História The Walking Dead - Odeio Amar Carl Grimes - Capítulo 40


Escrita por: ~

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Categorias The Walking Dead
Tags Carl Grimes, Dead, Serie, Survivor, The Walkig Dead, Walkers, Zumbi
Visualizações 526
Palavras 4.152
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Survival, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OOOI WALKERS!
Primeiro, me desculpem pela demora! Mas não tive tempo pra escrever essa semana... (semana de provas ne 😓)
Mas agora o capítulo está aqui! Espero q gostem :)
Desculpem se tiver erros de digitação...
Boa leitura! (♡_☆)

Capítulo 40 - Não vou falar sobre isso


  Fiquei recostada na entrada da porta, com os braços cruzados enquanto observava o pessoal se preparando para partir. Eles iriam fazer uma longa viagem até a tal "colônia" onde o Jesus morava, parece que seria uma viagem de um dia.

Eu não gostava muito dessa ideia, não sabemos se podemos confiar nesse cara, vai saber quem ele realmente é.

- Olá, garotinha. É mais fácil enxergar seu rosto sem aquela sujeira toda, bem melhor assim. - Virei a cabeça, onde Jesus acabara de se recostar do meu lado, com as costas na parede e os pés e pernas cruzadas. Ele olhava pra frente, também observando a movimentação. - Já está de pé?

- É o que parece. - Respondi, talvez um pouco mais rude do que pretendia. A gente não tinha se falado ainda, eu estava no meu quarto enquanto ele estava conversando com o grupo, não tive coragem de descer depois que a Michonne limpou a bagunça que fiz no meu quarto, digamos que ela não ficou muito feliz com o trabalho que teve.

- E então? Não tem nada pra me dizer? - Perguntou, franzi o cenho.

- Tipo o que?

- Tipo "obrigado por ter salvo a minha vida". - Dei risada debochando e ele virou o rosto pra mim, me olhando com aqueles olhos verdes.

- Não sei se você salvou minha vida, mas o meu ombro que você deslocou ainda dói. - Falei. Ele deu uma risada balançando a cabeça. - E o meu nome é Thaylor. - Descruzei os braços e estendi a mão para ele, que a apertou depois de hesitar um segundo.

- O meu é Paul Rovia, mas meus amigos me chamam de...

- Jesus. - Completei cortando-o. Soltamos as mãos e ele voltou a cruzar os braços.

- Desculpe pelo seu ombro. Mas realmente acho que salvei sua vida, sabe-se lá o que poderia ter acontecido se eu não tivesse aparecido.

- Nunca vamos saber.

- Mas por via das dúvidas....

Suspirei revirando os olhos.

- Obrigado pela possível ajuda. - Agredeci logo, percebendo que ele continuaria insistindo naquilo.

- Disponha.

Ele se desencostou da parede e se debruçou com os braços apoiados sobre as grades de madeira da varanda.

- Fiquei sabendo do que aconteceu com você. - Falou. - Você é realmente muito sortuda.

- Não foi sorte. - Saí da porta e me apoiei ao lado dele, com os braços sob as grades. - Nunca é sorte.

- Seja lá o que tenha sido, você escapou de uma fria. - Seu tom ficou mais baixo, quase que um sussurro. - Ao que tudo indica, os caras que você explodiu, eles eram salvadores.

Olhei pra ele, que olhou pra mim também.

- Salvadores? - Indaguei interessada.

- Eu sei, "Salvadores"... é uma ironia, não? - Riu.

- Quem são eles?

- Só precisa saber que eles são perigosos. Considere-se "sortuda" de não saber quem eles são.

- Bem... os caras que encontrei não eram lá muito espertos.

- Devem ter sido recrutados a pouco tempo. Mas não subestime os salvadores. - Avisou. Ele se afastou das grades, e virou o corpo pra mim. - Preciso ir agora, até mais, Thaylor.

- Até. - Retribui. Ele passou a mão na minha cabeça, despenteando meus cabelos, e desceu as escadas, entrando no trailer que estava estacionado na frente da casa.

Passei as mãos na cabeça, ajeitando os fios de cabelo que Jesus havia bagunçado.

Rick e Carl estavam conversando mais a frente. Ouvi Rick pedir pro Carl ir com eles, o que me deixou revoltada, já que ontem mesmo ele não permitiu que eu saisse com eles. Fiquei surpresa quando Carl recusou o convite.

