História The Walking Dead - Odeio Amar Carl Grimes - Capítulo 41


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Tags Carl, Dead, Serie, Walkers
Exibições 158
Palavras 5.018
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Survival, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OOOI WALKERS!! Demorei mas cheguei kkk espero q gostem do capítulo...
Estou demorando pra postar esses dias pq estou sem muito tempo pra escrever, estou na semana de provas... difícil 😪 Mas o Cap saiu um pouco (talvez mto) grande,
Enfim... desculpem se tiver erros de digitação..
Boa leitura! (♡_♡)

Capítulo 41 - Levemente alcoolizados


Fanfic / Fanfiction The Walking Dead - Odeio Amar Carl Grimes - Capítulo 41 - Levemente alcoolizados

   - Eu realmente não sei o que vou fazer com vocês. - Carol falava, totalmente indignada, estava em pé apoiada com as costas na parede ao lado da porta da sala, com os braços cruzados.

- Que merda vocês têm na cabeça? - Indagou Tara, que estava sentada de frente pra nós.

Eu e Carl apenas ouvíamos tudo com as cabeças abaixadas, encarando a superfície da mesa de jantar, onde estávamos sentados do lado do outro. Eu ainda segurava a vontade de vomitar, minha cabeça explodia e eu me sentia náuseada.

- Não acredito nisso. O que pensaram que estavam fazendo? - Gabriel balançou a cabeça, estava indignado, como os outros. Ele se mantinha sentado no sofá, ao lado da Judith, que estava em pé no cercado, brincando com uma girafa de morder.

Eu e Carl nos entreolhamos discretamente, com a cabeça baixa. Percebi que ele estava segurando a risada, então senti uma incrível vontade de rir também, mas tive que segurar.

- Pensei que fossem mais responsáveis. -

Carol falou com desgosto.

- Ok, eles erraram... mas são adolescentes, e são curiosos. Isso é normal, vão dizer que nunca aprontaram nessa idade? Por que eu já.

- Não me diga que vai defendê-los, Tara! - Repreendeu Carol.

- Tudo bem. - Finalmente abri a boca, chamando a atenção deles. Eu já estava cansada de ouvir aquele sermão todo. - Erramos, e já entendemos isso. Mas... o que vai acontecer com a gente?

- Vocês vão contar ao meu pai e a Michonne? - Perguntou Carl, senti a tensão invadir o ambiente.

< Horas antes >

- Pronto. - Denise falou, terminando de enfaixar minha testa.

- Obrigada. - Agradeci e joguei meus cabelos pra frente.

- A Michonne não te falou que eu iria até sua casa?

- Falou, mas eu não tinha nada pra fazer mesmo. - Respondi dando de ombros. Ela se levanta do pequeno sofá em que estávamos sentadas, e vai até uma das prateleiras de remédio.

- Eu recomendei repouso pra você, como vai melhorar se não obecer minhas ordens? - Repreendeu enquanto mexia em alguns frascos transpatentes de pílulas.

- Sua recomendação foi que eu ficasse o dia todo na cama, como vou melhorar assim? - Retruquei, fazendo ela me olhar zangada por trás da prateleira. - É sério, eu estou bem.

- Estou vendo, e fico feliz por você estar de pé. - Falou pegando por fim, um frasco e veio até mim, parando na minha frente. - Mas não abuse, seus ferimentos não foram leves.

- Como se eu não soubesse. - Murmurei pra mim mesma.

- Pega, - Me entregou o frasco transparente, que continha pílulas amarelas. Peguei o vidro, analizando-o. - tome uma toda a manhã, vai te ajudar com a dor de cabeça.

- Ok. - Assenti e me levantei do sofá. - Eu vou indo.

- Não faça...

- Muito esforço. - Terminei a frase imitando a voz dela, ela disse isso tantas vezes só nesses quinze minutos em que estou aqui, que já até perdi a conta.

