História The Punishment: a fine line of hate for love - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Carrossel
Personagens Adriano Ramos, Alícia Gusman, Bibi Smith, Carmen Carrilho, Cirilo Rivera, Daniel Zapata, Davi Rabinovich, Jaime Palillo, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Laura Gianolli, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Mário Ayala, Paulo Guerra, Valéria Ferreira
Tags Carmiel, Ciriquina, Daléria, Jorgerida, Kobi, Lauriano, Marilina, Paulicia
Visualizações 380
Palavras 4.175
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, primeira fanfic e to nervosa pra caramba, mas vamos lá...
Eu tirei essa ideia do nada, do nada mexxmo, tava atoa pensando na vida e buuum: surgiu a ideia.
a Emmi linda aka ~EmiNunes gostou da ideia e super me incentivou. A minha melhor amiga da vida, Bf do meu coração, parabatai, parceira da vida a 4 anos também aprovou a ideia e deu um mega incentivo, obrigada amor <3
Coisas relevantes sobre a fic que vou avisar logo:
1) No inicio a fanfic vai ficar mais voltada em Paulicia, pelo menos até chegar na parte do castigo, mas a fic vai ser bem dinâmica com todos os casais, vão ter momentos muito amáveis de todos, tenham paciência.
2) Ela vai se passar durante um ano todo, eu tenho e estou fazendo toda a linha temporal para não me perder e não fazer vocês se embolarem.
3) Sim, essa tal turma do terceiro ano é fixa, vou adiantar logo: ela faz parte do castigo.
4) Paulo e Alicia apesar de todos dizerem que eles não tem motivos, eles tem sim para esse "ódio" todo, pra essa desavença desenfreada, e o motivo vocês vão descobrir mais a frente.
E por enquanto é isso, ao longo da fic vou deixando mais claro as coisas!
Leiam as notas finais por favor <3
Boa Leitura.
- R

Capítulo 1 - Capítulo 01


Alicia acordou aquela manhã de mal humor, não dormiu bem a noite e por isso acordou soltando fogo pela boca, afinal, hoje teria aula, na realidade seria o primeiro dia de aula com ela no segundo ano do ensino médio. Ela ainda estudava na escola Mundial junto com seus colegas que a acompanha desde o terceiro ano do fundamental. A garota de agora mexas roxas pegou seu celular e viu que já era 6h15 estava atrasada, sem mais demora Alicia levantou correndo de sua cama, no meio de seu afobamento não percebeu que seu pé estava preso no edredom e acabou caindo de cara no chão.

            - Mas que inferno. – gritou a plenos pulmões. Levantou mais irritada do que já estava e foi em direção ao banheiro, tomou um banho rápido e se vestiu; no ensino médio não era mais obrigatório uso da saia do uniforme, somente a blusa. Olhou no relógio e viu que marcava 6h50, xingou mentalmente apanhou seu boné que estava pendurado no suporte, pegou o skate e saiu em disparada para a escola.

 

A garota conseguiu chegar as 7h00 em ponto, deixou seu skate com Firmino e saiu correndo para sala gritando um “bom dia” ao velhinho.

            - Licença professora, posso entrar?

            - Atrasada no primeiro dia Alicia? – professora Helena, agora professora apenas de português continuava a doçura em pessoa.

            - Desculpa professora Helena... – a professorinha sorriu e mandou que a garota entrasse. Alicia olhou para turma e fez uma careta ao constatar que o único lugar vago era na frente do Guerra. Não vendo escapatória a menina se dirigiu ao seu lugar. Enquanto fazia o trajeto mandou beijo para Valéria que tentava a todo custo não fazer seu habitual escândalo de saudade.

            - O que aconteceu amiga? – Marcelina Guerra, sua melhor amiga, estava inclinada para o lado em sua cadeira a olhando com olhos curiosos.

            - Meus pais me ligaram ontem... – Alicia fez uma pausa enquanto tirava o material da mochila. – as 2h30 da manhã. – suspirou. Marcelina revirou os olhos e se endireitou na cadeira ao lado direito da amiga.

