História The Neighborhood Of Offenders - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Miyavi, The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Miyavi, Reita, Ruki, Uruha
Tags Akira, Aoi, Aoiha, Drama, Gazette, Kai, Kou, Kouyou, Lemon, Matsumoto, Meev, Mivykai, Miyabi, Miyavi, Neighborhood, Offenders, Reita, Reituki, Ruki, Shiroyama, Suzuki, Taka, Takanori, Takashima, The, Uruha, Yaoi, Yutaka, Yuu
Exibições 21
Palavras 4.836
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Lírica, Luta, Mistério, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shounen, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, galerinha do mal! Eu sei que vocês estão loucos para me queimar na fogueira, como fizeram com as minhas bisavós na época da Inquisição (hehehe), mas não façam isso. Pensem que, se assim fizerem, não terão as finalizações das fic's T^T Devo pedir perdão por não ter postado ontem, como era o prazo, porque eu achei que o capítulo estava pronto, mas na verdade estava faltando uma parte e eu não tive tempo de terminá-lo. Hoje, porém, como sofro de insônia, acordei cedo e terminei bonitinho tudo, então perdoem-me pelo atraso e juro que não acontecerá novamente... Espero. De qualquer forma, o capítulo está repleto de situações, então atenção...

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 7 - The Invisible Wall


Fanfic / Fanfiction The Neighborhood Of Offenders - Capítulo 7 - The Invisible Wall

“Debaixo dos escombros, a realidade é uma imagem distorcida.

Acima de toda a profundeza.

Isolamento. Ódio. Inveja. Ansiedade.

Nada floresce sem expressão. Acima de tudo, emoção”.

*

Akira e Takanori estavam animados dialogando naquele mesmo dia. Haviam ouvido a algazarra entre Yuu e Kouyou, embora não soubessem sobre o que havia sido. Deram de ombros para a conjuntura quando tudo emudeceu-se e semelhou tranquilizar-se – visto que era mais do que óbvio que a divergência havia sido resolvida. Dessa forma, prosseguiram a dialogar, tentando olvidarem-se das tragédias de uma vida sem sentido para ambos.

Akira era aquele que tudo semelhava ter, mas na verdade nada continha. Amor? Algo que desconhecia vindo dos pais e algo que jamais cobiçava experimentar outra vez com alguém que não fosse Lucy. Invejava um pouco Takanori por ter apresentado amor de pais e ainda ter conseguido solicitar desculpas para Kouyou, que despertou do coma. Sentia-se abjeto por invejar, porém, não podia negar aquilo. Takanori era aquele que buscava não execrar as pessoas, embora detestasse a conjuntura em que vivia. Tinha horror das crianças fenecendo de fome e frio pelas esquinas.

Apesar das adversidades de vida, partilhavam algo em comum: o isolamento. Sabiam como era desejar se enclaustrar do mundo e simular que não mais viviam ali. Não desejavam viver, contudo, não cobiçavam a morte: meramente buscavam uma razão que os motivasse a existir naquele mundo deturpado e errado por todos os lados, entretanto, sentiam-se mais seguros dentro de seus próprios cômodos, trancados na própria mente. Tais sentimentos eram explicitados pelos olhares, refletindo tudo aquilo que encobriam dos outros e que ninguém abrangeria.

A conversa de ambos só fora obstruída naquela manhã quando Miyavi e Kai penetraram no dormitório, atraindo os olhares incomodados e questionadores de ambos. Miyavi encostou a porta, enquanto Kai puxava uma cadeira e sentava-se nela, apoiado os braços nos joelhos e fitando atentamente os olhos de Akira. Miyavi logo se beirou, cruzando os braços e acuando ao lado de Kai. Takanori alternava seus olhos para os dois meninos, que semelhavam ajuizar em algo.

- Bom dia, Akira. – cumprimentou Kai. – Taka está cuidando bem de você?

- Estranhamente, sim. – encrespou o cenho delicadamente, confuso com o tom até amigável do garoto, uma vez que quatro dias atrás quase guerrearam por ideologias distintas. – O que pretendem fazer comigo, afinal?

- É sobre isso que viemos discutir contigo. – Miyavi suspirou, sentando-se no chão. – Pretende nos delatar à polícia se o levarmos de volta para sua casa agora?

