História The Punisher - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Digimon
Personagens Angemon, Cody Hida, Davis Motomiya, Gabumon, Joe Kido, Ken Ichijouji, Koushiro "Izzy" Izumi, LadyDevimon, Myotismon (Vamdemon), Personagens Originais, Sora Takenouchi, Taichi "Tai" Kamiya, Takeru "T.K." Takaishi, Yamato "Matt" Ishida, Yukio Oikawa
Tags Akihiro Kurata, Beel, Drama, I Desafio Digilovers, Kaiser, Lady Dev, Myo, No Mercy, O Justiceiro, Osamu, Sorato, The Punisher
Exibições 79
Palavras 15.511
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Drama (Tragédia), Luta, Mistério, Policial, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hello gentey!!!!
Essa é a minha fanfic do desafio! Levei um mês para escreve-lá. Agradeço a minha gêmea gataaa Mai-chan pela capa maravilhosa e por clarear as minhas ideias quando estava quase desistindo da fanfic.
Nas notas finais estão os links de todas as imagens que utilizei.
Sugiro que abram o youtube e coloquem a musica This is a war - The Phantoms enquanto leem a minha one.

Kisses a todos ;***********************

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction The Punisher - Capítulo 1 - Capítulo Único

Mas você não pode esconder os seus pecados

Esta é uma guerra

E nosso sangue vai chamar as linhas de batalha

Esta é uma guerra

[This is a war - The Phantoms]

 

Quando entrei para o serviço de operações especiais tinha clara noção dos riscos que estava correndo em minha vida. Na época os meus pais não queriam e relutaram até o fim, preferiam que seguisse a carreira de professor universitário ou a ser empreendedor ter meu próprio negócio. Admito que sejam duas boas opções, me renderiam um bom dinheiro e menos preocupação, porém não sentiria prazer e satisfação, seria por obrigação. Por esses e outros motivos segui para o lado da lei.

Sempre prezei pela justiça. Nunca admiti ver de braços cruzados às desgraças que aconteciam em minha cidade. Acreditei que sendo policial traria a paz e sossego a todos, honraria à morte de muitos cidadãos e, o principal de tudo: encheriam de orgulho as pessoas que amava.

Tinha o sonho de mudar o mundo, fazer voltar os tempos de paz...

Eram tantos sonhos que tinha… Todos foram destruídos...

O destino pregou uma peça e arrancou quase tudo de mim: meus pais, irmão, filhos e o amor da minha vida. A única coisa que não retiraram foi o desejo de vingança.

Você deve estar se perguntando como tudo isso começou. Bem, essa é a minha história, diferente de todas que já escutaram até hoje, aqui não tem um final feliz, só um desgraçado amaldiçoado vivendo entre as sombras.

Meu nome?! Bem, você vai descobrir ao fim desse relato.

 

(...)

O Japão passava por um momento muito crítico naquela época. A onda de violência tomava conta das ruas, diariamente se ouvia notícias sobre execuções de empresários, juízes, policiais, políticos e traficantes. O que me deixava mais puto era ver os meus colegas serem mortos injustamente e nada ser feito em relação a isso, viravam apenas mais uma estatística ridícula para o governo. Não se importavam com a dor das famílias. Por mais que pagassem altos valores de indenização nada compensava o fato de ser mais uma morte injusta.

Cansados. Era assim que nós do serviço de operações nos sentíamos. A brincadeira de policia e ladrão já estava indo longe demais e precisávamos fazer alguma coisa para que isso cessasse de vez. Foi aí que tomei a decisão que alteraria a minha vida para sempre e tinha a clara noção dos riscos que estava correndo, porém não tinha como voltar atrás, estava cansado de ir a enterros de pessoas tão queridas.

Disfarçado e com nome de Frank Castle me infiltrei nesse mundo sujo e nojento. Para eles era um traficante vindo dos Estados Unidos a fim de conseguir novos contatos em minha rede criminosa. Durante um período de dois anos fui obrigado a frequentar lugares de procedência duvidosa, fugindo de tudo o que jurei lutar. Vi famílias serem dizimadas por motivos fúteis e, as poucas vítimas que sobravam iam para o programa de proteção à testemunha.

Meu nojo por esses desgraçados só aumentava, cada vez era mais difícil de descobrir quem estava por trás das mortes. Essa pessoa sempre conseguia os melhores álibis para incriminar e tirar o seu da reta. Em uma das conversas que tive com um traficante local descobri que esse “cara” é conhecido como Myo e que para chegar nele precisava primeiro contatar um de seus homens de confiança para as negociações.

Cada dia que passava Myo aprontava e mais pessoas inocentes morriam. Quando achei que seria impossível eis que o destino conspirou ao meu favor, através do cara mais medroso que já conheci (isso que se intitulava “informante” de confiança) Joe Kido conseguiu conexão e negociação direta com o Myo, combinando de nos encontrarmos no porto de Kobe para a entrega de um carregamento de armas.

Aquela noite fez muito calor, isso que era só o início do verão. O céu estava claro e coberto de estrelas. Tudo sairia conforme o planejado, prenderiamos o Myo e a violência cessariam. Tinha policiais espalhados por todos os lados, inclusive tinha um grupo que estava comigo aguardando a chegada deles. A cada minuto que passava ansiava colocar aquele verme atrás das grades. Um Porsche Carrera GT cinza estacionou bem perto de uma das docas. Dois indivíduos trajando roupas formais¹ desembarcaram do veículo. Um deles tinha os cabelos azuis compridos e os olhos pretos escondidos sob óculos de armação grossa, esse era o Kido. O outro tinha quase as mesmas características físicas do Joe, a diferença era os cabelos bagunçados e os olhos azuis opacos.

A cara de sanguinário desse cara é de dar medo. – Escuto a voz de Taichi pelo rádio comunicador de ouvido. Ele e os outros policiais acompanhavam todo o processo a alguns quilômetros distantes por câmeras escondidas.

– Concordo com você. – Suspirei pegando o binóculo de visão noturna para observá-los. Noto que conversavam alguma coisa devido ao calor dos seus corpos aumentarem. – Taichi, sobre o que eles estão falando? – Questiono curioso estralando o pescoço. Implantei uma escuta na roupa de Joe sem que percebesse e quem tinha acesso eram os outros policiais.

Nada de muito relevante, o desgraçado do Myo está questionando se o negócio é quente e o Joe afirmando que irá receber o triplo do dinheiro. – Taichi bufou irritado. Acabei não mencionando antes, esse é um dos comandantes da operação e um dos meus melhores amigos da corporação.

– Filho da mãe! Tenho nojo dessa gente! – Bufei juntamente com ele. Notei que o Kido fez o sinal que havíamos combinado. – Tai, vou descer agora. Vocês já podem vir, mas sem muito alarde, vai que o Myo não tenha vindo sozinho. – Por mais que os meus colegas fossem os melhores, sempre me preocupei com a sua segurança. Não queria mais cadáveres pelo caminho. Trocamos mais algumas palavras e nos despedidos. O nosso encontro ocorreria após a prisão do Myo.

Ajeitei a peruca preta que usava e tratei de colocar uma boina branca. Fitei o resto do meu corpo analisando os trajes² ridículos que usava. Tudo obra do Taichi. Suspirei cansado acendendo um cigarro. Caminhei para fora do navio e desço as escadas de metal indo encontro da dupla. Era notável o quanto Joe estava nervoso com toda a situação.

– Joe Kido! Levei dois anos para conseguir conquistar a sua confiança e você me chega com um novato?! – Caminhei imponente na direção deles. Fui obrigado a forçar o sotaque americano, sorte a minha que treinei muito durante esse tempo. Myo me olhava com cara de poucos amigos, parecia que ia se avançar sobre mim. – Não quis ser rude, é que ele não gosta de novatos. – Usei uma ponta de sarcasmo nessa última frase.

– Seu verme, quem disse que sou novato?! Você sabe com quem está falando?! – Myo cruzou os braços numa expressão arrogante. Seus olhos se estreitaram para encarar os meus, o maxilar travado demonstrava o quanto estava furioso.

– Ei rapazes não vamos esquentar as coisas. – Joe se mete em nosso meio a fim de evitar qualquer confusão.

Resolvi relaxar um pouco minha expressão facial. Retirei um maço de cigarros do bolso e acendi um encarando Myo. Traguei e assoprei na cara de Joe a fumaça. – Ah claro, quanta grosseria minha. É que diariamente cruzo com tantas pessoas que acabo esquecendo algumas. – Abri um sorriso fingindo cordialidade. Minha vontade naquele momento era de socar a cara do desgraçado a ponto de deixá-lo desfigurado.

– Mas eu não me esqueci de você. – Ele ainda continuava sério. O seu olhar frio percorreu por todo meu corpo em busca de qualquer tipo de informação. – Joe, tem certeza que posso confiar nesse cara? – Cruzou os braços arqueando uma das sobrancelhas. Notei um mínimo ar de deboche na sua fala.

– Claro que pode já te disse que ele não é policial! – Joe coloca uma das mãos no ombro de Myo e a outra me entrega uma mala com dólares dentro.

Abri aquela maleta e contei os montes de dinheiro amarrado somando num total de cinco milhões de dólares. Retirei do bolso da calça óculos de sombra juntamente com uma caneta preta laser identificador de notas falsas. Liguei a luz azul e passei por toda maleta conferindo, não fiquei surpreso em perceber que eram de verdade. Internamente fiquei me questionando qual era a procedência daqueles valores, quantas pessoas foram mortas para conseguir esse montante. Suspirei tragando novamente o cigarro. Era notável a tensão que estava naquele ambiente. Quebrando aquele clima desagradável retirei do bolso da calça um pano branco sinalizando que era para os meus homens descer, assim como um sinal para Taichi se aproximar com sua equipe. Fechei a maleta de dinheiro lhes lançando um olhar afirmativo.

Em passos largos e barulhentos Hida e Daisuke se aproximaram trazendo duas malas cada e abrindo para que Myo visse com os próprios olhos o que estava lhe oferecendo. Senti repulsa ao ver seu olhar de satisfação naquele armamento, meu estômago se revirou quando pegou uma das armas e a alisou como se fosse um bebê. Esse cara conseguia ser o mais doente que já conheci em toda minha vida.

– É perfeito. – A sua voz estava embargada de emoção. Cerrei um dos punhos furioso, não podia colocar tudo a perder.

– Então, negócio fechado? – Consegui juntar um resquício do que tinha de calma e lhe proferir essas palavras. Não podia colocar tudo a perder, Taichi estava a caminho.

– Mais do que fechado! – Joe sorriu e foi apertar a minha mão, porém fui mais rápido e peguei a de Myo selando o contrato.

Escuto Hida e Daisuke fecharem as malas. Não conseguia soltar a mão do desgraçado, estava a ponto de retirar a arma da cintura e estourar os seus miolos. Fui salvo pelo gongo quando o helicóptero do governo aparece lançando luzes claras em nossa direção. Cinco carros blindados apareceram e desembarcaram de cada seis policiais.

Aqui é o Serviço de Operações Especiais! Mãos para o alto! – A voz de Izzy anunciou no helicóptero que, aos poucos vai baixando em nossa direção.

– Que palhaçada é essa Joe? Você tinha me garantido de que esse imbecil não tinha contato com esses vermes! – Myo se exalta soltando a minha mão e retirando a arma de sua calça.

– Vocês estão presos pela importação e venda de armas contrabandeadas! – Taichi saca um revólver do colete e caminha em nossa direção.

Holy shit! É claro que não tenho seu idiota! – Esbravejei empurrando Myo.  Retirei a arma do bolso da calça apontei para Taichi, precisava fingir muito bem se quisesse prender esse salafrário.

Os meus rapazes retiraram as suas armas do corpo e apontaram para os policiais. Hora do show! Um tiroteio se iniciou naquele lugar, era chuva de balas para todos os lados, impossibilitando a fuga de qualquer pessoa. O primeiro a cair foi Hida, uma poça de sangue ficou sobre seu corpo. Para deixar algumas coisas claras, colocamos uma bexiga com sangue de verdade nas nossas roupas para dar mais veracidade na cena do crime. Noto que Myo olha apavorado para o “cadáver” cravado de balas e solta um muxoxo.

– Merda! Não sei o porquê não ouvi o Kaiser! – Esbravejou. Notei que sua arma fica sem balas e a atirou para longe retirando mais uma do corpo. Fiquei impressionado o quanto estava fortemente armado e teve a ousadia de acertar no ombro de Taichi.