            - Eles não perdem essa mania não é mesmo? Eu ainda custo acreditar que eles foram morar em Londres e lhe largaram aqui morando sozinha. – a baixinha revirou os olhos novamente.

            - Pois é, mas até que não é tão ruim ser emancipada.

            - Da para as duas maritacas calarem a boca? Fofoquem outra hora.

            - Vá a merda Paulo! – exclamou Marcelina irritadiça, a tempos que não deixara mais ser pisada pelo irmão, mesmo o amando muito e ainda o defendendo de tudo, Marcelina ganhara muita atitude; boa parte dela graças a sua fiel escudeira Alicia.

            - Não se intrometa Guerra, vá para o inferno e me deixe em paz.

            - Vocês duas estão mais chatas que o normal, e Gusman, olha como você fala comigo porque não sou tuas negas. – Alicia ainda de costas para o mesmo estendeu sua mão direita lhe mostrando o dedo do meio.

            - Alicia! – Gritou professora Helena exasperada. – Já falei que não é para você ficar fazendo esse tipo de coisa na sala de aula.

            - Desculpa professora, mas o Paulo me tira do sério. – A garota bufou e cruzou os braços em seu lugar, professora Helena negou com a cabeça e antes que Paulo pudesse revidar o que Alicia disse ela deu o assunto por encerrado.

 

As outras duas aulas passaram voando, quando o sinal para o recreio bateu a turma saiu em disparada para fora, Alicia com muita calma, guardou seu material, pegou sua lancheira que ainda era obrigada trazer e foi junto com Marcelina para arquibancada encontrar as outras meninas. As duas garotas mal colocaram o pé no início da arquibancada e já foram parar no chão com um emaranhado de cabelo castanho em seus rostos.

            - Pelo amor de Deus Valéria, levanta daí, você vai matar as meninas – gritou Maria Joaquina, ou apenas Majo para os íntimos.

            - Larga de ser chata Majo – gritou a Ferreira de volta – apenas estava com saudade.

            - Valéria eu preciso respirar – Disse a baixinha em baixo da amiga.

            - Ai meu Deus, matei nosso anão de jardim – Valéria se levantou em meio a gargalhada, as amigas riam copiosamente enquanto a jovem Guerra as fuzilava com os olhos.

            - Desculpa meu amor, mas ninguém manda ser a menor da turma. – falou Alicia se levantando, as amigas apenas concordaram com a cabeça.

            - Eu não tenho culpa de ser baixinha cacete. – Marcelina limpou sua calça e terminou de subir até onde as amigas estavam, abraçou uma a uma e depois se sentou ao lado de Carmem. – Culpem meu pai e minha mãe, eles que me fizeram. – A menina deu de ombros.

            - Nós te amamos mesmo assim gnominho. – Alicia se jogou em cima da melhor amiga a abraçando.

            - Ok, Ok, agora me contem, como foram as férias de vocês? Precisamos pôr a fofoca em dia. – olhares incrédulos foram direcionados a garota.

            - Quem é você e o que fez com a Carmem? – perguntou a americana.

            - Carmem meu amor, você está bem? – perguntou Margarida colocando a mão na cabeça da melhor amiga como se fosse medir a temperatura da garota. A nerd da turma tirou a mão da menina de sua testa e bufou indignada.

            - Ah por favor vocês, eu só estou curiosa, não tem nada demais, e vamos, não enrolem, podem ir contando tudo o que vocês fizeram. – ordenou a de óculos um pouco corada.

            - Tudo bem né, quem sou eu pra contrariar a grande Carmen Zapata. – zombou Alicia, Carmem ficou da cor de um tomate e as meninas não pouparam nas zoações.

            - Tudo bem, tudo bem, eu e o Dan estamos juntos está bem? Agora chega e tratem logo de contar o que fizeram.

            - Ahhhh meu casal de nerdzinhos – Valeria pulou na amiga a abraçando – Parabéns amiga. – Valéria saiu de cima da Carrilho e as outras amigas também a parabenizaram pelo namoro.

