não posso. Não desejo. Se você morrer, eu morro junto, Lucy!

Não morre não.

Você não tem coragem.

Mas tenho amor por você! Isto não basta?

Não, não basta...

Você sequer sai de casa para levar-me o buquê de rosas brancas.

Rosas que amo, da nuança que gosto.

Branco é a gradação do luto! Temo sair de casa, Lucy... A cidade é caótica, violenta. É demais para mim. Estou seguro em meu aposento. É assim que sinto-me protegido, sobretudo depois que você... Que você...

Vê? No fundo sabe que morri.

Não cobiça viver, todavia, não anseia morrer.

Afinal, o que deseja, Akira?

Você, Lucy... Você de volta.

Não, você só deseja amar outra vez.

Não, eu preciso de você! Necessito de ti, Lucy!

Não, Akira... Não precisa.

Você não precisa e nem merece ninguém.

Por que está assim comigo? É por causa de meu orgulho, não é? Sempre foi, pois nunca desculpei-me pelas coisas que proferi-te e você faleceu. Sua vida aboliu-se em menos de dois segundos e não tive tempo de desculpar-me. Você não ofereceu-me tempo.

Fiquei em coma. Dei-te o tempo.

Contudo, você não foi visitar-me.

Não pude! Não desejava vê-la num leito de hospital, quase morta! Não dava... Por favor, não peça-me isso. Permita-me desculpar-me contigo...

Akira...

Você é tão belo e oco quanto um boneco de porcelana.

Quê...?

Suas emoções não existem. É só um vazio.

Meus vocábulos repercutem em sua casca.

Espero que eternamente seja assim.

Não...

Não, Lucy! Não vá!

Adeus, Akira.

Não...! Não...! Não...!

Lucy!”

*

- Akira! – gritou Takanori, despertando-o do pesadelo. O lourinho fitava o de faixinha no nariz oscilar e suar frio com o sonho que contivera. Estava sentado na cama de Akira e aguardava-o estabilizar-se. – Pesadelo?

- É... – sorriu petulante, ocultando seu rosto com uma das mãos. – Nada que eu já não tenha sonhado antes.

- Ei, quem é “Lucy”? – a indagação de Takanori fez Akira arregalar os olhos. – Estava delirando e gritando o nome dela.

- Não anseio falar sobre isso, Taka, desculpe-me. – sentou-se na cama, ainda arriscando abrandar-se totalmente do sonho. Takanori suspirou e, após ponderar por alguns segundos, decidiu.

- Se eu contar um pouco sobre mim... Você conta-me um pouco de você?

- Para quê deseja saber de minha vida? Sou só o refém, não sou? – estranhou Akira, espantando o olhar. – Indiscrição não é nada bela.

- Eu sei, mas sou enxerido e sincero, admito. – aliciou os olhos de Akira e sorriu simples. – E nós temos o mesmo olhar. Mesmo que nossas histórias sejam bem díspares, creio que nos entenderemos um pouco se articularmos sobre nós um ao outro. Fora que desabafar pode fazer-te bem, pois parece-me que há tempos guarda um segredo que trucida-te internamente.

- Definitivamente, você é um completo estranho. – Akira cedeu, sorrindo de canto. – Tudo bem... Se me expuser um pouco sobre você, farei o mesmo em seguida.

- Combinado. – Takanori respirou fundo e encetou. – Expus um pouco do Yuu e do Kouyou a você, então te descreverei um pouco sobre mim, antes de ser salvo pelo Kou e por que os policiais perseguiam-me.

- Pode começar... – Akira atentou-se aos olhos de Takanori que, hesitante, encetou.

- Minha história não é tão ruim quanto à do Kou, mas sofro por ela. – sorriu infeliz. – Quando tinha quatro anos de idade, vivia com meus pais em uma habitação de pau a pique do outro lado do bairro. Sempre fomos pobres e muitas vezes não contínhamos nada além de pão e água para manducar. Ainda assim, éramos felizes com o pouco que apresentávamos. – baixou os olhos. – Porém, quando as coisas têm de dar errado, elas darão, sabe?

