História The Queen - Capítulo 39


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber, Nina Dobrev, One Direction, Zayn Malik
Tags Drama, Romance, The Queen
Exibições 477
Palavras 4.844
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá queridas!
Como vão? Eu espero que bem.
Minhas semanas foram bem corridas e eu tenho escrito mais de uma história por vez. Na verdade tenho pensado mais como meus personagens do que como eu mesma rs
Sei que esse era um capítulo que vocês esperavam a tempos então aproveitem a leitura!

Capítulo 39 - Tomando uma decisão


Fanfic / Fanfiction The Queen - Capítulo 39 - Tomando uma decisão

Capítulo 07

                A Rainha Dallas caminhava entre as flores do vasto jardim do Castelo Stormund. No momento sua guarda pessoal a acompanhava de perto, porém longe o suficiente para lhe permitir ter certa privacidade. A garota ainda tentava acostumar-se ao fato de que agora possuía seus próprios espiões e um grande reino para administrar. Às vezes sentia a bela coroa em sua cabeça pesar e se perguntar se não era apenas sua mente lhe pregando peças.

                Gostava da beleza do jardim. Ele sempre parecia renovado apesar do tempo frio criar nuvens tão espessas ao ponto de cobrirem os raios de sol. Sempre que tinha tempo livre — o que era cada vez mais raro — ela apreciava contemplar os campos verdes e as rosas. Respirar o ar puro era sua atividade favorita — além das justas de espada, da leitura na biblioteca e das ocasionais partidas de damas com seu marido. Eles tinham se dedicado há passar mais tempo juntos, realizando até mesmo as mínimas atividades. Tentavam ser mais abertos e dialogar sempre que necessário. E parecia realmente estar funcionando até o dia anterior, quando eles brigaram brevemente após a rainha comentar que não acompanharia o marido a pequena cerimônia de casamento de seu irmão, Capitão Mahone.

                “— Pensei que vocês compartilhavam algum tipo de... Apresso. Porque se recusa a estar presente no casamento dele com sua irmã? — Justin parecia confuso e falava em um tom acima do normal. Dallas o conhecia bem o suficiente para saber que estava furioso e que tentava se controlar.”

                “— Tenho meus motivos, Justin. Não poderia simplesmente ir sozinho e entender que não quero estar lá? — Argumenta a jovem já cansada. Sempre que se alterava, sua pressão tendia a baixar rapidamente. — Diga ao casal que sinto muito, mas tenho um reino para governar e uma gravidez difícil.”

                “Justin cruza os braços contra o peito. Vestindo os trajes reais e assumindo aquela postura ele mais parecia com um general de batalha.”

                “— Você sabe que Austin não faz ideia que você está grávida. Ninguém no reino pode saber até que a criança nasça saudável. — Ele se aproxima da esposa. Seus olhos estavam crispados assim como sua boca. — Quero que me diga o real motivo para que esteja se esquivando disso.”

                “— Você entenderá errado. Não vale a pena. Vá. Eu cuidarei de tudo. — Dallas deposita um beijo apressado em sua bochecha e se afasta. No entanto ela não é rápida o suficiente para não ouvir os últimos dizeres de Justin.”

                “— Você ainda o ama, não é? Nunca serei capaz de entender seu coração senhora Bieber.”

                E desde então sua mente vinha sendo atormentada por suas palavras. De fato, nem a própria Dallas era capaz de compreender seus sentimentos. Por que não conseguia deixar Austin ir, quando Justin estava dando tudo de si para ser um marido melhor e futuramente um pai presente? Como pode ser tão difícil?

                As antigas traições de Justin estavam lhe impedindo de entregar-se totalmente a ele? Ela ainda tinha receio de que Justin voltasse a ser o que era antes e então a destruísse por completo? Era por isso que amar Austin era mais fácil?

                Tantas perguntas rondavam sua cabeça.

