História The Perfect Sin (Camren) - Tradução - Capítulo 21


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags 1000hands, Allybrooke, Amor, Avisodegatilho, Beijo, Camilacabello, Camren, Dinahjane, Fanfiction, Fifthharmony, Jaureguis, Laurenjauregui, Mikejauregui, Normanikordei, Religião, Sinucabello, Soficabello, Taylorjauregui
Visualizações 75
Palavras 3.365
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Slash
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 21 - Cap 18 - A dor na Satisfação


*AVISO DE GATILHO/SUICÍDIO E AUTOMUTILAÇÃO* (Sei que existe um para a história inteira, mas sempre bom reforçar)

Começou pequeno.

Algo tão simples como ficar debaixo da água da banheira por tempo demais apenas pensando, e se eu não levantar para respirar?

Veja, você não simplesmente acorda um dia e decide que quer se machucar. Você não decide repentinamente acabar a sua vida, isso rasteja em você lentamente, e simples.

Tão simples como não olhar para os dois lados antes de atravessar a rua.

Você se torna descuidado consigo mesmo, meio que começa com não ter medo da morte. Meio que algo que você não faria de propósito mas se acontecesse você não ligaria necessariamente.

Simples.

Tão simples como tirar a vista da estrada enquanto dirige.

Na época eu não fiz muito caso disso, não porque eu não sabia o que estava fazendo, mas porque eu não queria admitir.

Eu quero morrer, mas eu não consigo nem me matar direito.

Esses eram os meus pensamentos.

Era a verdade.

Crescendo, eu nunca fui a criança popular da escola. Eu era quieta e reservada exatamente como eu fui ensinada a ser na igreja.

Então, eu voltava para casa e via meu tio.

Todo dia.

Eu não me lembro o motivo dele estar morando conosco quando eu estava no ensino fundamental ou ensino médio. Havia sempre um diferente.

Mas eu me lembro daqueles dias e me pergunto como eu sobrevivi, ou quando eu sequer comecei a melhorar. Porém, eu me lembro da dor, do desconforto, e da exaustão claro como o dia.

Porque eu ia pra escola e sofria bullying por todos os tipos de motivos ou por nenhum motivo ao certo.

Hispânica demais para as crianças brancas, branca demais para as crianças hispânicas.

Má demais para as pessoas da igreja, boa demais para os não-religiosos.

Quieta demais para as crianças populares, opinativa demais para os introvertidos.

Eu era nada, pertencia a lugar nenhum.

A maioria da minha adolescência foi gasta acreditando que eu era um incômodo.

Olhando para trás, eu não tenho certeza se eu percebi o que estava acontecendo porque aquela era apenas a maneira que a vida era.

Você vai para a escola e recebe provocação ou é ignorado. (Eu preferia ser ignorada)

Então eu ia para casa, e ficava cara a cara com o meu abusador tendo que tratá-lo como se nada estivesse errado.

À noite eu trancava minha porta, sabendo perfeitamente bem que não funcionaria e tinha muito medo de adormecer.

Pensando bem, na época, eu não tinha ideia de que a vida não era para ser daquele jeito.

“Você não precisa estar lá,” mamãe disse definitivamente.

“Claro que ela precisa,” papai se intrometeu.

Minha família se perguntava porque eu passava horas no banheiro com minha música no mais alto volume. Só eu e minhas músicas de musicais.

“Michael,” mamãe brigou, “Você não acha que é desnecessário?”

Verdadeiramente, era porque o banheiro era o único lugar onde eu estava segura. No banheiro, não havia crianças molestadoras me chamando de mexicana ilegal ou de vampira. Não havia nada sendo feito contra minha vontade, havia apenas eu, e vinte músicas que me contavam a história da vida de um outro alguém porque eu certamente não queria estar vivendo a minha própria. No banheiro, haviam lâminas, e isso era importante porque foi assim que eu aprendi a lidar.

“Ele é seu tio, eles não podem ignorar a existência dele para sempre,” ele argumentou, “E ele teve ajuda,” ele complementa, com um toque de esperança em sua voz.

Dentre escutar essa conversa, aquela velha onda de emoções estava me invadindo de volta.

