História The Rainbow - Capítulo 9


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Bertolt Hoover, Connie Springer, Dot Pixis, Eld Jinn, Eren Jaeger, Erwin Smith, Farlan Church, Grisha Yeager, Gunther Schultz, Hange Zoë, Hannes, Historia Reiss, Isabel Magnolia, Jean Kirschtein, Levi Ackerman "Rivaille", Marco Bott, Mikasa Ackerman, Mike Zacharius, Nanaba, Nifa, Oluo Bozado, Personagens Originais, Petra Ral, Reiner Braun, Rico Brzenska, Sasha Braus, Ymir
Tags Eren Jeager, Levi Ackerman, Shingeki No Kyojin, Yaoi
Visualizações 53
Palavras 5.340
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Perdão pelo atraso na postagem, meus amores. T.T
Era para o Cap. ter saído do sábado, mas aconteceram 'N' coisas que bagunçaram minha rotina.
No entanto, aqui está o Cap. novo, espero que desfrutem.
É um pouco maior que de costume e por isso espero que não seja cansativo.
Boa leitura o/

Capítulo 9 - Descobertas, confrontos e festa


Flashback On

Os sons de pequenos bips era o único barulho que preenchiam o ambiente. O moreno deitado na cama tinha uma máscara presa ao rosto que o ajudavam a respirar. Um tubo acoplado a sua garganta o auxiliavam para que se alimentasse. Uma intravenosa estava presa ao seu antebraço. Vários pequenos fios com pontas arredondadas colados a sua fronte e ao seu peito. E mais outras diversas aparelhagens ligadas ao seu corpo que o mantinham vivo.

O quarto transmitia calmaria, no entanto o lado de fora era um verdadeiro caos.

O loiro observava a irmã gêmea do melhor amigo de infância discutir com o neurologista responsável pelo caso, ela não admitia que não se pudesse fazer mais nada, achava um disparate ficar a esperar. Ela exigia que algo fosse feito, queria o irmão de volta e não era a única. Levi estava ao seu lado, no entanto não falava absolutamente nada.

Desde o dia do acidente aqueles dois, que o loiro no momento observava, recusavam-se veemente a sair do hospital. Só que de ambos a única a mostrar ainda um pouco de vida era Lira que ainda possuía forças para discutir com médicos e enfermeiros, andava de cima a baixo pelo hospital, conversava com pessoas aleatórias para distrair-se. Por outro lado, Levi parecia mais morto do que vivo. Não pronunciava muitas palavras, suas respostas eram sempre monossilábicas. Seus olhos desfocados pareciam olhar para um lugar distante. Suas feições abatidas e suas olheiras denunciavam o tempo que estava sem conseguir dormir, os olhos mostravam também que estivera a chorar. Era possível que perdera algum peso, pois seu aspecto fantasmagórico cada dia mais obtinha uma piora.

O médico retirou-se dizendo que precisava cuidar de outros pacientes e Lira resmungava algo sobre a incompetência do corpo médico do hospital e que pelo visto de nada adiantava ter dinheiro e que se a situação do irmão já estava nestas condições, ela nem queria imaginar como era para as pessoas que não tinham os privilégios que eles possuíam.

Ao notar a presença do loiro foi em sua direção com Levi em seu encalço.

- Viu isso, Armin? – Perguntou indignada. – É um absurdo, um retrocesso. Aonde está toda a porcaria de avanços da ciência e medicina nessas horas?

- Temos de manter a calma, Lira. De nada irá adiantar se estressar, infelizmente só podemos confiar nos médicos e torcer para que Eren acorde do coma sem quaisquer sequelas.

- Eu sei, eu sei..., mas... – Encarou o chão. – É tão frustrante e aterrorizante e nem sequer podemos ficar com ele lá por muito tempo.

- Só permitem por uma hora, não é?

- Isso. – Respondeu e logo virou rapidamente para Levi. – Olha, lá vem a Hange. Vai lá.

E assim o moreno fez, foi em direção a amiga que o recebeu com um abraço e o arrastou em direção ao corredor que levava até a lanchonete do hospital.

- Parece um cachorrinho adestrado. – Comentou Lira prosseguindo. – Nunca pensei que veria ele sendo assim e isso assusta-me.

- É compreensível.

- Eu sei, Armin. Mas porque tem de ser eu a forte aqui? – Mordeu o lábio e o loiro viu que ela tentava controlar as lágrimas. Seus olhos estavam brilhantes e lacrimejantes. – Eu só quero desabar de uma vez e não posso.... não posso.

