História The Souls- Temporada 3: P A C I E N C E A N D B R A V E R Y - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Undertale
Tags Almas Humanas, Bravura, Ebott, Paciencia, Subsolo, Undertale
Exibições 17
Palavras 3.917
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Estupro, Mutilação, Spoilers, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oiii!! Espero que gostem!
Bjus!

Tenham paciência, tenham bravura... <3

Capítulo 2 - Paciência e Bravura


Fanfic / Fanfiction The Souls- Temporada 3: P A C I E N C E A N D B R A V E R Y - Capítulo 2 - Paciência e Bravura

     

 

 

 

Paciência

       

        A luz do sol que entrava pela janela do meu quarto iluminou meu rosto, me fazendo abrir os olhos lentamente. Sentei-me na cama e olhei desanimadamente para meu quarto. Dei um longo suspiro. Eu estava usando uma camisola branca, com detalhes de flores brancas, que vinha até os meus joelhos. Meus cabelos lisos e sedosos caiam no meu rosto, sem nem mesmo parecerem muito embarassados. Olhei para meu quarto. Impecável. Sem brinquedos, com quadros nas paredes e livros nas estantes. “Oh, eu tenho brinquedos.” Penso. “Só que... eu não brinquei.”

       Meu nome é Gabrielle Pencer VonChant, agora me lembro. Eu tenho 12 anos, e pelo visto sou algum tipo de filha de um dos bancários mais ricos da cidade. Posso parecer mesquinha e mal agradecida ao falar que odeio ser tudo isso que falei, mas... Acredito que a diferenças de ponto de vistas só são causadas graças à ignorância de informações.

       Me levanto, desanimada. Vou ao banheiro, olho meu reflexo no espelho e observo meu rosto atentamente. Minha pele era branca e levemente perolada, com bochechas coradas. Meus olhos eram verde claros e meus cabelos eram bem lisos, que tinham um tom castanho avelã. E nem por um momento eu me achava bonita, pelo simples fato de não ter vontade de lançar nem um sorriso pela manhã.

        Ouvi batidas mansas na porta do meu quarto, e dali saiu Margaret, dando um leve sorriso para mim.

       -Bom dia, Elle- ela dá um sorriso tímido- o café está na mesa. Sua aula de piano ficou para as 14:45 hoje, por que a professora estava de viagem. Outra coisa: seu pai vai estar em reunião hoje, às 20:30, então de noite ele não estará em casa.

        Eu sufoquei um pequeno suspiro de alívio.

        -Certo então... eu já vou descer, só preciso me arrumar primeiro. Obrigada, Maggie.- eu falei, esboçando um sorriso de lado. Ela pareceu um pouco mais feliz, e então fechou a porta.

        Margaret era a nossa empregada. Ela foi minha babá até os meus cinco anos, e professora particular de vez em quando, já que não vou à escola. Mas também minha melhor amiga. Ela era loira, tinha 47 anos, e era muito tímida e frágil. Deveria ser um inferno para ela morar aqui... mas infelizmente, eu ainda sou um peso na conciência dela, então ela continua trabalhando para ele.

         William Pencer é um bancário, como eu disse. Homem de negócios, que investe em ações. Ele é estressado e sério, nunca quer que eu saia de casa, por achar que alguém vai me sequestrar. Sempre que eu tento perguntar sobre isso, ele apenas me manda ficar calada.

           Depois do banho, coloquei meu vestido azulado, feito à mão, meus sapatos pretos e o laço vermelho em meu cabelo. Desci as escadas, sentindo a suave brisa de fim de verão passar pelas janelas. A cozinha era anexada com a sala de estar,  que ficava de frente para a praça da cidade. Me sentei na grande mesa oval e peguei uma maçã da fruteira, dando um longo suspiro. Olhei pela janela e consegui ver a rua, a praça, o parque e o céu. Tudo parecia perfeito aquele dia.

          Fechei meus olhos e apenas senti o gosto ácido adocicado da maçã na boca, pensativa.

           -Elle, nunca vi você comer uma fruta tão lentamente- Margaret riu, trazendo alguns pães para a mesa.

           -Não é uma fruta, Maggie- sorri, mostrando a maçã- é uma pseudofruta. As frutas se originam do ovário da planta, no caso, da flor; e as pseudofrutas, como esta maçã, se originou de outra parte da flor, mas ainda podendo ser comestível.