- Eu já havia dito que nada exporia sobre vocês, mas tudo bem. Até entendo porque não confiam em mim. – suspirou Akira. Não podia mais olhar seus supostos sequestradores como pessoas atrozes ou erradas. A sua frente, exclusivamente analisando os olhos de cada um, percebeu que os meninos ocultavam um abismo maior do que Takanori e ele juntos. – Vão me levar de volta agora, é...?

- Que jeito cabisbaixo de celebrar. – estranhou Kai, também notando que Takanori espantou o olhar, parecendo amargurar-se com a decisão. – Gostou de ser nosso refém? – brincou sorrindo. – Do jeito que o Taka é legal, até eu iria almejar ser sequestrado.

- Alguém tinha de fazer esse trabalho, imbecil. – retrucou Takanori, extraindo risadas de todos. – Além disso, não somos sequestradores.

- Tem razão, foi uma infelicidade o que incidiu e, por isso, pedimos desculpas, Akira. – Miyavi fez o garoto de faixa no nariz intrigar-se. – Perdemos a cabeça e fizemos besteira contigo. Ameaçamos-te e ainda te prendemos aqui. Bem, não podemos baixar a guarda quando um de nós fica refém de uma circunstância desesperadora, entende?

- Aí você faz os outros de refém? – brincou Akira e todos gracejaram laconicamente. – Tudo bem, já passou.

- Percebemos que você é desigual dos outros riquinhos, já que o Taka se afeiçoou a você. – comentou Kai e Takanori o fuzilou pelo olhar. – Não desejamos gerar uma onda de aversão, entende? Não ansiamos que as pessoas se execrem, mas toda esta situação econômica e social só nos joga um contra o outro. Depois que dialogamos contigo, conseguimos entender um pouco seu lado.

- Também pude entender um pouco o lado de vocês de acordo com o que me proferiram e... – Akira encostou seus olhos. – Taka me contou um pouco sobre cada um de vocês, por isso, estou até mesmo revendo meus conceitos.

- Ei, ei... Não sinta pena de nós, Akira. – Miyavi aliciou os olhos do garoto. – Cada um tem uma história díspar e nem todas são pulcras. Devemos aceitar e tentar superar, ainda que seja intricado.

- E você também não contém a melhor biografia, Akira. – comentou Takanori, sorrindo de canto. – De certa forma, é parecido conosco. Talvez não seja um elogio...

- Mas levarei como um. – sorriu simples, enquanto Kai analisava os garotos a sua frente com perspicácia e um sorriso nos lábios.

- De qualquer forma, está aqui há quatro dias. Se o levarmos de volta agora, você promete ficar quieto sobre nós? – indagou Kai, intuindo Akira tornar a ficar cabisbaixo. – Você não almeja regressar, não é?

- Almejo... Mas não almejo também. – suspirou. – Não tenho uma casa para retornar, exatamente. Meus pais já devem ter retrocedido da viagem e sequer chamaram a polícia para me procurar.

- Como sabe disso? – estranhou Miyavi.

- Uma vez esvaeci de casa por duas semanas. Quando regressei, as expressões deles para mim foram de decepção por eu ter retornado... Eles jamais desejaram um filho, em primeiro lugar, então me davam de tudo para que eu não os amolasse. – elucidou e os meninos se entreolharam. – Tenho de tudo, menos uma família. Por isso proferi que, se era dinheiro o que desejavam, eu mesmo daria a vocês, porque pedir resgate para meus pais não funcionaria. Eles não dariam nada para me ter de volta...

- Bem-vindo ao clube de filhos descontentes com os pais. – comentou Miyavi. – Só precisamos trocar o Taka pelo Yuu que tudo se completa bem. – arrancou um riso conciso de Akira. – Então, se não anseia retornar, o que aspira fazer? Permanecer nesse ambiente terrível?

- Não sei o que desejo... – Akira baixou os olhos. – Não sei de nada...

- Deseja refletir? – ofereceu Kai, atraindo olhares de todos. – Sabe, por mais que eu cobice me livrar do problema que arranjamos, que foi te sequestrar, não conseguirei dormir sabendo que fiz algo que não anseie. Se não deseja regressar para lá, não vamos te obrigar. Também não te obrigaremos a sair ou permanecer aqui.

