História The Winter Rose - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias Capitão América, Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Dr. Bruce Banner (Hulk), James Buchanan "Bucky" Barnes, Maria Hill, Natasha Romanoff, Nick Fury, Pepper Potts, Personagens Originais, Phillip Coulson, Sam Wilson (Falcão), Steve Rogers
Tags Alice, Bucky, Missão, Soldado Invernal
Exibições 333
Palavras 3.331
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá pessoas! Sobreviveram ao capítulo passado?
Bom, esse capítulo é narrado inteiramente pelo nosso Soldado, então sejam boazinhas comigo, eu não sou acostumada a escrever pelo ponto de vista masculino da coisa.
Só para dar uma situada básica, a ação inicial se passa dentro do carro.
Espero que gostem!
Deixem suas opiniões ;)
Leitoras fantasmas, apareçam, eu juro que não mordo!
Leitoras novas, bem vindas!!
Revisei como sempre, mas algo pode ter passado, então já sabem, qualquer coisa me avisem!
Beijos e boa leitura ♥

Capítulo 23 - Meu único desejo


Fanfic / Fanfiction The Winter Rose - Capítulo 23 - Meu único desejo

Bucky

 Já sentiu como se o chão que existe debaixo dos seus pés simplesmente desaparecesse de uma hora para outra e você não tivesse nenhum lugar para ir a não ser para baixo? Bem, eu estava me sentindo assim agora.

 Quando os olhos de Alice se fecharam e não voltaram a se abrir, nem depois de eu chamá-la e tentar acordá-la de um milhão de formas diferentes, eu senti o chão se corroer completamente sob meus pés e me puxar para baixo sem pena. Senti como se caísse em um buraco sem fundo, onde um redominho espiralado me jogava de um lado para o outro como se eu fosse um pedaço de papel.

 Meus sentimentos — que para mim sempre foram extremamente conflituosos —, agora haviam se tornado a mistura de apenas duas coisas: medo e raiva.

 Medo, porque eu temia, de todas a maneiras, perdê-la, e raiva, porque eu sequer pude protegê-la, porque eu não percebi que aquilo era uma armadilha articulada cuidadosamente para matá-la. Eu conhecia o homem que fez aquilo, já havia visto seu rosto, mas me dei conta disso quando era tarde demais.

 Minha respiração se tornou mais densa a medida que a respiração dela se tornou quase inexistente. Ela estava morrendo, eu conseguia sentir isso.

 Apertei o ferimento localizado logo abaixo de sua costela com mais força, sentindo o sangue quente escorrer por entre meus dedos. Levantei a cabeça e encarei o tal de Morris — o primeiro agente a chegar no local e nos enfiar dentro de um carro — que dirigia mais rápido do que Alice costumava fazer por uma movimentada avenida em direção a um hospital.

— Como ela está? — ele perguntou, quase tão aflito quanto eu.

— Morrendo — respondi com a verdade. — Quanto tempo ainda falta?

— Estamos quase lá — respondeu.

 Então ele aumentou ainda mais a velocidade do carro, pouco se importando com as leis de trânsito. E, convenhamos, essa era a menor das nossas preocupações agora.

 Menos de cinco minutos depois e ele chegou ao hospital, quase entrando de carro e tudo lá dentro. Saiu aos tropeções de dentro do veículo e abriu a porta para mim, para que eu pudesse sair com ela no colo.

— Ei! Socorro! — ele gritou, balançando as mãos para cima e atraindo a atenção de alguns enfermeiros.

 Eles correram até nós empurrando uma maca, com cuidado eu a coloquei lá em cima. Ela estava tão pálida, o sangue ainda vertia para fora.

— O que aconteceu? Qual é o nome dela? — um enfermeiro perguntou.

— Ela... Ela foi esfaqueada — respondi meio atrapalhado. — Alice. O nome dela é Alice Ward.

— A quanto tempo isso aconteceu? — perguntou enquanto ele e mais outro empurravam a maca em direção a porta.

— A uns dez minutos — falei.

— Certo — e adentrou o hospital, eu fui atrás e Morris atrás de mim. — Chamem o dr. Rupert, digam que temos uma vítima de esfaqueamento, mulher, vinte e poucos anos com uns três litros de sangue perdido, ferimento na testa e uma possível concussão. Preparem a sala de cirurgia. Desculpe, os senhores não podem passar daqui — o enfermeiro disse quando chegamos em frente a uma porta. — Aguardem na sala de espera, sim?