O loiro a abraçou forte e sentiu ela tremer em seus braços.

- Pode chorar. Estou aqui, estou aqui. – Dizia afagando suas costas.

- Obrigada, obrigada. – Agradecia com a voz embargada pelo choro. – Obrigada por sempre vim saber como ele está.

- Não venho só por ele, Lira. – Falou baixinho. – Nunca fomos assim tão próximos, mas venho principalmente por ti e por Levi. Sei que quando Eren acordar vai querer vê-los bem e saudáveis.

- Agradeço muito, Arlindo. – Soltou o loiro e passou a manga da blusa pelo rosto na tentativa de enxugar as lágrimas. – Obrigada mesmo por estar presente nesse momento tão difícil.

Armin se limitou a rir um pouco com o apelido que ela costumava lhe chamar e disse que não precisava de agradecer por isso, pois ele fazia com gosto. E em seguida a levou até a lanchonete para fazer com que comesse os lanches que ele levara e estranhou a ausência de Levi e Hange do lugar.

Passado um tempo em que Lira tecia elogios a refeição e conversava sobre coisa triviais, avistou Marco, um dos amigos de Lira a qual Eren também fazia parte do círculo. Não o conhecia muito bem, mas ele estava por ali cuidando dela e vez ou outra vinha acompanhado por um outro que Armin desconhecia o nome.

- Lira. – Chamou enquanto aproximava-se. – Ah, que bom que já se alimentou. – Olhou na direção do loiro e Armin pensou ter visto rastro de ciúme, mas não tinha bem certeza. – Armin, certo? – O loiro confirmou com um aceno. – Obrigada, viu.

- Imagina, não foi nada. – Respondeu.

- Como está, meu bem? – Abraçou Lira e acariciou seus cabelos. – Alguma novidade?

- Nenhuma, tudo na mesma. – Afundou o rosto no peito do moreno.

- Esqueceu de dizer que brigou outra vez com o neurologista. – Intrometeu-se.

- Lira. – Ralhou e abanou a cabeça. – Meu anjo, eles estão fazendo o melhor que podem, não direcione a culpa disso tudo neles.

- Eu preciso direcionar isso de alguma forma ou vou pirar, Marco.

- Eu sei, mas tem de ser nas pessoas que estão cuidando do teu irmão?

Armin continuou a observar a troca de palavras entre os dois. Naquele dia não viu mais Levi pelo hospital até ter de ir embora. O loiro tentava ao máximo ir todos os dias até lá e passados alguns dias deparou-se com uma cena incomum ao sair do elevador no andar em que se encontrava o quarto em que Eren estava internado.

Havia uma discussão próxima ao quarto de Eren e podia identificar a voz alterada de Lira. O loiro resolveu esconder-se atrás da parede e espreitar o que se passava.

- É uma acusação séria a que está fazendo ao próprio pai, Lira. – O homem falava de modo firme.

- Pai? Pai? – Questionava aos gritos. – Sabe mesmo o que é ser pai? Duvido muito. Nada, nada mesmo tira-me da cabeça que esse acidente tem um dedo teu, seu monstro.

- Estás a deixar-me sem paciência. Não tenho nenhuma obrigação de engolir os teus delírios, precisa de tratamento.

-Isso é o que eu sempre te disse, querido. – A madrasta falava de braços cruzados ao lado do marido.

- Fiquem longe do meu irmão. É meu último aviso. – Bradou Lira.

- Estamos a falar do meu filho, tenho direito de vê-lo.

- Direito esse que só vieste procurar depois de mais de três meses que ele está aqui. Acha mesmo que engulo essa?

- O que está acontecendo aqui? – Era a voz de Hange.

- Não é problema teu, é coisa de família. Chispa. – Demandou Kate.

- De jeito nenhum. – Negou Hange. – Acham que não estamos sabendo do que Lira e Eren descobriram?

- Pelo visto meus filhos mais novos possuem umas línguas bem soltas, não é? – O loiro pôde mesmo longe sentir a acidez daquelas palavras. – Consigam uma sala privada, preciso ter uma conversinha com a minha filha. – Ordenou a uns dos seguranças que saiu em seguida.

- Não vão leva-la a canto nenhum. – Era Levi que se punha em frente a Lira.

