História The Vault 2 - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: FemmeSlash, Lemon, Orange, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olha quem trouxe mais uma one hehehehehe

Música-Título: Joy Division - Love Will Tear Us Apart (escutem com a música <3 fará toda a diferença hehehe)

Boa leitura!

Capítulo 4 - Love Will Tear Us Apart


30 de outubro de 1981. Véspera da noite de Halloween.

 

Era estreia de Halloween II - O Pesadelo Continua, todos os jovens estavam ansiosos para a sessão que estava para começar, casais de namorados, grupos de amigos e até aqueles que estavam sozinhos aquela noite não viam a hora de assistirem à continuação da história de Michael Myers. A sessão começaria meia-noite em ponto, Dia das Bruxas para alguns, Dia de Todos os Santos para outros, e noite de pedir doces e cometer algumas travessuras para outros. O grupo de amigos de Emma Swan já fazia a maior algazarra na porta do cinema da pequena cidade em que viviam, Storybrooke, assustavam e aterrorizavam as pessoas que passavam distraídas. Killian Jones era o mais terrível do grupo, adorava pregar peças nos outros, consideradas de mau gosto pelas vítimas do rapaz.

Todos aguardavam a chegada das irmãs Mills, filhas da prefeita da cidade. Todos eles eram amigos desde o jardim de infância e pouco se importavam com as posições sociais as quais suas famílias possuíam, isso nunca fora um problema entre eles e jamais deixaram influenciar de forma alguma o laço forte o qual haviam criado ainda crianças. Faltavam 5 minutos para o início da sessão quando Zelena e Regina Mills chegam correndo ao encontro do grupo.

 

— Finalmente. – Ruby Luccas, uma jovem de cabelos castanhos e mechas vermelhas, diz sorrindo. — Achei que fossem chegar nunca.

— Tivemos que esperar a Coronel Mills dormir. – Zelena, que era a irmã mais velha, de cabelos ruivos acobreados e ondulados, diz enquanto cumprimentava os demais amigos antes de dar um abraço forte e roubar um selinho de Ruby.

 

Todos do grupinho sabiam sobre o relacionamento delas e sempre davam cobertura para que pudessem sair sem que levantassem suspeitas dos familiares. Vez ou outra escapava um apelido carinhoso, mas sempre achavam que era algo relacionado a amizade delas.

 

— Então estão perdoadas. – Dessa vez Emma, de cabelos loiros e ondulados que usava um óculos de grau de armação preta e grande, se manifesta enquanto abraçava Regina, a Mills caçula de cabelos negros e curtos. — Mas agora vamos, o filme começa daqui a pouco.

 

Desde pequena Emma sempre fora apaixonada por Regina, entretanto nunca tivera a coragem de assumir os seus sentimentos por ela como Ruby e Zelena tiveram, então sempre que conseguia, demonstrava através dos gestos os seus sentimentos pela amiga. Vez ou outra Ruby ou Killian soltavam alguma indireta para que ela tivesse atitude, mas o medo sempre falava mais alto. O grupo se dirige para a fila e August e Neal vai ao encontro deles com as pipocas e refrigerantes.

A sala estava quase cheia, mas ainda assim eles conseguem o fundo, onde Ruby e Zelena se sentam no canto da parede, August e Neal ao lado delas, onde os jovens nomeavam como o lado dos casais, seguidos por Emma e Regina e por fim Killian e Robin. O filme tem início e a princípio todos prestavam atenção, mas Ruby, Zelena, August e Neal se ocupam, restando apenas os outros quatro que assistiam atentamente. Sem ao menos esperar, Regina agarra ao braço da loira, apertando-o com força e escondendo seu rosto no pescoço dela. Aproveitando a deixa, Emma a abraça forte. Kill e Robin assistiam vidrados cada segundo sem ao menos piscar.

Assim como Emma, Regina era apaixonada pela amiga desde pequena, mas nunca teve coragem o suficiente para se declarar, então sempre engatava algum romance com algum garoto para tentar esquecer a loira, mas parecia impossível, ela tinha medo, de além da não possível reciprocidade de seus sentimentos, do que sua mãe poderia fazer a Emma. A cada susto que tomava no filme, mais forte ela agarrava o braço da loira e o apertava, se escondendo até senti-la a abraçar e se sentir mais protegida.

