História The Ripper - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Chen, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Era Vitoriana, Serial Killer, Suchen, Sumin, Xiuho
Exibições 77
Palavras 6.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi, oi, oi..... Depois de muitas ameaças, muito choro (meu e de pessoas que sabem o que acontece nesse capitulo), aqui estou. <3 Para a alegria/desespero de vocês S2


Nayara, deusa, betou o capitulo, então, se tiver alguma coisa de errado, batam nela .qqq (porque eu não aguento mais olhar para a cara desse capitulo...)

Beijos, amo vocês e não me matem <3
Boa leitora, bom choros e peguem os lencinho <3



Ai,socorro, to vendo que hoje eu morro.

Capítulo 10 - P


Fanfic / Fanfiction The Ripper - Capítulo 10 - P

“Você só pode vencer o jogo quando entende que se trata de um jogo.

Deixe um homem jogar xadrez e diga a ele que todos os peões são seus amigos.

Diga que ambos os bispos são santos.

Faça-o lembrar de dias felizes à sombra das torres.

Deixe-o amar sua rainha.

Veja-o perder tudo.

            —  Prince of Thorns, (p. 33-34), de Mark Lawrence.”

 

 

— Oh! E como deveria! A máscara deve estar atrapalhando, não? — Suspirou. — Bem, deixe-me lhe ajudar. — Levou a mão até a base da máscara e a puxou para cima. Balançou a cabeça para que a franja saísse de frente dos olhos e olhou para o detetive. — Olá, Jun. — Sorriu, docemente, vendo o homem empalidecer.

Junmyeon sentiu um nó se formar em sua garganta ao vê-lo, por um momento achou estar alucinando, já que mortos não voltam à vida.

— Como é possível? Eu vi você! Você estava morto!

— Será que era eu mesmo, detetive?

— Eu o vi...

— Você me viu, mas analisou o corpo? Olhou para ver se tinha cicatrizes?

— Por que eu olharia? Era você lá!

— Não. Não era eu. — Sorriu e deu as costas ao detetive, voltando a se sentar na poltrona. — Aquele que você viu era o meu irmão gêmeo. — Acendeu uma vela em cima da mesinha e olhou para o detetive.

— Irmão? Você nunca disse que tinha um irmão.

— O nome dele era Kwangseok, mais novo por alguns minutos. Era para você ter percebido algumas diferenças, Jun, já que esteve tão íntimo de mim.

Junmyeon preferiu ignorar a última parte.

— Você o matou?

— Sim. Mas não se preocupe, te poupei de um trabalho extra e ele merecia o fim que teve. — Percebeu que o detetive não tinha entendido, e bufou. — Kwang me ajudava a matar porque, no passado, ele fez algo comigo. Aliás, o policial Park sabia de nós.

— Park? Mas ele foi morto...

— Depois que o prefeito morreu, achamos melhor matá-lo antes que resolvesse nos entregar. As cartas que você recebia enquanto eu estava preso, eram escritas por mim e meu irmão as passava para a caligrafia dele, e depois mandava para você. Nesse caso, o Park levava folhas para mim e entregava o que eu escrevia para o meu irmão... E foi assim que os assassinatos continuaram enquanto eu estava preso.

— Você nos enganou! Você me enganou, Minseok!

Minseok deu um sorrisinho de culpado.

— Você estava tão ocupado em ser amigo de todos que não percebia o que estava acontecendo. Mas, confesso, gostava das suas visitas quando eu estava preso. Ah! Tenho um presente para você. — Inclinou-se para o lado e pegou um pote de vidro do chão. — Jongdae... teve azar de nos encontrar quando estávamos com Yifan... o que fiz com ele foi apenas um aviso. — Colocou o pote deitado no chão e o rolou para perto de Junmyeon. — Jongdae sabia de nós. — Junmyeon pegou o pote e, quando viu o conteúdo, deixou-o cair no chão. O pote quebrou em várias partes e o líquido o molhou. — Hunf! Achei que fosse gostar de ganhar o dedo do seu amado.

— Você o machucou! Você me fez matar quem eu amava! — Encarou Minseok, que demonstrava não se importar. — Eu o tinha como amigo, Minseok! — Verificou a arma e viu que estava sem bala. Pegou um pedaço de vidro quebrado e levantou-se. — Eu poderia perdoá-lo se tivesse se entregado no início, mas agora...

— ...Agora? — Minseok inclinou-se para frente, interessado no que Junmyeon dizia.

— Agora quero te matar!

Junmyeon correu para onde o assassino estava e tentou acertá-lo com o vidro, mas Minseok segurou seu braço. O detetive tentou forçar mais, mas não conseguiu. A poltrona ameaçou cair para trás, mas nenhum dos dois se importou.

Quando o vidro chegou perto do pescoço do facínora, este forçou a poltrona para trás, fazendo-a cair, e aproveitou que o detetive se atrapalhou, soltou e fincou a faca na lateral de sua barriga.

Junmyeon gritou de dor, largou o vidro, e se jogou para o lado. Minseok levantou-se e verificou se o detetive ainda estava vivo. Vendo que o policial ainda estava consciente, distanciou-se e se escondeu nas sombras.

O detetive engatinhou para onde a arma estava no chão e procurou as balas no bolso da calça. Recarregou a arma e levantou-se com dificuldade.

— Como irá atirar em algo que não consegue ver, detetive? Você poderia ter atirado antes, mas preferiu usar o vidro.

