História The Only Exception - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Harry Styles, Larry, Larry Stylinson, Louis Tomlinson
Exibições 52
Palavras 4.437
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - 03


– É melhor se afastar dele.– Foi impossível não reconhecer aquela voz, e um alívio imenso tomou conta de mim.

Virei meu rosto para o lado a tempo de ver Harry se aproximando calmamente, eu nem tinha percebido ele chegar ali, mas agora não importava, estava feliz demais em vê-lo.

O cara pareceu irritado e abriu a boca pronto para responder de forma rude, mas assim que Harry se aproximou ainda mais, ele se calou, até eu fiquei paralisado.

Harry parecia realmente ameaçador, e não só por todo seu tamanho e seus músculos, mas principalmente pela expressão em seu rosto... Seus olhos estavam escuros, quase brilhavam e ele olhava fixa e friamente para o cara.

– Você está bem, Louis?– Sua voz ficou um pouco mais branda, mas ele não me olhou, continuou encarando o homem em minha frente, que agora recuava lentamente.

– Sim...– Sussurrei bem baixo, mas ele pareceu ouvir porque relaxou um pouco.

– Eu... Eu não sabia que ele estava acompanhado.– O homem gaguejou pateticamente e eu me afastei mais dele, Harry se aproximou ficando na minha frente.

– Nunca mais chegue perto dele... Nunca mais... Ou eu não serei tão calmo assim.– A voz de Harry estava ameaçadora.

– Entendi. – O cara sussurrou e saiu praticamente correndo, tropeçando nos próprios pés.

Harry ficou alguns instantes olhando por onde ele desapareceu e depois se virou de frente para mim.

– Você está bem mesmo, Louis?– Seus olhos percorriam meu corpo com atenção, como se para ter certeza de que estava mesmo tudo bem comigo.

– Estou sim...– Sorri levemente tentando controlar as batidas frenéticas do meu coração.– Você chegou na hora certa... Obrigado, Harry.

– Não precisa agradecer, o cara teve sorte, se ele tivesse encostado em você...– Ele ergueu a mão e acariciou meu rosto levemente, mas rápido demais voltou a abaixar a mão.

Sorri com esse gesto dele, nem me lembrava mais do medo que senti quando estava sozinho com aquele homem me perseguindo, Harry estava ali na minha frente, tinha acabado de me salvar, isso que importava.

– Você estava indo para o bar?– Perguntei tentando manter alguma conversa, não queria que ele fosse embora, e ainda estava sem coragem de continuar a andar sozinho até em casa.

– Sim, mas já estava fechando, então desisti, e aí vi o que estava acontecendo aqui.

– Nem vi você se aproximar, obrigado mesmo.

Ele deu de ombros e sorriu.

– Você estava indo para sua casa?

– Sim, é bem perto daqui, eu sempre vou sozinho e nunca tinha acontecido algo assim, quer dizer, sempre tem uns homens soltando gracinhas, mas nenhum tentou me perseguir.– Tagarelei e corei ao perceber o quanto estava falando, ele riu.

– Eu posso te acompanhar? Me sentirei mais tranqüilo se te deixar em segurança em sua casa.

Fui pego de surpresa, mas antes de me dar conta já estava assentindo.

– Eu adoraria, me sentirei mais seguro com você.

– Então vamos.– Ele deu um passo para ficar ao meu lado, eu sorri assentindo e começando a caminhar, Harry ficou bem perto de mim e eu realmente me sentia seguro com ele.

– Ei, mas você não veio de carro ou moto? Vai deixar por aqui?– Perguntei.

– Um amigo me deu uma carona, e depois eu daria um jeito de voltar, mas não se preocupe com isso, eu sei me virar.

– Tudo bem.– Dei de ombros e continuamos a caminhar lentamente lado a lado.– Eu moro perto, então prometo que logo chegaremos.

– Eu não estou com pressa.– Harry me olhou de lado e eu desviei o olhar envergonhado, nem sei por que, mas ele me deixava assim, sem saber como agir.

