História The virgin wife - Capítulo 9


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Categorias Barbara Palvin, Justin Bieber
Personagens Barbara Palvin, Justin Bieber, Personagens Originais
Tags Linguagem Imprópria, Novela, Romance
Visualizações 254
Palavras 3.729
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Wife


                          the virgem wife

                      a esposa virgem

Os aplausos ecoaram no ar e ele, impaciente, tirou o capuz. Admirou a criatura alta, elegante, de pele sedosa e curvas graciosas. Os olhos azuis expressavam aturdimento. Surpresos, eles se fitaram.

 

— A prenda! Um beijo, meu senhor! — gritaram as pessoas.

 

A primeira reação de Justin foi a de não atender o pedido. Mas diante de Angel, de faces coradas e lábios entreabertos como se esperasse o toque dos dele, achou natural satisfazer a vontade das pessoas. Baixou a cabeça.

 

Roçou os lábios nos seus sem a intenção de prolongar o contato, mas este foi tão inebriante que ele aumentou a pressão. Numa receptividade estonteante, Angel abriu mais a boca e a língua dele a penetrou, provando-lhe a doçura.

 

Quente. Poderosa. Justin a puxou de encontro ao peito e ela não protestou, mas enlaçou-o pelo pescoço. Dedos o acariciavam na nuca e seios apertavam-se nele enquanto Angel tocava-lhe a língua com a sua. Impaciente e ansioso, Justin percorria suas costas com as mãos até que, um barulho ensurdecedor, o fez levantar a cabeça.

 

— Deus salve lorde e lady Herrera! Que sua descendência prospere para sempre! — os habitantes do castelo gritavam.

 

Descendência? Justin deu um passo para trás e tirou as mãos do corpo de Angel como se este as queimasse! E na verdade ele sentia-se como se houvesse caminhado pelo fogo. Trêmulo, tentou readquirir a compostura, mas as aclamações continuavam.

 

As coisas tinham ido longe demais. Ele não estava acostumado a tais demonstrações. Nunca as pessoas haviam se manifestado com tanto entusiasmo em volta dele. Como esperar que elas recebessem a esposa com tanto calor? Percorreu os olhos pelo salão.

 

Precisava repudiá-la antes que fosse tarde demais. Esse era o momento para anunciar que o sangue de Hexham lhe corria nas veias. Tratava-se da oportunidade de, publicamente, difamá-la e sentir prazer com sua vergonha. Poderia repudiá-la, humilhá-la e garantir que ninguém mais lhe dirigisse a palavra.

 

Mas quando Justin contemplou aqueles rostos felizes, orgulhosos e cheios de esperança, algo cedeu em seu íntimo. Pela primeira vez na vida, ele levou em consideração outras pessoas antes de si mesmo. Desde que havia tomado o lugar do pai como senhor de Belvry, nunca tinha posto os habitantes do castelo antes de sua pessoa. Naquele momento, ele o fez, mantendo-se calado.

 

Segurou Angel pelo pulso e a puxou através do salão rumo à escada. Todos os acompanhavam como se fosse a noite de núpcias. Justin parou e, com um gesto imperioso, os impediu de continuar. Apenas as aclamações ainda se ouviam.

 

Só quando já estavam no quarto e com a porta trancada, Justin soltou o pulso de Angel. Ela levou as mãos às faces e, com olhar horrorizado, disse:

 

— Bebi vinho demais.

 

Ansioso para pôr a culpa do ocorrido nela, Justin retrucou. — Sem dúvida! Uma freira embriagada e...

 

— Não estou embriagada e nem sou freira — protestou Angel indignada.

 

— Noviça, então. De qualquer forma, você desacredita o convento com sua libertinagem. — Como se atreve? Foi você quem me beijou! Eu não o tocaria nem para salvar minha alma do inferno! — garantiu ela com os olhos fuzilando.

 

— Pois fez uma boa imitação lá embaixo.

 

— Agi em consideração às pessoas.

 

— Diz isso da boca para fora — respondeu ele, mas percebendo estar discutindo como um menino mimado virou-se de costas.

 

Ainda bem que o pai não podia ouvi-lo. Depois de alguns instantes, disse:

 

— Vá se deitar no colchão.

 

Tão perturbado estava com os acontecimentos, que não percebeu uma leve batida na porta. Mas também não suspeitaria que alguém desobedecesse a ordem para não segui-lo.