- O que ocorreu? – Akira indagou aflito com o jeitinho do menor.

- Meus pais foram demitidos dos ofícios simultaneamente. Sem mais nenhum salário, nossa situação de pobreza passou a ser de miséria. Pobreza é ausência do supérfluo, enquanto miséria é a carência do fundamental... E eu adoeci. – suspirou melancólico. – Meus pais desesperaram-se e cobiçaram salvar-me, afinal, eu era o filho que tinham de resguardar e garantir a sobrevivência, portanto, recorreram para acudir-me. A culpa foi minha...

- Taka, por acaso eles...? – deduziu e Takanori fitou Akira com um sorriso macambúzio nos lábios.

- É. – afirmou. – Minha mãe roubou um pão para mim. Foi só um pão, mas a polícia execra os pobres, então apanharam-na na fuga e espancaram-na cruelmente, até, enfim, matá-la. – riu macambúzio. – Meu pai surtou. Quando viu o corpo de dela, regressou para casa pranteando... Ainda recordo-me das lágrimas dele... Podia tê-lo impedido de contrair o revólver e ir atrás dos policiais, mas não fiz, Akira. Meramente contei os passos quando espaçou-se de mim para vingá-la.

- Você era uma criança e estava doente... Como poderia ter evitado, Taka? Não acha que está culpando-se por algo que não é seu?

- Talvez, contudo, não consigo livrar-me desse peso e dessa culpa, entende? – esclareceu-se. – Fui atrás de meu pai e vi-o, ao longe, assassinar dois policiais e ser morto por mais de vinte tiros. Testemunhei-o perecer quase em minha frente e, quando os policiais avistaram-me, correram atrás de mim. Não desejavam consentir-me vivo, pois eu adolescer constituiria que buscaria vingança contra eles e, então, o ciclo de ódio jamais deteria. – suspirou. – Todavia, fui salvo pelo Kou e todo o carinho dele. Jurei a mim mesmo que jamais buscaria vingança, porque isso não leva a nada.

- Você é incrível, sabia? – Akira sorriu abatido, aliciando os olhos dúbios de Takanori. – Alguém precisa dar um fim ao ciclo de ódio e esse alguém foi você. Mesmo que apresente tudo para vingar-se, seus olhos proferem-me que jamais ponderou tal ideia.

- E está certo... Você é realmente bom em ler as pessoas. – sorriu deprimido. – Do mesmo jeito que eu tinha uma família, sei que aqueles policiais mortos também continham. Só de refletir nisso, meu estômago dói e a saudade de meus pais majora. Recordo-me de pouca coisa, nitidamente, da puerícia que não tive, por exemplo: o frio, a fome, o sangue de meu pai e as lágrimas de todos aqueles que amo. Fora que a culpa também foi minha se o Kou foi expulso por tanto tempo da boate...

- Quando contou-me sobre Kouyou,  cri que fossem mais velhos. – Akira refletiu. – Agora apreendo: todos vocês eram crianças quando conheceram-se. – Takanori assentiu, dando a palavra ao refém. – Minha vez, é...? Nunca dei-me bem com meus pais e, honestamente, minha história não chega perto da sua ou dos outros. Semelhará que reclamo e sofro à toa.

- Meev e Kai proferiram-me uma vez que nenhum sofrimento é tolo. Quando alguém sofre por algo, sofre de verdade e não é pouca coisa. Pode parecer aos olhos daqueles que não estão sofrendo, apenas isso. – Takanori sorriu. – Então não dá-se bem com seus pais? Meev, Kai e Yuu te entenderiam, afinal, eles igualmente não dão-se bem com os progenitores, tanto é que fugiram de casa.

