História The Winter Rose - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Capitão América, Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Dr. Bruce Banner (Hulk), James Buchanan "Bucky" Barnes, Maria Hill, Natasha Romanoff, Nick Fury, Pepper Potts, Personagens Originais, Phillip Coulson, Sam Wilson (Falcão), Steve Rogers
Tags Alice, Bucky, Missão, Soldado Invernal
Exibições 321
Palavras 3.854
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá pessoas!
Vocês sumiram, o que aconteceu?
Bom, só para avisar que agora estamos no fim do fim mesmo. O próximo será o penúltimo capítulo, e então restará o último e então o epílogo :(
Espero que gostem!
Deixem suas opiniões ;)
Leitoras fantasmas, apareçam, eu juro que não mordo!
Leitoras novas, bem vindas!!
Revisei como sempre, mas algo pode ter passado, então já sabem, qualquer coisa me avisem!
Beijos e boa leitura ♥

Capítulo 24 - Foi apenas um sonho


Fanfic / Fanfiction The Winter Rose - Capítulo 24 - Foi apenas um sonho

 As rosas tinham um cheiro bom, um cheiro doce. Elas me lembravam de quando eu era criança, onde tudo era mais facíl e sem nenhum tipo de complicação. Às vezes eu queria voltar a ser criança de novo.

 Passei a ponta dos dedos pelas petálas sentindo sua maciez. Algumas eram vermelhas, outras amarelas e outras brancas. Mirei os olhos na plánicie e, por onde quer que meus olhos passassem, tudo o que eu via eram as rosas.

 Eu queria poder ficar ali para sempre.

— Alice? — sua voz me chama de um modo gentil.

 Giro nos calcanhares e encaro Bucky que está em meio as rosas e tem um sorriso largo no rosto.

— Como você chegou até aqui? — questiono.

 Ele dá um passo à frente, e mais outro e mais outro, até ficar frente a frente comigo. Ele acaricia minha bochecha e me encara nos olhos.

— Você precisa acordar — ele diz.

 Eu franzo o cenho.

— O quê?

— Você precisa acordar — sua voz se tornou um eco distante. — Acorde, Alice.

 

Eu abri os olhos devagar, despertando aos poucos e sem conseguir aceitar que aquilo que eu tive foi apenas um sonho, eu ainda conseguia sentir um formigamento na bochecha no lugar onde ele tocou.

 Suspirei derrotada. A primeira coisa que vi foi uma luz branca, pisquei algumas vezes tentando me acostumar com a claridade imposta naquele lugar e quando finalmente consegui tal feito, franzi o cenho confusa. Eu estava em uma cama, mas não a minha cama, era uma cama de hospital, em um quarto de hospital.

 Apoiei meus braços no colchão e impulsionei meu corpo pra cima me colocando sentada, senti uma leve pontada do lado esquerdo da minha barriga, logo abaixo das costelas. Olhei para baixo e fiz uma careta, eu usava uma daquelas clássicas camisolas de hospitais, branca com listras azuis, e muito provelmente aberta na parte de trás. Um cobertor amerelo claro envolvia minhas pernas e fazia eu ter voltade de me coçar como se não ouvesse amanhã.

 Olhei ao redor, o quarto era grande e largo, pintado de branco. Havia uma poltrona creme ao lado da cama, mas ninguém estava nela. Havia também um monitor cardíaco fazendo um bip irritante bem do meu lado, só então eu fui perceber que tinha fios grudados no meu peito e que levavam até o monitor. Uma agulha fina estava enfiada no meu braço e o caninho conectado à ela levava até a bolsa de soro.

 Olhei para o outro lado, havia uma mesinha ao lado da cama, e em cima dessa mesinha existia um vaso de vidro com lírios brancos dentro. Balançei a cabeça de um lado para o outro, Stark, com certeza, ele sabe o quanto eu detesto lírios.

 Respirei fundo sentindo um icômodo, não demorei muito para me lembrar do que aconteceu a... Bom, eu não sei quando, não sei a quanto tempo eu estou enfurnada nesse lugar. E isso me faz questionar uma coisa: onde diabos está o Soldado? Até onde eu bem sei ele estava comigo.

