História 『The Player』 - Capítulo 29


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO, Lu Han
Personagens Chen, D.O, Lay, Lu Han, Sehun, Xiumin
Tags Hunhan
Exibições 250
Palavras 4.975
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Annyeong~~ aqui é a Yunaio.

Por dois meses eu fiquei longe de vocês, sem nem atualizar nada ou explicar sobre meu sumiço.
Bem, eu estava na lista dos alunos que provavelmente estariam retidos no final do ano, e como já repeti o primeiro ano colegial, fiquei com medo de repetir o segundo.
Me esforcei esse bimestre que passou, muito mesmo, saindo da lista dos alunos com chance de reprovar. Agora que minhas notas estão altas, estou mais calma e com mais tempo para escrever. Irei postar semanalmente agora.

Obrigada pela atenção, amo vocês xx

Capítulo 29 - Vinte e Nove


Sehun finalmente abriu caminho em meio a muitidão com Shigueo ao seu lado, sussurrando em seu ouvido. Sehun assentiu e respondeu. Meu sangue correu frio nas veias ao vê-lo ser tão amigável com o cara que havia nos ameaçado menos de vinte e quatro horas antes. Sehun se deleitou com os aplausos e os cumprimentos por seu triunfo enquanto a multidão rugia. Ele caminhava mais ereto, seu sorriso era mais largo, e, quando chegou até mim, me plantou um beijo na boca.

Pude sentir o suor salgado mesclado ao gosto ácido do sangue em seus lábios. Ele tinha ganhado a luta, mas não sem alguns machucados.

— O que foi aquilo? — perguntei, ao ver Shigueo rindo com sua gangue.

— Depois eu te conto. Temos muito o que conversar — disse ele, com um largo sorriso no rosto.

Um homem deu uns tapinhas nas costas dele.

— Valeu — disse Sehun em resposta, virando-se para cumprimentá-lo.

— Ansioso para ver mais uma luta sua, filho — disse o homem, entregando-lhe uma garrafa de cerveja. — Aquilo foi incrível.

— Vamos, Lu.

Ele tomou um gole da cerveja, bochechou e cuspiu. O líquido cor de âmbar no chão estava tingido de sangue. Ele foi passando em meio à multidão, inspirando fundo quando chegamos ao lado de fora, na calçada. Ele me beijou uma vez e me conduziu pela The Strip, com passos rápidos e determinados.

No elevador do hotel, me empurrou de encontro à parede espelhada agarrou minha perna e a ergueu num movimento rápido de encontro a seu quadril. Sua boca procurou a minha ansiosamente, e senti sua mão sob meu joelho deslizar até a coxa e puxar minha calça para baixo .

— Oh Sehun, tem câmera aqui — falei, com a boca encostada na sua.

— Que se foda — ele disse, rindo baixinho. — Estou comemorando.

Eu o afastei.

— Podemos comemorar no quarto — falei, limpando a boca e olhando para minha mão, vendo fios vermelhos de sangue.

— O que há de errado com você, Hyungnim? Você ganhou, eu ganhei, nós liquidamos a dívida do Yang e acabei de receber a proposta da minha vida.

O elevador se abriu e permaneci onde estava. Sehun saiu para o corredor.

— Que tipo de proposta? — eu quis saber.

Ele estendeu a mão para mim, mas ignorei. Meus olhos se estreitaram. Eu já sabia o que ele ia dizer

Ele suspirou.

— Já falei, vamos conversar sobre isso depois.

— Vamos conversar sobre isso agora.

Ele se inclinou na minha direção, me puxou pelo pulso e me ergueu em seus braços.

— Vou ganhar dinheiro suficiente para devolver a você o que o Yang te tirou, para você pagar o que falta da faculdade, para eu terminar de pagar minha moto e comprar um carro novo para você — ele disse, deslizando o cartão-chave pela ranhura na porta e abrindo-a, e depois me colocou no chão. — E isso é só o começo!

— E como exatamente você vai fazer isso?

Senti um aperto no peito e minhas mãos começaram a tremer.

Ele pegou meu rosto nas mãos, empolgado.

