História The sound of silence - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Black Veil Brides (BVB)
Personagens Andrew "Andy" Biersack, Ashley Purdy, Christian "CC" Coma, Jacob "Jake" Pitts, Jeremy "Jinxx" Ferguson, Personagens Originais
Tags Andy Biersack, Black Veil Brides, Bvb
Visualizações 75
Palavras 5.509
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Teremos passagem de tempo nesse capítulo.
Quase três meses depois!

Capítulo 4 - Chance


Fanfic / Fanfiction The sound of silence - Capítulo 4 - Chance

Passaram-se quase três meses, desde a noite em que definitivamente decidi, deixar eles fazerem parte da minha vida, e eu acabei me tornando parte da deles. Não sei se tenho a mesma importância para eles, como os meninos e Sammi, têm para mim. O que eu tenho certeza é que nunca me senti mais completa, mais plena, do que nesse curto período de tempo. É como se eles fossem a parte que faltava em mim. Venho compreendendo melhor a mim mesma, e isso pelo simples convívio com eles. Com eles, eu sinto que não preciso de armadura, nem anular a mim mesma.  

Falta poucas horas para o show de talentos da escola. Não me canso de acompanhar os ensaios, tanto na escola, quanto na garagem, que muito gentilmente Carolyn – Mãe do Jake, cedeu para que eles tivessem mais privacidade, já que na escola os horários eram muitos restritos. Então todos os dias, após a aula, a garagem do Jake virou, meio que um ponto de encontro Principalmente depois que eles começaram a conseguir alguns shows – pequenos, mas ainda assim, já é um grande passo em direção ao estrelato – Chris o pai de Andy, quem cuida dessa parte, para os garotos se preocuparem apenas com os estudos e com a música. E eu como mais nova fã do Black Veil Brides, marco presença em todos os ensaios. Me sinto privilegiada, por poder testemunhar e compartilhar desses momentos com eles.

Falando em Chris, preciso comentar que depois de conhece-lo, entendo o motivo do meu pai, contar todas as histórias de maneira tão empolgada. Os pais do Andy fizeram um almoço, no final de semana seguinte, a descoberta do século – que Chris, grande amigo perdido do Adam, é pai do meu mais novo amigo... Andy.

Mundo pequeno, eu sei.

Enfim… a família deles é demais. Claro que o reencontro, foi marcado por mais histórias, engraçadas, trágicas e outras que eu julguei desnecessárias. Como na vez em que eles estavam tão bêbados, que participaram de uma guerra de estrume – sim, coco! Nada contra, mas ouvir isso, logo depois de almoçar, não foi muito agradável. Acabei não conseguindo comer a mousse de chocolate que Amy – mãe do Andy fez. 

 

Flashback On

A casa da família Biersack, te traz uma sensação de acolhimento. Não apenas pelo clima entre eles, mas pela casa em si também. Típica casa norte americana, dois andares, feita de tijolos. Nada exageradamente luxuoso, você apenas nota como cada cômodo e móvel, foi pensado para proporcionar conforto. As cores terrosas dos móveis, contrastam harmonicamente com as paredes brancas, e as grandes janelas.

Meu pai, foi com Andy e Chris, buscar mais cerveja. Ficamos eu e Amy, em casa.

O dia de temperatura agradável, colaborou para que eu inaugurasse um macacão curto de algodão, que vai até metade das minhas coxas. Só por garantia, coloquei uma regata preta, de alças finas por baixo. Como viemos de carro, coloquei uma sapatilha preta, que quase nunca uso. Cabelos soltos, e óculos, nada... nadinha de maquiagem. Só espero que todo esse sol, não me deixe parecendo um camarão.

Depois de cuidar da louça, do almoço, nós duas viemos para o jardim, à beira da piscina.

- Eu soube do que Scout fez... Eu sempre disse ao Andy que aquele tipo de garota, não é para ele – ela comenta, enquanto me entrega um copo de limonada, e senta-se ao meu lado na borda da piscina, colocando os pés dentro da água.

- Obrigada – agradeço a bebida – Ele deve ter sofrido, com a traição... quero dizer...

- O Andy, é um bom garoto, eu não o eduquei para ser mulherengo. Mas decepções como essa fizeram ele perder, parte do que era antes – Amy fala dele, como houvesse algo a mais, nas entre linhas – Espero que ele não tente se engraçar com você.