- Mas não vão mesmo. – Um outro concordava. Era quem sempre vinha acompanhando Marco ao hospital.

- É melhor ficarem fora disso ou vão se machucar. – Grisha ameaçou.

- Como fez com o próprio filho? – Questionou Hange.

- Não permitiremos que cheguem perto de Lira nem de Eren. – Marco abraçava Lira enquanto falava.

- Vocês não sabem onde estão se metendo. – Continuou. – Tragam todos. 

Viu os seguranças arrastarem os cinco para longe e então notou que estavam também presente Nathan e Mikasa que não haviam se pronunciado em momento algum e seguia-os. Decidiu ir para o térreo esperar e caso demorassem pensava em acionar a polícia, era o que os instintos do loiro gritavam para fazer.

Uma, duas, três horas e nada. Quando por fim decidiu discar o número da polícia viu Lira passar correndo aos prantos em direção a saída do hospital e era seguida por Levi que tentava a alcançar e tinha também o rosto molhado. Ficou encarando a saída sem saber bem o que fazer.

- O que diabos está acontecendo aqui? – Murmurou.

Viu logo após Hange passar com o semblante abatido e tinha os óculos nas mãos enquanto esfregava os olhos, ao seu lado vinha Marco que era amparado pelo outro enquanto chorava. Aproximou-se automaticamente temendo que o pior tivesse acontecido.

- O que houve? – Perguntou trazendo a atenção dos três para si. – O Eren...?

- Não, não. – Tratou o que abraçava Marco de o tranquilizar. – Com ele está tudo certo e continuará assim. Não tem com que se preocupar.

- Mas..., e vocês? – Quis saber. – O que aconteceu?

-  Só... – Começou Hange. – Estamos exaustos. Precisamos de descansar.

- Armin. – Marco veio em sua direção e o abraçou. – Protege o Eren enquanto estivermos longe, está bem?

- Ah! – Retribuiu o abraço. – Claro.

- Contamos contigo. – Sorriu.

Depois daquele dia nenhum deles apareceu ao hospital e quando resolveu os procurar se deparou com a notícia que Levi e Lira casaram-se e já não residiam no país. E quem passou a estar sempre ao hospital junto de Armin foi Mikasa e assim se seguiu até o dia em que Eren acordara.

Flashback Off

 

O moreno pensava e pensava e repassava tudo o que o amigo lhe dissera. Não fazia sentido, as duas histórias não batiam.  O relato de Armin era completamente diferente ao de Mikasa e o restante da família. Eren não acreditava que o amigo lhe mentiria e por conta disso, tudo ficava cada vez mais estranho e confuso.

 

Flashback On

- Não recorda mesmo nada? – Armin o questionava.

- Não, o dia do acidente e o mês anterior a ele é um completo vazio, está tudo em branco. Não lembro de absolutamente nada. – Respondeu atordoado depois de ouvir toda aquela história.

- Sempre me questionei o que seria isso que tu e Lira haviam descoberto a respeito do pai de vocês. Penso que foi algo grave, tão grave a ponto de ela o acusar de ser o causador do teu acidente.

- Não sei o que pensar, não sei mesmo, Armin.

- Sinceramente acho que devias confrontar Lira a respeito, devias ir diretamente a ela. Tenho o pé atrás com Mikasa, sabe? Mesmo que ela seja namorada da minha irmã, ela nunca teve minha total confiança e até peço desculpa por dizer isso já que se trata de tua irmã. Mas..., ela sempre me pareceu ser uma pessoa que está constantemente dissimulando. Ninguém é sempre simpático e sorridente como ela, Eren.

Flashback Off

 

“Vou enlouquecer desse jeito. O que faço? ” – Questionava-se à medida que abotoava o colete cinza que tinha posto sobre a camisa social preta.

- Pronto? – Perguntou o loiro entrando ao quarto e olhando Eren da cabeça aos pés. – Bonito. – Elogiou.

- Obrigado. – Sorriu e beijou o namorado que se tinha aproximado. – Não acha que está muito informal assim, sem gravata?

- De modo algum, estás perfeito. Essa calça preta te favorece, principalmente aqui atrás. – Apertou a bunda do moreno que lhe deu um leve tapa na mão e riu.

- Vamos? – Perguntou o loiro. – O arquiteto não pode chegar atrasado no coquetel de inauguração do próprio projeto.