            -Muito bem, Elle. E de qual parte da flor a maçã se originou? – Maggie me olhou, indagada, com um leve sorriso. Pensei e não consegui me lembrar.

            -Ahhn... de dentro?

            Maggie riu, com um sorriso triunfante.

            -Nove e meio para você em ciências.- ela falou, quase ironizando. – se eu sou sua professora, é melhor ter média 10, certo, mocinha?

            -Certo, Maggie- sorri, dando mais uma mordida na maçã. William não pagava escola para mim: apenas as de piano e etiqueta, e pretende me por em violino no ano que vem. Mas eu estava louca para ir para uma escola... Eu sempre vejo pessoas da minha idade saindo tão felizes de lá... Por quê não estou com elas?

           Suspirei novamente, olhando a rua que estava alegre. Eram os últimos dias do verão, então algumas folhas das árvores já estavam alaranjadas, deixando tudo mais colorido.

          Até que... eu sinto meu olhar ser atraído para algo no centro da praça. Eu paro de mastigar a maçã e sinto que meu coração deu uma batida um pouco mais forte. Meus olhos não conseguiam sair daquele ponto.

         Eu vi... ele.

         Ele tinha cabelos pretos, encaracolados. Sua pele era morena bronzeada, como as cores das folhas secando, e seu sorriso era o mais lindo que eu já tinha visto. Ele usava uma camiseta regata, usava calças folgadas e usava botinas marronzadas, cano alto, que iam até um pouco antes do meio da panturrilha. Ele estava rindo, conversando com alguns amigos, eu acho. Mas a única coisa que tinha cores era ele. O resto se tornou preto e branco.

        “Elle?”

        “Elle??”

        -Elle! – Ouvi Maggie me chamando, e eu rapidamente sai da minha hipnose, sentindo minha respiração ficar um pouco mais preocupada que antes.

         -Oi, Maggie?- perguntei. Ela me olhou com uma cara estranha.

         -Você conseguiu ouvir qualquer coisa que eu disse?

         -...Sim. –falei. –Você... disse meu nome, não é?

        Ela me lançou um olhar desconfiado, e então foi até a janela, e observou quem estava lá fora. Abaixei a cabeça, meio envergonhada.

         -Por favor, me diga que você tem bom gosto e não é aquele ali- ela apontou para um garoto loiro, com cabelo engomado, que estava andando com as mãos nos bolsos.

          -O quê? Não, não, não é ele. – e então me corrigi- q-quer dizer, não é nada. Ninguém. – de repente a maçã pareceu perder o gosto. Maggie observou por mais um tempo e então sorriu.

          -Ahhhh... é aquele moreno ali? – ela me lançou um olhar sugestivo, enquanto via meu rosto corar- até que ele é bonitinho.

           Fiquei em silêncio olhando novamente ele. Desta vez, ele parecia... desviar o olhar. De vez enquando, olhava para mim e então, surpreso, olhava para o outro lado. Maggie percebeu e riu.

           -Parece que ele gostou de você também- e saiu, cantarolando.

           -O quê?- eu ri- não, não, eu não gosto dele. Nem sei o nome dele! Além disso, duvido que William deixaria...- abaixei a cabeça, cabisbaixa. Maggie olhou para mim, ainda sorrindo.

            -Uau, você realmente parece confiante: Já até está pensando em alguma coisa proibida...

            Fiquei em silêncio, apenas ignorando Maggie. “Eu não sinto nada” pensei, balançando a cabeça negativamente “é só... curiosidade. Eu acho”.

           Nesse momento, William desceu as escadas. Ele estava com um roupão todo sujo, cara marrenta e avermelhada, cabelos jogados para trás com gel, mas deixando mechas loiras escaparem lhe dando um ar nojento.

          Maggie, apenas ao ouvir os passos dele, fechou as janelas rapidamente, para que a luz da manhã não entrasse. Quando William estava de ressaca, era violento e não gostava de barulhos altos ou luzes fortes. A pior prte é que ele sempre estava de ressaca.

           Me sentei a mesa novamente e fiquei em silêncio. Ele olhou para a mesa e esbravejou.

          -MAGGIE, MAS QUE MERDA É ESSA? EU TE FALEI PARA NÃO DEIXAR LOUÇA SUJA NA MESA NOVAMENTE!- ele gritou, se aproximando de Maggie, que recuava, coberta de medo. Era um dia comum, como qualquer outro. William meio bêbado, e gritando e machucando tanto a mim quanto  Maggie.