— O Shigueo vai me deixar lutar aqui em Vegas. Seis dígitos por luta, Lu. Seis dígitos por luta!

Fechei os olhos e balancei a cabeça em negativa, ignorando a excitação nos olhos dele.

— O que você disse pro Shigueo?

Sehun ergueu meu queixo e abri os olhos, temendo que ele já tivesse assinado contrato.

Ele riu baixinho.

— Falei pra ele que pensaria no assunto.

Soltei o ar que estava prendendo.

— Ah, graças a Deus! Não me assusta desse jeito, Hun. Achei que você estivesse falando sério.

Ele fez uma careta e assumiu uma postura firme antes de falar.

— Eu estou falando sério, Lu. Eu disse a ele que precisava conversar com você primeiro, mas achei que você ficaria feliz. Ele vai agendar uma luta por mês. Você faz ideia de quanto dinheiro isso significa? Dinheiro VIVO!

— Eu sei fazer conta, Sehun. E também sei manter o juízo quando estou em Vegas, algo que, é óbvio, você não sabe. Tenho que te tirar daqui antes que você faça alguma idiotice.

Fui até o armário, arranquei nossas roupas dos cabides e as enfiei furiosamente na mala.

Ele pegou gentilmente meus braços e me virou.

— Eu posso fazer isso. Posso lutar para o Shigueo durante um ano e a gente fica bem de vida por um bom tempo, um bom tempo mesmo.

— O que você vai fazer? Largar a faculdade e se mudar pra cá?

— O Shigueo vai pagar minhas viagens e marcar as lutas de acordo com o meu horário na faculdade.

Dei risada, incrédulo.

— Você não pode ser tão ingênuo, Sehun. Quando se está na folha de pagamento do Shigueo, você não vai lutar para ele somente uma vez por mês. Esqueceu do Dane? Você vai acabar se tornando um dos capanga dele!

Ele balançou a cabeça.

— Nós já discutimos sobre isso, Lu hyung. Ele não quer que eu faça nada além de participar das lutas.

— E você confia nele? Sabe por que o chamam de Shigueo Liso por aqui?

— Eu quero comprar um carro pra você, Menino Flor. Um carro legal. Além de pagar as mensalidades da faculdade, as minhas e as suas.

— Ah, a máfia está distribuindo bolsas de estudos agora?

Sehun cerrou o maxilar. Ele estava irritado por ter que me convencer.

— Isso vai ser bom pra gente. Eu posso guardar dinheiro até comprar uma casa. Não consigo ganhar isso em nenhum outro lugar!

— E quanto à sua formação em Artes? Você vai ver seus antigos colegas de classe com certa frequência trabalhando para o Shigueo, juro pra você!

— Sarang, eu entendo seu medo, De verdade. Mas estou sendo esperto em relação a isso. Vou lutar por um ano e depois a gente cai fora para fazer o que bem entender.

— Não se larga simplesmente o Shigueo, Hun. Ele é o único que pode lhe dizer quando acabou. Você não faz ideia de com quem está lidando! Não consigo acreditar que você está sequer considerando essa possibilidade! Trabalhar para um homem que teria mandado os capangas dele nos espancarem sem dó ontem à noite se você não tivesse impedido?

—Exatamente. Eu o impedi.

— Você impediu dois dos capangas dele, Sehun. O que você vai fazer se surgir uma dúzia deles? O que você vai fazer se eles vierem atrás de mim durante uma de suas lutas?

— Não faria sentido ele fazer uma coisa dessas. Vou ganhar uma montanha de dinheiro pra ele.

— No momento em que você decidir que não vai mais fazer isso, você se torna descartável. É assim que essas pessoas trabalham.

Sehun se afastou de mim e olhou pela janela. As luzes piscantes coloriam suas feições em conflito. Sua decisão já estava tomada antes mesmo de ele vir falar comigo.

— Vai dar tudo certo, Luhan. Vou garantir isso. E então a gente vai ficar bem.