- Ótimo. - Riu me conduzindo até a porta. - Até mais.

- Até.

Eu não estava muito afim de voltar pra casa e ficar lá sozinha, o padre Gabriel tinha voltado pra igreja junto com a Judith.

Andando em passos lentos e até um pouco cansados, caminhei seguindo em direção ao nosso cemitério improvisado, onde eu estava vendo o Morgan saindo de lá. Acenei de longe pra ele, que ao me ver, sorriu e começou a vir na minha direção.

Eu precisava falar com ele, me desculpar por ter sido grossa na noite passada. É meio arriscado se desentender com alguém que sabe mais do que deveria sobre mim.

- Confesso que estou surpreso em te ver aqui fora. - Falou já se aproximando.

- É.. eu também estou. - Sorri sem mostrar os dentes.

- Como está?

- Bem. - Respondi, então de um pequeno suspiro, tomando coragem. - Morgan, eu sinto muito por ter gritado com você. - Falei, mostrando todo o meu "arrependimento".

- Não se preocupe. - Colocou sua mão em meu ombro. - Você não estava nada bem ontem, estava... de cabeça quente. E eu fui rude em te incomodar daquele jeito.

Pensei em concordar, mas isso seria um pouco grosseiro.

- Já que... estamos aqui, - Falou tirando a mão do meu ombro, e se abaixou no chão, puxando umas flores cor violeta, que cresciam na grama. Então se levantou, voltando a ficar de frente pra mim. - que tal visitar o Sam?

Fiquei surpresa com isso. Na verdade, não fui ao túmulo dos Anderson nenhuma vez, e nem passou pela minha cabeça visitá-los. E eu também não queria ir.

- O que acha? - Insistiu.

- Uma péssima ideia. - Respondi negando com a cabeça.

Ela ficou calado por um instante, me observando com a testa franzida.

- Tudo bem, você que sabe. - Falou por fim, então ele pegou minha mão e me deu as flores que estava segurando. - Mas acho que deve isso a ele.

Dito isto, ele me deu um tapinha no ombro e saiu andando pra direção contrária. Fiquei uns segundos parada no mesmo lugar, olhando pras flores na minha mão.

"Tudo bem Morgan... você venceu", suspirei derrotada, e comecei a andar os poucos passos que faltavam pra chegar aos túmulos.

- Thaylor. - Carol veio na minha direção, ela estava saindo do cemitério.

- Sim, era pra mim estar em casa, mas eu ainda posso andar. - Respondi antes que pudesse fazer a pergunta. Ela riu.

- Bem... - Ela balançou um pote de plástico vazio. - entreguei ao Carl um pote de cookies, espero que goste, são de castanhas.

- Hmm, espero chegar antes que ele coma todos.

- Mas volte pra casa logo, não deveria estar passeando aqui fora. - Adivertiu, consegui segurar a vontade de revirar os olhos, não queria ser mal educada.

- Tá bom, Carol.

Ela saiu, segui ela com o olhar até que sumiu na curva da rua.

Andei passando pelos túmulos, e não consegui evitar pisar em cima da cova da Skyler quando passei por ela. Logo encontrei a fileira das lápides dos Anderson's. Evitei olhar pra cova da Jessie e do Ron, e parei de frente pra do Sam, onde tinha um cookie depositado ali.

Fiquei olhando pra aquele monte de terra que cobria o corpo morto dele, imaginando o que teria acontecido se eu não fizesse o que fiz. Provavelmente, eu ou outro alguém estaria no lugar dele.

- Eu não sou um monstro, Sam.

Depois de alguns minutos ali, joguei as flores em cima da cova, e me virei para ir embora. Mas antes de sair, uma coisa me chamou a atenção, um pouco mais a frente do túmulo do Sam, havia uma cova bem pequena, me aproximei um pouco, para ver o que estava escrito na lápide de madeira.

