História The Right Error - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles
Tags Ashley Benson, Desejo, Drama, Harry Styles, Romance
Exibições 90
Palavras 4.335
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 19 - Half Life


Fanfic / Fanfiction The Right Error - Capítulo 19 - Half Life

 

 

- Espere, vocês têm donuts também? – Perguntei.

- Temos sim – Ele respondeu.

- Ótimo, me dê cinco. Para viagem – Pedi enquanto tirava o cartão da carteira.

Ele me disse o preço e eu paguei logo em seguida.

Sentei-me na mesma mesa que sentamos. Era estranho. Se eu não pensasse em nada, e deixasse tudo aquilo em volta suspenso, eu quase conseguia vê-la ali na minha frente comendo aquilo como se fosse a maior maravilha do mundo. Poderia sentir até o seu calor.

- Aqui está, senhor – O garoto trouxe o churros com maionese.

- Obrigado – Agradeci enquanto caía em uma gargalhada rápida.

O garoto começou a rir comigo, mas acho que ele não me entendeu. Talvez ele achasse que fosse apenas uma aposta e estava rindo da minha cara por estar comendo aquilo. Não o culpo, eu também riria. Eu ri da Ashley...

Foi então que decidi comer. Dei uma primeira mordida e aquilo era extremamente horrível. Enquanto eu fazia uma careta e colocava para fora o churros com maionese, em um guardanapo, eu sorria desenfreadamente, lembrando. O garoto parou de rir e ficou a me olhar, agora, como se eu fosse um doido. E eu estava realmente agindo como um.

- Obrigado! – Agradeci ao garoto ao respirar. Limpei-me com um guardanapo e levantei-me deixando metade do churros ali, na mesa.

Foi como eu pensei. O churros com maionese era horrível. Não sei como Ashley conseguiu comer. Pelo menos nosso bebê não nascerá com cara de churros com maionese. Nosso, isso me fez refletir e toda aquela felicidade por me sentir mais perto dela foi cedendo lugar para aquela sensação fria e horrível de estar sozinho. Não só sozinho sem ela... mas sem eles.





 

Harry
 

Aquele era mais um dia normal em Londres.

Não tão normal, pois o meu pai tinha tirado o dia de folga para irmos dar uma volta pelo jardim. Ele estava com essa de que precisava de um ar. Nunca fui muito de sair com meu pai ainda mais esses tipos de programas, mas confesso que ultimamente nós estávamos nos aproximando mais. Ele não era o tipo de homem que parava para conversar sobre qualquer coisa que não fosse seu trabalho. Porém, depois do que aconteceu com minha mãe, ele mudou. Nós mudamos... Minha mãe estava melhor agora. Claro que ela ainda não se move direito e mal pode sair de casa, mas em vista daqueles dias horríveis, ela estava bem melhor...

No jardim, meu pai caminhava rapidamente, como quem estava com pressa. A princípio achei que fosse nada mais do que uma agitação para terminar logo e voltar aos trabalhos. Mas, ao decorrer, vi que era algo mais. Outra coisa que eu tinha adquirido. Olhar para as pessoas. Notar o que elas sentem. Não costumava fazer isso, só que de tanto prestar atenção em Ashley… acabei tendo o costume…

- Aconteceu alguma coisa, pai? – Perguntei logo. Estava com um pressentimento de que vinha algo aí. Ia me encher pra estudar mais, pra trabalhar, talvez.

- Não, nada… – Disse ele nada convincente.

- Quer me enganar? – Sorri de forma irônica.

- Em outros tempos você nem ligaria para como me sinto, quanto mais teria que tentar te enganar sobre isso – Agora foi a vez dele me devolver um sorriso irônico.

- Isso é verdade – Dei uma risada, mas essa soou meio envergonhada.

- Você mudou bastante, Harry… – Ele deu uma pausa e olhou bem para mim.