 Passo a língua por entre os lábios, minha santa misericórdia, será possível que pegaram ele? Porque se isso aconteceu, então eu saio desse hospital hoje mesmo e vou atrás dele. Ou talvez eu só esteja sendo um pouquinho paranoica, talvez ele esteja lá fora e bem, longe das garras da HIDRA.

 Tento me convencer disso, mas alguma coisa dentro de mim diz que alguma coisa está errada. Muito errada.

 Meus pensamentos se dispersam quando ouço o barulho da maçaneta, aperto o cobertor fino em expectativa, mas, quando a porta finalmente se abre, não são os cabelos escuros de Bucky que eu vejo, mas sim os fios avermelhados de Natasha.

— Vejam só, você acordou — ela diz, sem entrar no quarto.

— Você parece surpresa — digo, minha voz está rouca. — Por quanto tempo eu dormi?

— Dois dias e algumas horas — responde.

 Faço uma careta. Como diabos alguém pode dormir tanto assim?

— Se serve de consolo, você estava sedada. Sofreu uma concusão sabia? — diz, como se soubesse o que se passava na minha cabeça.

 Eu rio de leve e meu lado esquerdo reclama. Será possível que eu não vou conseguir fazer nada sem sentir uma pontada?

— Pessoal, ela acordou — Nat anuncia e adentra o cômodo.

 Não demora muito para que o quarto seja invadido por um verdadeiro batalhão. Steve, Sam, Clint, Bruce, até o Thor está ali, usando roupas normais, graças a Deus, sua capa chamaria muita atenção. Eu sorrio para eles e meu olhar vaga para a porta, mas ninguém mais entra.

— Cadê o Bucky? — questiono.

 Nat e Steve se entreolham, a ruiva cruza os braços e o Capitão pigarreia enquanto enfia as mãos no bolso da calça.

— Ele está na Torre — Steve diz com certa calma.

 Junto as sobrancelhas.

— Na Torre? A Torre dos Vingadores? Aquela Torre? — eu digo, espantada e desconfiada.

— Aquela lá mesmo — Sam confirma.

— E o que ele está fazendo lá? — indago.

 Steve abre a boca, porém é Clint quem toma à frente do grupo.

— Ele passou duas noites em claro aqui com você, estava cansado, e a Torre é o lugar mais seguro que a gente conheçe — ele diz enquanto gesticula.

— O Stark deixou que ele ficasse lá então? Sem reclamar? — digo enquanto os encaro.

— Não exatamente — Bruce entra na conversa. — Eu tive que convencer o Tony a deixar ele ficar.

— E de todos os lugares de Nova Iorque, por que justamente a Torre? — perguntei.

— É seguro — Natasha disse.

— E perto do hospital — Sam completou.

— Mais facíl para ele vir te ver — Clint falou.

 Natasha olhou torto para ele nessa hora.

— Algum problema, Nat? — falei a olhando.

— Não, nenhum — respondeu prontamente.

 Balançei a cabeça para cima e para baixo. Eu tinha a sensação de que eles estavam me escondendo algo, algo importante. Eu não gostava dessa sensanção, e também não gostava de desconfiar da palavra dos meus amigos.

— Vocês não estão mentindo para mim, estão? — perguntei.

— E por que nós fariamos isso? Não existe nenhuma razão para isso — o Capitão disse.

— Eu não sei, existem várias razões para alguém mentir — respondi.

 Todos se entreolharam e ficaram calados.

— Eu posso assegurar que ninguém aqui está mentindo para você — Thor disse, sua voz rompendo o silêncio do quarto.

 Balançei a cabeça concordando. Creio que eu estava mesmo paranoica, eles nunca mentiriam para mim, não existia razão para fazerem tal coisa.

— Eu sei, é que... Será que eu posso falar com ele? — questionei. — Sabem? Só para ele saber que eu já acordei.

 Steve encarou Nat, que o encarou de volta e deu de ombros.

— Mas é claro que pode — a ruiva disse por fim. — Eu vou ligar para o Stark.

 Quando a Viúva pegou o celular do bolso da calça, eu sorri de canto. Eu queria ouvir a voz dele, saber que ele estava bem e se estava inteiro.

— Pronto — ela disse me entregando o aparelho.

 O peguei rapidamente e coloquei o fone no ouvido.

Agente — a voz do Stark soou do outro lado. — Em que posso lhe ser útil? — perguntou.

— Eu quero falar com o Bucky — fui direto ao assunto.