 

— Quer tomar um ar? – Emma sussurra no ouvido da morena ao perceber que ela estava apavorada.

— Por favor. – Sussurra de volta e as duas se levantam, se dirigindo para os fundos do cinema que dava num beco sem saída.

 

Seu coração ainda palpitava acelerado, estava realmente assustada com o filme, mas o abraço forte de Emma faz com que se acalmasse. A brisa gelada passa por elas, aliviando um pouco mais o momento.

 

— Obrigada Ems.

— Não precisa agradecer, Gina. – O sorriso emoldura os lábios de Emma, o que deixa Regina mais apaixonada pela amiga.

 

Era tudo ou nada naquele momento, ela precisava saber se o que sentia era realmente reciproco, e se não fosse, elas resolveriam depois o que fazer. Seus olhares prendem-se um ao outro e como dois imãs, seus lábios roçam um ao outro e o beijo começa lento, sem nenhum tipo de aversão, como se ambas desejassem aquilo a muito tempo e, de fato, desejavam. Seus corpos se chocam contra a parede enquanto suas mãos apertavam cintura, nuca, se emaranhavam em meio ao cabelo e tornava o beijo mais avassalador, voraz, ansioso.

Sem perceberem, um grupo de três homens bêbados param, as observando e sorriem maldosos, tendo a completa atenção delas quando começam a aplaudir.

 

— Que bela cena temos aqui... A filha da prefeita beijando a filha do xerife bêbado. – O rapaz do meio, alto, forte, de cabelos preto e barba a fazer comenta sorrindo maldoso. Arthur olha o amigo no lado direito e comenta. — O que achou do espetáculo, Mordred?

— Merece um prêmio. – O rapaz um pouco mais baixo e forte que o primeiro comenta com a voz arrastada.

— Acho que podemos ensinar uma coisinha a elas. – Percival o outro rapaz comenta.

 

Emma olhava os três, congelada no lugar, na frente de Regina na falha tentativa de protege-la.

 

— Deixe-nos em paz, vão embora. – A loira tenta falar firmemente, mas sua voz denunciava o quanto ela estava com medo da situação.

 

Eles riem e partem para cima delas, mas Emma tenta afasta-los, entrando em luta corporal. Aproveitando a deixa, Regina corre para pedir ajuda, mas Mordred puxa a arma que carregava escondida e atira contra a garota, acertando sua coluna. Num momento de desespero e pura adrenalina, Emma consegue chutar Arthur e Percival nas partes mais sensíveis, derrubando-os e pula em cima de Mordred que estava ainda com os reflexos lentos por conta da bebida, conseguindo desarma-lo e por impulso atira nele, correndo até Regina que permanecia de desacordada e sangrando no chão.

Por causa do barulho dos tiros, alguns vizinhos haviam chamado a polícia para verificar o que estava acontecendo. Emma segurava a morena em seu colo com cuidado, até que a ambulância chega justamente na saída do filme. Ao ver o que estava acontecendo, Zelena corre até a irmã e vai com ela para o hospital. As pessoas formavam uma roda para ver o que estava acontecendo até os policiais levarem Emma, Arthur e Percival para a delegacia e um guarda fica para aguardar a perícia.

 

When routine bites hard

(Quando a rotina corrói duramente)

And ambitions are low

(E as ambições são pequenas)

And resentment rides high

(E o ressentimento voa alto)

But emotions won't grow

(Mas as emoções não crescerão)

And we're changing our ways

(E vamos mudando nossos caminhos)

Taking different roads

(Pegando estradas diferentes)

 

Janeiro de 1982...

 

Nada mais fazia sentido na vida de Regina, não mais depois do tiro que a fez ficar presa eternamente naquela cadeira de rodas. Tudo se tornara um imenso vazio. Não sorria mais, não saia, não fazia questão de viver, se sentia um peso na família. Seu pai sempre tentava anima-la de alguma forma, mas nada funcionava.

O dia do julgamento de Emma estava chegando e ela tinha de ir, mesmo que não quisesse fazer aquilo. Ela sabia da inocência da loira, mas ela não tinha como provar nada e o veredito final a culpando já parecia ser tão certo. Nada parecia se encaixar, era como se faltasse uma peça importante do quebra-cabeça. Zelena entra no quarto e pousa suas mãos sobre o ombro da irmã como se desse apoio a ela.