- Não sei se isso soa mais animador. – riu de canto. – Bem, meus pais sempre foram ausentes. Ofereciam-me tudo: dinheiro, comida, roupas, brinquedos, jogos... Só nunca deram-me amor e atenção, entende? Então não sei como é esse amor que seus pais sentiam por ti e, por isso, invejo-te um pouco. Sou a pior pessoa, não?

- Não, não é... – Takanori percebeu Akira emudecer por alguns segundos.

- Sobre meus pais, não tenho muito que articular, porém... – cerrou os olhos. – Inquiriu-me sobre “Lucy”, não é? – Takanori assentiu. – Ela era filha de um casal rico que vivia próximo a mim. Nossos pais detestavam-se, entretanto, nós dois adolescemos juntos e gostávamo-nos... Ou mais do que isso.

- Amavam-se? – indagou e Akira assentiu.

- Ela não era a “princesinha” que uma nobre deveria ser, sabe? Vestia-se desleixadamente, utilizava gírias, gostava de rock e amava andar de skate. Os pais dela piravam com o modo dela agir e meus pais proferiam que eu não devia ficar contíguo, contudo, o que fazer quando considera-a incrível? – riu infeliz. – Crescemos juntos e sempre soubemos que amávamo-nos. Não costumávamos caminhar pela cidade, todavia, fugíamos de casa para ficarmos juntos. Fizemos planos para o futuro e idealizamos uma vida inteira de psicoses e diversão, ocultada de nossos pais, no entanto...

- Eles descobriram...? – Akira negou com a cabeça.

- Jamais descobriram. Até hoje não sabem. – aclarou. – Lucy e eu brigávamos muito, mas era por coisas tolas. Discutíamos, separávamos e íamos para casa. Tomávamos banho, jantávamos e ligávamos um para o outro para desculpar-nos. Sempre fora assim, porém, um dia ela proferiu que devíamos contar aos nossos pais que estávamos juntos e eu disse que era melhor não. – suspirou. – Brigamos novamente e cada um seguiu seu rumo, como sempre. Fui para casa a pé e ela, de skate. Tomei banho, jantei e liguei para desculpar-me, todavia, não atendeu-me. Liguei várias e várias vezes, mas nada...

- O que ocorreu? Não desejava atender-te ou—

- Foi atropelada na volta para casa. – Akira discorreu celeremente e Takanori arregalou seus olhos. – O motorista não prestou socorro, mas deu tempo de as pessoas ao redor avocarem uma ambulância. Foi hospitalizada e ficou em coma, sendo que eu só soube disso na manhã seguinte pelos meus pais. Sempre temi a cidade e a violência, então, naquele momento, todo o pânico agravou-se. Não tive coragem de visitá-la no hospital e, dias depois, ela faleceu. – Akira ocultou o rosto nos joelhos. – Não pude desculpar-me, Taka. Não proferi que amava-a, porque cria que era óbvio e que ela sabia. Não disse e ela partiu para sempre...

Takanori não localizava vocábulos para proferir a Akira. Jamais amara alguém daquele modo e também nunca perdera um amor. Não entendia a amargura do garoto que apresentava tudo para ser feliz, contudo, era claro como o dia que a felicidade era algo incógnito a ele. Destarte, baixou a cabeça e manteve-se silente, enquanto Akira estremecia com as lembranças.

- Lucy... – Takanori encetou, elegendo as melhores palavras. – Era o nome dela ou apelido?

- Apelido... – ergueu a cabeça novamente, revelando os olhos enrubescidos. – Gostava que avocassem-na assim.

- É bem bonito... – o silêncio debelou por mais alguns segundos. – Sua história... Jamais refletiria que alguém que tem tudo sofreria assim.