Quase me engasgo, com a limonada.

- Comigo?! – devo ter virado um pimentão – Não... Andy nunca olharia para uma garota como eu – porque essas palavras saíram mais penosas, do que deveriam ser?

- Não que isso seja desculpa, mas ele age impulsivamente e esquece que as outras garotas não têm culpa, pelo que Scout fez a ele – observo meus pés, dentro da água, e as ondas que o movimento dos mesmos cria – Já perdi as contas de quantas, garotas que tiveram os corações partidos por ele. Mas você e Sammi são diferentes. São as únicas com quem ele demonstra se importar – ela faz uma pausa – O que estou tentando dizer, é que mesmo conhecendo você a pouco tempo... Andy criou afeição por você. E isso é raro, então tenho certeza de que é uma menina especial.

- Eles todos sãos demais, eu mal cheguei e já me livraram de algumas encrencas – comento sorrindo.

- Andy estava muito irritado, com a Sammi, por ela não ter contado a ele, sobre o que Scout estava tentando fazer – olhando para Amy, vejo muitos traços que se assemelham aos de Andy.

- Não queria ter causado tudo isso – me sinto culpada por Sammi estar suspensa.

- Mas não adianta, quando eles decidem algo... E parece que decidiram cuidar de você. Esses garotos são de ouro – ela ri – tirando todas as bebedeiras, e todas essas loucuras que adolescentes precisam cometer. Eu e Chris, já fomos jovens... sei como é...

Flashback Off

 

Fiquei muito feliz pelo meu pai, é difícil vê-lo se divertir assim, quando está sempre quebrando a cabeça para administrar seu tempo, entre mim e o seu trabalho.  Aquele domingo, foi especial para mim. Não só pela alegria do meu pai, mas por conhecer Amy e Chris. Classificá-los como incríveis, é o mínimo.

Agora... pelo menos uma vez por semana, Adam sai com os pais do Andy.

 

[...]

Na escola, parece que todos já se acostumaram comigo.  É como se nada daquilo tivesse acontecido. Pelo menos em partes. Deixe-me explicar... Para Sammi e os garotos, eu não falo nada, porque não quero mais metê-los em confusão. Mas vez ou outra percebo que Scout, continua me olhando com raiva, e sempre me sinto extremamente desconfortável com isso. Afinal de contas, não fiz nada parra ela. Se a preocupação dela, era que eu de alguma forma, me aproximasse do Andy, com segundas intenções... as chances são nulas.

Primeiro porque nesses meses, eu descobri que o coração do Andy está fechado.

Como eu descobri isso? Simples.

Nesses quase três meses, eu perdi as contas de todas a garotas com quem eu o vi ficar. E quando digo ficar, isso inclui sexo, e tudo que a garota estivesse disposta a dar a ele.  E em nenhuma das vezes, ele pareceu se importar ao ignorar as tentativas da garota de iniciar um relacionamento com ele. Não foram poucas, as que eu o vi colocar para correr, por serem “grudentas demais” – segundo ele. Podemos dizer, que Andy apesar de um ótimo amigo, está longe de ser o tipo de homem por quem eu me interessaria. Me envolver com alguém assim, seria praticamente implorar para ter meu coração partido. Ainda não descobri o que é o amor, e espero que no dia em que descobrir, minha perspectiva do que é um relacionamento, seja diferente da ideia que Andy tem hoje em dia. Para ele, a regra é... não se apegar. Não importa, se a garota é parceira, bonita, ou qualquer coisa do tipo, ele não se apega. De acordo com Jake, o Andy é feliz assim. E talvez a convivência com Ashley, só tenha intensificado mais esse tipo de comportamento.

Mas voltando aos motivos, das chances de acontecer algo entre ele e eu. O motivo, mais importante, é que somos amigos. Eu nunca tive amigos, e não seria agora que eu arriscaria estragar tudo, me apaixonando por alguém, que não hesitaria em partir meu coração. E isso, está fora dos meus planos.

Acabei ganhando o apelido de “chaveirinho”.