– Você é de Brighton né?!– No desespero de arrumar algo para falar, acabei falando isso, mas me arrependi no mesmo instante quando ele riu.

– Sou sim, e imagino que você tenha ouvido falar muita coisa sobre Brighton.

Corei mais um pouco, estava cansado de ficar vermelho assim na frente dele, ao menos espero que ele não perceba, já que a rua estava bem escura e o céu nublado como sempre em Stepford.

– Eu não acredito nessas histórias e lendas...– E como aquilo era mesmo verdade, o olhei tranquilamente, ele parou de rir e arqueou uma sobrancelha.

– Mesmo?

– Sim.

– Achei que todos por aqui levavam bem a sério o que falam sobre meu povo.– Achei estranho o modo como ele falou... Meu povo... Mas eles eram de uma reserva, uma tribo, deviam ser todos bem unidos lá.

– Ah, eles levam sim, mas eu não acredito.

– Mas eu nunca te vi em Brighton.– Ele sorriu divertido.

– Meus pais acreditam, minha mãe acreditava...– Sussurrei a última parte.– Por isso não me deixavam ir lá, e ultimamente eu não tenho tido tempo para passeios.

Harry ficou calado e quando virei meu rosto em sua direção, vi que ele me olhava atentamente, nossos olhares se cruzaram por algum tempo até ele sorrir.

– Brighton é um lugar lindo, as praias são maravilhosas, vocês não sabem o que estão perdendo.

– Vocês não se incomodariam se as pessoas daqui, que falam tanta besteira de vocês, fosse passear por lá?– Perguntei.

– Não, desde que não nos perturbem...– Ele deu de ombros e eu ri.

– Eu nunca vi ninguém de Brighton por aqui, você é o primeiro.– Estávamos chegando em frente a minha casa, eu devia ter dado um jeito de ir por um caminho mais longo, não queria me afastar dele agora, se antes só de vê-lo eu já estava toda encantado, agora então depois dessa breve conversa, eu estava fascinado por ele, além de tão lindo, Harry era gentil e divertido.

– Eu sou meio atrevido.– Ele me olhou fingindo seriedade e depois riu. 

– Só não vejo o porquê não posso andar por aqui, e não me arrependo, se não tivesse saído um pouco de Brighton, nunca teria te conhecido.

O olhei sem conseguir evitar um sorriso e parei de andar, óbvio que eu estava corado, então desviei o olhar dele...

– Chegamos, é aqui que eu moro.– Suspirei olhando para a casa onde cresci, antigamente eu simplesmente amava esse lugar, era uma casa cheia de vida, de felicidade, hoje toda vez que estou prestes a entrar em casa, sinto meu coração se apertar.

– Ei, tudo bem?– Harry se aproximou e colocou um dedo em meu queixo erguendo meu rosto e me fazendo olhá-lo nos olhos.

– Tudo sim.– Eu não iria ficar me lamentando ali.

– Bom, então está entregue, sã e salvo.– Ele piscou voltando a sorrir.

– Obrigado por...– Me calei ao ouvir um barulho alto vindo de dentro da minha casa.

Harry rapidamente se colocou na minha frente, protetoramente.

– O que foi isso?– sussurrei ainda olhando para minha casa.

– Fica aqui, eu vou na frente e... Louis!– Ele gritou quando eu passei por ele e corri em direção a minha casa.

– Meu pai.– Falei simplesmente enquanto abria a porta e ele entendeu vindo logo ao meu lado.

Entrei em casa correndo e quando cheguei à cozinha, vi o motivo daquele barulho.

– Pai.– Sussurrei ao vê-lo caído no chão, meio sentado, com uma garrafa de bebida quebrada ao seu redor.

Corri em sua direção para ajudá-lo, ele parecia desmaiado, mas era de tão bêbado que já estava.

