História The Soul of a Killer (reescrita) - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Palavras 2.491
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, pessoas, aqui é a Quorra!
EU VOLTEI, SIM. Não importa o que vocês pensam sobre isso, mas ressuscitar dos mortos não é tão fácil quanto parece.
Quem comentou já deve saber que eu estava tentando recuperar minhas notas em algumas matérias do colégio (cof, cof, física) e que eu ia voltar a escrever quando estivesse de férias.
Bem, aqui estou, com capítulo novo, como prometido, no primeiro dia de férias (não oficiais). Não falo nada sobre o próximo cap. porque não quero iludir ninguém, mas eu tive umas ideias melhores do que as antigas então estou inspirada a escrever bastante.
É isso. Espero que gostem!

Capítulo 2 - Meu irmão é um mala, o que não é surpresa


Fanfic / Fanfiction The Soul of a Killer (reescrita) - Capítulo 2 - Meu irmão é um mala, o que não é surpresa

Eleonore não sabe ser discreta em nenhum sentido, ou, se sabe, não quer ser. Com sua vertiginosa altura de 1,60 m, californianas azuis, braços tatuados, olhos contornados de preto e roupas vermelhas, ela é como uma placa neon que mantém as freiras de minha escola afastadas o suficiente para conversarmos sobre tudo que quisermos no portão durante o horário de saída.

Mas, hoje, ela não estava lá quando eu saí da aula, ouvindo Rick me xingar de todos os termos pejorativos que não envolvessem a subliminar “meretriz”.

- Você é a pessoa mais doentia, sanguinária, maquiavélica, nefasta, psicótica e imoral que eu conheço – continuo a andar enquanto ele diz isso. – Escuta, eu odeio admitir, mas, você venceu. Eu definitivamente não vou dormir hoje à noite. De onde veio sua inspiração para aquilo? Laughing Jack?

- Edgar Allan Poe – respondo, ainda sem olhar para ele e procurando Lore entre os alunos da escola. – E um pouco de George Martin e Stephen King. Ah, e Jack o Estripador, com todas as “damas” que ele matou – falo olhando entre todas as pessoas remotamente baixinhas e revoltadas da multidão. Nada.

- Se está procurando a Lore, ela está lá em cima – Rick aponta um prédio da quadra em frente e finalmente posso ver a minúscula figura gótica que é minha amiga sobre um andaime, pichando qualquer que seja a frase obscena do dia com tinta spray.

- Às vezes eu me orgulho de ter ensinado essas coisas para ela – comento, observando-a e suspirando ruidosamente, com um leve sorriso falso. –, e, às vezes, me arrependo profundamente – falo, pegando meu celular e discando o número que decorei há algum tempo.

Eu e Lore nos conhecemos quando ela me flagrou pichando um dos muros da escola dela – que já estava bastante pichada, mas ainda tinha espaço para mim. Ela pediu que eu a ensinasse e eu concordei, mas, depois de uma semana colorindo muros, ela me explicou o objetivo: “dar um jeito nas paredes da casa do ex-namorado dela”. Eu topei.

Aquele foi o melhor grafite que nós fizemos em nossas vidas, e provavelmente não faremos nada melhor que aquilo durante o resto da eternidade. Lore continuou com os grafites e se tornou melhor do que eu naquilo, o que acarretou incidentes como o de hoje em que ela simplesmente se esquece de descer da porra do prédio para pagar o almoço da amiga faminta dela. A Lore recebe pagamentos por metade dos grafites que ela faz, ela me deve essa.

- Hélou, darrling! – Ela fala ao atender o telefone. – Eu sei que você está me vendo e não vou descer daqui nem a pau. Arruma outra pessoa para pagar teu rango. Valeu, falou!

- Não desliga na minha cara, sua megera traidora! – Grito ao celular. – Pode até ser que eu arranje comida de outro lugar, mas hoje à tarde você não foge. Bosque. Três horas. Sem falta. Se não a Roxxe, aqui, te mata dolorosamente durante a noite. Entendeu?