Balancei a cabeça e me virei, enfiando as roupas na mala. Quando chegássemos em casa, ele voltaria a ser o velho Sehun novamente. Las Vegas fazia coisas estranhas com as pessoas, e eu não conseguiria argumentar com Sehun enquanto ele estivesse embriagado com aquele fluxo de dinheiro e uísque.

Eu me recusei a continuar discutindo o assunto até que estivéssemos no avião, com medo de que Sehun me deixasse partir sem ele. Prendi o cinto de segurança e cerrei os dentes, observando-o olhar de maneira nostálgica pela janela do avião, enquanto subíamos no céu noturno. Ele já estava sentindo falta da malícia e das tentações ilimitadas que Vegas tinha a oferecer.

— É muito dinheiro, Hyung.

— Não.

Ele virou a cabeça na minha direção.

— Essa decisão é minha. Não acho que você está tendo uma visão ampla das coisas.

— E eu acho que você perdeu a droga da razão.

— Você não está nem considerando a ideia?

— Não, e nem você. Você não vai trabalhar para um criminoso assassino em Las Vegas, Sehun. É completamente ridículo que você pense que eu poderia considerar essa possibilidade.

Ele suspirou e olhou pela janela.

— Minha primeira luta é daqui a três semanas.

Meu queixo caiu.

— Você já concordou?

Ele piscou.

— Ainda não.

— Mas vai concordar?

Ele sorriu.

— Você vai parar de ficar bravo quando eu te comprar um Lexus.

— Eu não quero um Lexus — falei, borbulhando de raiva.

— Você pode ter qualquer coisa que quiser, sarang. Imagine a sensação de ir até a concessionária e só precisar escolher sua cor predileta.

— Você não está fazendo isso por mim. Pare de fingir que é por mim.

Ele se inclinou na minha direção e beijou o meu cabelo.

— Não, estou fazendo isso por nós. Você só não está conseguindo enxergar como vai ser o máximo.

Um calafrio se espalhou no meu peito e desceu pela coluna até as pernas. Ele não conseguiria raciocinar direito até que estivéssemos no apartamento, e eu estava morrendo de medo que Shigueo lhe tivesse feito uma oferta que ele não teria como recusar. Afastei meus temores; eu tinha que acreditar que Sehun me amava o bastante para esquecer as cifras e as falsas promessas que Shigueo lhe tinha feito.

— Hyung? Você sabe preparar peru?

— Peru? — falei, pego de surpresa pela súbita mudança na conversa.

Ele apertou de leve a minha mão.

— É que o feriado Chuseok (tipo uma Ação de Graças coreano) está chegando, e você sabe que o meu abeoji* te adora. Ele quer que você apareça por lá, mas a gente sempre acaba pedindo uma pizza e vendo um jogo na TV. Achei que talvez eu e você pudéssemos preparar um peru juntos. Sabe, um verdadeiro jantar Chuseok com peru, uma vez na vida, na casa dos Oh.

Pressionei os lábios, tentando não rir.

— É só colocar o peru numa travessa e deixar assando o dia inteiro. Não tem muito segredo.

— Então você vem? Vai me ajudar?

Dei de ombros.

— Claro.

Ele se distraiu das intoxicantes luzes lá embaixo, e me permiti ter esperanças de que ele percebesse, no fim das contas, como estava errado em relação ao Shigueo.

Sehun colocou nossas malas na cama e desabou ao lado delas. Ele não tinha mais tocado no assunto do Shigueo, e eu estava esperançoso de que Vegas tivesse começado a sair de seus pensamentos. Dei banho em Vivi, com nojo pelo cheiro de fumaça e meias sujas que ele exalava por ter passado o fim de semana no apartamento do JongIn. Depois o sequei no quarto com uma toalha.

— Ah! Agora sim! — dei risada quando ele rebolou, borrifando em mim gotículas de água. Ele ficou em pé, apoiado nas patas traseiras, e lambeu meu rosto. — Também senti sua falta, bonitinho.

— Hyungnim? — Sehun me chamou, estalando os dedos nervosamente.

— O quê? — respondi, esfregando Vivi com a toalha felpuda amarela.