Foi a primeira vez em anos que eu vi aquele olhar. Ele era novo para mim, era quase como… orgulho.

- Mudei um pouco... depois de tudo que aconteceu, eu também vejo isso em mim... – Era verdade.

Levantei o rosto e uma brisa fria de manhã passou por mim quase como um vento purificador. Mas apesar de ter me dado essa sensação, não era bem purificado que eu me sentia...

Na verdade, meus ombros doíam de tamanha culpa e minha boca parecia estar sentindo o gosto amargo da minha alma. Ao lado, estávamos cercados de árvores lindas e flores que minha mãe sempre fez questão que os jardineiros deixassem impecáveis. E eles conseguiam. Era uma visão ímpar em Londres. Mas toda aquela beleza parecia apenas mostrar o quão sujo e feio eu estava por dentro...

As palavras de meu pai me fizeram refletir e até sorrir um pouco. Ele estava me reconhecendo, isso era algo bom. Mas não consegui me sentir bem. E, ali, tive a sensação de que nunca alcançaria esse bem...

- Finalmente você está virando um homem, Harry. Sei que um mês é pouco para transformar aquilo que você era, mas estou orgulhoso de você.

- Eu estava bem confuso com a vida. Na verdade, eu estou bem mais confuso agora, mas, de alguma forma, eu sinto que agora sim estou fazendo algo certo com a minha vida... – Estava difícil. Era como se tudo que eu vivesse até mês passado tivesse ganhado um cheiro e uma forma que eu não gostava mais. Sentia literalmente como se tivesse incorporado em uma vida que não era a minha.

- Você está crescendo, filho… – Ele disse voltando a olhar para frente e a caminhar.

- Crescer é difícil… – Disse quase ao chorar.

- Eu falei com sua mãe um dia desses sobre isso. Falei que o acidente dela tinha feito você amadurecer bastante. Eu sei que é uma coisa horrível a se dizer, mas creio que tem males que vem para bens – Era notável em seu tom de voz que ele queria dizer algo, mas estava receoso.

- E o que mais falaram? – Franzi o cenho, curioso.

- Sobre algo que me surpreendeu muito... – Ele disse surpreso. Foi como se ele tivesse revendo a conversa com ela em sua mente e tendo suas emoções revigoradas.

- Mas o que ela disse? – Fiquei mais curioso ainda.

- Disse que não foi o acidente dela que fez você amadurecer – Fiquei sem ar.

- Minha mãe não sabe o que diz. – Eu já sabia quais seriam suas palavras.

- Ela disse que foi por causa de uma garota chamada… – Ele forçou sua memória para tentar lembrar.

- Ashley. – Completei por ele.

- Isso mesmo! – Disse animado.

- Ashley não existe mais, pai… – Já eu, falei desanimado. Triste…

- Mas por que não? – Ele se mostrou confuso.

- Ela morreu. – Respondi com o maior dos pesares no peito.

- Mas morreu de quê?! – Ele se espantou, chegou até a parar na minha frente.

Olhei em seus olhos e eles me olhavam como quem acaba de perder algo bom, como quem acaba de perder esperanças.

- Morreu para mim, pai – Desviei dele e continuei a caminhar. Não queria tocar nesse assunto.

- Mas como assim? – Ele pegou pelo meu braço, me fazendo parar.

Eu sabia que, em outros tempos, eu o empurraria ou até poderia bater nele. Mas apenas falei educadamente.

- Não quero falar disso, pai – Meus olhos estavam cheios de lágrima. Podia vê-lo já embaçado em minha vista – Por favor – Supliquei.

- Seja como preferir – Era tudo muito estranho em minha cabeça. Há um tempo atrás, eu estava anestesiado em drogas, sexo e farras. Agora a minha vida parecia estar tomando sentido... o meu pai estava me entrevistando, preocupado comigo e minha mãe estava melhor do acidente. Era para eu estar feliz, até. Mas não estava. Faltava algo dentro de mim que eu não ousava nem falar, mas eu sabia o que era. Era ela. E doía… Deus, como doía…

- Me desculpe – Só falei isso, abaixei a cabeça e continuei a andar.