                Há àquela hora sua irmã já devia ter se tornado a senhora Alexandra Mahone. E Dallas apenas observava o horizonte, sem muito que dizer.

                — Majestade. Veio cedo hoje. — A rainha vira-se e encara o velho jardineiro da família real, o senhor Marshall. Ele era naturalmente curvado por conta de seus problemas de coluna e tinha longos cabelos brancos finos e ralos. Sua barba também era branca e sua pele era pálida. Vestia calções e uma camisa de mangas compridas suja de terra. As alças de seu suspensório pendiam levemente sobre seus ombros que carregavam o peso de um saco de areia. Ele sorri.

                — Tinha tempo sobrando hoje. Senhor Marshall o que lhe disse sobre carregar algo tão pesado? Temos guardas jovens por todas as partes.

                — Esse não é o trabalho deles Milady Dallas. Eu sou o jardineiro. Devo cuidar disto. — Ele joga o saco no chão ao seu lado. A poeira que sobe faz o homem ter leves espasmos por conta da tosse. Dallas afasta a poeira para longe de seu nariz com a própria mão enquanto tenta ajudá-lo.

                — Permita-me apenas contratar um ajudante para ti. Não podes mais realizar tarefas tão exaustivas.

                — Como quiser Majestade. Estou aqui apenas para fazê-la feliz.

                Imersa novamente em seu mundo particular, Dallas toca as pétalas de uma tulipa. A flor parecia atraí-la a cada segundo que se aproximava dela.

                — Não quero ser intrometido, mas hoje Milady está tão triste.

                Dallas pondera. Marshall é um homem de confiança. Por anos trabalhou lada a lado com a família real. Já viveu muitas vitorias e infortúnios. Ele seria perfeito.

                — Uma... Amiga próxima. Casou-se com um jovem que não amava. Esse jovem era ranzinza e tratava minha amiga com certo desprezo e descaso. Quando ela achava que toda sua vida estava perdida ela conheceu o irmão do marido e então viu novas perspectivas para a vida. — Dallas pressiona mais suas tulipas. — Porém ela se envolveu demais com os dois e então se tornou incapaz de ser totalmente de um ou do outro. Não sei como ajudá-la.

                O Senhor Marshall colhe uma tulipa e inspira seu cheiro. Ele sorri de maneira amigável mostrando que lhe faltava um dente da frente.

                — Eu amo ser jardineiro. Fico muito feliz quando estou rodeado de flores e vida. Porém alimento secretamente um amor pela pintura desde os nove anos de idade.

                — Verdade senhor Marshall?

— Ah, sim. Quando estou pintando sinto meu coração saltar do peito. É uma sensação completamente diferente, mas não exclui meus sentimentos pelos jardins.

                Algo estrala na cabeça de Dallas. Ela sorri, compreendendo aonde o senhor Marshall quer chegar.

                — O amor milady pode ocorrer de várias maneiras. Um ser humano pode amar mais de uma pessoa, mais de uma profissão... Às vezes em momentos difíceis nos apegamos a aquilo que nos conforta. E mesmo após as coisas voltarem a ser fáceis nós continuamos a nos agarrar com todas as forças ao que nos traz segurança. Eu nunca me dediquei totalmente à pintura, pois tinha medo que a sociedade não aprovasse minhas obras e que por causa disso eu vivesse sem dinheiro e impossibilitado de ajudar minha família. Agarrei-me a jardinagem onde eu sempre tinha emprego garantido. Eu escolhi o caminho mais fácil.

                — Você se arrepende disso?

                — Arrependo-me de não ter corrido atrás de meus sonhos por medo de sofrer. Esquecemos que depois de muito sofrimento e batalha vem à recompensa. Quase sempre vem. Diga a sua amiga que por mais que seja doloroso ela não hesite em correr atrás da pessoa que faz o coração dela bater mais forte. Faça-a entender que um amor jamais excluirá o outro, apenas será um pouco diferente.