         -M-Mas acabamos de usar essa louça, e...

         William pegou a mesa e a empurrou, me fazendo levar um susto. Maggie deu um gritinho e tapou a boca com as duas mãos. Eu estava tremendo, mas continuei parada. Se eu intervisse, saberia o que ele ia fazer comigo.

         William pegou o pulso de Maggie e torceu para o lado, fazendo ela gritar de dor. Com o grito, ele a jogou para o chão, em cima da comida e dos vidros quebrados da mesa revirada.

        -LIMPE ISSO AI!- ele cuspiu nos cabelos de Maggie, que trêmula, e com lágrimas nos olhos, começou a rapidamente limpar a sujeira. William se virou e estava voltando para o quarto. Agora já chega.

         -Por que você fez isso?- Falei, quase que num sussurro trêmulo, mas que pode ser ouvido claramente graças ao silêncio impregnado na sala. Ele parou e se virou para mim, com seus olhos verdes ardendo em fúria.

         -Você vai me questionar?- ele andou até mim com passos pesados, e seus sapatos fazendo estrondos no assoalho. Maggie, que estava juntando os cacos de vidro e cerâmica olhou para mim espantada. Eu estava com medo... Eu só havia questionado William uma vez, e foi o dia em que eu deixei de chama-lo de pai.

          -Não senhor- sussurrei de cabeça baixa.

          Ele me olhou sério por um tempo. Eu sentia que seu olhar penetrante fosse capaz de me congelar, o que era bem provável.  Então, ele se virou, e foi em direção ao seu quarto, resmungando algo inaudível.

     Maggie, que parecia ter ficado sem respirar até agora, se virou para mim

     -Por que você fez isso? Você sabe como ele não gosta de ser contrariado! Nós duas sabemos muito bem!

     -Eu não aguentei; e se ele não parar com isso? Ficaremos assim para sempre?

     Maggie me abraçou.

     -Tenha paciência, Elle- ela sussurrou no meu ouvido- tudo uma hora vai se ajeitar.

 

                                          ******************************

 

       Bravura

 

       -CLAAASH!!- o barulho da caixa de ferramentas caindo no chão me acordou quase que automaticamente, com um susto.

       -Que porcaria....- meu pai reclamava, juntando as ferramentas e colocando novamente na caixa.- me desculpe, filho.

       -Nah, que nada- sorri, já pulando do beliche de cima- eu já deveria ter acordado mesmo. Que horas são?

       -Umas... seis?- meu pai falou, consultando o relógio de bolso dele. Me espreguicei, meio preguiçoso, e desci o beliche. Olhei para minha irmã, que dormia de boca aberta. Um pouco de saliva saia de sua boca, e ela roncava silenciosamente.

       -Argh, como a Bianca consegue ser tão nojenta?- brinquei, e meu pai me olhou sério.

       -Você ronca mais que ela.

       -O quê? Como assim? Ninguém ronca mais que a Bia!

       -Dá pra ouvir seu ronco do nosso quarto, Leo.- ele sorriu.

       -Bom, eu não ouço. E se eu não ouço meu ronco, eu não acredito nessa afirmação- falei objetivamente.

       -Certo então. Ei, sabe o motor aquele trator quebrado que veio semana passada? Ele ronca menos que você. - Ele saiu do nosso quarto levando a caixa de ferramentas. Balancei a cabeça e olhei atentamente para Bia. Ela era minha irmã gêmea, e expecialista em encher meu saco. Pele bronzeada, morena, cabelos pretos meio ondulados, e leves sardas. Meu deus, ela roncava muito.

         Me aproximei dela e peguei sua bandana, que ela sempre usa no pescoço. Coloquei, sem fazer nem um barulho, em cima do rosto dela. Depois, peguei uns galhos que eu tinha pego ontem do parque, e coloquei em cima. Quatro de cada lado.

        -BIA CUIDADO TEM UMA ARANHA NA SUA CARA!- gritei com tudo no ouvido dela, e ela acordou na hora, gritando e berrando assustada. Assim que viu os galhos no rosto, se virou para mim, com o rosto vermelho de raiva.

        -LEONARDO, EU JURO QUE VOU TE MATAR!- Bia pulou em cima de mim e eu sai correndo, começando o velho gato e rato que sempre acontece de manhã. Sério, ela já deveria ter se acostumado com isso. Sai rindo pela casa, enquanto ela corria furiosa atrás de mim. Ela era bem mais forte que eu (sério, ela era bem forte) mas para minha sorte, eu também era forte, e em compensação, eu era mais rápido que Bia.

