História The Protest - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camila Cabello, Camren, Fifth Harmony, Lauren Jauregui, The Protest
Exibições 267
Palavras 5.451
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Mais um capítulo para vocês hoje! Não se deixem levar pela facilidade das coisas hein, ainda tem muita coisa pra acontecer. hahahah

Capítulo 3 - Find me


Pov Lauren.

 

Dra. Lauren Michelle Jauregui, por favor compareça a sala de cirurgia plena.

Fechei os olhos com força e inspirei. O dia já começara difícil.

 

Flashback.

Miami, Flórida, EUA.

 

Cansada, exausta.

Era isso, essas duas palavras me descreviam. Eu estava a longos 30 minutos na sala do diretor executivo do Mercy Hospital tentando negociar uma promoção para mim. Ele achava que era bom, mas eu era melhor.

-Nós temos uma oportunidade para você. Bellevue Hospital Center, New York. –Senhor Marsson dizia, exalava seriedade.

-Isso implicará ficar longe da minha família. –Eu disse simplesmente. Medo de arriscar? Não! Quero jogar com ele, será sob minhas condições.

-Estamos falando de 20, Doutora Jauregui. –Ele estava apreensivo, seria medo de eu recusar?!

-20 mil Dólares, não é nada para mim senhor, será uma mudança grande em minha vida, eu vou me casar. Aceite minhas condições, terá minhas consequências.

-Eles querem muito você. –Sibilou, meticuloso.

Abri um enorme sorriso para depois dizer:

-O quanto eles me querem?

Flashback off.

 

Nova Iorque, EUA.

Lembrei-me daquele dia, o dia em que fechei negócio para vir trabalhar em New York, hoje fazia exatamente um ano desde que aceitei. Eu estava nostálgica.

-Dra. Jauregui, hoje você faz plantão? –Dra. Ana Beth me perguntava enquanto eu vestia a roupa para encaminhar-me a sala de cirurgia.

-Sim.

Me limitei a responde-la sem ao menos olha-la, sei os intensões dela com essa pergunta, não irei ser grosseira, então apenas me virei, pus a máscara e entrei pelas portas.

-O que temos aqui? –Perguntei, após ver o rapaz com a fratura exposta desacordado na mesa de cirurgias.

-Articulação do tornozelo, lesões condais, corpo livre intra-articular. –Uma jovem que eu sequer sabia o nome explicou.

-Preciso do bisturi de micro. Vamos forçar uma inserida no osso. –Respirei fundo.

E lá vamos nós...

 

Ortopedista, diferente de meu pai. Somos dois médicos em minha casa, um futuro engenheiro, uma professora, e uma adolescente.

Desde cedo eu já tinha total certeza de minha escolha, ainda criança, ficava vendo papai, implorava para ir ao hospital com ele, fingia que estava em cirurgias, fingia dar consultas, tudo que na minha pequena cabeça de medica, faz.

Não é fácil.

Mas eu nasci para isso, não existe outra coisa que eu saiba fazer que seja diferente de me dedicar inteiramente a minha profissão, assim como meu pai, Dr. Michael Jauregui endocrinologista, homem de quem me orgulho.

 Mas como eu disse, não é fácil.

Depois de ganhar uma promoção mais do que merecida sai das asas de meu pai no Hospital Mercy de Miami onde eu trabalhava basicamente junto com ele, e vim direto para New York, onde moro com meu irmão Chris, que estuda Engenharia na Universidade de New York.

Mas não foi sempre assim, comecei a morar com meu irmão há pouco mais de 3 meses, quando terminei meu noivado de 4 anos.

Nós nunca nos planejamos para perder alguém, não existe comparações.

Eu estava prestes a me casar, quando ganhei a promoção, ela veio morar comigo em Nova York. Estava indo tudo bem, ela trabalhava com fotografias literárias.

Estava.

Foi embora para Paris, sem mais nem menos, jogou 4 anos de uma relação solida, um futuro casamento e foi embora. Não se despediu. Lembro-me, eu cheguei em casa ás 6:00 AM depois de um longo plantão no hospital, não havia mais nada dela, roupas, sapatos, pertences, tudo havia desaparecido. Só um bilhete, onde dizia que eu era mais devota a minha profissão do que ao amor, ela me acusara de ser incapaz de amar alguém mais do que a minha profissão, que ela sempre estaria em primeiro lugar.