Para Ashley e CC, depois que eu cheguei, as coisas para a banda, melhoraram. Chris tem conseguido mais shows. Fiquei meio sem saber como reagir, já que sempre fui apelidada de maneira maldosa, sempre apelidos que tinham por objetivo me depreciar. Chaveirinho é o primeiro apelido carinhoso que recebo. E o sentimento por trás dele, só me faz amá-lo mais.

 Carolyn, adora ficar trançando meus cabelos quando vamos ensaiar na casa deles. Como toda mãe coruja, ela faz parte do fã clube, acompanhando todos os ensaios possíveis na casa deles, e ajudando a banda na confecção das roupas para as apresentações.  Amy conseguiu, negociar uma van com um conhecido dela, para que os meninos possam se locomover com todos os equipamentos. Antes eles sempre iam divididos, como os equipamentos... um pouco em cada carro. No dia em que Chris apareceu com a van – uma Savana GMC preta, ano 2011 – na casa dos Pitts, a festa foi geral. Carolyn, que sabia da surpresa, e dividiu os custos com os Biersack, fez questão de filmar tudo.

Em momentos assim, eu meio que invejo os meninos.

Tanto Amy, quanto Carolyn, são mães incríveis.

Mas por sorte, ou apenas obra do destino, eu as encontrei e nelas eu encontrei o laço maternal que me faltava. Sempre carinhosas, e preocupadas com o bem estar de todos, nem mesmo que eu quisesse, poderia escapar desse laço de amor, que estamos construindo dia a após dia.

Chris conseguiu uma apresentação para eles, em uma de um amigo, lá em Seattle.

Mas... por que tão longe?

Parece que nesse tal bar, a preferência é para bandas independentes. E no dia marcado para os meninos se apresentarem, o amigo de Chris -  se não me engano o nome dele é Philip. Como a viagem, até lá leva pouco mais de um dia de estrada. Carolyn se ofereceu para ajudar nos custos das passagens de avião. Mas os garotos acharam que seria mais divertido, colocar a van na estrada.  E assim, aproveitar a semana de folga que teremos da escola, após o show de talentos.

Eles estão tentando me convencer a acompanha-los nessa.

Nada contra, mas voltar para Seattle, não estava nos meus planos.

Não queria correr o risco de... ter de encontrar nenhum daqueles com quem fui obrigada a estudar no último ano.

Mas estou tentada a aceitar, depois que meu pai, se uniu a eles, na insistente e irritante tarefa, de me convencer a colocar o pé na estrada.  Adam conseguiu soar bem convincente em sua chantagem, de que caso eu não fosse, ele esconderia a chave no sótão, para evitar que eu passe uma semana toda, trancada lá.  Isso me deixa sem muita opção. Parece que a minha vida está tomando um rumo, cada vez mais diferente daquele que planejei, e devo admitir... gosto de como tudo está acontecendo. Parece que o ano, que começou tendo tudo para ser sem graça e solitário, será o melhor de todos.

Como eles querem curtir um pouco por lá, e o show será no sábado. Sairemos de Cincinnati amanhã no final da tarde, e voltamos no domingo da semana que vem. Quase uma semana em Seattle.  O que significa que ficarei uma semana sem meu violão, pelo menos posso levar meu caderno de desenhos. Quase não dormi essa noite, de ansiedade pela apresentação deles, na escola. É como se com as suas músicas, o Black Veil Brides, dissesse ao resto do mundo, que não importa a violência com que você seja jogado no chão... você sempre será capaz de se reerguer. Basta acreditar em si mesmo. É um tapa na cara, daqueles que acreditam serem donos do mundo.

Ontem (quinta-feira) no final da tarde, eu fui ajudar Sammi, a terminar de organizar sua exposição de fotos. Ou pelo menos, a parte dela que eu pude ver. Não entendi muito bem, o porquê do mistério, mas algumas fotos nem mesmo Jinxx pode ver. Mas algo me diz que ela aprontou alguma. Já eu pintei um quadro, onde usei os olhos de Sammi como modelo. Em torno dele, usei tons de azul, roxo, e rosa. Seguindo um degrade, do escuro para o claro. O quadro passa a impressão de que que os olhos de Sammi, são o centro de uma supernova.

Acho que esqueci de mencionar, que agora Andy me dá carona para ir e voltar da escola, o que eu agradeço imensamente, pelos minutos a mais que tenho de sono, e pelas conversas divertidas que temos.

 

[...]