— Ah, claro, o desmemoriado — ele disse, podia jurar que ele estava revirando os olhos do outro lado da linha. — Ele está meio incapacitado no momento.

 Fiz uma careta.

— Como assim incapacitado?

— Dormindo, agente. Na verdade ele praticamente desmaiou em cima do meu sofá. Mas eu posso acordar ele, se você quiser.

 Pensei por um segundo, ele não dormia a dois dias, eles disseram, acordar ele seria praticamente crueldade.

— Não, tudo bem — falei por fim. — Eu posso falar com ele outra hora.

— Ótimo, não queria mesmo acordar ele e correr o risco de ser morto — disse debochado, revirei os olhos. — Enfim, como você está? — mudou de assunto.

— Viva, para a sua tristeza — respondi.

— Que pena, achei que ia me livrar de você dessa vez — brincou. — Que bom que está bem, agente.

— Também acho — concordei.

— Gostou das flores que eu te mandei? — perguntou, não disse que havia sido ele?

— São lírios. Você sabe que eu odeio lírios — respondi.

— É, eu sei — disse. — Passa para a Romanoff agora.

— Ele quer falar com você — devolvi o celular para Nat.

 Ela o pegou e se distanciou de mim.

— Ele estava dormindo — disse sorrindo fraco.

— Não me admira — Clint murmurou.

— Como você está se sentindo? — o Capitão questionou.

— Bastante dolorida — respondi enquanto tentava achar uma posição confortável na cama. — Eu não sabia que ser esfaquiada doía tanto.

— Existe uma curandeira ótima em Asgard, ela poderia dar um jeito nisso para você — Thor sugeriu.

 Eu juntei as sobrancelhas, Steve e Bruce encararam o Deus do Trovão e Clint e Sam seguraram a risada.

— Eu acho que já estou começando a me sentir melhor. Mas obrigada pela sugestão — falei, ele deu de ombros.

— O Stark quer a gente na Torre — Natasha anunciou.

 Eles concordaram lentamente com a cabeça ao mesmo tempo em que a porta era escancarada.

— Mas o que é que está acontecendo aqui?

 Cabeças se viram e eu olho para a frente, há uma enfermeira parada na entrada do quarto, sua cara não é das melhores e ela mantém uma das mãos apoiadas na cintura e o pé direito batendo freneticamente no chão, obviamente esperando por uma resposta, que, obviamente, não veio.

— O que é vocês estão fazendo aqui? Eu não disse que só podia entrar um por vez? — ela pergunta os encarando.

 Eles olham para mim, suas caras são iguais as das crianças que quebram alguma coisa e depois se sentem culpadas.

— É que a gente queria ver como ela estava — Sam se pronuncia.

 A enfermeira lança à ele um olhar mortal.

— Todos para fora daqui — ordena. — Vamos. Saiam — ela diz gesticulando.

— Mas... — Clint tenta.

— Sem "mas". Vamos, saiam. Todos vocês.

 E começa e enxotar um por um para fora do quarto. É uma cena bastante engraçada de se ver, e eu me controlo para não começar a dar risada.

— Nós voltamos amanhã — Steve diz, então a enfermeira bota ele para fora também.

— Desde que entrem um por vez, vocês podem ficar à vontade — ela ralha assim que o último sai.

 Eu rio, meu lado esquerdo reclama e eu meu forço a parar.

— Como está se sentindo? Alguma dor? — ela pergunta se aproximando da cama e checando o soro.

— Nada fora do normal — respondo.

— Certo — ela diz e sorri. — Eu vou chamar o médico.

 Então ela sai, me deixando, outra vez, sozinha no quarto.

 Eu respiro fundo, definitivamente, eu não devia ter feito isso, tudo o que possa existir dentro de mim doí, queima como em fogo em brasa. Eu mordo o lábio inferior e tamborilo os dedos sobre a minha perna.

 A porta do quarto volta a se abrir novamente e eu avisto os cabelos escuros do médico.

 Ele adentra o quarto em completo silêncio, fecha a porta atrás de si e caminha até os pés da cama. Ele usa um jaleco branco, no bolso está bordado em linha azul os dizeres: dr. Richard Thomas. Aperto os lábios quando percebo que ele está usando uma máscara, aquelas normalmente usadas em cirurgia. Mas por que ele está usando isso? Eu não tenho nenhuma doença contagiosa, não é?