 

Entretanto, duas pessoas faziam exatamente isso. Uma inclinava-se com o ouvido grudado na porta e a outra puxava-lhe a túnica.

 

— E então? — Edith quis saber.

 

Willie endireitou-se e coçou a barba grisalha. Estava perplexo com o comportamento dos senhores de Belvry.

 

— Eles estão brigando de novo. Como cão e gato.

 

— Depois daquele beijo? Impossível!

 

— Ouça você mesma — sugeriu ele, afastando-se da porta para que a mulher se aproximasse.

 

Depois de alguns instantes, Edith murmurou:

 

— Por todos os santos! Nunca imaginei ouvir Justin Bieber levantar a voz. — Endireitou-se e franziu a testa — Talvez essa gritaria toda seja um bom sinal.

 

— Como assim? — perguntou Willie com ar de dúvida.

 

— Acho que nosso patrão protesta demais, meu querido. Se não gostasse da mulher, ele a trataria com a frieza que dispensa a todos. Mas está alvoroçado desde que a trouxe para cá.

 

Sem entender a explicação, Willie sacudiu a cabeça.

 

— Em minha opinião, o rapaz precisa de uns conselhos sobre os deveres de marido.

 

— Tem razão. Talvez você pudesse falar com ele explicar certos pontos.

 

— Ah, é? E depois ser atirado na masmorra por causa de minha boa intenção?

 

— Alguma coisa precisa ser feita. Caso contrário, não vamos ver lady Angel engordar. Já que não posso cuidar da filhinha de Madison, quero me consolar com a de meu senhor.

 

— Você nunca conseguirá impedi-los de brigar o tempo suficiente para providenciar uma criança. Aposto.

 

— E mesmo, Willie? Pois aceito a aposta. Eles tinham dado uns poucos passos pelo corredor quando ouviram a porta do quarto abrir e fechar com estrondo. Willie pôs um braço protetor sobre os ombros da mulher, mas a silhueta sombria passou por eles sem notar.

 

A passos largos, Justin rumou para a escada. Edith correu-lhe atrás e Willie os acompanhou mais devagar. Chegou ao salão a tempo de ver o senhor de Belvry abrir a porta e sair para a chuva inclemente.

 

— Com todos os diabos! Que tipo de homem deixa uma mulher linda para enfrentar uma tempestade? murmurou ele.

 

Curiosamente, Edith sorriu.

 

Um homem inquieto, Willie. Talvez lorde Justin anseie por encharcar-se a fim de esfriar o ardor.

 

Do lado de fora do castelo, Justin ergueu o rosto e deixou que a chuva o lavasse. Fria e revigorante, ela lhe clareava a mente confusa e afastava a angústia.

 

Poucos dias atrás, quando ia para o convento, pensava que tudo estava a seu alcance. Mas agora, graças ao próprio descuido, a vida escapava-lhe do controle. Tinha de tomar cuidado. Uma vez, isso já havia lhe acontecido e ele jurara não reincidir no erro.

 

Na Terra Santa, Hexham o largara à mercê dos ele­mentos, à bondade de estranhos e ao próprio corpo enfraquecido. Por Deus, como se revoltara contra aqueles dias intermináveis. Havia lutado muito para recuperar as forças, a fortuna e as propriedades. Não estava disposto a abandonar tudo por causa de uma mulher de cabelos lindos, mesmo que seu povo a adorasse.

 

Tempo. Durante anos, Justin lutara para conter a impaciência. Novamente dizia-se para ter calma e esperar. No momento, Angel não passava de uma nova residente de Belvry. Mas quando todos os habitantes do castelo a conhecessem bem e ela não desse à luz o herdeiro esperado, as pessoas perderiam o interesse nela.

 

Ele ainda tinha seu destino nas mãos. E o dele também. Embora não pudesse fazer nada em relação à dor de estômago, conseguiria solucionar o incômodo um pouco mais abaixo. Aborrecido, franziu as sobrancelhas. Estava sem mulher havia tempo demais e essa era a única razão para ter beijado Angel.

 

Isso não aconteceria outra vez. Não mantinha uma concubina em Belvry, mas havia uma mulher, a um dia de viagem, a quem ele podia recorrer. Ela não fazia exigências e o conhecia apenas como um cavaleiro que lhe pagava bem os serviços.