        -Ei, querem parar com isso vocês dois?- minha mãe falou, nos parando e puxando nossas orelhas, um de cada lado. “Ai, ai, ai, ai, ai!”, era o que nós dois diziamos em coro, enquanto nos ajoelhávamos lentamente.

         -Ele que começou! Ai!- Bia falou, entre uma expressão de dor e outra.

         -A culpa não é minha se você é medrosa! AI, mãe!!- meio que gritei. Minha mãe suspirou e olhou para meu pai, que estava chegando na cozinha.

          -Olhe só para eles, Nathan- ela deu uma puxadinha a mais nas nossas orelhas, para frente, mostrando para meu pai.- eu não achava que cuidar de gêmeos era assim tão...- mamãe deu mais um puxãozinho nas nossas orelhas, fazendo nós dois darmos um gritinho de dor- ... divertido. – ela sorriu. Meu pai olhou para nós e deu uma risadinha.

         -Eles não tem jeito mesmo, Anna.- ele balançou a cabeça, fingindo decepção, mas parecia se divertir com nosso sofrimento.

         -Poxa, pai! Nós temos 14 anos! Não somos criancinhas! – falei, e depois num sussurro à parte- pera, a Bia é uma bebezona ainda.

          -Cale a boca, Leo!

          -Ei, quietos! – nossa, e eu achando que era impossível ela puxar ainda mais- é melhor fazerem as pazes, ou os dois vão ficar com uma orelha maior que a outra para o resto da vida!

          Eu e Bia trocamos olhares furiosos, mas falamos:

          -Certo!- bufamos.

         -Me desculpe ter zoado com você por que você tem medo de insetos.- falei, relutante. Aaaarrrggghhhhhhh... Que saco! Eu odiava ter que me desculpar para aquela garota chata.

         -Desculpado.- Bia disse. Ei!

         -Você tem que se desculpar também!

         -Pelo quê? Quem fez a brincadeira foi você!

         -Bia, peça desculpas.

         -Mas eu não... AI! Tá bem, tá bem! Desculpa!- Ela nos soltou, e nós caimos de joelhos no assoalho, segurando nossas orelhas, que pareciam quentes e desgastadas. Nosso pai deu uma risada.

         -Era 191X, uma noite de outono- ele começou a contar aquela velha história. Ai meu deus, lá vamos nós. Ele olhava para mamãe e sorria, continuando a contar- As folhas estavam alaranjadas, e eu estava passeando pelas ruas de Chapultepec, no Lago del Bosques... Era outono e estava esfriando. Não era temporada, então tinha pouca gente, e foi na época que ele ainda nem era ponto turístico.

          Nós olhávamos para nosso pai com atenção. Já sabíamos da história completa, e até mesmo a exata fala de nosso pai, mas ele sempre nos prendia na história de como ele conheceu nossa mãe.

          -Era uma pena naquela época... – ele sorriu, olhando para mamãe- mas ao mesmo tempo, agradeço muito à Deus: lá, no meio das folhas laranjas e marrons que voavam, os cabelos pretos e ondulados de sua mãe tremulavam ao vento, e seu vestido laranja escuro, quase vermelho, se misturava à paisagem. Ela estava descalça, e folhas secas enfeitavam seus cabelos, e se derramavam pela sua pele morena e pelo seu vestido. Ela estava deitada debaixo das árvores, e então me viu, e se levantou. Seus olhos verdes amendoados me lembravam as músicas mais bonitas, os melhores gostos e cheiros e sua pele parecia ser mais macia que as nuvens. E então, ao ver ela, peguei sua mão e lhe perguntei...- ele se aproximou ainda mais de minha mãe, que estava sorrindo- você é real, ou é um sonho meu? Por que eu nunca havia visto alguém tão bela assim na realidade...

           Papai pegou a mão da minha mãe e rodou ela, fazendo seu vestido esvoaçante, que agora era cinza, flutuar, e eles se abraçaram. Bia sorriu, e eu revirei os olhos, dando de ombros, mas escondendo que também quis sorrir.