Junmyeon não respondeu, preferiu se concentrar de onde estava vindo a voz.

Minseok assustou-se quando a bala atingiu a parede de onde estava e decidiu que era hora de sair dali. Correu para fora daquele cômodo e continuou escondido nas sombras da casa. O detetive percebeu que o assassino havia saído e, devagar, foi atrás dele.

Junmyeon atirou em direção de qualquer barulho que ouvia e, quando ouviu a respiração de Minseok e tinha certeza de onde ele estava, mirou e atirou, mas nenhuma bala saiu da arma.

Recuou ao ouvir a risada do mais velho e o viu sair de onde havia mirado para atirar.

— Eu estava esperando por este momento. — Minseok disse, vendo o detetive ficar encurralado contra o corrimão. — Você atirou sem ter certeza... você está agindo sem pensar, Jun. — Viu o detetive colocar a mão sobre o ferimento na barriga e olhar para trás. — Oh! Não vai me dizer que está pensando em pular. Estamos no segundo andar, Jun, quando você atingir o chão lá embaixo, irá morrer.

— Por que faz isso, Minseok? — O encarou com fúria e tristeza.

— Eu poderia dizer que é por prazer, mas estaria mentindo. — Deu um pequeno sorriso. — Lu Han cuidou de mim e do meu irmão quando perdemos nossos pais... Ele era médico e me ensinou algumas coisas... Eu saí de casa e me casei... — Deu uma risadinha ao se lembrar do passado. — E descobri que minha mulher me traía com meu melhor amigo. Fiz um jantar para eles e os matei. Meu irmão me colocou no manicômio e Zhang era o diretor. Essas cicatrizes que você viu no meu corpo, as ganhei naquele lugar ao tentar fugir. Quando fui liberado por "estar normal novamente", fui para casa... aproximei-me da família de meu irmão... matei a mulher dele e, depois desse dia, ele passou a me obedecer porque eu ameaçava matar a filhinha dele, que acabou adoecendo e morrendo. Kwang ficou sem chão, tudo o que ele amava havia sido tirado dele. Ele, então, entendeu o que eu passava. Lu Han havia morrido, minha esposa me traía, meu melhor amigo me traiu, meu irmão me abandonou naquele inferno... eu também estava sozinho. — Fez uma pequena pausa e respirou fundo. — Ficamos algum tempo fora de Seul e, quando voltamos, consegui o emprego na polícia e passei a observar como as coisas funcionavam, e planejei um teste. Em julho fiz a minha primeira vítima depois de anos, acompanhei a polícia e decidi que era bom eu fingir passar mal para que ninguém suspeitasse de mim. A segunda vítima foi a mesma coisa. A mulher daquele aristocrata foi a primeira que matei com um motivo. Eu havia descoberto que ela traía o marido e, bem, já deve ter entendido que odeio pessoas que traem.

— Você me fez beber e trair o Jongdae!

Minseok levantou os ombros.

— Eu sei. — Respondeu simples.

Junmyeon sentiu-se mal por isso. Agora poderia ser tarde demais, mas sentia-se culpado por ter traído quem realmente o amava. Porém, não podia deixar-se abalar no momento, tinha de dar um fim a essa história.

— Um inocente foi preso por sua culpa, Minseok!

Minseok fez cara de quem não se importava.

— Que culpa tenho se ele rondava o bairro? Se eu não soubesse a verdade, até eu suspeitaria dele.

— Quem... Quem é Jack?

— Jack? Jackeline, minha esposa. Ah! Entendi onde quer chegar. Pelo nome já deu pra perceber que ela é estrangeira, não? Bem, eu queria escrever o nome dela nas vítimas, cada uma com uma letra, mas acabou não dando tempo... tive que mudar os planos, sabe?

— Por que queria escrever o nome de sua esposa? Você não a odiava?

— Sim. Se a polícia, ou, nesse caso, você, conseguisse decifrar o nome a tempo, poderia procurar por pessoas com o nome "Jackeline", e, assim, chegaria em mim e deixaria as coisas interessantes.

— Você é louco!

Minseok o encarou sério e deu de ombros. Odiava ser chamado de louco ou de doente.

— Bem, voltando ao assunto... depois que o morador de rua foi culpado pelo crime, deixei os policiais pensarem que tinham pego o assassino e, enquanto isso, eu fazia Kwangseok aceitar as minhas ideias, e começamos a escolher nossas vítimas. Vários policiais tentaram nos pegar e desistiram... eis que você aparece. A primeira impressão que tive de você foi que não passava de alguém que tentava demonstrar que era o melhor, e Jongdae era o seu capacho... não que ele realmente não fosse... enfim, só um aviso: quando for enfiar a cabeça de alguém numa bacia de água, certifique-se de que essa pessoa não é o assassino que estão procurando. Mas, relaxa, não fiquei com raiva de você, muito pelo contrário.

— Você...

— Sim, Jun, sim. E fico surpreso de que nunca tenha percebido. Eu ficava te observando e me divertia com seu jeito mandão... e acabei gostando de você. Ah! Sabe o dia em que transamos? Eu não estava tão bêbado quanto aparentava e, sim, eu vi quando Jongdae apareceu de manhã. Você não tem ideia do quanto gostei de vê-lo chateado ao nos ver na cama. Talvez você não saiba, mas você o magoou bastante ao trai-lo, Jongdae realmente o amava. Ele te amava tanto ao ponto de deixar ser usado por mim para eu não te matar.