– Cuidado com o vidro, Louis. Deixa que eu pego ele.– Harry rapidamente estava ao lado de Mark, o erguendo com facilidade.

Fiquei envergonhado por Harry estar vendo aquela cena deprimente, mas me concentrei no meu pai.

– Para onde eu o levo?– Ele perguntou fazendo cara de nojo por causa do fedor de cachaça do Mark.

– Por aqui, por favor.– Fui na frente e subi as escadas até o quarto de Mark.

Harry não teve dificuldade nenhuma em arrastar meu pai e o colocou na cama.

– Quer chamar um médico? Ou levá-lo a um hospital?– Harry falou preocupado, enquanto eu ajeitava Mark na cama da melhor maneira que consegui, ele já estava roncando e resmungou, procurei por algum corte ou machucado, mas ele estava bem, então o cobri com um lençol e suspirei tentando controlar as lágrimas.

– Não precisa, ele está bem, só está bêbado como sempre.– Saí do quarto puxando Harry comigo e fechei a porta descendo as escadas rapidamente em direção a cozinha, ele me seguiu de perto.

Eu não conseguia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, há instantes eu estava bem, feliz, em uma conversa tão leve e agradável com o Harry, que me encantava cada vez mais, e de repente isso acontece... Eu já estava tão cansado dessa minha vida miserável!

Cheguei na cozinha sem olhar para Harry, por vergonha, e me ajoelhei ao lado dos cacos de vidro que estavam espalhados ali pela garrafa que tinha caído, ou melhor, que Mark de tão bêbado tinha deixado cair, o cheiro de álcool forte me atingiu me enjoando.

– Louis, cuidado aí.– Harry falou calmamente e percebi que ele estava se aproximando, me concentrei para não chorar em sua frente e acabei me cortando.

– Ai, droga.– Gemi ao ver o sangue escorrer em minha mão.

– Louis!– Ele já estava abaixado ao meu lado e segurou minha mão que sangrava.– Vem, vamos cuidar disso, tem alguma caixinha de primeiros socorros aqui?

Assenti voltando a subir as escadas e entrei no banheiro com ele me seguindo.

– Aqui.– Abri o armário e peguei a pequena caixinha lhe entregando.

– Mas eu mesmo posso cuidar disso Harry, não foi nada demais.

– Shii... Vem.– Ele segurou em minha mão que ainda sangrava.–
Está doendo?

– Não.– E não estava mesmo, só que eu sempre fui meio fraco quando via sangue, principalmente quando era o meu sangue.– Não gosto de sangue.

Ele riu e me pegando de surpresa passou um braço ao redor da minha cintura e me ergueu me sentando na bancada perto do lavatório.

– Harry!

– Quietinho.– Harry sorriu e começou a cuidar do corte que felizmente era pequeno.– Você não pareceu tão surpreso em ver seu pai daquele jeito.– Ele começou a falar hesitante enquanto fazia um curativo em mim.

– Porque não fiquei, ele está sempre assim, bêbado, e não é a primeira vez que ele cai, ou deixa garrafas caírem.– Falei simplesmente.

– Só moram vocês dois aqui?

– Sim, minha mãe morreu há um tempo, e desde então ele ficou assim... Antes Mark costumava ser o melhor pai do mundo, o mais amoroso, cuidadoso, ele não suportou a perda da minha mãe.

– Eu sinto muito.– Ele me olhou intensamente.

– Eu só queria que ele voltasse a ser como era antes, que ao menos tentasse seguir em frente, também não foi fácil pra mim a morte da minha mãe, mas eu estou tentando viver e ele parece não perceber que não estou conseguindo sem ele.– Tentei em vão controlar as lágrimas que logo estavam correndo em meu rosto.

Harry terminou o curativo e se aproximou ainda mais de mim.

– Não consigo nem imaginar como deve ser difícil pra você, ter perdido a mãe e agora ter que enfrentar toda essa barra.