- Você pedindo desculpas… as coisas mudam – Ele me acompanhou rindo e colocou a sua mão em meu ombro – E eu estou feliz que tenha mudado – Ele me deu um beijo em meu rosto. Um beijo. Aquilo foi como… não sei nem explicar. Em outros tempos acharia aquilo uma idiotice e se ele fizesse, até nem ligaria, talvez. Mas agora foi como ter recebido uma medalha de ouro nas olimpíadas.





 

Ashley

 

- Bom dia, meu amor – Disse Marcel a me acordar com um selinho.

- Bom dia, amor – Respondi lhe dando outro.

- Eu preparei um café da manhã super nutritivo para você e o bebê! – A alegria no sorriso dele era incrível. Eu poderia jurar que ele amava o bebê como se realmente fosse o pai dele. E era isso que me fazia gostar dele.

-  Obrigada! – Lhe dei um abraço – Não sei o que seria de mim sem você – Sorrimos.

- Você seria uma pessoa linda, feliz, grávida, mas não teria um café da manhã tão bom quanto o meu – Sorrimos mais ainda.

- Isso é verdade. Você devia abrir é uma cafeteria e não trabalhar de psicólogo em uma faculdade – Brinquei.

-  Quem sabe… – Ele fez uma cara de quem estava levando a sério. Mas sabíamos que era apenas brincadeira.

- Que horas são?! – Perguntei meio aflita quando olhei para a janela e o Sol parecia estar alto.

Ele se levantou do meu lado na cama e ficou em pé.

- São quase onze horas, querida – Me respondeu olhando o relógio.

- Meu Deus! – Disse nervosa, tentando me levantar da cama.

- Calma, querida! – Ele me interrompeu – O que foi?! – Perguntou assustado.

- Eu tenho uma consulta hoje! – E de fato tinha, mas estava mais do que atrasada. Esperava muito que a Dra. Kellin me atendesse ainda.

- Nossa, então vamos, eu te levo – Eu sabia que Marcel estava quase tão atrasado quanto eu.

- Não, não precisa. Eu pego um táxi – Não queria atrapalhá-lo.

- Tem certeza?

- Sim. Claro – Lhe puxei e dei um selinho – Pode ir tranquilo.

- Tudo bem – Ele fez uma expressão de quem não gostou muito, mas foi.

Então olhei aquele quarto vazio e silencioso. Era nessas horas que as cortinas do meu teatro se fechavam. Marcel era maravilhoso, a pessoa mais perfeita que alguém poderia pedir para ficar ao seu lado. Mas, por que eu não conseguia gostar dele? Eu sabia a resposta, mas não queria aceitá-la. Nem pensar nela. Eu devia me esforçar mais, afinal, fazia poucos meses que eu tinha ficado sem falar com Harry e estava disposta a levar isso a sério e poder me apaixonar definitivamente por Marcel. Mas eu ainda não consegui. Não consegui...

Então levantei-me com cuidado e comecei a descer até a cozinha, onde Marcel sempre deixava o café da manhã. Sabia que estava atrasada para a consulta, mas sabia também que não poderia deixar de comer. A barriga já estava mais grandinha, e suas consequências eram me incomodar mais. Mas não por estar grande, e sim pelas dores e as preocupações. Às vezes eu me pegava imaginando que estava carregando um ovo de casca fina, que qualquer coisa podia quebrá-lo. Mas nada mais era do que cuidado, claro...

Sentei-me à mesa e comi tudo. Tínhamos uma doméstica, mas ela só vinha três vezes na semana para faxina, o resto da casa durante os dias quem cuidava era Marcel. Ele não deixava eu pegar em uma vassoura ou espanador sequer. Sempre foi um cavalheiro.

