História The Rosethorn. - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Palavras 3.136
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Valar Morghulis!

Boa leitura, genten.

Capítulo 7 - Sobre a sexta-feira.


Fanfic / Fanfiction The Rosethorn. - Capítulo 7 - Sobre a sexta-feira.


   Meu fim de semana foi melancólico. Passei os dois dias trancada no quarto, me escondendo de qualquer contato humano. Caso contrário, eu teria contado tudo sobre a sexta-feira, a polícia estaria sabendo das atrocidades de Evan e ele estaria na cadeia uma hora dessas. Mas Angel também estaria me odiando, desejando que eu queimasse no fogo do inferno para toda a eternidade. Então, para evitar que eu desse com a língua nos dentes, inventei uma gripe para os meus pais e para qualquer outra pessoa que eu conhecesse da escola. Passei o sábado e o domingo me remoendo no quarto, desejando que Evan pagasse caro, sem contato com o mundo exterior e bem longe da internet.

   Mas minha justiça estava longe de ser sanada. Consegui arranjar o número de Angel, liguei e mandei mensagens, implorando para que ela contatasse a polícia. Mas foi inútil, ela continuou insistindo na ideia de ficar calada. Alegou constrangimento, ódio e raiva. Seus pais iriam matá-la. As pessoas da escola a olhariam torto e cochichariam pelos corredores. Olhares atravessados e versões distorcidas era tudo o que ela não queria. E eu entendia, juro que entendia. Só ficava com raiva por Evan, que ficaria solto, livre para fazer o que quisesse.

   Para estuprar mais garotas.

   Na segunda de manhã, meu ânimo para ir à aula era zero. Desejei estar gripada de verdade, mas eu não podia mais cuspir os remédios que a minha mãe me dava na privada, eu entupiria o esgoto do bairro antes que eu pudesse completar duas semanas inteiras na cidade.

   Me enfiei dentro de um jeans, uma blusa de manga longa e um casaco qualquer. Calcei meus All Star e pesquei minha bolsa da cadeira da escrivaninha, arrastando meus pés para fora do quarto. Me juntei aos meus pais na cozinha, que tomavam café da manhã tranquilamente.

   — Olá, sumida. Melhorou? — mamãe perguntou, tomando um gole de seu chá de ervas.

   — Sim. — me sentei com as mãos no rosto, o cabelo bagunçado e os ombros caídos.

   — Algum problema? — meu pai perguntou. — Foi atropelada enquanto dormia ou saiu escondida ontem à noite?

   — Fui atropelada enquanto dormia na rua ontem à noite. — respondi de mau-humor.

   — Jesus, quanta animação. Certeza de que está melhor? — ele colocou a mão em ombro.

   — Não aconteceu nada, pai. Eu só quero ir logo. —não, eu não queria. Mas era melhor ir logo do que ficar em casa, sendo pressionada pelos meus pais até despejar a verdade do porque eu estava mal.

   — Tudo bem, querida. Vamos.

   Meu pai me levou para escola, não fez nenhuma pergunta no caminho. Se despediu com um beijo em minha testa. Saí do carro, batendo a porta e pulando para a calçada. Puxei o capuz do casaco, torcendo para que o mundo inteiro entendesse o recado. De longe, vi Kevin e Tyler, de mãos dadas enquanto dividiam um copo de café do Starbucks. Droga. Saí de casa para ficar longe das perguntas dos meus pai, apenas para cair em cima da matilha de lobos.

   Me virei para entrar no carro novamente, chorar as pitangas para o meu pai e acabar em casa novamente, fingindo um vômito e mais o que viesse na cabeça. Mas meu pai já havia arrancado com o carro e estava longe, virando a esquina. Merda!

   — A senhora pode ficar paradinha aí! — ouvi a voz de Kevin soar há alguns metros de onde eu estava.

   Gemi, rezando para que ele não perguntasse nada sobre sexta-feira. Mas é claro que eu não fui ouvida em minhas preces.

   — Não vou te cumprimentar. Já pode ir falando o que foi que te deu. — Kevin exigiu, cruzando os braços.

   — Eu contei na festa. Você não ouviu? — falei.