- Vejam só...  – imaginei que meu pai fosse fazer alguma graça por ter atendido ao pedido de Sammi, e me arrumar um pouco. Se você visse a carinha que ela fez, quando eu saí do banheiro vestida normalmente, também mudaria de ideia. Não me custa nada agradar ela um pouco, e também, não é nada tão absurdo – Sammi, meus parabéns... em 17 anos, eu não consegui essa façanha! – tudo bem que um pouco de maquiagem, uma camiseta do BVB customizada, estilo regata... que Carolyn confeccionou exclusivamente para nós, e short mini saia de sarja preta, e coturnos, não são nada demais. Mas eu NUNCA, uso saia. Acho minhas pernas brancas e magras demais. Sammi ondulou meu cabelo, e fez uma maquiagem leve, valorizando meus olhos. Mas não abri mão dos meus óculos. Usar lente, seria demais por hoje. 

- A Ray é linda, só falta ela mesma aceitar isso... – Sammi já se sente à vontade aqui em casa. Não é a primeira vez que dividimos o quarto, e timidez não é algo que combine com ela. Por isso vai logo se servindo de suco e preparando o próprio sanduíche – Tio Adam... – sim ela chama meu pai, os pais do Andy e Carolyn, de tios – Depois que sairmos da escola, nós vamos ajudar os meninos a organizarem tudo para a viagem.

Adam estava trabalhando com seu notebook, na bancada da cozinha. Parece animado demais, em ficar longe de mim.

- Você vai adorar isso Ray... boa música, amigos... estrada – Adam parece mais empolgado que nós duas – Falando nisso, já arrumou suas malas?

- Malas?!   Não preciso de tanta coisa assim – comento servindo meu cappuccino.

- Eu estava falando com o Chris, sobre vocês ficarem na casa do Philip. Qualquer problema, não hesitem em me ligar. Precisando de qualquer coisa – agora sim, agindo como um pai preocupado – O filho dele, Matt que vai andar com vocês para cima e para baixo, então dona Ravena... CUIDADO.

- Relaxa tio, ela tem bons cães de guarda – Sammi, bate nos ombros do meu pai, como se ele fosse um colega nosso. Meu pai, disse que ela, lembra Sarah quando jovem, porém uma versão melhorada – E eu vou estar lá!

- Isso me tranquiliza muito! – meu pai sendo irônico. Só porque ele não sabe, como Sammi pode ser assustadora quando irritada.

- Eu acho que devemos ir logo, quanto antes chegarmos... melhor – eu apresso Sammi que parece ter esquecido de que teremos de ir andando. Já que hoje, os meninos estão em função da apresentação, então nada de carona.

 

[...]

Adam acabou nos dando carona.

Quando chegamos, logo notei que alguns alunos nos olhavam. Possivelmente estranhando a forma como nós duas estávamos vestidas. Sammi com a mesma camiseta, porém com um short jeans e meia arrastão, a bota de couro deus alguns centímetros a ela. E os cabelos bicolores, ganharam uma pequena cartola.

Eu já disse que a Sammi, lembra uma boneca? Pois é, quase que um Lolita.

A escola, está bem agitada. Todos os alunos estão muito empolgados.

Como meu quadro está exposto junto aos outros, não há necessidade de me preocupar em permanecer lá. Já no caso e Sammi, ela foi procurar a professora Sam, para organizar as tais fotos misteriosas, que manteve em segredo. Como os meninos estão ocupados, só me restou percorrer a escola sozinha. Em algumas salas, temos projetos de ciências, em outras exposições de quadros, vídeos, fotos, e até mesmo esculturas e pequenos teatros. Lá no auditório, serão apresentados apenas os números de dança e música. Como está tudo organizado por ordem de turmas, os meninos são o sexto grupo a se apresentar, depois da dança de Scout e suas amigas.

Acabei sentando, no refeitório depois de andar um bocado, olhando tudo. Nunca pensei que seria tão interessante. Porém cansativo.

- Viu, eu disse que era ela – um grupo de meninas passa pela mesa onde estou sentada sozinha, e mesmo maneirando no tom de voz, consigo perceber que falam de mim. Principalmente por olharem para trás pouco antes de deixarem o local.

Só então percebo que mais algumas pessoas me olham.

Desconfiada e desconfortável, saio dali. E vou para o auditório, Sammi que me encontre lá.