— Eu quero fazer isso. Quero lutar em Vegas.

— Não — falei, sorrindo para a carinha feliz do Vivi.

Ele suspirou.

— Você não está me ouvindo. Eu vou fazer isso. Daqui a alguns meses você vai ver que tomei a decisão certa.

— Você vai trabalhar para o Shigueo?

Ele assentiu, nervoso, e depois sorriu.

— Eu só quero cuidar de você, Lu.

Lágrimas turvaram meus olhos, sabendo que ele estava determinado.

 — Eu não quero nada comprado com esse dinheiro, Sehun. Não quero nada que tenha a ver com o Shigueo, nem com Vegas, nem com nada daquilo.

— Você não via problema algum em comprar um carro com o dinheiro das minhas lutas aqui.

— É diferente, e você sabe.

Ele franziu a testa.

— Vai ficar tudo bem, Hyungnim, Você vai ver.

Fiquei olhando para ele por um instante, na esperança dever um reluzir de diversão em seus olhos, esperando que ele me dissesse que estava brincando. Mas tudo que pude ver foi incerteza e ganância.

— Então por que você me perguntou, Sehun? Se ia trabalhar pro Shigueo não importando o que eu dissesse?

—Porque quero o seu apoio, mas é muito dinheiro para recusar. Eu seria louco de dizer não.

Fiquei sentado por um momento, sem reação. Quando consegui digerir tudo, assenti.

— Tudo bem, então. Você tomou sua decisão.

Sehun reluzia de felicidade.

— Você vai ver, Hyungnim. Vai ser o máximo! — ele exclamou, me puxando para fora da cama e beijando meus dedos. — Estou morrendo de fome, e você?

Fiz que não, e ele beijou minha testa antes de ir até a cozinha. Ao ouvir seus passos sumindo no corredor, puxei minhas roupas dos cabides, agradecido por ter lugar na mala para a maioria das minhas coisas. Lágrimas de raiva escorriam pelo meu rosto. Eu sabia que não devia ter levado Sehun àquele lugar. Eu tinha lutado com unhas e dentes para mantê-lo afastado do lado negro da minha vida e, no momento em que a oportunidade se apresentou, eu o arrastei sem pensar duas vezes ao centro de tudo que eu odiava.

Sehun agora faria parte daquilo e, se ele não ia me deixar salvá-lo, eu tinha que pelo menos me salvar.

A mala estava tão cheia que por pouco não consegui fechá-la. Puxei-a da cama e passei pela cozinha sem nem olhar para ele. Desci rapidamente os degraus, aliviado por Jongdae e Yixing ainda estarem se beijando e rindo no estacionamento, transferindo a bagagem dela de cano.

— Lu? — Sehun me chamou da entrada do apartamento.

Peguei o pulso de Jongdae.

— Preciso que você me leve até o dormitório, Chen. 

— O que está acontecendo? — ele me perguntou, notando a seriedade da situação pela expressão do meu rosto.

Olhei de relance para trás e vi Sehun descendo rápido as escadas e cruzando o gramado para chegar até onde estávamos.

— O que você está fazendo? — ele me perguntou, apontando para a minha mala.

Se eu lhe contasse a verdade naquele momento, todas as esperanças de me separar do Yang, de Vegas, do Shigueo e de tudo que eu não queria estariam perdidas. Sehun não me deixaria ir embora, e, pela manhã, eu teria me convencido a aceitar a decisão dele.

Cocei a cabeça e abri um sorriso, tentando ganhar tempo para pensar em uma desculpa.

— Vou levar minhas coisas até o dormitório. Lá eles têm todas aquelas lavadoras e secadoras, e eu tenho uma quantidade enorme de roupa suja para lavar.

Ele franziu a testa.

— Você ia embora sem me falar nada?

Olhei de relance para Chen e depois para Sehun, me esforçando para chegar à mais crível mentira.

— Ele ia voltar, Hun. Você é tão paranoico — disse Jongdae, com o mesmo sorriso indiferente que havia usado tantas vezes para enganar os pais.

