História The scarlet bunny - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias D.Gray-man, Kuroshitsuji
Personagens Allen Walker, Alois Trancy, Claude Faustus, Cross Marian, Grell Sutcliff, Komui Lee, Lavi, Sebastian Michaelis, Tyki Mikk, Undertaker, Vincent Phantomhive, William T. Spears, Yu Kanda
Tags Alois, Claude, Cross, Doces, Grell, Halloween, Komui, Lavi, Mana, Reever, Sebaciel, Tyki, Undertaker, Vincent, William, Yaoi, Yullen
Exibições 28
Palavras 4.422
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Fluffy, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


O tema central da história é “como você se tornou o meu herói”, a data escolhida é a véspera do dia das bruxas, e os casais mencionados são oito os de D.gray-man e os de Kuroshitsuji, este porque eu estava sentindo muita falta de escrever algo sobre eles.

Yaoi. Romance fofo entre homens, com jovens talentosos e muita doçura e pimenta para colorir as suas vidas incolores. Aos que apreciam, divirtam-se. E aos que não gostam não leiam.

Avisos dados, eu desejo a todos uma boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction The scarlet bunny - Capítulo 1 - Capítulo Único

   The scarlet bunny

Arrumei os talheres sobre a mesa de madeira negra ao lado das louças antigas, haviam doces coloridos em potes de aboboras de plástico que reluziam sob a luz de velas, e o restante dos alimentos que eu consumiria naquela noite de lua cheia. Me diverti escolhendo no supermercado os doces para o dia 31 de outubro, os objetos decorativos, que com certeza dariam um ar mais sombrio para o meu lar.

A fumacinha exalava um aroma de queijo, tomate, palmito e orégano, aquela era uma suculenta pizza vegetariana média, que servia até cinco pessoas, saciaria a minha fome monumental por massa durante essa semana de trabalho acumulado. Por sorte, em frente ao meu estúdio fotográfico, a Red Rabbit, uma agradável e familiar pizzaria se mantém há quase um ano e meio, e o seu dono é um antigo conhecido meu, da época que trabalhei na Inglaterra, na Ordem Negra. Quantas voltas a vida dá, um dia somos produtores famosos que respiram negócios vantajosos e meios de alavancarmos nosso nome, e no outro nos aventuramos naquilo que realmente queremos. 

O suco de abacaxi com hortelã foi feito ao som do piano de Allen Walker, a melodia suave era base de uma sofisticada canção, criada pelo meu melhor amigo. A quem reencontrei anos depois, na época em que eu me mudei provisoriamente para a Inglaterra, em prol de uma chance de ingressar na conceituada Ordem Negra, vaga está que batalhei longos e exaustivos meses em meio a inúmeros concorrentes excepcionais em seus currículos. Aproveitei o embalo adquirido pelos dias estafantes para visitar um amigo da família, o meu antigo tutor e professor de música, o ex-general Cross Marian.  O meu responsável legal quando eu fiquei órfão, ele era um soldado muito jovem e franzino na época, com pouca musculatura. Que se tornou fumante, preguiçoso, e um ótimo pai, mesmo que eu não tenha me atrevido a chama-lo assim, era demais para uma criança de pouco mais de seis anos nomear um conhecido de pai ou de tio com tamanha naturalidade, tendo como aditivo para tal pensamento, as mais variadas garrafas caras de bebidas na sua cola, não que ele não parasse de beber, só não estava acostumado a alguém tão introspectivo como eu, mas com uma personalidade mais cruel, em demasiado quando chamado de tio ou de velho. Assustador, em muitos aspectos inomináveis. Ele se casou com o seu amor de infância, Mana Walker, meu tio de sangue, um Londrino famoso por suas músicas clássicas, depois da minha maioridade perante a lei; Mana só não ficou com a minha guarda, por causa da extensa burocracia, e porque ele tinha acabado de adotar um albino num orfanato das ruelas mais pobres da Inglaterra. O Allen quase foi o meu irmão de papel passado, contudo diante da lei somos primos. Ao conhecer aquele ser manhoso e hábil, que parecia ter herdado o jeito manipulador e jogador do Cross, a amabilidade e a doçura de Mana, soube que ele seria o meu melhor amigo, o irmão que sempre quis ter.