 

— Vamos sis... Papai vai nos levar para o tribunal...

— Tudo bem... – Sussurra totalmente sem ânimo. Parecia que a vida havia sido sugada de si.

 

Zelena leva a irmã até o carro e a ajuda a entrar no veículo. Sir Mills guarda a cadeira no porta-malas, e então ele, a esposa e a filha mais velha entram no carro e partem para o fórum onde aconteceria o julgamento de Emma. Não havia sido um golpe só para Regina, mas para todos os amigos e familiares. Ninguém conseguia acreditar no que estava ocorrendo.

Alguns jornalistas locais e de cidades vizinhas aguardavam na porta, afinal de contas se tratava de um caso de assassinato cometido pela filha do xerife da pequena Storybrooke e que envolvia a causa da paralisia da filha da prefeita Cora Mills. Todos entram no tribunal e o julgamento tem início. Não havia testemunhas que pudessem ajudar a loira, que observava em silêncio do banco dos réus, só havia as provas dos peritos que comprovavam o tiro que ela havia dado em Mordred. A única coisa que havia a seu favor era o fato de ter sido por autodefesa, o que diminuiria muito sua pena caso fosse condenada e que de fato acabou ocorrendo.

Após o anuncio do veredito final, Emma é levada para uma sala privada, onde apenas os familiares poderiam vê-la antes de ser levada para o presidio. Seu pai entra e a abraça forte, se sentindo péssimo por não poder fazer mais pela filha. Desde o ocorrido ele largara a bebida e fizera de tudo para comprovar a inocência da filha, seu único bem precioso. Assim que ele sai da sala, Regina pede para entrar e ele a ajuda. Desde que tudo ocorrera, ela não havia ido sequer visitar Emma na prisão, não se sentia bem ou preparada para tal.

 

— Emma... – A chama com a voz embargada, desejando ser capaz de correr até a loira e abraça-la.

— Gina... – Sua voz sai falha, quase inaudível e vai até a morena, se abaixando e a abraçando.

 

Aquele abraço fora a única coisa que havia desejado desde que tudo aquilo havia acontecido. Zelena sempre a mantinha informada sobre a morena, mas vê-la pessoalmente era totalmente diferente.

 

— Me perdoa por isso... – Começa a chorar no colo de Regina, a abraçando forte.

— Não precisa me pedir perdão... – Regina diz levantando o rosto da loira e secando suas lágrimas. — Vai ficar tudo bem... Em breve você estará aqui fora.

— Mas como vai ser depois que eu sair Regina? – A garota a olha desolada. — Nunca poderemos ficar juntas, nada vai ser igual a hora que sairmos desta sala.

— As coisas não são mais iguais depois daquele dia Ems... Nada mais é igual. – As lágrimas correm livres pelo rosto da morena.

 

Emma se levanta e beija a testa dela, sabia o quanto aquilo pesaria em suas vidas para sempre e pensar nisso a fazia se sentir mal.

 

— Melhor você ir... embora... – Emma sussurra encarando a parede, não tinha mais coragem de olhar a morena, não conseguiria mais fazer aquilo tão cedo. E, para a decepção de Regina, a loira apenas pede para o guarda abrir a porta para a saída da garota que secava o rosto e se retira em seguida.

 

Assim que Mills sai, Emma começa a chorar compulsivamente, mas não tinha mais volta.

 

Then love, love will tear us apart, again

(Então, o amor, o amor vai nos dilacerar, outra vez)

Love, love will tear us apart, again

(O amor, o amor vai nos dilacerar, outra vez)

 

2 de fevereiro de 1986.

 

Era um dos dias mais frios do ano, mas Emma não se importava muito. Vestia um casaco pesado, touca e luvas, além de um cachecol. Havia apenas dois dias que havia conquistado a tão sonhada liberdade depois de quatro anos presa no presidio estadual. Ainda não sabia como ou por onde recomeçar, mas precisava fazer isto de algum modo. Ruby, como prometido, a hospedava em sua casa, já que não lhe restara muitas coisas, apenas algumas roupas antigas, uma casa caindo aos pedaços e as roupas velhas de seu pai, que havia morrido durante uma perseguição policial e havia lhe deixado pouco dinheiro para se manter alguns dias depois que saísse. Com este pouco dinheiro, Emma havia passado na floricultura e comprado um pequeno buquê de rosas para aquele dia que considerava importante.