   — É, mas você também falou que ele fez outra coisa. Vai me contar por livre e espontânea vontade ou vou ter que te torturar?

   — Kevin, por favor. — Tyler alertou, mas seu namorado nem deu bola, continuou me encarando como se fosse um policial.

   — Kevin, eu estava bêbada. E com raiva. Foi apenas aquilo, ele me beijou à força e eu fiquei puta. O resto é...

   — Querida, você mal bebeu naquela droga de festa. E eu reconheço um bêbado de longe. O que você não quer contar?

   Bufei, começando a andar. Se eu o ignorasse, ia passar. Ele esqueceria de tudo e ninguém falaria mais nada. Assunto encerrado. Mas não! Ele tinha que insistir nisso!

   Kevin tornou a correr atrás de mim, Tyler tendo que segui-lo à contragosto.

   — Hydra, é bom você me contar agora! Eu exijo saber o que foi que aconteceu! — ele gritou, atraindo a atenção indesejada de todos os alunos que andavam por ali, prontos para assistirem nosso showzinho. — Desembucha, garota!

   — Pra quê? — me virei bruscamente, irritada. — Pra você ir fofocar com todos os seus amiguinhos? Não, obrigada, Kevin.

   — Eu não quero fofocar, sua imbecil. Estou preocupado com o que ele pode ter feito a você, idiota!

   — Tudo o que eu tinha para falar, já foi dito. Vai cuidar da sua vida! — berrei de volta, sentindo minhas veias do pescoço estufarem.

   Todo mundo olhava para nossa discussão, todos assustados e interessados naquela briga.

   — Ótimo, Hydra. Espero que ele faça de novo e pior dessa vez, para você aprender a identificar quem se importa com você!

   Suas palavras arderam nos meus ouvidos. De novo e pior, ele disse. Kev mal sabia que ele já havia feito de novo e pior, só que não comigo. As lágrimas queimaram nos meus olhos, de raiva, mágoa e tristeza por Angel. Ele só não sabia. Mas mesmo assim... não tinha direito de me dizer aquelas coisas.

   Enxuguei as lágrimas que caíram e tirei o cabelo do rosto, encarando o rosto arrependido de Kevin Lenner.

   — Hydra, e-eu sinto muito. Eu não queria...

   — Guarde suas palavras para você, Kevin. Você não sabe de nada. — dei ênfase na última palavra, os punhos cerrados junto ao corpo e a raiva borbulhando na cabeça.

   Dei às costas para eles, mesmo que Tyler mal tivesse aberto a boca, andando o mais rápido possível para dentro da North Atlanta. Os corredores pareciam claustrofóbicos, abarrotados de pessoas. Eu queria explodir com cada um deles, queria gritar bem alto, até que tia Milicent me escutasse lá na França, enquanto ela fazia suas compras na Chanel. Queria encontrar Evan, socar a cara dele até que suas e minhas roupas estivessem manchadas com seu sangue podre, para logo depois arrastá-lo até a polícia e fazê-lo ter o que merece. Eu estava, definitivamente, odiando alguém.

   Senti dedos em meu braço. Dei um giro rápido, meus cabelos tapando minha visão e levantei o punho, pronta para acertar Kevin com a minha raiva récem-ativada. Mas outra mão segurou meu soco e Thomas me olhou, assustado, com as duas mãos me impedindo de acertá-lo. Não que eu fosse causar um grande estrago.

   Pisquei, atônita.

   — Está tudo bem? — ele perguntou, seus olhos derramando preocupação. — Vi sua discussão com o Kevin. Ele não tinha a intenção de parecer fofoqueiro.

   — Se veio atrás de mim para defender aquele bastardo, pode dar meia volta e ir embora. — puxei meus braços com um solavanco.

   Eu adorava o Thomas, ele era uma pessoa um tanto arisca, mas eu gostava dele. Mas não admitiria que ele viesse até mim e desse uma defensor dos babacas oprimidos. Eu havia ficado muito magoada com Kevin, e até que ele viesse me pedir desculpas sinceras, eu não aceitaria falsos arrependimentos vindos de outras pessoas que não fosse do babaca filho da puta.