- Alguém tem que ficar e cuidar desse lugar. - Essa foi sua justificativa. - E um garoto com a cara estourada, não passaria uma boa impressão. - Falou dando uma pequena risada.

Ouvir isso foi um pouco pesaroso, já que ainda me sinto culpada pelo que aconteceu.

Rick assentiu e entregou a Judith pra ele.

- Você vai ficar bem? - Michonne perguntou chegando do meu lado. Assenti, depois do banho e daquele xarope horrível que a Denise me obrigou a ingerir, eu já estava um pouco melhor, a cabeça ainda doía, mas pelo menos já conseguia me sustentar em pé, pensei que estaria bem pior.

Ela enfiou as mãos nos bolsos traseiros da calça, e mordeu os lábios.

- Tá... tudo bem? - Perguntei, percebendo a aflição dela.

- Sabe, eu e o Rick... - Fez uma pausa em que deu um pequeno sorriso. - ... a gente está tendo um lance.

- Um lance? - Sorri junto com ela.

- Sim. - Assentiu. - Aconteceu e, só aconteceu ontem a noite.

Tá legal, acho que eu não precisava saber desse pequeno detalhe. Não entendi o por que de ela estar me contando isso, a vida é dela e não precisa dar satisfações.

- Tudo bem.

- Então... se comporte até a gente voltar, tome os medicamentos que a Denise mandar, e não quebre mais nada. - Avisou se referindo a jarra.

- Pode deixar.

Depois de me dar um beijo na testa, ela se dirigiu ao trailer.

Rick acenou pra mim, sorri em resposta e me virei, entrando em casa.

Me sentei no sofá e joguei meus pés sobre a mesinha, tomando cuidado para não derrubar o vaso de cristal no centro da mesa, e quebrar mais uma coisa. Fechei os olhos, pensando no que o Jesus falou, sobre os tais "Salvadores", e sobre serem perigosos.

- Ei. - Abri os olhos um tanto assustada. Daryl entrou na sala, parando em pé na minha frente. - Não tive tempo de te ver.

Fiquei calada, olhando pros meus pés na mesa. Ouvi ele respirar fundo.

- O Glenn me contou o que aconteceu...

- É, aposto que sim. - O cortei ainda sem olhá-lo.

- Eu sinto... - Ele fez uma pausa, levantei a cabeça pra ele, o olhei encorajando-o a falar logo o que ele tinha pra falar. - ... é uma pena o seu bicho ter morrido.

Fiquei imóvel por um instante, apenas encarando-o sem acreditar no que acabei de ouvir.

- Não vai dizer nada? - Indagou um tanto arrogante.

Balancei a cabeça e soltei uma risada amarga. Ele me olhou com a expressão dura.

- Com certeza você está sentindo muito, afinal, você pensou que você mesmo teria o prazer de fazer isso, não é?

- Olha só ruivinha, eu sei que está brava comigo por que acha que tenho culpa nisso. - Me olhava carrancudo. - Mas não fui eu quem deu um de doido e saí por aí no mato com um coelho!

Baixei a cabeça, sentindo uma coisa crescendo no meu peito, uma mistura de raiva e culpa.

- Droga eu... eu não quis falar assim.

- Não estou te culpando. - Falei ainda com a cabeça baixa. - Só não me fala que "lamenta" pela morte dele, eu não acredito em você.

- Tá legal, eu não to nem aí pro coelho. - Falou indelicado. Fechei os olhos com força, esperando a raiva se esvair. - Mas a Maggie me pediu pra dizer isso.

- Não importa. - Falei abrindo os olhos e tirei os pés da mesa, que bateram no vaso e se o Daryl não tivesse sido rápido e pegado o vaso no momento em que caiu da mesa, ele estaria em pedaços no assoalho. Me levantei do sofá, ficando em pé na frente dele atrás da mesinha.

- Na verdade eu vim ver como você estava.

- Melhor do que ontem, com certeza. - Murmurei a última parte.

- Que bom.

- É.

- E... os infelizes explodiram mesmo? - Me olhou com as sobrancelhas arqueadas.

- Sim, todos eles. - Confirmei com um risinho satisfeito.

- Melhor assim. - Falou rindo de lado.

- Daryl! - Rick chamou de lá de fora.