Ela para em frente a porta da casa de Regina, endereço o qual ela havia pegado com Ruby e Zelena, e toca a campainha, esperando alguém atender, o que não demora muito. Um rapaz alto e de olhos azuis atende a porta com um bebê no colo, deixando Emma totalmente em choque, sem saber como reagir.

 

— Oi, no que posso ajuda-la? – O rapaz pergunta polidamente.

— E-eu... eu só vim deixar isto para Regina Mills... – Responde enquanto entrega o humilde buquê a ele. — Apenas diga que é de uma velha amiga...

— Por parte de quem? – Ele pergunta curioso, pegando o buquê com a mão livre.

— Swan... Emma Swan. – Diz antes de partir.

 

O rapaz a olha partir e entra, logo vendo a esposa vindo do quarto, e o olha curiosa.

 

— Quem era Danny? – Pergunta olhando o buquê em sua mão.

— Uma moça... Pediu para lhe entregar o buquê. – Diz fazendo o que havia sido requisitado anteriormente.

— Você perguntou o nome? – Pega as flores da mão do marido e procura por algum cartão.

— Acho que era Swan, algo do tipo. – Responde. — Vou lá trocar o rapazinho aqui.

 

Ao ouvir aquele nome, seu coração erra uma batida. Emma estava livre e não havia se esquecido de seu aniversário. Depois de quatro anos Emma estava finalmente em liberdade, mas seu coração começava a entrar em conflito.

 

Why is the bedroom so cold?

(Por que o quarto está tão frio?)

You've turned away on your side

(Você se virou para o seu lado)

Is my timing that flawed?

(Será que só chego na hora errada?)

 

Emma andava desnorteada pelas ruas vazias da pequena cidade. Ao entrar no mercadinho, ela vai direto ao corredor de bebidas e pega uma garrafa de whiskey, vai para o caixa e paga a bebida, indo para a casa de Ruby em seguida, se trancando no quarto.

As lágrimas começam a correr por seu rosto, pega uma caixa com as poucas coisas que havia e começa a ver as fotos de quando havia completado 18 anos dias antes de irem ao cinema, fotos em eventos da escola, outras mais antigas ainda de quando eram crianças e que percebera de que era apaixonada pela amiga. Então a lembrança do primeiro e único beijo trocado invade sua memória e dá um gole grande direto do gargalo da bebida, se embebedando e se lamentando pelo o que fez, pelos anos que havia perdido presa, dos sonhos que haviam acabado antes mesmo de começarem. Nada mais tinha sentido e acaba adormecendo abraçada a garrafa de bebida e chorando.

 

Our respect runs so dry

(Nosso respeito se acaba rapidamente)

Yet there's still this appeal

(Mas ainda há esta atração)

That we've kept through our lives

(Que mantivemos ao longo de nossas vidas)

 

Regina ainda olhava o buquê em suas mãos sem saber direito o que fazer. Durante aqueles quatro anos nunca havia procurado Emma, sequer havia se permitido pensar nela. Depois que começara a namorar com Daniel e consequentemente se casando com ele, ao menos havia se lembrado da amiga e da garota por qual um dia havia se apaixonado. E agora com ela de volta não sabia o fazer e muito menos o que sentir. Daniel se aproxima com cuidado após trocar o pequeno Henry e coloca-lo para dormir e olha a esposa.

 

— O que houve Gina? – Ele pergunta preocupado, percebendo que ela sequer havia saído do lugar.

— É só que... – Deglute seco. — É que fazia alguns anos que eu não ouvia nada sobre a Emma... A moça que veio deixar o buquê para mim.

— Ela pareceu surpresa quando me viu na porta.

— Eu imagino... – Suspira.

— O que houve entre vocês? Por que eu nunca a conheci? – Pergunta puxando a cadeira para se sentar.

— É porque durante um tempo eu me esforcei para esquecê-la e acabei realmente me esquecendo dela depois que o conheci...

— Mas o que houve com vocês? – A olha curioso.

— Emma estava presa. – E então ela começa a contar partes do que houve, revelando o verdadeiro motivo de ter se tornado paralitica, o deixando completamente surpreso, mas sem revelar os sentimentos pela velha amiga.