— Por que está fazendo isso comigo? Não disse que gosta de mim?

Minseok deu uma risadinha e reduziu a distância de seus corpos.

— Eu gostar de você não significa que irei poupá-lo. Você estava chegando perto de me desmascarar, Jun, e também tinha Jongdae. De um jeito ou de outro, o fim de Jongdae já estava previsto. Agora, o seu, nós podemos mudar.

— Se entregue, Minseok! Se não for eu, outro irá te prender.

— Jongin deve ter descoberto, ele tinha a minha ficha médica, — Comentou como se não importasse com o que o detetive havia dito. — mas não sabia que eu já fui para o manicômio e nem da existência de meu irmão, e acabou morrendo... Queria saber quem foi que o matou. — Cerrou os dentes. — Ele era meu alvo. Enfim, — Sorriu. — você pedir para eu me entregar é o mesmo que eu pedir para você se juntar a mim, Junmyeon.

— E o que irá fazer?

Minseok deu um sorrisinho de lado e segurou o detetive pelo pescoço, e o inclinou para trás. Junmyeon, inicialmente, segurou-se no corrimão e depois agarrou-se no braço do assassino, o arranhando. Minseok não demonstrou se importar com a dor.

— Se eu soltá-lo, sei que irá até a polícia e contará que eu sou o assassino que tanto procuram. Não quero a cidade toda me procurando. Não matei meu irmão à toa. Então, sabemos que fim você terá, detetive?

— O que pretende fazer comigo? Já não me torturou o bastante?

Minseok deu uma risada engraçada.

— Não, detetive, ainda não te torturei o bastante. Estou pensando no que irei pegar de lembrança.

Enquanto Minseok falava distraído, Junmyeon abaixou os braços, pegou a última bala no bolso e colocou na arma. Tentou fazer o mínimo de barulho possível, mas um estalo não pôde ser evitado. Por sorte, Minseok não demonstrou ter ouvido.

Quando mirou a arma para cima e se preparava para atirar, o ex-policial fez um movimento brusco com o braço esquerdo e fincou a faca fundo na barriga do detetive. Junmyeon arregalou os olhos, surpreso, e puxou o ar para os pulmões, deixando a arma cair ao chão.

Minseok deu um sorrisinho de lado mostrando suas gengivas, o encarando nos olhos de forma sádica, e chutou a arma para longe.

— Achou mesmo que teria vantagem? — Soltou o pescoço do detetive e levantou os braços, deixando as mangas da blusa deslizar, revelando o mecanismo que segurava as facas no antebraço. — Uma beleza, não? Kwangseok que as projetou. Eu coloco uma faca e ela segura, quando faço um movimento brusco, ela solta a faca que desliza até a minha mão. Bem útil. — Suspirou, vendo o detetive inclinado e apertando o novo ferimento. — O que irá fazer agora, Jun? Eu realmente não queria te machucar assim, mas você não deu outra escolha. Confesso que estou surpreso por você estar aguentando tudo, se fosse outra pessoa, já teria se entregado.

Minseok ficou quieto, apenas observando a figura trágica que Junmyeon havia se tornado. O detetive esforçava-se para respirar e ficar em pé.

Apoiando-se no corrimão, Junmyeon começou a andar e logo foi impedido por Minseok, que apareceu em sua frente, impedindo seu caminho.

— Já disse que não irei permitir que fuja, Jun. — Disse, calmamente.

O detetive o encarou com ódio, por um momento, e abaixou a cabeça.

— Me mate, então.

Minseok mordeu o lábio inferior e sorriu.

— Ainda não.

Junmyeon olhou para os lados e respirou fundo. Já que não podia fugir e sentia que estava perdendo as forças, não iria deixar que ele fizesse o que quisesse consigo. Antes que o outro percebesse o que estava prestes a fazer, inclinou-se sobre o corrimão e deixou-se cair.

Minseok arregalou os olhos ao ver o detetive se jogar, não esperava que ele fosse realmente fazer aquilo. Aproximou-se do corrimão e olhou para baixo, vendo Junmyeon ainda consciente, e começou a rir.

— Ora! Depois de tudo ainda continua vivo! Isso que é vontade de viver! — Deu uma gargalhada escandalosa. — Oh, Junmyeon! Irá desejar ter morrido nessa queda! — Caminhou até a escada enquanto passava a faca pelo corrimão. Ao começar a descer os degraus, percebeu que o detetive tentava se mover, mas não conseguia. — O que foi, Jun? Não consegue se mexer? — Saltou os dois últimos degraus e caminhou calmamente até onde o detetive estava. — Sente isso? — Fincou a faca na coxa esquerda de Junmyeon, que não reagiu. — Entendo. — Fingiu estar chateado. — Entende, Jun, o que aconteceu? Mesmo que eu chame alguém para te socorrer e você sobreviva aos machucados, nunca mais poderá andar. Consegue mover os braços? — Notou a tentativa de Junmyeon, mas como estava fraco, mal conseguiu mover as mãos. — Hunf. Melhor para mim, não terei que contê-lo. Consegue falar? — Viu Junmyeon cerrar os dentes e virar o rosto. — Entendo, não quer falar comigo. — Fez um bico nos lábios, fingindo estar chateado. — Sabe o que é mais assustador do que a morte? Ser esquecido. Quem garante que alguém irá procurar por você? Por Jongdae? Quem garante que irão encontrá-los antes que seus corpos apodreçam? Depois que matei a mulher que morava aqui, esse lugar foi isolado. Quando fui esquecido pelo meu irmão no manicômio, quando entendi que ele havia me largado lá, eu preferi que alguém me matasse. A sensação que você sente é a mesma, não é? Quem você gostava te deixou, eu o deixei, Jongdae o deixou. Você está sozinho, lutando pra viver, mas sabe, lá no fundo, que prefere morrer. Que sentido teria continuar vivendo?

