História The Purple Box - Kim SeokJin - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jin, Personagens Originais, Suga
Tags Bangtan Boys, Bts, Mistério, Policial, Suspense, Terror Psicológico
Exibições 30
Palavras 4.689
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Policial, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Annyeong, amados leitores!
Eu confesso que sumi por algum tempo, enquanto me dedicava a esta One Shot do Bangtan (focado principalmente no Jin) e me desdobrava para escrever o longo capítulo de Vida Escolar, minha fanfic do Astro. Somado isso e a enxurrada e trabalhos e provas escolares, eu comecei a naufragar de tanta coisa pra fazer @-@

Mas, inspirado em algumas séries e filmes que quebram *demaaaais* a cabeça de quem assiste, ofereço á vocês The Purple Box, uma one-shot de terror psicológico e suspense focado principalmente em Kim SeokJin.

Tenham uma ótima leitura!

P.S: Esta é a minha primeira história de suspense que eu escrevo, portanto, desculpem-me por qualquer erro ou falha no enredo *-*

Capítulo 1 - Capítulo Único - O Jogo Começou


Fanfic / Fanfiction The Purple Box - Kim SeokJin - Capítulo 1 - Capítulo Único - O Jogo Começou

A mentira não é nada mais do que a doce e pura verdade envolvida nos tecidos finos da ilusão.

O dia chuvoso não combinava em nada com a personalidade alegre e extrovertida de Park JiHwan, porém, ela tentou animar-se, afinal, estava prestes á terminar seu Trabalho de Conclusão de Curso. Ela precisava apenas de alguns recortes de jornais sobre a história de um incêndio provocado por um psicopata em um supermercado.

Seu namorado, Kim SeokJin, colocou-se a disposição da garota para ajudá-la, pois sua mãe tinha guardado alguns jornais antigos. Os dois poderiam procurar os recortes juntos. Então, naquele momento, Park JiHwan dirigia-se até a casa de seu amado, aonde os dois poderiam começar a procurar os recortes de jornais e depois assistirem a um bom filme juntos.

Ela encarou os pingos de chuva que caíam na janela do ônibus. Ela desenhou um coração no vidro com o dedo indicador, e preencheu-o lentamente, com risquinhos sucessivos. Então, ela despertou-se: seu ponto era o próximo.

Ela levantou-se e deu o sinal para que o ônibus parasse, e ele não tardou a fazê-lo. Quando ela desceu, vestiu o capuz preto do agasalho de mesma cor e sentiu os finos pingos molharem sua calça jeans. Ela andou rapidamente, pois a casa do namorado ficava há três casas do ponto.

Quando ela chegou ao seu destino, pousou o dedo levemente no interfone e ouviu a voz doce de SeokJin passar pelo velho equipamento. Ele soltou um "alô" duvidoso e quando ouviu a voz de JiHwan pareceu abrir um sorriso. Ele completou seu comentário com um "Entre, querida, está chovendo aí fora".

A garota percorreu os corredores escuros com as portas dos apartamentos quase sempre fechadas. Quando a garota chegou ao 221A, no terceiro andar, o apartamento de SeokJin, ela deu três batidas pausadas na porta padrão de madeira com um olho mágico acima do número do apartamento. Ela escutou um trovão ribombar lá fora.

Quando ela viu Kim SeokJin vestido em uma calça de seda preta folgada, com os pés descalços e uma camisa da mesma cor, ela deduziu que tinha cabado de acordar seu namorado de uma soneca. Então, ela ficou na ponta dos pés e deu um beijo rápido no rapaz, fazendo com que ele soltasse um sorriso.

— Querida, vou precisar ir até o mercado mais próximo para comprar algumas coisas para nós. Se importa de ficar sozinha? - Ele pergunta, jogando-se no sofá de couro ao lado da garota, que observava as gotas de chuva caírem no mesmo som da música ambiente que havia na casa dele. Parecia tudo perfeitamente sincronizado.