"Em memória de Kyeran, querido coelho"

- Morgan... - Sussurrei abrindo um pequeno sorriso, a terra que cobria o túmulo estava úmida, ele deve ter feito isso ainda hoje. Voltei ao túmulo do Sam, e peguei uma flor, joguei a mesma na cova do Kyeran.

- Adeus.... coelho. - Não consegui dizer o nome, teria sido como se... se eu estivesse dizendo adeus ao meu pai.

Minha cabeça voltou a doer, o sol estava muito quente.

- Hora de voltar pra casa. - Falei dando a volta e saindo dali.

Entrei em casa, fechando a porta atrás de mim. Coloquei o frasco de pílulas em cima da mesa, e me dirigi a cozinha, estava morrendo de sede.

- Não deveria ter saído. - Dei um pulo de susto. Eu não tinha percebido a presença do Carl, que estava sentado na bancada, tomado um copo de suco de laranja.

- Que merda Carl! - Levei a mão ao peito, e tentei normalizar minha respiração que se acelerou com o susto.

- Cadê a Judith?

- Está na igreja, com o Gabriel. - Respondi. - É pra você ir buscar ela depois.

- Ok.

- Você voltou rápido. - Comentei.

- Da onde?

- Sei lá... de onde você foi com a Enid.

- Eu só fui ajudar ela com umas coisas. - Falou. Como se eu não soubesse que eles pulam o muro. - E onde você foi?

- Trocar os curativos. - Respondi.

Abri a geladeira, procurando a jarra de água, mas só encontrei a jarra vazia. - Que droga Carl, qual é a dificuldade de encher a jarra?

- Nenhuma. - Respondeu cínico.

- Idiota.

Voltei a olhar pra geladeira, procurando o suco, eu queria tomar algo gelado.

- Acabou. - Disse, olhei pra ele por cima da porta da geladeira, e vi ele tomando o último gole do copo.

- Tudo bem. - Já impaciente, peguei uma lata de cerveja que estava no freezer.

- Perai, o que pensa que vai fazer com isso? - Indagou descendo da cadeira e vindo até mim.

- O que você acha? - Retruquei. - Está calor, não vou beber água quente, estou com sede.

- Já bebeu isso antes?

- Não. - Dei de ombros e abri a latinha. - Relaxa, é só um gole. Vai enchendo a jarra de água e coloca na geladeira.

- Me dá isso, - Tomou a latinha da minha mão, antes que eu pudesse colocá-la na boca. - não posso te deixar beber isso. E é do Abraham, ele vai sentir falta.

- Olha a minha cara de preocupada. - Tentei pegar a cerveja da mão dele, mas ele se esquivou. - Carl!

Tentei pegar de novo, mas não consegui. Então, de repente, ele parou de se esquivar e manteve a latinha no ar, ficou olhando pra ela, com uma expressão pensativa.

- Tudo bem, toma. - Me devolveu a cerveja. Fiquei um pouco desconfiada com essa atitude dele. - Não vai beber? - Perguntou meio que me desafiando com o olhar.

Dei de ombros e virei a latinha na boca, tomando um grande gole. Então engasguei, aquilo tinha um gosto horrível e amargo.

- O que foi? - Carl perguntou entre risadas.

- Seu idiota. - Murmurei quando consegui me recuperar.

- Eu avisei pra não beber.

- Como o Abraham consegue se embebedar com isso?

- Eu não sei, e nem quero saber. - Ele pegou a lata de volta, mas sem ser bruto dessa vez.

- Já bebeu?

- Não.

- Desafio você a beber um gole, sem cuspir ou fazer careta. - O encarei desafiadora.

- Não vou fazer isso. - Recusou balançando a cabeça.

- Ahh vai... se você passar no desafio, eu te devolvo a pistola. - Ele pareceu refletir sobre isso, e parecia que iria ceder. Ri comigo mesma, duvido ele conseguir não fazer pelo menos uma careta.