- Melhor eu ir. - Falou se encaminhando pra porta. - Fica bem.

- Daryl. - Ele se virou pra mim. Abri um sorriso e levantei o braço, mostrando o dedo do meio pra ele, devolvendo seu lindo gesto de ontem.

- Vai se ferrar, mini vadia. - Riu balançando a cabeça e saiu.

- Filho da mãe. - Ri comigo mesma e me encaminhei pras escadas, sentindo dor com o esforço que estava fazendo nas pernas.

Entrei no meu quarto e fui até a janela, olhei para a Sasha e Maggie, que eram as únicas que ainda não estavam no trailer.

Maggie olhou pra cima, me encontrando. Ela deu um sorriso e acenou, dando um tchau. Retribui o gesto e o sorriso, Sasha olhou pra cima também e fez o mesmo, também dei tchau pra ela. E então elas entraram e a van deu partida, sumindo do meu campo de visão.

Saí da janela e fui até o closet, me encarando no espelho. Peguei a escova de cima da cômoda e comecei a pentear os cabelos, que ainda estavam desgrenhados pelos dedos do Jesus.

Escutei passos na escadas e em seguida vi Carl passando pelo corredor, com a Judith no colo.

Coloquei a escova de volta na cômoda e deixei o quarto, indo até o do Carl, onde encontrei a Judith sentada na cama e o Carl abrindo o armário, pegando seu chapéu. As armas que estavam escondidas lá dentro, me chamaram atenção. Parece que a Olívia anda bem distraída, deve ser pela ausência de comida na dispensa.

- Por que você tem um arsenal no seu quarto, e eu não? - Indaguei assustando-o com minha entrada repentina. Ele fechou a porta do closet, e se virou pra mim.

- Achei que tivesse problemas com roubo, pensei que não gostasse. - Falou colocando o chapéu na cabeça. - E não exagera, são só quatro armas ainda.

- Você tem quatro e eu nenhuma. - Falei me sentando acomodada na cadeira da sua escrivaninha. - Preciso de uma arma.

- E o que eu tenho a ver com isso?

Fiquei ofendida com a arrogância dele. Garoto mais estranho, uma hora está um "amorzinho" e no segundo seguinte parece um animal selvagem.

- Você poderia me dar uma das suas. - Respondi batendo os dedos na mesa de madeira, fazendo barulho de cavalos cavalgando.

- É, eu poderia. - Se sentou na cama, pegando Judith e colocando-a sentada em seu colo. - Mas não vou.

- E por que não? Só uma pistola não vai te fazer falta.

- Não é verdade, ficaria impressionada com a falta que ela me faria. - Ironizou. - E você não precisa de uma arma, está segura aqui.

- Uau, isso me deixa tão mais calma. - Revirei os olhos, e ele fez o mesmo. - Então por que está armado até o pescoço?

- É apenas pra emergência, tenho que proteger esse lugar. - Foi sua resposta. Ele começou a brincar de bater palmas com a Judith, que soltava gargalhadas gostosas. - E me custou muito pegar elas, não vou dar pra uma descuidada como você.

- Não sou descuidada! Roubaram a minha, não pude fazer nada. E para de ser tão egoísta Carl, só estou pedindo uma. - Ele negou com a cabeça, idiota. - Ok, já que é assim, vou contar a Olívia sobre seu "armário de emergência". Ela com certeza ficará comovida com sua preocupação com a segurança deste lugar. - Ameacei.

Ele levantou seu olhar que estava na Judith, pra mim, me encarando com cara de "você não faria isso", sorri com maldade em resposta. Ele suspirou, derrotado, e se levantou, colocando a Judith sentada de volta na cama, ela agora não estava mais rindo.

Ele se encaminhou até o closet e abriu a porta, tirando de lá uma pistola 9 milímetros. Senti o pesar em seu olhar, quando ele veio na minha direção, e hesitou um pouco em estendê-la pra mim.

Sorri e peguei a pistola, sentindo um arrepio percorrer meu corpo quando meus dedos tocaram os seus.

- Obrigado. - Agredeci puxando a arma de sua mão, que não queria soltá-la. - Você é muito gentil, Carl.

- Não me faça ficar arrependido por isso. - Me olhou feio e voltou pra cama, pegando a Judith no colo.

Coloquei a arma na parte de trás da calça e joguei minha camiseta por cima.