- Bosque. Sem falta. Três horas. Anotei. Estarei lá, Roxxe – e desligou na minha cara, para não variar. Eu mereço os amigos que eu tenho.

- Você também vai, certo? – Pergunto a Rick, que está discutindo algo com Jonathan, um amigo dele que, por incrível que pareça, é um nerd completo com a mesma idade que eu. Ele olha para mim como quem não faz a menor ideia do que estou falando, mas então vê o celular desligado em minha mão e entende.

- Hoje? Sim, claro que vou. Me espere lá.

- Até lá, então – falo, dando as costas a ele e caminhando para fora da superlotação colegial do horário de saída enquanto Rick continua a falar com Jonathan como se nunca tivesse sido interrompido.

Não importa se meu irmão vai voltar do exército hoje, nem se o Rick deveria cuidar da casa, sem se a Lore deveria cuidar da irmã demoníaca dela. Hoje nenhum de nós pode faltar a esse encontro combinado, se não, eu estou é muito, muito ferrada mesmo. Faz parte do desafio.

Vou andando para minha casa. É longe da escola, mas andar é melhor do que pegar um táxi e pegar um ônibus seria desperdício de dinheiro, embora chamar um táxi seja uma ideia tentadora neste calor infernal. Fala sério! É fim de primavera, não deveria estar tão quente! É claro que isso pode ser culpa das minhas roupas pretas, meia-calça e botas..., mas eu costumo ser fria como uma morta! Não mereço isso.

Normalmente, quando eu estou em lugares vazios, começo a pensar em coisas diversas para o tempo passar rápido e eu não perceber que fiquei dez minutos andando sob um sol tão quente quanto o núcleo de uma bomba atômica. Foi o que aconteceu e, quando finalmente ergo a cabeça para parar de encarar minhas botas, já estou na frente de casa.

Quem vê a construção, com um jardim bem cuidado que minha mãe ama mais do que eu, a pintura impecável feita por Roderick e os dois andares mais o ático com uma janela triangular enorme, deve pensar que nós somos uma família de classe alta que vive muito feliz apesar do desastre que aconteceu no primeiro casamento de minha mãe.

Errado. Imperdoavelmente errado.

Roderick, meu padrasto, trabalha numa loja de eletrônicos tosca e, para bancar a casa, a eletricidade, internet, televisão e até a água são defraudados. Ele queria que minha mãe tivesse a casa grande que ela sempre quis, mas não tinha dinheiro para isso. Minha mãe também não tem dinheiro de sobra, considerando o trabalho numa floricultura; ela nunca teve a chance de terminar a faculdade de botânica, a qual fora interrompida por problemas com o último marido.

E então vem meu irmão mais velho, Bryan – ou Bran, como costumo chamá-lo – com vinte e um anos, se alistou no exército assim que fez dezoito, cumpriu três anos de serviço e está voltando para casa hoje, o que não é a melhor coisa que ele poderia ter feito, considerando que ele não vai encontrar sua pequena “Vita” com cabelos ruivos e vestidos floridos em seus bons tempos de treze anos de idade. Não, ele vai encontrar Vitália com roupas pretas, jeans rasgados, cabelos tingidos para darem a impressão de serem fogo e um namorado com histórico criminal.

Decepcionante. Isso é tudo que eu sempre fui: decepcionante.

Quando entro, meu padrasto está largado no sofá, assistindo ao noticiário, enquanto minha mãe tenta assistir à TV e preparar o almoço ao mesmo tempo. Ela me nota quando fecho a porta, mas Roderick não dá a mínima.

- Está com fome, Vita? – Ela pergunta, enquanto jogo a mochila num dos sofás e me sento num dos bancos altos e desconfortáveis da cozinha americana.

- Não muito – respondo, tentando encarar o homem no sofá com o canto dos olhos, por força do hábito. – Eu ia almoçar com a Lore, mas ela furou.