— Me mate, Minseok. — Sua voz saiu fraca.

Minseok mordeu o lábio, tentado a fazer o que fora pedido.

— Eu irei, mas não agora. Gosto de pegar meu prêmio com a vítima viva. — Sentou-se em cima da cintura do detetive e segurou a faca com mais firmeza. — O que irei pegar de você, Jun? — Passou a faca pela lateral do rosto de Junmyeon e desceu até chegar ao peito. — Quero algo diferente... coração não, rim não... — Olhou nos olhos do detetive, que o observava com extrema atenção e desespero, e mordeu o lábio. — Já sei. — Junmyeon virou o rosto quando a faca aproximou-se de seus olhos, e Minseok segurou seu queixo, forçando-o a encarar-lhe. — Tomarei cuidado, Jun.

Quando a faca começou a perfurar, Junmyeon gritou e tentou levantar os braços para fazer Minseok parar, mas falhou. Vendo que não conseguiria se mover por mais que tentasse, desistiu de lutar contra a loucura de Minseok e entregou-se.

O mais velho conseguiu retirar o globo ocular sem danificá-lo e mostrou para Junmyeon.

— Vê? Não é lindo? — olhou para o globo. — Seus olhos sempre me chamaram a atenção, Jun. — Viu que o detetive estava perdendo a consciência e deu tapinhas leves em seu rosto. — Já vai se entregar? Ainda nem comecei.

Minseok nada mais disse, ficou parado, observando o homem abaixo de si, esforçando-se para respirar, o encarar pela última vez com o olho remanescente. Quando percebeu que Junmyeon havia parado de respirar, largou a faca e o globo ocular no chão e o apalpou no peito para ver se ele reagia.

— Jun? Jun? — Quando certificou-se que Junmyeon havia morrido, encostou a cabeça em seu peito e sentiu uma dor no peito que há muito tempo não sentia. — Por que está doendo? — Sentiu lágrimas começarem a escorrer. — Por quê?

— Porque você gostava dele e o matou, Minseok, por isso dói.

Minseok segurou a respiração ao ouvir a voz masculina tão familiar e que há muitos anos não ouvia. Levantou a cabeça para olhar o homem aproximando-se, nem sequer o ouviu entrar.

— Kwang... Kwang disse...

— Ele disse que eu havia morrido, não é?

— Sim. Por que me abandonou, Lu? Por que todos me abandonam?

— Não são as pessoas que o abandonam, Min, é você quem as abandona.

— Não... Eu não..

— Sua esposa, seu melhor amigo, seu irmão... o detetive... você sabe o que faz, não é?

— Jackeline preferiu aquele cara do que a mim! Eu apenas me vinguei! Kwang não tinha que ter me levado para aquele lugar! Ele me abandonou!

— Kwang queria o seu melhor, Minseok.

— O meu melhor? Foi ele quem me tornou o que sou hoje!

— Não, Min, ele não teve culpa.

— Teve! Você não sabe pelo o quê passei naquele inferno, então não tem o direito de falar!

— Eu sei, na verdade. Eu posso não ter sido médico de manicômio, mas tinha amizade com Zhang e ele deixou eu o observa-lo por uns dias.

Minseok ficou sem reação por um momento, não queria acreditar naquilo.

— Por que Kwang disse que você tinha morrido? Por que me fez acreditar nessa mentira?

— Eu tinha que sumir antes que fossem atrás de mim.

— Por que iriam atrás de você?

— Porque fui eu quem desapareceu com os corpos.

— Eu não pedi para que você fizesse isso.

— Eu tinha que proteger a minha criança. — Viu Minseok o encarar. — Independente do que você faça, Min, você ainda é a minha criança.

— Por que sempre preferiu a mim do que Kwangseok?

— Preferir é uma palavra muito forte, Min. Eu apenas via um potencial em você. Você era elétrico, curioso, gostava de aprender coisas novas, e eu tentei te lapidar, mas, mesmo depois de tudo o que te ensinei, você foi pelo caminho errado.

— Você deve estar arrependido.

Lu Han notou uma mudança no modo de Minseok, ele parecia estar mais fraco. Pelos vários dias que o observou agir, havia descoberto que ele usava um tipo de droga capaz de amortecer as dores, então, quando era golpeado, não sentia nada. Porém, quando o efeito começava a passar, ele demonstrava ficar cansado e Kwangseok o levava ao esconderijo para descansar.

— Não, não estou. — Percebeu o olhar de desconfiança de Minseok. — Mesmo você usando de forma errada o que te ensinei, não posso negar que seu trabalho era perfeito. Veja um exemplo, você conseguiu retirar o olho do detetive sem danificá-lo. — Empurrou o globo ocular com o sapato em direção do mais novo e o viu pegar do mesmo jeito possessivo que uma criança pega seu brinquedo favorito quando não quer dividir. — O que irá fazer agora, Kim Minseok? Você não tem muito tempo para fugir, o efeito da droga está passando.

Minseok saiu de cima de Junmyeon e sentou-se no chão.

— Como sabe?