                Senhor Marshall lhe entrega a tulipa que segurava. Dallas sorri de lado e o cumprimenta rapidamente.

                — Muito obrigado por compartilhar sua sabedoria comigo senhor Marshall. Direi para minha amiga.

                —Espero ter ajudado Majestade.

                A rainha arregala os olhos.

                — Ajudou muito.

                [...]

                O Rei não esperava um dia estar ao lado de seu irmão apoiando-o em sua cerimônia de casamento. Eles nunca haviam conseguido manter ao menos uma relação amigável e após Austin deixar o castelo para ingressar na Guarda as coisas só pioraram. Tantos foram os problemas que surgiram entre eles e mesmo assim estavam agora sendo o alicerce um do outro. Chegava a ser cômico.

                Justin havia mexido em seu prato de comida e bebido alguns bons goles de vinho. A pequena festa na propriedade de Austin fora bem organizada e estava particularmente aconchegante. Os poucos convidados transitavam pelo local e conversavam animadamente. Austin aproxima-se novamente da mesa e senta-se suspirando.

                — Até mesmo uma festa pequena dá trabalho. Como consegue manter a ordem nas grandes festas do palácio?

                O rei dá de ombro.

                — Deveria perguntar para mamãe e Dallas. Elas sempre ficam responsáveis pelas festas.

                Mesmo sem ser de seu agrado, Justin percebe a expressão de Austin se fechar ao mencionar o nome de Dallas.

                — É a primeira vez que vejo a rainha se negar a comparecer a um compromisso.

                —Ela estava indisposta... — Justin entrelaça os dedos sobre a mesa e encara o irmão. — Seja sincero comigo. Você e Dallas brigaram recentemente? Tinha algo haver com esse casamento?

                — Justin...

                — Não minta!

                A voz de Justin sai mais alta do que pretendia. Alguns poucos convidados lhe olham de relance, mas rapidamente retornam a suas conversas.

                 — Sinceramente, isso não lhe diz respeito.

                — Ela é minha esposa. Tudo sobre ela me diz respeito. Quando você entenderá isso?

                Austin esboça uma feição de desgosto. Apesar de tentar com todas as forças matar o que sentia por Dallas, o sentimento seguia cravado em seu ser. Ele se manteve afastado e temeu que se a visse perdesse a coragem de prosseguir com o casamento. Mas então ela não apareceu e isso o deixou profundamente aliviado e magoado. Não havia enviado nem ao menos um bilhete. E agora ali estava seu irmão, o confrontando com punhos de aço.

                — Eu sou a pessoa que mais tem consciência disso. Sua resposta é sim. Brigamos. Está feliz majestade? — As palavras do capitão soaram ásperas. Justin o encara altivo e se recosta a cadeira novamente.

                — Não sei de que lado está...

                — Está duvidando da minha lealdade a você? Eu casei com Alexandra, a irmã dela, e a magoei por isso. Ela me odeia agora. Fiz tudo que pude para me afastar e dei prioridade a sua felicidade, mesmo estando precisando dela mais do que nunca. Eu também perdi meu pai Justin.

                É como um choque de realidade. O rei se sentia frustrado, no entanto não podia discordar do irmão. Austin estava tão sozinho quanto ele estava na sala de reuniões. Dallas o tirou de lá, mas Austin ainda permanece na escuridão parcial.

                — Senhor Mahone a música acabou de começar. Venha dançar... — Alexandra Mahone aparece animada ao lado de Austin. O rei rapidamente se recompõe. — Majestade! Perdoe-me pela minha falta de educação. Milord dizia algo importante? Posso voltar sozinha...

                — Não a necessidade de pedir perdão, Milady Mahone. Já está mais do que na hora de meu irmão soltar-se um pouco. — disse Justin de maneira simpática. Seu sorrio era tão aberto que parecia realmente convincente. Austin se ergue da cadeira ajeitando seu colarinho e segura à mão de sua esposa olhando rapidamente para Justin. O rei sabia que estava extrapolando em relação a tudo, mas não poderia seguir adiante com essa situação. Tinha de saber a verdade.