 A Ordem Negra é uma agência internacional com sede na Grã-Bretanha, de nível e renome mundial, conhecida em seu meio artístico por possuir os maiores gênios musicais, e os mais capacitados produtores e caça talentos a seu serviço. Tendo músicos aclamados, como: Mana Walker “O Conde Milenar”, pianista e compositor, Kanda Yu “O exorcista negro” também chamado de “Lótus”, cantor de rock pesado, e o Allen Walker “O destruidor do tempo”, pianista e cantor lírico. Esses são apenas alguns dos grandes nomes da agência.

 Há quatro anos e meio decidi que era a hora de sair da Ordem, para enfim retornar ao Japão e construir a minha própria empresa, pronto para seguir os meus objetivos inicias que me levaram até Londres, na busca por aprendizagem e uma visão mais ampla de mundo e mercado. Claro, que foi extremamente difícil ficar longe do meu namorado, mas nesse período em que estávamos separados por oito meses, o mais velho esteve arrumando os negócios no Japão para que ele pudesse se assentar tranquilamente em uma das muitas filias de sua empresa em países estrangeiros, trazendo consigo o seu secretário fiel, Claude Faustus, meio irmão de Sebastian. 

Um amigo meu chamado Alois Trancy, foi uma das minhas descobertas, o mesmo logo se tornou o cantor pop novato da Ordem, tanto por suas roupas curtas, quanto pelas suas danças mais sensuais no palco, o loiro se apaixonará pelo Faustus, na primeira briga sobre quem dançava melhor uma música latina. O empate entre os dois, foi recebida com grande surpresa pelo garoto, que não sabia que o mais alto havia sido professor de dança antes de ser o braço direito do Tyki. Ele havia caído na teia da aranha, definitivamente havia sido pego, pelo jogo mais traiçoeiro que existe: o amor.

Alois é o primo mais novo e bagunceiro do Ciel; herdeiro da Companhia da família, fabricante de brinquedos e pão de curry, essa receita nasceu de Sebastian, que além de ótimo administrador era formado com honras em gastronomia, podia não ter um titulo de Conde como o do Ciel, mas também vinha de uma família importante. Os dois clãs viam com bons olhos o namoro de Ciel com Sebastian, além de terem sido criados juntos, ocupavam posição e prestigio essenciais. Como combinado eles iriam gerir a sede no Japão, intercalando com o negócio do Phantomhive, que era em parte cuidado por Undertaker e o pai do Ciel, atualmente casados e felizes com o rumo das suas histórias. 

Undertaker também criara um ruivo boca suja, que trabalha na própria agência de atores, em conjunto com o marido William. Um casal que mesmo já tendo passado da cota de tsundere extremo e das surras diárias, não perde a mania de se provocarem, até estarem marcados por chupões e beijos profundos.

 Kanda Yu, apesar das costumeiras ameaças e piadas sarcásticas envolvendo a si, lhe apoiou quando contou do seu sonho de abrir uma agência de modelos na sua terra natal. Prometendo cuidar dos sogros, ao lado do seu futuro marido Allen.

Além da sua clara origem nipônica, o mais velho do trio, é um roqueiro famoso em muitos lugares do mundo, tanto por suas performances no palco, imitando um certo estilo de luta, quanto por sua beleza e sadismo natural. 

[...]

  Não conseguia deixar o hábito de mordiscar o lábio inferior, talvez para segurar o riso, ou apenas pelo simples prazer de repuxar aquela carne macia. Toda vez que o fazia, a imagem do seu homem vinha a mente, e a forma selvagem que ele o tomava em seus braços protetores. As saudades aumentavam a cada dia longe dele, eram torturantes. Em vista, que as noites pareciam terrivelmente solitárias, e as manhãs sem aquele “bom dia, meu coelhinho” não eram mais as mesmas. 

