História The Starving - Capítulo 6


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Categorias Originais
Tags Ação, Drama, Ficção, Lesbicas, Mistério, Romance, Yuri
Exibições 58
Palavras 2.364
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Musical (Songfic), Policial, Shoujo (Romântico), Survival, Violência, Yuri
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Starving


Scarlett: Não sei direito o que aconteceu depois que voltamos da viagem. Trocamos algumas mensagens mas nunca é como se estivéssemos cara-a-cara. Allison concordou com a festa do pai mesmo ficando o tempo toda na defensiva. No fim das contas foi uma boa viagem. Para todas.

Naquele dia mais cedo:

― Allison, vai dar tudo certo. Não se preocupe ― Maggie dizia a abraçando bem em frente nossa casa.

― Valeu, pequena! Eu sei que vai. Obrigada pela companhia. Você é uma pré-adolescente demais!

Então ela foi. Mamãe chegou naquela manhã e sim, não teve jeito, matamos aula. De qualquer forma não tinha como ir. A escola não ligou porque além de ser rápido, no dia antes de tudo tratei de tossir e espirrar algumas vezes. Deu certo. Mamãe também não desconfiou de nada e achou que a babá veio (a qual eu achava totalmente desnecessária, Maggie já é grande e responsável). Foi um bom plano.

 

oi

oi linda

:) como vc ta? sddinha

saudade também, tô melhor e vc?

não; como vc ta de verdade?

tô bem, bebê. de verdade :)

que bom! ;)

quero ir te ver, posso? vc ta livre?

pode vir, tô livre sim.

 

É por volta do meio dia. É um dia ensolarado.  As paredes do meu quarto têm alguns quadros brancos e minha TV plasma parece triste desligada. O quarto parece bonito. As paredes em tom quase rosa estão claras. Gosto daqui, é um bom cantinho. Tem muito de mim nele. Dou um sorriso grátis para as paredes e vou avisar a dona Elly que a nora amada dela está a caminho.

Ao invés de chegar de carro como eu pensava, Allison veio de bicicleta. Pasmem. É uma daquelas de maratonistas, cinza e calibrada. Ela tira as luvas pretas e o capacete, usa uma blusa média cor vinho opaco e um jeans que vai até as canelas, rasgado de um lado do joelho. O cabelo que é preto está brilhando no sol e ela espera sorridente depois de apertar a campainha. Tem um sorriso convencido, que transparece mais ainda quando minha mãe aparece na porta.

Leva uns 5 minutos para ela aparecer acompanhada da minha mãe mostrando os dentes e me dando um beijo. A mulher atrás falta bater as palmas e dar pulinhos. Rio disso. Ela avisa que quando quisermos podemos descer para o almoço e então sai.

O perfume dela é maravilhoso e me afundo mais na blusa com furinhos. Ela agarra minha cintura que está descoberta e aquele antigo calor volta a passear pelo meu corpo todo. Então sobe um pouco mais as mãos e todos meus pelos abdominais arrepiam. Não nos olhamos ainda, só sentimos o calor dos corpos. Isso que são amassos. Literalmente.

― Então... quer conversar? ― pergunta lançando um olhar sugestivo. Meu deus, Allison!

 

 

Allison: Eu amo ir pra aquela casa. Parece que o universo recompensou os vascilos do meu pai com a família da Scarlett. Maggie estava no sofá mexendo no tablet e veio pra mim quase correndo. Levantei ela nos braços enquanto Elly perguntava se eu já almocei. E ainda tem a loira que eu mais gosto. Dou um beijo demorado e inicio outro com uma pontinha da língua só de proposito. Certo que foi hoje de manhã que voltamos: mesmo assim. Só a ajuda que ela me deu durante esses dias, foi incrível. Além de... namoradinha ela é como uma amiga. Se vamos ter um relacionamento é bom que tenha amizade. Algo que eu não curto muito de flerte-hétero é que, às vezes, o cara nem tem nada a ver com a menina. Às vezes ele nem é amigo dela, mas, porque são heteros: se atraem e namoram. Anos depois se separaram porque a ficha cai.  Mas com ela é diferente. Nos entendemos e estamos antes de tudo tentando ser amigas. Se encontrar uma na outra. Sim, eu falei de hétero não dar match e namorar. Mas nem sempre são apenas heteros: aconteceu comigo. Tentei com a menina e tudo, nunca fui uma babaca nem nada do tipo, mas mesmo assim terminamos.

Decidimos almoçar logo e fizemos a sós porque Elly já tinha comido. Deitamos na cama, ela por cima de mim. A cama afunda e alguns travesseiros apoiam nossos braços. Ela me deu um fone de ouvido e ficou com o outro. Era um álbum da P!nk. A música era bem calma e falava sobre não desistir porque algo parece que vai dar errado. Tentar, tentar e tentar. Esse era o nome dela.