No começo as coisas foram as mais difíceis. Eu fiquei em choque, só chorei trancada em casa por uma semana, meu pai teve que vir para New York, pediu para que eu voltasse a trabalhar com ele em Miami e garantiu que lá sempre teria minha vaga.

Quando todos ficaram sabendo, eu disse aos meus amigos que já havia esquecido. Declarei a minha família que não sentia mais nada. Deletei nossas fotos, nem com o apartamento eu fiquei, pois me lembrava ela.... Foram 3 meses dessa caminhada, comecei a questionar-me se o que eu sentia era amor, pois da parte dela, eu não tinha dúvidas que nunca me amou de verdade. E da minha parte? Eu comecei a ter dúvidas. Será que era só acomodo por ter passado boa parte planejando minha vida para caber nesse casamento com Lucia Vives? Mas, eu sofri, talvez mais por orgulho ferido. Dói pensar que eu era tão terrível a ponto de não merecer sequer um adeus.

Portanto, eu fiz um juramento que mudaria, que isso não acabaria comigo, eu não iria deixar. Ela não merecia. Lembrar-me do que fez, me dá ânsias. Três meses e vinte cinco dias depois já não dói mais tanto assim.

Agora é diferente, eu não ando mais na rua tendo aquela ponta de esperança achando que vou encontrá-la para me dizer que tudo não passou de uma brincadeira. Hoje eu sorrio e não me importo quando falam dela. Convenci a todos que já superei. Tirando Frank, que me tira do sério quando começa com o discurso que eu preciso sair mais.

Ele é um bom amigo, vive tentando me arrumar encontros com mulheres que ele diz super combinar comigo, nunca dá certo.

Talvez eu esteja fechada para o amor, tenho medo de me ferir novamente, tenho medo de ter que recomeçar. Talvez, tenha sido essa marca que minha ex noiva me deixou.

O medo de me apaixonar novamente.

Eu estava dirigindo de volta para casa. Essa é a melhor parte de se fazer plantão a noite, você poder ir para casa acompanhando o nascer do sol, ele me banhava no momento, eu estava imersa em meus pensamentos sobre a beleza do pôr do sol e o que fazer para o café da manhã, até o toque do meu celular me tirar atenção. Atendi, no viva voz sem tirar atenção da pista a frente.

-Alô.

-Lauren? Sou eu!

-Frank, o que faz me ligando ás 6:00 da manhã?

-Você esqueceu que um cara como eu acorda cedo? Na verdade, mamãe me acordou para comprar chá. –Falou irônico. Revirei os olhos, mas sorri.

-O que você quer?

-Isso é jeito de tratar seu garotão? –Fiz uma careta.

Frank Johnson, um moreno alto, exibe um grande grupo de músculos, cabelos sempre bem penteados, vaidoso e simpático, olhos claros, porém mais escuros do que os meus, na verdade em tom mel para ser mais exata.  

Nos conhecemos a um ano atrás quando me mudei para New York, ele morava perto do meu antigo apartamento e jogava basquete aos domingos na quadra do condomínio, eu sempre descia para ler meu livro ao ar livre, até que um dia começamos a conversar, ele disse que me ensinaria basquete se eu ajudasse ele em uma matéria de biologia que ele tinha no cursinho e não conseguia entender. E assim começou, nós viramos amigos, bons amigos apesar do pouco tempo de convívio. Hoje em dia ainda jogamos basquete, porém é aos sábados quando não estou no hospital e é no Central Park. O cursinho, ele largou.

-Diga-me.  –Eu disse, já chegando e estacionando na vaga do prédio que eu morava com meu irmão.

-Tenho planos para hoje à noite.  –Revirei os olhos pegando minha bolsa e o jaleco na outra mão. Ativei o alarme do carro e pus o telefone no ouvido, caminhei para o elevador.

-Frank, segunda-feira à noite?

-Lauren, eu sei que você provavelmente está chegando de um plantão então isso significa que o próximo é só no final da semana, não vem usar desculpas de "estou cansada" comigo.

-Não é desculpa.  –Eu disse com dificuldade em abrir a porta do apartamento, apoiei o aparelho celular no ombro para ter a mão livre.