                Bebendo o ultimo gole de sua taça um servo rapidamente aparece para enchê-lo novamente. Essa era uma das vantagens de ter se tornado rei. Todos devem ser duas vezes mais prestativos em relação a ele agora. Incluindo seu chanceler Santiago, que permanecia em silêncio do outro lado da mesa. Ele lia um email em seu celular, provavelmente assuntos da corte, e absorvia as informações para repassá-las para o rei.

                — Alguma notícia?

                Santiago nega lentamente.

                — Os Inquilinos têm estado quietos ultimamente. Pensamos que a coroação os deixaria ainda mais agitados, mas para nossa felicidade e preocupação eles não agiram até então.

                — Deveríamos agradecer por esses dias de paz.

                — E agradecemos. Mas se eles estão tão quietos assim pode significar que estão planejando algo grande e não queremos dá-los tempo para pensar. Sugiro que marque uma audiência com os membros remanescentes do conselho e com a Guarda. Montar uma estratégia eficaz antes do inimigo é inteligente. —Justin concorda anuindo levemente. Seria a primeira coisa que faria ao chegar a casa.

                — E de Fion Doravan?

                — A rainha enviou o nome de alguns homens que deseja adicionar a sua guarda pessoal e um requerimento para contratar um ajudante jovem para o jardineiro do castelo. — Santiago ergue as sobrancelhas — ela também deixou claro na mensagem que quer vê-lo o mais rápido possível.

                O rei cruza os braços, sentindo uma pitada de preocupação. Dallas raramente exigia vê-lo. Nas ultimas semanas eles tinham feito o máximo de coisas juntos e trabalhado de maneira cooperativa. Ele via que a garota tentava ser paciente com ele e também notava que algo a incomodava. No fundo Justin temia o motivo da conversa. Seria por causa da discussão que tiveram dias atrás? Haveria algo de errado com o bebê?

                — Tentarei encontrá-la ao chegar ao castelo, porém não é garantia. Ainda tenho diversas leis para sancionar.

                — Não quero ser invasivo, mas... O senhor claramente amadureceu muito desde aquele dia em que tive de acordá-lo para o casamento. Associo boa parte dessas suas mudanças a Milady Bieber, no entanto seus sentimentos não são claros para mim. O que o senhor realmente sente por ela? 

                trava o maxilar, pego de surpresa pela súbita pergunta. Por todo esse tempo ele notou que estar ao lado de Dallas não era mais um terrível fardo. Ele sentia prazer ao estar em sua companhia e desfrutava dos seus momentos juntos. Mas será que a amava? O que seria esse sentimento? Justin não conseguia responder com certeza. Nesses momentos queria ser como seu irmão que ditava ferozmente seus sentimentos. O que ele sentia?

                — Eu não sei. Estar ao lado dela não é o suficiente?

                Santiago nega tristemente com a cabeça.

                — Majestade... O senhor ainda tem tanto a aprender. O amor é um sentimento muito poderoso. Estar ao lado de alguém não é o mesmo que amá-la. Quando se ama alguém tu desejas um futuro com essa pessoa. Não consegue pensar em uma vida sem ela. Consegues pensar em um futuro onde Milady não exista?

                As palavras de Santiago martelam em sua mente. “É um sentimento muito poderoso” disse ele. Se era tão poderoso assim poderia o rei não percebê-lo, afinal?