― Vocês recebem algum dinheiro do seu pai? ― A pergunto.

― Tipo pensão? Não. Se alguém fosse receber pensão aqui acho que seria ele.

Rio pelo nariz.

― Ele vem aqui em feriados ou coisas do tipo?

― Não. Por quê? Você acha que é certo?

― Não! Quer dizer, o que sua mãe julgar certo, é o certo pra mim. Ela sabe o que passou ― a menina concorda.

― E você? O que tá achando disso tudo de festa com convidados, negócios, etc.?

Suspiro.

― Honestamente, sei lá. Nunca vi isso acontecer antes.

― Sério?! Uh... ― toca o lábio inferior.

― Uhum. Não faço ideia de como vai ser.

― Não é estranho?! Seu pai todo frio, de repente convidando gente pra casa de vocês.

― Nem fala. Não digeri completamente até agora.

― Quem você vai convidar? ― Ela pergunta esticando o pescoço.  

― Meus amigos, você e só.

― Sabia que eu não faço ideia de como são seus amigos? ― Ri disso.

― Vou apresentar eles pra você. São legais ― digo calma analisando uma fotografia na parede. Ela sorri serena.

― E você, ― brinco com seu braço enquanto falo ― não vai trazer alguém?

― Pra sua festa?

― Todo mundo tem direito a trazer amigos.

― Talvez eu chame a Clair.

― Clair?! A morena de cabelo castanho escuro?

― Você conhece ela? ― me olha.

― Ela é do jornal da escola, né?

― É.

― Sei quem é. Mas não conheço bem.

― Então só eu não conheço nada dos seus amigos ― a cabeça dela está no lado direito do meu pescoço. A encaro por alguns segundos.

― Você confia na Clair?

― Ela é minha melhor amiga ― responde segura.

― Tem outros que você confia? ― Ela fica alguns instantes em silêncio.

― Na escola, são bem poucos.

― Por quê? A galera é idiota e tudo, mas, porque você se esconde? ― Por algum motivo ela ri.

― Acho que você é a única pessoa que notou que eu na verdade não tava por perto.  

Lanço-lhe meu olhar intrigado.

― Ninguém me enxerga porque eu não enxergava ninguém. Eu não queria conhecer nenhum deles, porque sabia que não tinha nada a me oferecer. Não queria ser popular ou notada. Só ter a Clair, alguns outros colegas engraçados e amizade com os professores. Até enxergar você e você me enxergar.

― E agora, ― estou bastante interessada ― você mudou?

― Não. Continuo a mesma. A diferença é que a gente se deu bem.

― Você já se decepcionou com algum relacionamento, não já? ― Pergunto sem esperar muito.

― Sim. Relacionamentos no geral. A conclusão que eu cheguei é que pra quê eu ia me relacionar com alguém que pensa tão pequeno que não consegue entender Clube da Luta e ainda dizer que é uma droga? ― Achei meio genial a ironia e ri.

― É sério. As mentes são superficiais, só isso ― faz uma pausa encarando o sol apagado do teto ― eu fico muito tempo pensando em coisas profundas. Sou meio louca, é isso.

Faço um caminho no seu rosto após isso. Só estou confirmando o que eu percebi há alguns dias. Ela é o meu número e estou ciente disso.

― Que tipo de coisas? ― minhas pernas estão entre as suas.

― A definição de amor. Tipo, você lê um livro. Porque um se apaixonou pelo outro? No final das contas, por nada. Eles ou elas se apaixonaram porque um é superbom e o outro é diferente disso, os dois são atraentes e eles querem ficar juntos. Não parece superficial? Por exemplo, os dois vão ficar velhos e não-atraentes, com o tempo irão ter problemas e não vão querer necessariamente estar perto um do outro, e tirando o que fez eles ficarem juntos, o que sobra? Será que essas diferenças são positivas ou negativas? Se um quiser ter uma casa grande com porão, sótão e odiar cachorros enquanto o outro adorar animais e querer uma casinha cheia de flores? Eles vão saber lidar com isso? Ou vão perceber que são tão diferentes um do outro que precisam se separar e ir procurar de novo? ― Me surpreendo muito. Porque é como se alguém tivesse pegado os pedaços do que penso e tirado a essência.

― E vão se separar achando que aquela pessoa não era a certa, mas que certamente há de haver sua alma-gêmea por aí fora. Então, se contentam.

― Isso! ― Expira ― Por isso que todo mundo termina hoje. Eles não querem insistir com a pessoa que estão. Perdem a esperança. Ou simplesmente descobrem que já gastaram muito tempo com alguém muito diferente, e o tempo não foi possível conciliar as diferenças ― Inspira e faz uma pausa ― O que eu quero dizer é que: os dois não têm que ser iguais, eles têm que ter maturidade suficiente pra suprir as necessidades um do outro: psicológicas, físicas, emocionais e assim por diante. Eu nunca encontrei alguém assim antes. Por isso me isolava. Achava que não valia a pena procurar.