 

 

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- Mãe? – O menino chamou entrando no banheiro em que Lira estava arrumando o cabelo.

- Oi, meu amor. – Respondeu dando atenção ao filho.

- Papai, tá bravo?

- Será? – Riu. – Ele é sempre carrancudo assim. Não se preocupe, está bem?

- Mas parece que tá mesmo bravo. – Insistiu. – Muito bravo na verdade.

Abaixou-se e tocou as bochechas do pequeno.

- Não é nada que precise se preocupar, meu amor. São problemas de adultos, nada grave. – Explicou. – É que a mamãe fez uma coisa contra a vontade dele e ele está chateado. Por que não vai lá e o enche de beijos e abraços? O humor dele vai melhor rapidinho. Diz também o quanto o ama. Que tal?

- Vai mesmo ajudar? – Perguntou abraçando a mãe. – Não gosto de ver o pai assim, e nem quando tá triste.

- Será de grande ajuda sim, filhote. – Afirmou. – Também não gosto de o ver assim, mas vem cá um instante, deixa eu ajustar teu colete. – Colocou o colete do filho no lugar. – Pronto, meu príncipe está mesmo muito lindo. – O encheu de beijos deixando o filho corado.

- Chega, mãe. – Tentou soltar-se. – Vou ficar com o pai a esperar.

- Está bem. – Falou e viu o filho correr para fora do banheiro.

Voltou a atenção ao espelho, continuando a arrumar-se. Fazia tempo que não se produzia daquela forma e enquanto dava prosseguimento aquele ritual pensou na razão que estava a deixar o marido tão mal-humorado.

 

Flashback On

- Isso é terrivelmente chocante. – Falou por fim.

- Eu sei, é mesmo surpreendente e até mesmo surreal, no entanto, é a triste realidade dos fatos. – Respondeu analisando a reação dos pais de Levi. – Não podia mais esconder isso de vocês.

- Meu filho sabe que está nos contando isso? – Kuchel perguntou um tanto atordoada.

- Sabe.

- E por que ele não está aqui? – Nickolai quis saber e levantava-se e ia até a janela. – É uma história e tanto.

- Ele estava completamente contra lhes contar isso tudo. – Explicou olhando as mãos. – Esteve irredutível, mas eu não queria continuar mentindo. Vocês têm nos tratados tão bem, tenho recebido tanto carinho, tanto amor. – Deixou uma lágrima escorrer. – Não podia mesmo continuar com isso.

- Eu perguntei tantas vezes sobre esse casamento ao Levi. – Kuchel foi até Lira e a abraçou. – Não por ser contra, queria ter certeza que meu filho estava com quem amava. – Explicou. – Calma, sim? Vamos dá um jeito. Vai ficar tudo bem, tudo bem.

Nickolai aproximou-se e sentou-se de frente as duas.

- Lira, não vou permitir que ninguém faça mal a minha família, eu te garanto, nada nem ninguém irá lhes prejudicar. Eu não vou deixar.

Flashback Off

 

Lira sorriu com a lembrança.

“Devia ter feito isso desde o início. ” – Pensou.

Os pais de Levi eram diferentes, eram gentis e amáveis. Ela devia saber que eles entenderiam e os apoiariam. E como prometeu o sogro, os protegeriam.

- Perdoem a demora. – Disse ao descer as escadas.

- Na verdade, até foi rápido. – Comentou o pai de Levi.

- Uau. – Path deixou escapar e Lira revirou os olhos.

- Está mesmo linda, Li. – Elogiou Kuchel.

- Linda acho que é pouco, mãe. – Continuou Path.

- Agradeço imenso, cunhado. – Frisou a palavra cunhado e Path riu sem graça.

Sorriu triunfante ao lembrar-se que pediu aos pais de Levi que mantivessem a parte do casamento ainda em segredo de Path. Se ele já agia daquela forma sendo Lira esposa do irmão, não queria nem imaginar como ele agiria caso soubesse a verdade.

“ Seria um verdadeiro inferno. – Por conta de tanta insistência da parte do irmão mais velho de Levi, começou a questionar-se se de fato o teria conhecido antes. Mas não se recordava realmente. – Bom, não é como se isso fosse mesmo relevante. “

 

 

 

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Os olhos cinzas observavam Lira de soslaio. Ela estava particularmente bonita, mais bonita do que podia ser possível. Vestia um vestido que possuía mangas até o antebraço, costas nuas e um decote no meio do busto que iam até a altura abaixo dos seios, era florido até a cintura e depois descia rodado até os pés em um tecido acetinado e em tons de pêssego. Só mesmo ela para ficar tão sexy em um vestido clássico, uma verdadeira Femme Fatale.