- Ah! Achei você. - Nos assustamos quando Tara apareceu de repente na porta do quarto. Não tínhamos ouvido ela chegando. Ela olhou pro Carl com a Judith, parecendo perceber a presença deles só agora. - Quer dizer, achei vocês.

- Oi Tara. - Carl falou. - Achei que tivesse ido com eles.

- Já tinha muita gente. - Deu de ombros e adentrou o quarto, ela estava com um sorriso travesso nos lábios. - O que acham de virem comigo aqui pra baixo, quero mostrar uma coisa.

Eu e Carl nos entreolhamos, um pouco desconfiados. Então ela deixou o quarto e Carl saiu atrás dela, me levantei da cadeira e os segui.

- Tcharam! - Ela exclamou quando chegamos na sala e demos de cara com um vídeo game posto no centro da mesinha, e o vaso que antes estava ali, agora se encontrava em cima da mesa de jantar.

- Esse vídeo game era da casa dos Anderson..? - Carl perguntou analisando o vídeo game.

- Do Ron. - Murmurei sentindo um pesar ao me lembrar dele.

- Era, mas agora é nosso. - Tara respondeu arrumando os controles. - Spencer disse que estava lá parado, então pedi pra ficar com ele.

Ficamos calados, acho que ambos estávamos pouco a vontade com isso. Tara parou o que estava fazendo, e se virou pra gente, ela deu um suspiro leve.

- Ah vamos lá, não precisam ficar assim. - Falou tentando nos animar. - Não é como se tivéssemos roubado deles.

- Tudo bem. - Carl falou assentindo. Tara me olhou esperançosa, esperando minha resposta.

- Ok, ok. - Cedi. Não tive coragem de acabar com a empolgação dela, e como ela disse "Não era como se estivéssemos roubando deles", eles estavam mortos.

- Qual é o jogo? - Carl perguntou, colocando a Judith dentro do cercadinho ao lado do sofá.

- É um de corrida. - Respondeu mostrando um CD.

- Nunca joguei antes. - Contei me sentando de pernas cruzadas no sofá.

- Não tem problema. - Falou sem desviar a atenção do que estava fazendo. - Carl, você já jogou, não é? - Ele afirmou. - Então ensina rapidinho pra ela.

Revirei os olhos, não gostando muito da ideia. Ele suspirou e veio até mim, parecia estar tão descontente quanto eu.

Tara entregou um controle pra mim e voltou a arrumar os cabos do objeto.

- Preste atenção, não vou ficar repetindo. - Falou parando atrás do sofá, em pé atrás de mim. Bufei com sua "gentileza". Ele esticou os braços, me cercando dos lados, e encostou sua cabeça ao lado da minha, senti sua respiração quente no meu pescoço, fazendo os pelos da minha nuca se arrepiarem. - O triângulo acelera... - Começou a explicar, então segurou o controle por cima das minhas mãos e foi apertando os botões, sentir seu toque fez meu coração se acelerar, e meu estômago revirar, como se tivesse borboletas na minha barriga. - Você aperta aqui pra pausar...

As mãos dele estavam um pouco trêmulas por cima das minhas, e senti sua respiração ficar mais rápida. Ele parou de falar e, num impulso incontrolável, virei meu rosto pra ele, que estava tão próximo do meu, que nossos narizes estavam quase se tocando.

Fique encarando aquele lindo olho azul cristalino, enquanto ele me fitava de volta. Senti suas mãos apertarem um pouco mais as minhas, o que fizeram meus machucados doerem por baixo das ataduras. Meus olhos desceram até sua boca, aqueles lábios estavam tão pertos...

- Pronto! - Ele se afastou de mim num pulo, tão assustado quanto eu, esquecemos completamente da presença da Tara ali. Ele soltou minhas mãos, se afastando com as bochechas avermelhadas, envergonhado. Senti minhas bochechas queimaram também. - E então Thay? Já sabe usar o controle?

- S-sei. - Assenti forçando um sorrisinho.

- Ótimo. - Pegou um controle pra ela e entregou outro ao Carl, que se sentou na outra ponta do sofá, deixando Tara no meio da gente. Olhei pra tv, onde a tela se dividia em três partes, onde cada quadrado tinha um carro de cor diferente. - Vou fazer vocês comerem poeira. - Ela tinha um brilho estranho nos olhos quando iniciou o jogo, eu já sabia que ela levava competições a sério de mais, uma vez ela quase me esganou quando descobriu que eu estava roubando no truco.