- Vou querer a pisola de volta. - Falou já levando a latinha a boca. Então ele virou a latinha na boca e fechou o olho, fiquei esperando alguma reação, e não aconteceu nada.

- Não... - Lamentei revoltada quando ele abriu o olho e começou a rir.

- A pistola é minha de novo. - Me olhou orgulhoso. - E isso tem um gosto horrível.

Que merda.

- Tá bom... devolvo ela depois. - revirei os olhos e me sentei no banco, jogando os braços em cima da bancada.

Carl abriu o freezer e colocou a cerveja de volta.

- Sabe... uma das coisas que sempre tive vontade de fazer, desde que tudo isso começou, era beber bebida alcoólica. - Comentei deitando minha cabeça na mão, que estava apoiada na bancada. Carl se sentou do meu lado.

- Sério mesmo? - Indagou. - O mundo acabando e você querendo experimentar álcool?

- Sei lá, é uma curiosidade. - Levantei o olhar pra ele. - Vai me dizer que nunca teve curiosidade de saber que gosto um vinho tem?

- Já... mas isso todo mundo tem vontade de saber, não é bem um "desejo".

- Meu pai sempre disse que "vinho é uma das sete maravilhas do mundo". - Ri me lembrando. - Tem vinho aqui, não tem?

- Tem. - Respondeu. - Por que?

- Onde está? - Perguntei descendo do banco, e me dirigi aos armários, procurando uma garrafa.

- Por que quer saber? - Reforçou a pergunta, desconfiado.

Ignorei ele, continuando a vasculhar os armários.

- Você quer beber? Thaylor, para de maluquice.

- Não é maluquice, é só que... - Parei a procura por um instante, só pra me virar pra ele, que continuava sentado no bando e me encarando como se eu fosse louca. - ... ontem eu quase morri, e eu ia morrer sem nunca ter ingerido álcool, isso é tão... bizarro!

- Está brincando, não é?

- Não. - Me virei voltando a vasculhar os armários.

- Você é louca...

- Eu não sou louca! - Gritei alterada. Então fechei os olhos e respirei fundo, me acalmando. - Desculpa.

Não gosto quando sou chamada de louca.

Fechei a porta do último armário que tinha na cozinha, não achei nenhuma garrafa.

- Carl, por favor. Só quero sentir o gosto. - Implorei me jogando no banco de frente pra ele. - É só um pouco, prometo.

- Não é uma boa ideia. - Continuou negando. - Álcool é proibido pra menores de idade por algum motivo.

- Para de ser tão certinho!

- Não sou certinho.

- Claro que é! - Retruquei já irritada. - Você quer o que? Esperar eu completar dezoito anos?

- Não creio que chegue a viver tanto. - Ironizou. Continuei séria, ele suspirou revirando o olho. - Pra que isso? Por que que de repente você está parecendo uma alcoólatra numa clínica de reabilitação?

- Você é tão exagerado. Só quero saber se vinho é realmente tudo isso o que o meu pai falava, o aroma e o sabor...

Ele baixou o olhar por um instante.

- Por favor. - Pedi novamente, em tom de súplica.

- Só um gole? - Suspirou vencido.

- Só um gole. - Confirmei sorrindo animada. Então ele se levantou e saiu da cozinha, continuei sentada, esperando ele voltar.

- Aqui. - Voltou trazendo uma garrafa de vidro escura. Ele foi até o armário e pegou uma taça, colocando ela em cima do balcão, na minha frente. Então as garrafas de vinho ficam escondidas em algum cômodo da casa?

- Sabe abrir? - Perguntei olhando pra ele.

- Aqui tem um saca rolha. - Falou abrindo uma gaveta, e tirando de lá um objeto de metal, acho que era isso o que ele estava falando. Então ele começou a girar o saca rolha.

- Háh! - Soltei um gritinho quando a rolha voou batendo contra a porta de um armário e caiu dentro da pia. E então um monte de espuma começou a sair de dentro da garrafa, molhando além das mãos do Carl, minha calça, a bancada e o chão. Ficamos inerte por um segundo, nos recuperando do susto. - Carl, isso não é vinho. Isso é champanhe.