— Contanto que você volte logo, não tem problema algum. - Ela disse, abraçando-o e ele ajeitou-a, de modo que ela ficasse mais confortável. - Você separou as caixas?

— Ah, eu sabia que tinha algo faltando! - Ele disse, levantando-se e soltando um riso rouco. - Já irei trazê-la.

Foi então, que ela viu aquela caixa, num tom escuro de roxo, não chegando a ser púrpura. Ela era um quadrado perfeito, bem conservada, parecendo completamente nova. Quando Kim SeokJin trocou de roupa e deu um beijo de despedida em JiHwan, ela arriscou-se a abrir a caixa roxa.

Ela deixou a tampa do lado da mesinha de centro da sala e escutou a música mudar rapidamente, mas não se importou em mudá-la novamente. Ela tirou o fino pano negro que cobria as fotografias e recortes da garota, e encarou todas as fotos amareladas, retirando cada uma das poucas e espalhando-as sobre a mesinha de centro de mogno bem polido.

Ela pegou o primeiro jornal completo, datado em Dezembro de 1999. Ela encarou a manchete do jornal e começou a ler o mesmo cuidadosamente, virando as páginas como se estivesse diante de uma preciosidade.

"Pequeno piromaníaco faz vítimas em incêndio á Supermercado no centro de Seul.

Ontem (23), ás vésperas do Natal, ...i... ...-.....n de quatorze anos, colocou em prática um sórdido e bem executado plano de incêndio á um Supermercado lotado para as compras de Natal. As vítimas estão em estado avançado de carbonização e outras precisarão ser reconhecidas atrás de um exame completo de DNA, dada as proporções da destruição.

O investigador-chefe do Departamento de Polícia de Seul dedicou toda á sua atenção a este caso.

'Não deixaremos que este crime, mesmo se cometido por um menor de idade, passe impune. Nós estaremos realizando testes psicológicos em ...K....-......., e se estes testes comprovarem um distúrbio psicológico, empenharemos todos os nossos homens para que essa criança seja tratada.' "

Uma imagem borrada de água e outro líquido, café, talvez, tornava-se impossível de ler os nomes ou ver as imagens claramente, o que dificultaria e muito o trabalho de JiHwan. Ela continuou a ler o jornal quando escutou uma voz:

  — Não se lembra de nada, querida? - A voz disse tão rapidamente que ela não conseguiu dizer se era masculina ou feminina.

— Jin, você está aí? - Ela perguntou, virando-se para trás, mas não havia ninguém.

— Kim SeokJin não poderá salvá-la de seu passado. - O sussurro continuou, ignorando sua pergunta. - Isso está fora do alcance dele, e até mesmo do seu, Park JiHwan.

— Q-que brincadeira de mal gosto é essa, Jin!? - Ela disse, levantando-se e deixando os jornais e fotos de lado. - Q-quem está aí?

Ela foi até o aparelho de som e desligou-o, tendo como companhia apenas o barulho das gotas de água tocando a janela. Ela soltou um suspiro longo e demorado, fechando os olhos e deixando-se acalmar pelo barulho relaxante da chuva.

 — Querida, você está bem? - Ela escutou, e soltou um grito alto, agarrando a escrivaninha aonde o notebook e os livros de Jin repousavam. O namorado da garota correu até ela, abandonando os quitutes em algum lugar da sala. - Por Deus, JiHwan! Você está bem?

  — E-eu estava lendo o jornal... Eu acho que a atmosfera da história me assustou. - Ela justificou-se. - Você chegou há muito tempo?

Kim SeokJin fez que sim com a cabeça, porém, continuou:

— Jeon Jungkook me parou no começo do corredor para conversar sobre a faculdade, e eu falei muito tempo com ele, mas aqui perto, eu não estive. Por quê?

— Por nada, Jinnie. - Ela disse, soltando um sorriso amarelo. - Posso levar a caixa pra casa? Tenho que ler com mais calma...

— É claro, e não tenha pressa em me devolver. 

... 