– Eu deixei de ir para a faculdade e tenho que ficar aqui cuidando dele, sustentando a casa... Às vezes mal temos dinheiro para a comida...– Olhei para minha bolsa que deixei ali no canto me lembrando do dinheiro que tive que pedir ao Liam.

– Louis.– Ele sussurrou e beijou minha testa, acariciando meus cabelos.

– Desculpa, não sei nem porque fiquei aqui falando tudo isso, não quero ficar reclamando de nada e você já me ajudou muito hoje, não precisa ficar escutando essas coisas.

– Não peça desculpas, de agora em diante você vai poder falar o que quiser comigo e eu vou te ajudar mesmo quando você não pedir por ajuda.– Ele me abraçou e eu me deixei ser envolvido por seus braços fortes.

Escondi meu rosto em seu peito e seu cheiro que era amadeirado e delicioso me inebriou, me deixando quase tonto, mas de um jeito tão bom que me acalmou.

Eu não queria me encantar demais com o Harry, ou me envolver, por medo de me machucar, mas era tarde demais... Eu nunca me senti tão bem, seguro e protegido, como agora nos braços dele! 

Harry continuava me abraçando e aos poucos eu consegui me acalmar, era incrível como apesar de praticamente nem conhecê-lo direito eu já me sentia tão bem e a vontade ao seu lado, isso nunca tinha acontecido comigo antes.

Quando percebeu que eu estava mais calmo, ele se afastou um pouco e me olhou.

– Tudo bem?

– Sim.– Eu disse suspirando. Ele estava tão perto que eu acabei corando e me levantei, ele sorriu se afastando um pouco.– Obrigado.– Olhei para minha mão com o curativo.

– Não precisa agradecer, agora vamos descer que eu te ajudo a arrumar a bagunça da cozinha.– Harry me arrastou e antes que eu pudesse dizer algo já estávamos descendo as escadas.

Ele me ajudou a limpar os cacos de vidro e eu tentava controlar as batidas frenéticas do meu coração bobo que já estava todo derretido por ele.

– Acho que agora está tudo em ordem.– Harry falou, quando terminamos e eu assenti.

– Sim e não sei nem como te agradecer por tudo isso e...

– Esquece isso ok?!– Ele me interrompeu.

– Ok.– Sorri ainda um pouco envergonhado.

– Eu tenho que ir agora.– Ele disse e mesmo a contra gosto eu assenti, não queria que ele fosse, queria saber mais dele, da sua vida, mas ele já tinha feito tanto por mim e estava tarde.

– Tudo bem.– Fui até a porta e ele me seguiu.– Ah, você está a pé, quer ligar para alguém?– Me preocupei já que estava bem tarde e ele iria para Brighton.

– Não precisa, eu me viro.– Ele saiu para a varanda e eu o segui.

– Certeza? Daqui até Brighton é um pouquinho longe.

– Eu estou com o meu celular e ligo para um amigo, não se preocupe.

– Ah, tudo bem então.– Cruzei os braços sentindo frio e fiquei olhando para ele sem saber direito o que fazer ou falar, não tinha muita experiência com isso, e Harry me deixava meio desnorteado.

Era mesmo possível existir um homem assim tão lindo e gentil como ele?

Harry mal me conhecia e tinha sido tão carinhoso e cuidadoso comigo, parecia um sonho e há muito tempo eu tinha desistido de sonhar.

– Ei, o carro é seu?– Ele apontou para Christine, o meu Plymouth Fury vermelho, que estava num canto perto da casa, e eu assenti.

– É sim, o nome é Christine, igual o do filme, mas está parado há um bom tempo, não tenho como mandar consertar.– Me lamentei, eu adorava Christine, e só por isso ainda não tinha vendido para um ferro velho ou algo assim, tinha esperança de ainda conseguir consertar. Harry se aproximou dela e sorriu.

– Eu posso consertar para você, não quero me gabar não, mas mando muito bem com carros.– Ele disse se gabando.

– Sério?– Me aproximei dele esperançoso.

