História The Walking Dead: O Outro - Capítulo 1


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Exibições 39
Palavras 1.557
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, pessoal! É um prazer enorme estar de volta com a terceira parte dessa grandiosa história que vem se expandindo graças a cada um de vocês, leitores, que sempre me apoiaram e me incentivaram. Sei que havia dito no final da fic anterior que eu não pretendia fazer mais continuações. Porém, com o passar dos dias, fui sentindo muito falta de escrever essas histórias mirabolantes de zumbis e tretas entre sobreviventes até que eu não consegui mais resistir.
Quanto a postagem dos capítulos: infelizmente, eu não tenho tido muito tempo para escrever, já que as aulas na minha faculdade enfim recomeçaram. Mas vou fazer o possível para manter um mínimo de um capítulo por semana. Esta não será uma fanfic grande como as anteriores. Ela contará com poucos capítulos, e terá um enfoque mais intimista, bem diferenciado, sobre o personagem Vince.
Espero que gostem dessa minha nova experiência narrativa. Aos leitores que estão me conhecendo agora, vale lembrar que esta é uma continuação direta de outras fics minhas (The Walking Dead: Sombras do Amanhã e The Walking Dead: Ruínas do Anoitecer), portanto é melhor vocês checarem primeiro as duas primeiras partes para não ganharem spoilers da história logo de cara. Deixarei os links nas notas finais deste capítulo.
Além disso, trago mais uma novidade. Recentemente, tive a ideia de montar uma espécie de playlist com músicas que eu ouço enquanto escrevo os capítulos e que me inspiraram para criar essa nova ambientação da terceira parte da fic. Fiquem à vontade para ouví-las quando, como e se quiserem (rsrs). Mesmo que prefiram ler sem música, recomendo que vocês as ouçam em algum momento do dia porque são realmente excelentes. De vez em quando, eu recomendarei alguma canção específica de acordo com o conteúdo do capítulo. Espero que curtam a ideia. Aqui vai a playlist:
Mr. Tambourine Man - Bob Dylan (Essa pra mim seria o tema principal)
Hurt - Johnny Cash
White Winter Hymnal - Fleet Foxes
Holocene - Bon Iver
Ain't no grave - Johnny Cash (Boa pra quando se estiver enfrentando zumbis)
God's gonna cut you down - Johnny Cash
The One That Got Away - The Civil Wars

Enfim, é ótimo estar com vocês de novo, nessa nova jornada que se inicia. Espero muito que gostem. Obrigado e boa leitura! (:

Capítulo 1 - Tempos Depois


 

Capítulo 1: Tempos Depois

 

  Nada acontecia. Nada mudava. A vida de Vince era sempre a mesma desde a última vez que vira seus antigos companheiros.

  Todos os dias, o rapaz deixava o pequeno chalé que encontrara abandonado durante sua peregrinação para o Norte para caçar e procurar por suprimentos. Não sabia exatamente onde estava. Sabia apenas que já havia deixado Atlanta para trás fazia vários quilômetros.

  Num golpe de sorte, ele encontrara um Toyota velho no meio da estrada com o tanque quase cheio. Rodou por alguns dias, conseguindo reabastecer vez ou outra e até mesmo trocar o veículo por um Honda que encontrara intacto. Incrivelmente, não encontrava um ser humano vivo desde a noite fatídica em Atlanta. Tudo o que via eram infectados, caminhando sem rumo dia e noite, com os corpos cada vez mais deteriorados pelo tempo e pela natureza.

  Calculava que já estava dentro da Carolina do Norte, talvez quase na fronteira com a Virginia. Sabia que estava se afastando bastante em direção Norte, pois o inverno se tornava mais rigoroso a cada dia, permitindo até mesmo um pouco de neve nas horas mais frias.  

  O pequeno chalé onde Vince se assentara ficava no topo de uma colina, banhando-se ao Sol da manhã toda semana. Parecia mais um refúgio de um escritor, que se isola na natureza para esquecer da opressão da vida em sociedade e vencer um bloqueio criativo.

