História The Vanishing of Katharina Linden - Capítulo 2


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bah
Não tenho nada a dizer

Capítulo 2 - Uma explicação de como a vovó morreu


Era 20 de Dezembro de 1998, data que ficaria marcada para sempre em minha lembrança. Esse domingo anterior ao Natal, quando acenderíamos a última vela da Coroa do Advento, acabou se tornando o último da minha avó e a última vez que a minha família Kolvenbach celebrou o Advento.

Minha mãe, que na época, era um dos três cidadãos britânicos morando na cidade, nunca tinha aceitado bem os costumes natalinos da Alemanha. Normalmente só se lembrava da Coroa do Advento quando o primeiro domingo estava a chegar e as únicas à venda de mal-acabadas e feiosas, expostas do lado de fora do supermercado nas cercanias da cidade. A coroa daquele ano não passava de um adornozinho lamentável, com quatro velas azuis sem graça mal-encaixadas num aro de folhas verdes artificiais. Bastou Oma Kristel botar os olhos nela para em seguida sair com o intuito de comprar uma outra mais apropriada.

A que ela trouxe era linda: uma guirlanda volumosa, com laços dourados e vermelhos, e pequenos adornos de Natal enfeitando as folhas de tom verde-escuro. Oma Kristel carregou-a com pompa até a nossa sala de jantar, como se estivesse levando um incenso para o próprio Menino Jesus, e colocou-a no centro da mesa. A coroa de minha mãe, com as velas azuis sem graça, ficou relegada ao aparador e, depois, sem ser acesa, foi parar na lata de lixo. Se minha mãe tinha algum comentário a fazer, ficou calada é apenas contraiu os lábios.

Naquele domingo, um jantar especial fora planejado. Além de Oma Kristel, esperávamos o irmão do meu pai, Onkel Thomas, a minha Tante Britta e os meus primos Michel e Simon, que tinham vindo de Hannover.

Minha mãe, que normalmente não se preocupava muito com a faxina na Alemanha, ficaria histérica com a limpeza e o preparo na comida. A nossa casa era uma daquelas típicas de Eifel, bem tradicionais e antigas, tipo Fachwerk, ou seja, de madeira aparente. Bastante pitorescas, essas construções tem o pé-direito baixo e escuro, além de janelas pequeninas, que deixam passar o mínimo de claridade e fazem com que os quartos mais limpos pareçam encardidos.

O cardápio também fora uma fonte de estresse para a minha mãe; Onkel Thomas era um homem de gostos simples e teria preferido comer larvas a algo não alemão. Minha mãe atormentou meu pai pouco antes do Advento, ameaçando a servir curry e batata-frita, mas, por fim, a perspectiva de Onkel Thomas ficar empurrando a comida do prato, com um garfo, como um patologista investigando uma amostra de fezes, pareceu-lhe demais. Daí ela resolveu preparar Gänsebraten, ganso assado com recheio de Leberwurst, resmungando:

-- Thomas e Britta, com certeza, vão gostar de qualquer coisa que tenha Leberwurst.

Enquanto minha mãe dava os últimos retoques no ganso e meu pai abria uma garrafa de vinho, Onkel Thomas e a família chegaram. Meu tio quase bloqueou a claridade ao passar pela porta da frente, os ombros preenchendo o caixilho. Tante Britta, uma mulher diminuta, com pernas e braços esqueléticos é um jeito ágil de se mover, similar ao de uma ave, seguiu-o e, logo atrás dela vieram Michel e Simon.

Na Alemanha, as crianças tinham que cumprimentar os adultos com um aperto de mãos; eu detestava fazer isso e me escondia atrás das pessoas, mas, naquele dia, Oma Kristel me empurrou com uma cutucada enfática mas costas. Com relutância, dei a mão a Onkel Thomas, que a estreitou com a garra enorme e rechonchuda.

-- Hallo, Pia.

-- Hallo, Onkel Thomas -Saudei obedientemente, torcendo para que ele soltasse a mainha mão e eu pudesse limpar sorrateiramente os dedos na minha calça; as mãos dele eram sempre pegajosas.

-- Você cresceu -comentou, com seu jeitão cordial.

-- A-hã -sussurrei e, então, subitamente inspirada: -- Tenho que ajudar a mamãe na cozinha.

Com certo alívio me dirigi pra lá, onde a condensação do vapor escorria pelas vidraças diminutas e minha mãe se movia de forma frenética, lembrando aqueles sujeitos que alimentavam a caldeira na casa de máquinas de um barraco de um barco a vapor. Ela me lançou um olhar severo.

-- Sai -foi tudo o que disse.

-- Mãe, Onkel Thomas e Tante Britta chegaram.

-- Ah, meu Deus! -exclamou encorajadoramente.

Então, ela me expulsou da cozinha e me mandou voltar para a sala, onde me deparei com Michel comendo o último chocolate que eu tinha ganhado de São Nicolau no dia 6 de Dezembro. O rebuliço que se seguiu continuou até o jantar ficar pronto e minha mãe sair da cozinha com o semblante estressado, para nos informar que podíamos nos sentar. Ela olhou para o rosto vermelho de Michel, manchado de chorar, e contraiu os lábios de novo, porém sem fazer nenhum comentário. Em boca fechada não entra mosca; mamãe voltou para a cozinha e terminou de fatiar o ganso.