 E então atravessaram as portas levando ela e desapareceram de nossas vistas. Eu fiquei parado ali, com o sangue dela nas minhas mãos pingando no piso branco e temendo pelo pior.

— Ela vai ficar bem, vai sim — Morris disse como se quisesse me tranquilizar e se tranquilizar ao mesmo tempo. — Talvez seja melhor você lavar as mãos — ele sugeriu.

 Eu concordei lentamente com a cabeça e fui em direção ao banheiro, que por sinal ficava bem de frente ao local onde estávamos. Empurrei a porta e adentrei o local, indo direto para as pias. Havia um homem lá, e ele olhou para as minhas mãos com certo espanto, mas não disse nada, apenas saiu.

 Liguei a torneira e enfiei minhas mãos debaixo d'água vendo o sangue sair aos poucos e escorrer pelo ralo, mas esse simples ato não levava a lembrança do que aconteceu embora, não aliviava a culpa que eu sentia, porque, no fundo, eu sabia que a culpa era minha.

 Minha porque fui eu quem aceitou a ajuda de Steve quando ele me encontrou, se eu não tivesse feito isso, então ela não teria recebido uma missão, nada do que aconteceu teria acontecido, e ela não teria que ter revelado quem era. Então, se tivesse sido assim, ela estaria segura, e não aqui.

 Joguei um pouco de água na minha nuca e encarei o meu próprio reflexo no espelho. Senti vontade de socá-lo, quebrá-lo, até que não restasse mais nada que eu pudesse ver a mim mesmo, mas respirei fundo e me controlei, eu tinha que mater a calma agora. E foi isso que eu fiz, fechei a torneira e deixei o banheiro para trás.

 Morris andava de um lado para o outro do corredor quando eu cheguei e falava alguma coisa, porém baixo demais para que eu pudesse ouvir, ou entender.

— Tenho que voltar para a S.H.I.E.L.D. — anunciou quando parou de andar. — Fizeram uma descrição do homem que esfaquiou a Alice, ele não deve estar longe.

 Balançei a cabeça para cima e para baixo.

— Quando você o encontrar, mata ele — falei.

— Com prazer — concordou, mas eu sabia que ele não faria isso. — Cuida dela — pediu.

— Vou cuidar — afirmei.

 Ele saiu sem dizer mais nada, e eu apenas caminhei até a sala de espera e me sentei na cadeira de estofado verde-claro. Passei minhas mãos pelo rosto e encostei minha cabeça na parede fechando os olhos por momento.

 Inconscientemente e sem nenhum tipo de planejamento, eu começar a rezar. Tipo, rezar de verdade, falar com Deus e tudo mais. Acho que Alice estava certa afinal, não tinha um manual de instruções de como se fazer isso, você só precisava, realmente, começar a falar, mesmo que não fosse em alto e bom tom. Podia ser apenas a voz da sua cabeça.

 Eu pedi para que ela não morresse, pode parecer idiota e até um pouquinho clichê, mas essa era a única coisa que eu conseguia pensar no momento, minha única vontade. Meu único desejo.

— Bucky? — ouvi me chamarem.

 Afastei minha cabeça da parede e abri os olhos quando reconheci o timbre de Steve. Ele estava parado na minha frente, mas não estava sozinho, Natasha estava ao seu lado e Sam — acho que é esse o nome dele — ao lado dela.

 Encarei o trio e eles me encararam de volta.

— O que vocês estão fazendo aqui? — questionei.

— O Coulson ligou e contou o que aconteceu — Natasha respondeu.

— Sinto muito por isso — Sam disse.

— Como ela está? — Steve perguntou.

 Eu balançei a cabeça de um lado para o outro.

— Eu não sei — respondi sendo sincero. — Eles levaram ela, mas não deram notícia alguma.

 Steve suspirou e se sentou na cadeira ao meu lado botando a mão sobre o meu ombro. Natasha e Sam se sentaram nas cadeiras logo a nossa frente.

— Ela vai ficar bem, é a Alice, ela é durona — Natasha disse com certa confiança, mas existia uma centelha de preocupação em seu olhos.

— Foi a HIDRA. Foram eles que fizeram isso com ela — divaguei.

— A HIDRA? E qual é o interesse que eles tem nela? — Sam perguntou, creio que ele não sabia quem extamente ela era.