-Lembra da Dinah? A Loira que achou que você fosse minha esposa? Sim, sei que você lembra! Então, ela tem um julgamento importante hoje pela tarde, e provavelmente vai conseguir ganhar, vamos ao Brumm's bar comemorar.

-Eu não vou segurar vela para vocês.  –Eu disse incrédula de sua proposta, da última vez fiquei segurando vela para ele e a moça, apesar de que ela foi legal e se manteve conversando comigo a maior parte do tempo.

-A amiga Latina dela deve ir. 

-Você mesmo me disse que ela era heterossexual e que aquele dia foi um engano.  –Falei, após entrar no apartamento apoiando minhas coisas em cima do balcão americano e pegando uma maça que estava na fruteira.

-E desde quando você liga para isso?

-Desde que eu passei a me importar em transar, e transar com uma heterossexual é mais difícil do que transar com uma lésbica.

-E quem disse que você vai transar com a menina sua médica pervertida. Ela é do Javier, ele vai e ele ia encontrar ela aquele dia. Eu falei em amizade, sei que você não dispensa uma boa conversa, ela é advogada, inteligente, deve gostar dessas coisas malucas que você gosta.

-Então vou ter que segurar vela para você e o fudido do Javier? –Sibilei como desprezo, não gosto desse cara, ele é amigo do Frank, um intrometido dentista. Se acha muito mais do que é, nunca fomos amigos.

-Não se você a conquistar primeiro. –Ele disse, eu conheço esse tom de voz, convidativo, ele sabe que eu amo desafios.

Ultimamente eu tenho feito muito isso com Frank, nós saímos, apostamos uma mulher na noite, as vezes ele consegue, as vezes eu. É até um pouco infantil, para uma mulher de 29 anos com tempo escasso por conta do trabalho, mas não pretendemos magoar ninguém, nem desrespeitar nenhuma mulher, isso jamais. Só saímos com quem deixa claro que quer apenas uma noite. Não sou de se jogar fora, minha paciência, minha calma e educação são minhas companheiras, sei como agradar alguém, principalmente uma mulher. Sou lésbica assumida desde os 19 anos.

Esse jogo é perigoso? Talvez! Mas nada me deixaria mais satisfeita do que ver a conquista do Javier comendo na minha mão. E Frank sabia disso.

-Feito. –Foi tudo que eu disse, ele pareceu entender pois deu uma risadinha baixa, eu quase podia ver o sorriso que se formou em seu rosto, posso apostar que tinha um.

-Qual o nome dela? –Perguntei, sem interesse, seria educado chegar já sabendo o nome.

-Ca... Já vou mamãe! –Frank gritou, pelo visto sua mãe havia o chamado, desvantagens de se morar com a mãe.

-Camila de alguma coisa. Eu preciso ir Lauren, mais tarde te mando uma mensagem confirmando o endereço e o horário. –Ele disse despedindo-se, mas antes que pudesse finalizar a ligação eu o chamei:

-Frank... Certifique-se que a senhorita Camila vá.

E assim finalizei a ligação, não esperei sua resposta pois eu sei que não viria. Caminhei para meu quarto ainda mastigando a maça, estava doce como sabor de primeiro amor. Meus planos para o momento consistiam-se em tomar um banho, após um café da manhã e depois dormir, afinal passei a noite trabalhando.

Eu estava me sentindo uma conquistadora barata. Era engraçado, nunca me imaginei nessa posição, provavelmente nesses três meses eu dormi com mais mulheres do que dormi minha vida inteira. Não é algo que me orgulhe de fazer ou dizer, eu faço porque é a lei natural da vida, da minha vida. Não pretendo mais um relacionamento, muito menos um casamento. Mas o prazer, o prazer é algo que não pretendo abrir mão.

-Chris, é você? –Estava prestes a entrar no banheiro quando ouvi um barulho vindo da sala.

-Lauren, sou eu, vem aqui. –Era a voz do meu irmão mais novo que me chamava, dei de ombros e adiei meu banho indo ao seu encontro.

-O que você está fazendo aqui e não na faculdade? Se... –Falei já atravessando o balcão que separava a cozinha da sala, me forcei a interromper quando vi meu irmão sentado no sofá com celular na mão e cara de espanto. -Christopher, aconteceu alguma coisa? –O questionei.

-Eu estava na faculdade, acabei de entrar, meu telefone tocou era a mamãe Lauren, ela disse que vem nos ver.