A sensação de ser nada mais que um incômodo, desnecessariamente ocupando espaço na vida de alguém.

“Ela é nossa filha,” mamãe disse com uma ferocidade incomum.

Eu pensei comigo mesma que ao invés de sentar aqui e assistir meus pais brigarem, talvez eu devesse dirigir para algum lugar.

Talvez eu pudesse dirigir e esquecer de olhar para a estrada.

“Ele é meu irmão,” ela cuspiu de volta.

Ou talvez eu devesse ir para o banheiro e ficar debaixo da água da banheira por tempo demais.

“Não faça isso,” ela implorou.

“Eu não estou fazendo nada!” ele disse levantando a voz, “Eu sei que não é fácil para ela, mas ela não pode deixar uma coisa afetá-la para sempre.”

Ou talvez, eu simplesmente mereço um pouco de dor por ser tanto um incômodo.

“Querida,” eu ouvi minha mãe dizer em um tom suave, “Dê licença para o seu pai e eu por favor?” ela perguntou.

E era grata por ela pedir isso para mim. Eu saí do escritório do meu pai com um novo senso de determinação, entendendo o que eu precisava fazer para me sentir melhor.

“Lauren,” escutei meu irmão dizer quando passei por ele a caminho da escada.

Por agora, eu tenho certeza que ele sabe sobre o jantar de família que meu pai quer que eu compareça tão desesperadamente. Eu aposto que todos eles sabiam, exceto eu claro. Eu fui a última a descobrir.

Mas estava tudo bem porque eu estava prestes a me sentir melhor.

“Lauren!” eu o escutei me chamar novamente, mas prontamente o ignorei até alcançar meu quarto. Uma vez lá dentro eles sabem que é melhor não me incomodar.

Existem vezes quando a vontade é facilmente deixada de lado, instâncias em que não é nada mais que um pensamento transitório, mas momentos como agora eu sei que ninguém pode me parar.

Porque eu posso quase sentir o sangue no meu pulso esquerdo pulsando, implorando para ser libertado. Eu não sei nem quando eu peguei a lamina, tudo que importa é que está na minha mão agora.

Veja, nos dias em que eu consigo me parar haverá uma pausa. Bem antes da lâmina fria tocar minha pele morna e eu posso determinar se existe um jeito melhor.

Hoje não era um desses dias.

Três passadas impensadas pelo meu pulso, uma depois da outra quando o sangue finalmente consegue a libertação que precisava. A dor dura apenas por um momento, mas também a satisfação.

Então a culpa invade.

--

Onde está o seu irmão?- Mãe

Eu aproveito a oportunidade para olhar para o meu telefone agora que o burburinho no bar diminuiu.

É quinta-feira, eu penso.

Ele disse que estava indo para a cada do Harry- Lauren

Harry Styles tem sido o melhor amigo de Chris por cerca de um pouco mais de um ano. Eu não tenho ideia de onde eles se conheceram, ou o quão próximos eles realmente são. Tudo que eu sei é que há cerca de um ano atrás ele parece sempre estar ao lado de Chris. Eu não sei realmente se eles estão juntos, ou sequer se ele está fazendo algo que meus pais aprovariam. Não que realmente importe, porque é quinta-feira e já passou das 22 horas, e embora eu não saiba o que ele faz nessas saídas semanais, eu sei que se eu saísse escondida de casa por qualquer motivo Chris me cobriria.

“Está tudo bem?” Natalie disse enquanto esfregava o balcão. Nossos olhos se encontraram por um momento antes de eu assentir.

“Sim,” eu disse rapidamente, “Meu turno acaba em mais ou menos dez minutos,” eu sorri, “Não poderia estar melhor.”

Ela riu e balançou a cabeça por causa da blasfêmia do fato de que ela tem que ficar por mais duas horas. Sally saiu da cidade por alguns dias e ela por algum motivo estranho decidiu que queria cobrir todas as horas da outra. Nosso gerente, claro, disse não, mas para se certificar que haja sempre alguém aqui meu turno também era mais longo. Eu chegava mais cedo que o normal e Natalie tinha que sair mais tarde.