- O dinheiro compra muita coisa, Taka... Coisas que tentam preencher o vazio das almas das pessoas. Por isso todos persistem consumindo, no entanto, o dinheiro não compra felicidade, amor e não traz ninguém de volta à vida. – sorriu abatido. – Nunca ansiei nada extravagante: somente estar com ela e observar as pessoas nas ruas era satisfatório. Analisá-las, detalhe por detalhe, do modo como atuavam era divertido ao lado dela, já que não gostávamos de interatuar com terceiros, exclusivamente observar.

- Por isso lê as pessoas tão bem, não é? – Akira assentiu. – Então... Foi por isso que trancou-se no quarto e tentou excluir-se de tudo?

- Foi. – respirou fundo, hesitante nas expressões. – A cidade é violenta, então receio sair e acabar como Lucy. Além disso, o que mais mata-me nisso tudo é saber que articulei a ela: “se você morrer, morro junto”. Só que aqui estou: vivo e ela morta. – fitou os olhos de Takanori. – Sou covarde, não sou? Não cumpri minha promessa.

- Não é covarde. Não mesmo. – refletiu. – Não deseja viver, mas também não ambiciona morrer: parece comigo... Ainda que tenha dito isso a ela, não creio que Lucy iria gostar se cumprisse esta promessa, Akira. Remorsos trucidam-te, bem como a ausência dela, contudo, não precisa perecer para cumprir isso. Você não é covarde.

- Você é a primeira pessoa para quem discorro dela... – sorriu de canto, ambos fitando-se veementemente. – Nunca imaginei que falar dela doeria tanto, mas também aliviaria.

- Desabafar é bom, mesmo que as pessoas ajuízem denotar fraqueza. – Takanori sorriu pueril. – E, pode parecer estranho, mas identifico-me contigo. Nossas histórias não possuem nada em comum e nossas classes sociais são antagônicas, porém, sinto que nos daríamos bem se conhecêssemo-nos de um modo mais natural.

- Damo-nos bem de uma forma anormal, Taka. – riu Akira. – Somos estranhos e talvez jamais falássemo-nos se topássemo-nos nas ruas. Acho que a situação às avessas teve um lado bom...

- Como Yuu proferiu-me uma vez: “tudo tem um lado bom, basta distinguirmo-lo”. – sorriram.

Tristeza fez você no fundo do mar escuro.

Continue a expiação e morra.

No labirinto sem fim...

Por que ainda respira?

*

Miyavi e Kai, apesar de extremamente esfalfados, despertaram três horas após adormecerem. A insônia era algo que sempre impedia-os de repousarem genuinamente e como desejavam, logo, por mais que cobiçassem, não podiam prosseguir rolando na cama e aguardando o sono regressar, pois isso nunca incidiria. Destarte, ergueram-se e iteraram a mesma rotina pela manhã até, enfim, irem à sala.

Miyavi sentara-se no sofá, enquanto Kai apoiara sua cabeça no colo dele, deitando no almofadado. Dialogavam sobre um assunto qualquer, concomitantemente em que calculavam o dinheiro roubado no dia antecedente e atrelavam as notas iguais no mesmo monte para facilitar no momento em que fossem comprar o que careciam e dar às famílias necessitadas. Sorriam cansados, tentando não alçar o tom de voz nas brincadeiras que faziam um com o outro para não despertar Kouyou.

Todavia, logo ele apontou na sala, pisando duro e visivelmente arreliado. Miyavi até arriscou proferir um “bom dia” amigável, entretanto, sua voz fora baixando o tom conforme Kouyou agia com animosidade ao abrir a geladeira e adquirir o leite que ansiava tomar. Os meninos no sofá entreolharam-se, buscando compreender o motivo de Kouyou despertar tão mal-humorado, sendo que jamais fora daquele modo. A expressão irritada do garoto na cozinha não amenizava e os atos coléricos acresciam de veemência.