Quando Park JiHwan subiu no carro de seu namorado e se fechou lá dentro, soltou um sorriso. Estava com a pessoa que mais amava e a protegia no mundo, e nenhuma voz ou história poderia perseguir ela ali.

Ele deu partida no carro e soltou um sorriso, começando a tirar o carro da garagem. Os primeiros barulhos de pingos da chuva tocando no capô do carro cinzento entorpeceram os ouvidos da garota e ela se recostou no bando confortável. Aos poucos, ela foi fechando os olhos, fechando os olhos, até que caiu no sono. Ela apenas sentiu o toque de Kim SeokJin afagar seus cabelos ruivos, e então, desligou-se de todo o mundo vivo a sua volta.

Não demorou muito para que a garota ruiva sonhasse. Apenas pequenos flashes, de início, invadiram sua mente. Ela lembrou-se de uma mulher muito bonita, e também muito parecida com ela, sendo agredida por um homem de faces rubras com uma garrafa. Ela tentou impedir-se, mas não tirava os pés do chão. Ela não podia se mover, e aquilo a deixava agoniada!

O homem ficou tão irritado com a mulher que desferiu inúmeros tapas em seu rosto, e por fim, deu-lhe uma garrafada na cabeça. A mulher caiu no chão, inerte, o sangue manchando todo o tapete branco que havia na sala.

Por fim, lembrou-se de um pequeno cemitério particular localizado nas redondezas de um casarão muito simpático, mas acabado pelo tempo. Ela estava ali, sozinha, e todas aquelas sepulturas pareciam tão velhas, mais velhas até do que o próprio casarão. Porém, apenas uma daquelas sepulturas era a mais velha. Estava cheia de flores de todos os tipos, que davam o único colorido alegre a cena. Eram margaridas, cravos, tulipas, jasmins e, principalmente, rosas. 

Ela aproximou-se daquela sepultura e tocou na placa de concreto ainda fresca. 

"Em memória de Kim Dakota, uma doce mulher, tão delicada quanto todas as flores."

Ela não pôde ficar observando aquela placa e desfrutar daquele cenário por muito mais tempo, pois retornou para a realidade com o toque de Kim SeokJin em seus lábios. Quando ela entreabriu o olho, ficou feliz em ver a doce figura de seu namorado a acordando, e soltou um sorriso.

  —  Boa tarde, Bela Adormecida. - Ele sussurrou pausadamente, e a garota soltou um sorriso, correspondendo ao leve beijo que ele havia dado. Ela estava em seu apartamento, e a caixa roxa estava lá, em cima da escrivaninha dela, como se a encarasse maldosamente.

  — Por quanto tempo eu dormi? - Ela perguntou, levantando-se e encarando seu namorado pegar o casaco. - Ah, fique mais, Jin, por favor...

— Eu já estou atrasado para a sessão de cinema dos garotos... Namjoon me convidou para fazer uma sessão de filmes de terror junto com os garotos. Você quer vir?

A garota de cabelos avermelhados fez um movimento negativo com a cabeça. E então, continuou:

  — Vou tentar relaxar, por enquanto. Hoje o dia foi muito puxado. 

  — Tudo bem. - Ele disse, depositando um beijo na testa da garota. - Se precisar da minha ajuda, eu estarei aqui perto. Não hesite em me procurar.

E deixou o apartamento, encarando sua namorada com um olhar apaixonado. Ah, Kim SeokJin era um dos melhores namorados do mundo... Mas algo ainda mais perturbante rondava a cabeça de Park JiHwan. O que seria aquele sonho estranho que ela havia tido?

Ela balançou sua cabeça para ver se aquele pensamento saía de sua cabeça e andou até seu quarto, pegando uma toalha de banho roxa-escura e um pijama confortável de frio. Ela andou até o banheiro e ligou a torneira prateada, novinha em folha, que enchia a banheira com a água quente e relaxante.

Park JiHwan despiu-se e soltou seus cabelos, deixando-se mergulhar por algum tempo na banheira quente e relaxante. 