- É, eu acabei de perceber isso. - Falou colocando a garrafa em cima do balcão e limpando as mãos meladas de espuma na camisa, fazendo uma careta. - Que droga, o que vamos fazer com isso agora?

- Bom, já que está aqui.. - Peguei a garrafa e a girei em cima da taça, enchendo só o fundo. Dei uma leve mexida e virei a taça na boca.

Aquilo era uma delícia, as bolinhas da espuma desmanchavam na boca, eu estava até vendo estrelas.

- Uau... isso é muito bom. - Exclamei olhando pro Carl, que me encarava um tanto preocupado. - Experimenta!

- Não acredito que estou fazendo isso.. - Ele pegou a taça e colocou um pouco de champanhe. Ficou encarando o copo por um segundo, e então virou a taça na boca.

Ele ficou sem reação por um instante, e então me olhou começando a rir.

- Isso é... muito bom mesmo. - Exclamou colocando mais um pouco na taça.

- Wow...

- É só mais um pouco. - Falou bebendo mais uma vez.

- Tudo bem, agora vai pegar o vinho. - Pedi me levantando e segurando seus ombros, empurrando-o para a saída.

- O vinho? - Parou se virando pra mim. - Pra que? O champanhe não bastou pra tirar sua dúvida?

- O champanhe é muito bom, mas é o vinho que eu quero experimentar. - Expliquei. Ele revirou os olhos.

- Se o meu pai descobrir que abrimos as garrafas...

- Ele nem ninguém vai descobrir. Olha, vamos experimentar um gole e guardar todas elas de volta, ninguém não vai nem perceber. - Tentei tranquilizá-lo. - E trás todas as garrafas que puder, sabe, pra poder sentir a diferença dos sabores.

- Você é muito doida. - Riu me fazendo rir também, então respirou fundo e saiu da cozinha.

Fui até o armário e peguei umas seis taças, colocando-as em fileira em cima da bancada. Logo Carl voltou, chegando com duas garrafas numa mão, e outras três que segurava com dificuldade contra o peito. Ajudei ele a colocá-las em cima do balcão.

- Só tem isso? - Perguntei analisando uma das garrafas que eu estava segurando.

- Só? - Me olhou intrigado. - Thaylor, eu não sei onde estou com a cabeça pra estar te ajudando com isso.

- Está com a cabeça no lugar. - Respondi tentando abrir a garrafa com o saca rolha. - E você é tão curioso quanto eu.

- Não acredite muito nisso. - Falou pegando um pano e jogando no chão, limpando a espuma do champanhe.

As taças já estavam todas cheias até a metade, organizadas em fileira em cima do balcão. Eu e Carl nos entreolhamos, um pouco tensos e ansiosos.

- Vamos lá. - Falei pegando a primeira taça e levando-a até a boca. Bebi um gole, saboreando aquele gosto inexplicavelmente maravilhoso e doce. Carl me olhava esperando uma reação.

- É bom? - Perguntou, eu não conseguiria explicar, então apenas entreguei a taça a ele, e ele bebeu o outro gole.

- Incrível. - Falou abrindo um sorriso. - Qual é esse mesmo?

- Deixa eu ver. - Peguei a garrafa que estava ao lado da taça de vinho que bebemos, e tentei ler o nome. - É o Schr... Scrom... Ahh desisto, não sei ler em alemão. - Depositei a garrafa de volta na bancada, de onde o Carl a pegou e ficou analisando-a.

- Isso não parece ser alemão, acho que é francês. - Comentou indeciso.

- Que seja, parece nome de cachorro. - Falei pegando a segunda taça.

- Eu não daria esse nome ao meu cachorro.

- E eu não daria esse nome a um vinho tão bom.