— Ah— ele disse, ainda na incerteza. — Você vai ficar aqui hoje à noite? — ele me perguntou, beliscando o tecido do meu casaco.

— Não sei. Depende de quando vou terminar de lavar e secar minhas roupas.

Sehun sorriu, me puxando para perto dele.

— Em três semanas, vou pagar pra alguém lavar e secar suas roupas. Ou você pode simplesmente jogar fora as roupas sujas e comprar novas.

— Você vai lutar para o Shigueo de novo? — perguntou Chen, chocado.

— Ele me fez uma oferta irrecusável.

— Sehun ... — Yixing começou a dizer

—Não venham pra cima de mim com essa também. Se não mudei de ideia pelo Hyung, não vai ser por vocês.

Jonhdae encontrou o meu olhar e me entendeu.

— Bom, é melhor a gente ir, Luhan.  Vai levar uma eternidade pra você lavar e secar essa pilha de roupas.

Assenti, e Sehun se inclinou para me beijar. Eu o puxei para perto, sabendo que seria a última vez que sentiria seus lábios nos meus.

— A gente se vê depois — disse ele. — Eu te amo.

Yixing ergueu minha mala e a colocou no porta-malas do Honda, e Jongdae se sentou ao meu lado. Sehun cruzou os braços no peito, conversando com o primo enquanto Chen dava partida.

— Você não pode ficar no seu quarto hoje, Lu. Ele vai direto pra lá quando sacar o que aconteceu — ele disse, enquanto saía do estacionamento em marcha a ré.

Meus olhos se encheram de lágrimas, que transbordaram e caíram pelo meu rosto.

— Eu sei.

A alegria no rosto de Sehun desapareceu quando ele viu minha expressão. Na mesma hora foi correndo até a minha janela do carro.

— O que aconteceu, Lu? — ele me perguntou, batendo de leve vidro.

— Vai, Chen — falei, secando os olhos.

Eu me concentrei na rua á minha frente enquanto ele corria ao lado do carro.

— Luhan? Kim Jongdae para a merda desse carro! — ele gritou, batendo a palma da mão com força no vidro. — Luhan, não faz isso! — ele disse, percebendo o que estava acontecendo, com uma expressão distorcida de medo.

Chen virou na rua principal e pisou no acelerador

— Eu vou escutar até o fim da vida por causa disso... só pra você saber.

— Sinto muito, Dae. Muito mesmo.

Ele olhou de relance no espelho retrovisor e apertou o acelerador.

— Meu Deus, Sehun - murmurou baixinho.

Eu me virei e o vi correndo a toda velocidade atrás de nós, desaparecendo e reaparecendo entre as luzes e as sombras dos postes da rua. Quando chegou ao fim da quadra, ele virou na direção oposta e seguiu correndo rumo ao apartamento.

— Ele vai voltar para pegar a moto. Vai nos seguir até o dormitório e fazer uma cena daquelas.

Fechei os olhos.

— Então anda logo. Vou dormir no seu quarto hoje. Você acha que o Baek vai se incomodar?

— Ele nunca está lá. Sehun realmente vai trabalhar para o Shigueo?

A palavra ficou presa na minha garganta, então eu só assenti. Jongdae pegou minha mão e a apertou de leve.

— Você está tomando a decisão certa, Lu. Você não pode passar por isso de novo. Se ele não quer te ouvir, não vai ouvir ninguém.

Meu celular tocou. Baixei o olhar e vi a cara de bobo do Sehun, então apertei o botão para ignorar a chamada. Menos de cinco segundos depois, tocou de novo. Desliguei o celular e o enfiei na bolsa.

— Isso vai dar uma puta confusão — falei, balançando a cabeça e secando os olhos.

— Não invejo sua vida pela próxima semana ou mais. Não consigo imaginar terminar o namoro com alguém que se recusa a ficar afastado. Você sabe como vão ser as coisas, não sabe?

Paramos o carro no estacionamento do dormitório. Jongdae segurou a porta aberta enquanto eu entrava com a mala. Corremos até o quarto dele e soltei o ar que vinha prendendo, esperando que ele abrisse a porta. Tão logo ele fez isso, me jogou a chave.