O irmão ia sentado ao banco da frente junto do pai que dirigia. Atrás encontrava-se Lira do lado da janela, a mãe ao meio e ele que levava o sobrinho no colo.

“ Daria tudo para saber o que tanto se passa em sua cabeça enquanto encara o lado de fora da janela. “ – Pensava ao notar a mulher tão perdida em pensamentos.

Estavam a caminho do coquetel de inauguração do Museu Oceaquário em que Path havia trabalhado junto de Eren Jaeger, que agora sabia ser irmão gêmeo de Lira.

Teve de segurar um grunhido de raiva ao relembrar tudo o que pai lhe contara sobre a história de Lira. Pensar que um pai podia fazer o que fez com a própria filha era repulsivo. Quando conheceu Eren pessoalmente, havia notado as semelhanças e, no entanto, pensou tratar-se de uma coincidência. Agora os olhares do moreno para si estavam também explicados, era por Path lembrar muito Levi.

 

Flashback On

- Sabe o que não entendo? – Conjecturava.

- O que?

- Como o fato de Lira ser uma Jaeger não foi facilmente descoberto. São uma família importante.

- Muito simples, filho. – Começou o pai. -  Eles nunca foram de exibirem-se, principalmente quando Carla, mãe dos filhos de Grisha, era viva. Nesse aspecto, eram como a nossa família, só tratavam de deixar a mídia a par do superficial, do que realmente era necessário, o resto era muito bem mantido longe dos holofotes.

- O que mudou quando chegou a madrasta má.

- Exato. Então o casal principal da família Jaeger passou a ser palco principal das revistas de fofocas. O que tirava de foco completamente os seus herdeiros.

- É inacreditável tudo isso.

- Sim e pela primeira vez temos um inimigo. – Comentou Nickolai divertido. – Que serão completamente aniquilados se atreverem-se a chegar perto do meu neto, de Lira e de toda a nossa família.

Flashback Off

 

 

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Levi sentia-se cada vez mais ansioso. Não concordava que fossem a aquele coquetel, mas conforme a mãe havia lhe dito, sua opinião não estava em posição de valer qualquer coisa. E por isso estava ainda mais chateado com Lira, pois não bastava tudo o que tinham que suportar, agora também enfrentava a fúria da própria mãe.

Deu uma rápida olhada na esposa e viu que ela encarava a paisagem que passava rapidamente, seu semblante era sério. Ela provavelmente também estava nervosa, seria um encontro decisivo. Desviou o olhar para o filho e notou Path também observando Lira. Aclarou a garganta, fazendo o irmão notar o flagrante, semicerrou os olhos e estalou a língua. Era irritante o descaramento de Path, mas não tinha cabeça para brigar com irmão e também como Lira mesmo havia pontuado anteriormente, ela sabia cuidar-se sozinha, não necessitava de um macho alfa a defendendo, e odiava ser vista como sexo frágil. Por isso, ao fazer Path parar de encarar a mulher, voltou a atenção ao pai que comentava algo sobre o trânsito.

 

 

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- Essa festa está mesmo bonita. – Comentou o amigo que havia vindo em outro carro junto de Erwin e Hange.

- O Museu por si só já é lindo. Não nego que estou receosa, mas também estou feliz por ter vindo. – Sorriu e agarrou o braço do amigo.

- Espero que tudo corra bem, meu estomago está agitado. – Dizia visivelmente nervoso.

- O meu também, mas Berth, estou tão aliviada, não fazes ideia. Devia de ter feito isso desde o início. – Falou um tanto agitada. – Sinto uma certa euforia tomar conta de mim.

- Tenho certeza que foi a melhor decisão ter deixado isso nas mãos do Sr. Ackerman.

- Pode ter certeza que foi. – Concordou a mulher de cabelos negros que surgia por trás de Lira. – Meu marido não deixará que nada lhes aconteça.

- Kuchel. – Falou carinhosamente o nome da que era sua sogra para todos os fins.

- Vim para lhes alertar. – Avisou. – Eles chegaram.

A morena apertou bem forte o braço do amigo.

- Berth, cuida bem do meu filhote. – Pediu. – Não deixa que nenhum deles ponham os olhos no meu bebê.