 

Justin sentiu-se excitado ao pensar nela. Seus cabelos eram vermelhos e não castanhos e ela não tinha as curvas graciosas de Angel. Todavia, seria capaz acalmá-lo. Talvez ele passasse umas boas horas lá, fazendo tudo que um homem tinha o direito de exigir da esposa. A idéia provocou-lhe um suspiro, mas ele não olhou para o castelo.

 

Iria imediatamente e ficaria lá até a moça o exaurir. Isso resolveria um dos problemas, o que o ajudaria a pôr em ordem os pensamentos. Tendo decidido, Justin selecionou vários homens para acompanhá-lo. Dando ordens, dirigiu-se ao estábulo.

 

Encontrou Darius lá, cuidando dos cavalos.

 

— Vou passar alguns dias fora — avisou ao montar o corcel.

 

— O que o tira de seu castelo lindo numa noite como esta? — Darius quis saber.

 

O olhar penetrante do sírio parecia julgá-lo e Justin não gostou.

 

— Como você sabe, não temo a noite nem a chuva. Deixo minhas propriedades em suas mãos — disse sem dar outras explicações.

 

— E quanto a sua esposa? Aos cuidados de quem vai deixá-la? — perguntou Darius.

 

Justin sentiu-lhe a desaprovação.

 

— Ela não se atreverá a fugir. Mesmo assim, mantenha um soldado para guardá-la o tempo todo — respondeu.

 

— Prestarei esse serviço com prazer — garantiu o sírio.

 

Justin o encarou, desconfiado, mas como sempre, a expressão do companheiro não revelava nada. Talvez es­tivesse imaginando coisas. Virou a montaria e saiu para chuva. Ia à procura da mulher que poderia aliviar-lhe o corpo sem perturbar sua mente.

 

Instigado por uma ansiedade inexplicável, Justin cavalgou até o amanhecer. Os olhos ardiam por não ter dormido, porém, logo descansaria na cama da mulher.

 

Ela era uma viúva e a pequena casa onde morava deteriorara muito tempo atrás. Deixando seus homens sob as árvores que marcavam a propriedade, Alfonso rumou para a casa.

 

Antes de chegar, viu um cavalo amarrado a um poste. Hesitou e ficou à espera. Não demorou muito para um sujeito sujo e mal vestido sair da casa. Ao ver Justin, ele sorriu mostrando os dentes estragados e disse:

 

— Bom dia senhor! Vai se divertir bastante com aquela meretriz. Marque minhas palavras.

 

Atônito e em silêncio, Justin viu o homem montar e ir embora. O estômago queimava e a cabeça latejava por causa da longa cavalgada durante a noite. Mas uma parte de sua anatomia não o importunava mais. Embora não tivesse uma mulher havia mais de um mês, a idéia de compartilhar uma com aquele sujeito imundo, o deixava gelado.

 

Naturalmente poderia procurar outra, mas não tinha tempo nem disposição. Maldição. Devia ter pago a mulher para servir só a ele.

 

Mas que importância tinha isso? Mesmo se a viúva servisse um bando de homens, ainda poderia satisfazê-lo. Tão logo a tivesse nos braços, esqueceria o sujeito sujo. Desmontou e bateu na porta.

 

O criado que a abriu o reconheceu e levou-o depressa à sala. Bom começo, pensou ele, menos desanimado. Talvez fosse bom que essa mulher aperfeiçoasse as habilidades em sua ausência. Ela conhecia artifícios que uma moça educada em convento jamais poderia imaginar.

 

Então, ele a viu.

 

Deitada em frente da lareira, ela enrolava-se numa manta de pele e, pelo jeito, estava nua, além de amarfanhada e com os cabelos desgrenhados. De repente, pareceu velha e cansada. O sorriso era forçado. Ele nunca tinha notado como a viúva era baixa e flácida. Os cabelos e os olhos escuros não tinham brilho algum.

 

E ela não tinha sardas.

 

— Seja bem-vindo, senhor cavaleiro — disse ela numa voz sedutora que sempre o tinha encantado.

 

Agora, soava falsa.

 

— Olá, Idonéia — cumprimentou ele. A mulher entreabriu a manta e expôs as pernas, Justin não sentiu nada.

 

— Eu estava passando por aqui e vim vê-la.

 

— Naturalmente vai ficar umas horas, não é? Justin sabia que poderia possuí-la em questão instantes.

 

— Lamento, mas não disponho de tempo. Tenho negócios urgentes para tratar.