- Ah, que pena. Uma carta do seu irmão chegou mais cedo, com uma caixa junto. Eu deixei no seu quarto. Quer ir ver o que é enquanto termino de preparar o almoço?

- Pode ser – falo, dando de ombros de maneira indiferente ao me levantar e pegar a mochila, que bate nos degraus enquanto subo as escadas para o ático, praticamente me arrastando.

Se eu sei como escrever uma história que assusta o Rick, meu irmão sabe o que fazer para me assustar. O que significa pular em cima de mim assim que ponho os pés em meu quarto.

- Puta que pariu! Quer me matar, caralho?! – Grito, por cima da risada de Bran.

- Talvez eu queira, mas hoje não. Vou matar essa sua boca suja, isso sim – Ele diz, me ajudando a me levantar e me abraçando em seguida. – Se bem que não foi só seu jeito de falar que mudou.

É claro que a primeira coisa que ele tinha que fazer era me analisar. Como se me matar de susto não fosse o suficiente.

Vocês provavelmente devem pensar: “Mas foi só uma pegadinha meia-boca, como é que você se assustou”? Bem, amiguinhos, quando seu quarto passa três anos sem a visita de nenhum ser vivo além de você, é normal você levar um susto da porra quando alguém simplesmente invade ele e pula nas suas costas assim que você entra. Principalmente se o invasor é um brutamontes cinco anos mais velho e trinta quilos mais pesado que você.

- Nunca achei que ia ter a chance de dizer isso – falo. – Mas você cresceu.

- Você também. Mas não faz diferença, porque continua mais baixa que eu. Agora, suponho que Raíssa tenha te falado da carta com a caixa? – Ele chama nossa mãe pelo primeiro nome. Sempre.

- Sim – respondo. Ele aponta para minha cama, onde uma caixa de papelão com uma folha de caderno arrancada estão.

- E eu achava que os presentes que eu dava para a Lore não eram requintados o suficiente... – comento, indo até a caixa.

- Pare de reclamar e só abra logo. Eu decidi escrever a carta enquanto estava no avião, por isso está desse jeito. Mas, vendo você agora, tenho quase certeza de que o presente que comprei é infantil demais... nunca imaginei que você ia se tornar uma mistura da Courtney Love com a vocalista da The Pretty Reckless.

- Pois é, a vida tem dessas – respondo, lendo a carta despreocupadamente e começando a abrir a caixa.

- Por que fez isso?

Paro o que estou fazendo e olho para ele.

- O quê? – Pergunto.

- Por que se tornou essa pessoa? Sei que nunca quis ser esse tipo de adolescente. Você sempre soube que esse tipo morre cedo.

Dou de ombros e aponto para o outro lado do ático, onde um alvo de dardos com duas fotos coladas está pendurado na parede. Uma foto de meu padrasto e uma de meu pai. Ambas estão perfuradas por dardos.

- Aquela menininha deixou de existir há doze anos – falo, sem olhar para Bran. – Eu só estava fingindo ser ela. Depois que você foi embora fui obrigada a conviver com esses dois e percebi que fingir não estava levando a nada.

- Você não tem que conviver com eles – meu irmão fala.

- Sim, eu tenho – retruco.

- Você mal vê o Roderick.

- Ele mora aqui.

Bran suspira e olha em volta, como se reunisse informação sobre mim para jogar na minha cara.

- Nosso pai não mora aqui...

Quase dou risada. É claro que ele não mora aqui. Se morasse, já estaríamos todos mortos com tiros de escopeta na cabeça e um maníaco dançando sobre nossos cadáveres.

- Se você continuar tratando isso como se não tivesse acabado, ou como se nosso pai ainda fosse nosso pai, sinto muito, Vitália, mas sua vida nunca vai funcionar. Você precisa esque...

- Eu não consigo esquecer! – Interrompo-o. – Você acha que eu não quero? Acha que às vezes eu não desejo que ele tivesse batido na minha cabeça com força suficiente para eu não me lembrar? Ele não aparece nos seus sonhos a cada vez que você tem um dia ruim! E, adivinha, Bran, eu tenho muitos dias ruins, por causa daquele cara que está sentado no sofá de nossa sala nesse momento!