 

 

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- Por que não me disse antes? – Perguntou indignado.

- Tenta ver meu lado, sim? – Pediu o amigo. – Não sabia como ias reagir e bem, trata-se de meu trabalho. E também... – Parou hesitando em continuar.

- Também?... – Eren encorajou a continuar.

- Também quis investigar de perto a situação na casa deles, a relação deles para então dizer-te qualquer coisa. Sacou?

A discussão tinha como razão a grande novidade que o amigo escolhera contar-lhe naquele preciso momento em que mal acabara de chegar. O escritório de arquitetura em que o loiro trabalhava o havia mandado concidentemente para atender aos serviços da família Ackerman e não só isso, também o fato de que estariam naquele coquetel não somente Path, como a todos os Ackermans. O moreno não conseguia digerir aquela informação.

“ Não bastava ter Lira também trabalhando no mesmo lugar que Reiner, agora isso... Parece que o destino queria mesmo fazer com que eles se encontrassem”

 

- Ainda assim acho mesmo que devias de ter... – Parou de falar ao sentir algo chocar-se contra as suas pernas.

- Peço desculpa, moço. – Falou o garotinho erguendo o olhar e nesse momento o moreno sentiu o sangue gelar.

“Esses olhos.... meus olhos...”

Aquelas feições lembravam-lhe muito ele, era como ver a miniatura daquele que lhe foi tanto amado.

- Ah!! – O garotinho exclamou de repente ao desviar o olhar para o loiro ao seu lado. – Tio Armin.

Não é como se houvesse quaisquer dúvidas sobre a paternidade daquela criaturinha, mas ver que reconhecia o amigo ao seu lado, só confirmou tudo.

- O que faz por aqui sozinho? – Perguntou Armin se curvando um pouco. – Onde estão teus pais?

- Mamãe tava com o vô Nick e a vó Kuchel e o papai com o tio Path. Estou a brincar as escondidas com Berth.

- É mesmo? – O loiro sorria para criança e ofereceu a mão que o menino pegou sem problema algum. – E para aonde está o Berth?

- Não sei, me perdi. – Confessou a criança rindo.

- Vamos então procura-lo antes que os outros se preocupem? – Sugeriu.

- Vamos, mas só com o tio Armin. – Olhou discretamente na direção do moreno e sussurrou. – Mamãe disse que não posso falar nem ir com gente estranha que não conheço.

- Não tem problema, Ethan. – Abaixou-se na altura dele e explicou que o moreno era amigo seu e que por isso estava tudo bem. – Ele chama-se Eren.

- Eren? – Perguntou franzindo o cenho enquanto encarava Eren. – Tens os olhos que nem os meus, Eren. – Comentou desfranzindo o cenho e sorriu.

O moreno não sabia bem o que dizer ou como reagir. Olhar para aquele garoto lhe trazia sentimentos estranhos, uma espécie de felicidade dolorosa. Via traços de duas pessoas que amara muito naquela criança e isso era como uma combinação perfeita, no entanto a existência do menino era a comprovação da razão de sua maior dor e sofrimento.

“ Ele não tem culpa de nada disso. “

- Vem, tio Eren. – Sobressaltou Eren a tomar sua mão. – Vamos também brincar as escondidas.

- Temos que ir procurar o Berthold, Ethan. – Falou o loiro para a criança que tinha a mão de Eren bem agarrada e que ao ouvir isso inflou as bochechas e resmungou algo baixinho fazendo um biquinho.

- Colo, tio Eren. – Pediu e Eren o atendeu sem nem pensar fazendo o menino sorrir na sua direção. - Tio, leva-me até meu pai?

- Ah! – Exclamou e ia inventar uma desculpa, mas ouviu o nome do menino ser chamado.

- Enfim te encontrei, Ethan. – Falou ofegante e ergueu o braço para o pegar. – Vem cá.

- Não. – Os olhos cinzas estreitaram-se diante da negativa do filho que enlaçava os braços ao redor do pescoço de Eren em um abraço. – Não deixa, Eren. O pai tá bravo.

O outro suspirou e apertou o nariz em impaciência.

- Ele estava perdido, Levi. – Armin tratou de explicar. – O encontramos por acaso.