 

Devagar, ele se aproximou, mas não a tocou. Discretamente, colocou umas moedas na arca ao lado. A alegria da mulher foi evidente.

 

— Tem certeza de que não pode ficar para um rápido momento?

 

— Não — respondeu ele, dirigindo-se à porta e livrando ambos da indignidade de reacender sua paixão apagada.

 

 Angel acordou com uma batida na porta e sentou-se depressa. O sol já se filtrava pelas frestas da veneziana, sinal de que o dia ia adiantado. Estaria sozinha? Olhou para a cama e a viu vazia e arrumada. Obviamente, o marido não tinha voltado à noite e as suas horas de ansiedade e medo haviam sido inúteis.

 

Angel não sabia se sentia-se aborrecida ou aliviada. Onde ele teria dormido? E com quem? Esta última indagação provocou-lhe uma emoção tão forte que ela cus­tou para perceber nova batida na porta.

 

— Entre! — gritou.

 

Ao ver Edith surgir, Angel forçou um sorriso. A criada, por sua vez, sacudiu a cabeça com ar de reprovação.

 

—A senhora jamais conquistará lorde Justin se con­tinuar dormindo no colchão no chão.

 

Conquistá-lo? Para quê? E de quem?, refletiu Angel. Edith saberia onde e como ele havia passado a noite?

 

Que diferença fazia isso?, indagou-se ao levantar-se. Ela devia estar comemorando o fato de ele ter encontrado outra mulher para atormentar.

 

— Não tenho o mínimo interesse em seu senhor, Edith. E você sabe disso.

 

— Não acredito. A senhora parecia bem interessada ontem à noite no salão — argumentou a criada. A noite da véspera. De repente, a lembrança da brincadeira surgiu-lhe na mente. Justin, encapuzado tinha encontrado depressa. Isso não a surpreenda tanto quanto o que se seguira depois. Nunca tinha sido beijada e nem sonhado que o ato simples pudesse ser tão estimulante.

 

Todos os detalhes vieram-lhe à mente. O contato com o corpo rijo, a pressão dos lábios quentes nos seus, língua invadindo-lhe a boca e a forçando a apoiar-se nele.

 

O marido lhe tinha tirado o fôlego, mas não por amedrontá-la. Nem por um segundo, ela temera-lhe o toque. Havia acariciado-o na nuca e encostado o corpo no dele desejando... o quê? Ele? Impossível.

 

Atordoada, Angel percebeu que continuava em pé vestindo apenas a camisa. Respirava com dificuldade e o coração disparava enquanto Edith a observava com um sorriso matreiro.

 

— Tudo não passou do pagamento de uma prenda para satisfazer as pessoas — explicou enrubescendo.

 

— Para mim, pareceu bem real, lady Angel, e prova o que venho lhe dizendo. Lorde Justin sente atração pela senhora, que poderá conquistá-lo se fizer um pequeno esforço. É mais fácil apanhar moscas com mel do que com vinagre.

 

— Quem quer apanhar moscas ou Justin Bieber?’ — perguntou Angel enquanto deixava a criada vesti-la.

 

— Tornaria sua vida mais fácil, minha senhora. O comentário quase provocou as lágrimas de Angel.

 

— Não vou me comportar como uma rameira. Existem outras mulheres que o receberiam com prazer. Ele só me quer para exercer vingança.

 

— Tudo vai acabar bem, minha senhora. Espere e verá. Um homem não beija uma mulher daquele jeito quando só sente ódio por ela. Pense nisso enquanto ele está au­sente — aconselhou Edith.

 

— Justin foi viajar? Para onde? — indagou Angel, sentindo-se curiosamente desapontada.

 

— Ninguém sabe. Deixou o castelo tão logo saiu deste quarto. Corria como se estivesse fugindo do próprio demônio.

 

Angel foi tomada por um misto de emoções. O marido estava fora e isso a deixava mais relaxada. Deveria se sentir exultante, mas tal não acontecia.

 

— Pois é, meu senhor saiu para a chuva como se precisasse se molhar a fim de arrefecer o ardor — comentou a criada, piscando.

 

— Tolice! Mas já que ele está fora, é uma boa opor­tunidade para eu trocar a palha do salão e lavar os ladrilhos.

 

— Isso é trabalho para os criados — protestou Edith com ar de desaprovação.

 

— Então, talvez você possa me ajudar — disse Angel, sorrindo.

 

Acostumada a trabalhar o dia inteiro, sentia falta de uma atividade ali no castelo. Por causa das proibições do marido, custava a encontrar uma.