– Eu não tenho nada a ver com isso! – Joe tremia mais que bambu em tempestade. Vendo que estava sem saída resolveu jogar no chão em forma de rendição.

– Seu imbecil deixe de ser covarde pelo menos uma vez na vida! – Myo se virou e correu para um lugar seguro. Aproveitei a deixa para mirar a arma em sua cabeça e dar o tiro de misericórdia.

Cessar fogo! – Escutei ao fundo a voz de Taichi. Olhei em direção ao Kido e notei o quanto transparecia medo em seu rosto. Se bem que medroso ele sempre foi, mas naquele dia foi diferente, era como se fosse um sinal.

– Estou fodido. – Foram as últimas palavras que murmurou antes de desmaiar sob a poça do sangue de Myo.

– Chamem um médico. – Gritei caminhando em direção a corpo de Myo. Peguei seu pulso e por confirmação verifiquei os sinais vitais para certificação de sua morte. – Hora da morte: duas e meia da manhã. – Sorri aliviado naquele momento acreditando que essa maldita guerra tinha acabado.

– Ensaquem o presunto. – Taichi ordenou a equipe médica.

Os legistas se aproximam do corpo e o colocam em um saco preto encaminhando para ambulância que, logo deu a partida em direção à sede do Naicho para as averiguações necessárias no corpo. Durante o caminho suspirei relaxando o corpo e fechei os olhos com a sensação de alivio com a missão cumprida. Assinaria mais alguns papéis e finalmente estaria livre por certo tempo de descanso. Logo após seguiria para outro país com minha família.

– Você foi um bom ator Matt, por um momento acreditei que era traficante. – Hida comentou abrindo a porta da ambulância. Pulamos para fora e percebi que havíamos chegado a nosso destino.

– Estava quase me tornando um deles. – Suspirei retirando a peruca preta e as roupas jogando-as no incinerador. Vesti uma calça jeans escura, camisa polo preta e jaqueta de couro na mesma cor³. Com os dedos ajeitei os meus cabelos do modo que sempre gostei totalmente bagunçados.

– Matt! Rápido! Você precisa sair daqui! – Daisuke apareceu correndo e me puxou em direção à saída, sem antes é claro, deu uma espiada no presunto ensacado. – É nós vencemos! – Comemorou sorrindo.

– Isso não é futebol seu cabeça oca. – O cortei dando um tapa em sua cabeça de forma que fez uma expressão de dor colocando a mão na cabeça.

– Aii… É modo de falar. – Cerrou os olhos passando os dedos pelos fios ruivos.

– Entende uma coisa, não era para esse desgraçado ter morrido. Queria ele bem vivo para lhe dar uma boa surra antes de ir à cadeia. – Fechei os punhos e soquei algumas vezes na minha mão.

O levem para o necrotério para perícia. – Taichi ordenou autoritário essa tarefa a Hida e Daisuke. Rapidamente a dupla atendeu ao seu pedido, sumindo totalmente de nossa vista. – O Daisuke é o cara mais sem noção que já conheci em minha vida. – Colocou a mão no meu ombro e deu um sorriso.

– Não sei como que um cara desses conseguiu se tornar agente especial. – Balancei negativamente a cabeça enquanto passava pelos corredores da agência.

Caminhamos mais um pouco parando em uma porta cinza. Coloquei as mãos na fechadura redonda prateada e a abri num solavanco, revelando a escuridão. Liguei as luzes e para minha surpresa havia várias pessoas ali dentro. A mesa tinha alguns salgados, refrigerantes e doces. Na parede vários balões e uma faixa com dizeres: Obrigado Matt.

– Isso é pegadinha né?! – Resmunguei revirando os olhos. Nunca gostei de comemorações, nem mesmo quando minha mãe fazia alguma coisa na escola. Desta vez foi diferente, foi como se estivesse me despedindo da minha segunda família.

– Para Yamato Ishida. – Taichi me entregou uma taça de champagne e ergueu para o alto a sua. – O melhor soldado, agente disfarçado… O cara mais foda que já conheci em toda minha vida. – Notei que os seus olhos castanhos estavam cheios d’água. – Cara, o que vai ser de mim sem você? – Sorriu colocando a mão no meu ombro.

– Tai, vai arrumar uma mulher. – Revirei os olhos debochado enquanto as demais pessoas daquela sala riam das minhas palavras.

Comemoramos naquele resto de noite o sucesso que havia sido a nossa missão. Finalmente Myo estava morto. Enfim voltaria para Sora e meus filhos.

Despedi-me de meus colegas subindo em um helicóptero e partimos em rumo a Odaiba para minha casa. Encostei minha cabeça na janela e fiquei admirando as cores do céu saírem do roxo e se tornarem alaranjadas. Nunca havia me dado conta de que como é bonito o nascer do sol. Lembrei-me da única vez que vi o sol nascer, foi no dia da formatura da escola quando pedi Sora em namoro. Sorri me lembrando de minha esposa, a mulher mais forte que conheci em toda minha vida, aguentou tanta coisa ao meu lado e sempre me apoiou em todas as minhas decisões. Eu era um cara de muita sorte ao ter uma pessoa tão especial como ela ao meu lado.

Com o sol alto desembarquei num campo perto de casa. Com a mochila nas costas caminhei três quarteirões até chegar a frente ao muro de pedras cinza com grades pretas. Retirei as chaves do bolso, sendo que uma delas coloquei na fechadura me liberando acesso a uma construção simples de dois andares na cor bege e com telhas na cor vermelha (4). Olho para janela da sala e vi que as cortinas brancas impediam a entrada dos raios solares. Deduzi que Sora e nem as crianças ainda não haviam levantado, me permitindo fazer uma surpresa para eles.

Abro a porta e imediatamente Gabumon (5) pulou nos meus ombros me derrubando e em seguida latia lambendo meu rosto. O plano de entrar sem fazer alarde foi por água abaixo, porque em seguida Sora desceu as escadas e logo após as crianças.

– Papai! – Os dois gritaram animados enquanto tentava me levantar. Só tentei em seguida eles pularam me fazendo cair novamente. Faziam mais de dois meses que não os via. Precisava manter o disfarce e eles longe de qualquer perigo.

Passada a euforia inicial consegui levantar e sentar no sofá. Yoshiya sentou em meu colo e afaguei seus cabelos ruivos, idênticos ao da mãe. Meu garotinho havia crescido muito no tempo em que estive fora, assim como Atori que, agora está com os cabelos curtos no mesmo estilo que usava em minha adolescência.

– Papai, promete pra mim que não vai mais ficar longe de nós… – Yoshiya pediu me fitando sério segurando as minhas mãos. Jamais esperei essa reação para um garoto de cinco anos. Tinha clara noção do quanto era ausente em suas vidas e por mais que entendessem o tipo de trabalho que tinha, não tirava a razão de me cobrarem atenção.

– Prometo. – Estiquei o mindinho como promessa para nunca ser quebrada. O menino se encostou a mim e me abraçou de olhos fechados. Fitei minha esposa e notei que havia algumas lágrimas nos seus olhos. Enfim nossa família estava reunida novamente.

Eu vivi dias muito felizes ao lado da minha esposa e dos meus filhos. Havia me esquecido o quanto era bom viver perto das pessoas que amava. A tarefa mais difícil que tive (pior que qualquer missão do Naicho) foi comunicar às crianças que nós mudaríamos para a França muito em breve e que teríamos de deixar o Gabumon no Japão com Taichi. Partiu meu coração os ver chorar enquanto arrumava as nossas coisas para a mudança. Em conversa com meus pais decidimos fazer uma viagem para relaxar e também para comemorar o aniversário do seu casamento, afinal não é todo dia que se fazem bodas de prata. Meus sogros também foram convidados para ir junto nessa comemoração, o que foi perfeito, assim viveria um bom momento em família.

O destino escolhido foi a Ilha Chichi-jima localizada a mil quilômetros de Tóquio no arquipélago de Ogasawara. Eu e Takeru costumávamos ir quando crianças passar as férias de verão com nossa família. Foi um dos lugares mais belos que já conheci por ser um paraíso de águas calmas permitindo nadar com golfinhos, fazer mergulho, snorkeling (6), caiaque, pesca… O programa perfeito para se fazer em família! Propus para as crianças e na hora aceitaram, pois assim poderiam ficar mais tempo perto de Tenchi, o filho de Takeru.

Arrumamos as malas e acomodamos todas as nossas coisas no carro, no retorno da viagem iríamos em seguida para França. Antes de fechar a porta caminhei por todas as peças parando na sala pegando um porta retrato nosso. Fiquei olhando a foto por um bom tempo com o coração apertado e a sensação de sufocamento. Acreditei que era neurose minha parte achar que ia acontecer algo de ruim nessa viagem, procurei jogar esse pensamento longe. Lembre-se de uma coisa: em hipótese alguma nunca abaixem a guarda. Sempre fique alerta em tudo que acontece à sua volta, pois qualquer descuido vai ser tarde demais e algo de ruim vai acontecer ou com você ou com quem ama.

– Yamato-kun o que você está fazendo aí dentro? As crianças estão nos esperando! – Escuto a voz de Sora e me viro para porta lhe encarar. Minha esposa já estava no clima da praia, usava um vestido branco simples com rendas (7) no busto e na barra das pernas.

– Desculpe amor. – Caminhei até a sua direção e lhe depositei um selinho. – Estava dando mais uma conferida na casa, por precaução. – Coloquei a chave na fechadura e tranquei a porta.

– Seu bobo, não precisa se preocupar! A casa vai estar intacta quando voltar! – Ela sorriu entrando no carro. Fiz o mesmo movimento que o seu, dei partida e seguimos para o Takeshiba Píer pegar a balsa que chega até a ilha.

Após vinte e cinco horas de travessia chegamos ao nosso destino. Metade da manhã já estávamos instalados na casa de meus pais na ilha de Chichi-jima. As crianças descansavam e as mulheres arrumavam a casa enquanto que os homens compravam os mantimentos no mercado mais próximo. Sabe quando tem algo martelando em sua mente e você não se desliga totalmente?! Pois bem, estava assim desde a hora que saí de casa. Takeru dizia que tudo não passava de pura paranoia e deveria desencanar pensando nas férias. Procurei no decorrer dos dias pensar nas suas palavras, mas sempre com uma pulga atrás da orelha. As coisas estavam calmas demais para meu gosto, quando estamos em tempos assim é porque algo de ruim está prestes a acontecer.

Fiz diversos programas com meus filhos, aproveitei cada segundo ao lado deles. Nunca me esqueço do dia em que levei os dois para mergulharem nas águas calmas daquela ilha banhada pelo Oceano Pacífico. O sorriso e a felicidade deles apontando para os coloridos recifes de corais, os pequenos peixes de diversas cores e as tartarugas em seus bandos nadando sem destino. Ficamos um bom tempo embaixo d’água e só saímos porque Yoshiya reclamou de cansaço.

– Papai, isso foi radical! – O garoto retirou a máscara de mergulho e bateu na minha mão.

– Não me lembro da ultima vez que mergulhei. – Respirava ofegante enquanto tirava os óculos.

– Vamos fazer isso mais vezes! – Atori passava as pontas dos dedos entre os cabelos os bagunçando e jogando água em nós.

– Ah é assim então?! – Ri jogando água nela. Começamos uma guerra de quem jogava mais água no outro. Yoshiya virou seu rosto para praia a fim de se proteger.

– Papai, ali não é a mamãe e o vovô? – O meu pequeno aponta para beira da praia indicando a presença de Sora e meu pai. Ambos levantaram as mãos nós acenando.

– Sim. – Balancei a cabeça confirmando. – Eles devem estar nos esperando... Crianças vamos voltar! – Ordenei indicando para beira da praia.

– Ahhhh papai, mas já?! Vamos ficar mais um pouco… – Atori fez cara de cachorro pidão, igualzinha as que Gabumon costumava fazer quando aprontava.

– Sim, daqui a pouco já vai ficar de noite e hoje temos festa! – Estiquei meus braços para cima me espreguiçando. – Vamos apostar corrida? Quem chegar mais rápido até a beira da praia ganha aumento na mesada! – Propus para os dois que, imediatamente nadaram o mais rápido para a beira da praia.