-Quando? –Perguntei, já pensando na dor de cabeça que minha mãe me causa.

-No final de semana. –Ele disse e engoliu em seco, provavelmente sentindo-se da mesma forma que eu.

Acontece que dona Clara, é uma ótima mãe, se preocupa conosco embora sejamos os filhos mais velhos e ela ter Taylor, minha irmã mais nova para se preocupar, ela sempre liga, faz visitas quando pode. Porém, ela tem um enorme defeito, um não, alguns.

Extremamente invasiva, ela simplesmente não liga. Deixe-me dar um exemplo para que vocês possam ver que não há nenhum exagero no que eu estou dizendo...

Se ela não gostar de alguma namorada de Chris, ela pega tanto no pé dele, persegue a menina, vê as redes sociais, fala tanto até Chris dar um basta e terminar com a menina.

Vocês podem achar “Ah, mas toda mãe faz isso, é normal." Errado. Se ela chegar aqui e achar que a decoração do nosso apartamento não está a agradando, ela muda tudo. Se ela chegar e achar que eu não tenho que trabalhar no sábado para ficar com ela, eu tenho que ficar e pronto. Se ela ver cartas em nosso nome, ela abre e lê.

Esse foi um dos motivos de eu ter aceitado sair de Miami, eu a amo, mas ela tem enormes problemas em controlar tudo que fazemos. Sei que Chris também se sente assim, sei que um dos motivos para ele se inscrever na NYU mesmo tendo várias Universidades em Miami que meu pai poderia pagar, foi ela. Ela foi um dos motivos pela opressão que passei antes de me assumir finalmente homossexual.

Ela tira nossa liberdade.

Mesmo com 29 anos eu ainda me sinto desconfortável com a presença dela.

-Ok. Vamos manter tudo em ordem para que ela não reclame das coisas. –Eu disse, tentando passar segurança a meu irmão. Ele bufou, colocando as mãos no joelho e tomando impulso para levantar do sofá.

-Ela não reclamar de nada, é impossível Lauren, impossível. –Passou por mim e foi abrir a geladeira. Pior é que ele tinha razão. Estalei o pescoço e estava pronta para ir tomar meu banho quando meu irmão me chamou novamente.

-Você vai sair hoje Laur? –Lá vem...

-Sim, à noite, por que? –Questionei, vendo ele encher um copo de leite.

-Eu estava pensando em trazer uma amiga aqui e...

-Não me importo, mantenha a porta do quarto fechada e... Use camisinha. –O cortei, já sabia o que ele queria dizer. Observei sua expressão transformasse em uma careta para a última frase que fora dita por mim, eu apenas ri, era o meu papel de irmã mais velha.

-Lauren, é que ela tem umas amigas, se você quiser, a maioria curte, e você é demais, seria fácil qualquer uma, eu posso...

-E eu tenho cara de babá? Eu não durmo com crianças Christopher! –Observei ele encher a boca com leite e levantar as mãos em sinal de rendição como quem se desculpasse. Dei de ombros e fiz meu caminho para que finalmente pudesse tomar meu banho e descansar, a conversa sobre a vinda da minha mãe havia me tirado o apetite de tomar qualquer café da manhã.

O dia se passou rápido, mais do que o habitual, eu dormi pela parte da manhã toda e acordei somente a tarde. Almocei juntamente com meu irmão, tentando evitar qualquer assuntou desconfortável que fosse sobre a vinda de nossa mãe.

Após o almoço, recebi a visita de minha melhor amiga Normani, que alegou estar passando por perto e quis dar uma paradinha. Ela sabe de absolutamente tudo na minha vida. Conversamos, e eu falei a ela sobre o desconforto da visita da minha mãe, até a noite de hoje que eu tinha planos e tentaria ficar com a "pretendente" do Javier. Ela conhecia Frank, mas a ligação que tinham era através de mim pois eles não eram amigos, apenas se conheciam.

-Você não presta Lauren Jauregui. Vai jogar charme para a menina com esses olhos verdes aí. –Falou com bom humor. Estávamos sentadas no meu sofá tomando cappuccino. Normani sabia exatamente do jeito que eu gosto e trouxe para mim. Tem como não ama-la?

-Vai ser legal, você sabe, conversar um pouco. –Eu disse, bebericando o copo grande em minhas mãos.

-Sei.... Não vou falar nada.