- É, acho uma boa você refletir no que deseja. – Miyavi elevou-se do chão. – Porém, não há ninguém que vá sentir sua ausência se você não retornar?

- Não, ninguém... – replicou cabisbaixo, espantando seu olhar para Takanori, visivelmente incomodado com a conversa. – Se me permitirem pensar para onde desejo ir, agradeceria.

- Tudo bem. Reflita o quanto ansiar. – Kai levantou-se da cadeira. – Mas tenho uma indagação: se sua família é tão rica, por que não havia empregados em sua mansão no dia em que o Yuu e o Kou invadiram? E por que não foi viajar?

- Não ansiei ir com eles e, sobre os empregados, meus pais são paranoicos e creem que eles irão roubá-los se ficarem sozinhos com a mansão. Portanto, deram “férias” para eles e me deixaram sozinho para me virar. – esclareceu Akira.

- Achava que eu era paranoico. – comentou Miyavi. – De qualquer forma, pode andar pelo apartamento, se desejar. Não está mais aqui como refém, só como um hóspede por livre e espontâneo acidente.

- Obrigado... – os meninos sorriram e retiraram-se do dormitório, permitindo que o silêncio dominasse no recinto entre Akira e Takanori. – Não sei o que desejo...

- Aqui não é o melhor lugar para ficar, Akira, porém... Se desejar... – o lourinho franziu o cenho, incomodado. – Seria legal se decidisse ficar. Você é o primeiro que semelha me entender completamente...

- Então se afeiçoou mesmo a mim? – brincou Akira, auferindo um tapa de Takanori. – Não almejo ser um estorvo, então... Creio que ajuizarei seriamente em todas as minhas possibilidades. Só não cobiço mais regressar para casa... – suspirou. – Miyavi e Kai... Possuem os olhares mais repletos de angústia de todos nós, Taka. O que incidiu com eles para serem assim?

- Muitas coisas... – encostou seus olhos. – Eles passaram por maus bocados e são aqueles que mais odeiam toda a vida e o mundo. Porém, por enquanto, é melhor eu não articular deles para você, afinal, nem mesmo eu sei de tudo sobre eles...

Porco encharcado na sopa do crime

Essa é a dor das crianças que você matou.

Odeie a si mesmo.

*

Kouyou havia ido tomar banho, enquanto Yuu ajeitava algumas vestes que deixaram espalhadas pelo aposento naquela semana repleta de episódios. A porta do cômodo logo se abriu e Kai ingressou, fechando-a atrás de si. Cruzou os braços, atraindo a atenção de Yuu, enquanto rodeava o mesmo, como se o analisasse fria e calculosamente. O moreno cessou os afazeres para fitar o líder nos olhos, o qual estava sério e atento ao barulho do chuveiro do cômodo.

- Qual o problema? – indagou Yuu. – Se é pela desordem das notas, saiba que irei arrumar.

- Não, não é isso não. – semicerrou os olhos.

- Kou está bem. Já nos acertamos. – arriscou.

- Isso é ótimo. – a réplica de Kai fez Yuu suspirar. – Não faz ideia do que desejo, não é?

- Honestamente, não. – Yuu percebeu Kai aguçar a audição, intuindo Kouyou ainda tomar banho. – Não anseia que ele nos ouça?

- É, não cobiço estressá-lo quando o problema é contigo. – foi seco. – Posso ter milhares de problemas, Yuu, mas não sou estúpido. Meus olhos são cegos para mim, porém, não para as coisas que incidem ao meu redor, sobretudo com as pessoas que amo.

- O que está querendo dizer? – investigou cauteloso.

- Não se faça de desentendido ou imaculado. Sabe que odeio isso. – a alocução de Kai fez Yuu engolir em seco. – O dinheiro que Meev e eu roubamos do Banco Central... Tenho certeza de que a quantia era maior. Fora que fiquei sabendo que alguém na boate roubou da registradora. Quantias pequenas, mas ocorreu no mesmo dia. Não acha coincidência demais?

- Vivemos em um mundo de roubos, Kai, e você pode ter errado nas contas. – Yuu franziu o cenho. – O que está insinuando?

- Creio que sabe. – arrazoou firme. – Admita que pegou o nosso dinheiro e o da boate. Se fizer, não ficarei bravo, somente desejarei saber o motivo que te levou a nos roubar.