Tivemos um empate e fui obrigado a subir a mesada dos dois antes que saíssem no soco ali mesmo. Incrível, por mais que os dois herdem alguns traços da personalidade de Sora, o meu temperamento sempre estava presente neles. Atori era muito mais esquentada enquanto que Yoshiya era o mais tranquilo, mas se alguém o provocava, podem acreditar meus caros, havia um Yamato Ishida naquele corpo.

– É como se estivesse vendo seu pai brigando com o Taichi-kun. – Sora comentou sorrindo afagando os cabelos de Yoshiya.

– Papai, porque você briga com o tio Taichi-kun? – Yoshiya fez uma expressão surpresa enquanto que Atori ria da sua cara. – Qual é a graça onee-chan? – Colocou as mãos na cintura com expressão emburrada.

– Estou rindo porque você é um cabeça oca ô tampinha, obvio que eles não brigam de verdade. – Atori fez um cascudo nos cabelos ruivos do menor, o deixando mais bravo e ocasionando novamente uma briga. A loira foi mais rápida e correu em direção à casa que estávamos hospedados.

– Volta aqui onee-chan! – Yoshiya segue a mesma direção. Ficamos os quatro bobos olhando aquela cena enquanto caminhávamos pela beira da praia.

– As crianças estão tão felizes. – Meu pai comentou com um singelo sorriso no rosto afundando seu pé na areia molhada.

– Eu não os via assim há muito tempo. – Sora suspirou fechando os olhos. Seus cabelos ruivos balançavam por conta do pouco vento que fazia naquele fim de tarde.

– As aulas de natação fizeram bem para os dois, eles estão nadando muito bem. – Comentei fechando os olhos e me espreguiçando. Abri e fitei o horizonte, me chamou a atenção parado nas pedras um senhor idoso baixinho, com bigode e cabelos brancos presos em um rabo de cavalo. Suas vestes eram roupas tradicionais japonesas na cor preta (8). – Gennai? – Arquei uma das sobrancelhas curioso.

– Quem é ele? – Sora questionou curiosa colocando as mãos nos meus ombros.

– É o homem mais velho da ilha. Mora numa parte isolada desconhecida por todos. – Meu pai respondeu acenando para Gennai e recebendo outro em resposta.

Fiquei em silêncio observando aquele homem. Uma vez quando tinha cinco anos me afastei de meus pais correndo em direção às pedras, local onde a rebentação do mar era mais forte. Sentei-me em uma delas e fiquei observando o quanto as águas estavam furiosas. Escutei o chamado de minha mãe e, quando levantei para ir embora escorreguei e caí na água me afogando. Achei que morreria naquele dia, se não fosse o Gennai pular no mar e me salvar hoje não estaria aqui para contar essa história.

Após esse pequeno lapso vamos seguir o meu relato. Trocamos mais algumas palavras na beira da praia e seguimos para casa (9) em que estávamos hospedados. Despedimos-nos e cada um foi para o seu destino e eu para o banho. Deixei a água morna cair sobre o meu corpo e relaxar meus músculos, ainda não tirava da cabeça sensação de que algo aconteceria. Desliguei o chuveiro. Sequei o corpo e vesti uma cueca boxer branca e bermuda azul. Sai do banheiro com a toalha em mãos secando os cabelos, Sora me fitava com a mesma alegria de quando começamos a namorar.

– Aconteceu alguma coisa? – Larguei a toalha na cadeira ao lado da sacada e virei meu rosto para observar a nossa família arrumar o pátio para a festa.

– Sim… – Escutei os passos vindos em minha direção e me abraçou encostando seu rosto em minhas costas. – Eu não acredito que finalmente estamos sozinhos! – Sorriu mordendo meu pescoço, deixando-me arrepiado.

– Eu sou um homem de muita sorte. – Virei para encarar seus olhos castanhos. – Sabe por quê?! Eu tenho a mulher mais linda do mundo ao meu lado. – Coloquei a mão no seu rosto fazendo carinho na bochecha.

– Agradeço a Kami todos os dias por ter colocado um homem tão perfeito ao meu lado. – Colocou os braços no meu pescoço e deu um beijo na ponta do meu nariz.

– Sei que fui muito ausente nos últimos tempos, perdi muito tempo de ficar ao lado de vocês… – Suspirei abaixando a cabeça. Por mais que gostasse dessa vida de policial, uma das coisas que me frustrava muito era ficar muito tempo longe da minha família, não acompanhar o crescimento dos meus filhos e nem estar nos momentos mais importantes de suas vidas.

– Não comece com as lamentações Yamato-kun. Quando casei com você tinha noção do que estava fazendo e faria isso quantas vezes fossem necessárias. – Colocou as duas mãos em minhas bochechas e me deu um selinho demorado, proporcionando o gosto doce dos seus lábios. – Não temos sorte amor, nós somos abençoados. – Pegou a minha mão direita e colocou por cima de seu ventre, de forma que consegui captar a mensagem que passava.

– Eu vou ser… – Não consegui falar direito, meus olhos se encheram d’água enquanto ela confirmava com a cabeça. Mais um filho! Era tudo isso que queria naquele momento.

– Estou grávida de cinco semanas. – Sua voz estava embargada pelas lágrimas que caíam de seus olhos. A peguei no colo e rodopiei pelo quarto selando um beijo apaixonado nos seus lábios.

– Ecaaaaaa que nojo! – Yoshiya entrou no quarto interrompendo o nosso momento íntimo. O ruivo se jogou nos meus braços e me apertou bem forte.

– O que você está fazendo aqui? Não era para estar se arrumando para a festa? – Questionei o rodopiando pelo quarto. Atori entra em seguida com um pacote amarelo em mãos.

– É que eu e a Onee-chan queríamos te dar uma coisa. – Fitei seu rosto ruborizado e vi o quanto estava envergonhado, parecendo eu quando queria dar algum presente para Sora. O coloquei no chão e ele caminhou para o lado de Atori.

– Para você nunca mais se esquecer dessa viagem maravilhosa que está fazendo conosco. – Senti um arrepio percorrer pela minha espinha ao escutar essas palavras proferidas por minha filha. Com ansiedade ela me entrega o pacote que, imediatamente rasgo revelando uma camiseta preta com uma caveira branca (10). – Estão vendendo vários tipos de camisetas aqui na ilha e essa me chamou a minha atenção. Espero que você goste papai! Ela tem um significado muito importante, o senhor vendedor me disse que espanta os maus espíritos. – Sorriu enquanto vesti a camiseta.

– Eu adorei o presente e vou usa-la hoje à noite na festa! – Me olhei no espelho e ajustei a barra da camiseta. – O tamanho é perfeito! Muito obrigado crianças! – Me abaixei e abracei os dois. Sora observava essa cena com lágrimas nos olhos e ajoelhou unindo-se a nós.

Após esse momento feliz nos arrumamos para comemoração dos meus pais. Sora usava um vestido comprido¹¹ florido e os cabelos soltos, já eu, assim como todos os homens vestíamos bermudas e camisetas coloridas¹². Descemos as escadas e chegamos ao quintal nos deparando com a decoração havaiana. Depois de muito tempo havia me dado conta de que esse seria o tema da festa. Diversos balões coloridos em forma de coqueiros estavam espalhados por todo jardim, inclusive na beira da piscina. Três mesas foram montadas, uma delas com vários tipos de bebidas e copos, a outra era bem grande para todos os convidados sentarem e partilharem o banquete.

O decorrer da festa foi tranquilo, conversamos sobre diversas coisas e revelamos a novidade a nossa família, ocasionando uma crise de choro geral e gritos por todos os lados. Meu pai levantou uma taça de champagne e bateu com uma colher a fim de chamar a nossa atenção.

– Vocês não tem noção do quanto estou feliz! Nós não nos reuníamos desde o casamento do Yamato-kun e da Sora-chan, já faz oito anos! Isso é muito tempo! – Papai sorria e limpava as lágrimas com o punho. Ele era uma pessoa muito reservada e para conseguir arrancar alguma palavra tinha que estar bem alto da bebida. Bem, tive a quem puxar.

– Posso ouvir um Amém aqui. – Takeru debochou levantando a mão direita para o alto arrancando risadas intermináveis de todos os presentes.

– Amém! – Gritamos uníssono.

– Eu sou um homem de muita sorte! Lembro-me desse dia como se fosse ontem, Yamato-kun tinha cinco anos e entrava na igreja segurando as nossas alianças, Takeru-kun estava na barriga de Natsuko-chan e, meu grande amor me dizia sim naquele dia. – Papai pegou as mãos de mamãe e as colocou perto dos lábios distribuindo diversos beijos entre os dedos.

– Jamais me arrependi de dizer sim naquele dia, tinha ideia do quanto seria feliz ao seu lado. Claro que como todo casamento tem as suas crises, mas nunca deixamos apagar a chama do amor. Ele renascia cada vez mais forte. – Mamãe colocou uma das mãos no rosto de papai e fez carinho na bochecha. – O resultado do nosso casamento está aqui, dois lindos homens feitos na vida que me proporcionaram a alegria de sermos avós desses três anjinhos e de mais um que está a caminho. – Apontou para nós e logo após para às três crianças que estavam à nossa frente.

– Me orgulho muito de vocês! Os amo demais! – Papai caminhou em nossa direção e deu um beijo em cada um dos filhos nós abraçando.

– Eu também te amo pai. – Sussurrei em seu ouvido apertando seu corpo contra o meu.

Erguemos as nossas taças brindando por esse momento emocionante. Sentamos a mesa e o farto jantar foi servido. Por mais que o clima alegre dominasse o ambiente, minha mente foi para longe e novamente as minhas paranoias invadiram os meus pensamentos. Foi como se o ar de meu corpo sumisse de vez, a felicidade deu lugar a sensação de sufocamento e a dor no peito só aumentou. Levantei-me da mesa e caminhei sem destino para o mais longe de todos chegando às pedras, local onde me afoguei. Sentei na maior que tinha e contemplei o mar agitado, meu coração doía cada vez mais.

– Onee-chan, algum problema? – Takeru se aproximou e sentou ao meu lado. Desloquei um dos meus olhos em sua direção e notei que ele me observava com cara de quem não entendia nada.

– Estou com mau pressentimento. – Desabafei colocando as mãos no rosto seguindo para os cabelos. Minha respiração estava cada vez mais ofegante, os espasmos de nervosismo eram cada vez mais fortes.

– Já te disse que é para parar com essas paranoias! Está tudo tranquilo, não tem incidência de que algo ruim vá acontecer. – Ele colocou a mão no meu ombro e virei meu rosto em sua direção fitando seus olhos azuis. Notei que eles estavam com brilho diferente que, há tanto tempo não via em meu irmão.

– Já que insiste não vou me preocupar. – Menti descaradamente. – Mas agora me conte de você, que brilho nos olhos é esse? – Arqueei uma das sobrancelhas curioso.

– Err… Nada… – Ficou envergonhado virando o rosto para o lado. Dei de ombros e voltei as minhas atenções para o mar revolto. Ele suspirou profundamente e retomou a fala. – Eu comecei a sair com uma garota faz alguns meses e… Bem, estou começando a me apaixonar por ela. – Ruborizou olhando para o mar.

– Finalmente cara! Achei que nunca mais fosse superar a morte de Catherine. – Dei um soquinho no seu ombro. Meu irmão era casado com uma amiga nossa de infância chamada Catherine Deneuve. Ela teve uma gravidez bem difícil devido a alguns problemas de saúde e faleceu no parto Tenchi, deixando meu irmão só para cuidar do garoto. Vivemos uma época bem difícil em nossa vida, Takeru entrou em depressão profunda e deixou seu pequeno de lado nos primeiros meses de vida, tendo que Sora e nossa mãe cuidarem daquele bebê indefeso. Após dois anos de tratamento decidiu dedicar sua vida a única lembrança que tinha da esposa e abriu mão de tudo, inclusive de se apaixonar.

– Tenchi a conheceu antes de viajarmos e eles se gostaram muito. Quando voltarmos de viagem quero apresentá-la a vocês. – Sorriu bobo. Fazia muito tempo que não via meu irmão tão feliz.

– Até que enfim você vai… – Não cheguei a terminar a frase devido a uma gritaria se iniciar e em seguida barulho de tiros.

Nos entre olhamos sem entender o que estava acontecendo e levantamos correndo para o local onde estava ocorrendo à festa. Sorrateiramente se escondemos em alguns matos que tinham perto da casa que proporcionavam a nossa entrada na residência. Subimos ao quarto e pegamos as minhas armas. Pela janela espiava a cena de horror que acontecia ali: oito homens fortemente armados atirando para todos os lados, sendo que um deles era idêntico ao Myo.