          Nós viemos da cidade de Guatemala, onde meus pais haviam se mudado logo depois do casamento. Antes disso, moravam em Chapultepec. Depois de alguns problemas, nós viemos para a cidade de Ebott, mais ao norte, ainda à umas duas semanas. Meu pai era um lutador de Guatemala, “El Bravo”, e sempre gostou do esporte. Com o tempo, acabou perdendo uma de suas lutas e ficou sem dinheiro para se sustentar e ajudar mamãe, que já estava grávida. Então, ele começou a concertar carros. Tratores, ou qualquer outro tipo de máquina. E fez sucesso entre os ricos que tinham, realmente, carros bonitos. Continua trabalhando com isso. Minha mãe tinha estudado sobre geologia na juventude: Ela tinha vários exemplares de pedras semi-preciosas e sempre quis trabalhar com elas. Hoje, ela é uma geóloga e busca cavernas para achar diversas pedras pelo mundo: Só não conseguiu achar nem uma interessante em Ebott ainda. Eu e Bia aprendemos a falar em inglês na nossa cidade natal, mas ainda tínhamos sotaque. Eu acho que estou melhorando, na verdade. Não que eu não tenha me acostumado a falar Espanhol Mexicano (que eu era bem mais fluente), mas como eu não consigo ficar parado, sembre busco aprender um pouco mais.

         Tomamos café da manhã (tinha bacon, algo novo para mim. Eu simplesmente adorei), e logo fui me arrumar. Meu pai queria me ensinar como concertar um motor que está com o raio quebrado essa tarde, então eu teria a manhã inteira para brincar com Rafael.

         -Onde vocês vão, hein?- papai perguntou, olhando para nós dois que já estávos nos arrumando. Bia colocava sua camiseta branca, calças marrons e botinas, amarrando os cabelos e colocando a bandana viril no pescoço. Eu coloquei minha camisa regata, laranja, calça preta e botinas marrons.

         -A Bia vai ver o Rafael- olhei para ela maliciosamente- Não é mesmo, BIIAAA??

         -Pelo menos eu sei o nome de quem eu gosto, diferente de você que nem tem coragem de ir falar com ela!- Bia olhou para mim com uma expressão traquina, sorrindo vitoriosa.

         -É diferente!- falei, meio nervoso- não tive a chance da falar com ela ainda!

         -Huumm, sei...- Bia disse- e todas aquelas vezes que você a via no parque, onde por acaso é na frente da casa dela, você não teve a oportunidade?

          -Quem é Rafael?- meu pai olhou para minha irmã, com uma cara de interrogação.

          -Um amigo do Leo, pai- ela falou, desviando o olhar dele- Enfim, to indo!- ela correu em direção à porta. Sorri para o papai.

          -Ela já beijou ele semana passada- falei meio sussurrando, e meu pai fez uma cara de surpresa e raiva. Sorri- vejo vocês depois!

          Andei pela rua indo em direção ao parque. Eram umas 8:00, e já tinham crianças passeando pela rua, brincando de bola. Algumas flores douradas brilhavam ao sol. Era claro, com algumas nuvens no céu. Encontrei Rafael e a Bia, mais alguns amigos dele lá no centro do parque: O Luke, a Carol, a Letícia, o Emanuel, a Luísa, e alguns outros que eu ainda não conheço. Sorri.

         -E ai, gente?- Cheguei já dando um soquinho no ombro do Rafa, e começamos a rir. Bia balançou a cabeça e deu um suspiro. As garotas sorriram para mim.

         -Oi, Leo...- Luísa falou, me lançando um olhar sedutor e balançando o cabelo para o lado, sorrindo. Sorri de volta meio nervoso. Eu flertei com ela a umas três semanas e agora ela continuava me seguindo.

          -E ai Leo- Carol deu uma piscadinha para mim, e eu só piquei devolta, e ela suspirou. Reprimi um riso. Realmente, as garotas daqui eram muito oferecidas.

         -Leo, esse aqui é o Kyle- ele apontou para o garoto mais baixo, uns três anos mais novo que eu. Usava um chapéu de cowboy, e segurou ele, acenando com a cabeça para mim.

        -Uou, legal o chapéu- apontei, e ele deu um sorriso meio triste. Estranhei um pouco, e em seguida senti um arrepio me percorrer o corpo.

         -Ei, Leo, ce ta bem? Caiu da cama hoje?- Rafa pegou no meu ombro. Só agora que eu notei que tinha ficado um pouco tonto. Esquisito....

         -Ei, tá me estranhando Rafa? – ri, ele tirou a mão do meu ombro quase altomaticamente enquanto eu zoava da cara dele.