Isso é uma das milhares coisas que que eu gosto sobre ela, minha melhor amiga não me julgava. Na verdade, ela as vezes dava olhares de repreensão ou então brigava comigo quando eu estava errada. Mas fora isso, ela jamais me julgava. Não dá nem para acreditar que nos damos tão bem, mesmo sendo tão diferentes.

30 minutos de boa conversa com Normani e ela se despediu alegando que teria que voltar ao trabalho, mas pediu para eu a manter informada sobre a noite de hoje. Logo depois de sua saída, uma mensagem de Frank chegou dizendo que estava confirmado hoje à noite, que Dinah havia ganho o julgamento e que ela havia confirmado a presença de Camila e outra amiga.

Interessantíssimo.

Passando a tarde, eu não vi nem sinal de meu irmão, mas mandei uma mensagem para ele informando onde eu estaria a noite. Comecei a me arrumar relativamente cedo, invés de optar por vestido, optei por jeans preto e jaqueta de couro, bem alternativo. Usei meu perfume de sempre, forte. E após uma maquiagem leve. Meus cabelos, invés de lisos ou bem arrumados, apenas deixei na sua forma ondulada, joguei para o lado, fazendo-os ficarem bem armados e um pouco bagunçados. Perfeitos, estava pronta para sair.  

Cheguei na porta do bar procurando vaga para estacionar então o rapaz me indicou uma logo ao lado. Desliguei o carro e retirei o celular de minha bolsa que estava no banco do carona. Atrás da capa do celular estava meu cartão de crédito então não era necessário levar a bolsa. Enviei uma mensagem para Frank avisando que havia chegado, depositei o celular no bolso e sai caminhando para a entrada.

5 minutos depois Frank chegou juntamente com Javier. Nos cumprimentamos com muita ironia, e abracei Frank que me elogiou por estar cheirosa dando uma piscadela para mim.

Adentramos o bar e fomos a um lounge mais afastado, nos sentamos e pelo que constava as meninas estavam atrasadas. Mantínhamos uma conversa então meu telefone tocou, pedi licença e me levantei para atender deixando Javier e Frank a mesa.

-Alô. 

-Lauren sou eu, Chris.  –A voz de meu irmão estava mais atônita que o normal.

-Eu sei, o que quer?

-Eu preciso da sua ajuda, eu tô aqui num apartamento perto de você com alguns amigos, mas aconteceu um acidente Lauren, a menina que eu iria sair ela se machucou feio a perna dela tá inchada e sangrando e...

-Chame a ambulância.

-Lauren, qual é, Lauren por favor você tá do meu lado, 10 minutos você chega aqui, menos que a ambulância com certeza.

-Desde quando eu sou paramédico ou dou consultas particulares Christopher?  –Ele estava me tirando a paciência, deveria me deixar fora de suas conquistas, eu sei o que ele está tentando fazer. -Está tentando impedir que ela vá para o hospital não é? Acha que se a ambulância chegar, vão levar ela para o hospital acabando com seus planos de transa.  –Completei, tendo a confirmação quando ele bufou.

-Achei que você tivesse feito uma droga de juramento quando se formou em medicina.  –Ele disse entre dentes, acha que me engana. Eu estava prendendo o riso.

-Fique tranquilo, eu vou, mas vou receitar um remédio maravilhoso para dor, vou amar ver sua garota dormindo feito um patinho. Me passe o endereço por mensagem.  –Desliguei, ouvindo ele murmurar algo, mas não me dei ao trabalho de entender. Espero que não isso não demore, não quero que estrague meus planos para hoje.

Voltei para a mesa que estava Frank e Javier notando que as mulheres ainda não haviam chego, avisei a Frank que tinha uma emergência médica ele me olhou com o olhar de "elas devem estar chegando a qualquer momento." Eu deixei claro que não demoraria, ele apenas assentiu. Me despedi dos dois enquanto fui ao encontro do meu irmão.

Demorei mais do que gostaria, mas enfim atendi a jovem menina. Chris me agradeceu embora eu tivesse frisado que a menina não poderia sair do repouso, adiando assim os planos de meu irmão mais novo. Eu estava finalmente voltando ao bar. Com a convicção de que as mulheres devem ter chegado com certeza.