 

But love, love will tear us apart, again

(Mas o amor, o amor vai nos dilacerar, outra vez)

Love, love will tear us apart, again

(O amor, o amor vai nos dilacerar, outra vez)

 

Aos poucos no decorrer do tempo, Emma finalmente conseguiu recomeçar sua vida, não era algo fácil, mas Ruby, Zelena, Killian, August e Neal lhe davam todo o apoio necessário para isso. Desde o dia que saiu da cadeia e ira visitar Regina, dando de cara com o rapaz, que mais tarde veio descobrir ser o marido da morena, nunca mais a procurara. Se Mills havia seguido em frente, porque ela não faria o mesmo? E fora o que fizera, seguiu em frente com sua vida, mesmo que nada fizesse mais sentido para ela. As coisas que um dia achara engraçado, não tinha mais graça. As coisas que a fazia se sentir emocionada, não lhe emocionavam mais. Depois de muito esforço entrou para a faculdade de arquitetura que sempre sonhou em fazer e a partir disto, sua vida começou a melhorar.

As mudanças foram radicais, mas Emma sabia que valeria a pena. Depois de um acordo judicial, teria seu registro policial selado como confidencial e poderia levar uma vida normal, não queria perder o pouco que vinha conquistando. Mesmo em meio a este recomeço, um dia sequer conseguia ficar sem pensar em Regina. Já havia se passado tantos anos, mas era como se tudo tivesse acontecido ontem.

Já era fim de tarde, caminhava em silêncio pelo parque com o fone no walkman enquanto ouvia Unknown Pleasures do Joy Division, um dos seus álbuns favoritos quando vê um garoto perdido procurando alguém e vai até ele.

 

— Tudo bem garoto? – Pergunta se abaixando para ficar na mesma altura que ele.

— Eu não estou achando minha mamãe... – Ele responde olhando ao redor.

— Vou te ajudar a encontra-la, tudo bem? – Sorri para ele e o pega no colo. — Como você se chama?

— Henry... Eu só fui atrás do gatinho e depois mamãe sumiu... – Ele diz com a voz embargada pela vontade de chorar.

— Ei, se acalma, vamos encontrar sua mãe, está bem? Eu prometo. – Emma sorri. — Você lembra de onde vocês estavam?

 

Henry apenas concorda com a cabeça antes de responder.

 

— Perto do lago dos patinhos. – Responde se ajeitando no colo da loira.

 

Na mesma hora, ela caminha com o garoto para o local indicado e logo avista os guardas do parque conversando com alguém e tomando notas de algo quando Henry aponta e grita.

 

— Mamãe! – Grita alto o suficiente ao ver a mulher na cadeira de rodas. Ele desce do colo da loira e corre até ela, subindo em seu colo.

 

Emma deglute seco ao ver quem era, mas antes de ter a chance de sair de lá, Henry volta até ela e a puxa para apresenta-la a sua mãe.

 

— Mamãe, ela me ajudou a te achar... – Sorri.

 

Quando olhos de Regina recaem sobre os olhos verdes, uma lágrima escorre por seu rosto e o sorriso de forma timidamente.

 

— Emma... – Sussurra.

 

You cry out in your sleep

(Você chora no seu sono)

All my failings exposed

(Todos os meus fracassos expostos)

And there's taste in my mouth

(E há um gosto em minha boca)

 

O mundo parece parar no mesmo instante em que a morena diz seu nome, como se tudo que sentisse viesse à tona mais uma vez depois de quase dez anos tentando esquecer tudo. Sente-se tão tola e fraca naquele momento. Os guardas dispersam e Emma respira fundo e sorri de canto.

 

— Regina... – Sussurra.

 

Henry as olha confuso e começa a perguntar de onde elas se conheciam e a morena responde vagamente à pergunta do filho. Emma acaba os acompanhando até a casa de Mills, que era próximo ao parque. Henry sobe direto para tomar banho e assistir desenho enquanto as duas ficam na sala. A ansiedade de Swan era enorme, não queria permanecer mais tempo por lá, mas os assuntos não terminados entre elas a prendia ali.

 

— Emma...

 

Regina sorri e se aproxima devagar com sua cadeira. Aponta para uma cadeira ao lado e Emma se senta e as duas se encaram por longos minutos, havia muitas coisas não ditas entre elas, tantas coisas guardadas em seus corações guardavam haviam anos.