               

                Dallas repassava mentalmente sua lista de tarefas do dia. Era algo que costumava fazer para aliviar a tensão. Justin havia regressado ao castelo, porém eles mal se viram. Ele tinha vários compromissos com a reestruturação do Conselho e por isso estava hospedado no Kelith, prédio executivo de alta classe no centro de Fion Doravan, junto dos outros participantes da corte. Naquele momento a rainha esperava sentada em seu escritório, um que dividia com seu marido, por Austin. Todos do castelo acreditavam que sua vinda era apenas por motivos diplomáticos, pois a rainha necessitava de seu consentimento para retirar os homens que queria para sua guarda pessoal e para enviá-los a Khorriris com o intuito de manter a população navegante segura. Entretanto Dallas necessitava desesperadamente desculpar-se por todas as besteiras que havia dito. E o mais importante, precisava se despedir dele.

                O Céu estava limpo e escuro, as estrelas brilhando fortemente. Dallas recordou-se do dia em que transtornada correu para o gramado do castelo para pensar. Foi a primeira vez que Austin e Dallas se beijaram e a primeira vez que Dallas havia se sentido realmente feliz no castelo. Agora aquela lembrança estava afundada em sua mente, tão distante. A rainha havia tomado uma decisão da qual não poderia voltar atrás.

                A porta se abre vagarosamente e Austin entra em silêncio. Seus passos pareciam incertos à medida que se aproximava da mesa. Ele senta-se na cadeira de frente para Dallas e seu olhar triste fazia Dallas sentir seu corpo ser esfaqueado por mil navalhas. Ele fecha as mãos por cima da mesa e Dallas nota sua aliança prateada brilhar em seu dedo, um doloroso lembrete de seu casamento com Alexandra, sua irmã. Dallas engole em seco.

                — Preciso de sua assinatura nesses papéis para conseguir mais homens...

                — Com todo o respeito, majestade, nós dois sabemos do que isso se trata. Você não precisa me pedir algo assim. Sabe que lhe daria de bom grado qualquer coisa que pedisse.

                — Não diga isso. Você tem noção de como me culpei esses dias por tudo que lhe disse? Nunca quis que as coisas chegassem a esse ponto, Austin. Não conseguimos nem ao menos ser amigos.

                Austin mexe-nos próprios cabelos, irritado.

                — Realmente, foi uma grande demonstração de arrependimento ter se negado a comparecer ao meu casamento. Muito nobre de sua parte.

                Dallas se permite sentir o golpe. Ela merecia.

                — Eu fui egoísta. Sei disso. Mas também sei que só iria atrapalha-lo indo até lá. Você está melhor sem minha intervenção.

                — Sabe o que me trás mais raiva? Ter a consciência de que está certa. Eu escolhi sua irmã, não só por ela ser uma boa pessoa e ter aceitado minhas condições como também para lhe atingir. Eu queria afastá-la, queria parar de interferir no seu relacionamento com meu irmão. Quando não foi ao meu casamento, senti dor, mas também alivio, pois sabia que se lhe visse fraquejaria. Eu te amo mais do que a mim mesmo, Dallas. E isso tem me matado. Morro a cada momento que preciso machucá-la porque também amo meu irmão e ele merece a felicidade. Morro porque sei que você o ama e que já o escolheu em seu coração. E aqui estou eu, mesmo após você ter me destruído retornando feito um cão que sobrevive de migalhas.

                Dallas se ergue e para em sua frente, Austin se levantando também. Ela se controla para não chorar, pois não queria demonstrar fraqueza. Era sua culpa ter permitido que as coisas chegassem a esse ponto e por ser sua culpa ela deveria ser a responsável por resolver tudo.

                — Não ache nem por um segundo que eu não lhe prezo. Austin eu te amei com todo o meu ser. Você esteve comigo, ao meu lado, nos momentos mais difíceis da minha vida e me ensinou que existe um lado bom para tudo de ruim que acontece em nossas vidas. E eu ainda te amo. Por isso eu devo deixá-lo ir. Tenha sua vida ao lado de Alexandra. Faça-a feliz. Aprenda a amá-la. O que diz é verdade... Neste momento, após tanto negar para mim mesma e desejar que não o sentisse, eu finalmente digo. Escolhi Justin. Estou escolhendo ele agora e provavelmente farei isso pelo resto da minha vida. Estou pondo meu coração à prova e tenho quase certeza que sofrerei por essa escolha. Mas não se pode mandar no que sente.