Kim Dakota... Quem seria ela?

Aquele nome perpetuou a mente da garota por alguns minutos, mas então, ela lembrou-se da caixa. Haviam alguns nomes que estavam borrados, assim como uma imagem. Se a garota quisesse um trabalho de faculdade digno, ela teria que ir atrás da fonte das notícias, como qualquer bom detetive faria.

No mesmo instante, ela saiu da banheira, os cabelos escorrendo pelos ombros, determinada á encontrar toda a verdade, por mais dolorosa que ela fosse. Ela prometeu a si mesma, enquanto pegava o guarda-chuva azul que tinha na entrada, que iria até o fim para descobrir o que estava acontecendo.

Agora, aquilo ia além de um trabalho. Era questão de honra e coragem.

...

A garota lembrou-se de Min Yoongi, seu amigo que fazia estágio em uma emissora de TV em Seul, no ramo jornalístico. Ela pensou que talvez pudesse encontrar algum arquivo, entrevista, alguma coisa, qualquer coisa que falasse sobre aquele infeliz episódio.

Ela cruzando o apartamento de Kim Namjoon quando a voz soltou mais um sussurro perigoso em sua mente:

  — Cuidado, Park JiHwan. Este é um caminho sem volta.

 Ela ignorou completamente a voz, descendo as escadas em uma velocidade rápida e abrindo o guarda-chuva quando atingiu a recepção. Ela cruzou os blocos rapidamente, já que Min Yoongi — apelidado carinhosamente de Suga pelo grupo, por ter a pele branquinha como o tal, morava no Bloco III do mesmo apartamento.

Quando ela atingiu a portaria do Bloco III, deixou seu guarda-chuva ali e subiu as escadas novamente. Ela procurava em cada andar o nome de Min Yoongi na plaquinha de moradores daquele andar, e sempre ia até um andar maior, até que chegou o último.

  — Kim EunGi, Moon Gyumi, Kwon YoungJu, Kim NiHyung e... Apartamento 203! Min Yoongi. - Ela disse, lendo os nomes em voz alta e comemorando baixinho ao chegar no de seu procurado.

Park JiHwan bateu na porta do apartamento 203, e Suga atendeu-o com um olhar perdido. Ele estava com uma roupa de frio— um casaco marrom e uma blusa do Batman, com apenas uma calça jeans. Ele olhou para Park JiHwan, que estava ligeiramente desesperada, e convidou-a para entrar.

  — Ei, Park, o que está acontecendo? Você parece abatida. - Ele comentou rapidamente.

— Eu preciso de ajuda com o meu TCC, Suga. - Ela disse, passando as mãos pelo tecido macio que cobria o sofá. Era de um tom escuro que combinava perfeitamente com a mobília. - Mas... está se tornando algo a mais do que um TCC.

— O que está acontecendo, JiHwan? Estou ficando preocupado.

A garota tirou do bolso da jaqueta preta de couro, já um pouco velha, o jornal de Dezembro de 1999. O 'Weekly Seul' era um jornal já amarelado, e a maioria das outras manchetes não podiam ser vistas pelas mesmas manchas de água e café. Ela virou as páginas cuidadosamente em cima da mesa de vidro com pés de alumínio tingindo de prateado de Yoongi, e o garoto leu cuidadosamente as páginas, de uma forma rápida, e, como julgava a garota, resumida.

  — Eu preciso que você mova uns pauzinhos pra mim, Suga. Você pode acessar todos os arquivos de Dezembro de 1999 no Arquivo da Emissora? - Ela perguntou, e o garoto pegou a chave de seu carro utilitário prateado, que ela tinha visto de relance assim que entrou no Bloco III.

 — Vamos lá, JiHwan. Mas você promete me pagar um salgado da cantina depois?

  — É claro. - A garota disse, soltando uma gargalhada. Os dois zuniram correndo pelos corredores do apartamento, cruzando os corredores e as escadas como relâmpagos. Até JiHwan esqueceu-se de pegar seu guarda-chuva azul, que ficou ali, abandonado na portaria.