            - Finalmente né querida, esse enrolo vem desde a quinta série. – falou Majo.

            - It’s true. – concordou Bibi.

            - Verdade né miga, queria falar não, mas já estava passando da hora – disparou Margarida.

            - Ah isso é tão romântico – para não perder o costume, Laurinha soltou sua famosa frase e as amigas riram.

            - Tá, eu começo contando antes que a Carmem pule no nosso pescoço e nos mate. – Marcelina olhou para a amiga com um sorrisinho – Viajei com minha família para Bahia e como já se era esperado levamos a minha melhor amiga na bagagem porque nunca que eu iria viajar e deixar meu amorzinho... – a Guerra apertou a bochecha da de mexas roxas enquanto ela tentava se esquivar.

            - Porra Marce, que melação. – Reclamou a Gusman.

            - Ela não é mesmo um amor gente? – sorriu a jovem Guerra debochada.

            - Você criou o monstro Alicia agora aguente. – falou a Ferreira. Alicia apenas revirou os olhos e sorriu.

            - Mas enfim, continuando... nunca que ia deixar meu amorzinho sozinha em casa, fora que aturar o Paulo e o ciúmes dele sozinha ia ser foda. Fomos em vários lugares, em algumas praias, mas acabamos ficando mesmo na piscina do Hotel, como tinha homem gato naquele lugar, meninas vocês precisavam ver. Apesar de parecer uma maravilha teve a parte chata que foi aturar o Paulo e a Alicia brigando O TEMPO TODO, serio eles não paravam, então decidi deixar eles para lá e fui sozinha pra piscina, e sério, maldita hora que fiz isso porque os dois resolveram tacar coisas um no outro no meio do salão de entrada do hotel, quebraram um vazo caro lá e nós fomos expulsos, nossa viagem a Bahia durou oito dias, até mais do que a pra Porto Alegre, então voltamos para casa e passamos o resto do verão assistindo Netflix, eu e a Alicia no meu quarto e o Paulo no dele. Fim. – As meninas olharam em choque pra Alicia, a Gusman apenas deu de ombros como se não fosse nada.

            - Essas brigas de vocês já estão enchendo o saco, porra Alicia você é tão madura para quase tudo, é só envolver o Guerra que parece que você volta a ter nove anos, na realidade os dois. – Bronqueou Majo.

            - Isso é verdade amiga. – Disse Margarida. As outras acenaram com a cabeça em concordância.

            - Já passou da hora dessas brigas infantis de vocês dois acabarem. – Decretou a Ferreira.

            - Mas ele me tira de mim, é ele que começa, eu não tenho culpa apenas me defendo. – A garota estava evidentemente nervosa, qualquer um que a visse correria dela no mesmo instante, mas as amigas não, elas já estavam acostumadas com o temperamento de Alicia.

            - Ele pode até começar, mas você termina, o que também a torna culpada. Por favor né Alicia voc... – Margarida foi interrompida por uma Gusman altamente irritadiça levantando com brusquidão da arquibancada.

            - Chega, me cansei de vocês. Vou jogar bola com os meninos que eu ganho mais. – antes que qualquer uma de suas amigas pudesse dizer alguma coisa Alicia saiu marchando irritada da arquibancada, quando estava prestes a chegar na quadra o sinal anunciando o fim do recreio bateu. A morena de mexas roxas bufou e foi em direção a sala esbarrando sem querer em alguém.

            - Olha por onde anda merda. – sua voz saiu tão acida quanto seu humor.

            - Porra Alicia, presta atenção na porra do caminho. – Paulo Guerra estava tão ou até mais irritado que a morena a sua frente. O garoto dos headphones estava com a camisa toda molhada graças ao copo que acabou derramando em si próprio com o esbarrão. Alicia até riria do estado do garoto a sua frente, mas sua súbita vontade de soca-lo era maior do que a de rir.