Estacionei e entrei pela segunda vez na noite no Brumm's Bar. Confirmando minhas suspeitas, as mulheres já haviam chego. Frank me viu e abriu um sorriso esperto, Dinah sentada ao seu lado, Javier ao lado dela, e duas sentadas de frente para eles e de costas para mim. Me aproximei tratando de desculpar-me pela demora, todos os olhares estavam voltados para mim.

Então eu a vi, ela me encarava, era com intensidade, como se me avaliasse. Não pude deixar de sorrir, minha sorte era uma piada.

Frank me apresentou a uma delas, uma loira baixinha chamada Allyson, eu a cumprimentei e então me voltei para ela, sabia que seria sua vez, eu queria somente a confirmação.

Seria possível?

-Camila, está é Lauren minha amiga.

-Lauren, está é Camila a amiga de Dinah.

Me aproximei, ela não me intimidaria. Lhe dei o meu olhar mais intenso, seus olhos cor chocolates me olhavam indecifráveis. Agora eu tinha a confirmação. A menos que ela tivesse uma irmã gêmea idêntica a ela, tanto de aparência como de personalidade, nariz empinado, pose cheia de si...

A amiga de Dinah, mulher com quem eu iria me encontrar aquela noite, era a tal Professora Cabello, a louca do hospital aquele dia.

Gostosa, irritante e louca.

Ela quebrou nosso contado e virou para sentar-se. Fiz menção de me sentar também então Frank, malandro toda vida, disse para que eu me sentasse ao lado dele e pediu para Javier passar para o lado dela na ponta do banco.

Ele estava provocando.

Ficamos eu, Frank e Dinah em um banco. Javier, Camila e Allyson em outro, nessa mesma ordem. Era uma situação engraçada. Ela estava evitando me olhar diretamente nos olhos.

Deveríamos contar que já nos conhecíamos e era para supostamente, nos odiarmos?!

Javier me avisou que tinha vinho, e eu me servi. Observando a mulher beber a taça praticamente toda em uma golada. Ela pediu licença e disse que ia ao banheiro lançando um olhar para Dinah que também a acompanhou. Javier foi atender uma ligação em seu telefone, pedindo licença para nos, e Allyson a baixinha loira, também pediu licença indo falar com algum conhecido que tinha avistado. Ficamos eu e Frank. Tratei logo de informa-lo sobre o ocorrido.

-Abortar missão! Você ficou maluco? Ela é a louca do hospital! A professora. –Eu disse, colocando o cotovelo na mesa para ficar mais perto dele. Ele abriu a boca com espanto.

-Como a professora? Ela é advogada, trabalha com Dinah. –Ele disse, deixando claro que provavelmente não sabia da situação.

Eu havia comentado com Frank que na quinta-feira eu tinha atendido um rapaz com uma contusão nasal, e ele estava acompanhado de uma professora irritante e inconveniente, porém incrivelmente gostosa, tinha dito da sua audácia em me confrontar.

-É a mesma mulher insolente que me confrontou no hospital.

-Lauren, ela é incrivelmente linda, e me pareceu ser simpática. –Ele disse observando-me serio.

-O que, mas de que lado você está? Eu não vou dormir com ela! –Falei, entredentes.

-Nem você nem o Javier, ela parece estar recusando cada investida dele. –Nos dois rimos.

-Ótimo, então assim nem eu nem ele, não tem aposta. –Eu estava aliviada em saber que ela não estava cedendo as investidas de Javier, isso o deixaria irritado por si só, o mesmo tem um ego enorme e se acha irresistível.

-Você não gostar da Camila e ela não gostar de você não torna as coisas melhores? Achei que você fosse melhor Doutora Jauregui. –Ele disse, com um sorriso safado, estava me provocando, ele adora testar meus limites. Abri a boca para responde-lo, mas percebi as duas voltando, dei um sorriso irônico. Frank me olhou com olhar de repreensão antes de sussurrar:

-Faça o que quiser, mas não crie problemas com a mulher. Ela é muito amiga de Dinah! –Disse e sorriu para as duas que estavam de volta, deu um selinho em Dinah e Camila sentou bem de frente para mim.

-Eu não estou me sentindo muito bem, acho melhor ir para casa. –Ela disse fitando Dinah que concordou com a cabeça. Frank abriu a boca para dizer algo, mas eu fui mais rápida.