— Ele vai acabar sendo preso ou algo do gênero — Jongdae disse. Ele atravessou o corredor e fiquei olhando enquanto cruzava, apressado, o estacionamento, entrando no carro no exato momento em que Sehun estacionou a moto ao lado dele. Ele deu a volta correndo até o lado do passageiro e abriu a porta com tudo, olhando para o dormitório  quando se deu conta de que eu não estava ali. Chen recuou com o carro enquanto ele corria para dentro do prédio. Eu me virei, olhando para a porta.

Na outra ponta do corredor, Sehun socava a porta do meu quarto, chamando meu nome. Eu não fazia nem ideia se Kyungsoo estava lá, mas, se estivesse, me senti mal pelo que ele teria de aguentar durante os minutos seguintes, até que Sehun aceitasse o fato de que eu não estava ali.

— Luhan? Abre a porra dessa porta! Não vou embora até você falar comigo! — ele gritou, batendo na porta com tamanha força que o prédio todo poderia ouvi-lo

Eu me encolhi ao ouvir a voz grossa de Kyungsoo.

— Que foi? — ele grunhiu.

Encostei o ouvido na porta, me esforçando para escutar. Não precisei me esforçar muito.

— Eu sei que Luhan está aí! — ele berrou. — Luhan?

— Ele não... - Kyungsoo guinchou.

A porta bateu com tudo na parede de cimento e eu sabia que Sehun havia forçado a entrada. Depois de um minuto de silêncio, ele atravessou o corredor aos berros.

— Xiao Luhan! Onde ele está?

— Eu não sei! — gritou Kyungsoo, com mais raiva do que nunca.

A porta se fechou com muita força, e de repente senti um enjoo terrível e fiquei esperando pelo que ele faria em seguida.

Depois de muitos minutos de silêncio, abri uma fenda na porta e espiei pelo amplo corredor. Sehun estava sentado, encostado na parede cobrindo o rosto com as mãos. Fechei a porta o mais silenciosamente possível, preocupado que a polícia do campus pudesse ter sido chamada. Depois de uma hora, olhei de relance para o corredor de novo. Ele não havia saído do lugar.

Verifiquei mais duas vezes durante a noite e por fim peguei no sono, lá pelas quatro da manhã. Dormi até mais tarde, sabendo que não iria à faculdade naquele dia. Liguei o celular para verificar as mensagens e vi que Sehun tinha enchido minha caixa postal. As infinitas mensagens de texto que ele tinha me enviado durante a noite variavam de pedidos de desculpas a desvarios descontrolados.

Liguei para Jongdae à tarde, na esperança de que Sehun não tivesse confiscado o celular dele. Quando ele atendeu, soltei um suspiro.

— Oi.

Ele manteve a voz baixa.

—Não contei pro Yixing onde você está. Não quero ele no meio disso. O Sehun está louco da vida comigo. Provavelmente vou passar a noite no dormitório hoje.

— Se o Sehun não tiver se acalmado... boa sorte ao tentar dormir aqui. Ele fez uma performance digna de Oscar no corredor ontem à noite. Estou surpreso de ninguém ter chamado os seguranças.

— Ele foi expulso da aula de história hoje. Quando você não apareceu, ele chutou e virou a sua carteira e a dele. O Yixing ouviu dizer que ele ficou esperando por você depois de todas as suas aulas. Ele está ficando maluco, Lu. Eu disse a ele que estava tudo acabado entre vocês dois no momento em que ele tomou a decisão de trabalhar para o Shigueo. Não consigo acreditar que ele achou por um único segundo que você ficaria de boa com isso.

— Acho que a gente vai se ver quando você chegar aqui. Ainda não posso ir para o meu quarto.

Jongdae e eu fomos colegas de quarto durante a semana que se seguiu, e ele se certificou de manter Yixing afastado para que ele não ficasse tentado a contar a Sehun sobre o meu paradeiro. Era desgastante tentar não me deparar com ele. Eu evitava a todo custo o refeitório e a aula de história, e agia com cautela, saindo mais cedo das aulas. Eu sabia que teria de conversar com Sehun em algum momento, mas não conseguiria fazer isso até que ele estivesse calmo a ponto de aceitar a minha decisão.