 Pisco algumas vezes esperando que ele diga algo, no entanto, ele permanece em silêncio, apenas me encarando com seus olhos azuis. Deus, será que ele veio aqui dizer que meu tempo de vida é escasso e está sem coragem? Porque, se for assim, eu não me importo dele ficar em silêncio, eu não quero saber quando é que eu vou morrer.

— Como está se sentindo hoje? — ele indaga finalmente.

 Eu congelo ao som de sua voz, um frio me sobe pela espinha e eu literalmente paraliso. Minha boca está entreaberta, o ar nem entra e nem sai. Meus olhos estão arregalados, é como se eu não conseguisse piscar.

 Não é possível que isso esteja realmente acontecendo.

— O que aconteceu? Perdeu a voz, querida? — questiona, o sotaque russo preenchendo o vazio do quarto.

 Então é como se apertassem um botão, o ar volta para os meus pulmões e eu pisco exageradamente durante várias e várias vezes.

— O que você está fazendo aqui? — eu pergunto enfim, com a voz baixa.

 Ele tira a máscara, e sorri debochadamente de canto. Ele está igual a última vez que vi, mesmo que oito anos já tenham se passado. Como eu pude ser tão burra? Eu devia ter desconfiado que era ele. Pombas, nós temos os mesmos olhos.

— Você perdeu o sotaque — constata apontando o dedo para mim. — Você tinha um sotaque tão bonito.

— É o que se ganha por morar oito anos nos Estados Unidos — digo o encarando. — O que você está fazendo aqui? — repito.

 Ele tamborila os dedos um nos outros.

— Um pai não pode querer visitar sua única filha? — arqueia a sobrancelha.

 Dando a volta na cama, ele caminha até chegar a poltrona e se senta, meu olhar o segue, como se ele fosse um câncer contagioso e bem, para mim, ele de fato era.

— O que você veio realmente fazer? Terminar o serviço que seu capanga não conseguiu? — sibilo entredentes.

 Ele revira os olhos, odeio admitir que tenha puxado essa mania dele.

— Não seja tão drámatica, Eliza — diz balançando a mão no ar.

— Não me chame de Eliza, esse não é o meu nome — ralho enquanto o encaro.

— Esse é o nome que eu te dei quando você nasceu, portanto, eu irei chamá-la assim, quer você goste ou não — replica com sua irritação de sempre. — Você fica a cara da sua mãe com esse cabelo, para ser a cópia exata dela, só fatava ter os olhos castanhos.

— E para isso que você veio até aqui? Para falar o quão parecida com a mamãe eu sou? — disparei. — Ou quem sabe você veio aqui pedir desculpas por ter quebrado o pescoço dela bem na minha frente quando eu só tinha seis anos, e depois deu dois tiros na cabeça do meu pai?

 Vladvostoff fecha a cara e esmurra o braço da poltrona com violência.

— Aquele homem não era seu pai. Eu sou — diz de um jeito ameaçador.

— Não, você não é o meu pai. Você é um monstro que resolveu pegar uma garotinha e transformar ela na sua assassina de estimação — devolvo sem medir as palavras.

— Não só uma garotinha, mas a minha garotinha — diz frizando a palavra "minha".

 Eu cerro os dentes e aperto o botão de emergência que está sobre o colchão, entretanto, ele parece não funcionar.

— Não adianta, eu meio que desliguei a conexão — ele diz ao ver o que eu fazia.

 Eu bufo enraivecida e largo o botão.

— Eu admito que fiquei surpreso quando soube que você trabalhava para a S.H.I.E.L.D., na verdade, eu me senti meio traído, afinal, você nasceu para ser da HIDRA, para ser uma Rosa, mas você preferiu trabalhar para o governo americano. Isso é uma coisa idiota, Eliza — ele disse, como se estivesse completamente inconformado.

— É por isso que você mandou seu capanga me matar? Por que meu trabalho é uma coisa idiota? — questionei, se eu estivesse tão cheia de fios, eu estaria gesticulando agora.

— Não leve para o lado pessoal — pediu.

— Eu fui esfaqueada, é meio difícil não levar para o lado pessoal.

— Se te deixa mais feliz, eu não mandei que ele matasse, só mandei ele dar um sustinho básico — disse se recostando na poltrona.