Estava terminando de colocar as coisas sobre a pia para depois lavar. Mas quando virei as costas para a pia e fui em direção a sala, algo me abateu. Senti como se estivesse sendo arrebatada para fora do meu corpo. De imediato, senti um medo intenso de desmaiar, cair e machucar a minha barriga. Mas logo eu me apoiei na escada e comecei a respirar. Levantei o rosto e vi que passaria, não desmaiaria.

“Você não pode comigo, bobão”. Era a minha voz, mas estava arrastada, como quem está muito bêbada.

“Claro que eu posso, ou você acha que esses músculos são a toa?”. Disse Harry. Ele estava com a roupa um pouco molhada, devido eu ter derrubado bebida sem querer sobre ela, eu sempre sendo desastrada....

“O problema não são seus músculos, mas as minhas gorduras”. Exclamei envergonhada.

Estávamos em uma escada, não sabia onde era. Não consegui reconhecer. Parecia alto e também que já tínhamos subido muito. Estava cansada, me lembro disso.

“Você é perfeita, Ashley...”. Ele disse com um olhar que fazia questão de ser sincero, tão sincero, que cobria qualquer dúvida que tivesse em seu tom.

‘’Eu sou gorda’’ Ele negou rindo.

‘’Não é… e mesmo que você fosse… você é bonita demais para deixar isso ser notado”. Não sei por qual motivo ou razão, mas me senti tão amada e bonita com o que ele dizia. Mas por que, afinal? Ele estava bêbado!

“Você diz isso para todas”. Resmunguei. Estávamos parados ainda, naquelas escadas. A luz era pouca e estava um pouco de frio. Nenhum som havia além de nossas vozes embriagadas.

“Digo mesmo”. Ele admitiu. “Mas ter dito para todas não impede que um dia eu diga a verdade. E esse dia é agora”. Nós ficamos em silêncio absoluto. Era apenas o contraste dos meus olhos azuis com os olhos verdes dele. Minhas pernas e braços formigavam, era como se eu estivesse lá de novo. Harry estava a quase um lance de escadas distante de mim, mas eu consegui escutar seu coração. E como ele batia rápido...

Então ele veio rapidamente em minha direção como um raio cortando o vento. Senti seu corpo se chocar com o meu e seus braços me enroscaram em perfeito encaixe. Pude sentir a intensidade de seu ser desejando o meu. E eu também o desejava. E então sua boca tocou a minha em um beijo que, juro, parecia ter eletricidade...

Quando dei por mim, ainda estava ali, em pé ao lado da escada. Olhei rapidamente em volta desacreditando que não estava naquela lembrança, mas sim na casa de Marcel. Minha respiração estava ofegante e totalmente desorientada. Aquilo foi mais intenso e realista do que o mais real dos sonhos que já tive. Eu não sabia o que era, mas parecia ser uma memória daquela fatídica noite. Mas por que agora? E… por que assim? Aquilo não fazia sentido, não como Harry e eu éramos antes. Nós não aguentávamos olhar um para a cara do outro, então aquilo não podia ser real. Quem sabe fosse apenas uma peça da minha mente, ou a saudade que resolveu me maltratar. E ela estava conseguindo...

Tive que voltar para a cozinha para buscar um pouco d'água. O copo de vidro comprido tremia na minha mão antes mesmo de enchê-lo. Estava nervosa, não dava para negar. Aquilo não era algo bom. Agradeci por Marcel não estar em casa e ter que presenciar isso. Não saberia com qual cara olharia para ele e como reagiria a isso. Por fim, comecei a tomar muita água como se ela fosse afogar os meus anseios e todos aqueles pensamentos furtivos sobre Harry. Fazia bastante tempo que eu não o via, e mesmo sem ter esquecido dele a cada dia que vivi, achava que estava indo bem. Porém agora, parecia que tudo tinha desabado. Estava novamente com aquela sensação que minha vida estava ligada a dele e seria sempre presa a ele. Não só pela criança, claro, mas por nossos corações. Ou, pelo menos, pelo meu...