- Eu não roubei ninguém. Não roubo de vocês. – Yuu deu de ombros. – Estou ocupado.

- Ah, perdoe-me por atrapalhá-lo. – Kai fora cínico. – Acho que repartirei minhas preocupações com o Kou então.

- Não me chantageie...! – exaltou-se Yuu, beirando-se ferozmente de Kai, que recuou poucos passos, ainda que sua expressão fosse desafiadora. – Não roubei ninguém...! E não ouse colocar besteiras na cabeça do Kou...! Sabe que ele se estressa demais e não posso permitir que faça isso...!

- Sei disso e desejo o bem do Kou tanto quanto você. Por isso te peço, Yuu, se pegou o dinheiro, então admita logo e me aclare os motivos.

- Por que desconfia de mim? – encrespou o cenho. – Só por que fiquei sozinho com o dinheiro ontem?

- Por um conjunto de fatores, incluindo esse. – Kai pressionou. – Miyavi também pondera ser você, então, por favor, não almejo confusão e não desejo guerrear contigo. – amenizou o tom de voz. – Sou grato a você por tudo o que faz por mim e pelo Meev, assim como faz pelo Taka. Você é aquele que cuida de todos nós e, por isso, sei que encobre muitas preocupações. Somente desejo a verdade para te auxiliar e amparar o Kou.

- Kai, eu não... – Yuu abocanhou o lábio inferior e refletiu por alguns segundos. – Está bem. Eu peguei o dinheiro de vocês e da registradora da boate. Satisfeito?

- Ainda não... – após checar que Kouyou permanecia tomando banho, prosseguiu. – O que fez com o dinheiro e para quê precisa dele? Bastava ter pedido a nós, Yuu.

- Eu sei, eu sei, mas desejava evitar esta conversa. – rodeou a cama e se sentou, enquanto Kai beirava-se de si, ficando em pé a sua frente. – Não anseio te expor meus motivos, todavia, saiba que estou juntando dinheiro pelo bem do Kou. É por ele que faço isso e juro que estou tentando fazer algo bom, porém, preciso de dinheiro. Muito e o quanto antes.

- Estou mesmo curioso para saber por que você precisa de dinheiro, se é pelo bem do Kou, contudo... – Kai suspirou, sentando-se na cama ao lado de Yuu. – Vou confiar em você e não direi nada a ele. Só prometa-me que não pegará mais escondido. Basta pedir para mim ou para o Meev.

- Mas o dinheiro é para as crianças... Para as famílias daqui. – Yuu trincou os dentes. – E eu estou tirando deles para meus propósitos egoístas, Kai.

- É, mas tudo bem. O dinheiro é roubado mesmo. – riu. – Fora que é mais justo se solicitar, ao invés de roubar e... – baixou os olhos. – Você ama o Kou e deseja o bem dele. Não é egoísta, é amável. Passamos tanto tempo tentando socorrer outras pessoas, que às vezes esquecemos que também precisamos de subsídio e atenção.

- Kai... – suspirou. – Obrigado por isso. – atentou-se ao líder. – E como você está? Você e Miyavi, na verdade?

- Quebrados, mas tentando nos restaurar. – sorriu deprimido. A porta do lavabo do aposento abriu-se e Kouyou saiu trajando apenas sua calça comprida, secando os cabelos com a toalha. – Você daria um bom striper, Kou.

- Não dê ideias a ele. – censurou Yuu, rindo baixinho pelo comentário do líder.

- Nunca proferi para quem ele faria isso, então devia me agradecer pela ideia. – contrapôs Kai.

- Vocês estão engraçadinhos demais. – riu descarado. – E é raro você ficar aqui no nosso quarto, Kai.

- É, eu sei. Só precisava bater um papinho com o Yuu. – ergueu-se o líder. – Estou saindo já, mas não se esqueça de arrumar as notas depois.

- Não irei. – o moreno analisou o líder sair do cômodo e encostar a porta. Logo o olhar de Kouyou caiu sobre si. – Que foi?

- Nada. – sorriu. – A bagunça foi minha, mas você é quem arrumará. Gostei disso.