– Que merda que está acontecendo aqui?! Mas que inferno! Esse desgraçado morreu na minha frente! – Cerrei os punhos furioso. Descemos as escadas e novamente saímos da residência nos escondendo no mato.

Fiquei chocado ao ver os corpos dos meus pais e sogros cravados de balas estendidos. Não vi Sora e nem as crianças, somente Tenchi, que estava em poder daqueles sanguinários. A criança encontrava-se de joelhos com um revólver mirado em sua cabeça. Nem mesmo com os seus apelos chorosos eles o liberaram, só bateram cada vez mais nele.

– A ordem é clara! Matem a todos e me tragam o Ishida vivo! – O clone do Myo falava imponente. Aqueles olhos maldosos transpareciam loucura, mas não é possível! Alguma coisa estava muito errada naquela história.

– Yamato-kun precisamos fazer alguma coisa urgente, esses sanguinários vão matar o meu filho. – Takeru se encontrava em estado de nervos segurando um revólver mirado em seu algoz.

– Senhor Ichijouji-san não encontramos o Ishida em lugar algum… – Um jovem homem de cabelos loiros se aproximou e cochichou algo no ouvido do clone. Parei-me a observar a figura, tinha cerca de 1,90 de altura, ao julgar pelas roupas pretas justas tinha o porte físico forte. O tom de sua pele era extremamente pálido, dando para ver as suas veias pulsando nas mãos e no pescoço.

– Yamato Ishida, não adianta você se esconder por muito tempo, eu vou te achar, mas antes… – Voltou às atenções para Tenchi. Mirando o revólver na cabeça apertou o gatilho, não causando efeito algum. Esse desgraçado queria jogar roleta russa com uma criança. – Tem mais cinco tentativas, sendo que uma delas a bala vai estourar os miolos desse pirralho fedorento. – Falou com escárnio apertando novamente o gatilho.

– PARE! POR AMOR DE KAMI! – Takeru saiu do nosso esconderijo para tentar salvar seu filho, porém ao chegar perto da criança recebeu cinco disparos no peito. Todos feitos pelo tal loiro.

– PAPAI! – Tenchi berrou correndo em direção ao corpo de Takeru o abraçando e chorando. Coloquei a mão na boca evitando um grito. Meu irmão estava morto e eu não tinha feito nada para evitar.

– Ah Beel, porque você atirou?! Vai que esse cara é o Ishida… – O clone estalou a língua balançando a cabeça sorrindo em tom de reprovação.

– Primeiro atirar e depois perguntar… – Beel lhe lançou um sorriso debochado enquanto arrastava Tenchi pelo braço e mira uma metralhadora em sua cabeça.

Chega! Aquilo foi demais para mim! Mirei meu revólver na direção dos dois e comecei a atirar incessantemente terminando com as minhas doze balas. O clone correu para dentro da mata enquanto que Beel atirava em minha direção e largando a sua arma para em seguida fugir. Peguei Tenchi no colo e corri para praia, o colocando no chão e fitando seus olhos azuis.

– Presta atenção no tio: corre para o mais longe e pede ajuda! Tá?! – Dei um beijo em sua testa e o vi correr o mais rápido que conseguia. Ele parou e virou para trás me fitando da mesma forma que Takeru, seus olhos transbordavam em tristeza. Escuto barulho de tiros ao fundo e novamente ele correu. Essa foi à última vez em que vi meu sobrinho.

Precisava achar Sora e meus filhos, tentar os tirar com vida dessa Ilha. Voltei para o lugar onde estava e não foi surpresa ver que tinha um cara com a mesma altura que Beel, só que esse tinha longos cabelos negros, olheiras fundas parecendo um morto vivo e um diabólico sorriso nos lábios¹³. Seus trajes conseguiam ser piores que os meus quando trabalhava disfarçado, fico pensando, com toda grana que faturam nas custas de inocentes esses canalhas tem um mau gosto terrível para se vestir.

Enfim, ele me esperava e obviamente fui recebido com uma chuva de balas, porém fui mais esperto em desvia-las e desarmar meu algoz com um soco no rosto. Não foi só um, mas uma sequência que foi defendida com muita dificuldade, mas consegui o nocautear, retirando a metralhadora de seu poder.

– Yamato-kun! – Sora gritou correndo em minha direção com Yoshiya no colo. Ambos estavam muito feridos e assustados.

– Sora-chan fuja daqui! Cadê a Atori? – Questionei com o coração apertado. Minha esposa chorava desesperada espremendo nosso pequeno contra seu corpo.

– A onee-chan está com aqueles caras maus. – Yoshiya confirmou as minhas suspeitas.

– Entrem na merda daquele carro e fujam daqui! Peçam ajuda! – Ordenei apontando para o automóvel.

– Não Yamato-kun! Preciso salvar a minha filha daqueles caras! – Sora tentou voltar para o mato, porém a segurei com força impedindo de ir.

– Faça o que estou mandando! Anda logo! – Gritei com ela, coisa que nunca tinha acontecido em todos os anos de nosso casamento. Sora pareceu ter colocado os pés no chão e balançou a cabeça confusa.

Ia falar mais alguma coisa para eles, porém recebi uma forte pancada na cabeça que me deixou tonto. Cambaleando me virei e vi que o morto vivo havia acordado de sua pequena soneca. Mesmo com os movimentos limitados lutamos novamente e, dessa vez estava tomando uma surra dele. Por mais que tentasse me defender recebia mais golpes em toda parte do meu corpo. Não conseguia raciocinar mais nada do que estava acontecendo.

– POR FAVOR… NÃO… NÃÃÃÃÃÃOOOOO… – Escutei Atori gritar desesperada e em seguida o barulho de tiros. Minha filha não pode se defender e agora estava morta. Sora havia ligado o carro e fugido dali, mas para foder com tudo tinham seguido ela.

Isso foi à gota d’água para mim! Recobrei a consciência e notei que o morto vivo não estava sozinho, tinha um outro junto, cabelos castanhos curtos, rosto em formato de V, olhar assassino atrás dos óculos redondos. Usava jaleco branco de cientista e calça jeans escura. Sua horripilante risada era de dar medo em qualquer um e o tom de voz nem se falava, era melhor que ficasse de bico calado.

Aproveitando a distração deles peguei a metralhadora e descarreguei no desgraçado que havia me acertado. Estava pronto para atirar no cara do jaleco, porém o covarde foi mais rápido em fugir e não vi para que direção foi. Levantei o mais rápido que pude e corri para garagem pegando uma moto de trilha e acelerei toda sua capacidade para direção que Sora foi. Precisava ser rápido antes que fosse tarde demais. Para minha sorte a estrada era bem iluminada e logo consegui alcança-los. Meu desespero só aumentou quando vi minha esposa quase capotar duas vezes o carro e, na terceira vez eles adentraram a mata selvagem da ilha.

Não consegui ficar tranquilo pelo simples fato de que a Pick Up que os seguia adentrou a mata os seguindo. Minha esperança era de que eles tenham conseguido chegar ao píer e pegado uma das lanchas que havia lá, fugindo para bem longe. Eu só os queria vivos, era a mim que esses desgraçados queriam. Tudo fazia parte de um plano sujo para me atrair. O grande ponto de interrogação naquele momento: quem eram aqueles caras? O que eles queriam comigo?!

Joguei a moto na entrada do píer e me desesperei ao ver os corpos deles jogados. Aquilo não podia ser verdade! Queria acreditar que tudo não passava de um pesadelo e, que acordaria com Sora ao meu lado. Infelizmente não era um sonho ruim. Era o destino pregando uma peça em minha vida. Ajoelhei-me ao lado de seu frágil corpo e coloquei os dedos no pescoço para verificar os sinais vitais.

– SORAAAAAAAAAAAAAAA… – Gritei tirando todo o ar dos meus pulmões. Tinha alguns cortes pelo corpo, mas nada comparado com a dor que senti em minha alma. – Yoshiya… – Murmurei me aproximando do meu filho e o pegando em meus braços. – Não… Pode… Ser… – Minha voz saiu num fio. Lágrimas deslizaram pelo meu rosto. Aquilo não podia ser real.

Abracei seus corpos e chorei desesperado. Ao fundo escutei barulho de um carro bufando. Ergui meu rosto encarando os homens que haviam assassinado minha família. Um deles é o tal Beel, o outro é o cara de cientista maluco e por último, o mais importante entre eles, o clone do Myo. Os soltei levantando e mirando a metralhadora em direção ao veículo efetuando diversos disparos. Não demorou muito para eles revidarem acertando diversos disparos contra meu corpo, um deles no joelho e no ombro. Ajoelhei e me arrastei atirando no vidro da Pick Up, ocasionando sua batida em um bar que havia no píer.

O trio saiu do carro e caminhou em minha direção. Seus olhares pousaram em meu rosto e me encararam friamente.

– Quem são vocês? O que querem comigo? – Ousei questionar. O clone se abaixou sorrindo sarcasticamente e desferiu um tapa forte em minha cara. A sua horripilante risada foi aumentando em contrapartida a minha raiva também.

– Olá Frank Castle, como tem passado após a morte do meu irmão?! – O clone era sem dúvidas a presunção em pessoa. Irmão é isso mesmo que ele disse e logo vocês vão entender o por que. – Vocês do SOE são os piores agentes que existem na face da Terra, acham mesmo que não daríamos um jeito de descobrir quem foi o assassino do meu amado irmãozinho. – Acertou mais dois tapas na minha cara e de quebra deu dois tiros nos meus braços.

– O valente Yamato Ishida, o melhor agente que o serviço de operações especiais já possuiu saiu de férias com a família e, que seguiria para França dentro de alguns dias… Informações muito fáceis quando se tem informantes por todos os lugares. – Beel apertou com força meu pescoço fazendo com que dificultasse qualquer entrada e saída de ar pelo meu corpo. As unhas compridas que possuía rasgou a minha pele de modo que provocou mais dor do que sentia.

Os três pareciam se divertir com a minha cara. Comecei a me debater para tentar respirar recebendo em troca diversos socos e pontapés. Perdi a consciência por segundos e quando acordei estava de joelhos da beira do píer com uma arma apontada no peito. Naquele momento pensei que morrer fosse a melhor opção, não tinha mais ninguém vivo. Não havia mais motivos para querer continuar existindo.

– Meus pais lhe mandaram lembranças e aviso que as balas não são de festim. – O clone foi categórico e irônico ao mesmo tempo acertando dois disparos no peito. Cai deitado no chão de madeira do píer. Notei que eles jogaram um líquido em mim, o cheiro forte indicava que era gasolina. – Mande lembranças ao diabo. – Acendeu um isqueiro e jogou sobre meu corpo que, em seguida estava em chamas.

Os três se deleitam com os meus gritos desesperados. A risada debochada do clone ficou ecoando em minha cabeça à medida que ia perdendo os sentidos. Morrer queimado fosse talvez a melhor opção para o fim dessa tragédia. Escutei uma explosão e meu corpo foi jogado para dentro do mar revolto. Se naquela vez não morri afogado, seria dessa vez que isso iria acontecer.

Bem, de fato não morri, meu corpo ficou boiando por horas mar adentro e ao amanhecer estava na beira de uma parte isolada daquela ilha. Apesar de não conseguir me mexer e estar de olhos fechados ainda me restava um resquício de consciência. Bem ao fundo escutei o barulho de motor e deduzi que poderia ser alguém andando de barco por ali. Internamente desejei que me achassem e resgatasse daquelas águas. Kami pareceu ouvir o meu chamado, pois o veículo se aproximou da minha localização. A pessoa estacionou e desceu vindo em minha direção, ele tenta me agarrar e reagi me debatendo naquela hora.

– Calma Yamato-san vim te ajudar. – A voz serena de Gennai me confortou naquele momento. Nem tudo estava perdido, uma centelha de esperança se acendeu em meu peito. Novamente aquele velhinho ia me ajudar em uma crítica situação.

Deixei-me conduzir pelos seus braços em direção ao barco e dali em diante apaguei por não sei quanto tempo. Entrei em estado de hibernação profunda, minha mente vagou diversas vezes pela cena onde via os meus familiares mortos, os pedidos incessantes que Atori fez antes de morrer e os corpos de Sora e Yoshiya. As suas vozes, os gritos de dor… Eles me atormentaram incansavelmente até o meu despertar. Abri os olhos e percebi que meu corpo repousava em uma cabana de madeira bem simples, coberto com um fino lençol velho e com diversas ataduras em volta. Tentei me mexer, porém o ombro em que recebi um dos tiros começou a doer muito.