— Eu vinha observando seus passos e sei que quando começa a ficar cansado, como agora, é porque o efeito está passando.

Minseok soltou um risinho sarcástico e respirou fundo.

— Não preciso da sua ajuda, velho... nunca precisei. — Levantou-se com dificuldade e aproximou-se de Lu Han. — Se você... tentar algo... irei matá-lo!

Lu Han não se importou com as palavras ditas pelo mais novo e o segurou quando desmaiou.

Antes de levar Minseok embora, o chinês pegou o globo ocular de suas mãos e deixou em cima do corpo do detetive.

 

xxx

 

Quando acordou, Minseok sentou-se rapidamente na cama e olhou em volta, aquele lugar não lhe era familiar. Antes que pudesse levantar-se e fugir, viu Lu Han agachado em frente a lareira.

— Onde estou?

O chinês levantou-se com o espeto que usava para mexer no fogo e a deixou encostada na parede ao ver que Minseok o encarava desconfiado.

— Está na minha casa. — Respondeu enquanto ia até a mesinha, e se serviu de uma taça de vinho. — Quer? — Viu o mais novo negar, e suspirou. — Pode perguntar.

Minseok continuou em silêncio por alguns minutos antes de começar com as perguntas.

— Por onde esteve esse tempo todo?

— Quando não estava te observando, estava viajando e ganhando meu pão de cada dia.

Minseok olhou em volta novamente.

— Seu pão parece que lhe rendeu muito.

— Eu tinha as minhas economias e, trabalhando para ricos, posso cobrar quanto quiser, mas não é sempre que consigo trabalho. — Sentou-se na poltrona perto da lareira. A casa não era grande. O quarto e a sala era um só cômodo, o banheiro e a cozinha eram pequenos, mas o lugar era grande o suficiente para uma pessoa organizada como Lu Han. — Sorte que não sou de me dar ao luxo e consigo me virar com pouco.

— Por que apareceu agora?

Lu Han respirou fundo e bebeu um gole do vinho.

— Porque você ia ficar sozinho.

— Sei me virar sozinho.

— Eu sei que sabe, mas me diz, como vai trabalhar? Para a polícia e conhecidos, você está morto.

— Irei sair da cidade, irei para outro estado ou país.

— E você fala outra língua?

— Um pouco de inglês... um pouco de chinês.

— Hunf. — Deu um sorrisinho ao se lembrar do passado. — Então, você ainda se lembra do que eu tentava te ensinar.

— Eu era uma criança elétrica e odiava ficar horas sentado aprendendo outro idioma, mas aprendia tudo o que você me ensinava, apesar de eu fingir que não. Graças a você eu pude entender o que Zhang falava em chinês para outro cara e descobri como sair daquele lugar.

— Esperto. Não alertei Zhang sobre isso porque achei que você não soubesse chinês.

Minseok deu um sorriso de lado.

— Nunca revele tudo o que sabe, Lu Han.

Lu Han deu um breve sorriso e suspirou antes de se levantar e ir até a cozinha. Pegou um pote metálico e voltou para onde sua criança estava.

— Coma. — Entregou-lhe o pote. — Deve estar com fome.

Minseok abriu o pote e encontrou bombons, e olhou desconfiado para Lu Han.

— Doce antes da janta, papai? — Ironizou a última palavra.

— Ainda não está na hora do jantar e creio que esteja com fome, filhinho. — Lu Han devolveu a ironia.

Minseok nada mais disse, pegou um bombom e o comeu. Lançou um olhar suspeito para o mais velho ao sentir um sabor familiar, mas a desconfiança se esvaiu quando o viu pegar um bombom e comer. Lu Han não seria louco de comer um bombom envenenado somente para enganá-lo. Poderia ser coisa de sua mente, já que, há muito tempo, havia aprendido a não confiar em ninguém.

— Irei embora. — Minseok disse.

— E vai para onde? Não há mais nada em sua casa.

— Não sei para onde.

— Fique aqui. — Viu o mais novo o encarar. — Não pode se arriscar a aparecer em público, e você está ferido. Aqui é seguro e pode ficar o tempo que quiser. — Minseok estranhou a informação sobre estar ferido e tateou o corpo. Sentiu uma leve dor na costela e percebeu um curativo logo abaixo. — Alguma coisa o acertou e aproveitou que estava inconsciente para tirar.

— O que era?

— Parecia uma lasca de... parede?

— Pode ser. Junmyeon estava atirando sem ver para onde e algumas balas acertaram as paredes... pode ser que um pedaço tenha me acertado.

— Esse é o perigo de usar aquelas drogas, Minseok, você não percebe quando é machucado pois não sente dor.

— Não me importo.

Lu Han suspirou e desistiu de discutir sobre aquele assunto. Minseok, desde criança, quando colocava algo em mente, era difícil fazê-lo mudar de ideia.

— O que irá fazer, agora?

Minseok bufou e deitou-se.

— Irei ficar aqui por um tempo e, depois, não sei.

— Pretende continuar com os assassinatos?

— Talvez. Por quê?

— Apenas perguntando.

Minseok lembrou-se de Jongin e sentou-se, novamente.

— Falando em assassinatos... Foi você quem matou Kim Jongin?

— Sim.

— Por quê?

— Para te proteger. — Deu um sorriso calmo. — Eu não podia deixá-lo contar para a polícia que não era você a vítima. Falando nisso, como conseguiu essas cicatrizes pelo corpo? Parecem mordidas.