Quando eu começo a andar na direção dos fundos para pegar minhas coisas antes de bater o ponto eu escuto Natalie me chamar de volta.

Embora ela estivesse apenas fingindo irritação pelo meu escárnio, suas feições agora estão ornamentadas com preocupação.

“Bandana?” foi tudo que ela perguntou.

Eu olhei para baixo para a bandana preta que estava enrolada ao redor do meu pulso cobrindo meus cortes.

Eu pensei que seria óbvio demais usar manga longa, mas eu posso apenas presumir que Natalie se lembra dos meus velhos truques.

Tudo que eu a ofereci foi um dar de ombros, “Combina com a minha roupa,” eu disse, me referindo aos nossos uniformes pretos.

Ela assentiu, claramente não acreditando em mim, mas ao invés de me contradizer, tudo que ela disse foi que estava disponível se eu precisasse conversar.

Eu era grata, mas eu não queria conversar. O que era para eu falar pra ela?

Veja, meus pais estão me forçando a ter um jantar de família com o meu molestador e isso meio que me deixou triste? Ninguém diz coisas como essa. Não em voz alta, embora talvez nós devêssemos.

Muito do meu dano era porque eu não consigo falar sobre isso, e aquelas vezes esquisitas quando eu quero falar, eu sei que não há ninguém para eu conversar que vá entender.

É meu problema de qualquer forma, e eu não iria querer incomodar ninguém com ele. Além do mais, isso iria requerer que eu contasse a Natalie sobre o meu tio e se isso não aconteceu quando nós estávamos namorando certamente não vai acontecer agora.

Ela sabe que algo aconteceu, eu lhe dei uma explicação muito vaga sobre eu ter um histórico de abuso, mas ela nunca perguntou por detalhes e eu nunca os ofereci.

Me virando, eu coleto minhas coisas e assim que meus dez minutos finais passam eu saí de lá. Meus pais pensam que eu trabalho até mais tarde, isso é o que eu falo para eles para que eu pudesse ir para a casa da árvore e ver Camz.

Nosso tempo era limitado, mas era bom apenas vê-la.

Ela não questionou minha bandana.

Ela sorriu quando me viu, ela muito delicadamente escorregou os dedos entre os meus e muito animadamente me contou sobre o seu dia. Eu precisava que fosse desse jeito, é por isso que eu perguntei primeiro sobre o dela antes que ela perguntasse sobre o meu. Eu não queria mentir para ela, mas eu não queria que ela se preocupasse então a conversa de hoje vai ser sobre ela.

Ela diz que já que sua mãe está trabalhando muitas horas extras ela espera que possa conseguir comprar um teclado de novo mesmo que seja de segunda mão.

“Eu estive escutando Maurizio Pollini,” ela diz, “Ele é magnífico,” ela sorri.

Através de Camila, eu aprendi que Sr. Pollini é um pianista famoso, ou tão famoso quanto um pianista pode ser. Ela continua a falar sobre ele e eu parcialmente quero complementar a conversa, mas verdadeiramente não há nada com o que contribuir já que eu não sei nada sobre o assunto.

Além do mais é muito mais divertido observá-la tentar explicar as coisas para mim.

Por um segundo, eu quase quero provocá-la pelo tanto que ela age como uma fã adolescente, mas a verdade é que eu amo assistir o fogo em seus olhos acender quando ela fala das coisas que ela ama.

De longe, uma das suas características mais atraentes é sua paixão. Ela sente tudo tão intensamente que me deixa hiper ciente de tudo que eu faço ao redor dela.

Ela anseia mais da vida, e eu quero dar isso para ela.

Tudo que ela quiser.

Incluindo o piano clássico de 5 mil dólares que eu estive trabalhando horas extras para comprar. Na verdade, eu estou guardando para a primeira parcela porque eu vou ficar pagando por um tempo, mas isso não importa.

Ela merece mais do que um teclado de segunda mão.

Sabendo que essa vai ser a última vez que eu a vejo antes dela ir para o acampamento eu me certifico de dizer para ela voltar para mim. Camila imediatamente me assegura de que vai ser apenas um fim de semana, mas não era a isso que eu estava me referindo. Tudo que eu estou esperando é que ela retorne com todo o progresso que fez nos últimos meses ainda instilado dentro dela.