   — Eu não vim defendê-lo, vim ver como você está. É só que ele ficou perguntando de você o fim de semana todo. O Kevin se importa, ele só é muito invasivo.

   — Eu estou ótima, Thomas. Só quero entrar naquela droga de sala e esquecer essa droga de fim de semana. O Kevin parece empenhado em não me deixar fazer isso. — resmunguei, voltando a andar.

   — Ele só está preocupado. — disse Thomas, acompanhando meus passos apressados.

   — Aham, sei. A mamãe também se preocupava com nosso peixinho dourado. Ele morreu dois dias depois de ser comprado! — bufei, exagerando nos meus argumentos fulos.

   — Você não costuma ser uma pessoa grosseira. O que houve, além do óbvio? E te juro que não quero fazer fofoca. — ele ergueu as mãos, mostrando que não estava de dedos cruzados.

   Bufei pela milésima vez naquela manhã, remexendo nos meus cabelos que já estavam pra lá de bagunçados.

   — Não houve nada, Thomas. Eu conversei com você naquela noite. Te expliquei que eu não tenho permissão para falar sobre isso. Por favor.

   Seu rosto se suavizou e ele curvou os lábios.

   — Tudo bem, eu entendo que não queira e não possa falar. Juro que entendo. Mas se precisar, estarei por aqui, garota bilíngue. — ele mordeu os lábios, abalando minhas estruturas com o ato. 

   Me senti culpada de repente, por ter sido tão estúpida com ele. Thomas acenou levemente, se afastando gradativamente de mim. Meu interior quis gritar por ele e pedir para que ele matasse todas as aulas comigo em algum lugar imprestável por aí, mas calei minha boca. Não arrastaria Thomas para vala comigo.

   Apenas suspirei, cansada e precisando do colo da minha mãezinha, e voltei a andar na direção da classe, desejando ter fingido uma doença por mais tempo, ter ficado em casa até que tivessem inventado carros voadores.

   — Senhorita Rosethorn! Acorde! — ouvi a voz da senhorita Punbertton, a professora de inglês.

   Levantei a cara da mesa, sentindo minha bochecha amassada.

   — Me desculpe, senhorita Punberton. Eu estava doente esse fim de semana. — dei uma leve tossida. Fiz aula de teatro no Canadá, pessoal. Palmas para mim.

   — Está se sentindo bem? Posso pedir uma dispensa para você. — ela ofereceu.

   — Isso seria...

   Alguém interrompeu minha grande conquista, batendo na porta da classe. Revirei os olhos, o diretor entrando dentro da sala. E lá se foi a minha chance de ir para casa! O diretor passou o restante da aula rezando uma missa sobre cuidados com o ambiente escolar e sobre a mudança das punições, a detenção era de duas horas agora.

   Na troca de aulas, depois da aula de inglês, o Diabo resolveu fazer uma visita a um dos corredores. Evan Bryce estava em seu armário, tirando alguns livros despreocupado. Mas o relaxamento dele estava prestes à acabar. Olhei sobre o ombro, vendo o diretor saindo da sala da senhorita Punbertton. Olhei novamente para o Bryce, o anjo e o demônio estavam sobre meus ombros, cada um recitando seus sábios conselhos. Duas horas de detenção, hein?

   Apertei o passo, ficando próxima de Evan. Respirei fundo, sabendo que eu também estaria sujeita a punição. Valeria à pena.

   — O que foi que disse?! — gritei o mais alto que pude, sem parecer muito falsa.

   Evan olhou para os lados, quando me viu encarando-o, uniu as sobrancelhas.

   — Como é?

   — Meu Deus! Qual é o seu problema, seu pervertido?!

   — Ficou maluca? — ele arregalou os olhos.

   Arfei em falsa surpresa, conseguindo atrair a atenção de quem eu queria.

   — Como você ousa falar isso pra mim? Eu nem falei nada para você! Seu imbecil, ficou louco?

   Ele estava prestes a questionar minha sanidade novamente, mas o diretor parou ao nosso lado, nos encarando. Reforcei meu olhar de insulto e frustração, sem tirar os olhos de Evan.

   — Algum problema por aqui?

   Abri a boca antes que Evan pudesse dizer qualquer coisa.