 

Harry

 

O silêncio estava caminhando conosco agora. Parece que quando as palavras cessam, o frio gosta de se apropriar. Era quase meio dia, mas estava frio. Não sei se o frio vinha de dentro de mim ou era do clima mesmo. Evitei falar, estava totalmente constrangido e desorientado após ter relembrado de Ashley. Claro que nenhum momento desses dias eu consegui esquecer dela. Todo canto, todo momento parecia que havia algo que me lembrava ela. O problema era que essas lembranças traziam consigo o fato de que ela não estava comigo e nunca estaria. Isso era como arrancar um pedaço de mim que nunca teria volta.

- Sabe, Harry, uma vez eu amei uma garota há muito tempo – Meu pai cortou o silêncio.

- E aí? – Perguntei sobre. Fiquei curioso.

- Ela não era a garota mais bonita do colégio e nem era a mais popular delas. Mas algo nela me chamou a atenção. Não sabia dizer exatamente o que era – Ele contava com um brilho nos olhos.

- Devia ser gostosa, então, pai – Brinquei.

- Sim, ela era – Ele entrou na brincadeira. – Mas era algo à mais. Um dia, eu, muito nervoso, fui até ela e perguntei o seu nome. Ela saiu da minha presença como um raio!

- O senhor era feio assim no colegial?

- Não era lá essas coisas, mas também não era de se jogar fora – Ele disse.

- Então desistiu dela e depois conheceu a minha mãe – Disse para encerrar logo aquilo, já estava sentindo um sermão vindo...

- Não. Depois de muitos dias, eu a vi de novo. Desde aquele dia tinha dito para mim mesmo que não tentaria mais. Afinal, ela tinha se saído de mim sem me dizer nada. No entanto, quando a vi, esqueci a promessa que tinha feito a mim mesmo. Fui até ela e, novamente, ela me deixou a falar sozinho – Ele entortou a boca.

- Mulheres são complicadas. Menos as… – Eu ia falar as vadias, como Agatha. Mas resolvi não falar – Deixa pra lá.

- Então, minutos depois, ela passou rapidamente por mim e deixou cair um cartão. Eu, sem entender, abaixei-me para pegar o cartão, mas quando fui avisá-la, ela já estava longe. Então peguei o cartão e li – Ele parou na melhor parte.

- Diz o que tinha, pai! – Para quem não estava querendo ligar muito, agora eu estava curioso.

- Nele tinha a letra dela dizendo que sempre gostou de mim, mas tinha tanta vergonha de dizer que não aguentava quando eu chegava perto – Ele riu, bobo.

- Ah, mas que droga. Não deu certo porque ela era tímida demais? – Questionei.

- Não. Hoje ela é sua mãe – Ele me surpreendeu. – Dificuldades todo e qualquer amor sofre, meu filho. Afinal, é por isso que chamamos de amor. Aquele sentimento que supera tudo e todos. Aquele sentimento que só dura enquanto tá tudo bem vocês jovens chamam de ficar. – Ele colocou a mão em meu ombro – Eu não sei o que houve entre sua amada e você. Sei também que não quer falar sobre, mas escute esse velho que nunca foi um bom pai ou seu amigo como deveria ser. E como meu primeiro conselho, eu digo: nunca desista do que te faz viver. Viver buscando aquilo que quer é melhor do que sobreviver aceitando não ter – Eu notei que ele estava segurando as lágrimas. Tanto que ele saiu andando, a passos largos, a minha frente para eu não o visse chorar.