- Bem, eu não posso fazer nada! Não vou acabar com o único casamento de sucesso da Raíssa porque você não gosta do marido dela!

- Casamento de sucesso? O cara só não bate nela porque sabe que eu sou pior! Se eu tivesse continuado a ser aquela menininha, pode ter certeza de que ela não estaria sorrindo agora!

- Menos um motivo para você reclamar, Vitália! Só porque você fica se agarrando a algo que aconteceu há doze anos, não significa que os outros vão fazer o mesmo! E eu não vou fazer nada a respeito disso porque não há nada a ser feito!

- Se você tivesse ficado aqui em vez de me largar com esse idiota, talvez eu tivesse esquecido! – Grito, me levantando, pronta para a próxima repreensão. Mas ele não diz o que eu espero que diga.

- Eu tinha um propósito quando fiz essa escolha; sempre houve um propósito. Roderick é só um peixe pequeno comparado ao que nós já vimos, Vita, e eu cheguei à conclusão de que era melhor te deixar com ele por um período curto do que não poder fazer nada depois!

- “Período curto”? – Ergo as sobrancelhas e carrego minha voz com sarcasmo quando falo. – Três anos não é um período curto. E que história é essa de “não poder fazer nada depois”? Depois do quê?

Bryan, percebo, está assustadoramente calmo quando fala, provavelmente tentando amenizar o impacto de suas palavras, sem sucesso.

- Quando você tinha doze anos, consegui uma cópia da investigação da polícia sobre nosso pai. Nas consultas com o psiquiatra ele não parava de falar que faltavam só alguns anos para tudo dar certo. Ele só falou quantos anos, especificamente, quando você tinha onze anos. Faltavam sete. Quando li aquilo, faltavam seis.

- E do que infernos ele estava falando? – Percebo que estou com os olhos semicerrados. O sol que entra pela janela me incomoda e me encaminho a ela para fechar as cortinas.

- Não sei. Mas ano passado houve uma espécie de revolta onde ele estava preso, tudo foi fechado, um monte de gente morreu e ele não foi encontrado depois – ele responde. Paro de andar. De todas as coisas que podiam acontecer, justo isso...

- Você sabia disso? – Ele sabe que essa não é a pergunta de verdade.

- Raíssa também sabia.

- E vocês nunca me contaram?!

- Não é esse o ponto! Eu fui para o exército porque sabia que algo podia acontecer e, se eu ficasse nessa cidadezinha minúscula, eu nunca teria preparação para te defender, igual à outra vez.

Respiro fundo e fecho os olhos. Não havia muito que Bran pudesse fazer quando tinha nove anos de idade, mas ele sabia que eu nunca ignoraria o fato de meu pai ser um foragido por aí. Ele é capaz de vir e me matar a qualquer momento, por mais que faça um ano que ele desapareceu. Alguém poderia pelo menos ter me contado. Alguém deveria ter me contado!

Abro os olhos e encaro até a alma de meu irmão com uma fúria fria. Então, lentamente ergo a mão e aponto para a saída do quarto com autoridade.

- Fora daqui.

- Vitália.

- Não me chame de Vitália. Fora daqui antes que eu te bote para fora pela janela. Você vai descer, falar com nossa mãe como se nada tivesse acontecido e agir como meu irmão mais velho absurdamente mala até amanhã, que vai ser quando falaremos sobre isso. Suma da minha frente.

Não tenho vergonha de dizer que falar aquilo foi tão fácil quanto chutar uma pedrinha para fora do caminho. Quando ele saiu, eu já estava pegando uma mala debaixo de minha cama e me planejando para sair dali o mais cedo quanto possível.


Notas Finais


Ok, então, é só isso.
E com "só" eu quero dizer 2500 palavras então não venham me falar que o capítulo tá curto.
Espero que tenham gostado, obrigada por ler e vejo vocês nos comentários!


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