― É exatamente por isso que eu comecei a olhar pra você ― nos encaramos ― todo mundo tinha a mesma coisa, mas você sentada com a Clair lendo um livro ou simplesmente ouvindo música parecia que tinha um mundo tão bom por dentro da própria cabeça que sair dele seria péssimo demais.

Ela me fita durante uma verdadeira eternidade. Leio seus olhos. São cristais de esmeralda.

― Jura? ― Toca meu rosto. Deposito um beijo delicado na ponta do seu nariz.

― Sério. Não é que eu odeie as pessoas do colégio, é que eu perdi meu tempo, como você disse ― engulo seco ― Quando a pessoa é a errada, até o jeito dela escrever serve como sinal.

Nós rimos. A beijo. Durante ele, pergunta:

― Eu digito bem?

― Superbem ― continuamos. O cheiro de eucalipto do seu Rexona corre pelas minhas narinas. Ela se vira pra mim e eu ajusto sua cintura do meu colo. O clássico Wonderwall do Oasis toca longe pelas costas do fone abandonado em cima dos lençóis. Ela interrompe o beijo e desce para meu pescoço. Massageio seu corpo por debaixo da blusa bege fina e com a outra mão quase desço para sua bunda.  Ela agarra mais meu pescoço e eu abro mais espaço para nossas línguas. Distribuo beijos molhados até o seu pescoço e abocanho o espaço abaixo da mandíbula. Se eu deixar alguma marca lá, ela terá que levantar o pescoço para alguém notar. Sinto-a desenhando com as pontas dos dedos as linhas do meu rosto. Abro os olhos e eles têm um misto de desejo e contemplação. Paramos por um segundo. O tempo atrasa. Sorrimos.

Suas mãos descem para minha cintura e os pelos da minha barriga arrepiam completamente quando ela a toca fazendo movimentos verticais lentos. O corpo maravilhoso da garota está quase cavalgando no meu quando Elly rompe com um barulho fino e alto de apito escancarando a porta.

― MENINAS! QUE HISTÓRIA DE VIAGEM FOI ESSA???

 

 

Scarlett: Outra vez estou olhando o boletim de frente para os armários azuis. Química. Química. KMCa. Hahaha. Que droga. Fecho a porta com certa força. Faltam 9,5 na prova final. Agora sim falta pouco tempo pro baile e pro fim de tudo isso. Mas quer saber? Nem vi o tempo passar, o mês mal passou. Voou. Esses dias com a Allison com trilha sonora têm sido tão surreais que mal vi as coisas ficando piores.

Um perfume amadeirado conhecido se aprofunda e braços elétricos envolvem minha cintura. A jaqueta preta queima minha pele. Ela me vira forte agarrando firme minha cintura descoberta e me faz sorrir. Então equilibra com um beijo tão suave como veludo.

Starving ― Hailee Steinfeld

You know just what to say

Things that scares me

I should just walk away

But I can’t move my feet

The more that I know you

The more I want to

Something inside me’s changed

I was so much younger yesterday

 

Você sabe exatamente o que dizer

Coisas que me assustam

Eu deveria simplesmente ir embora

Mas não consigo mover meus pés

Quanto mais te conheço

Mais eu te quero

Algo dentro de mim mudou

Eu era tão mais jovem ontem

 

I didn't know that I was starving till I tasted you

Don't need no butterflies

When you give me the whole damn zoo

By the way

Right the way, you do things to my body

I didn't know that I was starving till I tasted you

By the way, by the way, you do things to my body

I didn't know that I was starving till I tasted you

 

Eu não sabia que estava faminta até te provar

Não preciso de borboletas

Quando você me dá o zoológico inteiro

Aliás

Caminho certo, você faz coisas no meu corpo

Eu não sabia que estava faminta até te provar

Aliás, aliás, você faz coisas no meu corpo

Eu não sabia que estava faminta até te provar

 

You know just how to make

My heart beat faster

Emotional earthquake

Bring on disaster

You hit me head on

got me weak on my knees

 Something inside me's changed

I was so much younger yesterday

So much younger yesterday

 

Você sabe exatamente como fazer

O meu coração bater mais rápido

Um terremoto emocional

Pode trazer o desastre

Você me atingiu em cheio, me deixou com os joelhos fracos

E algo dentro de mim mudou

Eu era tão mais jovem ontem

Tão mais jovem ontem

 

A fito caminhando de costas enquanto pisca com aquele sorrisinho rosa até sair do meu campo de visão.


Notas Finais


Ouvi essa musga no spotify quando já tinha a história e pensei CARACAVIADO parece que a minha personagem escreveu! hahaha. E que também me inspirou pra um dos motivos do nome da história.

aqui o link: https://www.youtube.com/watch?v=ScjT8zvT7d0


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