            - Não enche meu saco Paulo, vá atrás de uma de suas vadias e me deixe em paz, e alias foi você que ficou parado no corredor lezando, não eu. – sempre quando estava muito irritada Alicia acabava colocando as “vadias” de Paulo na história, ninguém sabia ao certo porque mas isso sempre o abalava.

            - Gusman, Gusman, já falei para não falar assim comigo porque não sou tuas negas. – se antes o garoto estava irritado agora faltava pouco soltar fogo pela boca, Paulo mantinha sua mão direita fechada em punho enquanto a esquerda segurava seu copo que antes continha suco de uva. Alicia o encarou com desdém e antes que Paulo pudesse se defender ela o golpeou com um tapa na cara.

            - Vá.para.o.inferno.Guerra. – Rosnou a Gusman antes de virar as costas e tentar sair. Paulo estava totalmente irritado, na realidade com ódio. Não aceitara apanhar nem se quer dos pais não seria de uma garota metida a rebelde sem causa que aceitaria, sabia que não poderia bater nela, e mesmo se pudesse não o faria, apesar de tudo ele era homem e jamais bateria em mulher. O garoto estava consumido pelo ódio, seu corpo agiu por si só quando viu o copo que antes estava na sua mão esquerda agora estava voando em direção as costas da Gusman, acertando em cheio.

Alicia parou estática ao sentir o copo em suas costas, sabia exatamente quem o havia tacado, respirou fundo antes de virar de frente para o indivíduo e o encarar. Não se sabe qual dos dois estava com mais ódio, qual tinha mais sangue nos olhos. Alicia se aproximou de vagar de seu animigo; apesar de tudo, ainda eram amigos, jamais se consideravam apenas inimigos, tinham consideração pela história que os cercava. Paulo se manteve parado em seu lugar, não se atreveu a desviar o olhar uma vez se quer. Novamente sem aviso prévio Alicia acertou um outro tapa na cara de Paulo, e antes que ele pudesse reagir ela deu outro e mais um e mais outro e quando estava partindo para o quinto tapa o garoto segurou suas mãos e a jogou com toda a força contra a parede. O baque foi intenso, Paulo era muito forte e quando estava com raiva sua força aumentava. Alicia soltou um gemido baixo de dor, sentiu ficar um pouco tonta devido ter batido a cabeça com tudo, por centímetros não acertara na quina da parede. Passou a mão em sua cabeça para sentir se não estava sangrando, por sorte não estava, quando estava prestes a atacar Paulo mais uma vez sentiu mãos fortes segurando sua cintura.

            - Calma aí marrentinha, acho que o estrago já foi bom o bastante. – reconheceu a voz seria e ao mesmo tempo brincalhona do melhor amigo.

            - Me solta Mario. – A garota começou a se debater contra os braços do maior.

            - É solta ela Mario. – zombou o Guerra. Ironicamente Mario era o melhor amigo dos dois, tanto do Guerra quanto da Gusman. O futuro veterinário revirou os olhos e apertou mais a cintura da amiga.

            - Cala a boca mané, e você Alicia para de se debater, caralho vocês dois, querem ir para diretoria no primeiro dia de aula? – como um estalo os dois se deram conta da enrascada em que podiam se meter. Marcelina que viera junto com Mario observava a cena com repreensão, já não aguentava mais os dois marrentos brigando o tempo todo. Antes quando era apenas xingamentos e insultos dava para levar, mas as brigas evoluíram se transformando, em tapas, chutes, rasteiras e sabotamento de equipamentos esportivos, até mesmo sabotamento dos skates dos mesmos, Marcelina temia a hora em que um dos dois se mataria.

Os dois brigões se encararam e trocaram olhares cumplices que diziam “isso não acaba aqui”, Alicia se soltou de Mario e Paulo abraçou a baixinha que não tinha percebido, mas se posicionara na sua frente caso a amiga tentasse lhe atacar novamente, beijou-lhe a testa e sorriu para a garota que lhe olhava sério, Marcelina balançou a cabeça negativamente para logo depois retribuir o abraço e dar um beijo na bochecha do mais velho. Com um suspiro alto, soltou-se de seu irmão e abraçou a melhor amiga que também lhe deu um beijo na testa. Apesar de tudo Paulo e Alicia valorizavam aquilo que tinham em comum: o amor da Guerra mais jovem.