— Mordidas dos cães do manicômio. Tentei escapar e eles vieram para cima.

— Entendo. Bem, descanse um pouco. — Levantou-se da poltrona. — Irei preparar o jantar.

— Que dia é hoje?

— Vinte e sete de dezembro. Faz dois dias que você os matou.

— Junmyeon... lutou até o fim... ele era forte, outra pessoa no lugar dele não teria sobrevivido por tanto tempo...

Lu Han percebeu que Minseok estava falando para si mesmo, e preferiu deixá-lo com seus pensamentos, e foi preparar o jantar. Não trocaram mais palavras pelo resto da noite e, próximo de uma hora da manhã, Minseok dormiu depois de cansar de ler um livro.

Pela próxima hora, Lu Han o observou a dormir e decidiu que realmente teria de matá-lo. Se deixasse sua criança viver, ela continuaria com os assassinatos.

 

Desde criança, Minseok gostava de doces e seus preferidos eram bombons, amava mais ainda quando eram feitos por Lu Han. Minseok não sabia o motivo, mas achava os bombons do chinês mais saborosos do que os comprados, e sua opinião continuava a mesma depois de anos.

Lu Han sabia cozinhar muito bem e fazia pratos deliciosos com poucas coisas. O chinês sempre gostou de ser simples e tentou fazer os gêmeos também gostarem, mas eles sempre demonstraram ser mais rigorosos.

Minseok era o mais apegado a Lu Han, o amava como se fosse seu pai verdadeiro e era mais simplista que Kwangseok, porém, guardava rancor e se magoava facilmente.

Kwangseok sabia dos esforços de Lu Han para criá-los e era grato por isso, mas ainda assim não conseguia aceitá-lo como pai, o via apenas como um amigo. Ao contrário de seu irmão, ele era mais calmo, gostava de ajudar e perdoava quando era magoado.

 

Lu Han percebeu que Minseok estava estranhando de não estar melhorando e evitava de comer os bombons que lhe era oferecido. Então, começou a colocar pequenas doses de veneno na comida.

Apesar de comer a mesma comida que o mais novo, o chinês preparava um antídoto caseiro e o tomava quando não estava sendo observado.

Foi no último dia do ano que Minseok percebeu o que estava acontecendo. Quando acordou pouco antes do almoço, sentiu seu estômago doer e correu para o banheiro e vomitou sangue. Procurou por Lu Han pela casa, e o encontrou preparando o almoço.

— O que foi que você fez? — Pretendia gritar, mas estava sem forças e sua voz saiu fraca.

Lu Han o observou parado na entrada da cozinha, encostado contra o batente e com os braços apertando a barriga.

— O envenenei. — Respondeu, simples.

— Envenenou? Por quê? Como?

— Coloquei pequenas doses de veneno na comida e um pouco mais nos bombons que você devorava.

— Então... aquele gosto... achei que fosse coisa de minha mente. Por que fez isso? — Pensou um pouco. — Você também comeu... por que não está sendo afetado?

Lu Han levantou um braço e pegou um frasco na prateleira que tinha acima do balcão onde cortava os legumes.

— Você acha mesmo que irei me envenenar sem ter um antídoto?

Minseok perdeu o equilíbrio e agarrou-se na batente.

— Por que está fazendo isso?

Lu Han colocou o frasco em cima do balcão e viu o mais novo olhar fixamente para ele.

— Para puni-lo, Min.

Minseok o encarou, assustado.

— Me punir? Você é meu pai! Como tem coragem de...

— Os pais punem os filhos quando fazem coisas erradas, não estou sendo diferente. Você matou pessoas inocentes, e irá ser punido por isso.

— Você não pode! Você não é assim!

— Você também não era assim, Minseok.

O coreano não retrucou.

Viu Lu Han voltar a cortar os legumes e aproveitou sua distração para correr até o frasco e o pegar. Estava desesperado, não queria morrer, aquele não poderia ser seu fim. Estranhou do chinês não reagir quando pegou o frasco, e o abriu para cheirar seu conteúdo. Não tinha cheiro de nada.

— O que tem aqui? — perguntou, desconfiado.

Lu Han largou a faca e virou-se para ele.

— Água.

Minseok tomou um gole do líquido para se certificar que era apenas água e, irritado, jogou o frasco no chão.

— Onde está o antídoto? — Perguntou bravo, sua voz não se elevou por causa do cansaço.

— Escondido.

Minseok segurou-se nos ombros do mais velho para não cair, e o encarou com ódio.

— Onde... está?

— Não irei lhe dar.

— Você está me matando!

— É impressionante o quanto você está aguentando.

Minseok tentou alcançar a faca no balcão, mas suas pernas vacilaram e só não caiu porque foi segurado por Lu Han.

— Se quiser durar um pouco mais nesse mundo, acho melhor continuar deitado. — Viu Minseok dar-lhe um olhar irritado enquanto o carregava para a cama.

Ao ser colocado na cama, Minseok virou-se de lado e abraçou a própria barriga.

— Se quer tanto me matar, faça de uma vez! Está doendo demais!

— Não.

Lu Han aproximou-se e o analisou, sua conclusão era de que ele não passaria daquela noite.

 

Minseok recusou-se a comer ou beber qualquer coisa e ficou agonizando o dia todo. Tentou levantar-se da cama para tentar se matar de algum modo, mas não conseguiu se manter de pé e Lu Han sempre estava o vigiando.