   — Esse maluco me xingou de nomes que eu nem ouso repetir! Eu estava passando e ele me agrediu verbalmente, além de ter me cantado na maior cara de pau!

   — Senhor Bryce, o que significa isso? — o diretor estava abismado, olhando para Evan negativamente.

   — O quê? Eu nem dirigi a palavra à essa menina, eu não falei nada! — ele disse.

   — Para minha sala, agora!

   E no fim das contas, fiquei sabendo por passarinhos azuis que Evan pegou detenção depois das aulas. E eu nem levei bronca! Rá, tragam meu Oscar, por favor.

   O almoço chegou e com ele a minha solidão. Não vi a alma de Angel pelos corredores da escola, ninguém perguntou por ela e ela faltou todas as aulas do primeiro período. Me perguntei se ela estava tão mal quanto eu. Ora, que bobagem. Ela estava, claramente, zilhões de vezes pior que eu! Como eu podia se quer pensar na hipótese de ela estar ao menos um pouco bem? O fatídico acontecimento que lhe havia afetado foi horrível, tenebrosamente tenebroso. Queria eu estar perto dela, para poder abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Mas ela não veio à aula. E eu não sabia onde ela morava...

   Depois do almoço, qual eu passei em competa solidão comendo minha comida em uma das cabines do banheiro (deprimente, né?), tive que comparecer ao treino das líderes de torcida. Eva, Vanessa e Roonie estavam lá, obviamente, as últimas duas me lançando olhares atravessados e não trocando uma só palrava comigo. Nem dei bola. O azar era delas, seja lá por que elas estavam me tratando daquele jeito. Mas Eva veio falar comigo, me dando um sorriso bondoso e um abraço.

   — Oi, Hydra. Tudo bem? — ela, assim como eu, também já havia trocado de roupa e usava o uniforme das cheerleaders. — Não vi você o dia todo.

   — É, hoje eu não estava me sentindo muito bem. Já começaram o aquecimento? — andei com ela até o meio da quadra, onde as outras meninas estavam.

   — Ainda não, faltam duas garotas. O fez o fim de semana todo? Eu te liguei para irmos juntas ao shopping, mas você não atendeu. — ela lamentou.

   — Me perdoe, Eva. É que eu estava doente, preferi ficar dormindo o fim de semana todo. Me desculpa. — falei.

   — Sem problemas, nós podemos ir qualquer dia desses.

   Sorri para Eva e seu olhar paciente, ela era aquele tipo de pessoa cativante, aquele que você quer manter por perto. Vanessa nos encarou tediosamente, seus cabelos cacheados emoldurando seu rosto pálido.

   — Andem logo, vadias. Não temos o dia todo.

   Revirei os olhos, acompanhando Eva para o meio do covil das bruxas.

   Depois do treino, nós fomos liberadas, assim como os meninos do basquete que entraram na quadra para treinarem meia hora depois do nosso treino se iniciar. Thomas estava lá, mas não tivemos chances de conversar. O treinador se empenhou em arrancar cada resquício de energia dos meninos.

   Na hora de ir embora, neguei a carona que Eva me ofereceu, preferindo ir à pé. Na verdade, o que eu queria mesmo era tentar a sorte de encontrar com Thomas no caminho; estava me sentindo mal por ter sido tão rude essa manhã. Então, andei o mais devagar possível, dando um passo de cada vez cuidadosamente, ainda usando o uniforme das cheerleaders e com minha bolsa em um ombro.

   E aquele, meus caros amigos, foi meu dia de sorte. Olhei para trás sobre o ombro, enxergando uma jaqueta preta dos Warriors e cabelos cor-de-mel. Thomas sorriu, enquanto parava onde estava para que ele me alcançasse. Ele já havia trocado de roupa, diferente de mim, a preguiçosa. Ele se pôs ao meu lado e nós começamos a andarmos juntos.

— Hey, Hydra. Como foi o treino de hoje, hein? Suas piruetas são ótimas. — ele deu uma risadinha, me empurrando de leve pelo ombro.

   — Obrigado, Thomas. Vi seus lances, são ótimos também. Nada menos de se esperar do capitão, não é? — falei com um sorrisinho.