-Poxa, nem deu tempo de nos conhecermos melhor, Dra. Cabello. –Minha fala saiu carregada de ironia, sibilei seu sobrenome deixando claro que me lembrava muito bem dela.

-Nos conhecemos muito bem Dra. Jauregui –Ela respondeu, no mesmo tom de ironia. Arrogantemente linda.

-Discordo. –Respondi, bebendo um gole do meu vinho. Os olhares de Dinah e Frank estavam desesperados em nos, provavelmente Dinah também já teria ouvido os xingamentos da advogada direcionados a mim.

-Se quer que eu fique, é só pedir. –Ela disse, imitando meu movimento e pondo sua própria taça de vinho agora novamente cheia na boca.

Eu estava pronta para responde-la, mas Javier voltou, perguntando se estava tudo bem. Dinah disse que Camila não estava se sentindo bem.

-Lauren, por que não a consulta? –Javier disse, provavelmente temendo que ela fosse embora e não "dormisse" com ele como ele esperava. Bem igual a Chris que me usou para tentar suprir suas necessidades. Homens...

Antes que eu pudesse responder, ela foi mais rápida:

-Não é necessário, eu estou bem! –Forçou um sorriso para Javier, que devolveu um maior ainda. Quantos dentes.

E ficamos ali assim, todos conversando. A tal Camila mais observava mais do que falava, onde está aquela petulante que ficava falando besteiras me desconcentrando no hospital?

Na verdade, ela não parava de tomar vinho, eu arriscava até que estivesse, provavelmente um pouco bêbada. Era engraçado alguns cortes que ela dava nas investidas de Javier, eu fazia total esforço para não rir. Ela sorriu algumas vezes e falou sobre seus trabalhos, isso explica o título de advogada-professora. Allyson parecia interessada em ouvir sobre meu trabalho e eu a expliquei, tinha orgulho de falar para qualquer um que gostasse de ouvir. Acabei descobrindo que a tal Camila morava em Miami também, mas, havia se mudado a bastante tempo para New York.

A hora já estava avançada, o bar estava mais vazio e decidimos todos que o melhor seria irmos embora, afinal, era segunda-feira, e amanhã todos trabalham, menos Frank.

Deve ser por isso que ele adora marcar encontros nos dias de semana.

Javier a essa altura já tinha desistido de tentar algo com Camila, e foi totalmente indelicado quando se despediu de todos e alegou ir para casa pois estava cansado. Seu rosto não negava a certa irritação, mas mesmo assim na despedida ele beijou a mulher no canto da boca. Ela piscou e ele saiu, ela parece ter se permitido suspirar, mas foi, evidente, um suspiro de graças a Deus.

Estávamos todos do lado de fora na calçada pouco movimentada. Javier totalmente inconveniente já havia ido embora. Frank iria levar Dinah, e Allyson disse que iria se adiantar pois iria para a casa de seus pais e era um pouco mais longe. Camila avisou que iria pegar um taxi já que não morava distante.

 Eu me despedi educadamente e estava me virando para ir em direção a meu carro, Camila estava bem na minha frente quando ela acenou para o táxi e cambaleou. Parecia tonta.

-Você está bem? –Eu perguntei, não a toquei ela pareceu se manter firme.

-Sim... Eu só... Deve ser o vinho. –Se explicou me encarando, apertou os olhos parecendo buscar estabilidade. Eu sorri com o seu gesto.

-Vamos eu te levo. –Ofereci, ela me olhou incrédula. Parece se incomodar com a minha educação.

-Não eu estou bem. O táxi está vindo. –Ela disse, mas não me olhou, continuou olhando para frente observando um taxi de cor amarela se aproximar, parece ter visto seu chamado.

-Não seja orgulhosa, está tarde e é perigoso, não me custa nada, me deixe te levar. –Pedi novamente, se ela insistisse em manter o orgulho eu desistiria, se quisesse se arriscar seria problema dela.

-Obrigada, mas, o taxi chegou. –Falou com um sorriso forçado e começou a andar em seus saltos finos. Observei ela colocar a bolsa para frente do corpo e quando fez menção em abrir a porta do taxi, cambaleou novamente para trás.

Dessa vez eu fui mais rápida e a segurei, pela cintura de costas. Firmes as mãos em volta de seu corpo, colei o meu corpo com o dela. Ela estava imóvel, feito uma estátua. Acho que era medo de cair novamente.