O mais velho preparou o jantar normalmente e foi conferir se Minseok queria comer, mas acabou comendo sozinho. Aquele era o ultimo dia do ano e o ultimo dia de vida de Kim Minseok.

O chinês levou o mais novo para o banheiro e deu-lhe um banho. Kim não reagiu, ficou apenas sentado na cadeira debaixo da ducha que era esquentada por carvão. Enquanto banhava o mais novo, Lu lembrou-se da época que Minseok era apenas uma criança e das várias vezes que teve de dar banho forçado no menor. "Se amanhã irei me sujar de novo, por que tenho que me limpar? Que perca de tempo!", Minseok argumentava cruzando os braços e fazendo bico.

Lu Han nunca se casou ou teve filho legítimo, mas não se importava com isso, Minseok e Kwangseok eram seus filhos de coração e os amava. Havia ficado triste quando descobriu que Minseok matou o irmão para se livrar da polícia, e, agora, estava sendo obrigado a matar sua preciosa criança. Minseok poderia ter trinta anos, mas Lu ainda o via como uma criança.

Vestiu uma roupa quente no mais novo e o avisou que iriam  sair para caminhar e ver os fogos de artifício. O coreano nada disse, não tinha mais forças para nada.

Lu Han praticamente carregava Minseok pelo caminho que seguiam. O coreano vomitou sangue duas vezes até chegarem na ponte, onde iriam ficar para ver os fogos.

— Se tudo der certo, Seul irá se tornar uma bela cidade algum dia. — Lu Han comentou. — Fiquei sabendo que estão com um projeto para construir uma ponte melhor e colocaram até nome, mas não me lembro qual. Bem, isso não importa mesmo. — Olhou para Minseok que se aninhava em seu peito. — Lembra de quando você era criança e tinha medo dos fogos? Kwang ria do seu medo, mas ele também tinha, só tentava se mostrar mais corajoso que seu irmão mais velho. — Viu o mais novo o fitar enquanto se concentrava em continuar respirando, e acariciou-lhe os cabelos. — Eu não queria que acabasse assim, Min. Sei que você sofreu, mas não precisava... — Sua voz foi abafada pelos fogos. Lu olhou para o menor e viu que sua respiração estava enfraquecendo. — Não se... preocupe... ninguém saberá sobre você. O diário... eu irei queimar.

Minseok não tinha mais medo dos fogos, mas os odiava, achava barulhento demais, porém, naquele momento, quando um dos fogos de artifício estourou alto no céu e liberou faíscas azul turquesa, sua cor favorita, achou lindo.

Quando as faíscas sumiram, Minseok sentiu uma leveza que não saberia explicar e fechou os olhos, lentamente.

— Desculpe... pai.

 Lu Han o viu dar o último suspiro e o abraçou apertado enquanto as primeiras lágrimas começavam a escorrer.

O chinês ficou parado, abraçando o corpo do mais novo pelos próximos minutos, e só se mexeu ao se dar conta de que a qualquer momento algum policial poderia passar por ali.

Independente da dor que sentia por perder outro filho, tinha que continuar com o plano.

Segurou com firmeza o corpo de Minseok e aproximou-se da beirada da ponte. Observou a face serena do coreano pela última vez e, com muita tristeza, o jogou da ponte. Permitiu-se chorar pela última vez enquanto via sua criança ser tomada pelas águas.

 

xxx

 

Em sua casa, Lu Han serviu-se de uma taça de vinho e despejou o conteúdo do frasco com nome "Poison" nela. Empurrou a poltrona para a frente da lareira e procurou pelo diário de Minseok no meio de suas coisas, e sentou-se para lê-lo pela última vez.

 

"13 de Setembro de 1877.

Quando você é completamente apaixonado pela pessoa com quem é casado, você é capaz de fazer de tudo por ela.
Eu era tolo. "

 

"Ela não sabia, mas confiança se tem apenas uma vez e se quebra facilmente."

 

"Porque... você não é assim, Minseok! Você é amável! Se preocupa com as pessoas!"

 

"Tenho uma novidade para contar, senhora Kim", peguei a faca e comecei a me aproximar dela, ela percebeu e começou a recuar. "Eu nunca fui curado. Eu nunca estive doente. EU NÃO SOU LOUCO!"

 

Lu Han preferiu não terminar de ler, sabia como aquela história terminava e era melhor não reviver o passado. Jogou o diário na lareira e o observou ser consumido pelo fogo.

O sono já havia chegado a alguns minutos e, criando coragem para sair do lugar, caminhou lentamente até a cama e adormeceu logo em que deitou.

 

No dia seguinte, assim que os primeiros raios de sol iluminaram a cidade, Lu Han arrumou-se devidamente para ir até o Departamento de Polícia e, pegou o pote metálico onde guardava os bombons, antes de sair.

O chinês estava fraco e sabia que não lhe restava muito tempo de vida. Havia prometido a si mesmo que quando resolvesse o problema de Minseok, iria se entregar.

Porém, não fazia mais sentido viver. Não tinha mais suas crianças para se preocupar, não tinha trabalho fixo e, já aos quarenta e cinco anos, sabia que não lhe restava muito tempo de vida – já que cinquenta anos era o tempo médio de vida de uma pessoa da classe média. Os pobres mal passavam dos vinte e oito anos de idade, e, os ricos, dos sessenta.