            - Senhorita Gusman e Senhor Guerra na minha sala imediatamente. – os dois brigões estavam tão ocupados em pedidos mudos de desculpa para baixinha que nem perceberam quando a velha diretora Olivia se aproximou dos mesmos. Se dando por vencidos os dois trocaram um olhar raivoso e deram um beijo na pequena, Alicia abraçou Mario e o agradeceu por a segurar, Paulo fez um toque com o amigo e fez o mesmo agradecimento mudo. Os dois não percebiam mais eram a cópia exata um do outro, diferentes de várias maneiras, mas iguais em muitos aspectos. Acostumados a só enxergar as diferenças os marrentos viviam em pé de guerra. Juntos rumaram para a já tão conhecida por eles sala da diretoria. Não trocaram uma palavra durante o caminho, nem mesmo para se xingarem, eles sabiam que se começassem não parariam tão cedo, e geraria uma nova briga com mais tapas e empurrões. Adentraram a sala da diretora sem bater, sabiam que ela os estaria esperando.
            Ao adentrarem na sala viram uma diretora Olívia visivelmente nervosa, seus braços estavam cruzados na altura do peito e ela os encarava incisivamente, os dois sentaram-se nas poltronas em frente a velha sem nem mesmo pedir autorização, estavam tão familiarizados com aquele ambiente que só pelo olhar dela sabiam que não precisariam de convite para se assentar. Ficaram longos minutos em silencio sobre o olhar raivoso e decepcionado da diretora, a mesma estava com uma cara não muito boa. Os dois marrentos estavam estranhando o porquê de tanto silencio, geralmente eles mal chegam a entrar na sala e a diretora já começava a gritar e brigar com eles, mas hoje ela estava estranhamente quieta o que os assustavam; com toda certeza preferiam Olívia gritando com eles do que misteriosamente quieta, sabiam que dessa vez não seria apenas uma simples bronca, ou anotação, ou suspensão, sabiam que viria algo a mais e isso os amedrontava.

            - Dê logo esse maldito castigo ou suspensão, porque caralh.. raios está tão quieta? – O jovem Guerra não conseguiu se conter.

            - Eu já não sei mais o que fazer com vocês dois. – depois de um suspiro irritadiço, e um silencio mortífero a velha gorda continuou. – não importa o que eu faça, vocês sempre continuam do mesmo jeito. – Paulo e Alicia como se tivessem ensaiado deram de ombros sincronizadamente como se não dessem importância. Isso só fez a diretora ficar mais irritada.

            - Pois bem, dessa vez vai passar, é o primeiro dia de aula. Primeiro. Não pensem que eu esqueci, apenas estou cansada dessas brigas sem sentido e imatura de vocês. Vocês já estão no segundo ano do médio, deveriam se portar como tais, mas não, preferem se portar como crianças do terceiro ano. Vocês cresceram sim, mas só em tamanho, esperava muito mais de vocês. Apesar de tudo sempre admirei a lealdade e a amizade da turma de vocês e é por isso que os mantenho juntos desde então, mas, não sei se foi uma boa ideia essa, afinal, olhe só vocês, se portando como vândalos um com o outro, tenho certeza que seus pais não os educaram assim, até mesmo você Gusman, mesmo com a ausência deles sei que te deram boa educação. Sempre achei que a turma de vocês se formariam e seriam meu maior orgulho, o maior orgulho da escola Mundial, mesmo aprontando vocês sempre mostraram lealdade, amizade e acima de tudo amor pela escola e para consigo mesmos. E sim, eu me orgulhava disso, mas veja só vocês, brigando como dois desconhecidos, causando tumulto. Era para os senhores serem exemplos, mas estão longe disso. Eu apenas cansei, acho que criei muitas expectativas em cima de vocês. Pois bem, vão para sala de aula e saibam que isso não ficará assim. Pensarei em um castigo adequado para os dois. Podem ir. – Paulo e Alicia a todo custo tentavam esconder as lagrimas que se formavam em seus olhos, nunca em toda sua vida acadêmica haviam visto a diretora falar dessa forma, nunca haviam visto ela tão desapontada com algo. Sentiam-se culpados apesar de tudo. Estavam chocados com tudo aquilo que saira da boca da diretora.