Quando ela adentrou o carro de YoonGi, ficou surpresa com o interior do carro: os bancos de couro branco davam um ar sofisticado ao carro, e quem o olhasse por fora não iria nunca imaginar que aquele carro era tão sofisticado.

Suga acelerou rapidamente, saindo pela garagem vazia de carros enquanto a garota ainda colocava o cinto de segurança. Quando o garoto parou no primeiro sinal vermelho, os dois apenas trocaram um olhar rápido e um sorriso. Então, o garoto acelerou e em poucos minutos eles atingiram as dependências da Emissora.

Min Yoongi e a garota adentraram o prédio sem muitas dificuldades, e foram para os Arquivos de fitas de 1999, 2000 e 2001. Para Min Yoongi, ele estava se sentindo em casa: corria os dedos longos e brancos pelas fitas antigas de vídeo e pegava as datadas de Dezembro de 1999. Quando ele juntou todas em cima da mesa de madeira um pouco empoeirada do local, uma pequena pilha formou-se.

Muitas e muitas reportagens. Aumento sobre o preço dos eletroeletrônicos, as profissões do próximo século, algumas poucas sobre astronomia e mudanças de lua e outras sobre moda. Quando eles atingiram as fitas do noticiário, uma pequena chama de esperança acendeu o coração da garota de cabelos ruivos.

Eles demoraram cerca de uma hora e meia até lerem todas as fitas, e nenhuma era sobre nenhum incêndio em massa. Era como se as fitas tivessem sumido! A garota estremeceu, e Min Yoongi lançou um olhar incrédulo sobre ela.

  — Tem certeza de que esse jornal não é nenhum sensacionalista, JiHwan? - Ele perguntou.

— Absoluta! Eu procurei pelo nome do detetive, e ele realmente trabalhava lá em 1999, mas hoje é um policial aposentado. - A garota respondeu, e a expressão de Suga abrilhantou-se.

— Que tal procurar nos arquivos do Departamento de Seul, JiHwan? Você é uma investigadora, tem acesso VIP, esqueceu-se?

— É verdade! - Ela disse, vitoriosa. - Você pode me levar até lá, Yoongi?

O garoto assentiu e em poucos minutos os dois já estavam de volta ao veículo prateado, cruzando as ruas da cidade numa velocidade moderada. Eram por volta das oito horas da noite quando Min YoonGi e Park JiHwan adentraram as localidades do Departamento de Polícia de Seul. O vigilante da área de entrada adormecia, então JiHwan apenas vasculhou seus bolsos e passou o crachá pela catraca. Min YoonGi passou por baixo da mesma, e os dois entraram silenciosamente a porta que possuía uma plaquinha de metal escrito em hangul bem-desenhado: "Apenas pessoal autorizado". 

JiHwan dessa vez sentiu-se em casa. Enquanto Min Yoongi apenas lia os nomes em voz alta e ela descartava as pastas com os relatórios, fotos e qualquer outro tipo de evidências depositados em um padrão envelope preto e selado com o logo da polícia sul-coreana. Quando ela atingiu as pastas sobre acidentes incendiários, ela ficou feliz e soltou apenas um sorriso com o canto dos lábios.

Seus dedos corriam pelas pastas, e quando ela achou um envelope mais leve do que os outros, que geralmente estavam pesados e cheios, ela usou suas unhas longas para quebrar o lacre fraco do envelope. Ela deixou as outras pastas de lado na mesa de plástico cinza e sentou-se na frente de Yoongi, sob a luz fraca da sala de arquivos.

Park JiHwan leu cuidadosamente:

— Sob os cuidados do 18º Batalhão de Polícia de Seul, a Tragédia do Incêndio no Supermercado. Um total de 126 mortos. - Ela parou subitamente e estendeu o relatório a Min.

— Culpado: Eu... Isso é um K? E um... I? Talvez a última letra seja um I. - Ele disse, pensando em voz alta.