– Argh que merda. – Praguejei cerrando os punhos com fúria.

– Yamato-san pare de se mexer, desse jeito as suas feridas não vão se curar. – Gennai apareceu e sentou ao meu lado. Cuidadosamente ajustou os travesseiros e logo após o meu corpo para poder sentar um pouco. Com esse ajuste as minhas costas arderam por conta das feridas que tinha.

– Água. – Murmurei com a garganta seca. Gennai atende o meu pedido me entregando um litro que, em menos de um minuto já estava seco. – Onde estou? Quanto tempo fiquei desacordado? – Inúmeros questionamentos rondavam a minha mente, precisava de muitas respostas para as dúvidas que rondavam minha mente.

– Calma, uma coisa de cada vez. Você está em minha casa e ficou desacordado por cinco dias. Encontrei seu corpo boiando pela beira da praia, me surpreendi quando cheguei mais perto e vi que era o único sobrevivente daquele massacre. – Suspirou me entregando mais uma garrafa d’água e logo após relaxou na poltrona ao meu lado.

– Sora… Yoshiya… Atori… – Murmurei num suspiro triste.

– Eu sinto muito pela sua perda Yamato-san. – Gennai lamentou retirando as ataduras de meus braços e limpando os ferimentos. Naquele momento deixei de sentir a dor física e entrei em transe novamente.

– Eu quero ir até lá! – Novamente fiz menção em levantar, porém Gennai com as suas mãos me empurrou para continuar sentado.

– Descanse Yamato-san, seu corpo necessita de repouso. Quando estiveres 100% vamos até lá. – Ele retirou os travesseiros altos deixando somente um e deitou meu corpo.

Fechei os olhos e adormeci novamente por mais quatro dias ininterruptos.  Gennai tinha toda razão meu corpo necessitava de repouso. Quando despertei senti que todas as minhas dores haviam passado e conseguia me movimentar como antes. Estralei meu pescoço e me levantei olhando para minhas vestes maltrapilhas, notei que ainda vestia a camiseta que recebi de presente dos meus filhos. Passei as mãos no rosto sentindo a minha enorme barba, se Sora a visse me mandaria a cortar imediatamente. Sorri e suspirei triste, não teria mais a minha ruivinha para implicar comigo.

– Fico feliz em ver que você despertou. – Gennai me fitava tranquilamente parado ao lado da porta de entrada do quarto. A serenidade que os seus olhos transmitiam uma sensação de calmaria pelo meu agitado corpo. – Você está pronto Yamato-san. – Cruzou os braços me observando enquanto me levantava.

 A passos curtos e lentos saímos da sua casa de madeira (14) seguindo para o barco aportado na beira da praia (15) subindo e dando partida para o local da tragédia que, ficava a cinco quilômetros do local onde estávamos. Ficamos em silêncio, cada um com seus pensamentos durante a curta viagem que fizemos. Soltei um muxoxo quando estacionamos a embarcação, desci caminhando por aquelas areias e relembrando cada cena que vivi naquela noite. Não me impressionei ao ver fitas de segurança para todos os lados, obviamente que a polícia de Tóquio uma hora chegaria interditando o lugar.

Fitei em silêncio aquele local, a decoração assim como a casa estava toda destruída. Por todos os cantos tinha manchas de sangue seco e placas com números sinalizando as provas do crime. Caminhei para dentro da residência, a única coisa que havia restado naquele lugar eram os móveis, pois as roupas provavelmente a polícia deve ter levado para perícia. Subi as escadas e entrei no quarto que era meu e de Sora. A cama estava intacta como naquele dia, o cheiro de jasmim impregnava o ambiente. Era como se ela estivesse ali comigo. Olhei para uma cômoda de madeira e vi que tinha uma foto que havíamos tirado um dia antes da tragédia. Peguei aquele pedaço de papel e passei os dedos pelos sorrisos que tinham ali, algumas lágrimas brotaram nos meus olhos. Funguei guardando a foto e descendo as escadas saindo daquela residência encarando Gennai parado em cima de seu barco.

Naquele momento finalmente havia entendido o que quis dizer com “você está pronto”. Eu estava pronto para enfrentar os meus demônios, acabar com a raça daqueles que tiraram o que era mais precioso de minha vida.

– Obrigado por tudo Gennai-san. – O agradeci por ter cuidado de mim e toda a hospitalidade que me foi oferecida nesses últimos dias.

– Vai com Kami, Yamato-san. – Gennai desejou antes de ligar o motor de seu barco e partir para bem longe.

– Deixe Kami fora disso. – Cruzei os braços o observando sumir juntamente com o sol.

Dei as costas e segui meu caminho a pé em direção ao píer para pegar a balsa em direção a Tóquio.  Era de madrugada quando cheguei ao meu destino, quase sai no soco com o guarda que não queria permitir a minha entrada na balsa. Após muito custo consegui a liberação, mas com a promessa de que ficaria longe de qualquer tipo de confusão. Concordei sem pestanejar e lá estava eu novamente num tédio sem fim viajando por 25 horas. Fiquei acordado a viagem inteira maquinando diversas formas de como torturaria e mataria aqueles desgraçados. Antes de tudo precisava de um lugar para me esconder e, o principal de tudo, informações sobre quem eram aqueles caras. Sabia muito bem quem poderia me passar as informações, por mais medroso que fosse por dinheiro ele entregaria qualquer um.

Ao retornar a Tóquio segui para um bairro na periferia, local onde normalmente ficava nos tempos de disfarce. Após algumas negociações com um cafetão daquela região consegui um apartamento num prédio caindo aos pedaços e um Impala 69 em condições razoáveis, dava para o gasto naquele momento. Com esse mesmo contato consegui um arsenal de armas e bombas para minha vingança. O matei após a finalização dos negócios, afinal não queria que me descobrissem, mandaria por conta própria as boas vindas.

Os dias foram passando e eu agia nas sombras pesquisando e procurando saber quem eram aqueles caras e, paralelamente seguia os passos do Kido, esperando a oportunidade perfeita de colocar as mãos nele e fazer desembuchar tudo o que sabe sobre aquelas pessoas. Parecia que os ventos estavam a meu favor, em uma noite quente de verão tive o prazer de cruzar com Joe no beco onde morava. O melhor de tudo foi a sua cara de espanto ao me ver de braços cruzados lhe encarando.

– M-m-ma-as o-o qu-e é is-so?! Nã-o era pa-ra vo-vo-vo-cê-cê es-tar mor-to?! – Ele tremia muito mais do que no dia em que nos encontramos no porto.

– Você usou bem a conjugação verbal, era para estar morto, mas estou bem vivo. – Usei um pouco de sarcasmo e ironia na minha fala. Dei alguns passos em sua direção enquanto que ele caminhava para trás batendo em uma parede.

– Por Kami, isso é a volta dos mortos vivos. – Proferiu essas últimas palavras antes de desmaiar.

– Imbecil. – Revirei os olhos pegando seu corpo e jogando por cima dos meus ombros. O filho da mãe ainda por cima era pesado demais.

Subindo as escadas do prédio cruzei com uma garota branca de cabelos índigos, olhos cor âmbar escondidos por um óculos de armação grossa, lábios pequenos e rosto formato em V. Não me detive muito nos detalhes de sua roupa, mas sim na sua assustada expressão facial. Sorri de canto jogando o Kido no chão e o arrastando para porta da minha casa que, logo após bati com força.

Tratei de retirar toda sua roupa o deixando somente de cueca. Essa foi sem dúvidas uma visão do inferno! O cara era extremamente magro e pálido, tinha roxos por todos os cantos daquele corpo por conta das drogas que se injetava. Com uma corrente amarrei seus pés e logo após puxei para o alto o deixando suspenso. Enquanto recobrava a consciência amarrava com uma corda as suas mãos. Para deixar o ambiente mais sinistro deixei somente a luz do luar iluminar aquele lugar.

– Estou sonhando… Isso não é real… – Joe murmurou essas e entre outras palavras desconexas. A forma como a sua respiração estava descompassada sinalizava que ele teria uma ataque de pânico a qualquer momento.

– Quer dizer que a Bela Adormecida finalmente acordou. – Surgi em sua frente sentando em uma cadeira observando sua expressão de puro pavor.

– Socorro meu Kami me tira daqui… – Choramingava com os olhos cerrados. Notei que algumas lágrimas caiam deles. Pela sua voz arrastada tinha a nítida impressão de que estava chapado.

– Vamos conversar Kido. – Me levantei dando um soco em suas costelas e caminhando para suas costas escutei seus gemidos de dor.

– Fique longe de mim Ishida, eu tenho amigos. – Falou num tom intimidador que me fez soltar uma sonora risada irônica.

– Que interessante, é sobre eles que quero conversar com você. – Peguei um bastão de ferro e com o mesmo passava a ponta pela extensão das suas costas arrancando arrepios e tremores do seu corpo.

– Faça seu próprios amigos, não vou falar nada! Se abro o bico eles me matam! – Ele tenta em vão se mexer para soltar das amarras. Balancei negativamente a cabeça, as coisas seriam complicadas pelo andar das coisas.

– É mesmo?! Se eu quiser posso te matar agora mesmo com todos os requintes de crueldade. – Bati com pouca força o bastão em suas costas recebendo em resposta gritos de dor. – Temos a noite toda meu caro. – Sorri presunçoso o acertando no mesmo lugar de antes.

– Eles não me falam nada. – Geme puxando todo o ar de seus pulmões.

– Nada?! – Ironizei largando a barra de ferro no chão. Caminhei até uma mesa que havia em sua frente, coloquei óculos de proteção (16) e luvas isolantes. – Engraçado, eles pagam o seu aluguel, suas contas… Impossível você não saber alguma coisa… – Peguei um maçarico e o acendi rente ao rosto do Kido.

– O que você quer com esse maçarico? – Arregalou os olhos apavorado.

– Dois mil graus Joe. Dá para tranquilamente transformar aço em manteiga. – Voltei para posição que estava antes. – Inicialmente não dói nada, devido a chama ser muito quente e cauterizar as terminações nervosas… Vai fazer um estrago nessa sua pele branca. Você entrará em choque e a única coisa que sentira depois de tudo é frio...  – A essa altura o corpo de Joe pingava suor. Seu rosto ficou tão branco a ponto de aparecer veias vermelhas. – A ciência é engraçada né…. – Para deixar as coisas mais interessantes peguei um picolé e passei pelas costas dele.

– AHHHH...– Gritou se contorcendo naquela posição. – Não… Sei de… Nada… – Choramingou num fio de voz.

– Vai sentir cheiro de carne queimada… E aí meu caro, vai doer demais. – Me virei colocando o fogo em um pedaço de carne e deslizando o picolé entre as suas costas.

Joe se contorceu berrando todos os tipos de palavrões existentes enquanto que eu me divertia com o seu pavor. Essa tortura psicológica se arrastou por duas intermináveis horas até que finalmente ele se deu por vencido e abriu o bico sobre quem eram os seus “amigos”.

Vamos começar pelo cara que me encontrei naquele dia, não era o Myo, mas sim Osamu, um dos líderes da organização, seu braço direito e filho adotivo. Algumas coisas se fizeram claras em minha mente, agora tinha uma explicação do porque havia sido atacado daquela forma.

Dos caras que estavam na ilha naquele dia, o morto vivo que matei era Yukio Oikawa, um antigo conhecido da polícia japonesa, já foi preso diversas vezes por roubo, porte ilegal de armas e drogas. Atualmente estava nas ruas devido a alguma alma caridosa ter pago sua fiança.

O cara de jaleco branco se chamava Akihiro Kurata, o cientista maluco criador de novas drogas testadas em animais e humanos. Ele foi preso por pedofilia e, após a polícia constatar a loucura foi internado em um sanatório, onde passou uma longa temporada até fugir e trabalhar nas sombras desenvolvendo novos vícios para os humanos. Se a guerra contra o tráfico acontecia, uma soma da culpa era toda dele.

A segurança particular de Myo era feita pelo seu segundo filho adotivo Beel, um sanguinário que não tinha escrúpulos para matar, podia ser criança, adulto, velho… Para ele não importava mais nada, só o prazer de sentir o sangue escorrer por suas mãos e o beber em uma taça com vinho. Já tinha ouvido muito falar sobre sua pessoa, os meus companheiros de crime o consideravam o melhor atirador do país.