 Me perguntei se deveria contar, seria justo eu fazer isso? Ou será que ela é quem deveria fazer? Bom, eu acho que eles saberiam da verdade uma hora ou outra, então, que mau pode haver se eu contar?

 Com esse pensamento em mente, eu contei, contei tudo o que ela me contou, nos minímos detalhes e não escondendo absolutamente nada de nenhum deles.

— Então a Alice na verdade se chama Eliza, é filha de um tal de Maxim Vladvostoff, o todo poderoso da HIDRA e você a treinou a anos atrás, mas não lembra disso? — Sam disse assim que eu terminei. — E eu que achava que minha vida era complicada.

 Steve e Sam pareciam extremamentes surpresos e espantados com tudo o que eu disse, já Natasha não demonstrava nenhum sinal de que estava meramente surpresa, o que me faz pensar que ela conhecia a história.

— Você sabia — disse a olhando.

— O Bruce sabia — disse dando de ombros. — Eu sabia mais ou menos. Ouvi a conversa deles um dia, sem querer, não entendi muito bem o que era, mas também não perguntei. O que eu ouvi aquele dia faz sentido agora.

 Balançei a cabeça para cima e para baixo e soltei uma risada nasalada, então era sobre isso que eles estavam falando naquele dia em que eu os vi de mãos dadas? Sobre mim? Sobre a verdade?

— E por que você nunca disse nada? — Steve perguntou para a ruiva.

— Não era uma história minha, eu não podia simplesmente sair contando por aí, é falta de educação — ela respondeu.

— Até parece que você se importa com isso — Sam alfinetou.

 Ela olhou torto para ele.

— Agora isso já não importa mais — falei, eles me olharam. — O pior já aconteceu.

 Eles se entreolharam, e fizeram silêncio por um segundo.

— O que a gente faz agora? — Natasha perguntou.

— A gente espera — Steve respondeu.

 E ele estava certo, não restava mais nada a fazer, a não ser esperar.

***

 Uma hora e meia, nós estavamos ali a uma hora e meia e, até agora, não haviamos recebido uma notícia sequer de como Alice estava. Essa espera estava me deixando maluco porque, quanto mais eu esperava mais eu pensava, e quanto mais eu pensava mais pensamentos ruins surgiam na minha cabeça. E isso não bom, na verdade, era o contrário disso.

 Steve, Natasha e Sam ainda permaneciam ali, todos calados, assim como eu, e parecendo perdidos em seus próprios mundos e pensamentos.

— Você está com cara de quem vai cometer uma besteira — Steve disse, do nada.

— Nunca se sabe — falei, apesar de achar que eu não faria nada.

— Eu não sei se você está pensando em fazer alguma coisa ou não, mas eu vou te dar um conselho que você costumava me dar "Não faça nada do que você pode se arrepender depois" — disse.

 Pisquei algumas vezes o olhando, mas não consegui me lembrar de já ter dito isso alguma vez.

 Passei as mãos pelo rosto, eu já estava começando a considerar a idéia de ir até aquela porta, aquela por onde sumiram com Alice, e sair procurando-a por conta própria. Mas assim que tal pensamento cruzou pela minha cabeça, um homem, vestido com um jaleco branco, apareceu ali e nos encarou.

 Eu fui primeiro a ficar de pé, seguido de Steve, Natasha e então Sam.

— Boa noite — anunciou com certa calma. — Sou o dr. Rupert. Vocês são parentes de Alice Ward?

 Um segundo silêncio se instalou naquele corredor, ninguém era parente dela ali.

— Ele é o namorado — Natasha soltou de repente. Eu poderia ter me virado e encarado ela, mas isso seria estranho, levando em consideração o que ela disse. Mas depois de tudo o que passamos, eu posso dizer que sim, sou o namorado dela. — Como ela está doutor? — ela questionou estacando ao meu lado.

— Bem... — ele soltou um suspiro e olhou uma prancheta. — Levando em considereção o que aconteceu, ela está bem — respondeu, respirei aliviado. — Sofreu uma leve concusão, nada grave. Sofreu uma forte hemorragia, mas conseguimos parar o sangramento. O ferimento a faca foi muito bem feito, se é que eu posso dizer assim, passou a três centímetros do pulmão, mais um pouco para cima e ela não teria sobrevivido — falou rindo de leve. — E por falar nisso, como ela foi esfaquiada?