 

Resmungando, Edith abriu a porta, mas com um grito assustado, deu um passo para trás.

 

— O que foi? — perguntou Angel ao espiar o corredor. Num canto sombrio, reconheceu a silhueta do sírio. Ele não era tão alto quanto Justin, mas mostrava ser tão forte. Usava uma túnica preta com acabamento dourado. A peça escura acentuava-lhe o moreno da pele que, embora estranho, o tomava muito atraente.

 

Como o de Justin, o rosto dele tinha uma beleza quase feminina, mas ao oposto do marido, ele não era marcado por uma expressão cruel. Darius parecia muito satisfeito consigo mesmo e com a própria virilidade. Aliás, não havia dúvida quanto a ela, desde a curva insinuante dos lábios até a expressão de sensualidade dos olhos negros.

 

— Deus tenha misericórdia de nós! É o demônio estrangeiro — gemeu a criada.

 

— Não há razão para ter medo — disse Angel.

 

— Ora, esse infiel surge das sombras de propósito para assustar uma velha — a criada resmungou ao correr para a escada.

 

Angel sacudiu a cabeça. Embora o sírio fosse diferente, ele merecia ser tratado com respeito. Meio acanhada ela sorriu.

 

— Meu nome é Darius. Recebi a incumbência de protegê-la — explicou ele.

 

Angel reconheceu a voz, grave e melodiosa, que a havia tranqüilizado durante a viagem. Devia agradecer-lhe, mas ao fitá-lo, não teve coragem. Os olhos negros pareciam invadir-lhe a alma. Sentia-se sufocada sozinha ali com ele, diante da porta aberta do quarto. Com esforço perguntou:

 

— Você já se alimentou hoje?

 

Num gesto negativo, Darius sacudiu a cabeça.

 

— Pois então, vamos comer um pedaço de pão e beber uma caneca de cerveja. Quer dizer, caso eu tenha licença para andar por aí — ela acrescentou.

 

Darius sorriu.

 

— A senhora ficará livre até ele voltar. Livre? Angel refreou um comentário. Isso não aconteceria a menos... Perscrutou a expressão do sírio e lembrou-se outra vez das palavras dele durante, a viagem. Ainda não se conheciam, mas ele se dera ao trabalho acalmá-la. Talvez seu guarda estranho pudesse ser convencido a ajudá-la de maneira mais concreta.

 

Abaixada, Angel firmou-se nos calcanhares e passou as costas da mão na testa. Os ladrilhos já lavados brilhavam, mas o salão de Belvry era maior do que qualquer cômodo do convento. Estava levando mais tempo para limpá-lo do que ela havia imaginado. Precisavam terminar logo e a tempo para o jantar.

 

Angel olhou para a silhueta escura a alguma distância de Edith. Embora não pudesse ver, sabia estar sendo observada. Apesar das boas intenções, o estrangeiro a deixava nervosa. Ele era atraente e atencioso, mas algo nos olhos negros a perturbava.

 

Angel tinha desistido da idéia de conquistar-lhe a ajuda. Não havia nada que ele pudesse fazer a não ser levá-la para longe, fora do alcance do marido. Mesmo se o sírio estivesse disposto a fazer isso, ela não tinha certeza de querer ir embora com ele. Não estaria pulando da panela para o fogo?

 

Ironicamente, sentia-se menos preocupada ao lado do marido demoníaco do que com este estrangeiro bondoso. Justin ela já conhecia bem, ao passo que Darius exigiria uma vida inteira para ser compreendido.

 

E se fugissem de Belvry, para onde iriam? Consumido pelo desejo de vingança, Justin os perseguiria até os confins do mundo. E então, ela estaria em muito pior situação, refletiu.

 

Desviou os olhos do sírio e reassumiu o trabalho. Es­tava errado pensar com tanta frieza em usar o sírio, pois ele a tratava apenas com bondade. Era um sujeito decente e, se não fosse pelos olhos negros...

 

Angel estremeceu. Horas sob a atenção sombria, faziam o olhar faiscante do marido parecer mais suportável.

 

Justin não estava de bom humor. Tinha cavalgado durante uma noite na chuva, em busca de alívio para o corpo. Mas agora, depois de mais um longo período na sela da montaria, voltava mais frustrado ainda.