O último dos três, o cara que intitulei como clone se chamava Kaiser, o irmão gêmeo de Osamu e laranja de Myo, controlava toda a atividade ilegal existente na cidade como cassinos e prostituição, faturando grana alta. O transporte dos valores acontecia semanalmente por barcos despachando para fora do japão, lavando em empreendimentos por todos os cantos do mundo e logo após retornando para o banco Adventure.

Com essa ligação de fatos descobri quem era o verdadeiro mandante de tudo. Fui muito idiota de não ter percebido de cara, Myotismon era o banqueiro mais poderoso do Japão. Os gêmeos Ichijouji eram só marionetes para blindá-lo, impedir de qualquer acusação o atingir.

Após o relato de Joe o soltei e me encostei em uma parede processando tudo o que havia me dito. Cerrei os punhos com força arrancando sangue da palma da mão. Espasmos de raiva tomaram conta do meu corpo, precisava ter todo o autocontrole de não sair correndo como um maluco e atirar por todos os lados.

– Você não é um cara legal Ishida! O que vai fazer agora? Vai pendurar Myo como se fosse para o abate e queimá-lo com um maçarico? – Joe bufava enquanto comia o picolé que o torturei.

– Gostei da ideia. – Suspirei desencostando e recolhendo os itens que utilizei naquele momento. – Mas tive outra bem melhor e você vai me ajudar, a menos que claro, queira continuar escravo deles pelo resto de sua vida. – Dei de ombros abrindo a gaveta e jogando os óculos dentro da mesma.

– Eu os odeio demais. – Confessou enquanto vestia as suas roupas. Bingo, tinha atingido um de meus objetivos.

– Me conte sobre o Myo, quem esse desgraçado é, o que ele faz? – Questionei encostando-me à mesa e o encarando seriamente.

– Myo é o cara mais previsível que existe nesse mundo, gosta de dinheiro e poder, mas a coisa que ele mais cobiça é sua querida e amada esposa Lady Dev. O que aconteceu com sua família Myo fez por ela. Ambos são iguais, por isso se dão tão bem. Um fato interessante, toda quinta ela  vai a academia, faz as unhas e a noite ao cinema. Myo sabe cada passo da mulher, qualquer homem que olhar atravessado para ela acaba com o corpo na baía de Tóquio. – Joe ficou sem fôlego após despejar esse monte de informações.

Após essa conversa com Joe minha mente maquinou diversos planos de como deveria agir daquele momento em diante. Com base nessas informações passei a pesquisar tudo sobre a família de Myo e, durante um mês passei a vigiar a rotina de cada membro, paralelo a isso Joe me auxiliava com as informações de suas localizações.

Decidi que era hora de colocar a cara a tapa, mostrar para aqueles desgraçados que estava mais vivo do que nunca. A primeira coisa que fiz fui até o cemitério e retirei a minha lápide, enviando-a diretamente para casa de Myo arrancando fora a data do meu falecimento. Tive um enterro e não fui convidado?! Quanta consideração eles tinham por mim! Isso era apenas um singelo recado. A notícia se espalhou como pólvora que, em menos de vinte e quatro horas  a imprensa questionava como havia conseguido sobreviver à chacina.

No segundo passo me dirigi a sede das operações especiais questionando ao superintendente o porque eles não caçaram e prenderam quem matou a minha família. Tive a resposta mais desagradável que qualquer pessoa poderia receber: “Óbvio que você está chateado, mas sabe como essas coisas demoram…”. Chateado?! Não, isso era muito pouco. Eu estava puto da vida! Pois bem, se esses imbecis não tiveram a capacidade de pôr os canalhas atrás das grades, eu colocaria com o maior prazer os seus corpos no cemitério.

Naquele mesmo dia fiz uma breve visita ao banco Adventure (17), arranquei informações preciosas de um funcionário e logo após o nocautei para retirar o cartão de acesso de seu bolso e entrar em suas dependências. Subindo pelo elevador dirigi-me até  vigésimo sétimo andar daquele edifício e não foi minha surpresa encontrar uma sala cheia de pessoas distraídas contando montantes de dinheiro. A minha vítima foi um homem loiro de cabelos compridos e aparência bem jovem (18) que bebia água. Quando soltou a garrafa a peguei e joguei em sua cara, aproveitando para mirar a minha arma.

– Levantem e levem todo o dinheiro para janela. – Ordenei sem pestanejar. Três homens se levantaram jogando as notas em um carrinho e em seguida o arrastando para o lugar determinado. Joguei uma maleta prateada e mandei eles encherem de notas.

– Sabe de quem é esse dinheiro? Sabe de quem é esse prédio?! – O loiro tentou me intimidar com seu tom de voz ameaçador. Apenas  me limitei a debochar revirando os olhos.

– Myotismon. – Respondi dando de ombros abrindo a janela.

– Ele vai acabar com você, arruinar a sua vida! – Atirou a mala no meu peito. Que cara mais petulante!

– Não se preocupe, esse desgraçado já arruinou a minha vida. – Atirei em sua cabeça. O companheiro ao lado arregalou os olhos apavorados. – Quanto a você, atire o dinheiro pela janela. – Ordenei. Ele ousou em questionar e dei um tiro em seu braço. Sem saída, resolveu se levantar e empurrar o carrinho jogando todo o dinheiro na rua.

Imaginem se uma gritaria não se iniciou por todo o prédio, afinal não era todo o dia em que se chovia dinheiro. Espiei pela janela diversas pessoas agarrando as notas e brigando entre si para quem ficava com mais. A ganância do ser humano é a coisa mais nojenta e podre que existe no mundo, sem dúvidas ela cega a razão e faz perdermos todos os nossos valores morais.

Enquanto que as pessoas se matavam na rua por causa de dinheiro, dentro do prédio da Adventure fazia uma limpa nos homens de Myo deixando rastros de sangue espalhado por todos os lados. Não senti pena de matar esses caras, pessoas que só causavam a desgraça na cidade. É o que dizem, bandido bom é bandido morto.

Retornei para o lugar onde estava morando me trancando no mais profundo isolamento comemorando o avanço dos meus planos. Naquela noite em especial três coisas aconteceram: a primeira foi que recebi uma ligação do Kido relatando o quanto Myo e seus capangas estavam furiosos com a perda de cinquenta milhões de dólares (bem até eu ia ficar furioso né) e, que na noite do dia seguinte daria uma festa daria uma festa comemorando o aniversário de casamento com a esposa. Aquela noite seria a cartada final do meu plano, eliminando todos eles de uma única vez. A segunda foi ter interferido em uma briga de casal e salvei a garota dos cabelos índigos de um ataque de ciúmes de seu ex namorado; se tem coisa me mais me enoja nesse mundo é ver homem covarde bater em mulher indefesa.

– Eu vivi em sete cidades nesses últimos sete anos e sempre me envolvi com homens encrenqueiros. Estou tentando mudar isso. – Ela estava completamente envergonhada olhando para o chão. Apenas dei de ombros caminhando para meu apartamento. – Obrigado. Me chamo Meiko. Você é Yamato-san né? – Me seguiu até a porta. Parei  me virando para lhe encarar. – Eu lamento muito pela sua perda. – Ela olhou no fundo dos meus olhos tentando procurar respostas para os seus questionamentos.

– Você os conhecia? – Questionei e ela balançou a cabeça negativamente. – Isso faz diferença para você?! – Soei o mais grosso possível fechando a porta na sua cara.

Não deixe suas lembranças matarem você… – Murmurou dando leves batidas na porta de madeira.

– Não vão matar… – Murmurei enchendo mais um copo de whisky bebendo todo aquele líquido num gole só.

A terceira coisa, aquela noite coincidentemente era quinta feira, dia em que Lady Dev costumava ir ao cinema. Tomei um banho para tirar o cheiro de álcool do corpo e sai segundo as coordenadas que Joe me enviou. As fotos que tinha da mulher só confirmaram as suas características físicas: loira de longos cabelos, pele tão branca que chegava ser albina, olhos numa exótica cor vermelha, lábios carnudos perfeitamente desenhados num batom cor sangue,  corpo todo desenhado em voluptuosas curvas dentro de um vestido preto (19) extremamente justo. Não tirei a razão por Myo ser louco por sua mulher, era notável o quanto os homens a desejavam.

Observei ela se afastar entrando no cinema. A rua vazia facilitou demais o meu trabalho, discretamente pela calçada me aproximei do veículo colocando um hidrante falso impossibilitando qualquer carro estacionar ali. Retirei a chave clonada do bolso abrindo o carro (cortesia de meu aliado) ligando dando partida no mesmo andando alguns metros naquele bairro. Estacionei em local proibido na frente do hotel Mandarin Oriental Tokyo. Desci me escondendo entre as gramas observando o movimento. Paralelo às minhas ações Joe fez uma ligação anônima para Akihiro Kurata ordenando para que comparecesse neste mesmo hotel, pois tinha fotos suas em situações comprometedoras, entre elas fazendo sexo com pessoas e animais. Caso não desse as caras, elas iriam imediatamente para Myo, porém de toda a forma já havia às enviado anonimamente com diversas montagens de sua esposa e Kurata juntos.

Falando nele, meu estômago se embrulhou quando o vi. Os sons dos gritos da minha filha vieram a tona. Tinha vontade de executá-lo naquele momento, mas preferi naquele momento ficar em silêncio observando, mais além faria isso. Notei que Akihiro entrou no hotel, sai do meu esconderijo voltando para o carro que, tinha uma multa no vidro. Muito bem, naquele momento isso foi pontos ao meu favor.

Retornei para o local de antes estacionando o carro na vaga do hidrante. Antes de sair dei uma verificada pelo painel abrindo o porta luvas, achei uma caixinha contendo um par de brincos (20) de diamante, só aquelas quatro pedras valiam cerca de oito milhões de dólares. Ai eu te pergunto, quem em sã consciência vai deixar algo tão valioso dentro de um carro?! A resposta é somente pessoas excêntricas fazem isso. Fechei colocando em meu bolso, ela foi bem útil em meu plano. Saio tranquilamente do veículo o trancando e logo após recolhi o hidrante como se nada estivesse acontecido.

Estava tomando café no outro dia quando Joe me ligou relatando os últimos acontecimentos na casa de Myo. Ele recebeu as fotos e aparentemente ficou calmo não esboçando qualquer tipo de reação até mesmo quando viu a esposa conversar com Kurata. Achei muito estranha essa atitude, alguma coisa ruim estava por vir. Kido disse que o cientista estava muito nervoso com as perguntas que o banqueiro fazia chegando a mentir sobre a sua localização no dia anterior.

Desliguei o telefone com o olhar de Meiko pousado em mim, a olhei de canto e imediatamente ela baixou a cabeça envergonhada, remetendo-me a lembrança de como Sora ficava nos tempos de escola. Mexi o café com uma pequena colher levando-a até a boca, entrei em devaneios pensando em como seria a nossa vida na França, trabalharia na Interpol, minha esposa poderia retomar o seu antigo sonho de ser estilista, nossos filhos estudariam na melhor escola da Europa e, talvez viveríamos uma vida tranquila.

Minha atenção foi roubada com uma rajada de tiros vindo da rua perfurando as paredes do pequeno café daquela periferia. Imediatamente me abaixei rastejando até o balcão ficando ao lado de Meiko que, tremia apavorada com a situação. Escutavamos os gritos das poucas pessoas que estavam lá que, foram se silenciando com o passar do tempo.

– Yamato-san o que está acontecendo? – Meiko se jogou nos meus braços me apertando bem forte.

– Fuja daqui, é a mim que eles querem. – Ordenei a soltando encarando seus olhos âmbares. Ela balançou a cabeça afirmativa se arrastando a entrada de um pequeno estoque trancando a porta.

Ainda bem que sempre andei armado. Com o cessar dos tiros escuto barulhos de passos entrando no estabelecimento parando atrás do balcão. Me levantei para encarar o meu algoz e não me surpreendi por ser Beel em minha frente me encarando com um sorriso debochado nos lábios. Ele jogou a arma no chão e, com as mãos agarrou o colarinho da minha blusa jogando-me para o outro lado do balcão batendo com força as minhas costas no chão.

– Olá seu imbecil, a quanto tempo não nos encontramos. – Beel encostou-se no balcão se divertindo com a minha cara de dor. Sem maiores dificuldades me levantei para encarar seus olhos frios, vermelhos como de Lady Dev.