As lágrimas quase vertiam do rosto delicado de Park JiHwan. Ela prosseguiu com seu raciocínio, pegando uma folha branca e uma caneta de quadro branco que provavelmente estavam lá já há algum tempo.

Ela escreveu as letras K, I e, novamente, o I e estendeu a Min Yoongi. Então, ela prosseguiu seu raciocínio. Escreveu um "M" logo depois do KI e continuou com "SeokJ", dando um espaço para a letra-chave do anagrama e logo depois completou com um N.

— Essas letras borradas formam Kim SeokJin e são as mesmas que estão no jornal, Yoongi.

— Você não está sugerindo que... - Ele levantou-se, arregalando os olhos e viu que a garota começava um choro baixinho. - Ah, JiHwan... Eu... eu sinto muito... Mas, como você pode ter certeza?

  — Porque Kim SeokJin teria um jornal de Dezembro de 1999 em uma caixa completamente nova, envolta por um pano negro, de modo que a pessoa mal informada que o abrisse pensasse que fosse uma simples caixa vazia? - Ela disse, entre as soluçantes lágrimas que molhavam seu rosto. Suga assumiu um olhar culpado, mas dentro de seus olhos, talvez no fundo de seu coração, ele achasse que ela estivesse louca.

Ela colocou sua mão direita dentro do envelope negro, e tirou de lá um pequeno cartão comercial. Min Yoongi leu rapidamente e viu que se tratava de uma clínica. Ele não hesitaria em ajudar sua melhor amiga, portanto, os dois não tardaram em partir do Departamento de Polícia para irem até a Clínica, que não ficava muito longe dali.

...

No outro lado da cidade, Kim SeokJin estava temendo pela vida de sua namorada. Se ela descobrisse... se ela descobrisse seria o fim do romance dos dois. E o fim da linha tênue da vida perfeita e pacata que os dois levaram.

Ele já tinha ido até o departamento de polícia e tinha visitado o apartamento da garota, então, ela havia descobrido a verdade e estava indo em direção a clínica de seu pai, o ponto final.

Ele entrou no carro, ignorando os poucos pingos de chuva que insistiam em cair. Ele deu partida e acelerou o carro, aproveitando-se do pouco trânsito daquele dia chuvoso, aonde a maioria das pessoas preferia ficar em casa a se aventurar nas ruas. Um pouco de normalidade não fazia mal á ninguém, na verdade.

 Kim SeokJin já estava a duas quadras da clínica de seu pai quando viu um carro disparando com sua namorada dentro. Provavelmente era Min Yoongi, seu melhor amigo, que estava dirigindo. Ele acelerou mais um pouco e já estava do lado do carro dos dois, e eles pararam nas vagas uma ao lado da outra quase ao mesmo tempo.

  — K-Kim SeokJin... - Park JiHwan disse, e sua voz saiu como um sussurro fraco. Seu cabelo ruivo já estava escorrido por ação da chuva e seu agasalho preto estava molhado e sujo. Mas ela parecia incrivelmente bonita. E agora que a verdade viria a tona, eles poderiam nunca mais se ver.

Suga apenas assistiu a cena com um sorriso ralo nos lábios, enquanto Park JiHwan o abraçou forte. Ela se impressionou por não estar brava com ele.

  — Eu corro risco de vida perto de você, Oppa? - Ela disse, e sua voz ainda saía baixinha.

  — C-como assim, risco de vida? - Jin disse, totalmente confuso. - Eu não estou entendendo nada, JiHwannie.

  — Você ainda se faz de desentendido!? -  Ela grita, se afastando dele. - Você matou todas aquelas pessoas e ainda diz que não está entendendo nada!? 

Ela entra dentro da clínica rapidamente, deixando-os ali fora, apenas se encarando. SeokJin aproxima-se alguns passos de YoonGi, e o garoto de cabelos loiros pergunta:

  — Não seria melhor deixar ela descobrir sozinha?

— É isso mesmo que iremos fazer.