– Sim, sou o mecânico mais famoso de Brighton.

Ri com o jeito divertido que ele falou.

– Eu adoraria Harry, sinto falta da minha Christine, mas não tenho como te pagar.– Suspirei envergonhado.

– Para com isso Louis, sério, assim eu fico até chateado.– Ele
me olhou de lado e eu sorri me desculpando.

– Tudo bem, eu vou adorar se você puder dar um jeito nela.– Tentei não ficar tão animado com isso, mas foi meio impossível e ele sorriu abertamente.

– Amanhã você trabalha até que horas?

– Eu estou de folga amanhã.

– Perfeito então, eu venho aqui amanhã e conserto sua Christine, pode ser?– Ele se encostou no carro e eu assenti.

– Se não for te atrapalhar...  

– Fechado então.– Harry me interrompeu antes que eu pudesse falar mais alguma coisa e eu ri.– Agora tenho mesmo que ir.– Boa noite Louis...– Ele se aproximou e depositou um beijo em meu rosto me deixando completamente corado.– Até amanhã.

– Boa noite, Harry...– Sussurrei e então ele se afastou.

Fiquei vendo ele sumir por uns instantes e depois entrei em casa trancando a porta e tentando parar de sorrir, apesar de ter ficado tão constrangido por Harry ter visto Mark daquele jeito, eu estava feliz como há muito tempo não me sentia, então resolvi me concentrar nessa felicidade e viver esse sentimento tão bom pelo tempo que pudesse.

*~*~*~*

No dia seguinte acordei cedo e bem disposto, depois de Harry ir embora na noite passada, fiquei lendo em minha cama até o sono chegar e então apaguei em um sono profundo e calmo.

Me levantei rapidamente da cama e fui para o banheiro onde tomei um banho, fiz minha higiene calmamente e quando já estava vestido e com os cabelos penteados, desci para comer alguma coisa e ir ao mercado fazer as compras que tanto precisava. Mark estava saindo quando eu desci.

– Bom dia, Louis.

– Bom dia.– Respondi simplesmente, estava chateado com ele pela cena de ontem, tive sorte de Harry ter reagido de uma forma tão bacana comigo e me ajudado, mas estava cansado dessa bebedeira do Mark, sei que ele sofre com a perda da minha mãe, mas eu também sofro e ele nem se esforça para melhorar!

– Vou dar uma volta, não venho almoçar em casa.– Mark falou calmamente e eu assenti indo para a cozinha, ele não disse mais nada e escutei a porta sendo fechada quando ele saiu.

Sabia que provavelmente ele voltaria bêbado, não tinha dinheiro, mas nos bares que ia sempre encontrava algum “amigo” disposto a lhe pagar uma bebida.

Fiz apenas um café forte e tomei, então fui para o mercado, ao passar por Christine, senti meu coração dá um salto, será que Harry viria mesmo?

Tentei parar de pensar naquilo, Harry já tinha sido tão incrível comigo ontem, mesmo que não aparecesse hoje, eu nunca me esqueceria da maneira como ele me ajudou.

Infelizmente o mercado não era muito perto e a caminhada foi longa e cansativa, mas eu já estava até que acostumado, não tinha outro jeito para fazer as compras.

Comprei tudo que precisava, infelizmente não podia me dar ao luxo de comprar algumas guloseimas e besteiras gostosas, o dinheiro sempre era muito bem contado e quando eu conseguia fazer sobrar algum, aproveitava para comprar meus tão adorados livros.
Depois de terminar as compras voltei para casa, dessa vez a caminhada foi ainda mais cansativa já que eu estava com várias sacolas pesadas, ao menos tive a sorte de não chover.

Mas assim que me aproximei da minha casa, meu cansaço sumiu... Harry estava lá, com uma calça jeans escura e uma camiseta preta que mostrava todos seus músculos, me deixando ainda mais estático, ele estava concentrado mexendo em Christine, que tinha o capô aberto. Demorei um tempo para me convencer de aquilo estava mesmo acontecendo, mas quando ele virou o rosto na minha direção e sorriu, eu tive a certeza de que era tudo muito real.