Respirei fundo, olhando pro líquido avermelhado na taça que eu segurava.

- Próximo. - Murmurei levando a taça a boca.

                             [ ... ]

- Não sei, achei o último melhor do que o terceiro. - Carl falava, segurando a taça do vinho número cinco, que estava vazia.

- Prefiro o terceiro. Tem um gosto mais marcante. - Eu segurava a taça do vinho número três, também vazia. Estávamos nessa indecisão a uns cinco minutos, sentados de frente pro outro na bancada.

Eu nunca imaginei que vinhos realmente pudessem ser tão diferentes assim do outro.

- Que tal resolvermos isso no jokenpô? - Sugeriu. - Ou então vamos ficar nessa o dia todo.

- Ok. - Aceitei, era a única solução pra resolvermos isso logo.

Então fechamos as mão e em seguida a abrimos, eu joguei papel e ele tesoura, droga.

- Parece que a garrafa número cinco, é a escolhida. - Ele zombou, e com um sorriso convencido, pegou a última garrafa.

- Tudo bem, a número cinco é boa também. - Dei de ombros, fingindo estar tranquila com a minha derrota.

- Então... - Ele fez sinal para que eu entregasse minha taça, e assim fiz. Ele encheu minha taça pela metade, e fez a mesma com a sua. - acho que só mais um pouquinho, não faz mal, não é?

- Claro que não. - Respondi, sem muita certeza.

- Bem convincente. - Ele riu me entregando a taça.

- Um brinde. - Levantei a taça.

- A que? - Perguntou levantando a sua também. Pensei por um instante.

- A primeira vez que ingerimos álcool. - Rimos batendo as taças, e então bebemos, termaminando nosso copo em segundos.

- Hora de guardar? - Perguntou olhando pras garrafas. Olhei pra elas por um instante, pensativa. Então levantamos o olhar um pro outro.

- Não! - Exclamamos juntos e começamos a encher as taças novamente, e mais uma vez, e de novo...

- Nuca imaginei que vinho fosse tão bom. - Disse Carl, morrendo de rir, e nem sei por que.

- Eu também não. - Falei também rindo.

- Tem uma coisa que preciso te confessar. - Sussurrou se inclinando no balcão, me inclinei também, me aproximando mais dele. - Eu não bebi a cerveja.

- Eu sabia! - Sussurrei feliz por não precisar devolver a arma. - Mas por que você está sendo idiota de confessar isso?

- Eu não sei. - Sussurrou com um sorriso. - Por que estamos sussurrando?

- Eu não sei. - Sussurrei em resposta. Rimos feito idiotas, dei mais um gole na minha taça.

Eu me sentia um pouco zonza e distante, eu estava muito, muito alegre. Carl também parecia estranhamente feliz, estava rindo muito, assim como eu. Minha cabeça doía um pouco, mas não tanto quanto minhas costas.

- Eu vou... vou... vou.. - Carl se enrolava, tentando achar as palavras.

- Vai o que? - Perguntei, percebendo minha voz sair um pouco enrolada.

- Espera, eu vou me lembrar... - Se levantou do banco, um pouco cambaleante. Ele se segurou no balcão, apertando os olhos e piscando várias vezes.

- Você está bem? - Perguntei rindo dele.

- Estou. - Respondeu dando dois passos rápidos pra frente.

- Wow! - Exclamei quando ele se desequilibrou e caiu sentado no banco ao meu lado. - Bem mesmo?

- Só estou um pouco tonto. - Respondeu esfregando os olhos, e olhou pra mim, ficamos nos encarando por um instante. O rosto dele estava rosado, e seu olhar um pouco distante. - Isso é uma droga, sabia?

- Os vinhos? - Indaguei incrédula, não acredito que ele está falando mal dos vinhos.

- Não. - Respondeu, se aproximando do meu rosto e me deu um beijo na bochecha. Fiquei sem reação, olhando confusa pra ele. - Você é uma droga.