Ela me beija antes de ir embora, por não mais do que alguns segundos. Como se ela esperasse que vá haver incontáveis beijos para vir no futuro, e eu posso apenas ter esperança que haja.

Na minha viagem de carro para casa eu penso sobre coisas demais de uma vez só.

Talvez se eu aceitar ir ao jantar eu não vou ter que vê-lo de novo por um tempo.

Onde na casa de Camila vai caber um piano?

Agora que eu quase tenho o dinheiro para o presente de Camila eu desconfio que vá me levar apenas alguns meses para ser capaz de guardar para um apartamento. Talvez Javi me deixe ficar com ele até eu economizar?

Eu suspiro, toda vez que eu penso sobre ir embora eu sinto a culpa se instalar na boca do meu estômago.

Eu sei que eles ainda não podem se mudar para longe, mas o quão egoísta seria de mim deixar meus irmãos para trás? Mas eu não posso pagar por nós três e eles iriam para a faculdade em breve de qualquer forma, certo? Eu sei que Chris vai tirar um ano de folga antes de ir, mas esse ano está quase acabando e Taylor será uma sênior próximo ano. Ela tem notas imaculadas e todos os tipos de atividades extracurriculares em seu currículo. Qualquer universidade seria estúpida em recusá-la.

Então por que eu me sinto tão culpada por pensar em ir embora?

“Lauren,” a voz suave da minha mãe ressoa por meus ouvidos quando eu entro na casa.

É por isso, eu penso. Meus pais são difíceis de lidar mesmo quando nós temos a retaguarda um do outro. A última coisa que eu quero fazer é abandoná-los.

“O que você está fazendo acordada, mãe?” eu pergunto, sabendo que já passou muito da hora dela deitar.

“Seu irmão não está em casa,” ela diz, “Ele geralmente já está em casa essa hora.”

Eu percebo que ela está sentada no escuro, a única luz na sala vindo da luz da lua brilhando pela janela.

“Oh,” eu falo, “Bom eu posso ligar pro Harry se-”

“Se poupe,” ela diz me interrompendo.

Ela não faz isso num tom maléfico, apenas soa cansada.

“Lauren, eu não sou estúpida e muito menos cega,” ela suspira, “Eu sei sobre as saídas de quinta à noite dele.”

Por um segundo eu penso sobre negar ou simplesmente fingir ignorância sobre o assunto, mas eu já conheço. Minha mãe é uma mulher inteligente, sempre foi.

Ao invés disso eu lentamente caminho até o sofá logo do lado oposto de onde ela está sentada para que nós ficássemos de frente uma para a outra.

“Eu sei sobre a casa da árvore, e do seu não-tão-secreto romance com Camila.”

Meu corpo fica tenso, se ela sabe então papai deve saber né? Se papai sabe, ele contou para a mãe de Camila? Ela não saiu do armário ainda. Pelo amor de deus ela está apenas agora ficando de bem com elas mesmo, ela não precisa disso agora e eu não sei como eu lidaria ao perdê-la.

“Eu sei sobre o romance de Taylor também,” ela completa com uma quebra na voz.

Seus lábios se apertam quando ela tenta lutar contra as lágrimas e eu me pergunto sobre qual romance ela está falando.

“Mas não se preocupe, seu pai não sabe sobre nada disso,” ela zomba.

Meu corpo relaxa sabendo que meu pai não está ciente, mas a sensação é rapidamente substituída por uma pitada de desapontamento.

Taylor me contaria se ela tivesse um namorando, certo?

Talvez não, eu não conto para ela sobre os meus relacionamentos, mas é só porque eles são com mulheres. Quanto menos ela souber menos ela tem que mentir para o papai se o assunto for tocado alguma vez. No entanto, se nós não estivéssemos nessa situação eu contaria tudo para ela.

“Ele se acha muito,” ela fala, “Mas ele é sempre cego para o que acontece bem debaixo do nariz dele.”

Eu assisto enquanto uma única lágrima escorre pela sua bochecha e minha mente entra em exaustão.

Porém nem uma palavra escapa dos meus lábios, eu não sei o que falar.