...

Quando Park JiHwan mostrou o seu distintivo de investigadora á enfermeira da recepção, ela fez questão de acompanhá-la até a sala de Arquivos. A enfermeira pediu o nome da pessoa que ela procurava e Park JiHwan engoliu em seco.

Ela estaria traindo seu namorado se fizesse isso, mas... A justiça precisava ser feita. 

  — Procure por Kim SeokJin, por favor. - Ela disse, escondendo o nervosismo e apreensão aparentes em sua voz.

A enfermeira digitou o nome de Kim SeokJin no computador de última geração que parecia bem novo. A garota mordeu o lábio inferior, cheia de inquietação e ansiedade. Quando ela leu "Nenhum resultado encontrado para Kim SeokJin", ela estremeceu. 

  — Como assim? - JiHwan perguntou e a enfermeira deu de ombros.

— Tem certeza de que disse o nome certo? 

— Ah, é claro, que cabeça a minha, me desculpe, Kim SeokJin é o nome de uma das testemunhas. Por favor, digite... Digite... - Park parou, gaguejando. A enfermeira a apressou com o olhar. - Digite Park JiHwan, por favor.

A enfermeira digitou com seus dedos longos rapidamente no teclado. A garota estremeceu quando leu a seguinte frase: 

A busca por Park JiHwan resultou em um (01) vídeo(s).

"Meu nome é Park JiHwan, eu tenho quatorze anos e... eu fugi de casa assim que completei quatorze anos, em Novembro. 

Eu fugi de casa quando meu pai matou minha mãe. Ele bebia muito e... batia nela sempre que chegava do bar com seus amigos. Eu queria fazer alguma coisa pra ajudar minha mãe, mas... se eu a ajudasse, ele me mataria também!

Quando as vozes aparecem pra mim pela primeira vez, elas disseram que iriam me ajudar com o que eu precisasse, e disseram que o melhor a fazer naquele momento seria fugir de casa. Eu saí de Jeju escondida em um caminhão que levava comidas prontas para a capital, Seul, e quando cheguei aqui, fui apanhada por um dos motoristas, que me mandou para um orfanato.

Eu não demorei muito para fugir junto com uma amiga, mas ela foi apanhada enquanto eu dizia meu plano a ela: meu pai estaria na capital, naquele supermercado, fazendo compras com sua mãe para o Natal. Eu iria queimá-lo.

Como ela foi apanhada, ameacei-a a não contar o plano, e ela jurou por sua vida que não o faria. Ela jurou!

Um dia antes, me escondi no supermercado, dentro de algumas caixas no estoque. Separei muito álcool e espalhei pelo lugar, em lugares estratégicos que seriam mais difíceis de serem apanhados e limpados. Então, quando o primeiro horário de pico se estabeleceu, e quando eu vi meu pai na minha frente, soltando um sorriso sincero como se nada tivesse acontecido, eu soltei o fósforo aceso e saí correndo no meio da multidão desorientada.

Mas minha amiga que tinha sido apanhada havia contado tudo pra polícia, e eles me acharam e meu trouxeram aqui. "

A imagem abatida da garota de cabelos já ruivos, com o rosto sujo e as roupas apertadas e igualmente sujas foi substituída pela imagem de um jovem com os cabelos bem aparados, asseado e com um óculos redondo de armação quase imperceptível: Kim SeokJin.

Ele estava segurando uma prancheta e seu jaleco estava um pouco largo, mas ele já tinha os traços semelhantes aos de hoje em dia.

"A paciente nomeada de Park JiHwan, apresentou-se primeiramente como Kim Dakota, nome que descobrimos posteriormente pertencer a sua falecida mãe. A garota apresenta um raro tipo de Esquizofrenia que resultou tardiamente á uma piromania grave, resultando na morte violenta de cerca de 126 pessoas presentes no Supermercado em Dezembro."

E o vídeo foi desligado. A enfermeira a encarava com um olhar de repreensão e culpa, enquanto Park JiHwan desabava em lágrimas.