 Contudo, sabia que toda aquela espera seria recompensada, com muito amor e loucura. Faria valer aquelas três semanas, estava ansioso para testar os novos brinquedos comprados com o seu moreno lindo.

 Suspirou ao telefone com um sorriso sincero nos lábios, estes maltratados pelos puxões contínuos, vermelhos como um morango suculento. Tyki se o visse naquele exato instante se perderia em si, repetidas e incontáveis vezes. Corara com o excesso de pensamentos maliciosos, era a saudade, misturada com uma enorme abstinência, sentia-se incapaz de ter prazer absoluto só tocando-se, necessita do seu CEO para enfim estar completo de novo.

 - Eles dois são muito fofos juntos. – Falei para a voz do outro lado do telefone móvel, enquanto a risada gostosa de Cross se fazia presente naquela conversa.

 Parecíamos dois velhos comentando sobre os seus filhos e as suas travessuras diárias, até mesmo Mana dialogava sobre esses detalhes típicos da sua família pelo viva voz. Nunca perdendo a chance de elogiar o genro, e os seus dotes culinários, ainda mais o seu filhote tendo tanta paixão por comida, Kanda mimava-o com alegria, um prazer que ultrapassava o simples gesto de carinho. Ele o amava, e aquilo era motivo de comemoração para o pai coruja do Allen, pois a felicidade do seu albino, também seria a sua.

 - E pensar que todas aquelas brigas e ameaças, se transformariam nisto. – Mana ditou feliz. – Eu sempre soube que eles acabariam vendo que esse ódio todo, era amor disfarçado, esses jovens que gostam de complicar os segredos do coração, acabam sendo a nossa maior alegria.

 - Nos também já fomos assim, meu palhacinho risonho, lembrava-se do nosso primeiro beijo e da sua reação, aquele tapa ainda dói após vinte e oito anos, sei que foi pego de surpresa, mas eu faria de novo, apenas para provar do seu gosto maravilhoso e receber do seu castigo naquela cama com espelho no teto. Amo relembrar do início do nosso namoro, da nossa juventude. – Cross falou após o esposo terminar a sua explanação, e um som de pancada pode ser escutada perfeitamente na linha telefônica. 

 O meu tio havia falado sobre uma cama espelhada, céus, sinto a ardência nas bochechas pelo tom provocativo da declaração de amor. Mais de vinte anos de namoro, uma separação por trabalho, e um casamento de pouco mais de sete anos, quantas voltas a vida dá até você perceber que não pode viver sem o seu eterno namorado, e o fogo não acaba depois de tanto tempo juntos, desejo que o meu relacionamento com o meu moreno seja assim, sempre. Quando o Cross veio da Inglaterra para o Japão, ele e o meu tio haviam se separado, mesmo que se amassem profundamente, ao longo de dois anos mantiveram pouco contato, mas eles sabiam que não suportariam a distância um do outro, engoliram o próprio orgulho e o ciúme juvenil, e voltaram a namorar. Por isso vivia no Japão e na Inglaterra, por mais que ansiassem morarem como um casal, resolveram esperar até que os filhos adotivos fossem maiores, para que pudessem estar juntos plenamente. Um caso clássico de auto sacrifício e amor incondicional. Acredito que a longa espera ainda faça efeito, uma cicatriz curada, mas presente em sua história de amor e desencontros. Que valeu a pena, pois hoje são as pessoas mais animadas e cheias de carinho que eu já pude conhecer.

 - Calado, seu general pervertido e sem filtro na boca. – Apostava que o seu tio estava tão vermelho quanto o mais jovem do trio naquela hora, algo mais estava acontecendo naquela conversa habitual? – Er...d-desculpe La...Lavi...tenho que ir ver um problema no...P-pa-pare seu perv... na maquina de lavar, depois nos falamos mais, com mais calma e tempo...

 Uma série de pequenos gemidos eram arfados, esses dois, eles sabem que eu ainda estou no telefone, certo, escutando tudo, tudinho?