Lu Han sabia que estrangeiros eram tratados com descaso nas prisões, e seu caso não seria diferente. Na noite passada tinha tomado uma decisão, por que iria viver o pouco que lhe restava de vida numa cela sendo que podia encerrar com sua vida? Havia matado Jongin e Minseok, e se sentia péssimo por isso, então, nada mais justo que ter o mesmo fim que eles.

Enquanto caminhava para o Departamento, Lu comia os bombons que havia feito para Minseok. A dose de veneno que havia colocado no vinho na noite passada já o afetava, mas ainda não era o suficiente para matá-lo nos próximos minutos. Porém, sabia que a dosagem que tinha nos doces mais a dosagem do vinho iriam matá-lo em poucos minutos.

Ao chegar no Departamento, sem qualquer cerimônia, foi direto para a sala do oficial chefe e recebeu um olhar de reprovação do homem sentado do outro lado da mesa quando sentou-se na cadeira vaga.

Suspirou, cansado, antes de começar a falar.

— Antes de chamar os policiais, me ouça. Irá encontrar seu detetive e o parceiro dele naquela casa na praça onde o assassino jogou a mulher do telhado... — Viu o policial arregalar os olhos. Sem se importar, comeu outro bombom e sentiu que sua respiração estava enfraquecendo. — Antes que tire conclusões erradas, não, não sou o assassino.

— Quem é você?

Lu Han deu um pequeno sorriso.

— Apenas alguém limpando a bagunça. — Ofereceu um bombom ao policial. — Pegue.

— Não, obrigado.

— Apenas pegue. — Observou o oficial pegar um bombom e colocar em cima da mesa. — Eu poderia dizer para não se preocupar comigo, mas sei que isso não irá acontecer, então, sinta-se livre para me prender quando terminarmos aqui.

— Como você sabe que Junmyeon e Jongdae estão naquela casa? O que eles estão fazendo lá? Faz dias que eles não aparecem para trabalhar.

— Eu estava lá. Eles tentaram capturar o assassino… Junmyeon e Jongdae foram bons policiais, chegaram mais longe do que qualquer um de vocês.

— O que está querendo dizer?

— Quanto ao assassino, posso dizer que... essa cidade está em paz novamente.

— Ele... está morto?

— Sim.

— Quem era?

— Não posso dizer.

Não podia revelar que Minseok, na verdade, estava vivo e que o corpo encontrado na praça era de seu gêmeo, e não tinha tempo suficiente para explicações.

— Onde ele está?

— Onde não será encontrado.

— Junmyeon e Jongdae...

— Mortos.

— Quem matou o assassino?

— Junmyeon. — Mentiu.

Lu Han sabia o quanto Junmyeon havia se esforçado para tentar capturar Minseok e não lhe custava nada passar as honras para ele.

Viu o oficial suspirar e levantar-se. O policial caminhou até a porta e chamou por dois colegas. Sem se virar para o chinês na sala, enquanto esperava os policiais se aproximarem, questionou:

— Você disse para eu prendê-lo, por que faria isso?

Lu Han sorriu e usou o resto de suas forças para respondê-lo.

— Porque matei duas pessoas... — Respirou fundo. — O médico Kim Jongin e o policial Kim Minseok.

O oficial não percebeu o que havia acontecido e assustou-se quando ouviu a resposta.

— Você matou Kim Minseok? — Não houve resposta. — Senhor, me responda quando falo com você! — Aproximou-se, irritado. — Senhor! — Tocou no ombro do chinês e assustou-se quando o corpo deslizou e caiu no chão.

O oficial paralisou e só voltou a si quando ouviu as vozes dos policias o chamando. Sem respondê-los, notou que o pote metálico que o chinês segurava estava vazio e olhou para sua mesa. Aproximou-se do móvel e pegou o doce que o homem havia lhe dado, e o cheirou.

— Veneno... — Sussurrou para si mesmo enquanto observava o corpo no chão. Olhou para os dois policiais na porta e ditou a ordem. — Esqueçam o que viram aqui. Você.. — Apontou para um dos homens. — Vá com uma equipe até na praça e procure por Junmyeon e Jongdae na casa em que a mulher foi empurrada do telhado. E, você, — Olhou para o outro policial. — chame os jornalistas... hoje é um grande dia.

— O que houve? — O primeiro policial, perguntou.

— Este homem acabou de me informar que Junmyeon conseguiu pegar o assassino.

— E onde eles estão? Jongdae também não aparece há dias.

— Mortos.

Os dois policiais ficaram em silêncio e abaixaram as cabeças. No pouco tempo que fizeram parte daquele departamento, Junmyeon e Jongdae conseguiram fazer amizades e inimigos, porém, agora, independente das opiniões que tinham sobre eles, a falta dos dois era notável.

 

 

"Jornal

 

A população poderá dormir tranquila novamente.

O assassino que tanto apavorou a cidade foi finalmente capturado pelo detetive Kim Junmyeon.

Não se sabe a identidade do assassino, já que o corpo desapareceu.

O detetive Kim Junmyeon e o policial Kim Jongdae, infelizmente, também foram vítimas do assassino, mas, segundo informações da polícia, conseguiram feri-lo mortalmente antes de falecerem.

Os corpos serão enviados para a cidade natal, Siheung, para serem sepultados e homenageados pela academia onde se formaram.

O Departamento de Polícia de Seul e a população nunca esquecerão dos esforços dos policiais mortos pelo assassino, e serão eternamente gratos por terem trazido a paz novamente à cidade.

 

                    Seul, 02 de Janeiro de 1889."

 



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