  — E-eu... - Ela disse, gaguejando. A enfermeira interrompeu-a de uma forma ríspida.

— Park JiHwan, eu achei que estivesse morta. - Ela disse, e soltou um suspiro de reprovação. - Agora eu terei que ligar para a polícia, você lembrou de tudo.

— C-como assim se lembrar? - Ela perguntou, desesperada. Sua cabeça doía.

— Você perdeu a memória em tratamentos de eletrochoque. Então, decidimos soltá-la e deixar SeokJin por perto. Mas agora...

A garota começou a desabar em lágrimas. A enfermeira, que possuía os cabelos lisos e a expressão fria e tediosa não demonstrou nenhum sentimento. Ela deixou a sala, levando consigo Park JiHwan, que esperou a chegada da polícia sentada na calçada, ouvindo as palavras de conforto de Kim SeokJin.

É claro que ela sairia mais tarde, por falta de provas. Mas Kim SeokJin apenas ficou ao lado de sua amada, dizendo á ela que o encontraria na delegacia. Quando ela foi embora, as sirenes ecoando pelas ruas já escuras e vazias, SeokJin postrou-se ao lado da enfermeira e de Suga.

  — Ah, que droga. Eu não aguentava mais esse drama todo. - O garoto de cabelos castanhos disse, e a enfermeira soltou uma risada estridente, mas comportada. 

— O chefe deixou mais uma missão pra você. - Ela disse, tirando seu chapéu rosado, com uma cruz vermelha e o largando no chão. - Você fez um ótimo trabalho colocando a culpa do seu crime na pobre coitada, SeokJin. 

  — Eu até que estou me sentindo mal por ela... - Min Yoongi soltou seu comentário rapidamente.

— Ei, Yoongi, que droga é essa? - A enfermeira perguntou, nervosa. - Você não pode se apegar a ninguém em nosso trabalho, você sabe. Fazemos as pessoas perder a insanidade, ficarem loucas, e colocamos elas na cadeia por crimes que nossos chefes cometeram.

O garoto de cabelos esbranquiçados suspirou e entrou dentro do carro, partindo na mesma direção da viatura policial. A enfermeira entrou novamente e Kim SeokJin tirou o celular do bolso, encarando a tela de mensagens já desbloqueada.

N: Quero que vá para o Brasil agora, SeokJin. Enviei mais detalhes em seu e-mail pessoal, caso precise. Boa sorte, e não quero falhas neste trabalho. 

Ele bloqueou o celular e soltou um sorriso, entrando em seu carro e partindo para seu apartamento.

...

O país tropical e acolhedor era ainda mais bonito de perto. Kim SeokJin viu a foto de sua nova procurada na tela do celular, enquanto mordia o lábio inferior, pensando em como se aproximar dela, agora que tinha sua localização exata.

Ele desceu do avião poucos minutos depois e andejou sem muito ânimo pelo local, descendo a escada rolante e pegando o primeiro táxi que viu na frente dele. Ele deu o endereço ao motorista e quando desceu no local indicado, pagou-o em dólares e pediu que ele ficasse com o troco.

Ele tirou os óculos de sol quadrados para observar de perto. Ele forçou a visão e conseguiu ver a garota, provavelmente lendo algo... Em um celular? tablet? computador? Estava longe demais para afirmar com clareza.

Ela parecia centrada e chocada, como se estivesse surpresa com algo que estivesse acabando de ler. Então, ela desviou os olhos um minuto da tela e encarou-o fixamente, através da janela.

Cuidado, não olhe agora!

E-espere... esse é o barulho da sua campainha tocando?

Não vá!

É...

É tarde demais.

O jogo já começou.


Notas Finais


Por favor, comente! Além de deixar o dia do autor mais feliz, é uma ótima maneira de descobrir o que o público achou da história.
Quaisquer dúvidas sobre o enredo, sobre o futuro da JiHwan ou pedidos para um capítulo bônus, eu estarei aqui!

Até mais!


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