 - Tudo bem, tio Mana, sem problemas. – Lavi se segurava para não rir no telefone, e imaginava que pelos gemidos o seu tio deveria estar fazendo muito mais do que dizia com o seu outro tio, e a tal maquina de lavar deveria ser uma sigla para sexo, e sabe-se o que mais -  mande um beijo para o Allen, o Kanda e um abraço pro tio Cross.

 Aquela sua família era a melhor, não a trocaria por nenhuma outra. A tela apagou-se e o celular foi guardado no bolso da calça.

 O acompanhamento da refeição se deu por um generoso pedaço de torta de morangos com nozes, doce favorito do seu namorado Tyki, que insistia em dizer que era devido a cor proeminente daquela fruta, vermelha tal qual Lavi era no seu dia a dia. Pelos fios ruivos do mais novo, que quando constrangido adquiria a mesma cor hipnotizante que a sua sobremesa favorita, que contrastava belamente com as íris verdes-limão do Bookman Junior. Pelos lábios inchados por beijos de tirarem o fôlego, que levavam-no a outro mundo mais selvagem em questões de segundos, até que a sua mente estivesse entorpecida por aquele conjunto de sentimentos e sensações avassaladoras. E as marcas que ficavam em sua sedosa pele, chupões e mordidas pintavam o seu corpo em noites e manhãs mais quentes, e até naquelas geladas aonde se encaixava nos braços malhados e morenos do homem da sua vida, a razão da sua eterna felicidade, Tyki Mikk, o CEO da Millenium Enterprise.

 Ele se tornou o meu herói, o meu ideal a ser seguido, desde a primeira vez que chamou-me para jogar em sua casa uma simples partida de videogame, assim como foi naquela mesma fria tarde de novembro que protegeu-me de uns valentões que implicavam comigo na escola. Tanto na vida quanto na cama tomou a se o titulo de amigo, amante e namorado, tornando-os sinônimos de prazer e alegria.
 Tyki era conhecido por sua inteligência fora do comum, pela força de sua imponente voz, pela destreza e graça dos seus movimentos elegantes e pela sinceridade de seus sermões.
E o que eu represento para esse belo e único exemplar de homem? Sou a cor que mais aprecia entre tantas compostas, sou o seu coração quente e pulsante, sou a sua bondade e felicidade, palpável – como diria ele em meio ao prazer insolúvel de nossos beijos, sou o seu coelho vermelho e rechonchudo, um coelho mágico daqueles capazes de voar e criar grandes explosões com o seu martelo enfeitiçado. Este último fruto de uma fantasia nossa, de uma noite com mais estrelas do que eu já pude contemplar, numa época em que éramos mais jovens, ele um pré-adolescente vestido de lobo e eu uma criança com uma grossa bagagem de traumas e surras, mas que naquele dia incomum aceitará uma roupa comprada por Tyki, um presente afirmará o mais velho,, uma de coelho bruxo com direito a orelhas felpudas e chapéu de mago; o resultado foi quatro potes de aboboras recheadas de doces e brinquedos na noite de Hallowen. Depois de ser mais uma vez salvo pelo seu querido lobo. Da solidão, dos valentões e da amargura que podia ter sido a sua sina derradeira.

 Uma hora depois do termino do jantar caminhei apressadamente em direção ao escritório da casa, levando comigo a minha manta azul para dias frios, presente do meu lobo mau – Tyki, e o meu notebook escarlate. Queria um lobo como capa, todavia como quase toda a casa tem algo referente a esse animal selvagem e eu a cada pequena chance atribuo mais um enfeite mínimo, preferi não customizar a máquina daquela forma, deixando apenas um desenho de um coelho vermelho fofo. Ok! Talvez tenha sido por influência do Tyki, mas ele é a causa desse seu amor por lobisomens, e resolvi fazer algo que o agradasse, ainda que alimentar a sua mania por coelhos vermelhos, tenha haver comigo vestido de coelho safado. Enrubesço com tal pensamento, anuvio a mente, suspirando resignado quanto aos e-mails do trabalho que faltam responder, e após meia hora posso finalmente relaxar um pouco deles. Em seguida já estou respondendo algumas mensagens do Allen, sobre as suas férias de final de ano em Londres, época esta mais aguardada pelo albino e por certo samurai, em concepção que poderia passa-la com totalidade ao lado do seu namorado, Kanda, fazendo compras, passeado pela cidade, visitando bons restaurantes, e se empanturrando dos mais variados tipos de comidas, ainda que o asiático sobreviva apenas de soba. 