Na sexta-feira à noite, eu estava sentado na cama, sozinho, segurando o celular ao ouvido. Revirei os olhos quando meu estômago grunhiu.

— Eu posso ir te buscar e te levar pra jantar — me disse Jongdae.

Fiquei folheando o livro de história, pulando as páginas em que Sehun tinha desenhado e escrito mensagens de amor nas margens.

— Não, essa é a sua primeira noite com o Yixing em quase uma semana, Chen. Eu dou uma passada lá no refeitório.

— Tem certeza?

— Tenho. Fala pro Lay que eu mandei um “oi”.

Fui caminhando devagar até o refeitório, sem pressa alguma de aguentar os olhares fixos em mim daqueles que estavam às mesas. A faculdade inteira estava alvoroçada com nosso término, e o comportamento volátil de Sehun não ajudava. Assim que avistei as luzes do refeitório, vi uma silhueta escura se aproximando.

— Luhan?

Parei, alarmado. Sehun apareceu sob a luz, pálido e com a barba por fazer.

— Meu Deus, Sehun! Você quase me mata de susto!

— Se você atendesse o telefone quando eu te ligo, eu não precisaria te seguir no escuro.

— Você está com uma cara horrível — falei.

— Estive no inferno uma ou duas vezes essa semana.

Apertei os braços ao redor do corpo.

— Estou indo pegar algo pra comer. Te ligo depois, tá?

— Não. Nós precisamos conversar.

— Hun...

— Eu recusei a oferta do Shigueo. Liguei pra ele na quarta-feira e disse, não...

Havia um brilho de esperança em seus olhos, que desapareceu quando ele notou a minha expressão.

— Eu não sei o que você quer que eu diga, Sehun.

— Diz que me perdoa. Que me aceita de volta.

Cerrei os dentes, me proibindo de chorar.

— Não posso.

Seu rosto se contorceu. Aproveitei a oportunidade para dar a volta por ele, mas ele deu um passo para o lado e se pôs no meu caminho.

— Eu não comi, não dormi... não consigo me concentrar. Eu sei que você me ama. Tudo vai voltar a ser como era se você me aceitar de volta.

Fechei os olhos.

— A gente não dá certo juntos, Sehun. Acho que você está obcecado com o pensamento de me possuir mais do que qualquer outra coisa.

— Isso não é verdade. Eu te amo mais do que amo a minha própria vida, Luhaj — disse ele, magoado.

— É exatamente disso que eu estou falando. Isso é papo de gente louca.

— Não é loucura. É a verdade.

— Tudo bem... então qual é a ordem pra você? É o dinheiro, vida... ou tem algo que vem antes do dinheiro?

— Eu percebi o que eu fiz, ok? Eu entendo por que você pensa assim, mas, se eu soubesse que você ia me deixar, eu nunca teria... Eu só queria cuidar de você.

— Você já disse isso.

— Por favor, não faz isso. Eu não suporto essa sensação... isso está... está me matando — ele disse, exalando como se o ar tivesse saído por nocaute.

— Pra mim chega, Sehun.

Ele se encolheu.

— Não diz isso.

— Acabou. Vai pra casa.

Ele juntou as sobrancelhas.

— Você é a minha casa.

As palavras dele foram cortantes, e meu peito ficou tão apertado que era difícil respirar.

— Você fez sua escolha, Hun. E eu fiz a minha —falei, amaldiçoando o tremor na minha voz.

— Eu vou ficar longe de Las Vegas e longe do Shigueo... Vou terminar a faculdade. Mas eu preciso de você. Você é o meu melhor amigo. — A voz dele estava desesperada e partida, igualando-se à sua expressão.

Sob a luz difusa, pude ver uma lágrima cair de seu olho e, no momento seguinte, ele esticou a mão para mim e eu estava em seus braços, e seus lábios nos meus. Ele me abraçou apertado de encontro ao peito e me beijou, depois aninhou meu rosto nas mãos, pressionando os lábios com mais força na minha boca, desesperado para obter uma reação.