Minutos depois, Yuu abriu a porta do apartamento. Assim que avistaram-no, Miyavi e Kai entreolharam-se novamente, já deduzindo o motivo de Kouyou estar colérico naquela manhã gris: Yuu deixara-o só, de novo. Apresentaram fiúza quando, ao toparem-se na sala, os olhares travaram uma guerra injusta: Kouyou era aquele que possuía todas as armas, enquanto Yuu não possuía qualquer defesa. O garoto de cabelos compridos virou o rosto e regressou a seu cômodo e Yuu, já compreendendo ter feito besteira, nada proferiu aos meninos contando dinheiro na sala, indo atrás do garoto que esnobou-o com total razão.

- Kou... – avocou Yuu, embarcando no aposento e observando-o caminhar de um lado ao outro, ignorando-o. – Kou, por favor—

- Por que deixou-me sozinho, Yuu? – indagou furioso. – Hein? Por que deixou-me sozinho? Não viu o quanto fraquejei ontem? Ou, por acaso, já não importa-se mais comigo?

- Sobre isso, Kou, permita-me explicar. – solicitou cauteloso.

- Explicar o quê? Que precisou sair para resolver uns assuntos seus? Uns problemas seus? – mordeu o lábio inferior. – Já não conta-me mais nada e não é porque deseja resguardar-me. Esconde-me algo e estou farto disso. Prometeu-me que jamais me abandonaria ou mentiria para mim, mas por que sinto que é exatamente isso o que está fazendo? Estilhaçando as promessas que fez comigo...!

- Kou, meus problemas não são nada graves, entretanto, preciso resolvê-los o quanto antes. – Yuu sentia-se culpado. – Nada digo-te, pois não vale à pena preocupar-se ou estressar-se com isso. Meus problemas não precisam ser fonte de seus estresses, ademais, você dormia tão bem hoje de manhã, que recusei-me despertar-te.

- Boa, Yuu! – Kouyou aplaudiu desdenhosamente, rindo cínico. – E você acha que saindo sem avisar-me e nada expondo sobre seus problemas me ajudará? Não percebeu que é isso o que mais estressa-me? Seus problemas não são bobos para mim!

- Sei que não, por isso oculto-os, Kou. – elucidou. – Por favor, entenda meu lado.

- Não, não dá! – Kouyou passou por Yuu e retirou-se do dormitório, indo em direção à sala. O moreno fora atrás, ainda perseverando para que o garoto desse-lhe ouvidos. Miyavi e Kai acompanharam a discussão, ora fitando um, ora outro. – Você é quem cuida de nós, mas isso não constitui que pode esconder as coisas! Não pode deixar-me sozinho, idiota!

- Eu sei! Eu errei! – Yuu suspirou. – Errei contigo, então desculpe-me! Não ocorrerá novamente! Só peço que acalme-se, Kou!

- Pedir é... – Kouyou apanhou os montes de notas que jaziam em cima da mesa da sala e arremessou-os em Yuu. – Fácil, não é? – o moreno defendia-se das cédulas, enquanto Miyavi e Kai rezingavam alto. – Pedir desculpa é fácil, não é? Não me acalmarei!

- Aí! Aí! – gritou Miyavi, erguendo-se do sofá quando Kai saiu de seu colo. – Pare com isso, Kou! Está desarrumando tudo!

- Pouco importa-me! – Kouyou persistiu arremessando as notas em Yuu, as quais voavam pelo ar e ruíam ao chão. – Seu mentiroso!

- Que droga! Parem os dois! – gritou Kai e tudo emudeceu. Somente as notas voejavam pelo ar, enquanto declinavam ao chão. – São crianças ou o quê?

- Kou, vamos conversar. Dois minutos, é só o que peço-te. – Yuu solicitou com toda calma e Kouyou, respirando dificultosamente, retornou ao dormitório a passos largos. – Isso seria um “sim”...?

- Vai lá, imbecil. – Kai arremessou mais algumas notas em Yuu. – Depois ficará para você o trabalho de organizar o dinheiro outra vez.