 - Tomará que ele tenha comprado aqueles bonequinhos de ação do filme novo da Marvel. Estou louco para ter um do Doutor Estranho, e um do anime do Naruto, um Neji fofo. – Resmungou para o ar, com um sorriso travesso nos lábios, um hábito adquirido com o parceiro. – Eu lembro de ter colocado na “pequena” lista de como mimar e amar o seu namorado.

 Por alguma razão que Tyki desconhecia ele espirrará, será que as tais lendas nipônicas sobre alguém falar sobre você por trás eram verdadeiras? Balançou a cabeça em negação, deveria ser efeito daquele frio intenso e da chuva recente que causará o pequeno aviso de uma possível gripe; agradeceu com o seu inglês enrolado pela viagem curta, pagando o taxista de face enrugada e serena, caminhando em direção ao aeroporto iluminado a sua frente. Por sorte não havia nenhuma previsão alarmante no jornal, odiaria ter o seu voo cancelado pelo mau tempo naquela época mais conturbada, ainda mais tendo o seu jatinho particular a disposição, justamente para ter uma acomodação melhor e mais tranquilidade ao tirar um cochilo. As caixas de presentes embaladas no papel seda com desenhos de uma série, a preferida do seu ruivo nerd, personalizada com a foto de um flash vermelho e um flash reverso, demorando poucos segundos observando os mimos que comprará para o seu coelhinho safado. Cerca de oito sacolas pesadas em sua mão direita, na esquerda a sua mala; contendo as tais preciosidades do seu noivo, quase vinte bonecos de ação, docinhos, cartazes dos eventos que tiveram naquela semana de trabalho, o seu secretário conseguiu a maioria para si, durante as reuniões intermináveis, e mais uns mangas adicionais, como: Sekai Ichi Hatsukoi, Naruto, e Love Stage. Vários diga-se de passagem, alguns verdadeiros achados, outros raros que negociou com alguns de seus colegas do meio, que por algum acaso também são viciados naqueles animes, mangas, filmes e séries, o próprio Tyki era um deles, ele faria de tudo pelo seu coelhinho, por um expressão de felicidade em sua face.

 O seu braço direito, Claude, decidiu ficar pela cidade, e matar as saudades do namorado modelo, Alois Trancy, que estava de férias em Londres, sob as ordens de Lavi sobre aproveitar melhor o agradável passeio com um moreno viciado em trabalho. Deixando para Faustus a descoberta da folga apenas quando o loiro surgisse de surpresa no hotel e no quarto de Claude, há exatos três dias. Um gargalhada divertida se desprendeu ao lembrar da face outrora rígida do melhor amigo, ficar escarlate e mais humana, ganhando feições mais descontraídas. Alois com toda certeza despertava o melhor e o pior das pessoas, e Claude só podia agradecer por ter aquela joia consigo. E quem sabe ele se adiantasse e pedisse o menor de vez em casamento. Ciel e o marido Sebastian Michaelis apostavam se seria em uma loja de doces com adição de um pedido público ou numa deliciosa surpresa romântica a dois em um quarto com cheiro de rosas, talvez os dois. A imaginação é uma caixinha de agradáveis e deliciosas surpresas.