 E olhou para mim, mais precisamente para a minha roupa que estava suja de sangue em algumas partes.

— Foi um assalto — menti, não podia falar a verdade. — Estávamos indo embora e o cara saiu de dentro de um beco, queria a bolsa dela. Ela deu, mas...

 Parei de falar e o médico balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Essa cidade fica a cada dia mais perigosa — comentou.

— Eu posso... ver ela? — perguntei, ele concordou com a cabeça.

— É claro. Ela foi levada para o quarto, mas está cedada, não vai acordar tão cedo — informou. — Vou ter que pedir para que vocês três fiquem aqui, só uma pessoa pode entrar por vez, tudo bem?

 Eles concordaram em coro.

— Certo. Sr... — franziu o cenho me encarando.

— Barnes — falei.

— Sr. Barnes, por favor, me acompanhe — pediu.

 Concordei com a cabeça e olhei para trás, todos pareciam aliviados com as notícias.

— Por aqui.

 Então eu segui o médico pelo corredor, viramos a esquerda e andamos mais um pouco até pararmos em frente a um quarto de porta branca e com o número 327.

— Pode ficar o tempo que quiser — ele disse e se retirou.

 Exitei em abrir durante alguns segundos, mas, por fim, levei minha mão até a maçaneta redonda e girei abrindo a porta e adentrando o local.

 Ela estava deitada na cama, fios estavam conectados em seu peito e levavam até uma máquina ao seu lado que fazia um bip continuo. Era seu coração batendo. Aquilo soou como música para meus ouvidos, de certa forma.

 Fechando a porta atrás de mim, eu caminhei devagar até estar ao lado da cama, seus olhos — aqueles que, por alguma razão, eu gostava tanto — estavam fechados, sua boa estava levemente aberta e ela tinha uma expressão serena. A respiração era sútil, o peito subia e descia devagar.

 Me sentei em uma poltrona clara que tinha ao lado da cama e segurei a mão dela com a minha mão normal. Ela estava quente, o que contradizia o quarto que, naquele momento, estava frio. Ou talvez fosse eu apenas.

— Oi — falei, apesar de saber que ela não podia me ouvir. — Lembra... Lembra da hora que você disse que eu não sabia o que era me importar? Sinto muito em te contradizer, mas eu sei o que é se importar, porque eu me importo com você, Alice, mais até do que deveria — soltei uma risada nasalada e acariciei a bochecha dela. — Lembra do dia em que você chegou no apartamento? Eu ouvi você conversando com o Steve, depois, quando ele saiu, eu fiquei olhando você e pensei "essa garota vai me deixar maluco, ela fala demais". E eu estava certo, você falava demais, mas então eu percebi que gostava de te ouvir falando, sempre reclamando que eu era quieto demais, e sabe por que eu era quieto demais? Só para te ouvir falar. É estranho não é? Eu não gostava de você, no começo, na verdade eu queria te jogar pela janela, porque você era tão... Eu não queria te ter por perto, porque no fundo eu sabia que já gostava de você, e eu não queria gostar de ninguém, me apegar a ninguém. Mas me apeguei à você, pela segunda vez, até onde eu sei.

 Dei uma pausa puxando o ar para os pulmões e a encarei, ela ainda estava do mesmo jeito, imóvel.

— Me desculpa pelo o que aconteceu, a culpa de você estar aqui é minha. É hora de acabar isso — decidi por fim.

 Naquele momento eu havia decidido que voltaria para HIDRA, eles me queriam, é por isso que fizeram isso com a Alice, para mandar uma mensagem. Eles não queriam matá-la, não exatamente.

 Passei mais algum tempo apenas a olhando, guardando cada pequeno detalhe do seu rosto no fundo da minha memória e jurando para mim mesmo que eu jamais me esqueceria dela outra vez. Por fim, eu soltei da mão dela e me inclinei para depositar um beijo em sua testa.

— Me perdoa pelo o que vai acontecer agora — sussurrei perto de seu ouvido. — Mas é por você que eu vou fazer isso.

 Então eu me afastei dela e saí do quarto sem olhar para trás. Ela iria me odiar quando acordasse e soubesse o que aconteceu, mas era por ela, para manter ela viva que eu faria isso.

 Caminhei pelo corredor até encontrar um balcão de informações onde apenas uma garota estava.

— Com licença — disse ao parar lá.