Yuu suspirou, indo atrás de Kouyou – que já aparentava estar num nível altivo de estresse, uma vez que respirava com dificuldade e as mãos sacudiam. O rosto lívido, os lábios fendidos e os olhos entreabertos delatavam que a enxaqueca retrogradara e que não iria embora tão cedo. Yuu encostou a porta e observou-o cruzar os braços com afinco, semelhando até que seus versos não penetrariam na barreira que instituíra-se ali.

- Meus problemas não são bobos para você, não é? Isso prova que ama-me. – antes de Kouyou retrucar, Yuu prosseguiu. – O mesmo sucede comigo. Tudo o que faço é por você, Kou, pelo amor que sinto por ti. Eu errei, está bem? Achei que, se poupasse-te de meus problemas, você não se estressaria, mas enganei-me. Perdoe-me.

- Por que não conta-me nada, hein...? Sei que não posso estressar-me, porém, você é estúpido, Yuu... – Kouyou descruzou os braços e sentou-se na cama, baixando a guarda. O moreno beirou-se, sentando-se ao lado. – Conhece-me tão bem, então como pôde achar que eu ficaria melhor se encobrisse-me tudo? Não vê como fico mal quando Taka esconde as preocupações dele de mim? Ou o Meev e o Kai?

- É, errei feio... Muito feio. – suspirou, pegando na mão de Kouyou e aliciando os olhos suavemente marejados do garoto para si. – Está correto em ficar bravo comigo, contudo, saiba que só desejo seu bem e, por isso, estou resolvendo o que preciso sozinho. Não posso expor-te o que estou fazendo, mas saiba que faço por amar-te.

- Não é nada errado, não é? – indagou. – Não está traindo-me ou mentindo para mim, está?

- Jamais faria isso, Kou. – mentiu Yuu, sentindo a culpa carcomer seu corpo impuro e devasso. – Você é único para mim, então perdoe-me pelo que fiz, sobretudo porque ontem recaiu drasticamente por conta dos remédios... Perdoe-me, Kou.

- Ainda não sinto-me nada à vontade por ficar no escuro, especialmente porque sei que faz de tudo por mim... – Kouyou afugentou o olhar. – Mas acredito em você, Yuu.

Não devia...

Não devia, Kou...

- Obrigado. – sorriu. – Prometo que articularei sempre que sair e, visando não preocupá-lo tanto, darei minudências para onde estou indo e quando volto. Assim melhora?

- Era assim que deveria ter sido desde o princípio... – sorriu. – Se mentir para mim, jamais te perdoarei.

- Jamais mentirei para você, Kou, e não te deixarei sozinho novamente. – trouxe o rosto de Kouyou para perto, selando um beijo de reconciliação.

Mentiroso... Como sou mentiroso...

Podre.

Kou, por que ainda confia cegamente em mim?

Por que admite-me tocá-lo?

Tudo o que faço é por você, contudo...

Se descobrir o que estou fazendo...

Ainda me amará na manhã ulterior?

*

“Debaixo do céu você não pode ficar escondido.

Mesmo que esconda-se, irá ajoelhar-se diante da verdade”.


Notas Finais


Escolhi minha melhor roupa para levar soro no hospital, juguem-me '-' Haha primeira vez falando do cara que estou stalkeando sim, porque eu precisava comentar dele -- preferi ficar no silêncio durante esses meses, até porque tive uma decepção amorosa recentemente, embora eu esteja superando T^T. Socorro, é só ele que estou stalkeando desde setembro!! Hahahaha sou louca.

O que acharam do cap? Comentem! \o/ Aliás, eu disse que aqui teria revelações do Akira e do Taka, então o que pensam sobre o pouco que eles expuseram sobre si? E o Yuu deixando o Kou sozinho e fazendo coisas escondidas da família? Muito a se pensar, inclusive na situação interna dos nossos líderes... Segunda-feira, adivinhem? Vai ter capítulo novo sim! E, se tem algo que quero dizer propositalmente agora é: aguardem o capítulo 8...

Kissus! *3*


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