                Austin franze o cenho e visivelmente seu corpo se afasta alguns centímetros de Dallas. A garota segura seu braço e o puxa contra si abraçando-o fortemente. Ela inala seu cheiro e ele é exatamente o mesmo. Austin possuía uma aura de tranquilidade e paz que sempre preencheu a vida de Dallas.

                — Fico feliz que finalmente tenha admitido o que sente. Fico feliz que afinal eu tenha um lugar em seu coração. — disse Austin, a voz levemente embargada. Dallas segura seu rosto com as duas mãos e o beija, permitindo-se apreciar seu gosto devagar. Austin nunca agia com urgência e seu toque era leve com uma pluma, lhe acariciando a pele do ombro e apertando sua cintura contra a dele. Ao partirem o beijo, Dallas sente em sua boca o gosto das lágrimas que haviam escorrido de ambos.

                — Você sempre terá o seu lugar em meu coração Capitão. Espero tê-lo sempre ao meu lado, como o bom amigo que sempre foi.

                — Estarei do seu lado enquanto viver Milady e isso é mais do que o suficiente para mim.

                Dallas sente um peso ser retirada de seus ombros. Estava finalmente tudo bem entre ela e Austin. Agora lhe restava apenas conversar com seu marido. E isso era o que mais temia.

                — Vá até ele Dallas. Ele precisa ouvir de sua boca. — disse Austin sorrindo torto. Dallas recebe um leve choque de realidade e pedindo licença deixa o escritório para trás e corre pelos corredores do castelo desejando chegar o mais rápido possível até os portões. Após descer o segundo lance de escada ela se depara com o Chanceler Santiago que desvia sua atenção dos papéis que analisava para receber a rainha que mais parecia uma alma de tão pálida.

                — Majestade? Está se sentindo bem?

                Dallas faz um rápido sinal com as mãos.

                — Estou ótima Chanceler. Gostaria de lhe pedir um favor.

                — Tudo que quiser Milady.

                — Leve-me até Kelith. Preciso ver meu marido sem demora.

                Santiago retira seus óculos de leitura e franze o cenho para a rainha.

                — Majestade, o rei pode estar em reunião agora. Creio que ele não poderá atendê-la...

                — Ah, mas ele irá sim. Sou a Rainha de Beleanur e sua esposa e estou uma pilha de nervos agora. Ele vai me atender.

                 [...]

                O Chanceler Santiago dirige o carro real com enorme precisão pelas ruas principais de Fio Doravan. A rainha apenas olhava para os carros e edifícios através da janela tentando se concentrar e formular um texto coerente.  O que deveria dizer para ele? Que subitamente percebeu que o amava? Como ele reagiria? Iria mandá-la embora?

                Como era difícil.

                Dallas segura à ponta de sua trança e enrola em seus dedos. Sua franja caia despojadamente em seu rosto que ainda parecia pálido demais. Provavelmente toda a correria havia feito sua pressão cair levemente, mas ela não se importava. “Você entende que é por uma boa causa, certo?” diz ao seu filho mentalmente. Ela sabia que ele era ainda muito pequeno para entender uma única palavra que dizia, porém adorava conversar com ele. Acalmava-lhe.

                O carro foi aos poucos parando no acostamento. Dallas olha para cima e vê o magnífico Kelith se erguendo até os céus. Era realmente um prédio exuberante, todo espelhado e com uma curvatura elegante. Ao entrar, os funcionários rapidamente se ajoelharam surpresos. Um homem se ofereceu para segurar sua bolsa de mão e tremia como um bambu. Ela agradeceu pelo gesto do rapaz e entrou no elevador, acompanhada do chanceler.

                — Diga-o que estou esperando na cobertura. E que tenho pressa.

                — Sim senhora.