Cerrei meu punhos e com um deles acertei um soco em seu rosto o fazendo cambalear um pouco se agarrando em uma das cadeiras de madeira. Beel retirou seu casaco ficando de regata preta exibindo os poucos músculos que possuía. Passou o dedo indicador pela boca limpando o sangue para logo em seguida o lamber de volta para o corpo.

– Quer brigar então?! Ótimo! Não pretendo acabar contigo, só te deixar desfigurado, afinal meu pai quer matar você com as próprias mãos. – Ele estralou o pescoço caminhando em minha direção ficando com o corpo rente ao meu.

– Vamos ver quem no final vai ficar desfigurado. – Sorri debochado acertando mais um soco em seu rosto fazendo caminhar alguns centímetros de distância, porém dessa vez ele se recuperou mais rápido deixando seu braço elevado para o lado acertando meu pescoço fazendo-me cair sentado no balcão²¹.

Beel se aproveitou de minha situação acertando diversos chutes fortes no meu peito até me fazer ficar com falta de ar. Aos poucos fui deslizando até o chão recebendo diversas pancadas, só que dessa vez elas eram na cabeça. O peso de suas botas aliado a intensidade dos golpes fizeram com que um corte se abrisse na testa e sangrasse sobre o meu rosto. Pelos cabelos ele me puxou para ficar em pé para em seguida dar um salto jogando-me para baixo batendo meu rosto no chão²².

– Você é um otário, achou que ia sair impune após jogar o nosso dinheiro pela janela do banco?! Você vai pagar por cada centavo de prejuízo que nos causou.– Ele sentou do meu lado utilizando um de seus braços para torcer o meu de forma que me ergueu e dobrando para trás do pescoço. Em seguida colocou sua mão através do buraco criado pelo meu pulso dobrado puxando-me para frente causando forte pressão entre o braço e o pescoço²³. – Aquela ruiva  era de uma beleza admirável. Como se chamava mesmo?! Ah sim, Sora! Ela era tão apertadinha, tive que fazer muita força para conseguir penetrar naquele corpinho. – Ele riu debochado da minha cara. Esse desgraçado teve a ousadia de estuprar a minha esposa!

– Seu maldito! Eu vou te matar! – Balbuciei algumas palavras furioso tentando respirar fundo. Beel apertou mais forte os seus braços no meu pescoço impedindo que o ar entrasse em meu corpo.

– Quem vai te matar vai meu pai em memória do meu amado irmão. – Riu debochado da minha expressão de dor.

Tudo começou a girar, meus olhos se reviraram e as minhas forças foram se esvaindo. Senti meu corpo amolecer como gelatina e o ar sumindo cada vez mais. Estava prestes a desmaiar quando Beel afrouxou o aperto de meu pescoço, fechei os olhos recuperando os meus sentidos, ficando dessa forma por dois minutos.

– Yamato-san… – Escutei ao fundo a voz de Meiko. Senti seus braços me segurarem e apoiarem em suas pernas. Alguns leves tapas foram dados para me fazerem voltar a realidade, aos poucos fui abrindo os olhos reconhecendo o rosto preocupado da garota.

– Cadê o desgraçado? – Foi a primeira pergunta que fiz quando me recuperei do ataque de Beel soltando-me de seus braços olhando para os lados.

Meiko apontou para frente mostrando o corpo do desgraçado esticado em uma poça de sangue. Ela havia acertado a cabeça daquele infeliz com um cutelo. Com sua ajuda me levantei e apoiei no balcão visualizando o estrago feito naquele estabelecimento: diversos corpos no chão, eu todo fodido machucado e uma garota em pânico com o que tinha feito.

– Meu Kami, eu matei um homem. – Ela chorava com as mãos tapando o rosto envergonhada pelos seus atos.

Respirei fundo me sentindo renovado. Caminhei em direção ao corpo de Beel, retirei o cutelo de sua cabeça analisando o seu sangue que gotejava sem parar. Relembrando suas palavras tive um acesso de raiva e o golpeei diversas vezes a lâmina daquele item em seu pescoço o arrancando fora de seu corpo. Ri insanamente segurando sua cabeça pelos seus cabelos carregando-a para fora daquele estabelecimento seguindo para o meu carro.

– Yamato-san, espere! – Meiko correu ofegante atrás de mim. Abri a porta do carro e atirei a cabeça de Beel no banco de trás.

– O que quer? – Me virei para encarar seu rosto choroso. Algumas lágrimas caiam de seus olhos, com as pontas dos dedos as sequei aproveitando para fazer carinho no seu rosto. Coloquei uma das mão em sua cintura e a puxei para um abraço. – Desculpa Meiko-san, eu acabei nem lhe agradecendo por salvar a minha vida. – Passei as mãos pelos seus cabelos dedilhando os fios suaves e sedosos.

– Yamato-san você não pode viver só de lembranças ruins, a vida está lhe dando uma segunda oportunidade para construir lembranças boas. – Ela apertou seus braços cada vez mais forte nas minhas costas. Fechei os olhos escutando as batidas aceleradas de seu coração.

Suas palavras haviam fundo de razão, talvez não ter morrido fosse Kami ter me dado uma segunda oportunidade na vida mesmo não tendo mais minha família por perto. Quando coloquei meus pés em Tóquio prometi a mim mesmo que os eliminaria um a um. Em situações extremas a lei é inadequada, para conseguir adequação é preciso agir fora dela. Fazer justiça naturalmente. Isso não era vingança, mas sim punição.

Soltei dos braços de Meiko, dei um beijo em sua testa encarando seus olhos. – Adeus Meiko-san. Se quiseres saber de noticias minhas, sugiro que leia o jornal todos os dias na seção de obituários. – Me virei abrindo a porta do Impala entrando no mesmo o ligando acelerando em alta velocidade.

Você deve estar se perguntando, como um cara todo machucado fodido conseguiu forças para se levantar e sair dirigindo pelas ruas de Tóquio?! Bem, quando se tem treinamento especial militar as coisas ficam bem mais fáceis, passamos por diversas situações testando nosso temperamento emocional e físico. Quando ingressei no serviço de operações especiais fui mandado para o estado islâmico e, podem acreditar vivi cada situação naquele período que foi me fortalecendo aos poucos e desenvolvendo as minhas habilidades.

Com a cabeça de Beel segui as coordenadas que Joe me passou do lugar onde seria realizada a festa de Myo, em uma de suas propriedades na casa noturna Tamers, localizada em um dos bairros mais chiques e afastados de Tóquio. Em quesito de segurança o banqueiro deixou muito a desejar, deixei um rastro de corpos pelo caminho facilitando o acesso naquele lugar.

Tinha exatamente uma hora para organizar tudo sem ninguém me importunar, pelo o que observei a festa será realizada na parte externa da propriedade. Implantei bombas em lugares estratégicos por todos lados daquela construção. Me escondi quando percebi que não estava mais sozinho naquele lugar. Fui para a parte interna ficando perto de uma janela para observar o movimento.

Caia a noite e juntamente com ela os convidados chegavam para o evento. O primeiro deles foi Akihiro Kurata que, estava diferente dos outros dias, porém usando a costumeira cor branca em todas as peças (24). Minha concentração era tanta que nem prestei atenção na presença do Joe, ele simplesmente pousou a mão no meu ombro, acabei claro dando um pulo apontando a arma na sua cabeça.

– Ei, vai com calma meu chapa e se esconde melhor! Imagina se fosse um deles?! – Bufou cruzando os braços me encarando. Trocamos algumas palavras, instrui ele a colocar um dos brincos de Lady Dev em um dos bolsos de Kurata. Digamos que passou quinze minutos me chateando dizendo que era impossível e blá blá blá. Após o ameaçar de morte decidiu concordar com meu plano.

Trocamos mais algumas palavras, implantei uma escuta em seu paletó azul marinho e retornou para festa que, a essa altura já estava cheia de gente, reconheci diversos criminosos famosos do Japão e o que mais me surpreendeu de tudo foi encontrar a chefe das operações especiais Lilith (25) naquele lugar conversando animadamente com Kaiser e Lady Dev, só confirmando que Myo tinha comprado o governo para se proteger.

Kido procurou se aproximar em silêncio de Akihiro. Ambos trocaram algumas ofensas, mas com a chegada de Myo eles se silenciaram prestando atenção em suas palavras. O que falar do banqueiro?! Homem alto pele extremamente branca, cabelos dourados perfeitamente presos, rosto com traços finos tanto no seu formato quando no nariz e nos lábios. A sua veste era parecida com uma farda militar na cor azul com detalhes dourados e vermelhos; para complementar sua roupa havia uma capa preta (26), dando o visual perfeito de vampiro.

Boa noite a todos! É com imensa alegria que vos recebo em uma de minhas propriedades para comemorar o aniversário de meu casamento com minha amada Lady Dev. – Apontou orgulhoso em direção a esposa que lhe correspondeu com um aceno. Ele seguiu com o seu blá blá blá sobre as suas conquistas pessoais que teve pela região de Yokohama matando um importante mafioso. Ouvia tudo extremamente entediado esperando algo que animasse um pouco. E não é que Kami agiu a meu favor, Kurata retirou um dos brincos de Lady Dev do seu bolso, imediatamente roubando a atenção de Myo o encarando fulminantemente. – Akihiro você pode me dizer o porque está com o brinco de minha esposa?! – O cabeleira dourada cruzou os braços bufando furiosamente.

Eu não sei como isso veio parar aqui… – Akihiro ia tentar se explicar, porém recebeu uma bofetada de Myo.

Você é um pedófilo e zoófilo em potencial, não satisfeito em meter no buraco de crianças e animais precisa meter no da minha mulher também?! – Myo gritou o esmurrando no chão. Lady Dev tenta intervir, mas recebe um empurrão em resposta do marido. – O que foi? Vai defender o seu amante? – Levantou gritando apertando seu pescoço.

Myo pare, eu seria incapaz de qualquer coisa… – Lady Dev argumentava com a voz fraca por conta do sufocamento. Myo a jogou em uma mesa cheia de copos, quebrando todos em suas costas.

Vadia, isso é para aprender a nunca me desafiar. – O homem olha com descaso para a esposa. Com uma das mãos acena para os seus capangas segurarem Akihiro e o amarrassem em uma cadeira de metal.

Myo pare com isso! Eu seria incapaz de tentar qualquer coisa com sua esposa! Qual é cara, somos amigos há tantos anos! – Akihiro tenta argumentar dando um falso sorriso para em seguida receber um soco de volta, arrancando gostas de sangue de seus lábios.

Bem que desconfiava das conversas amigáveis de vocês, sempre um sorrindo para o outro. Fui um idiota em acreditar em vocês! – Myo retirou uma faca militar do bolso, pelo brilho da lâmina ela estava bem afiada. Pegou uma das mãos de Akihiro e decepou um de seus dedos fora, arrancando gritos desesperados de dor.

Myo, pare por favor. O Akihiro seria incapaz de qualquer coisa! – Lady Dev recuperava forças para tentar caminhar e defender o cientista, porém Kaiser a empurrou para ficar sentada em uma das cadeiras.

Calada e aprecie o espetáculo sua vadia. Você será a próxima que papai irá matar. – O clone apertou com força seu rosto cravando suas unhas pouco compridas na bochecha da mulher arrancando-lhe sangue.

Você é um doente Kaiser-kun, Beel sempre teve razão quando dizia que não gostava de ti! Eu sempre fui idiota de te defender! – Lady Dev gritou bem alto recebendo um soco em troca de suas palavras.

Cadê seu amado filhinho para te defender?! Ah esqueci, ele não voltou né! Espero que aquele idiota do Yamato-san tenha o matado com todos os requintes de crueldade… – Era asqueroso o sarcasmo no tom de voz de Kaiser que, fez Lady Dev se desesperasse ainda mais.

Paralelo a isso Myo já havia cortado todos os dedos da mão de Akihiro. O cientista entrou em choque, a única coisa que se ouvia eram os seus gemidos de dor. Joe assistia horrorizado a cena e em determinado momento virou o rosto para uma mesa próxima e vomitou tudo o que estava em seu estômago.

– Frouxo. – Revirei os olhos completamente entediado.

Queria ver se fosse você que estivesse presenciando tudo isso! – Ele murmurou tomando uma garrafa d’água para se recuperar.