[ ... ]

Estávamos jogando esse jogo por duas horas sem parar, completamente viciados. Tara venceu por oito vezes seguidas, Carl conseguiu chegar em primeiro lugar duas vezes, e eu fiquei por último em todas. Apesar da minha derrota, estava divertido aquilo, e nos distraiu bastante. Judith se encontrava dormindo no cercado a uma hora, com certeza ficou entediada com nosso passa-tempo.

- Ah, desculpa... eu não quero atrapalhar. - Nos viramos pra Enid que acabara de parar na entrada da sala.

- Não está atrapalhando. - Tara falou, pausando o jogo.

- Quer jogar? - Convidei tentando ser educada.

- Hmm não... valeu. - Recusou o convite, abrindo um meio sorriso. - Carl, eu posso falar com você um minutinho?

- Claro. - Ele se levantou do sofá e colocou o controle no seu assento, e os dois foram pra varanda, conversando aos sussurros.

Eu e Tara ficamos esperando até ele voltar, com o jogo pausado.

- E como você está? - Puxou assunto.

- Bem. - Respondi.

- Que bom, se a Denise perguntar, diga que eu não esqueci de perguntar a você. - Ri balançando a cabeça.

Carl voltou pra sala, Enid permaneceu lá fora, na varanda.

- Eu vou precisar sair, desculpem. - Comunicou pegando seu chapéu que estava em cima da mesinha, e o colocou na cabeça. - Vou pedir pro Gabriel vir ficar com a Judith até eu voltar, até mais. - Então saiu, sem dar tempo de respondermos algo.

Os dois saíram, provavelmente pulariam o muro, como de costume.

Suspirei chateada.

- Garotos, são todos iguais... - Tara comentou dando um suspiro. - É por isso que não gosto deles.

- Do que está falando? - Perguntei confusa, olhando pra ela.

Tara despausou o jogo, continuando a corrida, mesmo com os outros dois adversários parados.

- Disso o que você acabou ver. - Respondeu. - O Carl, foi só outra garota aparecer e ele já foi atrás.

- Acha que eles estão... juntos? Que ele gosta dela? - Perguntei sem ao menos assimilar a pergunta.

- Não, esses garotos não gostam de uma só garota, eles gostam de todas. - Ela parecia amargurada enquanto falava. - Não conseguem ter só uma.

- Por que está falando assim? - Ela ficou calada, vidrada na tv. Pausei o jogo, ela respirou fundo e virou o rosto pra mim. - Por que está falando assim? - Repeti a pergunta.

- Quando eu tinha dezessete anos, eu era gamada num garoto da minha escola.

- Sério?

- Ahãm. - Afirmou. - Um dia ele me convidou pra sair, e eu fiquei tão feliz por ele ter me notado... - Seu olhar se vidrou pra parede atrás de mim, como se estivesse se lembrando do passado. - ... Eu aceitei, e então a gente começou a sair juntos quase todos os dias. Ele dizia que estava apaixonado por mim, e que sonhava comigo todas as noites.

- Que... fofo. - Comentei, sem saber ao certo o que dizer.

- Eu também achava "fofo", até descobrir que ele dizia a mesma coisa pra mais cinco garotas. - Voltou a olhar pra mim.

Abri a boca pra falar, mas não disse nada, voltando a fechar a boca. Que coisa horrível ser enganada assim.

- Depois dessa "decepção amorosa", eu quis experimentar coisas novas... e acabei gostando. - Deu de ombros, voltando a sorrir. - Estou feliz assim.

- Fico feliz por você.

- E como se sente? Tipo, não fica revoltada com essa atitude do Carl?

- E por que eu ficaria revoltada com ele? - Indaguei sem entender o que ela queria dizer.

- Como assim? - Me olhou incrédula. - Vocês não estão juntos?

- O que?!

- Eugene viu vocês na semana passada. - Falou um pouco apreensiva. - Ele disse que vocês dois estavam no quarto do Carl... se beijando.

- Ah... - Fiquei paralisada, sem saber o que dizer.

- Ele me procurou preocupado, dizendo que estava preocupado, sem saber se contava pro Rick sobre isso. Convenci ele a ficar de boca fechada.