                Santiago deixa o elevador primeiro e Dallas continua sua subida até a cobertura. O apartamento real era tão luxuoso quanto o próprio castelo. O uso do nude e do carpete trás o um tom requintado ao espaço. Era possível ter uma ampla vista da cidade daquele lugar, as luzes das casas acendendo na medida em que a noite avançava.

                Dallas sentou-se numa poltrona aconchegante e pôs ambas as mãos sobre a barriga respirando fundo. Paciência não era uma de suas grandes virtudes e sua ansiedade estava quase lhe consumindo.

                O elevador faz um som e logo após entra no espaço. Era como se o tempo passasse mais devagar enquanto andava. Ele vestia uma camisa social branca com dois botões abertos e suas mangas estavam arregaçadas. Usava uma calça jeans, o que o deixava extremamente jovem, e seus cabelos tinha alguns fios rebeldes que insistiam em cair sobre seu rosto. Seu olhar recai sobre o rosto de Dallas e em seguida para suas mãos sobre a barriga. Sua feição se torna pura preocupação.

                — Você tomou seus remédios Dallas? Está muito pálida. Aconteceu alguma coisa?

                Dallas se levanta e caminha até ele. Ela sorri calmamente, feliz por ele demonstrar preocupação e então nega com a cabeça.

                — Estou perfeitamente bem. Minha palidez provavelmente é devida eu ter me apressado um pouco para chegar até aqui.

                Seu esposo crispa os olhos, confuso. Ainda existia certa distância entre os dois e ele não avança.

                — Se está tudo bem com você o que a fez vir até aqui e me chamar com tanta urgência?

                — Primeiramente, eu precisava pedir-lhe perdão. Fui muito egoísta ao me negar a ir com você ao casamento de Austin e eu realmente sinto muito.

                Justin pisca algumas vezes e então sorri.

                — Veio até aqui apenas por isso? — disse ele e recostou-se na traseira do sofá. — Dallas, eu exagerei um pouco na minha reação. Fiquei chateado por ter que aparecer em público sem minha rainha, mas depois percebi que não havia necessidade de ter agido daquela forma. Eu que deveria te pedir desculpas na verdade por ter levantado o tom da minha voz com você por besteira.

                Dallas nega mais uma vez e aproxima-se dele novamente. Desta vez eles estavam próximos o suficiente para fazer seu vestido esbarrar nas pernas de Justin.

                — Você não entende. Eu fui egoísta. De fato eu não quis ir ao casamento porque havia brigado com Austin semanas atrás. Brigamos porque ele havia decidido casar com minha irmã apenas para me atingir. E eu disse milhares de coisas horríveis para ele e usei do mesmo egoísmo contra você ao deixá-lo apodrecer por tanto tempo naquela maldita sala de reuniões. Senti que estava perdendo os dois e foi então que durante meus dias a sós no castelo eu percebi o que eu realmente sentia e vinha me negando a admitir por tanto tempo.

                Dallas era incapaz de ler as feições de Justin. Ele parecia magoado, talvez um pouco irritado, porém era difícil dizer.

                — Você realmente tem coragem de assumir que existia um sentimento entre você e Austin?

                —Sim, eu assumo. Ele me ajudou de diversas maneiras e eu o amo por isso. Mas essa não é a questão Justin. O que quero dizer é que hoje eu me despedi dele. Permiti que ele vivesse sua vida sem minha intervenção.

                Ele permaneceu em silêncio, seus olhos cor de mel lhe encarando cheios de dúvidas.