  Sentado numa velha cadeira de madeira carcomida, Vince encarava a mesma folha de papel que encontrara semanas antes no motel na estrada, logo depois de fugir de Atlanta. A caligrafia bruta e apressada e a tinta falhada o transportavam de volta para aquele tempo, onde tudo era incerto.

  Lembrou-se do breve e fantasioso caso que tivera com Samantha, a noiva do líder louco Sebastian. Depois pensou em Tyler, Anna, Carol... Rostos cuja memória já parecia se esvanecer da mente, como se pertencessem a um passado remoto demais para ser lembrado.

  Pensou ainda em James e Athena. Perguntava-se se eles teriam mesmo sobrevivido àquela noite, se teriam escapado a tempo de Atlanta. Gostava de acreditar que sim, o que parecia aliviar sua consciência. Mas a verdade era que não havia como saber. Um mau-pressentimento se agarrara a Vince naquela noite e jamais o largara.

  “Kill Rick Grimes”, o rapaz leu em voz alta. Não conseguia entender o que prendia sua atenção naquele bilhete. Na verdade, não compreendia porque diabos alguém naquele mundo em ruínas se preocuparia em escrever aquilo. Seria uma espécie de lembrete, como o de um psicopata que monta sua rotina sádica de mortes? Ou seria uma forma de deixar expresso o ódio sentido do tal homem? Seria alguém cansado de guardar para si toda a fúria que sentia, eternizando num mísero pedaço de papel sem valor tudo de ruim que estivera encravado nas profundezas de seu coração endurecido pela sobrevivência?

  Vince sacudiu a cabeça e se levantou da cadeira quando percebeu que aqueles pensamentos não o levariam a lugar algum.

  -Kill Rick Grimes – Ele recitou o bilhete outra vez, enquanto andava em direção à porta – Eu realmente preciso tirar essa porra da cabeça.

  Buscou sua pistola sobre o criado-mudo e se decepcionou ao fazer a contagem das balas que restavam. Não entendia como sua munição havia acabado tão rápido. Pensava estar tomando cuidado com o desperdício.

  -É... tempos de vacas magras. – Murmurou.

  Encaixou o pente preenchido pela metade na pistola e deu uma última olhada em volta antes de sair. O lugar que encontrara para se assentar era realmente aconchegante. As paredes e o chão eram feitos de madeira. Estas, por sua vez, eram decoradas com troféus de caça, retratos e jornais antigos emoldurados. Quem costumava morar ali antes do apocalipse certamente sabia conferir um elegante charme ao chalé, que ficava afastado das cidades, numa área florestal.

  Vince fechou o zíper do grosso casaco que vestia e saiu porta afora. Uma vez fora da toca, o rapaz observou o ambiente que o cercava. O vento fazia balançar os galhos das árvores sem piedade, enquanto uma neve rala persistia em ficar no chão, se agrupando pelos cantos. O sol da tarde brilhava, porém, não obstante a isso, o frio não dava trégua.

  Não havia nenhum tipo de cidade ou construção olhando à primeira vista. Apenas se Vince apertasse os olhos e forçasse a visão poderia enxergar uma pequena estação de energia elétrica abandonada e uma curta ponte de metal que se estendia por cima de um penhasco, a vários quilômetros de distância da colina onde ficava o pequeno chalé. No geral, o que o cercava era uma grande e incrível imensidão verde, pontilhada pelo branco da neve e a umidade do orvalho.

  -Vamos começar os trabalhos. – O rapaz disse a si mesmo, fingindo entusiasmo.

  Pegou um machado que deixara ao lado da porta e guardou a pistola no coldre de couro preso à sua cintura. Precisava arranjar lenha para as noites congelantes que viriam e, caso tivesse a sorte em seu favor, até mesmo encontrar um animal para comer. Estava realmente cansado de se alimentar basicamente de vegetais. Com a neve era difícil encontrar e colher algo comestível naquela floresta. Ao mesmo tempo, os animais já ficavam cada mais difíceis de se encontrar por causa dos infectados, que além de importunarem a vida humana, gostavam de atacar os animais para tentar saciar a fome interminável.

  Vince começou a descer a colina, caminhando tranquilamente por entre as árvores. Sentia que já conhecia muito bem cada canto daquele lugar, ainda que mantivesse os ouvidos muito atentos para qualquer infectado que aparecesse por lá.