   — Acho que sim. Está indo para casa?

   — Estou. Quero tomar um banho e dormir até a hora do jantar. — sorri, pensando em meus lençóis e na minha cama macia.

   — Espero que consiga dormir. A Vanessa foi exigente hoje.

   Suspirei, flexionando meus músculos doloridos, tanto das pernas quanto dos braços. "Tudo de si, piranhas", era o que ela repetia toda hora.

   — Se foi.

   — Onde você estava no almoço? — ele perguntou casualmente, bagunçando seus cabelos.

   — Eu? Ah, você sabe. Evitando as pessoas...

   — O Kevin, você quis dizer.

   Dei de ombros, me lembrando de hoje mais cedo com amargura.

   — Recebi olhares atravessados no ginásio. Não precisa fingir que não viu. — suspirei.

   — Sinto muito, posso quebrar a cara do Evan e fazê-lo pedir desculpas. — ele ergueu um canto da boca, mas seu tom implicava que ele falava sério.

   — Obrigada, mas tudo o que eu quero é distância do Evan.

   — Nunca é tarde para mudar de ideia.  — ele levantou os ombros, me olhando de soslaio.

   O restante do caminho foi silencioso, apenas o som dos nossos tênis pisando o chão, nossas respirações e o burburinho da cidade a nossa volta. Thomas parecia confortável do meu lado, naquela paz quase silenciosa. E eu também não me importei em ficarmos quietos, eu poderia caminhar até o fim do mundo daquele jeito. Se eu caminhasse até o fim do mundo, poderia esquecer tudo que assombrava minha cabeça e minha consciência.

   Quando dei por mim, estávamos parados em frente ao meu jardim. A casa estava vazia, como eu esperava, me assustaria se ela estivesse ocupada. Me virei para Thomas, seus olhos me dopando assim que os encarei. Aquele verde profundo me deixava tonta, flutuando em um abismo. Um arrepio subiu pela minha espinha quando ele sorriu, um delicado curvar de lábios.

   — Obrigada por me acompanhar. — falei, baixo de mais. Minhas pernas pareciam gelatina.

   — De nada, te vejo amanhã? — ele perguntou.

   — C-claro. Até.

   — Tchau. — ele acenou, mordendo os lábios. Hesitou por um momento, me analisando por inteiro. Tremi sob seu olhar, suando nas palmas das mãos quando ele se mexeu para ir embora.

   Meu cérebro estava correndo feito um carro de Fórmula 1, eu nem pensei direito quando envolvi seu braço com minha mão, que pareceu minúscula, e o puxei, selando meus lábios nos dele.

   Pensei que ele hesitaria ou me afastaria, mas ele deslizou suas mãos para minha cintura e me apertou contra si, intensificando nosso beijo. Cada extremo do meu corpo queimava, ardendo em chamas imaginárias. Era possível ouvir meu coração batendo nos ouvidos quando passei minhas mãos por sua nuca e senti seus braços se estreitarem em volta de mim. Eu queria mais, queria um lugar fechado onde só houvesse nós dois, apesar da rua estar deserta. Queria achar um jeito de poder tocá-lo sem pudor ou receio. Sim, eu queria me agarrar com ele, provando do seu beijo extremamente delicioso, até que minha sede por isso acabasse.

   Mas eu não podia. Não ainda.

   Mordi seu lábios inferior, nos separando do beijo quente.

   Suas pupilas estavam dilatadas, sua boca avermelhada e respiração descompassada, assim como a minha.

   Corei, dando-lhe um último e rápido selinho — eu já estava lá, por que não beijá-lo outra vez? —, saí correndo pelo jardim, destranquei a porta e entrei dentro de casa, sem olhar para trás. Se eu o visse novamente, o puxaria para dentro de casa novamente. Me escondi atrás da porta e só tive coragem  de espiar lá fora de novo meia hora depois.

   Aquele fora o primeiro beijo que eu havia dado em Thomas. E ele era tudo o que eu desejava. Eu queria que aquele beijo, sim, aquele mesmo primeiro beijo, fosse um lugar. Porque se fosse, era nele onde eu sempre estaria.



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