Aquela história me surpreendeu tanto que me fez ficar pensativo. Eu tinha aceito as minhas dores, e tinha eu mesmo colocado os meus grilhões pesados impossibilitando a minha felicidade. Algo estava se movendo dentro de mim, algo forte que parecia bagunçar todas as minhas defesas. E foi então que eu que me peguei a chorar. O que estava acontecendo comigo? Não sabia. Só tive vontade de correr e abraçar o meu pai. E foi isso que fiz.

Depois, demos mais uns passos em volta do jardim e voltamos para casa. O engraçado era que ele me fez lembrar de Ashley, mas pela primeira vez em muito tempo eu não estava triste em lembrar; eu estava… esperançoso...




 

Ashley

 

Eu estava atrasada para a consulta com a Dra. Kellin mas agora parecia tão irrelevante. Era como se um furacão tivesse entrado porta adentro da casa, mas tivesse bagunçado apenas a mim. E que bagunça. Andei até o sofá tentando me antenar com a realidade. Realidade essa que não conseguia aceitar aquela lembrança como real. Mas não podia ficar pensando nisso. Afinal, de que importava se isso era real ou não? Harry estava muito longe de mim e eu já estava com outro homem, não tinha mais como resolver essa questão.

Porém, algo novo tinha surgido dentro de mim. Uma curiosidade que me atravessava como uma lança. O que tinha acontecido naquela noite, afinal? Digo, para além de termos transado e eu ter ficado grávida? Não sei porquê, mas essa dúvida estava me tirando o sossego. Confesso que antigamente eu evitava essa pergunta, pois me dava tanta raiva imaginar aquela noite. E, depois de um tempo, eu até que estava aceitando melhor o que aconteceu, por meu filho, mas não tentaria mais pensar sobre para tentar entender…

No entanto, agora, depois dessa lembrança, minha forma de ver esse passado parecia ter mudado. Mas por que só agora? Quando eu estou bem tentando levar minha vida com outro cara, meu coração inventa de querer reviver coisas do passado?!

Eu não podia deixar isso tomar conta de mim e da minha vida. Não mais. Harry tinha acabado com a minha vida, apesar de me mostrar o quão eu poderia amar alguém. Mas não era justo comigo mesma, com ele e nem com Marcel.

Quando fiquei mais calma, resolvi subir as escadas para me aprontar e ir na consulta. Era uma manhã fria, eu precisava me agasalhar bem. Esperava que subir as escadas fossem mais difíceis, mas não. Poderia ser por minha cabeça estar longe dali e nem prestei muita atenção nas dificuldades. Estava inerte, tentando afastar a minha mente daqueles pensamentos infrutíferos. Até quando eu conseguiria? Não sabia responder.

Enfim tinha me arrumado e estava pronta para ir a médica. Pedir um táxi foi fácil e a ida até lá também foi bastante tranquila. Porém, tinha esquecido como as ruas lembravam coisas que não queria lembrar. Fazia bastante tempo que não saía de casa. Marcel respeitava e sempre trazia coisas para comermos lá, assistíamos filmes em casa e tudo mas era lá. Evitava o máximo possível sair. Não por medo, mas por tristeza. Queria ficar ali. Agora, eu estava enganada. Não era tristeza, era medo mesmo. Medo de ver todas essas coisas e lembrar de que eu era alguém antes de Marcel. Que não adiantava me esconder e assumir um personagem. Tentava esquecer de Harry. Era isso que eu estava fazendo e não vivendo...

Não sabia dizer se era pelo fato daquela lembrança ter vindo me atormentar ou não, mas olhar até uma simples árvore parecia lembrar de Harry. Seja uma lembrança já vivida ou uma que imaginava viver ainda. Viver ainda. Engraçado como nossa mente insiste em colocar coisas em nós mesmo quando não estamos querendo. Meus planos agora eram com Marcel, não tinha porque imaginar situações com o Harry. Não mesmo.