— Então é isso que você chama de sustinho básico? — perguntei.

 Por que esse homem não vai embora? O que ele realmente quer aqui? — me perguntei mentalmente enquanto esperava uma resposta dele.

— Sim — falou dando de ombros. — Ele podia ter acertado o seu pulmão, então não seria mais um susto, seria assassinato — divagou. — Mas, pela quantidade de sangue que eu sei que você perdeu, eu estou surpreso que você não tenha morrido.

 Eu poderia ter perguntado quanto sangue eu perdi, é claro, mas isso não me interessava realmente.

— Você disse uma dúzia de vezes que eu era feita de aço, não sei o porquê de estar surpreso por eu não ter morrido — comentei ácida.

— Sempre com uma resposta pronta. Senti saudade disso — disse sorrindo.

— Para o inferno com a sua saudade — falei sem me importar. — Por que você não joga de uma vez na minha cara o motivo real de ter vindo até aqui? Assim você nos poupa de conversas que ambos sabemos que não queremos ter.

 Vladvostoff sorriu de lado, é claro que existia um motivo real para ele ter ido até ali, não foi uma visita de "pai" a sua filha moribunda, sempre existia uma razão por trás de tudo o que ele fazia. Dessa vez, com certeza, não seria diferente.

— Vamos, Vladvostoff, não temos o dia todo — apressei, eu queria me livrar dele logo.

— Vladvostoff? O que aconteceu com pai? Você costumava me chamar assim — disse com ironia.

— Uma fase que, felizmente, já passou — retruquei. — Agora diz logo o que você quer.

— Onde está o seu Soldado favorito? — disparou sem mais rodeios. — Bucky, não é? É assim que você o chama?

 Entreabri os lábios. O que ele estava fazendo? Um joguinho comigo?

— O que o Bucky tem a ver com isso? — perguntei já começando a ficar aflita.

— Ah, minha querida, ele tem tudo a ver com isso — disse sorrindo sadicamente.

— O que você fez com ele?

— Eu não fiz nada com ele, fiz com você. O resto ele fez por conta própria.

 O encarei, mas do que diabos ele estava falando? Será possível que esse homem enloqueceu de vez?

— O quê...

— Eu sabia que se ameaçasse a vida dele, não ia dar em absolutamente nada, afinal, ele é um Soldado, e soldados foram feitos para morrer — disse e levou o corpo para a frente se aproximando de mim. — Mas, o que aconteceria, caso eu ameaçasse a vida da pessoa que ele ama? Mas não podia ser qualquer pessoa, tinha que ser a agente que estava com ele, que, ironicamente, era minha própria filha.

 Suas palavras me atingiram em cheio, como se fosse uma bigorna caindo em cima da minha cabeça.

— Eu só tive que mandar alguém dar um susto, fazer ele acreditar que a culpa pelo o que aconteceu era dele. Fazer ele pensar que, longe dele, você estaria a salvo — disse, bem baixo. — E adivinha? Deu certo. O Soldado voltou para a casa outra vez.

 Eu arregalei os olhos e neguei freneticamente com a cabeça.

— Não! — exclamei em negação. — Você não está com ele. O Bucky está na Torre. Ele está bem, e longe de você.

— Ah, minha querida, quando você vai aprender que as pessoas mentem? Seus amigos mentiram para você — disse afagando meu cabelo.

— Não — murmurei.

— Talvez isso ajude você a acreditar.

 E com isso ele tirou alguma coisa de dentro do bolso do jaleco e jogou sobre o cobertor amarelo, eu peguei o objeto e minha respiração ficou presa na garganta. Eram as plaquetas de Bucky.

 Meu cérebro lutou contra, ele queria acreditar que não eram as dele, que era uma imitação barata, mas não era. Eu sabia disso porque o fecho estava quebrado e eu havia dado o meu jeito para que aquilo não se soltasse. Eram dele. Era verdade.

 Senti as lágrimas despencarem dos meus olhos e rolarem violentamente pelo rosto. Apertei as plaquetas com força entre meus dedos, como se aquilo pudesse me trazer ele de volta, mas não podia.

— O que foi que você fez com ele? — questionei enquanto encarava um ponto fixo logo à frente.

 Ele suspirou audivelmente.

— O de sempre, reconfigurei ele — respondeu com calma, como se fosse algo normal.