         Bia deu um suspiro e então olhou para o outro lado do parque. Em seguida, me cutucou e apontou, sorrindo.

          -Leo, não quero falar nada, mas... Olha lá- Bia apontou para a casa branca e bege que ficava li na frente. Sentada perto da janela, olhando para mim.

          Lá estava ela.

          Eu havia chegado para Ebott havia um mês e pouco mais. Eu tinha conhecido Rafael, que era nosso vizinho, e ele havia me apresentado para a turma dele. Em pouco tempo, nós já haviamos virado amigos inseparáveis. Conheci seus amigos, flertei com algumas garotas e zoei com alguns vizinhos. Sabe, aquele clássico. Mas um belo dia, enquanto estávamos passeando pela rua, no meio da confusão e do furacão, das crianças correndo e do vento batendo, meus olhos encontraram... a calma. Ela estava usando um vestido verde-água, um laço vermelho no cabelo e sapatos pretos muito bem limpos. Seus cabelos castanho-claros pareciam caramelo a luz do Sol e tudo ao redor dela se tornava mais bonito. A paisagem se paralisou e ficou em preto e branco: Apenas ela caminhava. Apenas ela trazia suas cores frias à minha vista.

         E eu não sei o nome dela.

         E por quê?

         Por que minha bravura, do nada, some perto dela. Todo o meu talento de flertar com uma garota se esvai! É uma agonia!

         E agora ela estava olhando para mim devolta.

         Rafael olhou para minha cara, e depois seguiu meu olhar. Ao ver a garota ali, me lançou um olhar surpreso.

         -Você ainda não falou com ela? Mas você não me disse que tinha chamado ela para conversar?

         -Ahhn...- eu desviei o olhar da garota, mas não conseguindo dizer nada. Reparei que ela continuava olhando para mim.

          -Você vai conseguir falar com ela agora, não é? Ahh, vai dizer que você vai amarelar denovo?

        No outro dia, eu vi ela sentada num banquinho, a poucos metros de mim. Eu ia falar com ela, mas então ela entrou em casa. Quando eu ia bater na porta, desisti.

        -Ih, já amarelou- Bia apontou para a casa. A garota saiu dali, e as janelas se fecharam.

        -Droga... –pensei alto. Eu não conseguia parar de pensar nela. Perce que estávamos ligados, entende? Algo anormal, como se algo muito importante fosse acontecer com a gente.

         -Desista, Leo. Enquanto você continuar um galinha, ela não vai te notar- Rafael riu, me puxando para mais perto do grupo.

         -Não desiste não- Bia se aproximou do meu ouvido- talvez um dia você tenha uma boa surpresa.

        Olhei para trás, então comecei a ouvir os risos e conversas aleatórias do pessoal.

         Em seguida, ouvi gritos e barulho de porcelana quebrando. Quase surdamente, pois as palmas e risos do mundo exterior abafavam, mas ainda sim, eu consegui ouvir. E vinha da casa dela.

        -Leo? Leo o quê...- Rafael falou, enquanto eu corria em direção à casa da garota.

         Me aproximei da janela fechada e ouvi passos. Fortes, como se fossem martelos presos aos pés. A janela de madeira parecia até mesmo tremer. E então, ouvi, num choro quase mudo:

         -Tenha paciência, Elle...- uma mulher falou- tudo vai se ajeitar...

         Então seu nome era Elle... Parei por um tempo. O quê havia acontecido? Tentei espiar pelo buraco da fechadura da janela e vi um mulher, uma empregada, acho eu, abraçando Elle, que estava com um olhar neutro. Ainda assim, era possível ver um brilho triste em seus olhos. Em seguida, consegui ver os cacos e resto de comida pelo chão, e uma mesa virada de lado. Minha nossa, quem teria coragem de fazer aquilo?

          Elle se levantou, se recompôs e começou a, pacientemente, juntar os cacos do chão. Ela não estava explodindo de raiva, ou querendo vingança. Ela só... Eu não sei, mantinha a calma?  Pensei por um tempo. Me perguntei novamente quem seria capaz de fazer algo assim. Eu não sabia ainda, mas seria quem mudaria nossas vidas para sempre.

          A minha, e a de Elle.


Notas Finais


PESADO...
Ei gente, alguém aqui consegue fazer capas pra fanfics? Eu não sei, haha... Alguém pode me ajudar?
Dou créditos :)

Bjus!

Tenham paciência, tenham bravura...


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...