 

[...]

O que eu poderia dizer sobre a apresentação da Scout?

Não sei, na verdade ainda estou tentando digerir.

Com toda certeza colocou muita stripper no chinelo. E digo, não da maneira mais positiva. Só faltou ela esfregar a calcinha na cara dos meninos que estavam sentados na primeira fila. Pude notar certo incomodo no semblante de Andy, e Scout tirou proveito de cada segundo em que teve os olhos dele, sob ela.

Quando eles subiram para o palco, eu achei que estivesse vendo coisas. Mas não... Scout falou alguma coisa ao ouvido dele, quando passou do seu lado. O sorriso cínico dela, pareceu me acertar em cheio. Pois no meio de todos aqueles alunos, ela pousou seus olhos unicamente em mim. Sammi não reparou, pois estava tirando foto de Jinxx que mandava beijos para ela. O visual deles no palco, é um show à parte. Roupas de couro, pinturas pelos corpos, maquiagem, e cabelos desalinhados. Se eu não os conhecesse, estaria na frente daquele palco, como todas as outras garotas, gritando e cantando loucamente.

- Nós somos o Black Veil Brides, e vamos tocar uma música nova... – Andy fala ao microfone, enquanto os outros tomam seus lugares. Percebo que ele e Scout trocam olhares, já que ela fez questão de ficar diante dele, na plateia. Aposto que de onde ele está, consegue ver os seios dela, saltando para fora daquele uniforme de líder de torcida.

- Ainda não acredito que ela tem esses uniformes – Sammi, fala enquanto tira mais fotos, deles – Ela usou no ano passado.

Não falo nada. Não há nada para falar, não vendo que Scout está conseguindo dobrar Andy, com sua conversa fiada. Eles começam a tocar, e o auditório é tomado pela energia deles no palco. Mas eu... eu apenas observo.

E quando Scout, lança um sorriso malicioso para Andy. Eu sinto meu estomago embrulhar. Se depois de tudo que ele me contou, ter passado por causa dela, Andy ainda consegue nutrir sentimentos por ela, eu definitivamente estava enganada quanto a ele. Porque amar uma pessoa, não pode fazer de você tão burro, a ponto de não ver o grande erro que está prestes a cometer.

 

[...]

Só confirmando minhas suspeitas. Logo após terminarem a apresentação, os meninos vieram nos encontrar. Menos Andy, que por coincidência desapareceu, logo depois que Scout saiu do auditório. Se ele quer ser feito de bobo, não serei eu quem vai tentar abrir os olhos dele.

- Quando eu vi, quase não acreditei – Ash todo animado, chega já passando o braço em meus ombros – Ray, você está muito gostos... – Jake lhe acerta um tapa na nuca, e vem ao meu lado. Enquanto caminhamos para a sala onde está a exposição de Sammi – Linda, você está linda.

Devo ter atingido um grau critico no meu índice de constrangimento. Afinal CC e Jinxx riam sem para ao do meu possível tom rubro.

- Vai com calma ai, garotão... ela ainda é nossa amiga – Sammi, chama a atenção de Ash. Jinxx e ela, passam a caminhar um pouco a frente.

- Mas falando sério Ray... até o Andy e o Jake ficaram babando – CC poderia ter deixado esse assunto morrer.

- Cala a boca, cara... não vê que está sendo chato – ainda bem que de todos, Jake é o que melhor parece me compreender.

Ao nos aproximar, da sala. Percebo novamente que muitos olhares, e até alguns comentários, são destinados a mim. Por que estou com a impressão de que Sammi, aprontou das suas.

Coloquei meus pés, dentro daquela sala. E isso bastou para que eu compreendesse o motivo, de toda a atenção.

Algumas das fotos secretas, são minhas.

Não minhas exatamente... mas é a minha imagem nelas.

Não sei como ela fez isso... tem uma foto em que estou rindo de algo, pelo cenário em torno, acredito que foi no dia em que CC contava alguma história constrangedora de Ashley. Outra foto, em que estou dormindo, na minha cama... E a última, é do primeiro ensaio na casa do Jake, em que eu participei. Eu estava sentada em um canto, observando encantada eles... Eu nunca imaginei que meus olhos pudessem brilhar dessa maneira. Eu parecia feliz, em todas elas. Mesmo na em que estou dormindo, eu tinha um singelo sorriso no rosto. Nas demais fotos, tem algumas dos meninos, e algumas onde ela retratou a si mesma.