 

Maldição! Pensou em Londres. Lá ele encontraria o que procurava sem muito trabalho. Talvez até achasse uma morena do leste, educada para satisfazer as ne­cessidades de um homem. Isso mesmo; pensou mais animado.

 

Levaria Darius com ele e partiria imediatamente. Mas então, lembrou-se de Angel. Antes de ir à procura do prazer, precisava executar a vingança. Não podia continuar adiando-a.

 

Até então, praticaria o celibato. Não seria difícil para um homem de sua disciplina. Muitas outras vezes, ficara sem mulher por longo tempo. Não seria uma com cabelos flamejantes que o faria perder o controle. Determinado, Justin entrou no salão, ansioso por ver a esposa. Tentava se convencer ser o desejo de vingança que o instigava.

 

Ao percorrer os olhos em volta à sua procura, ele nem notou os ladrilhos sem palha. Embora o administrador acorresse para recebê-lo, Angel não era vista em lugar algum.

 

Estremeceu. Teria ela fugido? Impossível! Não com Darius vigiando-a. De qualquer forma, sentiu-se ansioso nem respondeu o cumprimento do administrador.

 

— Onde está ela? — indagou em voz brusca.

 

— Quem, meu senhor? — Mathew Brown perguntou recuando.

 

— Minha mulher!

 

O administrador olhou para um canto onde umas criadas esfregavam os ladrilhos. Isso provocou um acesso de fúria em Justin. Por que o homem não respondia? onde estaria Darius? Alarmado, ele sentiu uma contração no estômago.

 

— Onde está ela? — repetiu, furioso. Atônito, Mathew apontou um dedo trêmulo para um canto.

 

— Meu senhor, sua esposa está ali. Justin olhou. Duas mulheres ajoelhadas continuavam a trabalhar. Um pouco adiante e nas sombras da lareira, estava Darius em atitude de vigilância.

 

Justin aproximou-se das mulheres. A mais velha ele reconheceu logo como sendo Edith, mas a mais jovem...Uma madeixa vermelha escapava-lhe da touca.

 

— Angel — ele gritou, a voz ecoando pelo salão. Ela parou, enxugou as mãos e levantou a cabeça para responder.

 

— Pois não?

 

Sua calma só serviu para deixá-lo mais bravo e dirigiu-lhe um olhar feroz. A mulher vestia outro vestido reformado, tinha o rosto sujo e as mãos avermelhadas. Por Deus! Tratava-se da esposa dele e não devia estar ajoelhada trabalhando.

 

— Com todos os diabos, o que pensa estar fazendo?

 

— Lavando os ladrilhos antes de colocar palha limpa — ela respondeu, ainda em atitude calma.

 

— Levante-se já! Temos criados suficientes para fazer esse serviço — disse Justin, notando o olhar estupefato das outras pessoas.

 

Angel ergueu-se e o fitou com expressão de desafio.

 

— E o que tenho licença para fazer? Não posso cuidar de doentes e nem trabalhar na horta. Pelo jeito, também não posso limpar o chão.

 

— Sua obrigação é cuidar de mim.

 

— Ah, é? Você desapareceu antes de ontem à noite sem dizer aonde ia e nem quando voltaria — Angel gritou.

 

Justin sentiu a cabeça leve. Estaria a mulher preo­cupada com ele? Teria sentido falta sua? De jeito nenhum. Angel teria ficado aliviada com sua ausência. Sacudiu a cabeça e, com raiva redobrada, disse:

 

— Vá se vestir de maneira decente, mulher! Está quase na hora do jantar e não quero me sentar à mesa ao lado de uma camponesa suja!

 

Ela soltou uma exclamação e abriu a boca como se quisesse dizer algo mais. Justin esqueceu o fascínio de uma morena do leste, disposta a satisfazê-lo. A esposa mostrava-se enérgica e o contagiava com seu fogo. Defendia-se com tanta paixão que ele imaginou essa emoção desencadeada em outras coisas.

 

                                                                        Spoiler   do proximo capitulo                                               

"— Não a defenda a menos que queira ser responsabilizada por seu atrevimento. Ou, quem sabe, você não estará ansiosa para compartilhar a cama comigo? — ele a provocou e a viu empalidecer. — Sabe, mulher não preciso de tônico algum para estimular meu sexo. Quer a prova? "


Notas Finais


como prometido aqui esta o cap
e o spoiler do proximo capitulo
entao favoritem bastante e comentem
pergunta ;
qual e o fetiçe de vcs ?


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