            - Diretora a gente sen... – Paulo foi interrompido pelo braço levantado da senhora a sua frente. Olívia suspirou e tomou de volta sua pose altiva de sempre.

            - Vão, professor Lucio já está na sala. – decretou com a voz altiva e imponente que só ela costumava ter. Sem mas, os dois levantaram desanimados e se dirigiram a saída. Quando estavam na porta prontos pra sair ouviram a mulher decretar:

            - E espero não ouvir mais nenhuma reclamação dos senhores, caso contrário não terei outra alternativa senão expulsa-los. – os dois viraram os rostos desesperados em direção a mulher, a mesma estava vidrada em seu computador e não levantou a cabeça para encara-los. Saíram da sala atordoados. Foram andando o mais rápido possível até o pátio, longe o bastante da sala da velha Paulo logo foi se pronunciando:

            - Velha maldita. – Gritou o moreno enquanto chutava a bola perdida que estava ali. – Mas porque caralhos ela disse aquilo tudo? Era só dá a merda da suspensão. – chutou a bola mais uma vez fazendo com que ela batesse na parede com tudo e voltasse. Alicia não o repreendeu, ela queria dizer o mesmo, mas estava assustada demais com as últimas palavras da senhora para se preocupar em extravasar. Ela não poderia ser expulsa, seus pais teriam que voltar de Londres e isso significaria Alicia longe de seu skate e principalmente de seus amigos; não poderia perde-los. Respirou fundo e se deixou cair sentada no banco em frente onde Paulo chutava a bola.

            - Mas que inferno. – gritou finalmente Alicia.

            - Você ama o inferno né Licia?! – debochou o Guerra.

            - Vá se foder Paulo, a culpa é toda sua, porque caralhos não olha por ande anda. Mas que merda. – a menina levantou pronta pra partir pra cima do moreno, mas em um movimento rápido Paulo pegou suas duas mãos as segurando.

            - Você não ouviu o que a gorda falou porra?! Se brigarmos de novo seremos expulsos e assim como eu, eu sei que você não quer ser expulsa, então se acalma e sossega o cu. – Paulo a jogou com brusquidão de volta ao banco, a morena caiu sentada, mesmo contrariada a garota não respondeu, apenas apoiou os cotovelos nos joelhos e enterrou a mão entre os cabelos. Paulo suspirou exasperado e se sentou ao lado da marrenta.

            - Você não mexe comigo e eu não mexo com você, fica fora do meu caminho e eu fico fora do seu Guerra, pelo menos até ela esquecer essa maldita história... não podemos ser expulsos.

            - Pela primeira vez hoje disse algo que preste Gusman.

            - Cala boca seu idiota, te odeio, peste dos infernos.

            - Não estou dizendo, você ama o inferno – suspirou Paulo cansado, depois sorriu debochado. Alicia levantou a cabeça chocada, mal acertaram um quase acordo de paz e o babaca já estava lhe irritando de novo. A morena lhe deu um tapa no ombro e levantou bufando.

            - Babaca. – sibilou a Gusman, Paulo apenas sorriu mais e levantou.

            - Pateta. – a Gusman levantou uma sobrancelha como se perguntasse “jura? Esse é o seu melhor” por fim revirou os olhos, não iria rebater uma ofensa tão inútil assim. O sinal anunciando o fim da quarta aula e o início da quinta soou fazendo os dois morenos irem lado a lado para a sala. A essa altura a turma inteira já sabia do ocorrido e onde os dois estavam.
            Ao entrarem na sala do “2° ano A” todos os olhos caíram sobre eles, Alicia como sempre sem paciência revirou os olhos e foi se sentar, Paulo foi logo atrás. Marcelina encarou a melhor amiga com uma sobrancelha arqueada como se perguntasse “e aí o que aconteceu lá? ” e Alicia a encarou de volta como se dissesse “estou sem paciência, mais tarde te conto”  Marcelina bufou irritada e olhou para frente a onde já se encontrava o professor Marcos de física, sabia que só iria obter respostas mais tarde.