-Viu, você não está bem, sem discussões. –A afastei do meu corpo e ela pegou a bolsa mais firme, me encarando. -Senhor ela não vai mais precisar dos seus serviços, obrigada. –Eu disse para o taxista, que assentiu com a cabeça e deu partida no carro.

Camila estava em transe, olhando para o nada apenas segurando sua bolsa.

-Vamos? –Eu falei, e ela pareceu acordar, assentiu com a cabeça e caminhou comigo a seu lado.

-Que fique claro que eu só aceitei por realmente não estar me sentindo bem. –Ela falou e estava com os olhos fechados apertados, deveria estar com dores de cabeça.

Eu sorri. Mas não tinha necessidade de responde-la. Apenas caminhamos até meu carro, ela me falou seu endereço, realmente não era longe. Ela passou o tempo inteiro com os olhos fechados e a cabeça apoiada no encosto do banco. Não insisti em manter uma conversa. 15 minutos sem transito e estávamos estacionando em frente ao seu prédio.

-É aqui, obrigada. –Ela agradeceu e sorriu, pareceu ser sincero dessa vez. Provavelmente o primeiro dirigido a mim.

-Sem problemas. –Me limitei a responder. Sentindo meu próprio cansaço se manifestar.

Nos encarávamos, não sei por qual motivo, talvez por ela não saber como nos despedirmos corretamente. Ela olhava para mim com intensidade, seus castanhos chocolates sempre indecifráveis. Eu me permiti a encara-la tão intensamente quanto ela estava fazendo comigo, me deixando a pele exposta. Desci meu olhar pelo seu nariz, divinamente pontudo e modelado, parei em sua boca, carnuda, rosa.

Deveria ser macia.

Ela umedeceu os lábios com a ponta da língua, quebrando nosso contato visual e abrindo a porta para sair, mas antes de sair, fez questão de se virar e dizer:

-Boa noite Dra. Jauregui.

Saiu batendo a porta, pisando firme, nem olhou para trás.

-Boa noite Dra. Cabello.

Respondi, para mim, dando partida no carro, dirigindo para bem longe daquela mulher.

Cheguei em casa, fui para a cozinha buscar um copo de água, estava tudo silencioso. Meus pensamentos martelavam. Eu estava com dúvidas a respeito da mulher. Queria decifra-la. Era cheia de mistérios. Eu sempre amei mistérios.

Você não tem nada a ver com a vida dela Lauren. Nada a ver com ela.

Bufei dos meus indecisos próprios pensamentos. Era verdade, não era como se eu quisesse ter algo, ela apenas me intrigava.

-Nada a ver com ela! –Repeti em voz alta sozinha, bebendo a água.

-Deu pra falar sozinha agora? –Chris entrou pelo corredor, eu arregalei os olhos me virando com o susto. Ele coçou os olhos e tomou o copo de água da minha mão bebendo-o logo em seguida. Revirei os olhos, abusado.

-Pelo visto alguém aqui não transou. –Eu disse, para provoca-lo. Ele vestia pijamas, um moletom da universidade, e o rosto amassado indicando que estava dormindo.

-Pelo menos não fui o único.

-Não entendi. –Arqueei a sobrancelha para seu comentário.

-Sei que estamos no mesmo barco, ou acha que eu não sei que você saiu daqui para algo, mas já voltou, e isso significa que não conseguiu. Ou seja, não transamos, mana. –Ele deu ênfase na palavra “não transamos” e se virou para sair, debochado e fofoqueiro.

Decidi ignorar os comentários de Chris e tomar banho para dormir. Amanhã iria para o hospital mais tarde, porém eu estava cansada do último plantão.

Quando estava no chuveiro, além de pensar em algumas fraturas expostas e cirurgias como já estava acostumada. Hoje tive pensamentos diferentes...

Me levaram ao meu carro, lembrei do seu olhar sob mim, misterioso, intenso. Eu posso estar ficando louca, não conheço nada sobre ela tirando sua maneira irritante e petulante de lidar com as coisas. Mas o olhar, o olhar era como se ela estivesse me convidando a entrar, a decifra-la, como se fosse um pedido mudo para acha-la. Ri um pouco de meus devaneios.

 

Ah Dra. Cabello, é mais fácil eu me perder do que te achar.


Notas Finais


Qualquer erro, conserto assim que os ver. @napscabello


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