— Sim? Posso ajudá-lo, senhor? — ela perguntou me encarando.

— Pode me arrumar um papel e caneta? — questionei.

— Claro, só um segundo — pediu.

 Concordei com a cabeça e ela logo me entregou uma uma folha em branco e uma caneta de tinta azul. Pensei por um segundo e começei a escrever tudo o que vinha na minha na cabeça. Percebi que não tinha muita intimidade com palavras escritas, creio que nunca fui um escritor muito bom, mas, mesmo assim escrevi, e no final, aquilo se tornou uma carta de despedida.

— Obrigado — disse devolvendo a caneta.

— De nada — devolveu. — Tudo bem, senhor?

— Vai ficar — disse me afastando.

 Porém eu detive o passo quando começei a me questionar o que Steve, Natasha e talvez Sam, fariam quando eu contasse que estava prestes a me entregar para a HIDRA, certamente eles tentariam me impedir, não aprovariam essa idéia estupída que eu tive. Na verdade, nem eu aprovaria, mas isso era maior do que eu, do que a vontade que eles provavelmente teriam.

 Sendo assim, eu girei nos calcanhares e rumei de volta para o balcão. A garota que estava lá levantou a cabeça e me encarou com seus olhos cor de chocolate que pareciam querer me engolir.

— Pois não? — disse piscando.

— Será que... Algumas pessoas vão vir me procurar quando eu não aparecer, quando eles vierem você pode entregar essa carta à eles, e pedir para que eles entreguem ela à Alice? — pedi esticando o papel dobrado na direção dela.

 A garota arregalou levemente os olhos e entreabriu os lábios.

— Eu... É claro — concordou por fim e pegou o papel.

— Diz para eles que eu fiz isso por ela — disse, ela concordou com a cabeça.

— Você deve gostar muito dessa tal de Alice — ela comentou, eu apenas balançei a cabeça para cima e para baixo concordando. 

 Sem dizer mais nada, eu segui em frente e saí pela saída de incêndio. Eu sabia exatamente para onde deveria ir agora.

***

 Eram exatamente duas da manhã quando eu atravessei com certa pressa as portas principais da S.H.I.E.L.D. Havia um pequeno número de agentes ali, e eles me olharam com certa disconfiança, mas apenas um me interessava naquele momento. E eu o avistei, não muito longe de um elevador.

— Você — falei me aproximando dele.

 Morris se virou na minha direção e me encarou com a sobrancelha arqueada.

— Soldado? Aconteceu alguma coisa? A Alice está bem? — perguntou quando cheguei perto.

— Ela está bem, não corre nenhum risco — respondi seco vendo ele respirar aliviado. — Mas não foi para falar dela que eu vim até aqui.

— Foi para falar de quem então?

— HIDRA — disse, ele franziu o cenho. — Você disse que está infiltrado lá, eu quero saber onde fica a base.

— Por quê? Pretende ir até lá e matar todo mundo no braço? — disse com certo deboche.

 Me controlei para não socar a cara dele. De novo.

— Eu vou me entregar — ele não pareceu surpreso.

— Algo me diz que eu sou o primeiro a saber disso.

— Vai me dizer onde fica a base ou não?

 Ele riu e negou com a cabeça.

— A Alice vai surtar se você fizer isso — ponderou.

— Quando ela souber eu já vou ter feito — repliquei.

— Ela vai querer ir atrás de você.

— Então impessa ela.

— A gente está falando da mesma mulher, cara? — perguntou me encarando. — Porque eu estou começando a pensar que não. O quão bem você conheçe a Alice?

 Suspirei passando a língua por entre os lábios.

— Bem o suficiente — respondi.

— Então sabe que ela é teimosa — falou, olhou para o lado e me puxou para um canto. — Olha só, se você fizer isso, não importa se ela tem que ficar internada, se ela foi esfaqueada ou se ela pode morrer, a Alice vira Nova Iorque de cabeça para baixo, faz o inferno na Terra pra te encontrar.

— Sempre tem um jeito — disse.

— Não com ela. Nunca com ela.

 Pensei. Se eu ficasse, ela morria, se eu fosse, ela teria uma chance.

— Pela última vez, onde é que fica a base? — insisti.

 Era hora de dar um fim nisso.


Notas Finais


Gostou? Recomenda e favorita!

Hmm... Será que o Morris vai ajudar ele?


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