– Harry.– Sussurrei, mas ele pareceu ouvir perfeitamente porque seu sorriso ficou ainda maior e ele se aproximou de mim.

– Oi Louis, espero que não fique chateado por eu já estar mexendo no seu carro, mas quando cheguei, bati na porta e ninguém atendeu, então resolvi adiantar o trabalho.– Ele riu e eu continuei parado como uma estátua olhando para ele.

– Ah, eu tive que fazer umas compras.– Saí do meu transe e ele se aproximou mais.

– Deixa eu te ajudar.– Rapidamente ele pegou todas as sacolas que eu segurava.

– Obrigado, Harry.– Suspirei tentando me recompor.– E que bom que você veio.– Corei ao perceber o que eu tinha falado.

– Eu disse que vinha.– Harry me olhou tão intensamente que senti minhas pernas bambearem.

– É, você disse.– Mordi os lábios nervosamente.– Vem, vamos entrar.– Fui apressado abrir a porta e ele me seguiu.

– Seu pai não está?– Ele perguntou enquanto deixava as compras na mesa.

– Não, ele saiu cedo.

– Ele está melhor?

– Na medida do possível.– Olhei pra Harry e ele assentiu.– Mas e Christine? Tem jeito?– Mudei de assunto, não queria falar do meu pai.

– É claro, eu trouxe minhas ferramentas e umas peças que achei que fosse precisar, então pode deixar comigo, sua Christine vai ficar uma maravilha.

– Isso vai ser muito bom, obrigado mesmo Harry.

– Já disse que não precisa agradecer Louis, agora eu vou voltar pra lá, vem comigo?

– Claro, só vou pegar uma coisa antes, já vou lá.

– Ok, e traga a chave do carro.– Ele foi saindo da cozinha e eu assenti.

Corri para o meu quarto e peguei a chave de Christine, e o livro que estou lendo agora, se não soubesse o que falar com ele ao menos poderia ler para disfarçar e não fazer tanto papel de idiota.

Quando saí de casa, Harry já estava mexendo em Christine de novo, ele me olhou e eu fui até perto dele onde tinha um pedaço de tronco caído e me sentei ali.

– Espero que não te dê muito trabalho.– Falei me ajeitando e olhando para o meu carro, já deixado de lado há tanto tempo.

– Eu adoro desafios.– Ele ergueu uma sobrancelha me olhando de lado.– Você gosta de ler? – Apontou para o livro em minhas mãos e eu assenti.

– Muito, acho que é o único prazer que tenho na minha vida.– Dei de ombros.

– Mesmo?– A voz dele ficou mais rouca e quando o olhei, vi que ele me encarava fixamente.

– É.– Sussurrei tentando não corar.

– Bom, a gente pode mudar isso.– Ele falou com um sorriso diferente nos lábios, era um pouco malicioso, o que me fez corar absurdamente e ele riu.– Você fica lindo corado assim.

– Harry!– O repreendi, desviando o olhar dele que só riu mais.

Tentei mudar de assunto rapidamente, apesar de ser tentadora a ideia de Harry me achar lindo.

Vi uma moto parada em um canto perto da minha casa...

– A moto é sua?– Perguntei.

– É do meu irmão.– Ele pigarreou e se concentrou no carro de novo.– Eu tenho um carro, mas estou dando uma arrumada nele e peguei a moto do meu irmão emprestada.

– Você tem uma família grande?– Me empolguei com a possibilidade de saber mais sobre ele.

Harry sorriu e largou a ferramenta que segurava, se aproximando
de mim e se sentou ao meu lado, fazendo meu coração disparar com a proximidade, ele era tão quente e seu perfume me inebriava.