– Pode acreditar, já presenciei coisa bem pior. – Dei de ombros esticando os braços e estralando o pescoço me espreguiçando. Até que Myo sabia fazer um show bem interessante.

Uma hora havia se passado, Akihiro estava com o corpo todo cortado e a cabeça decepada. Myo dava uma lição de moral para os comparsas dizendo que quem o traísse receberia um tratamento pior do que deu ao cientista. A passos curtos se aproximou da esposa acertando-lhe um forte tapa em seu rosto.

Há quanto tempo vocês transavam? – Questiona friamente se ajoelhando deixando seu rosto rente ao da esposa.

Isso seria meio difícil de acontecer Myo! – Lady Dev tentava se mexer com lágrimas nos olhos. Myo pareceu indiferente às ações da esposa.

Ah claro, então me explique que multa é essa em frente ao Mandarin Oriental Tokyo feita ontem às 21h30?! – Ele jogou um papel na cara da esposa. – Acho que se esqueceu de que tenho contatos na polícia, né sua piranha! – Grita acertando um tapa em seu rosto.

Mas que porra é essa?! Claro que não! Akihiro era gay! – A mulher afirma gritando a plenos pulmões. Myo pega a mesma faca que matou o cientista cravando no coração de sua esposa girando por várias vezes consecutivas. Os olhos vermelhos perderam o brilho ficando opacos e sem vida. 

– Esse cara é asqueroso. – Murmurei pegando a caixa que continha a cabeça de Beel e entrego a Joe que, discretamente veio ao meu encontro. – Kido, após essa caixa chegar às mãos de Myo você tem que correr para o mais longe possível. – Falei friamente pegando o controle das bombas e as acionando para explodir em cinco minutos.

– Me dando mais uma oportunidade de vida?! – Joe questionou debochado enquanto que abria a caixa visualizando a cabeça. – Argh que cheiro nojento. – Vira o rosto para o lado fazendo cara de nojo.

– Você tem quatro minutos e vinte segundos. – Cantarolei enquanto caminhava em direção a caixa de luz daquela propriedade.

Kido tratou de se apressar correndo em direção a parte externa onde ocorria a festa. Por incrível que pareça o lugar estava silencioso demais por conta dos últimos acontecimentos. Dois minutos. A respiração de Joe era ofegante demais.

Myo, isso acabou de chegar por um motoboy. – Kido puxava com força o ar de seus pulmões, por um momento achei que teria um ataque de asma.

Suma daqui seu verme! – Kaiser ordenou a Joe. Pelo barulho que escutei ele estava abrindo a caixa e na sequência houve um grito de surpresa vindo de sua pessoa.

Um minuto. Uma gritaria se iniciou na área externa. Myo e Kaiser estavam descontrolados ordenando me caçarem por toda área interna da propriedade. Depois disso não escutei mais nada, só a respiração ofegante de Joe atendendo o meu pedido de fuga.

– Obrigado Joe-san. – O agradeci caminhando pelo corredor em busca dos interruptores de luz.

Yamato-san elimine todos esses caras. Conto com você! – Essas foram as últimas palavras que escutei da boca de Joe em seguida da explosão.

Fogo… Gritos de pessoas pedindo socorro. Não havia nenhum inocente naquela área externa, todos tinham uma parcela de culpa do que acontecia na cidade de Tóquio. Desliguei quase todas as luzes claras da parte interna deixando somente as luzes negras. O único brilho que se refletia era a caveira da minha camiseta. Coloquei um óculos de visão noturna, eles não me enxergavam tão bem por conta do breu, já eu os enxergava bem demais.

– Desgraçado! Onde você está? – Kaiser esbravejava com uma metralhadora em mãos mirando para todos os lados.

Pela minha contagem haviam dez homens sobreviventes a explosão, sendo que um deles era Myo. Hora do último ato. Empunhei a minha metralhadora e mirei nos alvos iniciando uma rajada de disparos por todos os lados acertando em seus capangas. Em Kaiser tive o prazer de acertar uma bala bem no meio da sua testa, revidando o que pretendia fazer com Tenchi naquele dia.

– Kaiser?! – Myo chamou diversas vezes pelo filho. Ele começa a esbravejar me xingando de todos os nomes possíveis que existem nesse mundo. – Chega! Eu me rendo! – Jogou no chão o revólver que possuía levantando as mãos para o alto em sinal de rendição.

Caminhei pelos corpos estirados acertando uma forte pancada em sua cabeça de forma que o fiz desmaiar. Coloquei seu corpo em meus ombros caminhando para uma sala que havia previamente escolhido para ser o seu fim. O joguei no chão, retirei as suas roupas o deixando somente de cuecas. Com correntes amarrei suas pernas e cordas os seus braços o suspendendo no ar, exatamente como fiz com Joe.

Joguei um balde d’água em sua cara o fazendo recobrar a consciência. Myo piscou diversas vezes tentando identificar onde se encontrava.

– Finalmente nos encontramos Yamato Ishida. – Mesmo amarrado ainda continuava com sua presunção insuportavel. – Estava louco para te conhecer. – Deu uma risada debochada, mas acabei calando a sua boca com um soco no estômago.

– Eu também estava louco para conhecer o cara que causou a desgraça na minha vida. – Com um bastão de madeira acertei diversas pancadas por todo seu corpo, arrancando murmúrios e gemidos de dor.

– Quem causou desgraça em minha vida foi você matando o meu filho mais velho. – Tossiu cuspindo um pouco de sangue enquanto que respirava com dificuldade.

– Ele era um desgraçado que mais cedo ou mais tarde acabaria em uma vala, assim como você. – Peguei uma tesoura e cortei a sua cueca boxer preta, o deixando totalmente nú.

– Ei espera, o que você vai fazer?! Vamos conversar! Negociar! Podemos nos tornar sócios, o que acha?! – Ele me propôs sociedade na maior cara de pau. Que tipo de pessoa esse idiota achava que eu era?! Um corrupto nojento como ele?! Imbecil!

– Conversar?! – Coloquei a mão no queixo fingindo dúvida. – Não. Naquele dia não houve conversa, como seu filho Beel disse: primeiro atirar e depois perguntar. – Mirei a arma em direção aos seus joelhos. – Uni duni duni tê, salamê minguê, sorvete colorê… – Suspirei rindo da sua cara de pavor. – E o escolhido foi… Você! – Dei um tiro em cada joelho, arrancando mais gritos de dor.

– Maldito, desgraçado, eu vou te matar! – Myo esbravejava se balançando de um lado para o outro.

– Você tirou tudo de mim. – Falei friamente pegando uma espada com a lâmina bem afiada.

– Você matou os meus filhos! – Cerrou dos dentes mordendo com força de modo que travou o seu maxilar.

– Fiz você matar o seu querido cientista e sua amada esposa. – Joguei as fotos de Akihiro em seu rosto e o brinco de Lady Dev. Seus olhos se arregalaram, algumas lágrimas brotaram dali e pingavam no chão.

– Ah meu Kami, eu cometi a maior injustiça da minha vida. – Arfou puxando o ar de seus pulmões tentando se acalmar.

– E agora eu mato você. – Sorri sadicamente mirando a espada em seu membro e o decepando fora.

Os seus lábios se comprimiam em um grito estridente. Peguei o órgão com a ponta dos dedos e coloquei em sua boca a tapando. Para finalizar o ato, joguei um galão de gasolina sobre o seu corpo contraído devido aos espasmos de dor. Acendi um fósforo jogando em sua barriga iniciando o incêndio final. Seu olhar transbordava raiva e muito ódio. Programei uma bomba colocando na porta de saída.

– Nos vemos no inferno Myotismon. – O encarei pela última vez sorrindo sarcasticamente.

Corri para o estacionamento entrando em meu Impala o ligando e acelerando para o mais longe daquele lugar. Escutei a explosão quando estava a três quilômetros de distância. Parei o carro descendo e admirando as labaredas subirem cada vez mais alto. Estava tudo acabado. Essa é a punição de quem só faz mal no mundo.

 

(...)

Agora vocês sabem a minha história.

Por muitos momentos pensei em me suicidar. No dia em que ia me matar Taichi apareceu me impedindo de cometer qualquer besteira, mas não foi por ele que decidi viver, mas sim pela única lembrança que ainda restava em minha vida: Gabumon.

O tempo foi passando e fui me tornando uma pessoa cada vez mais fechada. Decidi ficar sozinho, fechei meu coração para qualquer outro relacionamento. Não procurei por Meiko, é melhor que as coisas sejam dessa maneira. Cada um segue a sua vida.

Olho para o meu lado esquerdo e vejo que Gabumon fitava com olhar triste a lápide das crianças. Pego minha gaita. Fecho os olhos tocando a canção preferida delas (27). Ele dá alguns passos se deitando em minhas pernas. Abro os olhos encarando a lápide de Sora relembrando o voto que fiz na ultima vez que vim aqui.

“Aqueles que fazem mal aos outros: assassinos, estupradores, psicopatas, sádicos… Esses vão me conhecer muito bem. Yamato Ishida está morto. Me chame de O Justiceiro.”

 

 

THE END

 

 


Notas Finais


¹http://3.bp.blogspot.com/-ogln59OpiWE/UCqebOwrumI/AAAAAAAAAWQ/gEls_kR7Ip4/s1600/festas_de_confraternizao_1.jpg
²http://www.fantasiascriativas.com.br/wp-content/uploads/2014/05/img6603.JPG
³http://www.lindizzima.com.br/wp-content/uploads/media/images/jaquetadecouromasculina.jpg
(4)http://anime.com.br/wp-content/uploads/2012/07/c2974ad7af1f87ae65f82c6951ccea801233944378_full.png
(5)http://amxxcs.ru/wp/DxlmT4u.jpg
(6) Snorkeling: Prática de mergulho em águas rasas utilizando apenas uma máscara, nadadeiras e um tubo de aproximadamente 40 centímetros para respirar sob a água.
(7)http://vestidododia.com.br/wp-content/uploads/2015/01/vestido-branco-curto-tomara-que-caia.jpg
(8)https://4.bp.blogspot.com/_EwEr7zY34Vw/TSkHMNhMGBI/AAAAAAAACcQ/gCtLp_DgDZc/s1600/shiki1.jpg
(9)http://www.tudoconstrucao.com/wp-content/uploads/2014/10/Praia-1.jpeg
(10) http://images4.tcdn.com.br/img/img_prod/354991/8469_1.jpg
¹¹https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/79/f7/7f/79f77f6b9001800220c6b31b3ae7ae96.jpg
¹²http://s2.glbimg.com/o_CcB6jHOQLy2fDFActPeHQEbAo=/0x0:719x620/690x0/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/apis/36ebe2a1e15949b1a9fa92fb3bc1f4b3/luau.jpg
¹³http://vignette3.wikia.nocookie.net/digimon/images/a/aa/Oikawa.jpg/revision/latest?cb=20071102043722
(14)http://casaeconstrucao.org/wp-content/uploads/2015/09/casa-de-madeira-44.jpg
(15)https://skynautica.com.br/media/uploads/produtos/foto/barco-aluminio.jpg
(16)http://www.lojasksi.com.br/produtos/Oculos_de_Solda_CA.jpg
(17)http://blog.brasilbrokers.com.br/wp-content/uploads/2013/07/Pr%C3%A9dios-Calgary-Canad%C3%A1.jpg
(18) Angemon.
(19)http://ph-cdn2.ecosweb.com.br/Web/posthaus/foto/moda-feminina/vestidos/vestido-tubinho-preto_140022_301_1.jpg
(20)https://tudojoias.files.wordpress.com/2013/04/brincos-mais-caros-do-mundo.jpg
²¹Clothesline: https://www.youtube.com/watch?v=baD7x-4E70M
²²Sitout Facebuster https://www.youtube.com/watch?v=6-YseLrMfhQ
²³Anaconda Vice https://www.youtube.com/watch?v=WWd_y3bF4hE
(24)http://blog.carlosbrusman.com.br/wp-content/uploads/2013/12/Roupas-Masculinas-para-o-Reveillon-2-1024x768.jpg
(25)http://img07.deviantart.net/08ed/i/2015/246/3/1/goddess_of_darkness__lilithmon_by_adrianol_drawings-d987vcb.png
(26)http://img01.deviantart.net/f04e/i/2012/166/1/1/vamdemon_or_myotismon_by_saij_spellhart-d2uazy4.jpg
(27)https://www.youtube.com/watch?v=b-1umqOda4w


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