- Foi... foi só um beijo. - Falei com a voz falha de vergonha. - E o Eugene não deveria ficar espiando a gente assim.

- Ele não estava espiando. - Defendeu. - Ele disse que estava passando pelo corredor e a porta do quarto estava aberta. Não estamos tendo essa conversa por causa que ele viu vocês se beijarem, e sim porque vocês estavam na cama, com o Carl deitado em cima de você.

- Para! - Gritei quase me engasgando com a própria saliva. - Não! Não é nada disso o que está pensando, eu... a gente não chegou a esse ponto.

- Mas sentiram vontade. - Isso não tinha sido uma pergunta.

- Só nos beijamos, foi só... um momento confuso. - Foi tudo o que consegui dizer, eu não sabia como explicar.

- Sei bem, já tive esses "momentos confusos". - Riu, voltando a ficar séria em seguida. - Thaylor, não quero ser chata e muito menos antiquada. Mas já que escolhi ocultar isso do Rick e da Michonne, é minha obrigação te explicar as coisas.

- Ah não... Tara, por favor! - Arregalei os olhos, meu rosto queimou. Não acredito que teríamos essa conversa, era tão... constrangedor!

- Acredite, também não gosto dessa ideia, nunca tive que ter essa conversa com ninguém antes... nem sei como começar. - Mordeu os lábios em nervosismo, e coçou a nuca.

- Então nem comece! - Me levantei do sofá. - Não precisamos falar disso, não aconteceu nada, e eu não sou uma tapada ingênua que não entende dessas coisas.

Me encaminhei apressada pras escadas, sentindo as pernas e costas doerem com os meus passos pesados.

- Thaylor! Não pode fugir! - Gritou enquanto eu subia os degraus.

- Não estou fugindo! - Gritei de volta. - Só não precisamos falar disso, é um favor pra mim e pra você. Só... esquece!

Terminei de subir e entrei no meu quarto, fechando a porta atrás de mim.

Me sentei na poltrona ao lado da janela, tapei meu rosto com as duas mãos, frustrada. Respirei fundo, na tentativa de fazer aquela vergonha passar, mas só aumentava.

Deveríamos ao menos ter fechado a porta, ai que raiva do Eugene! Ainda tenho que me sentir aliviada por ele não ter contado ao Rick.

Destapei os olhos, e me levantei, ficando parada na frente da janela, olhando para a vista da rua que eu tinha dali. As pessoas pessavam despreocupadas. Vi o padre Gabriel passando, vindo na direção da casa, imagino que veio ficar com a Judith. Uns minutos depois de ele entrar, Tara saiu de casa, a segui com o olhar até perde-la de vista.

Grudei a testa no vidro, e fechei os olhos, aliviada por provavelmente não ter que encontrar ela aqui hoje.

Alguém bateu na porta, despertando minha atenção. Tirei a testa da janela, deixando uma mancha embaçada no vidro, causada pelo meu álito gelado.

- Entra.

A porta se abriu de vagar, e o padre Gabriel pôs a cabeça pra dentro do quarto, sorrindo ao me ver.

- Vejo que parece estar melhor. - Falou com a mão ainda na maçaneta.

- Um pouco. - Respondi forçando um sorriso.

- Que ótimo. Está com fome? Posso preparar algo pra comermos.

- É... estou sim. - Respondi. Eu estava pensando em fazer um lanche mais tarde, mas já que ele se ofereceu...

- Venha, então. - Me chamou e saiu do quarto. Falei que já estava indo e fechei a porta.

Não posso sair do quarto com a pistola, ele é bem observador, pode perceber que a estou escondendo. O padre Gabriel pode parecer ingênuo e meio bobo as vezes, mas ele não sobreviveu até agora apenas com bondade, ele tinha algum segredo, que não me interessa muito saber qual é, também tenho os meus.

Peguei a chave de debaixo do tapete e tirei minha pistola da parte de trás da calça. Destranquei a gaveta da cômoda e guardei a arma ao lado do meu diário e das outras duas pistola lá dentro.

   - Não Carl, eu não tenho problema nenhum com roubo. - Ri comigo mesma, debochando da ingenuidade dele.


Notas Finais


Boomm é isso! Espero q tenham gostado, se puderem comentem oq acharam por favor, vou tentar postar o pximo cap o mais rápido possível
Vlww e até mais!! 😙.


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