- Nessas fotos – Sammi se coloca no meio da sala, e inicia uma breve apresentação – eu quis expor as partes mais importantes, da relação entre amigos. E essa – ela aponta para aquela, onde estou no ensaio – é minha preferida. Porque aqui, foi a primeira vez em que vi a Ray, de verdade. Sem timidez. Sem medo. Aqui, nós vemos tanta admiração no olhar dela – todos olham para mim, e mesmo assim eu não me sinto mal – E é isso que envolve uma amizade verdadeira. Admirar cada pequeno passo que é dado para construir algo maior, saber que não se está sozinho... e que mesmo com diferenças gritantes... Isso não impediu que a Ray, nos desce uma chance.

Se ela pretendia, me deixar sem palavras... conseguiu.

- Essa foi a maneira que eu encontrei de agradecer a você Ray, por ter nos aceito na sua vida... – eu não poderia desejar nada mais do que isso. Sinto meus olhos lacrimejarem.

- Abraço de grupo! – Ash grita e nós seis nos abraçamos. Na verdade eu e Sammi somos engolidas pelos braços deles.

 

 

[...]

Na casa de Jake, estávamos terminando de organizar os instrumentos na van, quando Andy estacionou o carro, em frente. Depois da apresentação deles, eu não o vi mais. E a julgar pelo estado dos cabelos, maquiagem borrada, e lábios rosados, não preciso ser uma especialista para saber com quem, ou o que ele estava fazendo.

- Acabei perdendo a hora pessoal – ele já chega acendendo um cigarro. Olha para mim, mas não sei ao certo o motivo, não me senti à vontade na presença dele.

- Já acabamos por aqui – Jake fecha as portas traseiras da van – Acho que já podem ir, amanhã vamos nos encontrar aqui, ou eu passo na casa de cada um?

- Acho que é melhor nos encontrarmos todos aqui – Andy se encosta na van.

- Por mim tudo bem. Mas agora vamos... preciso de um banho – Jinxx que abraçava Sammi, a puxa para o carro, dele estacionado em frente ao de Andy – Tchau para quem fica, e nada de atrasos amanhã – todos nos despedimos deles. Sammi fez questão de me abraçar, antes de ir.

- Eu vou dormir por aqui, hoje... já trouxe minhas coisas – CC senta ao lado da van.

- Eu vou indo, combinei de sair com uma menina do segundo ano – Ash vai até a moto – Poderia ser você Ray... mas você não se importa com o meu frágil coração – ele bancando o dramático.

- Pois é, não rola – comento, já me despedindo de Jake e CC – Também, vou indo... tenho que arrumar minhas coisas.

- Vamos... então – Andy dá tchau para os meninos, e caminha ao meu lado.

Quando já estamos na calçada, eu percebo que o clima estranho entre nós, continua.

- Andy, na verdade eu vou sozinha hoje – falo, já andando na direção oposta ao seu carro – Até amanhã.

- Sozinha? Mas eu estou indo para casa – ele vem até mim, e eu consigo sentir o perfume de Scout nele.

- Eu não vou direto para casa, por isso – o respondo, sem olhá-lo – Obrigada, mas hoje eu dispenso a carona.

Não espero, por uma resposta, ou atitude dele. Apenas continuo minha caminhada.

Chego, ao parque ali perto, em poucos minutos e procuro um banco para sentar. Devemos ter levado um certo tempo para organizar tudo, tendo em vista que já se passam das 17:00 da tarde.

- O que faz sozinha por aqui, ruivinha? – de todas as pessoas, que eu poderia encontrar. Jason, parece ter adivinhado mais uma vez, como me encontrar. Depois que os meninos intimaram ele a permanecer longe de mim, pelo menos na escola ele nunca mais se aproximou. Já fora delas, algumas vezes acabei encontrando-o ao acaso. Mas ele me parece menos babaca do que naquele dia em que tentou me beijar a força. Até pediu desculpas, então preferi deixar aquele episódio no passado. Claro que os meninos não sabem que ele voltou a tentar se aproximar, não gosto nem de imaginar o que eles fariam.