                — E sabe por que eu fiz isso, Justin? Porque eu percebi que o que sinto por você é muito mais forte. Eu percebi que após tanto tempo ao seu lado aprendi a conviver com suas diferenças, com seu jeito torto de fazer o que acha que é certo. Percebi que nosso casamento não era mais um fardo triste. Percebi que te amo. E talvez seja possível que eu tenha te amado desde muito tempo atrás quando sua voz gritou o meu nome naquele pequeno vilarejo e me resgatou do meu longo sofrimento. Quando me surpreendeu ao levar-me para a Ilha de Belmont e fizemos amor na areia da praia. Quando me ajudou a superar a morte de meu pai e segurou minha mão durante a coroação. Quando descobri que esperava um filho seu. São tantos momentos que vivemos juntos e que me deixavam confusa, mas que agora parecem tão claros para mim. Eu tenho milhares de erros e sei que você tem todos os seus erros também. Sou ingênua, às vezes um pouco mimada e jovem demais e você me olha como se não fosse digna de seu tempo. E sei que estou falando muito, mas simplesmente...

                Justin lhe abraça forte sem permiti-lhe terminar de falar. Sua cabeça é esmagada contra seu peito e só então a garota escuta seu coração bater forte, tão forte como o dela. Ele beija o topo de sua cabeça e só então ela percebe que ele está sorrindo, um sorriso aberto e feliz, algo que Dallas raramente via.

                — Eu sou tão idiota. Provavelmente o rei mais idiota do mundo. Tudo estava na minha frente, porém eu me negava a acreditar. No dia do casamento de Austin eu estava temeroso, talvez achando que você estivesse se afastando novamente e desistindo de mim. E quando Santiago perguntou o que eu realmente sentia por você eu fiquei sem palavras, pois achava que não conhecia o amor. Todo esse tempo, toda a minha angustia, todo o meu medo era de estar sozinho. Já estava acostumado a ter pessoas desistindo, me deixando, pois é a coisa mais sensata a se fazer.

                — Eu considerei isso muitas vezes. Quando me traia eu sentia que não conseguiria ir adiante. Mas é o que dizem. Quando se ama alguém você simplesmente deseja lutar por ela.

                Justin lhe abraça ainda mais forte.

                — Me amar é uma droga. O mínimo que eu posso fazer é assumir que te amo também. Não sei se isso lhe serve de algo, mas espero que sim, pois sou realmente péssimo com palavras e sentimentos.

                Dallas respira fundo percebendo pela primeira vez que havia prendido a respiração por tanto tempo. “Ele não me mandou embora. Ele disse que me ama.”

                — Quando Kimberly me disse que você ficaria feliz se eu morresse, eu senti tanta dor. Na época eu não compreendia, mas agora eu vejo. Justin, eu não suportava a ideia de que me desprezasse tanto. Tive até mesmo pesadelos com isso.

                O rei encosta sua testa contra a de sua rainha. Havia um sorriso bobo em sua face, um misto de alivio e leveza por finalmente poder dizer tudo que queria.

                — Kimberly sempre esteve errada sobre tudo. Eu me desprezo mais que tudo. Sou completamente terrível, um homem desonrado. Mas a única coisa que posso lhe afirmar é que em nenhum momento da minha vida eu lhe odiei. Confesso que tentei afastar todos os sentimentos confusos que surgiam em minha mente, mas isso só aumentava ainda mais minha angustia. Dallas Bieber espero que esteja dizendo a verdade porque você é a primeira mulher que eu amei. E qualquer outra com quem eu tenha me envolvido para ti esquecer foram apenas passatempos que nem ao menos serviram para desviar minha atenção de ti.

                Dallas sorri e não consegue conter as lágrimas. Todos os seus medos e inseguranças se esvaiam de sua mente, ficando apenas a lembrança e a noção daquele momento que vivia. Ela segura sua nuca e o puxa para um beijo, um beijo totalmente diferente de todos os outros que já trocaram. Esse lhe trazia um frio na barriga, seu coração saltitava. Era um beijo apaixonado que dizia tudo que ambos esconderam e se negaram durante todo esse tempo. 


Notas Finais


Isso é tudo por hoje pessoal. Espero que tenha gostado do capítulo e muito obrigado por todos os comentários e favoritos. Sou eternamente grata pelo amor que demonstram pela minha história.
twitter: @WESSAHOPE


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