            O sinal anunciando o fim do dia letivo soou fazendo os alunos agradecerem aos céus por finalmente poderem ir para a casa. Marcelina se encontrava em pé na porta da sala esperando Alicia terminar de guardar suas coisas. A menina de mexas roxas terminou de guardar seu material e foi em direção a melhor amiga que a esperava impaciente.

            - Finalmente – Alicia apenas revirou os olhos e passou a andar lado a lado com a morena. Foram direto em Firmino que estava em frente ao portão da escola já com o skate de Alicia em mãos.

            - Como vão santas diabinhas? – perguntou o bom velhinho.

            - Muito bem Firmino, obrigada por perguntar – respondeu a baixinha toda meiga e sorridente. Apesar de agora Marcelina não ser tão ingênua e ter muito mais atitude, a garota continuava um amor de pessoa, com seu enorme coração e bondade.

            - Tudo de boa Firmino, mas a gente já ta atrasada. – respondeu Alicia sendo simpática, sabia que o bom velhinho não tinha culpa de seus problemas e de seu mal humor. O homem sorriu para as meninas e entregou o skate de Alicia.

            - Cuidado indo embora santas diabinhas.

            - Pode deixar Firmino, tomaremos todo cuidado – Marcelina sorriu e acenou com a mão, enquanto Alicia apenas murmurou um “tchau”. As duas meninas foram andando devagar para casa, aproveitando que Paulo não estava junto aquele dia Marcelina foi logo perguntando:

            - O que rolou lá na diretoria? – Alicia olhou para a amiga que a encarava com os olhos brilhando de curiosidade. A garota suspirou e se deu por vencida.

            - Nada, ela não deu nenhum castigo, nenhuma anotação e nada e suspensão. – Marcelina encarou a amiga confusa.

            - Ué então por que você e meu irmão tão com essa cara de derrota? Não to entendendo.

            - É porque ela falou umas coisas lá... ah, é complicado Marce, a gente nunca viu a diretora Olívia tão decepcionada. – a Gusman passou a mão no cabelo em frustação. – ela falou que esperou de mais da gente e que se arrepende de ter mantido a sala unida... comparou a gente com o terceiro ano. – a garota bufou. As duas pararam de andar, estavam em frente ao condomínio em que Alicia morava. Marcelina a encarou com uma sobrancelha erguida como se ainda analisasse tudo que a amiga disse.

            - É, não é sempre que vemos a diretora por os sentimentos para fora... mas ela tem razão, vocês parecem mesmo aqueles dois garotinhos do terceiro ano.. – Alicia encarava a amiga incrédula. – o que foi? Você sempre me disse pra não ter medo de expor minhas opiniões – a baixinha deu de ombros prosseguindo. – Ninguém da sala atura mais essas suas brigas inacabáveis e inúteis com Paulo.

            - A Valéria tem razão, eu criei um monstro. – declarou a Gusman. A jovem Guerra a encarou com a sobrancelha erguida, as duas se olharam por alguns segundos e depois caíram na gargalhada. 


Notas Finais


Enfim, o inicio é isso, o próximo capitulo vai ter um salto no tempo... Como eu disse a fic vai se passar em um ano inteiro, então as coisas tem que andar.
Sobre o discurso da diretora: eu gostei e fiquei com receio ao mesmo tempo.
Sobre os palavrões repetidos: eu tento fazer eles xingarem o minimo possivel, por isso tem muito "inferno" "merda" e "porra". To tentando, vamos ver.
Esse foi o primeiro capitulo e espero do fundo do meu core que voces tenham gostado. Comentem com oq acharam, é muito importante pra mim... até! <3
- R


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