Assim que ela anunciou que serviria o jantar, foram todos para o banheiro, inclusive Oma Kristel. Para a minha vó, sentar à mesa sem dar um último retoque na maquiagem estava fora de cogitação. Nenhum de nós a tinha visto sem maquiagem ou sem penteado, pois ela andava sempre com o cabelo armado, cheio de laquê, formando uma espécie de capacete prateado e brilhante.

Naquele dia, o capacete tinha murchado um pouco porque Oma Kristel fora diversas vezes à cozinha dar dicas sobre o preparo dos Pêssegos dourados que acompanhariam o assado. Pensando nisso, ela levará um enorme frasco de laquê, parecido com um torpedo, juntamente com a bolsa volumosa, cheia de batons caros e cremes antirrugas de aceito industrial, até o banheiro.

Oma Kristel estava com excelente aparência naquele dia, algo com que me pai, Wolfgang, e o irmão dele, Thomas, concordaram de forma lúgubre, no enterro. Sempre cuidadosa com a dieta, ela se mantivera elegante até a velhice. Usava uma saia de um tecido aveludado preto, justa demais, porém incontestavelmente chique, um casaco de angorá rosa-shocking, meias-calças transparentes nas pernas esbeltas e sapatos de bico fino e salto alto. No peitilho, o qual ainda se destacava, mantendo a aparência evocativa da mulher atraente que fora nos tempos da guerra, ela colocara um broche grande de zircônia, como uma medalha presa à frente de um uniforme. Gosto de pensar que, ao dar uma última espiadela em si mesma no amplo espelho do banheiro, Oma Kristel ficou satisfeita com o que viu.

Seja como for, a vovó passou um tempo retocando a maquiagem, de maneira que minha mãe já colocava as travessas na mesa quando ela chegou na parte do laquê.

-- Oma Kristel! -Gritou minha mãe, num tom hesitante, sem querer parecer estridente demais com a sogra de personalidade forte.

-- Mama! -vociferou Onkel Thomas, que era menos melidroso em relação a esses aspectos e que, sem dúvida, estava louco para devorar o ganso e o Leberwurst.

Oma Kristel ajeitou os cabelos e, em seguida, borrifou-o com a dedicação de um mecânico de automóvel repintando um BMW. Conseguiu espalhar o produto no busto e nos ombros, até o casaco de angorá ficar brilhando com gotículas pequeninas é uma nuvem de laquê se formar ao seu redor. Em seguida, guardou o frasco na bolsa e foi direto para a mesa.

As luzes principais haviam sido apagadas; meu pai aguardava, segurando uma caixa de fósforos para acender as velas da Coroa do Advento.

Oma Kristel lançou-lhe um olhar que dizia "Quem é que manda aqui?" e estendeu a mão com o intuito de pegar os fósforos. Abriu a caixa, pegou um palito e acendeu-o com um floreio.

A chamada irrompeu meio à penumbra da sala escura, um mini-farol dourado. Oma Kristel segurou-o por um instante no alto e, em seguida, o inimaginável aconteceu. O palito escorregou de seus dedos e caiu direto em seu casado rosa-shocking dela. Com um Uuuuuuumpt! similar ao som de um aquecedor acendendo, o laquê que ela espalharam na parte de cima do corpo que pegou fogo, envolvendo-a numa coluna de chamas.

Por um momento estarrecedor e inderteminável, fez-se silêncio e, em seguida, veio o pandemônio. Tante Britta deu um tremendo berro, digno de filme de terror, levando as mãos ao rosto. Houve ruído de móveis sendo arrastados quando meu pai se moveu aos trancos e barrancos, desviando-se de uma série de cadeiras, na tentativa de encontrar algo que apagasse as chamas. Onkel Thomas, que lutava para tirar a jaqueta com o intuito de envolver a mãe em chamas, preguejava descuidadamente, os olhos arregalados de pavor. Tanto Michel quanto Simon uivavam, horrorizados. Acho que fiz o mesmo, porque durante duas, após o ocorrido, fiquei rouca, com a garganta coçando. Minha mãe, que tinha acabado de deixar a cozinha com o ganso assado nas mãos enluvadas, deixou cair tudo no piso de cerâmica, provocando um estrondo com o impacto.

Somente Sebastian, em sua cadeira alta, permaneceu alheio ao que ocorria, pelo viso achando que tudo aquilo fazia parte da celebração do Advento. Todos os demais entraram em pânico. Dali a pouco, num final horripilante, Oma Kristel projetou-se à frente, tombando na mesa em meio os estilhaços de taças de vinho e louças.

Seus dois filhos finalmente tomaram uma atitude; meu API desejou uma jarra de água mineral nos seus restos fumegantes, e Onkel Thomas jogou a jaqueta, que finalmente conseguira tirar, em cima dela. Porém, foi tarde demais para Oma Kristel: ela já estava esturricada como um rato morto, ou Maua tot, como dizem os alemães. O choque fez seu coração parar de bater com o requinte de uma marreta estralhaçando um relógio de mesa. Com os pernas ainda elegantemente cobertas voltadas para fora, minha vó não parecia nem um pouco com a Oma Kristel, e sim como um manequim de vitrine de loja. No silêncio que se seguiu, Sebastian por fim começou a chorar.


Notas Finais


Espero que tenham gostado ❤


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