- Pois é... e você o que faz aqui? – ele senta ao meu lado no banco, está vestido de maneira normal, sem a típica jaqueta do time.

- Eu moro por aqui, te vi caminhando sozinha e resolvi dar um oi, já que quando seus amigos estão por perto, mal posso olhar para você. Eu vi as fotos... você estava linda – olho para o outro lado do parque, e podia jurar que era o Impala do Andy, estacionado.

- Se é para falar disso que veio, não me leva a mal... mas não estou muito a fim – a conversa com ele sempre acaba tendo um duplo sentido.

- Tranquilo, ruivinha... – ele toca meu ombro, e olho para ele.

Mas não é isso que me chama atenção, e faz meu sangue gelar.

E sim, Andy parado pouco atrás de nós, com a pior cara possível.

- Droga – resmungo, me levantando e Jason repete o movimento. Mas ao ver que eu estava indo falar com Andy, ele pega minha mão. Tento o recriminar pela atitude.

Mas não rápido o suficiente.

Quando dou por mim, Andy já havia me puxado para longe de Jason, e lhe acertado um soco. Que fez o loiro, cambalear para trás.

- Andy! – eu tento me colocar em meio ao dois, mas tanto Andy... quanto Jason, dificultam qualquer ato meu, ao trocarem socos – Parem com isso! Vão acabar chamando a polícia! – eu puxo a camiseta de Jason – Parem!

- Nós avisamos para ficar longe dela! – Andy parece ter esquecido que não pode envolver-se em confusão, pelo menos não com Jason.

- Ele não fez nada demais! Para – começo a dar tapas na costa de Andy, tentando faze-lo parar – Nós estávamos apenas conversando!

Finalmente ele para, depois de acertar mais um soco em Jason. Vou até o loiro que cai sentado.

- Não precisava disso! – seguro o rosto de Jason, entre minhas mãos, sentindo-me aliviada ao ver que apenas uns cortes, resultaram do ataque de fúria do Biersack – O que deu em você? – olho para Andy, que nos observa ainda sério.

- Eu estou legal ruivinha – Jason segura minhas mãos – Acho melhor você ir embora.

- É melhor mesmo! – me surpreendo quando Andy, se aproxima e me pega pelo braço – Vou te levar para casa!

- Mas o Jason... ele... – Andy me puxa para o carro, rapidamente. Realmente era o Impala que eu havia visto do outro lado do parque – Andy! E solta!

- Não até, entrarmos no carro e você me explicar o que estava fazendo com aquele imbecil – ele nem olha para mim – Foi por isso que não quis carona? Já tinha um encontro com ele?

Jamais esperaria uma atitude assim dele.

Fico sem saber o que responder.

Afinal, falar do incomodo que sinto ao ver... o poder que Scout tem sobre ele, pode não ser a melhor resposta.

Ele abre a porta do carro, e me obriga a sentar. Bate a porta com violência, e dá a volta no carro, sentando-se no banco do motorista.

- E então? A quanto tempo está escondendo de nós isso? – ele dá a partida no carro, e eu mal suporto olhar para ele – Por isso, está diferente... Por isso quis ficar mais bonita hoje? Para ele?

- Mas que tipos de perguntas são essas? – pergunto irritada. Agora olhando para ele, indignada com as insinuações. Andy por sua vez, mantém os olhos no trajeto, que percorremos – Está insinuando alguma coisa? Porque se estiver....

- Não estou insinuando nada. Estou apenas perguntando o que fazia com ele, lá... Não quis carona, e vocês pareciam bem à vontade conversando – ele aperta o volante, até seus dedos perderem a cor – Achei que você fosse mais esperta. O Jason?! Sério?! – praticamente cospe as últimas palavras.

- Como eu disse antes nós estávamos apenas conversando. Se ele não faltar com respeito, não vejo problemas em trata-lo com educação – meu comentário, só parece irritá-lo mais – Qual o problema nisso? Não é porque vocês de detestam, que eu sou obrigada a aturar essa sua violência gratuita contra ele. Você agiu como o babaca... praticamente como sempre descreveu o Jason para mim.

- Agora eu sou o babaca da história? – ainda bem que estamos chegando, já posso ver a rua da minha casa – Eu sou o babaca?! Ei... Ray... Responde! – por que ele está gritando comigo? Como se eu tivesse cometido um erro imperdoável.