Antes que eu pudesse ter alguma reação, ele segurou meu rosto com uma das mãos, e avançou seus lábios nos meus, me pegando de surpresa. Ele me beijou com certa brutalidade, fazendo o lado do meu rosto em que levou uma bofetada, doer. Num impulso, recuei um pouco pra trás e tirei suas mãos do meu rosto, então o afastei empurrando seu peito.

Me levantei, e tudo girou assim o que o fiz, tive que apoiar as mãos na bancada para não cair.

- O que foi? - Carl perguntou se levantando também, e deu uma leve cambaleada pra trás, mas conseguiu se equilibrar em pé.

- Isso machucou. - Respondi virando todo o meu corpo pra ele, apoiando as costas no beiral da bancada.

- Desculpa. - Pediu. Ele se apoiou ao meu lado na bancada. - Eu não quis te machucar.

Assenti, eu sabia disso. Ele pegou minha taça, que estava mais perto, e tomou mais um gole de vinho. Ficamos nos encarando, minha visão estava um pouco embaçada, mas eu conseguia enchegar bem o seu rosto, seu olho, sua boca.

- Você também é uma droga. - Falei e, sem conseguir resistir, puxei-o pela gola da camisa, fazendo-o vir de encontro aos meus lábios.

Ele colocou a taça de volta na bancada, e segurou minha cintura com as duas mãos, passei as minhas pelas suas costas. Ele me precionou mais contra a bancada, e meu cutuvelo acabou empurrando a taça que estava ali em cima, e ela se espatifou no chão, derramando o pouco de vinho que ainda tinha no copo, manchando o assoalho.

Ele se afastou um pouco, olhando pro estrago no chão.

- Isso é um desperdício e tanto. - Murmurou balançando a cabeça com pesar.

- Droga, precisamos limpar isso. - Peguei o pano que ele havia usado para limpar a espuma do champanhe, mas antes que eu pudesse me abaixar, ele me segurou, e tirou o pano da minha mão.

- Podemos cuidar disso depois. - Falou soltando o pano no chão e voltando a me beijar, era um beijo calmo mas ao mesmo tempo preciso.

Ele me puxou pra mais perto, e foi me conduzindo pra saída da cozinha. Demos uma cambaleada, e acabamos nos desequilibrado, ele bateu a cabeça no armário do outro lado, seu chapéu caiu no chão, revelando seus cabelos levemente bagunçados.

Rimos abobados, com os lábios ainda colados.

- A porta é pro outro lado. - Falei puxando-o para a saída, ele riu e afastou seus lábios dos meus, nos fazendo parar na porta. Viramos a cabeça para olhar pro balcão, onde se encontravam as seis garrafas, uma de champanhe e cinco de vinho. E pela sombra, pude ver o líquido da garrafa número cinco, quase no fundo.

- Acho que estamos encrencados. - Sussurrei achando graça daquilo.

- Com certeza estamos. - Concordou olhando pra taça quebrada no chão. - Muito encrencados.

Voltamos a nos beijar, e fomos nos conduzindo até a sala, seguravamos um ao outro como se fossemos cair a qualquer momento, o que era bem provável.

Tentamos subir as escadas, mas não passamos de dois degraus, então acabamos desistindo e fomos pro sofá. Ele me deitou com cuidado, e ficou por cima de mim, descendo seus beijos até meu pescoço. Soltei um leve gemido, fechando os olhos.

Minha respiração estava acelerada, e meu coração batia muito rápido. Minha cabeça girava, eu estava sentindo uma agitação estranha dentro de mim, Carl também estava agitado.

Enfiei minhas mãos por dentro da sua camisa, arranhando suas costas de leve, ele soltou gemidos baixos entre o colar de beijos.

- Carl. - Chamei abrindo os olhos.

- Oi? - Ele parou de beijar meu pescoço, e levantou a cabeça, me encarando com aquele olho azul vidrante.

- Eu nunca...