  Não gostava do clima frio do Norte. Sentia falta das tardes ensolaradas de Montgomery que passara ao lado de seu irmão, metendo-se em encrencas ao longo de toda a cidade. O coração doía de saudade daqueles tempos, mas também de ódio das pessoas que haviam assassinado Jake. Nada no mundo poderia trazê-lo de volta, portanto nada no mundo poderia fazer Vince se sentir em paz outra vez.

   Afastando o pensamento da cabeça, o rapaz redobrou a atenção no ambiente em volta. Sentira um cheiro estranho, amargo e forte. Não vinha de longe, certamente havia alguma coisa por perto.

  -É melhor eu dar uma olhada nisso. – Disse a si mesmo.

  Apertou um pouco o passo, erguendo o machado em prontidão. Ergueu os olhos e pôde perceber, por entre a fina copa das árvores, uma leve fumaça acinzentada pairando no ar poucos metros à frente. Reduziu a velocidade quando percebeu que se aproximava de uma clareira e se escondeu atrás de uma árvore. Olhou em volta e não percebeu nenhum tipo de movimento. Havia apenas o cheiro terrível que descobrira segundos antes e que havia acabado de se intensificar, se tornando quase insuportável. Parecia o odor de carne queimada sendo carregado pelo vento a todos os cantos.

  Seguro de que não havia ninguém por perto, Vince saiu calmamente de seu esconderijo e se dirigiu ao centro da clareira. No entanto, o que vira criara um nó no seu estômago. Vince se contraiu instintivamente e cobriu o rosto quando percebeu de onde vinha o cheiro repugnante que sentia.

  Ali na sua frente, a menos de dois metros de distância, estava uma larga pilha de corpos humanos queimados no chão. A carne havia sido quase totalmente consumida pelo fogo, deixando o pouco que restara completamente escurecido, como as cinzas de uma grande fornalha. Havia corpos de vários tamanhos, podendo ser homens, mulheres ou até mesmo crianças. No estado em que se encontravam, Vince não sabia dizer se já estavam infectados na hora da morte ou se ainda eram humanos quando foram queimados. Não gostava nem mesmo de pensar na possibilidade daquelas pessoas terem sido assassinadas a sangue frio. Aquilo simplesmente não era certo.

  Subitamente, um som discreto, como passos na neve, soou em algum lugar à esquerda. Vince, instintivamente, sacou a pistola e a apontou na direção do som.

  -Quem está aí? – Perguntou, ainda mantendo a calma.

  Nenhuma resposta.

  -Quem está aí? – Perguntou de novo, enraivecendo o tom – Eu não vou perguntar de novo. Seja lá quem estiver aí, saia agora!

  E nada. As mãos que seguravam a pistola tremiam, e o rapaz apenas desejava que aquilo fosse devido ao frio e não ao medo.

  De repente, outro som se fizera, dessa vez à direita. Algo como um pequeno arbusto se remexendo. Vince virou a arma, procurando sob sua mira quem quer que estivesse provocando-o.

  -Se você não estiver querendo me machucar, não tem porque temer. – Ele prosseguiu em voz alta – Só vim procurar por lenha e comida, não quero problemas.

  O silêncio que se instaurava durante o intervalo entre os sons deixava Vince nervoso. Sentia-se sufocado com a possibilidade de estar cercado naquele exato momento.

  “Merda, eu estou em desvantagem. Deve ter no mínimo dois deles por aqui. Talvez seja melhor eu...”

  E quando um terceiro som se fez, dessa vez à frente, Vince não pensou duas vezes. Deu meia volta e arremeteu pelo caminho de volta. Correu por entre as árvores, mantendo a cabeça baixa para caso os tiros viessem. Somente respirou aliviado quando atingiu o topo da colina e fechou a porta do chalé atrás de si.

  Ainda ofegante pela correria, Vince se deixou escorregar lentamente com as costas coladas na porta de madeira até atingir o chão, onde sentou e pôs-se a pensar:

  “Que merda foi essa que eu acabei de ver?”   


Notas Finais




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