 

— Faz tanto tempo...  – Regina sussurra. — Me perdoa...

— Regina, está tudo bem... Sério. – Emma diz segurando a mão da morena. — Já foi, você seguiu em frente, se casou, teve um menino lindo. Eu recomecei a minha vida e está tudo bem.

— Não Emma, não está tudo bem. – Começa. — Nunca tive coragem de te procurar nem antes do julgamento, nem depois, muito menos depois que você foi solta... Eu fui covarde... Eu tentei tanto te esquecer e quando achei que havia conseguido, tudo mudou e você voltou. – A olhava triste. — Eu tentei desesperadamente esquecer tudo que sentia por você, mas parece ser impossível... – Suspira. — E sobre Henry, obrigada por tê-lo encontrado e o ajudado a me encontrar.

 

A conversa que fora adiada por tantos anos finalmente estava acontecendo e seus corações pareciam estar mais leves agora que estavam colocando todos os pontos nos is. Conversavam sobre o que haviam feito ao longo daqueles anos, sobre elas e o que faziam atualmente. A conversa segue até tarde sem que percebessem, finalmente acertando sua história não terminada.

 

As desperation takes hold

(Enquanto o desespero toma conta)

Just that something so good

(Simplesmente como algo tão bom)

Just can't function no more

(Apenas não pode funcionar mais)

 

Agora mais do que nunca, o tempo parecia voar, os dias passavam rapidamente, a aproximação inevitável tornava-se maior assim como todos aqueles velhos sentimentos.

Durante uma caminhada no parque, Emma empurrava a cadeira até que param próximo a um banco em frente ao lago. Henry estava na casa dos avós, e aproveitando a folga, elas haviam marcado de irem ao parque. A reaproximação finalmente recriara os laços que achavam terem rompido. O silêncio se estabelece e apenas se abraçam de lado antes de irem embora. No carro, Emma a coloca no banco do passageiro acaba batendo a cabeça no teto, a risada de Regina acaba saindo alta, mas seus olhares logo se ficam um no outro e como havia acontecido 12 anos antes, seus lábios se reencontram num beijo apaixonado, o encerrando alguns segundos depois. Seus corações e respiração estavam acelerados, como se tivesse entrado em outro mundo. Sem falarem nada, Emma apenas se dirige para o banco do motorista e dirige para a casa da morena.

 

But love, love will tear us apart, again

(Mas o amor, o amor vai nos dilacerar, outra vez)

Love, love will tear us apart, again

(O amor, o amor vai nos dilacerar, outra vez)

 

— Emma... Melhor não nos vermos mais... – Regina diz antes de entrar em casa. — Por mais que eu te ame, Daniel não merece ser traído... – Diz tentando conter o choro que queria vir à tona. — O nosso momento já passou... Seguimos em frente e mesmo que ficássemos juntas, não teríamos apoio...

 

Emma deglute seco com o que Regina falava, mas sabia que ela estava certa. O momento delas já havia se passado e não havia nada que pudesse mudar isto. A loira não responde nada, apenas beija a testa da mais velha e suspira.

 

— Espero que você fique bem...

— Perdoe-me Emma... – Pede contendo as emoções. — Por favor....

— Regina, está tudo bem... Você tem uma família agora, e como você disse, o nosso momento já passou. – Sorri. — Eu só desejo que você seja feliz. – Deseja a ela. — Espero vê-la algum dia.

— Eu também espero que fique bem, Emma... – Deseja a ela antes de se despedirem.

 

Love, love will tear us apart, again

(O amor, o amor vai nos dilacerar, outra vez)

 

Tudo o que haviam acreditado por tantos anos não tinham o menor sentido mais, elas não eram mais adolescentes, eram duas mulheres com vivências diferentes e jamais ficariam juntas, mesmo que nada tivesse acontecido, mas se sentiam gratas por terem aqueles poucos momentos em suas vidas.

Emma se despede e parte para sua casa, mesmo sentindo uma enorme vontade de chorar até sua dor passar, mas aguentaria aquela dor novamente.

 

Love, love will tear us apart, again

(O amor, o amor vai nos dilacerar, outra vez)


Notas Finais


É isso ai galeres :D

Espero que tenham gostado, então deixem suas opiniões :D

Quaisquer dúvidas é só chamarem na MP ou no twitter: @vincemills_

Até mais!


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