 Lavi sem entender o motivo para tanto, espirrou quatro vezes, devia ser pelo ar-condicionado ligado no máximo, o que o deixou rubro no fim do processo, sentia a queimação costumeira na face, acabando por morder fortemente os lábios rosados tentando não pensar no que o seu moreno faria ao ver o presente que escolheu para esse Hallowen, data está que era sempre festejada pelo par. Os rapazes davam brindes temáticos, alguns picantes, ou resolviam inovar na hora de presentear o outro. Não por habito ou por pura obrigação, mas pelo olhar animado que ganhariam do parceiro, pelo amor que sempre compartilhariam. Para eles aquilo sim era especial, poder estar com quem amavam, ano após ano. Mesmo com as discussões ferrenhas sobre séries, ou até por quem faria o que em casa, pelos momentos divertidos que passavam juntos jogando videogame, ou simplesmente trabalhando no mesmo ambiente entre brincadeiras e beijos; o que os liga dia após dia são essas pequenas situações, simples vistas por algum amigo ou vizinho, mas essências na sua história como parceiros, como um casal, e como amigos de infância. Aquele calor em suas almas que nunca se apagaria...

Com o endereço anexado na caixa de rascunhos do e-mail, bastava somente redigir o texto que desejava, sabia que ele receberia antes de embarcar no avião, em Londres, com destino a Tóquio no Japão. A saudade falava mais alto nessas horas solitárias. Principalmente por causa dessa data em especial, que não significava apenas doces ou travessuras como era para a maioria das pessoas, pois para eles significava amor incondicional, amizade e cumplicidade. 

Tyki o salvará neste mesmo dia há mais de vinte e dois anos, o seu vizinho de quem sempre recebia aqueles dolorosos beliscões nas bochechas gordas, e era chamado de meu bebê escarlate. Foi e é o motivo de desconhecer as palavras desistir e entregar-se em campo de batalha.

Naquela época achava-o estranho por ser tão amável com um órfão como ele, sendo que nunca, sequer era tratado como igual pelos os seus colegas de classe, por não ter os cabelos negros como os dos outros Japoneses, por ter ficado sozinho no mundo com tão pouca idade, e por não ser alto como os outros garotos da sua idade. Sempre existiria uma desculpa para eles, ainda que só fosse os seus pais terem morrido em um grave acidente de carro. Porque essas crianças maldosas não compreendiam a dor de se perder alguém importante, e como a maioria dos valentões ao encontrarem as suas vitimas, a dor e a tristeza dos menores e daqueles que não podiam se proteger era o seu alimento, a sua diversão cruel. O simples fato de ter uma origem mestiça, deflagrava o ódio inconcebível da maioria das pessoas, culminado e difundido por um grupo incapaz de notar que independente de quem somos todos são seres humanos, com falhas e defeitos. Essas pessoas vivem por essa busca triste pela dita e sonhada perfeição, distorcidos por suas filosofias e concepções irreais do mundo e da atual realidade vivida.

 Tocou na ponta do nariz com os dois dedos indicadores, tentando acalmar-se, desejava esquecer o passado, para concentrar-se apenas nos bons momentos. E a próxima memória era um deles.

A gentileza e bravura de Tyki ao lhe proteger das crianças do bairro vizinho no Halloween daquele ano, o recordavam de como seria grato pelo mais velho, por tudo que fizera por si, sem jamais pedir algo em troca, apenas um tímido sorriso, pois o seu era como uma noite estrelada, brilhante e acalentador. Naquele 31 de outubro, foi encurralado por um grupo de quatro adolescentes, na viela da casa, empurraram-no chão sujo de terra e lama, chutaram suas costelas com força, deixando-o sem ar e sem reação, gritando que ele não passava de um estrangeiro pobre, contudo em meio a dor, e as feridas do corpo e da alma, estraçalhadas pela humilhação e as constantes surras, um lobo mau surgiu na esquina, com uma expressão dura e raivosa na face outrora amigável, o seu vizinho com mania de beliscar as suas bochechas gordinhas aparecerá para o resgate. Quem menos esperava, e no fundo ansiava ter como protetor.

O mais velho dos amigos deu um basta naquela situação desumana e caótica da vida do ruivo, deixando em evidencia aos que ainda conseguiam andar sem cambalear, que aquele pequeno e adorável estrangeiro era o seu coelho protegido, o seu melhor amigo, e quem se atreve-se a ousar falar mal dele, ou machuca-lo nem que fosse em um único fio de cabelo, se arrependeria amargamente, e que era pra dar esse aviso para os outros, tanto colegas quanto adultos. Se um Mikk decidisse algo, era lei absoluta e incontestável. Quem se atreveria a mexer com algo que pertence ao herdeiro dos Mikk? Ninguém que presasse seu emprego, ou sua reputação, dizem as más línguas até a vida.