- Eu não, porém, sei que mereço pelo erro que cometi. – Yuu puxou a cintura de Kouyou para si, fazendo o garoto derrubar a toalha no chão e encaixar-se entre suas pernas. – Desejo me redimir melhor contigo.

- Vai ter que improvisar algo que me surpreenda então. – sorriu provocativo, arrancando um sorriso de canto do moreno.

Yuu puxou Kouyou pelo braço, fazendo-o ruir de costas na cama e ficando por cima do mesmo. Fitaram-se nos olhos e sorriram, selando um lento beijo como pedido de reconciliação total. Kouyou aprofundou o ósculo quando trouxe a nuca de Yuu para mais adjunta, saboreando mais a boca do garoto que sempre cuidara de si. Todavia, apesar da certeza do amor por Kouyou, Yuu sentia que não deveria estar correspondendo aos toques daquele garoto puro abaixo de si. Não deveria, porquanto ele mentia. Mentia em tudo, ainda que fosse por uma boa causa.

Para disfarçar a vista desastrosa, o céu azul ri do que parece absurdo.

No labirinto sem fim, em culpas eu afundo.

No labirinto sem fim, por que você ainda respira?

*

Miyavi e Kai estavam sentados na cama do próprio cômodo quando Yuu bateu na porta e auferiu autorização para ingressar. Fechou-a e, respirando fundo, adotou uma expressão séria e decidida. Os olhares de Miyavi e Kai, após se entreolharem, miraram veementemente Yuu, já arquitetando o pedido que ele faria – muito embora desconhecessem os ensejos que o induzia a buscar tanto dinheiro. Só sabiam que tinha a ver com o bem-estar de Kouyou.

- Então? – Miyavi indagou. – Quanto ainda precisa?

- Pelo visto, não precisarei expor o que cobiço. – o moreno prosseguiu, franzindo o cenho delicadamente, enquanto era analisado pelo líder e seu vice. – Preciso de quatro mil. Só mais quatro mil e nada mais.

- Você diz “só” mais quatro mil? – brincou Kai, fitando Miyavi e dialogando com o mesmo através de olhares por alguns segundos. Logo suspirou e baixou a cabeça. – Tudo bem, Yuu. Eu disse que era para pedir e você veio. Agora não negarei o dinheiro.

- Mas não deseja mesmo nos contar o que é tão importante e por que precisa da grana? – quando o moreno afugentou o olhar, foi a vez de Miyavi suspirar, arremessando um maço de notas que Yuu apanhou no ar. – Tem cinco mil aí. Se for acudir o Kou, então tudo bem, não iremos mais te importunar sobre. Contudo, um dia pretende nos contar o que fez com o dinheiro?

- Não precisarei expor, pois, se tudo der certo, irão descobrir. – sorriu Yuu. – Obrigado... Retornarei o dinheiro que peguei sem permissão daqui uns dias.

- Ah, não esquente com isso. – Kai deu de ombros. – Não precisa devolver, porque nem era nosso para início de conversa. Só não seja atrevido de nos roubar outra vez.

- E nem insano de pegar da boate. – complementou Miyavi e Yuu agradeceu novamente, retirando-se do aposento. – Será que o benfeitor do Kou não desconfiou mesmo dele ou fingiu não desconfiar pelo bem do “filho amado”?

- Quem sabe... Ainda não descobri o que se passa na cabeça daquele cara. – suspirou Kai. – Você vai trabalhar lá hoje, não é?

- É, e amanhã é no restaurante. – Miyavi fitou os maços de notas que jaziam na cama. – Espero que descubramos logo o que Yuu fez com o dinheiro...

*

Yuu adentrou na boate dos pais, a qual se localizava na zona de prostituição da circunvizinhança: a Zona Vermelha. Com uma mochila pesada nas costas, roupas negras e expressão nada amigável, induziu-se até os patrões do local, aqueles que deveriam ser seus pais. Assim que adquiriu os olhares de ambos, que fumavam e bebiam no bar enquanto os funcionários organizavam o ambiente para a noite, arremessou a bolsa para o pai e puxou um revólver da cintura, apontando para ambos.

- Cem mil em mãos. – lacônico e seco. – Agora façam o que exigi.

- Bom dia, Yuu. – cumprimentou a mãe, não semelhando nada espantada com os atos do filho rebelde. – Conseguiu rápido o dinheiro, não? Os meus dotes em sua beleza serviram para algo.