- Berth falou mesmo que ele havia corrido dele desembestado. Não acredito que perdeu meu filho, como pôde deixar essa pestinha o driblar. – Falava deixando o alívio sair em forma de frustração. – Bom, de qualquer forma, obrigado por o segurar. – Agradeceu a Armin e voltou a atenção ao moreno que tinha o filho nos braços. – Vamos, filho. Eu estava mesmo preocupado.

- O Eren leva-me, não é? – Perguntou ao moreno com os olhos brilhantes.

- Ethan. – Exclamou o outro aparecendo e tinha uma expressão preocupada. – Céus, pequeno. A tua vó acabou de saber do teu sumiço e está quase a ter um colapso. Vai acontecer a terceira guerra mundial se tua mãe fica também sabendo.

- Path, leva ele para mamãe. Por favor. – Pediu.

- Claro. Vem moleque. – Ergueu o braço e dessa vez Ethan não protestou.

- Tchau tio Armin, Eren. – Acenou.

Levi permaneceu ali enquanto observava o irmão ir embora com o filho nos braços e depois de os perder de vista olhou para Armin e pediu que o deixasse a sós com Eren para falar-lhe, o loiro olhou o amigo a espera de aprovação e este apenas acenou com a cabeça em afirmação. O loiro afastou-se sem tirar os olhos de ambos e quando já não estava este por perto, Levi encarou o moreno com olhos indecifráveis.

- Agradeça por ter tanta gente em volta, do contrário irias ver meu punho bem de perto. – Falou enquanto olhava as pessoas ao redor.

- Não tenho culpa se o pirralho veio até aqui, e também não é como se fossemos sequestra-lo. – Defendeu-se – Devias tu tomar conta direito do teu filho.

- Não me refiro a Ethan. - Aproximou- se, olhando-o nos olhos e fazendo o estômago de Eren agitar-se. – Atreva-se a chegar perto de Lira outra vez e verás que uma multidão será inútil para impedir-me de partir tua cara.

A lembrança do encontro que teve com a irmã atravessou a mente de Eren, e fez um frio na barriga lhe atingir, unido ao incomodo de o ver de forma tão protetora com Lira.

- Acha mesmo que tenho medo de ti? – A raiva começava a se sobrepor ao nervosismo que Levi lhe causava.

- Deveria. – O olhar do mais baixo era dominador e fazia o corpo do de olhos verdes estremecerem de forma nostálgica.

- E tu deveria criar vergonha na cara. – Rosnou. – Como tem a audácia de vim dizer-me essas coisas se para início de conversa foram vocês que começaram essa merda toda. Não tenho estômago para isso.

- Importa-me uma merda se tu não tens estômago. Já estás mais do que avisado. – Suspirou desviando o olhar novamente para as pessoas que conversavam e pareciam alheios a aquele encontro. – O amor não dura para sempre como pensávamos, Eren. Espero que entenda isso.

- É, sou bem consciente a respeito disso, eu melhor do que ninguém, sei que o amor tem seu prazo de validade. – Cuspiu as palavras sem esconder a mágoa e à medida que as dizia aproximava-se de Levi sem desviar os olhos do seu, o fazendo recuar até estar perto da entrada de um corredor em que não havia ninguém. – E espero que tu entendas que eu não estou nem aí para os teus avisos. Faço e vou aonde bem entender, tu não tens mais nada a ver com a minha vida, seu anãozinho de jardim.

Levi estava mesmo surpresa com a reação do moreno, pois ele costumava ser bem passivo quando se tratava de confrontos, puxou Eren sem qualquer aviso para o corredor e sem qualquer cuidado o empurrou contra a parede e iria desferir um soco, mas parou a centímetros de seu rosto e desviou para a parede ao lado de sua cabeça. Teve de fazer isso ao ver a expressão assustada e de desespero no rosto do moreno.

“Aonde foi parar toda a coragem de a pouco? Não é como se eu realmente fosse o acertar para valer. Era para ser um pequeno susto, um leve golpe.  – Pensou Levi, observando o rosto de Eren bem de perto. – Como é possível que esteja ainda mais...”

- Para uma próxima, não será a parede que vou acertar. – Disse chegando cada vez mais perto do outro, seus rostos a centímetros, quase a tocar-se. Podia sentir a respiração quente do moreno. - Mantenha-se distante de mim e da minha família.

- Não precisa nem pedir duas vezes. – Sussurrou em resposta, fazendo Levi sentir o cheiro de seu hálito – Não quero ter mesmo nada a ver com vocês.