— Me beija — ele sussurrou, selando a boca na minha.

Mantive os olhos e a boca fechados, relaxando em seus braços. Precisei de todas as forças em meu ser para não mover minha boca junto à dele, tendo desejado aqueles lábios a semana inteira.

— Me beija! — ele implorou. — Por favor, Luhan! Eu disse pra ele que não vou!

Quando senti lágrimas quentes ardendo em meu rosto frio, eu o afastei.

— Me deixa em paz, Oh Sehun!

Eu tinha conseguido andar menos de um metro quando ele me agarrou pelo pulso. Meu braço ficou reto, estirado para trás. Não me virei.

— Eu te imploro. — Meu braço abaixou e senti um puxão quando ele se pôs de joelhos. — Estou te implorando, Luhan. Não faz isso.

Eu me virei e me deparei com sua expressão de agonia, então meus olhos se voltaram para baixo e vi meu nome em espessas letras negras estampado em seu pulso flexionado. Desviei o olhar em direção ao refeitório. Ele havia provado para mim aquilo que eu temera o tempo todo. Por mais que ele me amasse, quando houvesse dinheiro envolvido, eu ficaria em segundo lugar. Exatamente como era com Yang.

Se eu cedesse, ou ele mudaria de ideia em relação a Shigueo ou ficaria ressentido comigo todas as vezes em que o dinheiro pudesse tornar sua vida mais fácil. Eu o imaginava em um emprego num escritório, voltando para casa com a mesma expressão que Yang tinha depois de uma noite de azar. Seria minha culpa que a vida dele não era o que ele desejava, e eu não podia permitir que meu futuro fosse atormentado pela amargura e pelo arrependimento que havia deixado para trás.

— Me solta, Sehun.

Depois de vários minutos, ele por fim soltou meu braço. Fui correndo até a porta de vidro, abrindo-a com força, sem olhar para trás. Todo mundo no salão ficou me encarando enquanto eu caminhava em direção ao bufê, e, assim que cheguei lá, todos se viraram para olhar para o lado de fora das janelas, onde Sehun estava de joelhos, com as palmas estiradas no chão.

A visão dele ajoelhado ali fez com que as lágrimas que eu vinha segurando voltassem a escorrer rapidamente pelo meu rosto. Passei pela pilhas de pratos e travessas, atravessando o corredor a toda velocidade em direção aos banheiros. Já era mim o bastante que todo mundo tivesse visto a cena entre mim e Sehun. Eu não poderia deixar que me vissem chorar.

Fiquei encolhido e tremendo na cabine do banheiro durante uma hora, chorando descontroladamente, até que ouvi alguém bater à porta de leve.

— Lu?

Funguei.

— O que você está fazendo aqui, Baekhyun? Você não estava no Japão?

— Primeiramente, voltei ontem. Seguidamente Kyung te viu entrando e foi até o meu quarto me buscar. Me deixa entrar — ele disse, com uma voz terna.

Fiz que não com a cabeça. Eu sabia que ele não podia me ver, mas não conseguia falar mais nenhuma palavra. Ouvi o suspiro que ele soltou e então vi suas mãos espalmadas no chão, quando ele começou a rastejar sob a porta da cabine.

— Não acredito que você está me obrigando a fazer isso — ele disse, se arrastando por debaixo da porta. — Você vai lamentar não ter aberto essa porta, porque acabei de rastejar nesse chão coberto de xixi e agora vou te abraçar.

Dei risada uma vez, e então meu rosto ficou comprimido em volta do sorriso quando Baekhyun me abraçou. Meus joelhos fraquejaram, e ele me abaixou com cuidado até o chão e me colocou no colo.

— Shhhh — disse, me embalando em seus braços. Depois suspirou e balançou a cabeça. — Que droga, menino. O que eu vou fazer com você?


*Abeoji: Pai 


Notas Finais


Desculpem qualquer erro, digitar pelo celular é uma merda. Até semana que vem!


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