- Cale a boca. – deprecou, engatilhando a arma. – Você não é minha mãe.

- Ai, essa doeu no meu coração. – o cinismo da mulher de rubro a fumar fazia Yuu tremer de aversão. Logo os olhos do filho foram em direção ao pai, que sorria ao analisar o dinheiro da bolsa. – Cem mil certinhos?

- Mil a mais, que ótimo! – riu, fumando seu charuto. – Até majoraria o preço, no entanto, como é meu filho, farei com tudo o que já nos deu.

- Já deviam ter começado a procurar as pessoas que mandei que encontrassem. – discorreu ríspido Yuu. – Então por que perdem tempo?

- Ei, ei! Quem disse que estávamos perdendo tempo? – redarguiu o homem. – Agora você me ofendeu, Yuu. Nós, com seu depósito de entrada, já encetamos a investigar e a buscar pelas pessoas que procura. Contudo, agora que toda quantia exigida está em nossas mãos, ultimaremos o serviço impecavelmente como deseja.

- É melhor mesmo, então sejam céleres. – ordenou Yuu.

- Você não pretende mais retornar para nós? – indagou a mãe. – Sentimos tanta sua ausência e você se daria tão bem trabalhando em nossa boate ao invés de ficar lá naquele funesto homem.

- Fugiu de nós por desgostar da vida que levava. Jurou nunca mais pisar em uma boate outra vez, mas olha aí... Nosso próprio filho trabalhando com o inimigo. – comentou o pai. – Deveria nos agradecer por ter bom coração e aceitar o pedido de trabalho que nos fez.

- Bom coração? Vocês só aceitaram porque sabiam que conseguir dinheiro não era problema para mim! – trincou os dentes. – E eu sei que jurei nunca mais pisar numa boate outra vez, entretanto, as circunstâncias—

- Mudaram por amor. – rematou a mãe com uma voz melosa e provocativa.

- Tudo por amor, hein, Yuu? – debocharam os pais. – Mas saiba que, no mundo em que vivemos, amor é fraqueza. Ele te ata a alguém e isso te torna frouxo e impotente. – discorreu o pai e Yuu baixou a arma, dando as costas para ir embora. – Ainda com Kouyou, não é? – deteve os passos, sem se virar. – Por isso conferiu o trabalho a nós. Francamente, não basta trabalhar com o inimigo, ainda tem que dormir com o filho de nosso ominoso rival.

- Façam o trabalho que mandei e rápido. – Yuu virou-se para ambos, fuzilando-os com o olhar frígido. – E não ousem falar mal do Kou. Jamais.

Ultimada a ameaça – que somente extraiu sorrisos cínicos dos pais –, Yuu retirou-se daquela boate abjeta e marchou a passos largos até seu domicílio novamente. Precisava chegar o quanto antes, pois logo sairiam para trabalhar. Era verdade que jurara jamais penetrar em uma boate novamente, contudo, a situação mudara quando conhecera Kouyou e Takanori. Miyavi e Kai também foram fatores para sua mudança de opinião. Ainda não gostava do recinto em que trabalhava – nem das coisas que fazia –, porém, se daquele modo poderia ficar com aqueles que amava e avaliava como uma legítima família, então deixaria suas juras de lado para dedicar-se aos garotos que habitavam consigo.

Dedicava-se, sobretudo, a Kouyou. No entanto, tal ternura tomara proporções alarmantes, pois essa era a dimensão do amor que continha para com aquele garoto. Portanto, seus atos eram podres como os de seus pais. Ele era análogo e sabia que Kouyou o abominaria se desvendasse. Ainda sim, perpetraria de tudo se fosse pelo bem do amado. De tudo mesmo.

No labirinto sem fim (odeie a si mesmo), em culpas eu afundo.

No labirinto sem fim (odeie a si mesmo), por que você ainda respira?

*

Quando todos saíram para trabalhar, Takanori fora ao aposento em que o antes refém estava repousando. Encontrou-o sentado no chão e, assim que se beirou, fez o mesmo, sentando-se ao lado. Este induziu seu olhar a Takanori, analisando-o por lacônicos segundos, ainda que o mesmo não o fitasse. Volveu a cravar a parede a sua frente e, por múltiplos minutos, permaneceram-se no mais incondicional silêncio, que estranhamente não era incômodo, apenas confortável.