Os Mikk são como um império poderoso, tanto de negócios extremamente lucrativos, quanto nas leis. Eles estavam em todo lugar, era preferível ser seu aliado a ser seu inimigo. Ou o fim não lhe seria muito gentil ou amoroso.

 Sem aquele belo e exuberante moreno em sua vida, Lavi jamais teria alcançado os seus sonhos, ou amado verdadeiramente. Era doloroso imaginar uma vida sem ele, era totalmente e irrevogavelmente impensável.


 30 de outubro de 2015.


  Querido Tyki,

  Como estão as negociações entre a Millenium Enterprise e a Ordem Negra, o Komui aceitou a proposta de fusão das empresas? Tomara que tudo tenha dado certo, e que o Komui pare de brigar com o Reever e aceite logo que o ama, já está na hora de se acertarem. Rs.

 Sinto sua falta Tyki...das suas mãos macias entrelaçadas as minhas debaixo do cobertor quentinho, dos seus beijos afoitos ao chegar do trabalho, e até das nossas brigas pelo último pedaço de sushi.

 Fiz a sua torta preferida, com direito a calda de chocolate amargo e nozes de cobertura.

 Vamos comemorar o Hallowen quando você retornar, meu lobo, apropriadamente. 

 A casa está toda decorada como eu tinha avisado no outro e-mail, com pequenos esqueletos coloridos pela escada principal, pendurados como se estivessem numa árvore de natal. Até o papel de parede com lobos e luas, combinou com as abóboras nas janelas, aquelas lanternas que você me deu de presente de aniversário, ficaram perfeitas. O grande caldeirão verde está em frente de casa, com os piscas-piscas azuis, e o mago Gandalf, o cinzento sentado numa rocha. Este último encontrei numa lojinha de fãs de uma lojinha nova do centro, e como sei que é o seu personagem favorito da trilogia do Senhor dos Anéis, pensei que fosse adorar tê-lo como bibelô, meio grande para um, todavia não pude deixar de compra-lo ao pensar em você nessas longas semanas. O melhor de tudo são os doces e as guloseimas, têm de caramelo com maça, de chocolate amargo, de amendoins e nozes, e aqueles que pintam a língua, nesse último pirulitos, prometo não comer todos de uma vez.

Esse ano eu me superei nesse quesito novidade, em vista que comprei uma fantasia de bruxo sexy, e a sua é aquela de lobo, isso mesmo, quero te ver com ela quando chegar, comprei naquele sexy shop que você me “obrigou” a entrar,  e pode ter certeza que serão horas muito prazerosas. Meu moreno gostoso. 

Nada de me chamar de coelhinho safadinho, os outros passageiros ficarão cochichando se falar alto dentro da sala de espera. Nos conhecemos tão bem, que pequenas coisas como essas se tornam frequentes e até comuns nas nossas conversas intimas. Nessa doce aventura que chamamos de paixão.

Eu te amo muito, meu moreno.

Assinado: Lavi Bookman.

[...]

 - Cheguei, meu coelhinho manhoso, o seu homem voltou para você. – Tyki estava parado ao lado da soleira da porta expondo o seu sorriso mais bonito, e aquele olhar recoberto de carinho e ternura.

 O selar de lábios pareceu durar toda uma vida, complementando o que os nossos corações sempre souberam – a que sempre pertenceríamos um ao outro-.  Envoltos nessa bolha que nos enlaça cada vez que nos tocamos, com uma cumplicidade natural, e com uma paixão profunda.

 O dia das bruxas nos uniu, há vinte e dois anos atrás você me salvou. Ao entrelaçar nossas mãos aquela vibração percorreu a minha espinha, e foi o teu sorriso o causador daquelas borboletas no meu estômago. Meu amado e querido, Tyki Mikk.

Fim


Notas Finais


Beijos de torta de limão do Gato de Cheshire.


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