— Ele não é uma máquina — sibilei.

— Mas é um assassino, dá no mesmo — deu de ombros, como se aquilo de pouco importasse. — Sabe, quando eu vi ele parado lá na minha frente, por livre e espontânea vontade, eu poderia tê-lo matado, eu tinha uma arma na mão. Mas eu não fiz isso, não. Apesar do que ele fez, me tirar você, ele sempre foi um bom Soldado, sempre cumpriu as missões, sempre cumpriu as ordens, desde que fosse bem controlado é claro. Então eu pensei "por que me livrar de uma coisa que eu posso controlar?" e ele estava mais do apenas disposto a se entregar, desde que eu prometesse nunca mais te machucar de novo. Fechamos o acordo em menos de cinco minutos e... Eliza, foi tão lindo ver ele se tranformar no Soldado de novo, tirar as memórias dele, porque eu tirei, eu tirei tudo. Você, até o nome dele. Agora ele voltou a ser o que era antes, uma arma perfeita, um assassino sem remorso.

 Senti a raiva correr solta pelas minhas veias. Eu queria poder matá-lo, nem que fosse com o caninho do soro. Talvez o pensamento de querer matar o seu próprio pai era errado, ou não. Não quando seu pai é Maxim Vladvostoff.

— O que você pretende fazer acordando o Soldado? — questionei, dessa vez o olhando, as lágrimas haviam parado de cair, porém meu rosto ainda estava molhado.

— Acha mesmo que eu vou contar isso para você? — sibilou entredentes e me encarou. — A única coisa que você precisa saber, minha cara, é que, quando isso acabar, o Soldado Invernal, o seu tão adorado Bucky, não vai mais existir nesse mundo.

 Meu coração pareceu pareceu parar de bater por um segundo, e eu engoli em seco.

— Yesli polozhit' palets na nem, ya klyanus', chto ya budu mat — ameaçei sem medo.

 Ele gargalhou, jogando a cabeça para trás.

— Aí está ela, a minha Rosa! — bateu as mãos uma na outra. — Eu sabia que ela ainda existia em algum lugar aí dentro.

 Minha respiração se descontrolou, o bip da máquina ao lado da cama ficava cada vez mais alto.

— Se acalme, não queremos que você tenha um enfarte sendo ainda tão jovem, não é? — disse botando as mãos sobre meus ombros. — Talvez seja melhor você dormir agora, isso ajuda a clarear as idéias.

 E com isso ele puxou uma seringa, do outro bolso do jaleco, tirou a tampa da agulha com os dentes. Eu me agitei, mas isso não pareceu incomodá-lo e, sem pensar duas vezes, ele espetou a agulha em meu braço.

 Não levou mais do que alguns segundos para que eu sentisse meu corpo pesar, minha respiração ficou lenta e meus olhos aos poucos foram se fechando.

— Tenha bons sonhos, Eliza.

***

 Eu desperto em meio a escuridão, sem saber se aquilo que aconteceu foi real ou apenas um pesadelo meu. Pisco algumas vezes, a luz dos postes da rua, que entra atráves da janela, é a única coisa que ilumina o quarto.

 Olho ao redor, não há ninguem ali. Mais uma vez eu cometo o erro de respirar fundo, me arrependendo profundamente disso quando a dor se alastra.

 Deito a cabeça no travesseiro novamente enquanto repito para mim mesma que o episódio com Vladvostoff não foi nada além de um sonho ruim, ele não está com Bucky, o Soldado está na Torre, seguro e junto com os Vingadores.

 Escorrego minha mão pelo cobertor, meus dedos encontram algo gelado e se agarram à ele, fecho os olhos por um segundo. Não foi um sonho, foi real.

 Sinto uma estranha mistura de raiva, frustração e medo, e quando meus olhos voltam a se abrir de novo, uma decisão já estava tomada na minha cabeça: eu não passaria nem mais um segundo dentro daquele hospital.


Notas Finais


Gostou? Recomenda e favorita!

Yesli polozhit' palets na nem, ya klyanus', chto ya budu mat — Se você encostar um dedo nele, eu juro que te mato.

E aí? Apostas para o próximo capítulo? Gostaram da participação do pai dela? Soldado não apareceu hoje, mas eu juro que no próximo ele vai estar lá.


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