- Está incomodado com algo... – comentou Akira e Takanori encostou seus olhos, sorrindo satisfeito. Logo sorriu da mesma forma. – Deixe-me ver o que mais posso proferir sobre você neste exato momento...

- Achei que só conseguisse fazer isso lendo os olhos das pessoas. – comentou Takanori sem fitar Akira. – Não estou te olhando nos olhos, então como sabe?

- Trejeitos, gestos, essas coisas... – esclareceu. – E você nunca entra e permanece no total silêncio comigo. Normalmente é um enxerido curioso que fica indagando da minha vida ou contando sobre a vida dos outros.

- Titulou-me de fofoqueiro? – enfim fitou Akira, que ria com o olhar hostil do menor. – Está certo, Dono da Verdade. – debochou. – Diga o que vê em meus olhos agora.

- Tem certeza? – indagou e Takanori assentiu. Akira, então, empunhou o rosto do menor e aproximou-o do seu, consentindo que seus olhos ficassem tão próximos que as respirações mesclaram-se. – Eu vejo insegurança... Alguém que está pressentindo algo ruim prestes a incidir e, por isso, veio até mim.

- O que mais...? – Takanori mordeu o lábio inferior, hesitante, e tal ato não passou despercebido por Akira.

- Está experimentando um sentimento que jamais conheceu e está confuso com ele. Deseja desabafar com alguém, mas não é comigo. – semicerrou seus olhos, sorrindo quando compreendeu. – E veio aqui tentar mitigar esse desconforto, ao mesmo tempo em que tenta me persuadir a permanecer ao seu lado.

- Você é completamente assustador, Akira. – Takanori afastou-se do garoto quando este soltou seu rosto. – Não me leia tão bem assim.

- Foi você quem pediu para eu te ler, ora. – deu de ombros. – Então acertei?

- Completamente. – suspirou. – Tenho sensações, pressentimentos. Sinto que algo ruim está para advir. Talvez hoje ou amanhã, não importa. Algo errado irá ocorrer em breve...

- Sei... – Akira ficou sério ao perceber a perturbação de Takanori. Variou de contexto. – Deseja tanto que eu permaneça aqui, aliás? Não era você quem dizia que os convenceria a me levar de volta?

- Mudei de ideia em quatro dias. Faço muito isso. – aclarou, tentando olvidar-se de seus incômodos. – Sei que este bairro é violento, repleto de miséria e bem desigual de sua outra realidade, todavia, se desejasse ficar, seria bom. Sinto que consigo dialogar mais tranquilamente contigo, já que me entende em partes. – suspirou. – Como pode ver, não temos regalias e ainda somos os delinquentes que te sequestraram e andam à margem da lei, só que seria bom se permanecesse aqui.

- Sabe, nunca refleti que ser sequestrado seria tão bom. – comentou Akira, rindo um pouco. – Sempre criei um muro invisível entre mim e terceiros, pois jamais ansiei me beirar mais de ninguém. Contudo, contigo fora díspar: você não dissolveu esse muro, Taka, e nem o forçou para introduzir-se. Meramente conseguiu adentrar e compreender meu lado. Fez-me almejar te permitir ficar dentro do espaço privado, aquele que deveria ser somente meu e de mais ninguém.

- Isso denota que...? – criou expectativas, extraindo um sorriso de canto de Akira.

- Denota que estou pensando seriamente em pedir para ficar... Por você. – Takanori dilatou o sorriso, enquanto Akira enxotava o olhar. – Não sei se eles concordarão com meu pedido, mas estou disposto a fazê-lo. Refleti muito hoje depois de nossa conversa e percebi que, como não tenho para onde ir, aqui seria um bom lugar para ficar, pois há alguém que me compreende, que tem os mesmos olhos que eu...

- Como proferi, eles podem parecer perversos para você por conta de tudo o que houve, mas são boas pessoas. – elucidou Takanori. – Você disse que não sabe como é ter uma família, no entanto, se ficar, poderemos te mostrar como é... Ou, pelo menos, te dar uma noção do que seria. Nossas famílias legítimas estão devastadas por ensejos díspares, portanto, criamos laços familiares por nossa própria conta. Está dando muito certo há anos...