- Agredir uma pessoa, por nada... é legal por acaso? Idiota, é isso que você me parece agora. Brigando por algo bobo, que nem envolve você... – ainda bem que ele estaciona o carro em frente à minha casa – Eu jamais me envolveria com Jason

- Ray... – ele segura meu braço novamente – Espera... – pelo menos seu tom está mais ameno.

- Não Andy... você além de ter agido como um troglodita, foi grosso comigo – puxo meu braço, e abro porta do carro – Melhor você ir. Até amanhã.

Subo as escadas de casa, e procuro a chave no bolso. Pelas luzes apagadas, Adam deve estar no trabalho.

- Ray, me desculpa – não acredito que ele desceu do carro.

- Sério que vai querer continuar com isso? – estava prestes a abrir a porta, quando sinto o peito de Andy, roçar nas minhas costas.

A respiração dele, próxima do meu ouvido, causa um verdadeiro turbilhão de emoções. Quase sinto minhas pernas fraquejarem quando os dedos longos dele, pegam minha mão.

- Ray...  – a voz rouca dele, invade minha alma.

Me viro, e o encaro.

Andy está tão próximo que posso sentir sua respiração contra meu rosto. Os olhos azuis, parecem ainda mais encantadores, do que em todas as outras vezes que os vi. Como se quisessem me dizer algo, como se gritassem por algo.

Não me lembro de sentir meu coração bater tão rapidamente.

- Ray, me desculpa... eu só... – por que me sinto tão nervosa?

A mão dele, solta da minha e ambas suas mãos seguram minha cintura. Um breve contato na minha pele exposta, pelo tecido da camiseta estar fora do lugar, já foi suficiente para que eu perdesse qualquer linha de raciocínio. Mordo meu lábio inferior, sinal mais do que explicito, do meu nervosismo e insegurança.

- Você não devia fazer isso... – quando pensei em perguntar do que ele estava falando. Já era tarde – Que se foda...

Andy uniu seus lábios aos meus.

Meu primeiro beijo.

Seus lábios roçaram no meu, e fechei meus olhos.

Não movi meus braços, nem mãos... nada que pudesse exigir do meu corpo, mais do que eu pudesse suportar.  Minhas pernas prestes a me traírem, parecem ter transmitido a ele alguma mensagem subliminar. Pois as mãos dele, apertaram minha cintura com mais força, e muito lentamente, senti meus lábios deram chance para ele tomar minha boca, com sua língua. Sem saber como realmente agir, apenas segui o que eu acreditava ser o ritmo imposto por ele.

Meu coração, parece estar fora de controle.

Como ele ousa, brincar dessa maneira comigo...

Por uma implicância dele e de Jason.

É isso que eu me tornei?

Um troféu? Um prêmio de consolação?!

Apoiei minhas mãos em seu peito, e meio relutante, ele eixou a distância entre nós aumentar.

Afastei ele, com certa dificuldade.

Magoada.

Assim, que estou me sentindo.

- Nunca... – sinto um nó se formar dentro de mim – Nunca mais encosta em mim.

- Ray, eu... – ele tenta se aproximar. Mas só consigo lembrar que mais cedo ele deve ter estado com Scout. Me lembro dos olhares dela para ele, e de todas as horas que ele passou sumido. Quase posso imaginar o que pode ter feito.

- Nunca mais, toca em mim! Você agiu ainda pior do que o Jason!  - o empurro mais uma vez, mas dessa vez... apenas para descontar minha frustação – Mas se enganou, se acha que eu sou como ela.

Entro em casa, e tranco a porta.

Subo diretamente para o sótão.

Ouço algumas vezes a campainha.

Desligo meu celular, quando começa a tocar e vejo que se trata do Andy.

- Se você acha que pode me confundir dessa maneira... você está muito enganado Andrew. Eu não faço parte desse jogo de vocês! 

Me fecho no meu cantinho e vou direto para o amontoado de almofadas. Pego meu violão e começo a despejar tudo que estava me sufocando. 


Notas Finais


No próximo, capítulo o segredo de Ray vai estar em risco. E a viagem a Seattle promete gerar frutos. Tanto para ela, quanto para a banda.
Vamos ter um capítulo agitado. Para compensar estes que estão meio parados.


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