– Tenho sim, o Niall é meu irmão mais velho, o dono da moto, tenho duas irmãs mais velhas também, Gemma e Chloe, e os nossos pais, Des e Anne.– Ele falava o tempo todo me olhando nos olhos, seu corpo tão perto do meu me deixou trêmulo.

– Vocês moram todos juntos em Brighton?– Minha voz saiu trêmula e ele sorriu ainda mais.

– Sim, mas não todos na mesma casa, Gemma já casou e eu me mudei há pouco tempo, mas o máximo que minha mãe deixou a gente ir foi para casas do lado da dela.– Ele fez uma careta e eu ri.– Mas o Niall e a Chloe ainda moram com ela e meu pai.

– Então você mora sozinho?– Não sei por que perguntei aquilo, ele logo sorriu.

– Sim, sozinho...

– Hum...– Pigarreei e tratei de mudar de assunto.– Acho que minha mãe também não iria gostar de um dia me ver saindo de casa, ela era bem protetora.

– Não sei o que eu faria se um dia perdesse minha mãe, mesmo eu tendo uma família grande e muitos amigos por perto. Deve ser muito difícil pra você.– Ele acariciou de leve meu rosto.

– É, muito difícil, mas eu tenho bons amigos que me ajudam, o Liam e a Selena, eles são incríveis.

– Mas não vamos falar disso, não gosto de te ver triste assim...– Ele piscou e se levantou.– Vou consertar a Christine.

Ele voltou a mexer no carro e eu fiquei olhando para ele...

– Eu nunca acreditei no que falavam de Brighton e das pessoas que moram lá, e agora que te conheço, realmente vejo como todas aquelas histórias são bobas.– Comentei e Harry não me olhou, mas pareceu ficar meio tenso.– Até parece que você ou alguém da sua família ou seus amigos possam ter algo a ver com essas histórias de terror que contam sobre vocês.– Eu disse rindo.

Ele sorriu, mas parecia desconfortável e pigarreou mudando de assunto rapidamente, achei que talvez fosse chato para ele saber o que ficavam falando deles por aqui e deixei pra lá.

Ficamos por um longo tempo ali conversando e rindo, meus poucos vizinhos olhavam curiosos para nós dois, mas não liguei, há muito tempo deixei de me importar com o que pensavam ou falavam de mim.
Tinha se passado um bom tempo quando Harry ligou o carro, nem acreditei quando meu carro funcionou e me levantei em um pulo, rindo.

– Caramba, você conseguiu mesmo!

– E em algum momento você achou que eu não conseguiria?– Ele saiu do carro sorridente e sem me conter eu o abracei, não estava duvidando dele, até porque ele mostrou como sabia muito bem o que estava fazendo, mas eu realmente achava que Christine era caso perdido.

Harry riu, me erguendo, mas quando percebi o modo como eu estava o abraçando, eu me afastei envergonhado.

– Obrigado mesmo Harry, não sei nem o que dizer, isso é perfeito.– Entrei no meu carro sorrindo como uma criança.– Vou dar uma boa limpeza nele e voltar a usá-lo, vai facilitar tanto minha vida.  

– Fico muito feliz em ver esse sorriso em seus lábios e esse brilho no seu olhar.– Ele ficou ao meu lado e eu percebi como ele estava sujo de graxa.

– Almoça comigo?– Perguntei de supetão.– Vai ser um modo de eu agradecer pelo que você fez.

Ele assentiu, mas depois olhou para seu próprio corpo e riu.

– Mas acho que estou um pouco sujo para isso.

– Você pode tomar um banho aqui.– Sugeri rapidamente, só não queria que ele fosse embora agora.

– Se é assim, tudo bem.– Ele disse sorrindo e eu saí do carro, tentando conter minha animação, mas quanto mais eu conhecia do Harry e quanto mais tempo passava ao lado dele, eu ia ficando mais envolvido e encantado! 


Notas Finais


Espero que tenham gostado e comentem o que acharam do cap!

Bye 💋


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