A consulta foi totalmente normal. O bebê estava bem, mas a Dra. notara o meu estresse e nervosismo. Falou algo que não é bom para o bebê e perguntou se eu estava passando por algum problema. Claro que respondi que não, mas ela não pareceu acreditar muito. Todavia, quem acreditaria, não é? Eu estava em nervos à sua frente. Ela receitou apenas coisas naturais como um bom chá, nada de remédios. Eu já sabia que não podia tomar remédios durante a gravidez. Estudei medicina por um bom tempo. Mas confesso que tinha horas que até eu mesma esquecia disso...

Quando terminou a consulta eu fui embora de imediato. O taxista, um homem de bigode e negro – bom sujeito – resolveu me esperar. É incrível como as pessoas ficam bondosas demais com você quando sabem que está carregando outro ser humano na barriga. Não achava isso hipocrisia, eu preferia apenas agradecer. Afinal, já tinha passado por tanta coisa.

Cheguei em casa e Marcel não tinha chegado ainda. Só podia, já que não tinha nem escurecido ainda e eu não tinha me demorado na Dra. Pensei em preparar algo para comermos. Quem sabe se fizesse um clima legal, uma boa noite e me ocupasse, aqueles pensamentos e relâmpagos de memória fossem embora. Então me dirigi até a cozinha para tentar preparar algo. No entanto, em minha cabeça sabia que podia ser que Marcel não gostasse. Ele não gostava quando eu me esforçava e me aventurava na cozinha. Sempre achei isso um exagero da parte dele. Eu estava grávida, não paralítica. E, também, era começo de gravidez, a barriga ainda não me impedia de fazer muitas coisas.

Então comecei a preparar uma macarronada de queijo que ele tanto gostava. Não era muito boa, mas quando se tem o Youtube pode se fazer muitas coisas. E foi isso que eu tentei fazer. Admito que cozinhar não era muito a minha praia, mas foi uma sábia escolha. Aquilo me fez espairecer mais e esquecer aquele turbilhão de coisas em minha mente que estava prestes a me carregar.

Preparei tudo bonitinho e enfeitei a mesa. Eu queria ficar sempre fazendo alguma coisa para não parar e voltar a pensar besteira. A todo momento eu ficava olhando para o relógio. Acho que nunca tinha ficado tão ansiosa para Marcel chegar como naquele dia. Apesar de eu me envergonhar em dizer que não estava esperando-o por saudades ou coisa do tipo, mas para ele vir e me distrair. Podia não amar Marcel ainda, mas com toda certeza ele era uma excelente companhia. Ele sabia me fazer rir, me deixava segura e conversava sobre tudo. Tudo mesmo. Ele é um homem muito inteligente. Não entendo mesmo porque meu coração não consegue amá-lo...

Saltei onde estava quando escutei a porta da sala abrindo e Marcel chamando pelo meu nome. Soltei o ar de meus pulmões com um alívio. Vesti minha fantasia de namorada apaixonada e feliz, e fui até ele para chegar primeiro antes que ele visse a mesa. Como sempre, ele abriu um sorriso para mim e me abraçou me dando um beijo carinhoso que eu podia sentir toda a sua saudade. Era bom. Depois disso eu perguntei como ele estava e o levei até a mesa de jantar. Ele ficou surpreso, pude ver a felicidade cintilante em seus olhos quando viu que eu preparei um jantar para ele. Mas logo em seguida ele me olhou como se dissesse sabe que não pode fazer isso. Mas eu ignorei de imediato e ele também, ele estava feliz demais para brigar. Apesar que ele nunca brigava, era sempre doce. Aquela noite foi especial. Por mais que Harry não saísse da minha cabeça, Marcel e eu comemos, e nos distraímos do mundo lá fora...


Notas Finais


Voltei! Graças a muitos pedidos... especialmente da Fuck_me_Hazza, Bru_lovato e Pa_pa, obrigada, meninas ♥. Eu nunca abandonei essa fic, só estava com um grande bloqueio criativo. Me digam o que acharam e até o próximo capítulo ♥


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