- Eu também não. - Sussurrou acariciando meu rosto com uma das mãos, isso me deixou um pouco menos tensa. - Você quer?

- Estamos sob o efeito do álcool, então acho que é nossa obrigação fazer coisas imaturas, que normalmente os adolescentes no nosso lugar fariam. - Respondi rindo.

- Como perder a virgindade no sofá da sala, por exemplo? - Ironizou, a voz saindo embargada.

- Estaríamos num dos quartos se conseguíssemos subir as escadas.

- Não importa. - Falou dando um suspiro. - Sofá ou cama, é só um detalhe.

- Mas é um "detalhe" importante, minhas costas estão doendo, e você está precionando minha coluna. - Reclamei.

- Você continua chata. - Revirou o olho. Então tirou sua mão que estava agarrando minha cintura, e a depositou na minha perna, puxando-a pra mais junto da sua. - E ainda fala demais, que tal calar a boca?

- Vem calar. - Provoquei mordendo o lábio. Ele sorriu de lado e aproximou seu rosto do meu, parando a apenas um centímetro de distância da minha boca. Seus cabelos faziam cosquinhas no meu rosto.

- Por que você não cala a minha? - Sussurrou me fitando furtivamente, seu tom sexy fez meu corpo se arrepiar. Era impossível resistir a boca dele tão perto da minha, o seu álito frio cheirava a aquele aroma delicioso do vinho.

Então levei minhas mãos que estavam em suas costas, até sua nuca, e o puxei de encontro aos meus lábios. Ignorei a dor na bochecha que se intensificou com o nosso beijo nada calmo, na verdade, eu estava ignorando todas as dores que estava sentindo pelo meu corpo todo.

A língua dele tinha um gosto forte de uva, o que me faz questionar, por que não trouxemos a garrafa de vinho?

Minha temperatura começou a subir na medida em que ele descia suas mãos pelo meu corpo, parando no zíper da minha calça jeans. Tirei minhas mãos da nuca dele e as levei até o cinto de sua calça, e tentei abrí-lo, mas estava difícil de fazer isso com os olhos fechados.

De repente ele parou nosso beijo, e sua cabeça caiu pro lado. Então seu corpo pesou em cima do meu, e eu comecei a sentir falta ar.

- Carl? - Chamei fazendo uma careta de dor, mas ele se manteve calado e imóvel. Não... ele não pode ter dormido, não por cima de mim! - Carl?! - Tentei tirar minhas mãos do cinto de sua calça, que eu não consegui abrir, e o puxei pelas costas da sua camisa. - CARL - SAI - DE - CIMA - DE - MIM!

Minha voz saía com dificuldade, minhas costas e meu estômago estavam sendo esmagados.

- CARL! - Ele não acordava. Com muita dificuldade, consegui colocar minhas mãos em seu peito, e com o máximo de força que eu tinha naquele momento, o empurrei para o lado. O corpo dele virou, caindo pra fora do sofá, no chão.

Rapidamente levei minha mão ao peito, que subia e descia rápido, tentando recuperar o fôlego.

Virei a cabeça para o lado, vendo o Carl caído deitado no carpete entre o sofá e a mesinha, desacordado. Senti alívio de ele não ter batido com a cabeça no vidro da mesinha, o que foi por pouco.

Fiz esforço pra tentar me sentar, mas caí deitada novamente, o teto estava girando e meu corpo estava dolorido demais naquele momento para tentar ficar em pé.

  Me senti tonta vendo as estrelas rodando a cima da minha cabeça, e a luz delas era um rosa forte de mais, fechei os olhos com força, e não consegui mais abrí-los. Tive a sensação de que o meu corpo estava flutuando, e me deixei levar.


Notas Finais


Espero q vcs tenham gostado...
Se puderem comentem oq acharam por favor, provavelmente só poderei postar o pximo cap na semana q vem :(
Então.... vlww e até mais seus lindos! 😚


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