“Ele nem sempre foi assim, sabia?” ela continua, “Eu me apaixonei por um homem bom, um homem de Deus que estava nisso por todos os motivos corretos. Não pela atenção, ou pelo dinheiro, pelo respeito ou poder ou o que diabos seja que ela tira disso hoje em dia.”

Eu sempre soube que a minha mãe vê muito mais do que ela fala, mas eu nunca imaginei que ela notasse tanto.

“Querida,” ela diz olhando para mim com olhos cheios de lágrimas, “Eu estaria mentindo se dissesse que em algum momento eu não acreditei da mesma maneira que ele acredita.”

Eu posso apenas supor que ela está agora falando da minha sexualidade.

“Mas é como se a cabeça de todo mundo progredisse menos a dele,” ela concorda com a cabeça, “E eu simplesmente não sei como desafiá-lo,” ela dá de ombros.

Eu sinto o caroço crescer na minha garganta enquanto ela continua a falar.

“Eu não sou tão corajosa como você Lauren,” ela diz, fazendo meu coração se partir, “Eu cresci em um mundo em que uma mulher só deve falar quando é dirigida a palavra e eu não estou falando que isso é certo, eu estou dizendo que era assim que era,” ela dá de ombros, “Mas eu estou tentando,” ela concorda com a cabeça;

Uma ideia passa pela minha mente; não é uma agradável, mas considerando de quem ele é parente eu acho que é uma que eu tenho que perguntar.

“Mãe,” eu falo, tentando abordar minha pergunta cuidadosamente, “Papi te machucou?”

Um riso suave sai de seus lábios e ela murmura, “Ele não machucou a todos nós?”

O cômodo cai em silêncio.

Nada além de fungados ocasionais de nós tentando afastar as lágrimas e ambas falhando.

“Mas você não vai para aquele jantar,” ela diz com determinação em sua voz.

“Mãe, tudo bem,” eu lhe digo, pensando que vai ser mais fácil para todo mundo.

Meus olhos focam nela enquanto ela balança a cabeça, “Não,” ela diz.

“Eu sou sua mãe,” ela insiste, “E é meu dever te proteger.”

Eu solto uma respiração e levanto, caminhando lentamente pela sala para sentar ao lado da minha mãe.

“Já era hora de eu realmente começar a fazer isso, não acha?” ela diz com lágrimas escorrendo pelas bochechas.

Eu tento meu melhor para enxugar todas as suas lágrimas, tendo a sensação que nós não estamos mais falando do meu pai.

Ela olha para mim suplicantemente e murmura, “Eu sinto tanto.”

Nesse momento minha visão está continuamente embaçada enquanto as lágrimas continuam a cair de meus olhos.

“Eu não sabia,” ela complementa.

“Mãe, para,” eu sussurro suavemente.

“Você é minha filha,” ela diz desesperadamente, “E você estava sofrendo, e eu nem sequer notei,” ela chora.

Eu balanço minha cabeça enquanto ela toma as minhas mãos nas delas.

“Não foi sua culpa,” eu lhe digo, “Nada disso foi sua culpa.”

E eu falo sério. Eu não culpo nenhum dos meu pais pelo o que aconteceu, eu certamente desejei que isso fosse levado com mais consideração quando eu confessei, mas a verdadeira ação não foi culpa de nenhum dos dois. Só há uma única pessoa a culpar e não são eles.

Alguns minutos passam em silêncio enquanto nós duas tentamos confrontar uma a outra.

Logo quando eu estava prestes a falar novamente o celular da minha mãe toca e eu sinalizo para ela atendê-lo.

Ela enxuga o resto das lágrimas como se a pessoa do outro lado da linha fosse capaz de vê-las se ela não limpá-las antes de atender.

“Alô?” ela responde calmamente.

Me espanta como ela pode ir de desmoronando para completamente contida em uma questão de segundos.

Eu me pergunto quantas vezes ela tem tido que fazer isso no passado para desenvolver a habilidade e executá-la tão perfeitamente.

“Aqui é ela,” ela continua.

Seus olhos em pânico encontram os meus e eu não sou capaz de escutar uma palavra que sai da boca dela depois dela dizer

“Chris está no hospital.”



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