- Pois bem, então não preciso mais ter que me dirigir a ti. – Largou o colarinho de Eren que segurava firme em suas mãos e se afastou ajeitando o próprio paletó e gravata. – Passar bem.

- Idiota, estúpido, arrogante, nanico. – O moreno xingou ao ver Levi sumir entre as pessoas. Voltou a encostar-se na parede fria em que Levi o havia prensado e suspirou derrotado. – Merda.

 

 

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A morena procurava Levi enquanto tentava evitar encontrar com os Jaeger, fazia isso a pedido de Nickolai que queria que as coisas acontecessem da forma que planejara e para isso precisava encontrar o marido.

- Ora, ora. – Escutou a voz tão conhecida e a viu aproximar-se com um sorriso de puro deboche. – Vejam só, se não é o retorno da filha pródiga.

- Retorno? – Perguntou também sorrindo enquanto escondia a surpresa. – De quem? E para onde?

- Ah, verdade. – Levou a mão a testa. – A bastardinha já possuí uma nova família para chamar de sua.

- Sim, eu possuo mesmo uma nova família. – O sorriso da morena tornou-se sereno. – Uma família linda, por sinal. Que sabem o significado desse título e o valorizam como se deve.

- Não devias ter voltado. – Avisou tirando o sorriso debochado que possuía e deixando a expressão de nojo vir à tona. – Deveria ter permanecido bem longe de mim, da minha família e do meu irmão.

- Quanta possessividade, Mikasa. – Colocou uma mão na cintura e tombou a cabeça um pouco de lago, alargando o sorriso. - Acredite, de ti, eu só quero distância. Quanto a família Jaeger, meu bem, nunca estive tão aliviada e contente por já não fazer parte dela. – Deixou o sorriso desfazer-se e um olhar perigoso fez Mikasa entrar em alerta. – E relativo a Eren…. Não pense que irei abrir mão. Foi eu quem partilhou o mesmo ventre, eu quem fui gerada ao lado dele. Foi eu quem nasci segundos após ele, eu. Entendeu? Ele é meu irmão gêmeo, e isso, Mikasa. Nem tu nem ninguém vai mudar.

- É uma pena que esse mesmo irmão te ideie e te queira ver pelas costas. – Devolveu venenosamente.

- Mas só porque ele não sabe quem são os reais monstros aqui. – Ripostou. -  Aproveita bem esse posto de irmãzinha amável dele. Quando ele souber toda essa história, será a tua cara a de quem ele não vai querer ver.

- É uma ameaça? – Sussurrou aproximando-se mais de Lira. – Recorda que o papai tem a ti e aqueles bando de vermes nas mãos. Se tu se atrever a abrir o bico, espero que consiga aguentar as consequências. Não esquece que agora tu tens um vermezinho a proteger também. – Ameaçou e sorriu ao ver que Lira estremecera.

- Não entendi a que tu se referes. – Desconversou.

- Não? Vi uma coisinha correndo por aí. – Continuou. – É incrivelmente parecido com Levi e também tem teus olhos. E a pouco vi a mesma criaturinha no colo de Path Ackerman, curioso, não?

- Tenho verdadeiro nojo de ti e desses abutres e, entretanto, tuas palavras não me amedrontam. Mas vou te dá um aviso. – Diminuiu ainda mais a distância entre elas. – Mantenha-se bem distante do meu filho, pois por ele, não hesitaria em matar.

- Que medo. – Falou dando alguns passos para trás.

-Um dia o espetáculo acaba, as cortinas se fecham e as máscaras caem. – Citou em uma voz de veludo que fez um arrepio desagradável percorrer as espinhas de Mikasa. – Espero que esteja preparada para quando esse dia chegar. Não vai querer os Ackermans como inimigos, vai? – Sorriu em uma simpatia fingida. – Até mais, querida. Nos vemos por aí. – Se afastou dando um rápido aceno com as mãos.

-Vaca maldita, espero que morra. – Rosnou, seguindo na direção contrária à de Lira e sem perceber que havia alguém ouvindo, atrás do pilar, aquela troca de palavras entre elas.

 


Notas Finais


O que acharam?
Gostaram? Muito? Pouco? Mais ou menos?
Acharam muito longo? Gostaram do tamanho?
Continuo nesse ritmo?
Me contem aí.
A opinião de vocês é mesmo sempre bem-vinda <3
Até a próxima amorinhas o/
Beijinhos <3


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