- Acha mesmo que eles aceitarão o “riquinho mesquinho”, que tanto execram, na família? Um estranho que não possui as mesmas ideologias e noções de vida, Taka?

- Claro que sim, porque você pode parecer diferente de nós, mas não é. Além disso, eles já devem ter percebido que você carece de auxílio também, sobretudo depois de nossa conversa com o Meev e o Kai de manhã. – Akira volveu seu olhar para o lourinho. – E depois do que me expôs sobre Lucy... Realmente não creio que você não possa nos compreender em nada, afinal, sabe como é a dor de perder alguém que ama e sabe como é cobiçar se isolar do mundo. Você é tão problemático quanto nós.

- Então atino que estou no lugar certo. – sorriu e Takanori fez o mesmo, ambos principiando a rir em seguida. – Taka, eu... Agradeço por me ouvir e não me julgar.

- Não precisa. Você fez o mesmo comigo. – aclarou. – E aqui, por mais problemáticos que sejamos, não julgamos um ao outro. Somente auxiliamos.

- Sou desprezível por sentir inveja de vocês, que já passaram por tantos maus momentos, contudo... – Akira fitou os olhos de Takanori veementemente. – Desejo superar meus problemas, assim como vocês tentam superar os seus. Anseio entender o que é ter uma família e, se isso constituir abandonar toda minha riqueza e ingressar neste mundo violento que tanto temo, então eu farei.

- Sendo assim... – Takanori encostou sua testa na de Akira, fechando seus olhos e sorrindo simples. – Seja bem-vindo, Akira.

O louro de faixinha encostou seus olhos, sentindo o sopro de Takanori bater delicadamente em sua face. Sem ao menos abranger como ou por que – ou quem fora que encetara o ato –, um beijo os vinculou com lentidão. Duas biografias distintas, ideologias antagônicas, classes sociais divergentes, todavia, um sentimento em comum. Aquele que Akira lera nos olhos de Takanori minutos antes: um amor abrolhado das diferenças. Um sentimento puro em meio à podridão de um mundo coalhado por injustiças.

As línguas suavemente acanhadas resvalavam-se uma na outra, apreciando o gosto da boca alheia e, sem maiores aprofundamentos, desuniram-se pausadamente, abrindo os olhos para se fitarem com veemência. Para Takanori, era perceptível que Akira ainda amava Lucy e não a olvidaria tão cedo, no entanto, não denotava que não podia, ao menos, arriscar fazer com que o garoto seguisse em frente com sua vida. Já Akira sabia que Takanori conseguia lê-lo da mesma forma como ele lia as pessoas e, portanto, sabia o que deixara exposto para o mesmo através dos olhares e do ósculo introvertido.

Todavia, também não constituía que desgostara do que ocorrera. Se Takanori lhe era especial de algum modo, então arriscaria tentar olvidar-se de Lucy para encetar uma nova vida, totalmente distinta de sua outra. Afinal, Akira ainda possuía uma muralha invisível que impedia que as pessoas chegassem perto de si, contudo, enfim encontrara alguém que ultrapassara tal barreira sem quebrá-la ou danificá-la. Meramente introduzira-se para lhe socorrer e, quem sabe, solicitar auxílio.

*

“Tristeza fez você no labirinto sem fim.

Por que ainda respira?”


Notas Finais


Muita coisa aconteceu aqui e espero que não tenham se perdido na quantidade de informações. Para compensar o atraso, precisei colocar mais coisas aqui propositalmente. A boa notícia é que sexta-feira tem o tão aguardado capítulo 8 que eu comentei no capítulo passado e, bem... Acho que já deu para perceber um pouco que algo está para mudar, não? Afinal, Akira tomou sua decisão de permanecer ao lado do Takanori e este está com um pressentimento ruim. Aliás, foi a primeira situação Reituki, me amem, sqn hahahh

O que acharam do cap? Comentem! \o/ Juro que não atrasarei o capítulo para sexta-feira! Vou me certificar de deixar tudo bonitinho para vocês ainda hoje. Alás, fim do ano chegando e eu estou aliviada em saber que 2016 está no fim. Demorou, mas está acabando hahahha

Kissus! *3*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...